Agradeço à minha mãe por ter me dado esse nome

Sem o saber, ela sintetizou em meu nome tudo aquilo de que mais gosto

albert michelson

Meu nome foi escolhido quando minha mãe folheava uma enciclopédia científica, há quase 50 anos. Albert Abraham Michelson, além de cientista, cultivava também o gosto pela pintura, quando lhe sobrava tempo de seus complicados cálculos e experiências. E colocava na arte o mesmo entusiasmo que punha em seus trabalhos de pesquisa. Afirmou, certa vez, que “somente na ciência a arte pôde encontrar sua expressão máxima”. Em toda a sua obra de cientista transparece a persistente busca de uma exatidão sempre maior; não é por simples coincidência que seu último livro versa ainda sobre o mesmo assunto de sua primeira publicação: a medida da velocidade da luz. O aparelho que construiu para medi-la passou também por sucessivos aperfeiçoamentos, e ficou conhecido como “Interferômetro“.

Quando, algumas semanas antes de sua morte, Einstein lhe perguntou por que consagrara tanto tempo aperfeiçoando suas medições da velocidade da luz, ele respondeu: “Porque isso me diverte.” Confirmava, nessa frase, que fizera da ciência uma arte. Michelson foi o primeiro cientista norte-americano a receber o Nobel de Física (embora tenha nascido em Strelno, na Polônia, em 19 de dezembro de 1852).

Quando tive idade suficiente para entender tudo isso, admito que fiquei orgulhoso do nome que minha mãe escolheu para mim. De certa forma, saber dessas coisas sobre Albert foi um motivo a mais para eu gostar de ciência e ter prazer em entender o Universo que me rodeia.

Albert Michelson ajudou a derrubar um mito científico persistente – o éter luminífero. Sem querer, minha mãe, ao escolher meu nome, acabou me colocando sob a influência do cientista. Desde criança tenho lido sobre a obra dele e sempre achei que a ciência experimental está aí para nos ajudar a conhecer a realidade objetiva e derrubar mitos que nada têm que ver com essa realidade. E essa busca pela verdade dos fatos deve ser feita com mente aberta e nos ajudar a ter a disposição de ir aonde os fatos nos levem, desejosos de estar do lado da verdade e não simplesmente de ter a verdade do nosso lado.

Mas tem mais!

Quando jovem, tive contato pela primeira vez com o criacionismo e com a Igreja Adventista do Sétimo Dia. Estudando a Bíblia, descobri que o Arcanjo Miguel é Jesus. Como “Miguel” é a tradução do nome “Mikhael“, em hebraico (“Michael“, em inglês), e “son” quer dizer “filho”, logo, meu nome quer dizer “filho de Jesus”! Essa descoberta me deixou ainda mais feliz e grato à minha mãe. Sem o saber, ela sintetizou em meu nome tudo aquilo de que mais gosto: de Jesus, meu Criador, e da ciência, criação dEle.

Obrigado, mãe! Você não poderia ter escolhido nome melhor para mim.

Michelson Borges