Perguntas interativas da Lição: lidando com passagens bíblicas difíceis

bibleNão é vergonhoso reconhecer que algumas passagens da Bíblia são difíceis de entender. O próprio apóstolo Pedro reconheceu isso ao mencionar os textos inspirados do apóstolo Paulo (2Pe 3:15, 16). Porém, longe de desacreditar a Bíblia, os textos difíceis nos desafiam a estudar mais profundamente a Palavra de Deus. Assim podemos perceber como as dificuldades desaparecem e somos recompensados com maior compreensão da verdade. É um esforço que compensa sempre! Esse foi o tema de estudo na Lição da Escola Sabatina desta semana.

Perguntas para discussão em grupo:

Leia 2 Pedro 3:15, 16. Em sua opinião, qual é a intenção de Pedro ao dizer que “há certas coisas difíceis de entender” nos escritos do Apóstolo Paulo? Por que ele chama de “ignorantes” e “inconstantes” os que deturpam os textos difíceis das Escrituras? Como devemos agir para não sermos classificados assim?

Por que não devemos nos surpreender de que existam passagens difíceis na Bíblia? (Isaías 55:9)

O que significa dizer que as supostas contradições da Bíblia são apenas “aparentes”? Quais são as possíveis razões para que elas aconteçam?

O que significa se aproximar dos textos bíblicos “com humildade e submissão”? Por que a pessoa arrogante e orgulhosa terá muita dificuldade em interpretar corretamente uma passagem difícil? Por outro lado, como podemos apresentar um texto bíblico com certeza e sendo humildes ao fazê-lo?

O que você deve fazer em situações em que não entende completamente um texto bíblico ou quando o assunto parece não se encaixar na sua compreensão da verdade?

Por que é necessário determinação e paciência para se interpretar uma passagem difícil? E por que vale a pena o esforço? (João 5:39; 2 Tmóteo 3:15-17)

Além de abordar a Bíblia com humildade, submissão, determinação e paciência, por que a oração é crucial para a entendermos corretamente? E qual deve ser nossa atitude enquanto não compreendemos uma passagem difícil?

Por que é melhor afirmar que não se sabe como responder uma passagem difícil do que forçar o texto a dizer o que se quer que ele diga?

Leia Deuteronômio 29:29. Por que algumas das declarações desafiadoras da Bíblia podem nunca ser respondidas aqui na Terra? O que isso nos ensina?

Sabendo que apenas poucos textos apresentam alguma dificuldade de compreensão, qual deve ser nossa atitude para com a maior parte das Escrituras que não apresentam dificuldade alguma?

 Notas:

Há vários motivos prováveis que podem causar supostos “erros” ou aparentes discrepâncias em alguns textos da Bíblia. Dentre eles estão traduções inapropriadas e pequenos erros de copistas. Mas em grande parte o problema se deve à nossa própria ignorância em algum aspecto determinante, como a língua original, a cultura da época e o local da escrita, ou por se desconhecer o que a própria Bíblia diz sobre o mesmo assunto em outras passagens. Veja alguns poucos exemplos desses tipos de problema:

Possível erro de copista. Em Mateus 27:9, 10 é dito que a profecia “de Jeremias”, em relação ao preço pago pela traição de Jesus (cf. Mt 26:15; 27:3), foi devidamente cumprida. Mas na verdade essa profecia foi feita por Zacarias (11:12,13)! É muito provável que isso tenha sido erro de um copista. Mas isso não altera em nada o fato de que a profecia realmente se cumpriu de um modo muito preciso.

Erro de tradução. Geralmente as traduções de Lucas 23:43 são influenciadas pela pressuposição dos tradutores de que a vida continua durante a morte. Por isso traduzem como se naquela sexta-feira da crucificação Jesus tivesse dito ao ex-ladrão: “Em verdade te digo: hoje estarás comigo no Paraíso.” No entanto, isso entraria em contradição com todos os textos bíblicos que ensinam que não há consciência alguma durante a morte (ex.: Ec 9:5, 6, 10; Sl 6:5; 115:17; 146:4; etc.). E estaria em contradição também com o próprio Jesus que, na manhã de domingo, afirmou que ainda não havia subido ao Pai (Jo 20:17). Ele teria mentido ao ladrão na sexta-feira? De modo algum! Na verdade, o que Jesus afirmou ao ex-ladrão foi: “Em verdade te digo hoje: estarás comigo no Paraíso.” Afinal, Ele mesmo já havia repetido enfaticamente em outras passagens que a recompensa após a morte virá apenas “no último dia”, no dia de Sua volta, o dia da ressurreição (Jo 5:28, 29; 6:39, 40, 44, 54; 11:24; cf. 1Co 15:52; 1Ts 4:16; 2Tm 4:8; etc.).

Aparentes contradições. As contradições na Bíblia são apenas aparentes; elas se desvanecem quando entendemos o contexto. Alguns usam os textos de 1 Crônicas 21:1 e 2 Samuel 24:1 para apontarem uma suposta contradição. O primeiro texto diz que Satanás tentou Davi a fazer o censo de Israel; o segundo texto diz que Deus o levou a fazer isso. Para nossa época e cultura, isso realmente parece uma contradição. Porém, essa dificuldade desaparece quando entendemos que, no pensamento bíblico, Deus “faz” aquilo que Ele apenas deixa acontecer. É o que vemos em 2 Tessalonicenses 2:9-11: ali é dito que “Deus enviará a operação do erro” a todos aqueles que “não acolheram o amor da verdade”. O verso 9 deixa claro que Satanás é quem age com a mentira. E o verso 11 diz que essas pessoas, que recebem a operação do erro, “se deleitam com a injustiça”. Em outras palavras, Deus não pode proteger essas pessoas contra a vontade delas. Na linguagem bíblica, Deus está lhes “enviando” o erro, quando na verdade Ele está apenas permitindo que isso aconteça (conforme o desejo dessas pessoas).

Textos que jamais compreenderemos nesta vida. Jamais saberemos na Terra por que Deus não deixou João escrever o que as vozes como de “trovões” falaram (Ap 10:3, 4). Deus sabe o porquê. Isso não seria importante para nossa edificação. Um dia saberemos. Também nunca saberemos nesta vida o conteúdo da epístola de Paulo aos Laodicenses (Cl 4:16). Por isso, temos que nos preocupar com o que está revelado para nós; o que está encoberto “pertence ao Senhor” (Dt 29:29).

(Natal Gardino é doutor em Ministério pela Andrews University e pastor distrital em Londrina, PR)