Olavo de Carvalho ataca a verdadeira ciência e a verdadeira religião

A esquerda é nociva, mas certos pensadores de direita podem levar as pessoas a um extremo perigoso

Recentemente, o filósofo e escritor Olavo de Carvalho escreveu em seu Twitter: “Hoje em dia há centenas de obras históricas, ignoradas nas universidades brasileiras, nas quais você pode aprender, por exemplo, que Sir Isaac Newton, indiscutível gênio matemático, era um baita charlatão em assuntos de teologia e esoterismo, aliás os que mais lhe interessavam. […] Não se pode esquecer que a vida de Newton é paralela à fundação da Royal Society, numa época em que a Casa Real tinha compreendido que a respeitabilidade intelectual é a base do poder imperialista (coisa que os nossos políticos jamais vão entender), e, por isso, deu tudo de si para criar o mito que faz do macumbeiro Newton o modelo mesmo do ‘puro cientista’ moderno.”

Newton era protestante e um cientista criacionista que acreditava na veracidade da Bíblia. A visão profética dele era bem similar ao entendimento adventista, basta ler o livro Estudos Sobre as Profecias de Daniel e Apocalipse para perceber isso. Portanto, o matemático inglês entendia o papel do papado na história e na profecia. Ele é um dos maiores representantes do que o poder medieval romano mais odeia: seres não submissos à autoridade papal, pensantes e livres, que usam as duas revelações divinas muito bem: a Bíblia e a natureza (ciência). Um ataque desse tipo contra Newton é um ataque contra um dos grandes, se não o maior, expoente da ciência moderna e séria que muitos cristãos devotos ajudaram a fundar e desenvolver, sempre em boa harmonia com sua fé em Deus. Portanto, um ataque assim pode mesmo ser considerado como um ataque àquilo que ajudou a tirar a humanidade das trevas do obscurantismo medieval, a saber tanto a ciência séria desenvolvida por Newton, quanto princípios de liberdade de pensamento provindos de sua herança protestante bíblica. Denegrindo indiretamente esses bens que sustentam a civilização humana, que valores e perigos corremos se aceitarmos esse tipo de discurso?

Um filósofo que já flertou com a astrologia (uma pseudociência) e “passou pano” para terraplanistas (um absurdo anticientífico) chamar Isaac Newton de charlatão em assuntos de teologia e “macumbeiro” chega a ser irônico. A teologia de Newton, no que diz respeito às profecias, era quase tão acurada quanto sua ciência. O mesmo não se pode dizer de Olavo, um defensor do catolicismo, com todo o seu dogmatismo antiescriturístico.

Com esse tipo de declaração, Olavo alimenta o preconceito contra aqueles que se pautam pela Bíblia e pela verdadeira ciência. É uma máquina de preconceitos e rejeição pública sendo construída contra aqueles que creem na boa ciência e na boa teologia, sem comprometê-las com a tradição humana banhada em filosofia pagã greco-romana.

O catolicismo tradicional (aquele que nunca mudou, segundo Ellen White) vai se fortalecendo aos poucos ao denunciar e combater os absurdos e as iniquidades da esquerda. No fundo, é a velha estratégia “ordem a partir do caos”. Ele acabará sendo reconhecido como a única força com capacidade real de impedir a humanidade de regredir à escravidão totalitária ou à barbárie; e qualquer crítica ao papado será vista como colaboracionismo com o outro lado.

Enquanto isso, a esquerda faz outra boa parte do trabalho sujo para Roma, que é atacar liberdades, estabelecer censuras, promover imoralidades e incitar os religiosos a quebrar as barreiras entre a religião e o Estado (a flecha e o arco, lembra?). Quando o papado voltar ao poder, todos os mecanismos de controle da liberdade estarão testados e em pleno funcionamento.

O que fica claro é que esquerda e direita, marxismo e conservadorismo religioso são marionetes manipuladas pelas mesmas mãos. Quando Olavo, por exemplo, combate o marxismo (e nisso dá algumas contribuições), acaba atraindo para si e para o catolicismo tradicional as simpatias de massas de conservadores e religiosos insatisfeitos e ofendidos. Nessa aproximação reina um dos maiores perigos para as liberdades individuais de todos: a ruptura da barreira que separa a religião e o Estado. Esses abandonam um sistema pernicioso para cair nos braços de outro sistema, esse perigoso. Qual a solução? Olhar para o alto e viver à luz da Palavra de Deus, a fim de reconhecer e rechaçar as artimanhas do inimigo.

Conforme escreveu Edu Sampaio, “o diabo encurralou o mundo num beco com duas saídas: o marxismo, levando pessoas a um estado de insanidade mental, e o poder papal que, apoiado pelos EUA, enganará o mundo com uma falsa religião. A profecia se cumprirá à risca. Mas a salvação virá do alto!”

(Josué Cardoso dos Santos, Marco Dourado e Michelson Borges)

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