Daniel 7: do mar tempestuoso às nuvens do Céu

daniel 7Recomendação de Jesus: “Quem lê [Daniel], entenda!” (Mt 24:15; Mc 13:14). É a partir do capítulo 7 de Daniel que essa advertência começa a fazer cada vez mais sentido. Muitas interpretações equivocadas desse livro têm levado pessoas ao erro e ao fanatismo. O capítulo 2 também contém uma profecia simbólica, mas a partir da segunda metade do livro (capítulos 7-12) os símbolos começam a ficar cada vez mais complexos e precisam ser compreendidos sob a luz das Escrituras, para que não ganhem interpretações particulares. Quem lê Daniel, que entenda!

 Perguntas para discussão em grupo

 Quebra-gelo: Por que os cristãos genuínos não devem ter medo do juízo celestial? (ver João 3:18, 19; 5:24)

Em sua opinião, por que Deus revelou o futuro a Daniel (e também a João, no Apocalipse) em forma de símbolos, em vez de simplesmente usar a linguagem literal?

Leia Daniel 7:1-10. Ao se interpretar a simbologia profética conforme as pistas fornecidas pela própria Bíblia (ex.: Dn 7:16, 17; Jr 51:1; Zc 7:14; Ap 17:15), o que significa a visão na qual os “ventos do céu” agitavam o “grande mar” enquanto diferentes “animais” emergiam dele? (R.: A visão representa a ascensão e queda dos grandes reinos e poderes que se sucederam ao longo da História por meio de guerras, revoluções e agitações políticas entre as nações e os povos do mundo antigo. Tais reinos e poderes são: Babilônia, Medo-Pérsia, Grécia e Roma pagã, representados pelos quatro animais; a Europa dividida representada pelos dez chifres; o poder papal representado pelo “chifre pequeno”; os três “chifres” arrancados pelo chifre pequeno foram os Vândalos, os Hérulos e os Ostrogodos, estes últimos derrotados pelo poder papal no ano 538 d.C.)

Diferentemente dos reinos anteriores, por que Roma não foi representada por algum animal conhecido, mas, sim, por um animal “terrível e espantoso” (7:7, 19)?

Leia Daniel 7:7, 8, 24, 25. Note que o poder representado por um “chifre pequeno” emerge do “animal terrível e espantoso” (Roma), sendo, portanto, uma “extensão” dele. Compare as características desse poder com as do “homem do pecado” de 2 Tessalonicenses 2:1-12. Como as duas descrições se aplicam perfeitamente ao papado romano medieval? O que Deus quer nos dizer com essa revelação?

Leia novamente Daniel 7:8. O que significa o fato de que o “chifre pequeno”, diferentemente dos outros, tinha “olhos e boca? (R.: Diferentemente dos outros poderes, o poder papal era representado por uma pessoa apenas. Era diferente dos outros por ter se apropriado do cristianismo para exercer seu poder.)

 Leia Daniel 7:25. Em que sentido o “chifre pequeno” mudaria “os tempos e a lei”?

O que o cumprimento preciso dessas profecias bíblicas lhe diz?

Leia Daniel 7:9, 10. Após a visão dos “animais” (reinos) que se seguiriam, e de toda a perseguição e sofrimento promovidos pelo “chifre pequeno” (o poder papal) contra os cristãos, Daniel vê uma cena de juízo no Céu: “assentou-se o tribunal, e abriram-se os livros”. Em sua opinião, qual é o propósito de se descrever o juízo celestial nesse momento da visão? Qual é a importância desse juízo para os cristãos?

Leia Daniel 7:21, 22, 26, 27. De que forma o juízo beneficia o povo de Deus?

Note que em Daniel 7:13, 14 o “Filho do Homem” se dirige “nas nuvens do céu” não à Terra, mas ao “Ancião de Dias”, o grande Juiz do tribunal celeste. O que significa isso? Agora leia Marcos 14:62. Por que Jesus usou os mesmos termos de Daniel 7:13 para Se referir à Sua segunda vinda? (R.: Provavelmente para afirmar que Ele próprio é o Filho do Homem mencionado em Daniel 7.)

 Sabendo que Jesus é o nosso Advogado no santuário celestial, como devemos viver enquanto Ele nos defende? (João 5:24; Rm 8:1; Tg 2:12)

Notas:

 Sobre o tempo de perseguição indicado por “um tempo, tempos, e metade de um tempo” (Dn 7:25). “Tempo”, no contexto profético, significa “ano” (ver Dn 4:32; 11:13). Portanto, a expressão “tempo, tempos e metade de um tempo” é o mesmo que “[um] ano + [dois] anos + metade de um ano”, ou seja, três anos e meio proféticos. Contudo, devem ser considerados anos com 12 meses de 30 dias, resultando em anos de 360 dias cada. Com isso em mente, entende-se por que as Escrituras usam três expressões diferentes para se referir ao mesmo período profético: “três anos e meio” (Dn 7:25; 12:7; Ap 12:14), ou “1.260 dias” (Ap 11:3; 12:6), ou ainda “42 meses” (Ap 11:2; 13:5). Além disso, deve-se considerar que em profecias simbólicas cada “dia” equivale a um ano literal (Nm 14:34; Ez 4:5-7). Portanto, esse período se refere precisamente a 1.260 anos literais de perseguição sofrida pelos cristãos que preferiam ser fiéis às Escrituras e não à religião romana. Esse período se iniciou no ano 538 d.C., quando o imperador Justiniano oficializou por decreto que o bispo de Roma seria superior a todos os outros (um “papa”), e foi até o ano 1798, quando Napoleão mandou prender o papa Pio VI.

Sobre a identidade do “chifre pequeno” de Daniel 7. Apesar de a maioria dos estudiosos tentar encaixar o rei Antíoco Epifânio como sendo o “chifre pequeno” da profecia de Daniel, ele não preenche os requisitos. É fato que ele foi um dos piores tiranos de todos os tempos e que profanou o templo em Jerusalém ao colocar uma estátua de Zeus sobre o altar de sacrifícios e lhe sacrificar um porco. Mas seu período de perseguição (contra os judeus) durou apenas três anos literais (de 168 a 165 a.C.). Além disso, cerca de dois séculos depois da morte de Antíoco Epifânio, o apóstolo Paulo retratou o “homem da perdição” como ainda estando no futuro (2Ts 2:3-6). O papado, por outro lado, preenche todas as condições para ser identificado com o chifre pequeno de Daniel.

Sobre o “Filho do Homem” de Daniel 7:13, 14. A cena do “Filho do Homem” envolto nas “nuvens” retrata o famoso Dia da Expiação (yom kippur), conforme vemos em Levítico 16, quando o sumo sacerdote entrava no lugar santíssimo envolto na fumaça do incensário que trazia junto de si. Representando Jesus Cristo, nesse dia o sumo sacerdote intercedia pelo povo colocando-se diante da glória visível de Deus (o shekinah) que aparecia sobre a arca do testemunho no lugar santíssimo. Essa era a própria representação de Jesus entrando diante do trono de Deus em favor de toda a humanidade para iniciar o juízo pré-advento. Esse processo se iniciou no ano 1844, conforme veremos nas lições das próximas semanas.

Sobre o juízo dos vivos e o fechamento do tempo de graça. Na lição da Escola Sabatina desta semana, na edição do professor, há um trecho polêmico que precisa ser esclarecido. Ali é dito que “o juízo dos vivos só acontecerá quando terminar o tempo da graça”. O termo “acontecerá” não quer dizer que o juízo dos vivos se iniciará nessa ocasião, mas que então será definido o veredito deles. O juízo dos vivos, que os condena ou os liberta, se dará no exato momento em que os livros, que haviam sido abertos no início do juízo (Dn 7:10) serão fechados (termo que chamamos de “fechamento do tempo de graça”). Enquanto esses livros ainda estão abertos, os vivos têm a oportunidade de escolher se converter ou apostatar. Por isso não é possível que o juízo dos vivos seja concluído enquanto tais livros estão abertos. O tempo de graça se encerra exatamente quando Cristo fechar os livros do juízo ao sair do santuário celestial para voltar à Terra. Nessa ocasião, cada caso terá sido decidido definitivamente, sem possibilidade de mudança. Por isso, no exato momento em que os livros de juízo são fechados, é proclamado: “Continue o injusto a praticar injustiça; continue o imundo na imundícia; continue o justo a praticar justiça; e continue o santo a santificar-se” (Ap 22:11, NVI).

(Natal Gardino é doutor em Ministério pela Andrews University e pastor distrital em Londrina, PR)