Progressista ou conservador? Depende

Há um problema com os rótulos que usamos para classificar ideias. Especialmente quando usamos categorias da teologia para classificar fenômenos políticos. De maneira descuidada e equivocada aplicamos “liberal”, “progressista” e “conservador” em contextos em que não cabem. E a confusão é ampliada quando confundimos a visão teológica com a social/política. Por exemplo, quando descrevemos um “cristão progressista” como alguém que é progressista nos dois sentidos (teologicamente e política/socialmente), cometemos um erro, pois existem cristãos teologicamente conservadores que se identificam politicamente com o progressismo.[1] Portanto, vamos dividir o assunto em dois tópicos: teologia e política, e vamos começar falando de teologia.

O que é a Teologia Progressista[2]

A atual Teologia Progressista é descendente da antiga Teologia Liberal.[3] Apesar de não serem sinônimas, há muitas semelhanças entre elas. O liberalismo teológico é um fenômeno dos séculos 18 e 19, e alguns pontos que o caracterizam são: ênfase antropocêntrica, crença no progresso humano, crítica ao dogmatismo e à “bibliolatria”. Mas a principal característica da teologia liberal é não ver a Bíblia como Palavra de Deus (ela apenas contém as palavras de Deus). A Bíblia seria apenas o registro das experiências religiosas de pessoas.[4]

A Teologia Progressista herdou essa característica liberal, e afirma que “a Bíblia não é a Palavra de Deus”, mas é o leitor quem define o que pode ser considerado Palavra de Deus na Bíblia. Por isso, ela pode ser colocada ao lado de “todos os outros livros interessantes que procuramos para obter insight, prazer e desafio”, e a vida ética não depende da Bíblia para ser definida.[5] A Bíblia é fruto de manobras políticas e infectada pelo patriarcado,[6] por isso ela é “perigosa para a nossa saúde”.[7] Portanto, a Bíblia deve ser lida com suspeita. De acordo com uma teóloga progressista: “Meu trabalho é desconstruir […] a Bíblia como a palavra de Deus. Eu digo: não é a palavra, é uma palavra humana.” A Bíblia deve ser vista como “a produção literária de uma época”, “e não como ‘palavra de Deus’”, nem como “a voz de Deus”. É um amontoado de textos contraditórios sem nenhuma meta-narrativa como moldura.[8]

O liberalismo e o progressismo evitam referências ao elemento divino da Bíblia, e tendem a negar a veracidade dos milagres e relatos sobrenaturais, explicando-os “cientificamente”, ou encarando-os como mitos, metáforas, alucinações. Essa abordagem ficou conhecida como “Método Histórico-Crítico” (ou “Alta Crítica”). A postura hermenêutica progressista pode ser resumida assim: “Há mais valor em questionar com a mente aberta e o coração aberto do que em absolutos ou dogmas.” O progressismo “leva a Bíblia a sério, mas não necessariamente literalmente, adotando um entendimento mais interpretativo e metafórico”.[9]

O liberalismo e o progressismo consideram o pecado apenas como fraqueza moral, e são otimistas com relação ao ser humano, crendo que “a transformação do caráter vem por meio de alguma bondade natural que só precisa ser afirmada e liberada”.[10] A redenção vem por meio de revoluções culturais, e o futuro juízo divino perde importância. Por isso alguns progressistas são universalistas (a crença de que todos serão salvos), colocando o conceito de “amor” como uma norma superior à Bíblia.[11] Um subproduto do liberalismo foi o “evangelho social”, a crença de que o engajamento em questões sociais, em vez de credos e doutrinas, é o que provocaria a transformação radical da sociedade, e abriria caminho para o reino vindouro.[12] E essa é uma característica marcante do progressismo teológico também.

Na visão teológica progressista, as várias representações de Deus na Bíblia refletem as opiniões particulares dos autores bíblicos. Por isso a doutrina da propiciação é rejeitada, e a doutrina da expiação é alterada: “Não há poder no sangue de Jesus”, e “a ideia de que Jesus foi enviado por Deus como sacrifício não vem dos Evangelhos, mas de São Paulo”. Atribui a Paulo a ideia de que “só podemos nos tornar justos diante de Deus especificamente por causa da morte de Jesus”, e conclui que “isso coloca Deus como um sádico, que enviou seu amado Filho à morte”. A doutrina da expiação “é repugnante porque se baseia na vitória através da morte violenta”.[13] A centralidade da cruz é criticada, porque promove a violência e o abuso, um “abuso infantil cósmico” em que o “pai permite, ou mesmo inflige a morte de seu único filho perfeito”.[14]

Também são fruto do liberalismo a ênfase no “Jesus histórico”, um grande homem, crucificado apenas por desafiar o sistema, como um martírio histórico de um revolucionário. Jesus não é um salvador que morre para salvar, mas um professor de justiça social e compaixão. E Jesus não é mais “a única maneira válida ou viável de se conectar a Deus”.[15] A morte de Jesus é interpretada livremente à luz das atuais disputas ideológicas. Na cristologia progressista, Jesus não revela um “Deus teísta”, mas um Deus que “é a experiência da vida, do amor e do ser”.[16] Algumas versões do progressismo questionam a doutrina da Divindade em três pessoas, e outras adotam o Teísmo Aberto.

O progressismo teológico também apela para a “ciência” a fim de questionar, relativizar ou negar “as alegações clássicas do cristianismo”,[17] mantendo o mito do conflito entre ciência e religião (alimentado por uma visão progressista da História). A Teologia Progressista conserva os pressupostos científicos críticos da Teologia Liberal e do Método Crítico-Histórico, também mantidos pela Teologia da Libertação, e pelas Teologias Contextuais engajadas (Feminista, Indígena, Negra, Mulherista, Queer, etc). Leonardo Boff, nome importante da Teologia da Libertação, afirma que “a Bíblia não é a Palavra de Deus num sentido objetivo, nem o sistema de uma doutrina de fé. É o resultado da história e da pregação da cristandade primitiva”.[18] Essas teologias têm basicamente as mesmas pressuposições sobre a Bíblia, e diferem entre si apenas em seus objetivos e ênfases. De maneiras diferentes, enfatizam que o cristianismo precisa ser revisto doutrinariamente, e sua nova versão precisa admitir que a Bíblia é “um documento humano”; Deus é “um conceito humano”; e Jesus é “um ser humano”.[19]

Gretta Vosper, pastora e fundadora do Centro Canadense de Cristianismo Progressista, afirma que, para sobreviver, a igreja cristã deve modificar radicalmente suas doutrinas. Ela escreveu um livro intitulado Com ou Sem Deus: Por que a maneira como vivemos é mais importante do que aquilo em que acreditamos?, no qual escreve que “deus é o que existe entre duas pessoas”, “deus é tudo o que há de bom no mundo”, “um ser cósmico que não existe”. O Cristianismo Progressista mais radical “inclina-se mais para o panenteísmo do que para o teísmo sobrenatural”.[20] Gretta acabou se declarando ateísta, e continuou pastoreando a Igreja Unida do Canadá.

Levados seriamente às últimas consequências, os argumentos da Teologia Progressista são semelhantes aos da “espiritualidade ateísta”, ou da “espiritualidade humanista”, pois trata-se de uma espiritualidade centrada no homem. Por isso, o ateísmo é visto como a consequência natural de se levar a sério a Teologia Progressista, mesmo na opinião de ateus.[21]

O que é a teologia conservadora

Basicamente, é conservadorismo teológico acreditar na Bíblia como Palavra de Deus, inspirada e infalível, na literalidade histórica da Criação, dos milagres registrados na Bíblia, do nascimento virginal, da ressurreição e da volta literal de Jesus no futuro, acompanhada pela ressurreição e pelo arrebatamento dos salvos.[22]

O método histórico-gramatical da Reforma Protestante, e não o histórico-crítico da Teologia Liberal, é a abordagem usada pela “erudição evangélica conservadora”.[23] Em 1986 a Igreja Adventista do Sétimo Dia rejeitou oficialmente o método histórico-crítico, no documento Métodos de Estudo da Bíblia. Ellen White condenou o método crítico-histórico (ela chama de “alta crítica”): “A obra da alta crítica, dissecando, conjeturando, reconstruindo, estava destruindo a fé na Bíblia como uma revelação divina; estava despojando a Palavra de Deus do poder de dirigir, enobrecer e inspirar as vidas humanas.”[24]

É nesse sentido que os adventistas são “uma corporação protestante e conservadora de cristãos evangélicos”. Por isso, o cerne do conservadorismo adventista é o princípio protestante radical Sola Scriptura, e não o tradicionalismo nem a experiência cristã. Teologicamente, conservadorismo não é tradicionalismo. O tradicionalismo pode até representar um distanciamento da ortodoxia doutrinária: “O erro tira sua vida da verdade de Deus. As tradições dos homens, como micro-organismos que pairam no ar, agarram-se à verdade de Deus, e os homens as consideram como parte da verdade.”[25] O tradicionalismo e o liberalismo teológico podem igualmente “destruir a fé nas Escrituras” e “levar as pessoas para caminhos proibidos”.[26] Ellen White sugere que “a fé na Bíblia hoje [é] destruída tão eficazmente pela alta crítica e as especulações, como o era pela tradição […] dos dias de Jesus”.[27]

O princípio Sola Scriptura coloca a Bíblia acima da tradição: “Os discípulos deviam ensinar o que Cristo ensinara. O que Ele falara, não só em pessoa, mas através de todos os profetas e mestres do Antigo Testamento, aí se inclui. É excluído o ensino humano. Não há lugar para a tradição, para as teorias e conclusões dos homens, nem para a legislação da igreja. Nenhuma das leis ordenadas por autoridade eclesiástica se acha incluída na comissão.”[28] Assim, é possível alguém se declarar teologicamente “conservador”, mas ser de fato apenas tradicionalista, e viver exatamente como um liberal, desprezando a autoridade das Escrituras.

A IASD é teologicamente conservadora

O Tratado de Teologia (CPB) afirma que os adventistas são “uma corporação protestante e conservadora de cristãos evangélicos”, cuja fé está “embasada na Bíblia e centralizada em Cristo”.[29] George Reid descreve como “conservadora” a posição teológica protestante que mantém a Bíblia como a autorizada Palavra de Deus. O livro A Symposium on Biblical Hermeneutics, publicado pela IASD, afirma que, teologicamente, “denominações inteiras podem estar dentro da estrutura conservadora – como é o caso, por exemplo, dos adventistas do sétimo dia”.[30] O livro Interpretando as Escrituras expõe a compreensão adventista de alguns temas bíblicos, e argumenta sob uma perspectiva teológica conservadora,[31] rejeitando a visão liberal.[32]

Apesar da ambiguidade e da má compreensão, os termos técnicos “liberal” e “conservador” ainda são úteis, e não precisam ser usados em tom pejorativo. No sentido técnico, são termos usados na literatura teológica porque conseguem descrever razoavelmente algo que temos dificuldade de descrever de outra forma.[33] Teologicamente, liberal ou conservador não têm necessariamente que ver com costumes, comportamentos, etc., mas têm que ver, principalmente, com a opinião que se tem a respeito da Bíblia como Palavra de Deus inspirada e infalível. Por isso, apesar de manterem crenças peculiares, os adventistas são teologicamente conservadores.[34]

Entre os adventistas, há o chamado “Adventismo Progressista” (Progressive Adventism), uma forma particular de progressismo teológico, que não defende necessariamente todas as pautas teológicas do Progressismo descrito aqui. O Adventismo Progressista, em geral, é definido mais por suas crenças doutrinárias alternativas dentro do adventismo: a negação do “juízo investigativo” (ou “juízo pré-advento”), um conceito diferente do que seria o “remanescente”, a relativização (e até mesmo negação) do dom profético de Ellen White, a rejeição do sábado como selo de Deus (apesar de reconhecer benefícios em sua observância). Ou seja, mesmo nesse sentido particular, o “Adventismo Progressista” também pode alterar ou negar crenças fundamentais do adventismo.

Como teologia e política são áreas distintas, ser teologicamente progressista não é necessariamente ser social/politicamente progressista. Essa distinção é importante, pois muitas discussões perdem o sentido quando teologia e política são avaliadas em conjunto, como se fossem a mesma coisa. Agora vamos falar de “progressismo” e “conservadorismo” no sentido político/social.

Progressismo e conservadorismo político/social

Politicamente, o progressismo é uma visão originada no Iluminismo, que acredita na melhoria da condição humana por meio de medidas econômicas, da educação, e também da ruptura de padrões sociais tradicionais considerados prejudiciais. Em comparação com o conservadorismo, o progressismo prefere mudanças sociais mais rápidas (por isso, o pensamento revolucionário geralmente se identifica com o progressismo), e, em geral, vê o Estado como um dos principais agentes dessas mudanças. O conservadorismo preza pelas mudanças graduais do que é ruim, e a manutenção do que é bom, do que resistiu ao teste do tempo. Apesar de frequentemente associado à esquerda política, o progressismo também pode ser encontrado entre politicamente liberais de direita, especialmente na pauta de costumes.[35]

Por sua vez, o conservadorismo é uma política de prudência,[35] uma mentalidade representada por autores como Russell Kirk, Edmund Burke, Michael Oakeshott e Roger Scruton. David Koyzis avalia várias ideologias e posicionamentos (liberalismo, conservadorismo, nacionalismo, democracia, socialismo), e afirma que, teoricamente, o conservadorismo não possui ligação com qualquer religião em particular, mas reconhece que a maioria dos conservadores do mundo ocidental é cristã.

Koyzis alerta para o risco de se confundir cristianismo com conservadorismo político, como se fossem sinônimos. O conservadorismo, como teoria política, não tem nada de intrinsecamente cristão: ser cristão não é algo exigido pelo pensamento conservador, e por isso existem ateus conservadores. Num sentido político, o conservadorismo cristão pode se transformar “numa forma irracional de nacionalismo ‘por Deus e pela pátria’”.[36]

Ao confundir “conservadorismo teológico” com “conservadorismo político”, ou, pior, com “tradicionalismo religioso”, corremos o risco de rebaixar a Bíblia, assim como a teologia liberal o faz. Existem “conservadores políticos” e “tradicionalistas religiosos” promovendo profundas revisões teológicas e doutrinárias, mas recebendo erradamente o rótulo de “teologicamente conservador”. Não importa o nome que se dê ou a aparência que tenha – se diminui, relativiza, despreza ou combate a Bíblia, está do lado errado, mesmo que tenha aparência ortodoxa.

Portanto, a visão teológica não está necessariamente ou totalmente vinculada à visão política, e é possível um cristão ser teologicamente conservador e manter visões progressistas a respeito de temas sociais que não firam princípios bíblicos. Por outro lado, é possível alguém ter uma visão política conservadora e, ao mesmo tempo, ter uma visão liberal/progressista da Bíblia, ou até mesmo ser um descrente (existem conservadores ateus).

Visões teológicas e políticas podem ser diferentes

Existem aqueles que são conservadores ou progressistas, tanto no sentido teológico quanto no sentido social/político. No Brasil, é crescente o fenômeno do “evangélico progressista” (tanto teológica quanto politicamente).[37] Mas é necessário reconhecer que a defesa da autoridade das Escrituras não está atrelada a nenhuma visão política/social específica. Como afirma Augustus Nicodemus, “há quem seja de esquerda na política, mas com posições conservadoras em pontos éticos, repudiando a teologia liberal”.[38]

 Como vimos, há um largo espectro de crenças debaixo do guarda-chuva que se chama “progressismo teológico”, e é quase certo que nenhum progressista mantenha todas as crenças teológicas descritas aqui. Esse é um ponto importante: não basta olhar o rótulo, precisamos conversar com as pessoas para descobrir quais são de fato suas crenças.

Enquanto na teologia a classificação é mais clara e estática, o discurso político não é inflexível: há progressistas que não se identificam com a esquerda política, e existe até mesmo o “conservadorismo progressista”. Além disso, os rótulos mudam de sentido com o tempo. Por exemplo, no século 19, muitas pautas defendidas pelos pioneiros adventistas eram vistas como socialmente progressistas (a reforma educacional, o abolicionismo, liberdade religiosa, etc). Algumas igrejas socialmente conservadoras proibiam mulheres de falar em público. Ou seja, ao falar em público, Ellen White estava assumindo uma postura considerada socialmente progressista na sua época. Ao defender a desobediência civil no caso da Lei do Escravo Fugitivo, ela também adotou uma postura considerada socialmente progressista para sua época. Por outro lado, a avaliação negativa que Ellen White faz da Revolução Francesa em O Grande Conflito parece refletir o ponto de vista do conservadorismo político em alguns pontos.

Como diz George Knight, o adventismo pode desempenhar, ao mesmo tempo, funções conservadoras e revolucionárias: “[…] deve ser conservadora ao transmitir as verdades imutáveis da Bíblia ao longo do tempo, mas assumir o papel revolucionário ao desempenhar a função de agente de mudanças a serviço de um Deus justo em um mundo de pecado.”[39] Ou seja, teologicamente conservadora e socialmente “revolucionária”.

Uma pesquisa de 2015 mostrou que os adventistas dos Estados Unidos continuam majoritariamente conservadores em teologia, mas progressistas em muitos temas políticos e sociais – uma comprovação de que a visão teológica nem sempre coincide com a visão social/política.

Em resumo: fique atento à teologia, e não confunda os conceitos. Apesar de conservadorismo e progressismo serem dois extremos, Koyzis afirma que, “para o cristão dotado de discernimento, o progresso e a preservação andam lado a lado” e “não são escolhas mutuamente exclusivas”.[40] É possível ser teologicamente conservador e socialmente progressista. Assim como é possível alguém ser socialmente conservador e economicamente liberal.

Mas será que é prudente um cristão se identificar politicamente como “conservador” ou “progressista”? Diante de tanta confusão, vale a pena correr o risco de ser associado a pautas e posturas que não resistem ao exame bíblico? Se a resposta for positiva, então o cristão genuíno precisa deixar sua posição teológica clara, visto que nem sempre as pessoas sabem distinguir posições políticas de posições teológicas. Sabendo do potencial divisivo dos debates políticos, Ellen White diz ao cristão adventista: “Enterre as questões políticas” e busque “unidade nos puros princípios evangélicos que são positivamente revelados na Palavra de Deus”.[41] A teologia tem primazia.

Nenhum dos grandes “pacotes ideológicos” que disputam o controle do país hoje parece representar os valores bíblicos. Assim, a avaliação teológica deve ser constante e rigorosa. Precisamos desenvolver uma mente cristã, ao invés de continuar ingenuamente “batizando” sistemas seculares. A diversidade de pensamento é sempre bem-vinda, mas, quando se trata de teologia, temos uma posição clara e definida: a Bíblia é (não apenas contém) a Palavra de Deus, inspirada, infalível, nossa única regra de fé e prática.

Teologicamente, o progressismo representa um ataque aberto contra muitas das verdades bíblicas que fomos chamados a proclamar. Nesse ponto, mesmo com o risco das ambiguidades, a IASD faz bem em continuar se descrevendo teologicamente como “uma corporação protestante e conservadora de cristãos evangélicos”, cuja fé está “embasada na Bíblia e centralizada em Cristo”.[42]

(Isaac Malheiros é doutor em Teologia [Novo Testamento], mestre em Teologia [estudos de texto e contexto bíblicos] e especialista em Ensino Religioso e Teologia Comparada)

Referências:

  1. “Há quem seja de esquerda na política, mas com posições conservadoras em pontos éticos, repudiando a teologia liberal” (Augustus Nicodemus, O que Estão Fazendo com a Igreja).
  2. Como não existe uma fonte oficial que defina o que é o Cristianismo Progressista, o que fizemos neste texto foi um apanhado de autodescrições de autores assumidamente progressistas e representativos.
  3. O liberalismo teológico está na matriz de muitas teologias ao longo da História: o Evangelho Social, a Teologia da Libertação, e as teologias contextuais engajadas (negra, feminista, queer, etc.)
  4. Tratado de Teologia, p. 58.
  5. Gretta Vosper, With or Without God, p. 221, 222.
  6. Kathryn Greene-McCreight, Feminist Reconstructions of Christian Doctrine, p. 39.
  7. Elisabeth Schüssler-Fiorenza, The Will to Choose or to Reject, p. 130.
  8. Alicia Ostriker, Feminist Revision and the Bible, p. 86.
  9. Roger Wolsey, Kissing Fish: Christianity for people who don’t like christianity, p. 64.
  10. Tratado de Teologia, p. 757, 758.
  11. Tratado de Teologia, p. 941.
  12. Tratado de Teologia, p. 637.
  13. Mary Grey, Redeeming the Dream, p. 124, 125.
  14. Rita Nakashima, Journeys by Heart, p. 56.
  15. Kissing Fish, p. 64.
  16. John Shelby Spong, Jesus for the Non-Religious, p. 248.
  17. With or Without God, p. 37.
  18. Leonardo Boff, Igreja, Carisma e Poder, p. 128.
  19. With or Without God, p. 217-244.
  20. Kissing Fish, p. 64.
  21. Alex McCullie, “Progressive Christianity: A Secular Response”, in Warren Bonett (ed), The Australian Book of Atheism (Melbourne: Scribe, 2010), 211.
  22. Tratado de Teologia, p. 414.
  23. Tratado de Teologia, p. 103.
  24. Educação, p. 227.
  25. Evangelismo, p. 589.
  26. Atos dos Apóstolos, p. 265.
  27. Ciência do Bom Viver, p. 142.
  28. Evangelismo, p. 15.
  29. Tratado de Teologia, p. 1.
  30. A Symposium of Biblical Hermeneutics, p. 90.
  31. Interpretando as Escrituras, p. 22, 40, 192.
  32. Interpretando as Escrituras, p. 50.
  33. Hoje, por exemplo, já se fala em “pós-liberalismo” e “pós-conservadorismo”.
  34. Existem classificações alternativas. Por ex.: Kwabena Donkor classifica a teologia adventista como “biblico-historical realism”. Mas, no geral, o adventismo é considerado teologicamente conservador <https://bit.ly/2CPKhk4>
  35. Norberto Bobbio, Dicionário de Política, p. 243.
  36. Russell Kirk, The Politics of Prudence, p. 1-14.
  37. David Koyzis, Visões e Ilusões Políticas, p. 110.
  38. Como, por exemplo: < https://bit.ly/3jiZMlp>; <https://bit.ly/3eGVvot>; <https://bit.ly/2OzSFa6>; <https://bit.ly/2DRe78o>.
  39. Augustus Nicodemus, O que Estão Fazendo com a Igreja.
  40. George Knight, Educando para a Eternidade, p. 143.
  41. Visões e Ilusões Políticas, p. 112.
  42. Obreiros Evangélicos, p. 391.
  43. Tratado de Teologia, p. 1.