Daniel 11: do norte e sul à Terra Gloriosa

1O capítulo 11 do livro de Daniel é seguramente um dos mais difíceis da Bíblia. Quando reconhecemos que ele é paralelo aos capítulos 2, 7 e 8, vemos que ele também trata da descrição do grande conflito entre o bem e o mal e como isso afeta o povo de Deus. Nesse capítulo, Deus reduz esse conflito cósmico a uma longa guerra entre o “rei do norte” e o “rei do sul”. Esses “reis” são representações de sucessivos governos ao longo dos séculos cujos respectivos “reinos” não são geográficos, mas espirituais.

O “reino do sul” se inicia com o rei Ptolomeu I, do Egito, passando por diversos novos reis, e se tornando ao longo do capítulo a representação do secularismo e do ateísmo. Já o “reino do norte”, que iniciou com o rei Seleuco I, representa Roma com toda sua distorção das doutrinas bíblicas e sua perseguição contra os que permanecem fiéis a Deus. A grande lição é que por trás dos embates entre os sucessivos reinos está o interesse de Satanás em destruir a própria verdade e o povo de Deus.

Mantendo-se o paralelismo entre os capítulos correspondentes (2, 7 e 8), percebe-se que o capítulo 11, apesar de apresentar o mesmo período histórico desde o profeta até a volta de Jesus, traz detalhes impressionantes. Desse modo, nesse capítulo é possível identificar cronologicamente personalidades que acabaram atuando de um lado ou do outro no conflito: Assuero (v. 2), passando por Alexandre o Grande (v. 3, 4), Pompeu (v. 15), Cleópatra (v. 17), Júlio César (v. 19), César Augusto (v. 20), indo até Tibério (v. 21), sob cujo governo morreu Jesus, o Príncipe da Aliança (v. 22), passando por Tito (v. 28) e, depois, pelo estabelecimento da “abominação desoladora” (v. 31), até o fim (v. 44, 45).

Há muitos detalhes ainda não compreendidos nesse capítulo, e há também a possibilidade de pequenas variações na interpretação, desde que seja mantido o princípio bíblico historicista e observado o paralelismo entre os outros capítulos. É importante lembrar que algumas profecias só são entendidas após terem sido plenamente cumpridas, e que nós ainda estamos por vivenciar os versículos finais desse capítulo (v. 40-45). No entanto, de acordo com a promessa do anjo a Daniel, após muitos “esquadrinharem” esse livro no tempo do fim, “o saber se multiplicará” (12:4). Enquanto isso, o povo de Deus será perseguido e atacado, mas no fim Deus vencerá (v. 45).

 Perguntas para discussão em grupo

 O capítulo 11 de Daniel, como diz o anjo no verso 2, é a “declaração da verdade”. Que diferença isso faz ao estudarmos esse capítulo?

Leia Isaías 46:9, 10. De que maneira a presciência de Deus fortalece sua fé?

Leia Daniel 11:22. De que forma o “Príncipe da Aliança” foi “quebrado”? Mesmo em meio à descrição de tantas guerras e intrigas deste capítulo, de que forma Jesus ainda é o centro da profecia?

Considerando que o capítulo 11 é paralelo aos capítulos 7 e 8, que poder é mencionado figuradamente no verso 36? (Compare com Daniel 7:8, 11, 21; 8:9-12; 2Ts 2:3, 4.) Apesar das pressões sociais e éticas envolvidas, por que devemos permanecer firmes nessa identificação? De que modo podemos ser sensíveis aos sentimentos dos outros sem comprometer o que a Bíblia ensina?

Martinho Lutero já interpretava a “abominação desoladora” (Dn 11:29-39) como sendo o papado e suas doutrinas e práticas. Em sua opinião, por que os protestantes não preservaram essa interpretação?

Leia Daniel 11:33. O que esse texto revela sobre o destino de algumas pessoas que são fiéis a Deus? Qual é a mensagem desse texto para nós hoje?

Apesar de saber de toda a perseguição contra o povo de Deus, por que ainda assim vale a pena permanecer fiéis a Ele e à Sua palavra?

(Natal Gardino é doutor em Ministério pela Andrews University e pastor distrital em Londrina, PR)