A triste e trágica história de Zé Apóstata

apostata

Zé Interessado era um jovem curioso em busca da verdade. Estava cansado de sua vida vazia e de pecados. Certo dia, no ônibus, recebeu de presente um livro missionário da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Ele leu atentamente o conteúdo e comparou tudo com a Bíblia que tinha em casa. Ficou surpreso com as verdades que descobriu e procurou a igreja adventista mais próxima da residência dele, a fim de tirar algumas dúvidas. O ancião da igreja gentilmente se ofereceu para aprofundar os estudos bíblicos com Zé Interessado. Depois de vários meses de estudos com o líder da igreja, Zé Interessado tomou a decisão de aceitar Jesus como seu Salvador e Senhor e alinhou a vida aos princípios bíblicos ensinados pelos adventistas.

Zé Interessado se tornou Zé Fiel.

Grato pelo que a igreja havia feito por ele, Zé Fiel decidiu fazer sua parte para que outros como ele pudessem ter acesso à mensagem de esperança que lhe transformou a vida. Tornou-se fiel dizimista, contribuía sistematicamente com ofertas, distribuía livros, estava envolvido com os trabalhos sociais de sua igreja e ministrava estudos bíblicos, a fim de passar adiante a bênção que havia recebido. Zé Fiel ajudou a levar muitas pessoas ao batismo e se sentia feliz por fazer parte do povo remanescente da profecia. Quanto mais estudava a Bíblia, mais convicto se sentia em relação ao caminho que trilhava e mais cheio de paz seu coração ficava.

Zé Fiel tornou-se Zé Missionário, e foi uma bênção para a igreja e para muitas pessoas.

Mas um dia Zé Missionário recebeu pelo WhatsApp um vídeo que começou a mudar a trajetória de sua história de fé. Na tela do celular, um jovem levantava dúvidas sobre os líderes da igreja e fazia acusações. Zé Missionário já havia lido declarações inspiradas como estas:

“A igreja, débil e defeituosa, precisando ser repreendida, advertida e aconselhada, é o único objeto na terra ao qual Cristo confere Sua suprema consideração” (Testemunhos Seletos, v. 2, p. 355).

“Deus tem na Terra uma igreja que é Seu povo escolhido, que guarda os Seus mandamentos. Ele está guiando, não ramificações transviadas, não um aqui e outro ali, mas um povo” (Testemunhos Seletos, v. 2, p. 362).

“Não necessitamos duvidar nem temer de que a obra não avançará. Deus está à frente […] e porá tudo em ordem. […] Tenhamos fé de que o Senhor guiará com segurança ao porto a nobre embarcação que conduz Seu povo” (Review and Herald, 20 de setembro de 1892).

“Embora existam males na igreja e tenham de existir até o fim do mundo, a igreja destes últimos dias há de ser a luz do mundo poluído e desmoralizado pelo pecado” (Testemunhos Seletos, v. 2, p. 355).

Zé Missionário possuía maturidade suficiente para entender que, como é composta e liderada por seres humanos falhos (como ele mesmo), a igreja tem, sim, seus problemas. Mas é a menina dos olhos de Deus, e Ele a está aperfeiçoando e conduzindo. Sim, Zé sabia disso e fazia a parte dele para ajudar a igreja “débil e defeituosa” em sua missão, e clamava ao Céu todos os dias pela chuva serôdia e pelo reavivamento do povo de Deus; pelo seu próprio reavivamento, como parte desse povo especial. Mas o vídeo do Jovem Trombeteiro da Montanha o havia deixado com uma “pulga atrás da orelha”. Teria razão aquele jovem que havia se mudado para o campo, mas levado consigo a cidade virtual da internet, em cujas ruas e vielas vivia em busca de polêmicas? Será que o trombeteiro que do alto da montanha lançava sobre a igreja seus dardos em forma de vídeos e críticas teria alguma razão no que dizia?

Zé Missionário passou a assistir a mais e mais vídeos como aquele; e se tornou o Zé Desconfiado.

Como uma heresia leva a outra, Zé Desconfiado acabou encontrando na internet outros vídeos, desta vez do Idoso Escatologista. À semelhança do que fazia o Jovem Trombeteiro da Montanha, o Idoso Escatologista ensinava coisas que estavam em desacordo com os ensinos historicamente defendidos pela Igreja Adventista. Por exemplo, enquanto em livros oficiais a igreja defende o historicismo profético, esse pregador virtual apregoa o futurismo, chegando mesmo a contrariar Ellen White, afirmando que os 1.260 anos proféticos compreendidos entre 538 e 1798 teriam um cumprimento literal de três anos e meio no futuro, após o fechamento da porta da graça, marcando, assim, de certa forma, uma data para a volta de Jesus.

Zé Desconfiado sabia que essas ideias não fazem sentido, mas como já estava com desconfianças em relação aos líderes da igreja, chegou a pensar – reproduzindo uma ideia sugerida tanto pelo Trombeteiro quanto pelo Escatologista – que os teólogos da igreja estariam a serviço de seus próprios interesses e, pior, dos interesses do maligno! Quanto aos textos claros de Ellen White, será que não teriam sido manipulados pelos editores? Pior ainda: Será que os responsáveis pelos escritos dela nos Estados Unidos não estariam sonegando e distorcendo informações? As desconfianças do Zé só aumentavam.

Aos poucos, Zé Desconfiado deixou de dar estudos bíblicos. Praticamente todo o tempo dele passou a ser dedicado ao estudo de “documentos extraoficiais” e vídeos de internet. Materiais que só fizeram aprofundar suas falsas suspeitas em relação à igreja. Zé Desconfiado já não frequentava mais tão assiduamente os cultos e deixou de dar ofertas, pois pensava que elas poderiam estar sendo mal aplicadas.

Como uma heresia leva a outra, Zé Desconfiado acabou tendo contado com um grupo virtual liderado por um ex-pastor antitrinitariano igualmente crítico da igreja, mas que tinha a pretensão reformá-la, de “curar Laodiceia”. Zé Desconfiado pensou estar no caminho certo e decidiu doar seus dízimos ao ex-pastor que ensinava a suas ovelhas que Jesus não é eterno como o Pai (portanto, menos Deus que Deus) e que o Espírito Santo não é pessoal, muito menos divino. Assim, Zé Desconfiado passou a crer num engano satânico que rebaixa Cristo e nega o Consolador que pode nos conduzir a toda a verdade e nos convencer do pecado, da justiça e do juízo. Ironicamente, Zé, orientado pelo Lobo Antitrinitariano, estava dando as costas para a verdadeira cura de Laodiceia. E Zé passou a arrebanhar mais e mais ovelhas para a toca do Lobo.

O apelido do moço poderia até ser “Zé Picuinha”, pois começou a disseminar pequenas dúvidas em sua antiga comunidade religiosa, fazendo com outros irmãos aquilo de que ele mesmo estava sendo vítima.

Zé Desconfiado foi ficando cada vez mais cego e obstinado. Esqueceu-se de que, “quando alguém se afasta do corpo organizado do povo que observa os mandamentos de Deus, quando começa a pesar a igreja em suas balanças humanas e a acusá-la, [podemos] saber que Deus não o está dirigindo. Ele se encontra no caminho errado” (Ellen White, Mensagens Escolhidas, v. 3, pág. 18). Quando o bondoso ancião que lhe havia dado estudos bíblicos e lhe dedicado muito tempo e orações tentou mostrar o caminho perigoso em que estava, Zé Desconfiado desprezou os conselhos daquele que realmente o amava. “Esse irmãozinho foi enganado pelo ‘sistema’”, pensou Zé.

Zé Desconfiado se tornou Zé Herege. E isso foi uma lástima.

Totalmente imerso na desconfiança, na acidez das críticas e com os pensamentos envolvidos por heresias, Zé Herege passou a ver também os defeitos daqueles que apontam o dedo contra a igreja – os mesmos que antes lhe pareciam tão santos e zelosos. Desentendeu-se com seus mentores, e em lugar de reconhecer seus erros e voltar à comunhão da igreja, fechou-se nos ferrolhos do orgulho. O fardo dessa religião acusatória e falsa lhe pesou nos ombros, e Zé Herege começou a duvidar de tudo, até da confiabilidade do Espírito de Profecia e da Bíblia Sagrada. A essa altura ele não mais frequentava os cultos adventistas e era uma tristeza seu relacionamento com a linda moça da igreja com quem havia se casado e feito promessas no altar. Ela não suportava o azedume do marido e não acreditava em suas ideias. Com o coração partido, decidiu deixá-lo.

Inquieto e desorientado, Zé Herege colocou uma pá de cal sobre os últimos resquícios de sua fé, ao passar a acompanhar pregadores moderninhos das redes sociais que relativizavam até o relativismo. “Deixe essas bobagens doutrinárias e abrace o Cristo revolucionário e subversivo!” Zé não encontrou esse Cristo repaginado. Na verdade, Zé Herege acabou por se perder mais ainda, ficando sem rumo e mergulhado no vazio escuro que cresceu dentro de si.

De interessado, fiel, missionário, desconfiado e herege, ele se tornou Zé Apóstata. E isso foi uma tragédia. Uma triste tragédia.

Michelson Borges

Nota: Sim, os nomes acima são fictícios, mas a história, infelizmente, tem sido a realidade de muita gente. Em nome de Jesus, não permita que isso aconteça com você! (Leia e medite em Apocalipse 12:17.)

Leia também: Há esperança para a igreja?