Trombetas fora do tom: série de vídeos trata de erros teológicos sobre eventos finais

Em busca de sentido

franklMuito oportuno esse livro nos tempos em que estamos vivendo. O autor psiquiatra Viktor Frankl, conta como foi ser prisioneiro nos campos de concentração nazistas e faz uma análise psicológica do que o ser humano é capaz de se tornar em situações extremas: um monstro ou um santo. Não importa a circunstância em que você viva, a escolha é sua!

É muito interessante conhecer a nova terapia que ele desenvolveu após o fim da guerra, baseada em sua experiência, que demonstra o quanto vale a pena viver e lutar pelos seus ideais, quando você encontra o sentido da sua vida. Mesmo que você tenha que sofrer por isso, se houver um sentido, você será capaz de suportar qualquer coisa.

Hoje muitos profissionais encontraram seu sentido arriscando a vida para salvar outras vidas… E todos nós estamos tendo que reavaliar o sentido de muitas coisas… Muitos estão descobrindo que nada tem sentido sem Deus.

(Débora Borges é pedagoga e pós-graduada em Aconselhamento Familiar)

“Conversão ecológica” será tema forte após pandemia

ecologiaEm mais um movimento alinhado à sua política de sustentabilidade, o Grupo Malwee -uma das maiores empresas de moda do Brasil – anuncia, nesta terça-feira (19), que assinou junto à ONU um comunicado pleiteando aos governos ao redor do mundo o alinhamento de seus esforços na recuperação econômica frente à crise instaurada pela Covid-19 aos estudos mais atuais em relação às ciências climáticas [sic]. A companhia, que é referência internacional em práticas sustentáveis, é signatária do Pacto Global da ONU em prol do clima, tendo sido a primeira empresa de moda brasileira a assinar, em outubro de 2019, o termo de compromisso da campanha global “Business Ambition for 1.5 °C: Our Only Future”, lançada pela ONU. A iniciativa busca engajar empresas de todos os países com a meta de limitar o aumento da temperatura média mundial a 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais e chegar ao objetivo de zero emissão de Gases de Efeito Estufa (GEE) antes de 2050.

Para atingir os objetivos do pacto, o Grupo Malwee se comprometeu a alinhar seus negócios às metas baseadas na ciência [sic] definidas pelo Science Based Targets Initiative (SBTi), instituição independente que avalia as metas corporativas de redução de emissões de acordo com o que os cientistas do clima dizem ser necessário para cumprir os objetivos do Acordo de Paris. O SBTi é resultado de uma parceria entre Carbon Disclosure Project (CDP), Pacto Global da ONU, World Resources Institute (WRI) e WWF.

Nos termos deste novo comunicado recém-assinado, o Grupo Malwee e outras 154 empresas de todo o mundo que também fazem parte da iniciativa Science Based Targets – entre elas outras cinco companhias brasileiras – pedem políticas que aumentem a resistência a choques futuros, apoiando os esforços para manter o aumento da temperatura global até 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais, em linha com o alcance de emissões líquidas zero antes de 2050.

“É nosso dever e responsabilidade enquanto iniciativa privada apoiar ações como essa da ONU, junto a governos, que mobilizem a preocupação da comunidade internacional a respeito da emergência climática. Moda deve ser sinônimo de sustentabilidade e consumo consciente, essa é a nossa crença, e convocamos toda a iniciativa privada a se juntar a nós nesse propósito”, afirma Guilherme Weege, CEO do Grupo Malwee e Embaixador do Clima da Rede Brasil do Pacto Global da ONU. “É muito importante nesse momento não só pensar na retomada, mas em como retomar. Por isso, estamos trabalhando para engajar as empresas globalmente desde o começo das nossas ações. Agora precisamos combinar as questões econômicas com uma mudança profunda de atitude em prol do futuro do planeta. O cenário já era problemático e não podemos piorá-lo”, observa Carlo Pereira, diretor-executivo da Rede Brasil do Pacto Global. […]

(Diário da Jaraguá)

Nota: Comparo essa crise da Covid-19 com o ecossocialismo ECOmênico. Os problemas existem, são reais, estão matando e prejudicando o planeta. A origem de ambos os problemas é polêmica (vírus criado ou não; aquecimento antropogênico ou não). Mas é inegável que haja pessoas e entidades se valendo disso tudo para acelerar certas agendas. Portanto, não confundamos as coisas nem enfatizemos uma em detrimento da outra. [MB]

Leia também: “Broad support means bill to end sunday shopping in Slovenia could pass soon”, “Furacões, tufões e ciclones estão ficando mais fortes, de acordo com novo estudo” e “Recapitule quantas medidas totalitárias foram tomadas supostamente contra a pandemia”

Coronavírus acirra a Guerra Fria 2.0 entre China e Estados Unidos

china euaO discurso defensivo do sempre assertivo Xi Jinping à Organização Mundial da Saúde, seguido pelas renovadas ameaças de Donald Trump ao órgão, dão pistas sobre os próximos passos da Guerra Fria 2.0 vivida entre a China e os Estados Unidos. Os americanos, Trump à frente, passaram meses insinuando que os chineses haviam liberado o novo coronavírus, acidentalmente ou não, de um laboratório em Wuhan. Já autoridades de Pequim inventaram sua fantasia, de que uma delegação militar americana havia dispersado o patógeno durante competição esportiva na cidade onde a Covid-19 surgiu. Ninguém fala a verdade, mas quando Xi cede à pressão e apoia uma investigação internacional sobre a origem da doença que gerou a mais grave pandemia em um século, é sinal de que a guerra narrativa estava sendo perdida. Hora de mudar de tática.

Ao defender o compartilhamento global de vacinas e tratamentos para a Covid-19, Xi remete a seu famoso discurso em novembro de 2014, quando defendeu que o multilateralismo seria inevitável. A promessa de destinar mais dinheiro à OMS, para compensar a retaliação americana, apenas colore o quadro. Hoje os EUA são o centro da pandemia, com mais de 1,5 milhão de casos, enquanto a China estacionou abaixo das 83 mil infecções.

Como potência dominante, os EUA mantêm uma relação algo simbiótica com a rival ascendente desde que um antepassado espiritual de Trump, Richard Nixon, percebeu o bom negócio que tinha à frente e colocou os países para conversar nos anos 1970. Isso vinha mudando com a guerra comercial estabelecida por Trump em 2017, que buscou impor tarifas de importação aos chineses.

A pandemia acelerou esse processo e adicionou políticas de incentivo para que empresas americanas de setores críticos, como alta tecnologia e farmacêutica, troquem suas cadeias produtivas hoje ancoradas na China. Algo parecido acontece na Europa, onde a Alemanha também estuda criar zonas econômicas especiais para multinacionais que desejem deixar a China.

Não é um processo fácil, dada a escala incomparável e os benefícios e incentivos fiscais de produzir na China, nem rápido, mas com potencial desestabilizador para o regime chinês.

A China virou a segunda maior economia do mundo calcada num modelo exportador, a exemplo do que os EUA fizeram entre 1890 e 1929. Naquele passado, compara o analista geopolítico americano George Friedman, os EUA faziam o papel atual da China, e o Império Britânico eram os EUA de hoje.

Os investimentos de Londres na antiga colônia eram vitais para as estratégias de ambos os países, assim como a presença americana na China agora, mesmo com a rivalidade crescente.

A crise de 2008 já prenunciava as dificuldades desse modelo, com o baque nas vendas chinesas, que fizeram o país reorientar sua produção para itens com maior valor agregado. O resultado se viu ao longo da década, com a Huawei liderando o mercado da próxima revolução digital, o 5G, e sendo alvo preferencial de Trump agora.

O mercado interno chinês também se mostra muito atrativo, por enorme: hoje as importações conjuntas de Pequim e Hong Kong quase empatam com as americanas. Mesmo o peso das exportações ganhou nuances na economia chinesa: elas eram 36% do PIB local em 2006, antes da crise, e em 2018 eram 19,2%.

O coronavírus adicionou uma dimensão cultural ao embate. Não deixa de ser irônico que uma ditadura comunista abrace ideais internacionalistas antes defendidos pelo dito mundo livre – e cabendo a Trump o papel de inimigo de entidades globais, apoiado, entre outros, pelo Brasil de Jair Bolsonaro.

A China não é páreo militar ou econômico para os EUA ainda, mas incomoda o suficiente para merecer ação por parte de Washington. A obsessão geopolítica de Pequim é com a possibilidade de ser bloqueada pelo mar, dominado pelos EUA. Daí vem a militarização do mar do Sul da China, além do desejo de dominar o Pacífico Ocidental.

Por isso Xi lançou seu segundo porta-aviões e está fazendo mais dois, ainda que isso não faça frente ao poderio americano, com seus 11 grupos de ataque global via mar e um arsenal nuclear só comparável ao da Rússia.

Não por acaso, nacionalistas chineses vêm pedindo, por meio de artigos sancionados em jornais ligados ao Partido Comunista, que o país quadruplique seu estoque de 300 ogivas operacionais, chegando perto das 1.750 prontas para uso dos EUA.

(Yahoo)

Nota: “Como dissecou o cientista político americano Graham Allison, da Universidade Harvard, no seu já clássico livro Destinados à Guerra (2017), em 12 dos 16 momentos de choque entre potências estabelecidas e emergentes nos últimos 500 anos, o resultado foi uma guerra.”

“Precisamos ver na História o cumprimento da profecia, estudar as atuações da Providência nos grandes movimentos reformatórios e compreender a progressão dos acontecimentos na arregimentação das nações para o conflito final da grande controvérsia” (Ellen G. White, Eventos Finais, p. 17).

Leia também: “Base naval da China na África está pronta para abrigar porta-aviões, revela revista”

Próximo sábado terá lives proféticas importantes

apoNa próxima sexta-feira, dia 22, às 19h30, será realizada a segunda live da série “Apocalipse Decifrado”, com os pastores Adriano Cicílio, Eleazar Domini, Sérgio Monteiro e Michelson Borges. O tema desta vez será “O começo e o fim”. As lives estão seguindo a estrutura original em que o livro profético foi organizado. Os debatedores são estudiosos da escatologia bíblica, das línguas bíblicas originais e estão abordando temas essenciais ligados às profecias e aos tempos em que estamos vivendo. Não perca! A transmissão será feita simultaneamente nos canais do YouTube dos quatro pastores.

Na noite seguinte, 23, às 19h, será a vez de os pastores Eleazar Domini, Jael Enéas, Gilberto Theiss, Michelson Borges, Sérgio Monteiro e do jornalista Felipe Lemos apresentarem a terceira live da série “Profecias que Abalarão a Igreja e o Mundo”, desta vez com foco nos temas “chuva serôdia” e “alto clamor”. Durante a programação, haverá espaço para participação do público e para orações intercessoras. A live também será transmita por quatro canais.

A live do segundo programa “Profecias”, que tratou de “sacudidura” e outros temas proféticos já ultrapassou 50 mil visualizações.

Aproveite este momento singular na história da Terra para conhecer melhor as profecias bíblicas por meio de fontes confiáveis e totalmente alinhadas com a Igreja Adventista do Sétimo Dia.

(Com informações de Jael Enéas)

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Ravi Zacharias: morre um gigante da apologética

raviMuitas vezes achamos que a dor da perda será sentida de verdade apenas quando ocorre com os de perto, familiares ou amigos próximos. Mas há momentos em que sentimos o coração dilacerar quando, mesmo nunca as tendo encontrado, perdemos pessoas que admiramos e temos como inspiração. Hoje esse foi o caso, pois nesta data de 19/5/2020, o grande mensageiro do cristianismo Ravi Zacharias, palestrante, escritor e defensor da fé cristã, descansou no Senhor. Meu coração está esmagado pela dor. Esse homem sempre foi minha inspiração em sua forma inteligente e amorosa de falar de Jesus. Com sua inteligência sensível – creio ser a melhor expressão para ele -, sempre teve acesso a grandes centros acadêmicos, como Harvard e Oxford, falando do amor e da sabedoria de Deus.

Ravi nasceu na Índia e se converteu ao cristianismo na juventude. Emigrou para o Canadá e construiu uma carreira como mensageiro do cristianismo de uma forma inteligente, racional, mas ainda assim repleta de amor. Foi autor de vários livros, dentre os quais destaco o premiado Pode o Homem Viver ser Deus?, o primeiro que li e já me encantou, porque mescla de forma harmoniosa argumentos racionais a favor da fé cristã, sem perder o apelo à sensibilidade e ao coração. Ravi possuía um programa de rádio chamado “Let My People Think” (“Vamos pensar, meu povo”), transmitido a muitas partes do globo. Foi o fundador do Ministério Internacional Ravi Zacharias, que desenvolve evangelismo em todo o mundo. Mas, infelizmente hoje, aos 74 anos, vitimado por um câncer que fora anunciado apenas dois meses antes, Ravi descansou no Senhor.

É muito estranho sentir tanta dor pelo falecimento de alguém tão distante. Mas os livros e vídeos dele me fizeram sentir como se ele fosse meu mentor. Pois tudo o que eu imaginei ser como pregador do evangelho tinha Ravi Zacharias como referência. Já li C. S Lewis, William Craig, Nancy Pearcey, Francis Schaeffer e outros, mas o Ravi era meu referencial de mensageiro do evangelho. Minha dor é maior, talvez, porque no fundo eu ainda nutria a esperança de encontrá-lo e ter uma longa conversa. Portanto, minha oração a Deus é que eu possa glorificar a Deus e honrar esse grande homem, sendo ao menos uma unha do que foi Ravi Zacharias.

(Rafael Christ Lopes é físico e doutor em Cosmologia)

Entre os livros apologéticos que indico nesta lista, há um do Ravi. [MB]

Perguntas interativas da Lição: idioma, texto e contexto

biblereadingAs Sagradas Escrituras não devem ser apenas lidas, mas estudadas e entendidas (Mt 22:29; 24:15; Jo 5:39; At 8:30,31). Para que isso seja possível, deve-se comparar as passagens, analisar os textos e os contextos, além de se procurar, tanto quanto possível, verificar a língua original em que foi escrita uma simples palavra ou uma passagem específica. Esse foi o tema de estudos da Lição da Escola Sabatina desta semana. E este é o foco das perguntas interativas a seguir, para reflexão e discussão em grupo.

 Perguntas interativas para discussão online:

 Quão diferente seria sua vida espiritual se não existisse uma tradução da Bíblia em um idioma que você conhece? Por quê? Por outro lado, como podemos aproveitar muito mais o privilégio de termos a Bíblia traduzida em nossa língua?

2 Timóteo 3:16, 17 contém uma breve lista de propósitos das Sagradas Escrituras. Qual é a importância de cada um desses itens? Como a leitura da Bíblia pode causar esses resultados desejados?

Leia Deuteronômio 32:47. O que significa a frase “esta Palavra não é vã para vocês”? Qual o resultado de se considerar a Bíblia como algo “vão”?

Leia Êxodo 24:4; 34:27; Lucas 24:27, 44; João 1:45; 5:46, 47. Por que é importante confiarmos, assim como Jesus, na veracidade do que os profetas escreveram? Como esse fato nos ajuda a entender que a Bíblia deve ser sua própria intérprete para compreendermos passagens difíceis?

Na literatura hebraica, o uso de repetições tinha o objetivo de dar ênfase a alguma verdade importante. Tendo isso em mente, qual seria o objetivo de usar três vezes o verbo “criar” em Gênesis 1:27? De que outros versos você pode se lembrar que também usam essa técnica literária e o que eles procuram enfatizar? (Ex.: Gn 6:11, 12; Is 6:3; Ez 33:11; Ap 4:8; 11:18; etc.)

Há palavras na Bíblia que precisam ser entendidas em seu contexto bíblico. Que diferença faz entender o significado de “remanescentes” em Apocalipse? Pense no significado de palavras como “pecado”, “redenção” ou “graça”. Qual é o perigo de não se considerar o profundo sentido dessas palavras?

Leia Gênesis 1:27 entendendo que no texto original (em hebraico) a primeira palavra traduzida como “homem” nesse versículo é “adam”, que significa “homem” no sentido de “humano”. A segunda ocorrência da palavra “homem” é “ish”, que significa o ser humano do sexo masculino. Já a palavra “mulher” nesse mesmo verso é “isha”, que significa o ser humano do sexo feminino. Como esse conhecimento das palavras originais nos ajuda a entender melhor a profundidade desse texto? O que significa dizer que Deus criou “adam” (a humanidade) – e não apenas o “ish” (macho) – à Sua própria imagem? Em que sentido o homem e a mulher, juntos, são feitos à imagem de Deus e não apenas um dos dois? Como a compreensão dessa verdade nos protege de problemas como o machismo ou o feminismo?

Que outras verdades fundamentais transparecem nitidamente quando examinamos as palavras da Bíblia em suas respectivas línguas originais? (Ver, por exemplo, como o sentido original da palavra “alma” [nephesh, psiche] na Bíblia muda completamente as teorias de muitas religiões, mesmo cristãs; e também a palavra “sepultura” ou “inferno” [sheol, hades, etc.])

Baseado no estudo desta semana, o que você vai fazer a partir de agora para aprofundar seu conhecimento das verdades reveladas nas Escrituras?

Nota:

Se alguém tem o desejo de conhecer um pouco mais das Escrituras em suas línguas originais, hoje é fácil conseguir isso por meio de comentários bíblicos e, mais ainda, em sites especializados na internet. Uma única dificuldade nesse caso, porém, é que infelizmente é muito raro encontrar um bom site desses em Português. Sendo assim, para quem sabe um pouco de inglês, há um site excelente para esse fim: o biblehub.com.

Um modo fácil para ir direto ao versículo que se deseja estudar na língua original é simplesmente digitando no Google ou na barra de navegação a palavra “interlinear” (sem as aspas) e o versículo específico (em inglês). Por exemplo, se quero ver João 3:16 na língua original, devo digitar (sem as aspas): “interlinear John 3:16”. O biblehub.com geralmente é o primeiro, ou um dos primeiros sites que vão aparecer em sua tela como resultado dessa busca. Ao clicar no link, você será direcionado(a) para a página específica em que esse versículo aparece na língua original (nesse caso, em grego), e com a tradução dele (em inglês) aparecendo embaixo de cada palavra da linha (daí o nome “interlinear”).

Acima de cada palavra original há uma transliteração com sua possível pronúncia, e também o número dessa palavra específica conforme a classificação “Strong” (uma referência numérica padronizada das palavras bíblicas). Ao clicar nesse número você poderá ver as possíveis traduções dessa palavra e todas as suas possíveis ocorrências em outros versículos. É uma fantástica ferramenta gratuita que os crentes de todas as gerações antes de nós nem sonhavam que poderia existir um dia! Aproveite esse privilégio para mergulhar profundamente nas páginas das Escrituras Sagradas! Quem tem olhos (e internet), veja!

(Natal Gardino é doutor em Ministério pela Andrews University e pastor distrital em Londrina, PR)

Metá tauta e a impossibilidade futurista

johnEstudar o livro do Apocalipse é sempre uma tarefa desafiadora e, ao mesmo tempo, gratificante. Sua estrutura literária profético-simbólica estabelece critérios hermenêuticos que, se não forem devidamente aplicados, podem resultar numa interpretação equivocada. O contrário, entretanto, é verdadeiro, isto é, quando as regras hermenêuticas são utilizadas corretamente, quando o texto é analisado dentro de sua estrutura literária e os parâmetros historicistas são devidamente aplicados, o resultado é hermeneuticamente mais confiável.

Recentemente, algumas teorias, que vão numa linha diferente da ortodoxia há tanto defendida pela Igreja Adventista do Sétimo Dia, têm se levantado e causado certa confusão entre os irmãos. Dentre elas, há uma afirmando que a leitura do Apocalipse deve ser feita de forma sequencial e linear, baseando-se na utilização da expressão metá tauta (“depois destas coisas”, ou “depois disto”). Este artigo pretende analisar a fragilidade do uso dessa expressão grega (metá tauta) como marcador de tempo da sequência cronológica dos acontecimentos descritos a partir do capítulo 4. [No fim deste artigo você encontrará uma tabela explicando sucintamente as nove ocorrências dessa expressão em Apocalipse.]

Como sugere essa teoria, Apocalipse capítulos 1 a 3, que trazem uma introdução geral ao livro, bem como seu objetivo e destinatário, devem ser compreendidos dentro de uma visão historicista, na qual o cumprimento profético das igrejas ocorre ao longo da história, e o tempo presente está enquadrado no período de Laodiceia. Nesse sentido, não há discordância entre o pensamento histórico adventista e o que sugere essa teoria. O que se segue, entretanto, sai completamente do escopo historicista, alinhando-se a uma perspectiva futurista de interpretação. Para os proponentes dessa visão, o início do capítulo 4 sugere uma progressão linear dos eventos descritos com a introdução do que eles entendem ser uma cena de juízo, ou seja, o que ocorre nos capítulos 4 e 5 necessariamente acontece depois do período das sete igrejas:

Depois destas coisas (metá tauta), olhei, e eis que estava uma porta aberta no céu; e a primeira voz que, como de trombeta, ouvira falar comigo, disse: Sobe para aqui, e te mostrarei o que deve acontecer depois destas coisas (metá tauta)” (Ap 4:1).

A pergunta que se faz é: A expressão “depois destas coisas” (metá tauta) está funcionando como um marcador de tempo estabelecendo uma ordem cronológica dos acontecimentos ou apenas a cronologia das visões? Para responder a essa pergunta de maneira satisfatória, é necessário observar as demais aparições dela no livro de Apocalipse.

A expressão em estudo ocorre cerca de nove vezes no livro do Apocalipse. Em pelo menos duas delas, nota-se claramente que serve como marcador de eventos sequenciais, ou seja, indica que os acontecimentos são cronologicamente posteriores aos que foram citados:

  1. “Passou o primeiro ai; eis que depois destas coisas (metá tauta) vêm ainda dois ais” (Ap 9:12).
  2. “E lançou-o no abismo, e ali o encerrou, e pôs selo sobre ele, para que não mais engane as nações, até que os mil anos se acabem. E depois disso (metá tauta) importa que seja solto por um pouco de tempo” (Ap 20:3).

Como se pode observar, a expressão “depois disto” ou “depois destas coisas”, nos versos acima, indica eventos que aconteceriam depois dos mencionados: os dois “ais” ocorreriam cronologicamente após o primeiro “ai”, isto é, “depois destas coisas”. Da mesma forma, a expressão “depois destas coisas” em Apocalipse 20:3 indica que Satanás deverá ser solto cronologicamente após o evento do milênio.

As demais aparições de metá tauta no Apocalipse sempre estarão acompanhadas do verbo “ver”, com exceção de Apocalipse 19:1, verso em que a expressão está acompanhada do verbo “ouvir”. Note este padrão muitíssimo interessante que acontece nas demais ocorrências: “depois destas coisas, vi” (μετὰ ταῦτα εἶδον – metá tauta éidon). Esse padrão chama a atenção, pois o verbo “ver” associado à expressão “depois destas coisas” sempre indica o início de uma nova visão. É como se o texto estivesse informando: “depois destas coisas”, ou seja, depois das coisas apresentadas nesta visão que acabou de ser mencionada, “vi”, isto é, João passa a ter outra visão. Sendo assim, a expressão “depois destas coisas” não estaria enfatizando que os eventos a serem descritos a partir dessa sentença são cronologicamente posteriores aos eventos da visão anterior, mas que João entra numa nova visão depois das coisas que viu na visão anterior.

A teoria que propõe o uso da expressão metá tauta éidon (“depois destas coisas, vi”) como indicativo de que os eventos descritos a partir do capítulo 4 são cronologicamente posteriores aos eventos descritos nos capítulos 1-3, isto é, devem ser interpretados como eventos a ocorrerem após o período das sete igrejas, torna-se extremamente frágil e perigosa. Veja, por exemplo, Apocalipse 15:1-6:

“E vi outro grande e admirável sinal no céu: sete anjos, que tinham as sete últimas pragas; porque nelas é consumada a ira de Deus [visão dos sete anjos com as taças]. E vi um como mar de vidro misturado com fogo; e também os que saíram vitoriosos da besta, e da sua imagem, e do seu sinal, e do número do seu nome, que estavam junto ao mar de vidro, e tinham as harpas de Deus. E cantavam o cântico de Moisés, servo de Deus, e o cântico do Cordeiro, dizendo: Grandes e maravilhosas são as tuas obras, Senhor Deus Todo-Poderoso! Justos e verdadeiros são os teus caminhos, ó Rei dos santos. Quem te não temerá, ó Senhor, e não magnificará o teu nome? Porque só tu és santo; por isso todas as nações virão, e se prostrarão diante de ti, porque os teus juízos são manifestos” [visão dos salvos diante do mar de vidro]. E depois disto olhei (metá tauta éidon), e eis que o templo do tabernáculo do testemunho se abriu no céu. E os sete anjos que tinham as sete pragas saíram do templo, vestidos de linho puro e resplandecente, e cingidos com cintos de ouro pelos peitos” [retorno à visão do v. 1].

 Seguindo a linha de interpretação em que a expressão “depois destas coisas” significaria que os eventos que seguem são cronologicamente posteriores aos descritos na visão anterior, chega-se à conclusão equivocada de que as pragas são derramadas após os salvos estarem no Céu. Note que dos versos 2 ao 4 são apresentados os salvos diante do mar de vidro e, “depois destas coisas”, João vê os sete anjos com as taças da ira de Deus para serem derramadas sobre o mundo, como, de fato, ocorre a partir do início do capítulo 16. Será esse o entendimento correto para tais eventos? Seriam as pragas derramadas após os salvos estarem no Céu diante do mar de vidro e do trono de Deus? Claro que não! Como entender a passagem de Apocalipse 15? Veja abaixo:

  1. O verso 1 inicia a visão dos anjos com as sete taças da ira de Deus que seriam derramadas sobre a Terra: “E vi outro grande e admirável sinal no céu: sete anjos, que tinham as sete últimas pragas; porque nelas é consumada a ira de Deus” [visão dos sete anjos com as taças].
  2. O verso 2 inicia outra visão que se estende até o verso 4. Na realidade, essa visão é um complemento daquilo que estava sendo apresentado no capítulo 14, a partir do verso 14, onde João vê a cena da seara e da colheita, bem como a colheita das uvas para preparar o vinho que seria derramado sobre a Terra, isto é, as pragas. O capítulo 14:14-20 é um preâmbulo para o que ocorre no capítulo 15. Há duas cenas no capítulo 14 que são retomadas no capítulo 15: a primeira é da seara dos justos (v. 14 a 16) e a segunda, o preparo do vinho que seria derramado sobre a Terra como pragas de Deus sobre os ímpios (v. 17-20). Lembre-se de que, originalmente, o Apocalipse não foi escrito com divisões de capítulos e versículos. Era um texto único. Portanto, a visão iniciada no capítulo 14:14 é retomada nos versos 2 a 4 do capítulo 15. Observe:

“E vi um como mar de vidro misturado com fogo; e também os que saíram vitoriosos da besta, e da sua imagem, e do seu sinal, e do número do seu nome, que estavam junto ao mar de vidro, e tinham as harpas de Deus. E cantavam o cântico de Moisés, servo de Deus, e o cântico do Cordeiro, dizendo: Grandes e maravilhosas são as Tuas obras, Senhor Deus Todo-Poderoso! Justos e verdadeiros são os Teus caminhos, ó Rei dos santos. Quem Te não temerá, ó Senhor, e não magnificará o Teu nome? Porque só Tu és santo; por isso todas as nações virão, e se prostrarão diante de ti, porque os Teus juízos são manifestos” [visão dos salvos diante do mar de vidro].

Esses versos fazem referência aos versos 14 a 16 do capítulo 14; são uma continuidade. A visão demonstra o resultado da ceifa dos justos feita por Jesus no capítulo 14.

  1. O verso 5 do capítulo 15 retoma a visão do verso 1, que, conforme foi demonstrado, é na verdade a continuação daquilo que se apresentou inicialmente na segunda parte da visão do capítulo 14, mais especificamente dos versos 17 a 20: “E depois disto olhei (metá tauta éidon), e eis que o templo do tabernáculo do testemunho se abriu no Céu. E os sete anjos que tinham as sete pragas saíram do templo, vestidos de linho puro e resplandecente, e cingidos com cintos de ouro pelos peitos” [retorno à visão do v. 1 do capítulo 15, iniciada no capítulo 14].

 Se for aceito o entendimento de que a expressão metá tauta éidon (“depois destas coisas, vi”) se refere a eventos que ocorrem cronologicamente posteriores à visão precedente numa sequência linear de acontecimentos, comete-se o erro de colocar os salvos no Céu antes de as pragas caírem sobre a terra. O mesmo pode ser dito do início do capítulo 4 quanto à expressão em questão: caso metá tauta éidon se refira a eventos que ocorrem cronologicamente posteriores às sete igrejas, a compreensão será futurista e com sérias implicações hermenêuticas.

Como apresentado na parte inicial deste artigo, a abertura do capítulo 4 de Apocalipse apresenta a sentença metá tauta éidon (depois destas coisas, vi). O que vinha sendo apresentado nos capítulos anteriores, 2 e 3, era a visão das sete igrejas. Logo, alguns sugerem que os eventos da visão do capítulo 4 e dos capítulos posteriores incluindo os sete selos e as sete trombetas seriam eventos que se dariam após o período das sete igrejas. Para tanto, propõe-se que os capítulos 4 e 5 estariam retratando uma cena de juízo, a saber, o juízo investigativo que ocorre a partir de 1844. A visão do capítulo 4 de Apocalipse seria, portanto, similar à visão dada a Daniel no capítulo 7. Não obstante, apesar de existirem elementos de similaridade nessas visões, as diferenças são gritantes e maiores que as semelhanças, a ponto de ser completamente imprudente a associação entre elas. Falando acerca desse ponto, o Dr. Jon Paulien diz:

“Especialmente impressionantes são as acentuadas diferenças entre Apocalipse 4–5 e Daniel 7. Em Daniel são postos uns tronos (7:9); em Apocalipse os tronos já estão lá (4:2-4). Em Daniel muitos livros são abertos (7:10); em Apocalipse um livro está selado (Ap 5:1). Em Daniel a figura central é “o filho do homem” (7:13; expressão com a qual o Apocalipse certamente está familiarizado – 1:13); em Apocalipse ele é o Cordeiro (Ap 5:6; um termo mais apropriado para o serviço diário do que para o Dia da Expiação em qualquer caso).”

Para o Dr. Paulien, uma linguagem de juízo não é encontrada nos capítulos 4 e 5. Uma expressão que denote juízo vai ocorrer apenas em Apocalipse 6:10, o que deixa claro não haver ainda começado o juízo como pretende a teoria futurista. Dr. Paulien ainda argumenta que mesmo havendo algumas alusões ao santuário nos capítulos 4 e 5 que poderiam ser entendidas como sendo referência ao Yom Kippur (dia da expiação), “a impressão geral dada por essa passagem não pertence a qualquer compartimento ou serviço, mas sugere uma lista abrangente de quase todos os aspectos do antigo ministério.”[1] Para ele, as cenas observadas nos capítulos 4 e 5 de Apocalipse mais se aproximam de “uma descrição simbólica do serviço de inauguração no santuário celestial que ocorreu em 31 d.C. O que segue à cena de inauguração tem que ver com toda a Era Cristã, não apenas com o seu fim.”[2]

Segundo a ideia futurista, as cenas do capítulo 4 se dão no primeiro compartimento do santuário celestial, e as cenas do capítulo 5 no segundo compartimento. Entretanto, tais inferências são “refutadas com base na absoluta falta de evidência no texto para qualquer movimento do trono entre os dois capítulos. Os dois capítulos retratam uma simples localização visionária.”[3]

Como se pode observar, não há como traçar um paralelismo entre as visões de Apocalipse 4 e 5 com a visão de Daniel 7. Segundo o Dr. Paulien, os capítulos 4 e 5 estariam falando da entronização de Cristo por ocasião de seu retorno ao Céu. Mas, para que não fique “na palavra apenas de homens” (mesmo sendo de pessoas com autoridade para fazê-lo), note como Ellen White identificou as visões de Apocalipse 4 e 5 (para responder àqueles que sempre dizem: “ele é doutor, mas não é inspirado”):

“Ali está o trono, e ao seu redor, o arco-íris da promessa. Ali estão querubins e serafins. Os comandantes das hostes celestiais, os filhos de Deus, os representantes dos mundos não caídos, acham-se congregados. O conselho celestial, perante o qual Lúcifer acusara a Deus e a Seu Filho, os representantes daqueles reinos imaculados sobre os quais Satanás pensara estabelecer seu domínio – todos ali estão para dar as boas-vindas ao Redentor. Estão ansiosos por celebrar-Lhe o triunfo e glorificar seu Rei.

“Mas Ele os detém com um gesto. Ainda não. Não pode receber a coroa de glória e as vestes reais. Entra à presença do Pai. Mostra a fronte ferida, o atingido flanco, os dilacerados pés; ergue as mãos que apresentam os vestígios dos cravos. Aponta para os sinais de Seu triunfo; apresenta a Deus o molho movido, aqueles ressuscitados com Ele como representantes da grande multidão que há de sair do sepulcro por ocasião de Sua segunda vinda. […]

“Ouve-se a voz de Deus proclamando que a justiça está satisfeita. Está vencido Satanás. Os filhos de Cristo, que lutam e se afadigam na Terra, são ‘agradáveis… no Amado’ (Ef 1:6). Perante os anjos celestiais e os representantes dos mundos não caídos, são declarados justificados. Onde Ele está, ali estará a Sua igreja. ‘A misericórdia e a verdade se encontraram; a justiça e a paz se beijaram’ (Sl 85:10). Os braços do Pai circundam o Filho, e é dada a ordem: ‘E todos os anjos de Deus O adorem’ (Hb 1:6).

“Com inexprimível alegria, governadores, principados e potestades reconhecem a supremacia do Príncipe da Vida. A hoste dos anjos prostra-se perante Ele, ao passo que enche todas as cortes celestiais a alegre aclamação: ‘Digno é o Cordeiro, que foi morto, de receber o poder, e riquezas, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e ações de graças’! (Ap 5:12).

 “Hinos de triunfo misturam-se com a música das harpas angélicas, de maneira que o Céu parece transbordar de júbilo e louvor. O amor venceu. Achou-se a perdida. O Céu ressoa com altissonantes vozes que proclamam: ‘Ao que está assentado sobre o trono, e ao Cordeiro, sejam dadas ações de graças, e honra, e glória, e poder para todo o sempre’ (Ap 5:13).”[4]

 Note que Ellen White claramente faz inteira associação entre a entronização de Cristo por ocasião de Sua ascensão após a ressurreição e o capítulo 5 de Apocalipse. Os detalhes expressos nesse texto são claros o suficiente para descartar qualquer visão futurista que projete os capítulos 4 e 5 para o ano 1844, como se estivessem fazendo menção do juízo investigativo descrito no capítulo 7 de Daniel. Ademais, a expressão metá tauta, quando associada ao verbo “ver” (éidon), indica o início de uma nova série de cenas apresentadas em uma nova visão e não uma série de eventos cronologicamente posteriores às cenas anteriormente apresentadas. Sendo assim, as cenas descritas em Apocalipse 4 e 5, por se tratarem da entronização de Cristo, estão mais bem situadas, cronologicamente falando, com as cenas do capítulo 1 ou antes delas, e não após os períodos das sete igrejas.

Conclusão

 Podemos concluir que as tentativas de se fazer uma interpretação cronologicamente linear dos eventos descritos nos capítulos 1 a 3 com o capítulo 4 são completamente equivocadas, futuristas, tendenciosas e carecem de uma melhor avaliação da estrutura do texto. A expressão μετὰ ταῦτα (“depois destas coisas” ou “depois disto”), quando associada ao verbo “ver” (éidon), indica o início de uma nova série de cenas apresentadas em uma nova visão e não uma série de eventos cronologicamente posteriores às cenas anteriormente apresentadas na visão precedente. Tal evidência pode ser confirmada na leitura de Apocalipse 15:5, onde, se feita a leitura da expressão metá tauta éidon (“depois destas coisas, vi”) como sendo uma sequência cronológica de eventos, cai-se no equívoco de afirmar que os salvos estariam no Céu diante do trono de Deus por ocasião do derramamento das pragas no mundo, o que é inadmissível. A leitura correta do texto, portanto, é feita quando se aceita que a expressão metá tauta éidon indica o início de uma nova visão e não uma sequência dos eventos da visão anterior.

Concluiu-se, também, com base na literatura acadêmica, por meio do estudo do Dr. Jon Paulien, que a tentativa de associação dos capítulos 4 e 5 com o juízo investigativo descrito em Daniel 7 é completamente equivocada, dada a quantidade de dessemelhanças entre as visões. As cenas apresentadas nos capítulos 4 e 5 têm que ver, portanto, com a entronização de Cristo, segundo ele. Tal abordagem recebe apoio da palavra profética dada a Ellen White, confirmando, por meio de citações diretas, que as cenas dos capítulos 4 e 5 não podem ser outra coisa senão a entronização de Cristo por ocasião de Sua ascensão após a ressurreição.

(Eleazar Domini é formado em Teologia e mestre em Teologia e Ensino da Bíblia)

“META TAUTA” EM APOCALIPSE*
Passagem bíblica Texto bíblico Interpretação bíblica
1:19 “Escreva, pois, as coisas que você viu, tanto as presentes como as que estão por vir.” Neste verso, a expressão meta tauta se refere ao conteúdo da visão que João está descrevendo. Aliás, no texto, essa expressão sai da boca do ser com quem João interage dentro da visão. Assim, meta tauta aponta para uma sucessão de atos que ocorrem dentro da visão e não uma sucessão de eventos que ocorrem na história.
4:1 (2x) Depois dessas coisas olhei, e diante de mim estava uma porta aberta no Céu. A voz que eu tinha ouvido no princípio, falando comigo como trombeta, disse: ‘Suba para cá, e lhe mostrarei o que deve acontecer depois dessas coisas.'” Aqui, a primeira ocorrência de meta tauta sendo dita pelo próprio João aponta para o conteúdo daquilo que ele viu e ouviu desde 1:11 até 3:22. Cada uma das sete cartas para as sete igrejas começa com a fórmula introdutória – “ao anjo da igreja em […] escreve” – mostrando que o conteúdo das cartas fazia parte do discurso daquele com quem João dialogava em visão. Logo, essa primeira ocorrência de meta tauta tem relação com o conteúdo da visão e não com eventos históricos a acontecer no futuro. A segunda ocorrência, agora dita pelo mesmo ente celestial que fora visto no começo, repete as palavras do apóstolo. Ou seja, ela também indica o conteúdo da visão.
7:9 Depois disso olhei, e diante de mim estava uma grande multidão que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, de pé, diante do trono e do Cordeiro, com vestes brancas e segurando palmas.” Todo o capítulo 6 de Apocalipse fala da abertura de seis dos sete selos. O capítulo 7 começa com a expressão meta tauta. Assim, ela não se refere a eventos que acontecerão depois dos seis selos abertos, mas às coisas que João contemplou no capítulo 6, a abertura dos seis selos.
9:12 “O primeiro ai passou; dois outros ais ainda estão por vir.” Aqui, ao que parece, de fato, meta tauta indica uma sucessão de eventos cronológicos, especificamente a ocorrência dos “ais”. Primeiro um “ai” e, depois disso, outro “ai”.
15:5 Depois disso olhei, e vi que se abriu no Céu o santuário, o tabernáculo da aliança.” Aqui não é possível conceber que meta tauta designe uma sucessão de eventos cronológicos, porque isso implicaria na conclusão de que as pragas que deverão cair sobre a terra (15:5-16:21) só cairão após a ascensão dos salvos para o Céu (15:2-4). Logo, meta tauta só pode designar a sucessão de coisas na visão. Aliás, o verso 5 nada mais é do que uma retomada daquilo que foi dito no verso 1.
18:1 Depois disso vi outro anjo que descia do céu. Tinha grande autoridade, e a terra foi iluminada por seu esplendor.” Neste verso, também não é possível conceber que a expressão meta tauta indique uma sucessão de eventos cronológicos. O capítulo 17 descreve uma “grande meretriz” sentada sobre uma besta escarlata. Esta mulher é chamada de “Babilônia”. O capítulo 18, que fala sobre a queda de Babilônia, é uma explicação de como a mulher do capítulo anterior (Babilônia) será destruída. Assim, meta tauta, ao introduzir o capítulo 18, está introduzindo uma visão que descreve a queda da Babilônia do capítulo 17 e não algo que acontece depois desse capítulo.
19:1 Depois disso ouvi no céu algo semelhante à voz de uma grande multidão, que exclamava: “Aleluia! A salvação, a glória e o poder pertencem ao nosso Deus” O capítulo 19 tem como assunto central o júbilo no Céu por parte daqueles que enfrentaram as crises terrestres finais e a honraria que Cristo recebe por ter vencido a besta e o falso profeta. Todo esse assunto é um desdobramento das coisas relatadas no capítulo anterior. Desse modo, meta tauta, neste caso, descreve tanto uma sequência de coisas dentro da visão quanto eventos que se sucedem na história.
20:3 “…lançou-o no abismo, fechou-o e pôs um selo sobre ele, para assim impedi-lo de enganar as nações até que terminassem os mil anos. Depois disso, é necessário que ele seja solto por um pouco de tempo.” Aqui o contexto favorece a interpretação que entende meta tauta como tendo sentido histórico (eventos que acontecem na história), antes de sentido literário (coisas que se sucedem na visão descrita pelo texto).

* Todos os textos dessa tabela foram extraídos da Bíblia Nova Versal Internacional (NVI).

Nota: A tabela foi criada por Elton Queiroz. 

  1. PAULIEN, Jon. Selos e trombetas: algumas discussões atuais. In: HOLBROOK, F. B. (Ed.) Estudos sobre Apocalipse: Temas introdutórios. Engenheiro Coelho: UNASPRESS, 2010 (Série Santuário e Profecias Apocalípticas, 6).
  2. Ibid.
  3. PAULIEN, Jon. Selos e trombetas: algumas discussões atuais. In: HOLBROOK, F. B. (Ed.) Estudos sobre Apocalipse: Temas introdutórios. Engenheiro Coelho: UNASPRESS, 2010 (Série Santuário e Profecias Apocalípticas, 6).
  4. WHITE, E. G.O desejado de todas as nações. São Paulo, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2007. 835.

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