A última casa de Ellen White

Patrimônio histórico da Igreja Adventista do Sétimo Dia e dos EUA

01

Segunda-feira, 27 de outubro de 2014. Foi impressionante a passagem pela famosa ponte Golden Gate, em San Francisco, e pelas vinhas de Napa Valley, mas nada se compara à emoção de entrar na casa em que Ellen White viveu os últimos anos de sua vida incrivelmente produtiva e inspiradora. A bela e bem conservada casa de madeira foi construída em 1885 por um homem muito rico que a usava nas férias. Na época, foram gastos 15 mil dólares na construção, mas Ellen pagou por ela apenas cinco mil. Ellen havia passado nove anos na Austrália e desejava encontrar um bom e barato lugar para morar. Ela orou a Deus e pediu que Ele mostrasse o melhor negócio. Foi então que encontrou a grande oportunidade em Santa Helena, na Califórnia. Detalhe: a casa estava toda mobiliada e tinha vários móveis com tampa de mármore branco, o preferido de Ellen. Deus havia lhe dado um presente, depois de uma vida inteira de tantas privações e lutas, como educadora, escritora, pregadora, líder e mensageira de Deus. 

Aliás, é bom lembrar que Ellen escreveu mais de cem mil páginas manuscritas, foi traduzida para mais de 140 idiomas e tem seu legado reconhecido até mesmo pelo governo dos Estados Unidos, tanto é que há uma placa na varanda inferior da casa em que se reconhece a residência como monumento histórico nacional.

02

No interior da casa que Ellen passou a chamar de Elmshaven (“refúgio dos olmeiros”), pode-se ter uma ideia da rotina de Ellen White e dos que moravam com ela. Na sala, eram realizados dois breves cultos por dia, um de manhã e outro à tarde. Eles cantavam, liam um texto bíblico e cada um dos presentes tomava parte nos momentos de oração. Na sexta-feira ao pôr do sol, o culto era mais longo, e Ellen lia partes do relato dos missionários além-mar. No sábado à noite, havia “pipocada”. 

Ellen utilizava o cômodo de cima para escrever, e sua secretária Sarah procurava evitar que visitas a atrapalhassem em sua missão. Mas os netinhos sabiam como “furar o bloqueio”: eles subiam sorrateiramente pela escada que chamavam de “passagem secreta”. Ellen e eles ficavam felizes por ter alguns momentos juntos.

Ellen costumava levantar às 3h ou às 4h para escrever. Em 1915, com 88 anos de idade, ela caiu, quebrou o quadril e seu estado de saúde foi piorando. Até que, em 16 de julho, ela faleceu, antes tendo feito seus amigos garantirem que venderiam a propriedade para ajudar a pagar a compra de duas instituições da igreja. O horário da morte de Ellen (3h40) foi registrado no momento exato por Sarah no relógio que havia sido de Uriah Smith e doado pela viúva dele. O relógio está lá até hoje marcando o mesmo horário. Ao filho ela disse as últimas palavras: “Eu sei em quem eu creio.” 

Em 1927, dois adventistas compraram a casa e a doaram para a igreja. Hoje ela recebe mais de sete mil visitas por ano e continua sendo um monumento mais do que histórico; é a marca de uma vida que causou profundo impacto no coração e na mente de tantas pessoas, efeito que continua se multiplicando por meio da dezena de livros que ela escreveu. 

No quarto em que Ellen costumava receber a visita de anjos (o que foi confirmado por pessoas que viviam no sanatório não muito longe dali e que viram uma luz intensa saindo pelas janelas do cômodo), fizemos uma oração dedicando nossa vida mais uma vez ao Deus a quem Ellen White serviu com tanta dedicação por mais de sete décadas. 

Michelson Borges

Conheça mais
 sobre a vida dessa mulher extraordinária lendo a minibiografia escrita pelo neto dela (clique aqui).