Ódio e revolta se espalham: a volta da Revolução Francesa?

guilhotinaTendo como estopim outra evidência do esfriamento do amor (Mateus 24:12) – o assassinado de George Floyd –, as manifestações de revolta continuam por todo o mundo, saindo dos limites, com espancamento de inocentes, destruição de patrimônio, saques e ressurgimento de grupos anárquicos oportunistas. Tudo isso, mais a moral decadente no planeta, o relativismo moral e comportamental, a busca por uma religiosidade permissiva e focada no ser humano, me fez lembrar deste texto de Ellen White, escrito no século 19 [obs.: a foto ao lado é de janeiro deste ano, quando manifestantes carregaram uma guilhotina pelas ruas de San Juan, em Porto Rico]:

“Quando o jovem sai ao mundo, para encontrar suas seduções ao pecado – a paixão de ganhar dinheiro, a paixão dos divertimentos e contemporizações, da ostentação, do luxo, extravagâncias, engano, fraude, roubo e ruína – que ensinos encontrará ali?

“O Espiritismo afirma que os homens são semideuses, não decaídos; que ‘cada mente julgará a si mesma’, que o verdadeiro conhecimento coloca os homens acima de toda a lei’, que ‘todos os pecados cometidos são inocentes’, pois ‘o que quer que seja, está certo’, e ‘Deus não condena’. Representa os mais vis dos seres humanos como estando no Céu, e grandemente exaltados ali. Assim, declara ele a todos os homens: ‘Não importa o que façais; vivei como vos aprouver, o Céu é vosso lar.’ Multidões são levadas assim a crer que o desejo é a lei mais elevada, a libertinagem é liberdade, e que o homem é apenas responsável a si mesmo.

“Com tal ensino dado logo ao princípio da vida, quando os impulsos são os mais fortes e mais urgente a necessidade de restrição própria e pureza, onde está a salvaguarda da virtude? O que deverá impedir que o mundo se torne uma segunda Sodoma?

“Ao mesmo tempo a anarquia procura varrer todas as leis, não somente as divinas mas também as humanas. A centralização da riqueza e poder; vastas coligações para enriquecerem os poucos que nelas tomam parte, a expensas de muitos; as combinações entre as classes pobres para a defesa de seus interesses e reclamos, o espírito de desassossego, tumulto e matança; a disseminação mundial dos mesmos ensinos que ocasionaram a Revolução Francesa – tudo propende a envolver o mundo inteiro em uma luta semelhante àquela que convulsionou a França.

“Tais são as influências a serem enfrentadas pelos jovens hoje. Para ficar em pé em meio de tais convulsões, devem hoje lançar os fundamentos do caráter.

“Em cada geração e país, o verdadeiro fundamento e modelo para a formação do caráter tem sido o mesmo. A lei divina: ‘Amarás ao Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, […] e ao teu próximo como a ti mesmo’ (Lc 10:27) – grande princípio este manifesto no caráter e vida de nosso Salvador – é o único fundamento certo e o único guia seguro” (Ellen G. White, Educação, p. 228, 229).

Nota: Foram a tremenda desigualdade social entre a nobreza e o povo e os desmandos e a corrupção dos governantes e do clero que levaram as massas à insurreição e à revolta na França. Enquanto boa parte da população de Paris passava fome, a nobreza francesa se mudou da capital e construiu um palácio nababesco cerca de 20 km de distância, em Versalhes. Seus portões recobertos de ouro e seus 700 quartos finamente decorados estavam em gigantesco contraste com a extrema pobreza do povo. Esse abismo entre as classes sociais despertou uma revolta que fugiu do controle a acabou derramando muito sangue, da nobreza e da plebe. O tempo passou e o fosso social só se ampliou no mundo. Condições semelhantes àquelas que deflagaram a Revolução Francesa novamente existem no planeta (se é que um dia deixaram de existir). O “salário dos trabalhadores” explorados ainda clama (Tg 5:4) e mais uma vez as massas se levantam furiosas em tumultos e manifestações, dando vazão ao ódio represado. A centralização do poder e das posses, os muitos privilégios de poucos de novo “envolve[m] o mundo inteiro em uma luta semelhante àquela que convulsionou a França”. O ano de 2020 realmente ficará na história como um dos mais trágicos e mais reveladores de que só existe uma esperança para a humanidade caída. E que venha logo esse dia da “intervenção celestial”! [MB]