Antonieta de Barros: primeira deputada negra e criadora do Dia do Professor

Catarinense foi promotora da educação e lutou pelos direitos da mulher

antonieta

Antonieta de Barros (1901-1952) foi jornalista, professora e política catarinense (nasceu em Florianópolis, SC). Foi a primeira negra brasileira a assumir um mandato popular. Tendo contribuído no parlamento, na imprensa e no magistério, foi ativa defensora da emancipação feminina, de uma educação de qualidade para todos e pelo reconhecimento da cultura negra, em especial no Sul do Brasil. Filha de ex-escrava e de um jardineiro, Antonieta era respeitada e admirada por seu espírito de justiça. Ela nunca se casou e era bastante religiosa. Pregava a emancipação feminina, principalmente por meio da educação. A mãe dela, Catarina, trabalhou na casa do político Vidal Ramos, pai de Nereu Ramos, que viria a ser vice-presidente do Senado e foi o único catarinense a assumir a Presidência da República. O apoio dos Ramos ajudaria a futura carreira política de Antonieta. Catarina transformou sua casa em uma pensão para estudantes, e essa convivência com eles serviu de incentivo para que Antonieta e sua irmã se alfabetizassem.

Antonieta seguiu os estudos, cursando regularmente o ensino básico na Escola Lauro Müller. Aos 17 anos, matriculou-se na Escola Normal Catarinense, concluindo o curso normal, que formava professoras. Em 1922, criou o Curso Particular Antonieta de Barros em sua casa, voltado para a alfabetização da população carente, projeto que ela conduziu durante toda a vida. Foi professora e diretora em algumas escolas da capital catarinense.

Além de professora, atuou como jornalista e escritora, destacando-se pela coragem de expressar suas ideias em um contexto histórico que não permitia às mulheres a livre expressão. Segundo a pesquisadora Luciana Fontão, a literatura de Antonieta “apresenta textos com características temáticas calcadas na crítica social, tendendo ao proselitismo provinciano de caráter urbano e marcado por uma linguagem com forte apelo didático e religioso, no culto aos valores humanísticos e cristãos. Ela representa a resistência da escrita feminina e a presença da mulher escritora na literatura produzida na Ilha de Santa Catarina”.

Em 1934, foi realizada a primeira eleição em que mulheres puderam votar e ser candidatas ao Executivo e ao Legislativo no Brasil. Antonieta concorreu a uma das vagas para deputado estadual, tornando-se suplente. Como Leônidas Coelho de Souza não tomou posse, Antonieta foi convocada e assumiu o mandato. Tornou-se, assim, a primeira deputada estadual mulher e negra do País e uma pioneira no combate à discriminação dos negros e das mulheres.

Entre muitas conquistas e feitos significativos, Antonieta foi autora da lei que instituiu o Dia do Professor.