Lady Gaga e a Bíblia da posse de Joe Biden

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Vamos começar pela Bíblia. A Bíblia Douay-Rheims (pronuncia-se “due rimz”), usada na cerimônia de posse do presidente Joe Biden, é uma tradução católica romana das Escrituras Sagradas. Foi traduzida a partir da Vulgata latina para o inglês. A tradução foi iniciada por exilados católicos ingleses no English College da Universidade de Douay, no norte da França. A equipe de tradução foi liderada por Gregory Martin, um estudioso de Oxford, sob o patrocínio de William (mais tarde cardeal) Allen. O Novo Testamento foi publicado em 1582, em Rheims, no norte da França, e ficou conhecido como Douay-Rheims. Todo o Antigo Testamento foi traduzido e publicado pela Universidade de Douay em 1609. O Antigo Testamento Douay-Rheims tem 46 livros, incluindo os sete livros apócrifos da tradição católica (Tobias, Judith, Sabedoria, Eclesiástico, Baruque, 1 e 2 Macabeus).

O propósito da versão, tanto o texto quanto as notas, era sustentar a tradição católica em oposição à Reforma Protestante, que até então havia dominado a religião elizabetana e o debate acadêmico. Portanto, fez parte do esforço dos católicos ingleses para apoiar a Contra-Reforma.

Embora a Bíblia de Jerusalém, a New American Bible Revised Edition, a Revised Standard Version Catholic Edition e a New Revised Standard Version Catholic Edition sejam as Bíblias mais comumente usadas nas igrejas católicas de língua inglesa, a Bíblia Douay-Rheims muitas vezes permanece como a Bíblia de escolha de católicos de língua inglesa mais tradicionais.

Muito interessante ter sido escolhida exatamente essa tradução específica para a posse do segundo presidente católico do maior país protestante do mundo. Foi com a mão sobre ela que Biden fez seu juramento, logo após a cantora Lady Gaga ter interpretado o hino dos Estados Unidos. Só para lembrar, Gaga sempre esteve relacionada com simbologia ocultista e referências à maçonaria e à chamada Nova Ordem Mundial (confira).

É bom lembrar, também, que em 2011 a cantora afirmou que “Born This Way”, seu hit da época, foi composto pelo estilista britânico Alexander McQueen. Segundo ela, McQueen teria entrado em seu corpo para escrever a canção. McQueen cometeu suicídio em 11 de fevereiro de 2010, antes de a música ter sido feita. Quando a gravadora de Gaga decidiu lançar o single exatamente um ano após a morte do estilista, a cantora disse que passou a acreditar de vez que a música havia sido composta por ele. Gaga, que era amiga de McQueen, falou em entrevista à revista Bazaar que o estilista “planejou tudo. Logo depois que ele morreu, escrevi ‘Born This Way’. Acho que ele estava no céu [sic] com algumas cordas nas mãos, planejando toda essa coisa. Foi ele!”

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Ainda em 2011, o mesmo álbum “Born this way” foi banido das lojas do Líbano por ter sido considerado “ofensivo ao cristianismo”. As autoridades libanesas confiscaram um carregamento do disco de Gaga logo depois que ele chegou ao país. Gaga já havia criado polêmica com grupos religiosos nos Estados Unidos. No clipe de “Judas”, uma das faixas do álbum, Jesus e os 12 apóstolos aparecem caracterizados como uma gangue de motoqueiros. No vídeo de cinco minutos, Lady Gaga interpreta Maria Madalena. Em abril daquele ano, essa mesma faixa (“Judas”) foi proibida de tocar nas rádios libanesas.

Na época, achei no mínimo curioso e irônico que um país de maioria muçulmana revelasse maior respeito à figura de Jesus do que muitos pretensos cristãos do Ocidente “cristão”…

A posse de Joe Biden foi realmente uma cerimônia e tanto, com a convergência de catolicismo, espiritualismo/ocultismo e protestantismo apostatado! [MB]

Detalhe: Em um dia Biden jura sobre a Bíblia, no outro já começa a trabalhar para flexibilizar o aborto (confira).

Leia também: “Papa Francisco parabeniza Biden pela posse e pede ‘reconciliação e paz’”

“O romanismo é agora considerado pelos protestantes com muito maior favor do que nos anos anteriores. Nos países onde o catolicismo não está em ascensão e os papistas estão tomando um curso conciliatório para ganhar influência, há uma indiferença crescente em relação às doutrinas de separar as igrejas reformadas da hierarquia papal; ganha terreno a opinião de que, afinal, não divergimos tanto em pontos vitais como se supõe, e que uma pequena concessão de nossa parte nos levará a um melhor entendimento com Roma. […] Foi o tempo em que os protestantes valorizaram muito a liberdade de consciência que havia sido adquirida tão caro. Eles ensinaram seus filhos a abominar o papado e sustentaram que buscar a harmonia com Roma seria deslealdade a Deus. Mas quão amplamente diferentes são os sentimentos agora expressos!” (O Grande Conflito, p. 563).