Não seja fã nem despreze: analise ideias

pensando“Há […] um argumento mais genérico contra a reverência, dirija-se ela aos gregos ou a outrem. Quando se estuda um filósofo em particular, a postura correta a ser adotada não é nem de reverência, nem de desprezo. [1] Deve-se iniciar com uma espécie de simpatia hipotética, até que seja possível descobrir como é acreditar em suas teorias; somente então é que renascerá a [2] atitude crítica, uma atitude que deve se assemelhar, na medida do possível, ao estado de espírito de alguém que abandona as opiniões até então defendidas. O desprezo prejudica a primeira parte desse processo; a reverência, a segunda.

“Duas coisas devemos ter em mente: que aquele cujas opiniões e teorias são dignas de estudo supostamente foi homem de certa inteligência; e que é improvável que alguém tenha chegado à verdade definitiva e integral de algum assunto. Quando alguém inteligente nos expressa uma visão que nos parece obviamente absurda, não devemos tentar demonstrar que essa visão é de alguma forma verdadeira, e sim compreender de que modo ela passou a parecer veraz. Esse exercício de imaginação histórica e psicológica amplia o escopo de nosso pensamento e nos ajuda a perceber quão tolos muitos dos preconceitos que nos são caros parecerão a uma época de diferente temperamento.”

(Bertrand Russell, História da Filosofia Ocidental, v. 1)

Nota: Aplique esse raciocínio não apenas a filósofos, mas também a políticos, pregadores, videopregadores, professores, teólogos, líderes religiosos e outros. Endeusar pessoas só prejudica a análise racional das ideias que elas defendem. Seja sempre um bereano e saiba que a verdade sempre prevalece. [MB]