Sobre bruxas, aborto e analfabetismo espiritual

[Alguns dias atrás, postei em minhas redes sociais o pensamento abaixo, do grande escritor e jornalista Gilbert Chesterton. Devido ao analfabetismo funcional (talvez espiritual) ou pura má-vontade mesmo, perfis progressistas teceram críticas ácidas contra mim (no melhor estilo ad hominem destrutivo), alguns até pensando que a frase fosse minha. Fui acusado de inquisidor, capaz de condenar mulheres à fogueira, caso vivesse em tempos medievais! Os pregadores do amor e da tolerância não se envergonham de distorcer intenções e expressões, com o propósito de linchar alguém de quem discordem em termos de ideologia e cosmovisão. Fico até constrangido em ter que explicar a frase de Chesterton (que não tem nada que ver com promoção da caça-às-bruxas), e com receio de indicar a leitura de seus livros como o Ortodoxia. Imagine o que essas pessoas podem fazer com os textos dele… Agradeço à bióloga Liziane Nunes Conrad Costa por dedicar tempo para escrever a reação abaixo. – MB]

bruxas

É lamentável observar a falta de uma “outra leitura” em pessoas que se dizem adventistas. A falta de amor ao próximo é tamanha que não lhes permite perceber as lentes ofuscadas pela lama de um idealismo que tem se mostrado de fato subversivo, ou seja, contrário aos princípios bíblicos e doutrinários de nossa Igreja. Gostaria de incitá-los a olhar o mundo ao redor e observar o contexto além do texto. O termo “bruxas” tem ganhado muita força entre as feministas. Em sua raiz, o feminismo é construído sobre uma fundação desprovida de Deus. O movimento feminista é tecido com o mesmo pecado cometido por Satanás no início dos tempos. Um coração rebelde que orgulhosamente diz: “Eu não preciso de você, Deus. Obrigada, mas eu vou fazer as coisas do meu jeito.” É lamentável e ao mesmo tempo inacreditável ver um movimento desses, pró-aborto e imoral, ganhando forças dentro do cristianismo. Nós não precisamos de feminismo para mostrar o nosso valor. Deus já disse, em Gênesis 1:27, que somos valiosas, refletimos a imagem de dEle. O que nós precisamos é mostrar amorosamente a todas as mulheres quão valiosas e preciosas elas são para Deus. Precisamos voltar a abraçar o desígnio de Deus para o casamento, a família, a dignidade da vida e a sexualidade. Precisamos nos arrepender do nosso orgulho e aceitar a Palavra de Deus como a autoridade em nossa vida.

O feminismo nunca ofereceu uma solução que a Bíblia já não tenha dado.

A Palavra de Deus tem todas as respostas que precisamos. Em Cristo, nós (homens e mulheres) vamos encontrar toda a realização, valor e propósito que esta vida tem para oferecer. A publicação de Michelson Borges é uma crítica, muito inteligente por sinal, ao feminismo que tem ganhado espaço dentro das nossas igrejas. Mas essa leitura só é nítida para quem entende o contexto, o pano de fundo que estamos vivendo.

Tenho me decepcionado ao ver pessoas deste grupo […..], que se dizem pensantes, mas que têm se mostrado profundamente iletradas. Esse era para ser um grupo que levasse os indivíduos a observar além, nas entrelinhas. A ideia por trás de um texto. Apesar disso o que tenho encontrado são discursos de ódio, desrespeito e ofensas desmedidas, além de um vocabulário baixo, não condizente com a postura de um verdadeiro cristão.

Ainda que, em nossa ignorância, possamos discordar de alguém, cabe-nos amar as pessoas e orar por elas. Vivemos um tempo ímpar e a volta de Cristo é iminente! Os enganos de Satanás são muitos e ele sabe disso.

Lembro-me de que nossos queridos pioneiros sofreram muitas críticas por pregar as verdades bíblicas. Infelizmente, tenho visto muitos pastores, além do Michelson Borges, que são alinhados com a Bíblia, com a Igreja e com o Espírito de Profecia, sendo atacados indevidamente. Por outro lado, vemos outros disseminando enganos sutis e que ganham a confiança de muitos. Neste momento, cabe-nos orar ainda mais pelos pastores de nossa Igreja. Estudar a Bíblia e seguir a Cristo, em vez de seguir pessoas. Quando pensarmos que algum de nossos líderes está em pecado, oremos e deixemos o caso nas mãos de Deus, que tudo vê. Os pastores que são joio não permanecerão na obra!

Mais uma vez apelo ao vosso coração para orarem mais e estudarem mais a Bíblia, cuidando para que ninguém nos engane. “Satanás operará seus milagres para enganar; estabelecerá seu poder como supremo. A igreja talvez pareça como prestes a cair, mas não cairá. Ela permanece, ao passo que os pecadores de Sião serão lançados fora no joeiramento – a palha separada do trigo precioso. É esse um transe terrível, não obstante importa que tenha lugar. Ninguém senão os que venceram pelo sangue do Cordeiro e a palavra de seu testemunho será encontrado com os leais e fiéis, sem mácula nem ruga de pecado, sem engano em sua boca. Precisamos despojar-nos de nossa própria justiça e revestir-nos da justiça de Cristo” (Ellen G. White, Mensagens Escolhidas, v. 2, p. 380). Usando de misericórdia para com o mundo, Jesus retarda a Sua vinda, para que pecadores possam ter oportunidade de ouvir a advertência, e encontrar nEle refúgio antes que a ira de Deus seja derramada.

Hoje, como nos séculos anteriores, a apresentação de qualquer verdade que reprove os pecados e erros do tempo suscitará oposição. “Todo aquele que faz o mal aborrece a luz, e não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas” (João 3:20). Ao verem os homens que não podem sustentar sua atitude pelas Escrituras, decidir-se-ão muitos a mantê-la a todo transe, e, com espírito mau, atacam o caráter e intuitos dos que permanecem na defesa da verdade impopular. É o mesmo expediente que tem sido adotado em todos os tempos. Elias foi acusado de ser o perturbador de Israel, Jeremias de traidor, Paulo de profanador do templo. Desde aquele tempo até hoje, os que desejam ser fiéis à verdade têm sido denunciados como sediciosos, hereges ou facciosos. Multidões que são demasiado incrédulas para aceitar a segura palavra da profecia, receberão com ilimitada credulidade a acusação contra os que ousam reprovar os pecados em voga” (Ellen G. White, O Grande Conflito, p. 458, 459).

Pastor Michelson Borges é um grande servo de Deus, que tem trabalhado incansavelmente para disseminar as verdades bíblicas e alertar sobre as investidas do inimigo contra o povo de Deus. Apesar de toda crítica e injúria, ele permanece fiel e segue em defesa da verdade, mesmo que seja impopular.

Nota: Ao ler esse texto da Liziane, uma feminista teria como “escapar” dizendo que há uma generalização, porque existe o feminismo pró-vida (irrelevante numericamente, e que foi expulso da Marcha das Mulheres nos Estados Unidos); porque existe o feminismo cristão (que é teologicamente liberal); ou apelando para o truque “você está confundindo feminismo com femismo”, argumento negado pela própria literatura feminista. Geralmente, o que funciona é expor o pensamento das autoras feministas para as meninas que se acham feministas, e perguntar: “Você concorda?” Algumas dizem: “Não… mas sou feminista mesmo assim!” Ou seja: discorda de todas as principais pensadoras feministas, mas se considera do movimento? Nem elas considerariam essa menina feminista! É como se dizer católico, mas não acreditar no papa, nos santos e em Maria.

Aos interessados, sugiro a leitura do ótimo livro Feminilidade Radical: Fé feminina em um mundo feminista, de Carolyn McCulley.