Incoerências do papa Francisco: riqueza e “casamento” gay

Agradando um segmento da sociedade, ele acaba desagradando outro e amplos setores da própria igreja que lidera

Em sua última encíclica o papa prega igualdade e redistribuição de renda. Talvez o Vaticano deveria dar o exemplo primeiro. “A Igreja Católica é rica, mas gosta de aparecer como pobre para receber bilhões de dólares de subsídios estatais e doações”, afirma o cientista político alemão Carsten Frerk, autor de The Violet Book of Church Finances.

Em 1929, o papa Pio XI assinou com o líder fascista Benito Mussolini o Tratado de Latrão: a Santa Sé renunciou aos territórios que continuava a reivindicar em troca de uma compensação equivalente a US$ 91 milhões na época. Foi a origem da fortuna moderna da Santa Sé, que garantia que o papa não seria pobre nunca mais.

O Vaticano nunca vendeu seu ouro, guardado nos cofres do Federal Reserve Bank of New York.

Oficialmente, a divisão de investimentos financeiros do Vaticano, conhecida como Administrazione del Patrimonio della Sede Apostolica (APSA), gere ativos de € 680 milhões – cifra vista com forte reticência nos meios financeiros e mesmo religiosos. Além disso, o Vaticano tem enormes tesouros, como coleções de obras de arte, de Michelangelo a Rafael, guardados num bunker subterrâneo de dois andares em 24 quilômetros de labirinto.

Os casos de dois países, porém, dão uma ideia da força financeira da Igreja Católica. Na Alemanha, após anos de pesquisa, o cientista político Carsten Frerk estimou que os ativos de entidades legais da Igreja no país, controlados por bispos, alcançavam € 50 bilhões. Fora das estruturas legais, negócios de agências de viagem, imobiliárias e outros movimentariam € 125 bilhões por ano, segundo ele. Segundo seus cálculos, a Igreja Católica obtém € 14 bilhões em subsídios estatais por ano para suas escolas e outras atividades na Alemanha, Áustria, Itália e Espanha.

Além do APSA, a Santa Sé tem apenas outra entidade financeira oficial: o Banco do Vaticano, como é conhecido o Instituto per la Opere di Religione (IOR), criado em 1942 para administrar a fortuna de todas as comunidades católicas do mundo. Em 2011, o banco tinha € 6,3 bilhões sob gestão e 20.772 clientes, segundo relatório do Moneyval, órgão do Conselho da Europa. Em 2010, ocorreu uma nova crise no banco, quando as autoridades italianas questionaram a origem de um volume pouco habitual de fundos do Banco do Vaticano, próximo de US$ 30 milhões, em bancos italianos. O dinheiro foi apreendido como parte de uma investigação na qual o banco teria desrespeitado regras contra lavagem de dinheiro.

(Valor Econômico)

Uma declaração histórica do papa em defesa da união homoafetiva [sic] ganhou repercussão mundial nesta quarta-feira (21). O papa Francisco quis mandar um sinal forte aos países onde a igreja se opõe à união entre homossexuais. E fez isso através do documentário “Francisco”, que estreou nesta quarta no Festival de Cinema de Roma.

“Os homossexuais”, disse o papa, “são filhos de Deus e têm direito a uma família. Ninguém deve ser expulso ou infeliz por isso. O que temos é que criar uma lei sobre as uniões civis. Eu lutei por elas”, afirmou Francisco. […]

O diretor do documentário, o russo Evgeny Afineevsky, diz que a intenção do papa não é mudar a doutrina da Igreja, mas acabar com a discriminação e reconhecer que todos merecem direitos iguais.

(Jornal Nacional)

Nota: Com esse posicionamento progressista/marxista, o papa Francisco vai cada vez mais irritando a ala tradicional da Igreja Católica. Veja o que escreveu um conhecido pensador católico: “A desculpinha do Bergoglio, de que no caso dos gays não falou em ‘matrimônio’ mas só em ‘união civil’ — a seu ver um ‘direito universal’ –, é o subterfúgio mais idiota que já se viu na defesa de uma tese autocontraditória. O termo ‘união civil’, nesse discurso, significa apenas o fato de duas pessoas viverem juntas, ou significa uma relação contratual com deveres e direitos formalmente impostos pelo Estado? Nesta segunda hipótese, é óbvio que essa união, só muito recentemente admitida em ALGUNS países, não é de maneira alguma um direito universal, mas sim uma exceção a esse direito. Bergoglio simplesmente NÃO SABE o que está dizendo.”

A verdade é que as duas notícias acima exibem duas das contradições do líder da Igreja de Roma: a fala com tom marxista a partir do trono de uma poderosa e rica instituição religiosa e o apoio à união conjugal entre duas pessoas do mesmo sexo, o que contraria frontalmente o conceito bíblico de casamento – a união abençoada entre um homem e uma mulher. Leis protetivas para pessoas que querem viver juntas são uma questão para o Estado, não para a igreja nem para quem se diz guiado pela vontade dAquele que criou o casamento. Cada um tem o direito e a liberdade de viver como bem entender, e até Deus respeita isso. Mas um cristão endossar comportamentos contrários aos valores cristãos, aí já é, no mínimo, contradição.

Realmente não sei qual a intenção de Bergoglio. Agradando um segmento da sociedade, ele acaba desagradando outro e amplos setores da própria igreja que lidera.