Daniel 8: da contaminação à purificação

daniel 8Após o trágico ataque terrorista de 11 de setembro de 2001, logo surgiram “profeteiros” afirmando que esse trágico evento foi o cumprimento de Daniel 8. Diziam que os dois enormes prédios destruídos representavam o carneiro que tinha um “chifre maior que o outro” (v. 3), pois uma torre era um pouco mais alta. Nessa “interpretação” totalmente descabida, os aviões que se chocaram contra as torres representariam o “bode” que veio do ocidente “sem tocar no chão” e que atacou o carneiro e lhe quebrou os chifres (v. 5-7). Por incrível que pareça, até hoje há quem defenda essa ideia na internet. Realmente, como disse Jesus em Marcos 13:14, quem lê Daniel deve entender. Assim não será enganado e não sairá por aí falando (e acreditando em) maluquices desse tipo!

Perguntas para discussão em grupo

Quebra-gelo: Sobre a interpretação equivocada mencionada acima, como sabemos que o triste ataque às Torres Gêmeas em 2001 não teve nada a ver com a profecia de Daniel 8? (ver os versos 20 e 21)

Qual é a relação do capítulo 8 de Daniel com os capítulos 2 e 7? Qual seria a intenção de Deus ao repetir as mesmas previsões nestes três capítulos e dar detalhes adicionais em cada um? (R.: Repetição para afirmação e ampliação de detalhes para maior compreensão.)

Note em Daniel 8:20, 21 que o anjo chegou a dar os nomes dos reinos que ainda viriam a dominar o mundo. Como sabemos que o “chifre notável” do animal representado pelo “bode” é Alexandre o Grande (v. 22)? De que forma essa profecia se cumpriu? O que significam os quatro outros “chifres” que depois surgiram no lugar do “chifre notável”?

Como sabemos que o chifre pequeno do capítulo 8 é o mesmo do capítulo 7? Que diferença faz o fato de que no capítulo 8 ele não surge dos quatro chifres, mas, sim, dos quatro “ventos”? (R.: Lembre-se de que os quatro chifres que surgiriam no lugar do “chifre notável” são os quatro generais que dividiram o reino em quatro partes assim que Alexandre o Grande morreu. Conforme 8:9, o chifre pequeno não saiu de nenhum desses quatro novos reinos, mas veio de fora, dos “ventos” de guerras e contendas mencionados também em 7:2. Ver na lição de segunda-feira as comparações entre o chifre pequeno do capítulo 7 e o do capítulo 8. O chifre pequeno no capítulo 7 é uma extensão do animal “terrível e espantoso” (Roma pagã), sendo que este representava apenas a fase papal de Roma. Já no capítulo 8 esse chifre representa em si mesmo as duas fases de Roma: pagã e papal.)

Leia Daniel 8:10-12. Qual o significado de cada uma dessas atividades do “chifre pequeno” (Roma)? De que forma ele se engrandeceu até ao “Príncipe do Exército”, que é Jesus? Em que sentido ele ataca o santuário? De que forma ele prosperou ao “lançar a verdade por terra” (8:12)? (R.: A liderança romana coloca a autoridade da igreja acima da Bíblia e substitui Cristo por meio das suas tradições.)

Em meio ao caos dos enganos religiosos e da perseguição revelados no capítulo 8, de repente uma cena chama a atenção e muda o foco. Leia Daniel 8:13, 14. Que tipo de sentimento essa mensagem pode ter trazido ao profeta? E aos cristãos antigos? E aos modernos?

Por que a profecia das 2.300 tardes e manhãs de Daniel 8:14 é tão importante? Que diferença faz em nossa vida espiritual saber que o santuário celestial será purificado de todos os registros horríveis de pecado? (Trataremos do significado e das datas dessa profecia na próxima semana.)

Como sabemos que a cena de juízo em Daniel 8:13, 14 é paralela à do juízo em Daniel 7:9-14? Por que é importante não se esquecer dessa relação paralela entre esses dois textos?

Considere a promessa de Daniel 8:14 e as afirmações de Hebreus 6:18-20 e 8:1, 2. Como essas afirmações de Hebreus nos enchem de confiança e de esperança?

Nota: Daniel 8 revela, entre outras coisas, como Roma lançaria a verdade por terra e prosperaria nesse empreendimento por muito tempo. Dentre outras verdades “lançadas por terra” (como, por exemplo, a do “sono da alma”, a da ressurreição corporal e a da guarda do sábado do quarto mandamento) encontra-se também a do ministério de Cristo no Santuário Celestial. Apesar de essa última ser tão explícita no livro de Hebreus (8:1, 2; 9:8-12, 23, 24; 10:1; etc.), ela é praticamente desconhecida pela maioria dos cristãos. É porque essa verdade foi lançada por terra que muitos líderes religiosos ensinam equivocadamente que, na cruz, ao dizer “está consumado”, Cristo concluiu Seu ministério. Porém, apesar de Sua morte ser imprescindível para nossa salvação, ela não foi a conclusão de Seu ministério. Se Ele não tivesse ressuscitado, por exemplo, de nada teria valido Sua morte por nós (1Co 15:14, 17, 18). E também se Ele não tivesse subido ao Céu e nos enviado o Espírito Santo, não teríamos condições de receber os méritos de Sua morte (Jo 16:7, 8). Além disso, se Jesus não estivesse agora intercedendo por nós e fazendo valer o que Ele mesmo conquistou na cruz, também de nada teria valido Sua morte, nem Sua ressurreição em nosso favor. É por meio de Seu ministério incessante e ininterrupto que nós podemos “tomar posse da vida eterna” (1Tm 6:12). E esse processo redentivo só será completado quando Jesus voltar e nos glorificar. Sendo assim, “a intercessão de Cristo no santuário celestial, em prol do homem, é tão essencial ao plano da redenção como o foi Sua morte sobre a cruz. Pela Sua morte Ele iniciou essa obra, para cuja terminação ascendeu ao Céu depois de ressurgir. Pela fé devemos penetrar até o interior do véu, onde nosso Precursor entrou por nós (Hebreus 6:20). Ali se reflete a luz da cruz do Calvário. Ali podemos obter intuição mais clara dos mistérios da redenção” (Ellen White, Exaltai-O, 11 de Novembro [p. 382]).

(Natal Gardino é doutor em Ministério pela Andrews University e pastor distrital em Londrina, PR)