Entre o vermelho e o púrpura

Necessitamos de um sólido conhecimento das verdades Bíblicas, afinal, nunca antes na História carecemos tanto da “lâmpada para os [nossos] pés”

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Durante 1.260 anos (de 538 a 1798), a Igreja Romana teve autoridade para perseguir, prender e até matar. Foi um período extremamente difícil para aqueles que desejavam se manter fiéis às verdades bíblicas e longe dos dogmas humanos. Em Daniel capítulos 7 e 8, esse poder perseguidor é descrito como a “ponta (chifre) pequena” que tentou mudar a lei de Deus, deturpou a verdade do santuário e perseguiu os fiéis. Em Apocalipse 13, esse mesmo poder é descrito como uma besta simbólica que emerge do mar (povos), sofre uma ferida mortal, se recupera, conquista admiração e recebe finalmente o apoio da besta da terra (os Estados Unidos). Em Apocalipse 17, o símbolo é uma prostituta vestida de púrpura e escarlate. Aquele tempo de perseguição (também descrito como três anos e meio ou 42 meses, o que equivale aos mesmos 1.260 anos) um dia terá sua “segunda edição”, quando a marca da autoridade dessa besta/ponta pequena for imposta à humanidade (para mais informações, assista aos vídeos desta playlist).

Bestas são instrumentos usados por Satanás para levar avante seus intentos. São suas marionetes no grande conflito. Além das bestas do mar (papado) e da terra (Estados Unidos), o inimigo se valeu também da besta do abismo de Apocalipse 11. Ali é descrito um poder relacionado com ateísmo e sodomia/licenciosidade (veja os vídeos abaixo para entender melhor o assunto). A França revolucionária é identificada por esse símbolo, e o capítulo chega a mencionar o mesmo período de 1.260 anos durante os quais a Bíblia (as duas testemunhas) teve que “profetizar vestida de pano de saco” (luto, humilhação). A relação entre os capítulos 11 e 13 de Apocalipse (além de Daniel 7 e 8) fica muito clara aos olhos do leitor atento.

Política e sociologicamente, a Revolução Francesa trouxe benefícios à humanidade, mas no aspecto religioso (focalizado pela profecia) foi uma tragédia. A partir dessa revolução, o ateísmo ganhou novo fôlego. A Bíblia Sagrada passou a ser questionada. Ideologias naturalistas como o darwinismo e o marxismo conquistaram terreno. Os “ecos” dessa revolução reverberam ainda hoje, com vernizes culturais.

A besta do abismo continua urrando por meio da militância progressista anticultura judaico-cristã. No afã de destruir ou, pelo menos, anular/enfraquecer os valores bíblicos e a boa escatologia (que desmascara Satanás), o progressismo vermelho sequestra pautas e movimentos como o feminismo, o antirracismo, LGBT e outros. Usando essas causas como ponta de lança, a besta do abismo conquista mais e mais terreno, de maneira sub-reptícia, disfarçada. Assim, ela empurra o pêndulo para um extremo; estica a corda do arco até seu limite. E prepara o caminho para o retorno triunfal da besta preferida de Satanás: a do mar. A besta-flecha que causará o estrago final.

Na resistência aos progressismos e ao chamado marxismo cultural, estão pensadores totalmente alinhados com as ideias e os propósitos do catolicismo histórico. Ao reagir contra o poder da besta do abismo, muitos estão caindo no colo da besta do mar, que dentro de pouco tempo terá o apoio da besta da terra. Estão entre a foice e a falsa cruz. Entre o vermelho (ideologias revolucionárias) e o púrpura (romanismo). Para todos os fins, os propósitos do estrategista-mor por trás das bestas acabam sendo cumpridos, de uma forma ou de outra. As bestas de Apocalipse 13 representam um alinhamento político-religioso cada vez mais fortalecido como reação à influência da besta do abismo. Só que, no fim das contas, haverá, nas palavras de Ellen White, um “laço de união universal”. A polarização dará lugar a uma breve concordância geral (ECOmenismo?).

Nesse turbilhão de influências e interesses, como deve se comportar o povo e Deus? Antes de responder, vou resumir tudo para deixar claro:

1. A besta do mar/ponta pequena vem atuando ao longo da História como instrumento de Satanás para distorcer as verdades bíblicas e afastar as pessoas do verdadeiro Salvador e de Sua obra no santuário celestial.

2. Quando a besta do mar foi ferida de morte, Satanás passou a usar a besta do abismo para avançar ainda mais sua agenda destruidora. O que o papado começou, a Revolução Francesa concluiu: o primeiro distorceu a Bíblia e a tornou inacessível; a segunda destruiu a Bíblia e promoveu a descrença.

3. Depois de algum tempo, a ferida mortal da besta do mar começou a ser curada (processo ainda não concluído). Paralelamente, as ideologias nascidas e/ou fortalecidas na França revolucionária continuaram e continuam causando estragos no mundo (teologias políticas/marxistas, evolucionismo teísta, progressismo, revisionismos, relativismo, etc.). E assim Satanás vem atuando em duas frentes, mais ou menos como aquelas empresas donas de duas marcas que promovem uma falsa competição comercial.

4. Indignados com as barbaridades do pensamento esquerdista (aliás, esquerda e direita também são filhas da Revolução), muitos estão correndo para os braços da direita religiosa, com sua religião aparentemente cristã, mas fundada em dogmas como o da pretensa santidade do domingo e da imortalidade da alma, por exemplo (os dois grandes erros: aqui e aqui). Uma religião que desembocará na união das bestas do mar e da terra, com a consequente perseguição dos que não aceitarem as imposições do Estado unido à igreja (sendo o decreto dominical uma dessas imposições). Estão correndo do vermelho para ser abocanhados pelo púrpura.

Nesse turbilhão de influências e interesses, como deve se comportar o povo e Deus? Simples: não se alinhar com poderes nem da direita nem da esquerda, afinal, somos do Alto. Não abraçar ideologias humanas travestidas de cristianismo. Não ceder às pressões sociais nem às religiosas que finalmente os levariam para longe da Palavra de Deus. Precisamos de um sólido conhecimento das profecias a fim de navegar seguros nessas águas agitadas. Necessitamos de um sólido conhecimento das verdades Bíblicas, afinal, nunca antes na História carecemos tanto da “lâmpada para os [nossos] pés” (Salmo 119:105).

(Michelson Borges é pastor e jornalista)