Donald Trump, as profecias e o perigo da fé especulativa

[No dia 19 de novembro de 2016, publiquei o texto abaixo em meu blog criacionismo.com.br. Quatro anos depois, a essência dele continua atual e válida:]

Eu estava fazendo uma série de pregações em Genebra, na Suíça, quando vi pelo noticiário televisivo o resultado das eleições norte-americanas. Contra as previsões da mídia, Donald Trump havia vencido. No dia seguinte, o bilionário era capa de praticamente todos os jornais. A filha pequena do casal que estava me hospedando perguntou ao pai dela: “Por que tanto interesse nesse homem?” E ele respondeu de maneira simples e direta: “Porque Trump agora é o presidente eleito do país mais importante do mundo. O que os Estados Unidos fazem tem reflexos aqui na Suíça e em toda parte do mundo.” E é verdade. A escolha de um presidente na terra do Tio Sam desperta expectativas e temores nas áreas econômica, diplomática, militar e, claro, escatológica. Tão logo o resultado das eleições se tornou conhecido, os especuladores e “profetas” de plantão se puseram a trabalhar. Perdeu a Hilary apoiadora do aborto e do “casamento” gay; venceu o boquirroto xenofóbico ultranacionalista. O que esperar do futuro, agora? Que implicações proféticas haveria nisso tudo?

Logo houve quem resgatasse uma postagem aqui do blog, de 2013, segundo a qual Trump respeita seus empregados guardadores do sábado (confira). E eu divulguei em seguida o fato de que a filha do magnata é judia e guardadora do sétimo dia (confira). Seria isso um alívio? Representaria um retardamento no calendário profético? Liberdade religiosa garantida? Pode ser tudo isso e nada disso.

Na mesma semana da eleição, recebi um e-mail interessante, um tanto numerológico. Veja só: “Donald Trump venceu as eleições e será o primeiro presidente a prestar juramentos aos 70 anos, sete meses e sete dias de vida. Será o primeiro presidente pró-Israel a governar durante a quinta década (50 anos) da tomada do Monte do Templo e do Muro das Lamentações em Jerusalém. Será o primeiro presidente a celebrar o 70º aniversário da anexação de Jerusalém como capital de Israel. Cinco décadas da conquista do Monte. Sete décadas da vida de Trump. Sete meses desde seu último aniversário; 5777 do ano hebraico atual. Trump se torna o presidente americano de número 45. Isaías 45: ‘O Senhor chama o rei Ciro de Seu ungido.’ O rei Ciro da Pérsia autoriza Esdras e Neemias a reedificar o muro e a cidade de Jerusalém. O rei Ciro permite que os Israelitas edifiquem o segundo templo. Ele abençoa em extremo o povo de Deus. Palavras chaves: muro, cidade e templo. O três pilares da plataforma política de Trump: (1) edificar um muro; (2) reconstruir cidades; (3) restabelecer a liberdade religiosa. A palavra ‘trump’, em inglês, quer dizer ‘sonido da trombeta’. Sabe o que tudo isso significa? Absolutamente nada. Quer saber de profecias? Estude a Bíblia e esqueça essas bobagens.”

Mércia Verônica escreveu também: “Ainda nem houve posse nos Estados Unidos e os arautos começaram a tocar as trombetas do cumprimento profético. Na sequência, o alívio: ‘Ufa, ele é simpático com os sabatistas!’ Vamos refrescar a memória? A simpatia de Nabucodonosor pelos jovens hebreus não evitou a fornalha. A simpatia do rei por Daniel não o livrou dos leões, porque as circunstâncias, forjadas ou não, tornaram o fogo e a cova dos felinos inevitáveis. A simpatia de Trump com o povo do sábado nos deixa aliviados com um ‘ufa, não foi desta vez’? Sejamos coerentes! As profecias irão se cumprir no tempo, a despeito de quem esteja encabeçando a superpotência mundial. Poderia ser o Carson, e isso não retardaria ou impediria o plano divino, pois o tempo é dEle e não nosso. Nosso papel é voltar as forças para o preparo e não à especulação. À busca de estarmos prontos e não ficarmos na janela olhando para sair correndo quando o horizonte mudar de cor. Sejamos sóbrios, vigilantes e estejamos prontos, pois ‘quem há de vir virá’, seja com Trump ou sem ele.”

O que precisamos fazer neste tempo de aparente bonança é aprofundar nossa relação com Deus e nosso conhecimento da Bíblia Sagrada, especificamente das profecias escatológicas. Foi essa a preocupação de Paulo, quando escreveu a carta aos Hebreus (confira). Ele não queria que os cristãos fossem vencidos pela rotina e desanimassem em sua jornada de fé. Desejava que mantivessem uma experiência profunda com Deus.

Quando nossa experiência cristã depende de injeções de ânimo baseadas em sensacionalismos passageiros e teorias mirabolantes – como a do “chip marca da besta” (que, na verdade, como disse alguém, é a marca das bestas que não estudam a Bíblia) ou a tese de que o mundo vai acabar após seis mil anos de pecado –, a tendência é que, passada a empolgação do momento, tudo volte ao “normal”, à típica mornidão laodiceana.

Mantenhamos firme nossa esperança na volta de Jesus, testemunhando do amor de Deus pela humanidade caída e falando desse futuro maravilhoso que nos aguarda – sem fanatismos, especulações infundadas e inverdades que só servem para ofuscar a mensagem bíblica e os atrativos do evangelho.

Michelson Borges