Perguntas interativas da Lição: brincando de Deus

Não existe na Bíblia uma lista com os supostos “sete pecados capitais”, como muitos pensam. No entanto, ao estudarmos sobre a origem do pecado, podemos perceber que, cronologicamente, o orgulho e a exaltação própria estão entre os primeiros. Eles surgiram no coração de um ser que havia sido criado perfeito, mas que usou de maneira errada o livre-arbítrio. Ele queria ser “como Deus” apenas no poder, no “status”, mas não no caráter. Esse foi o caso dos perversos reis de Babilônia e de Tiro, que tinham esse anjo caído como o líder por trás de seus governos e de suas vidas. Esse é o tema da Lição da Escola Sabatina desta semana.

Perguntas interativas para discussão em grupo:

Isaías 13 é uma “sentença contra Babilônia”. Veja os versos 13 a 20. Por que Deus permitiria que essas coisas horríveis acontecessem com os babilônios? Tendo em consideração o caráter santo e amoroso de Deus, por que há ocasiões na história em que Ele teve que agir de modo tão radical, retirando Sua proteção? (R.: Isso nos mostra como o pecado é grave, e precisa ser restringido para proteger a humanidade.)

Como você imagina que reagiria uma pessoa que vivesse na poderosa nação babilônica ao ouvir essa profecia aparentemente tão improvável, de que a nação seria destruída? Que outras profecias bíblicas podem parecer improváveis, mas que sabemos que também se cumprirão? Por quê?

O capítulo 14 de Isaías, especificamente a partir do verso 4, zomba do ímpio rei de Babilônia e anuncia sua destruição, fazendo uso abundante de figuras de linguagem. Veja, por exemplo, os versos 7 a 11. Por que eles não podem ser lidos de maneira literal? Qual é o significado, então? (R.: Esses versos não podem ser interpretados de modo literal, pois falam de coisas absurdas, que contradiriam a razão e o restante das Escrituras. Por exemplo: a terra “canta” por causa da morte do rei; as árvores “se alegram” pois o rei não as cortaria mais; e os reis que morreram antes dele se “levantariam de seus tronos” para recebê-lo na morte com muita zombaria. São figuras de linguagem para escarnecer do rei de Babilônia, que morreria em breve.)

Há pessoas que não aceitam os versos de Isaías 14:12-14 e de Ezequiel 28:12-18 como descrições da queda de Lúcifer, pois esses trechos específicos, dentro de seus respectivos contextos, fazem parte de sentenças contra seres humanos – no primeiro caso, contra o rei de Babilônia; no segundo, contra o rei de Tiro. No entanto, apesar de fazerem parte de contextos diferentes, esses dois trechos específicos não fazem sentido se forem aplicados a seres humanos. Por quê? Como você explicaria essa situação para alguém que lhe questionasse? (R.: Seres humanos “normais” não “caem do céu”; não querem estabelecer seu trono “acima de Deus” ou ser “semelhante ao Altíssimo”; não estiveram no Éden [só Adão e Eva estiveram lá]; não foram “querubins”; etc. Nesses trechos, Deus mostra quem realmente estava por trás do caráter e das atitudes desses dois reis.)

Leia Ezequiel 28:2. O rei de Tiro, assim como seu “chefe” sobrenatural, desejou ser “como Deus”, não em caráter, mas em poder, apenas. Ambos, porém, juntamente com todos os que também têm esse desejo, serão mortos no final (cf. Ez 28:16; Ml 4:1-3; Mc 1:24; Lc 4:34; Ap 20:9, 10). Em oposição a esse tipo de desejo, somos aconselhados em Filipenses 2:5-8 a ter “o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus”. O que quer dizer isso? Como podemos ter esse tipo de sentimento?

Como é possível conciliar o fato de que “Deus é amor” (1Jo 4:8) com a realidade de que todos os ímpios serão exterminados no juízo final (veja Dt 30:19, Is 28:21 e Ez 33:11 como base para sua resposta)? Como podemos ter a certeza de que escolhemos a vida e não a morte? (Rm 10:9)

O nome “Babilônia” – apesar de ter ganhado justamente a conotação de “confusão” – significa originalmente “porta dos deuses”. Em contraste, quando Jacó teve a visão da escada que vinha do Céu à Terra, ele chamou aquele lugar de “Betel”, que significa “casa de Deus”, e disse que ali era a “porta dos Céus” (Gn 28:17). Em sua opinião, quais são as diferenças entre a “porta dos deuses” das religiões pagãs e a “porta dos Céus” da religião bíblica? (R.: Basicamente, as falsas religiões, além de muitas mentiras baseadas em mitos e fábulas engenhosamente inventadas, ensinam que a salvação é conquistada pelas próprias obras; a religião bíblica, além de ensinar a verdade revelada por Deus, ensina que a salvação se dá pela graça divina.)

Pelo fato de Babilônia ter oprimido o povo de Deus no passado, Roma passou a ser chamada também com esse nome, de maneira figurada (ex.: 1Pe 5:13). Em seu aspecto religioso, ela é retratada no Apocalipse como uma mulher “embriagada com o sangue dos santos” (17:5, 6). Além disso, ela tem nas mãos uma taça de vinho misturado, “cheio das abominações e da imundícia da sua prostituição”, com o qual ela embebeda todas as nações da Terra (17:2, 4). Ao compará-la a Babilônia, de que maneira Roma tem “embebedado” as nações com seu “vinho”? (R.: O vinho que Cristo oferece é “novo”, sem fermento, não intoxicante [Mt 26:29]. Já o vinho que Babilônia oferece é uma “fermentação” das verdades bíblicas, como as ideias da imortalidade da alma, do inferno eterno, da guarda do domingo, etc. Essas doutrinas, que advêm de mistura da Bíblia com conceitos do paganismo, alcançaram e contaminaram o mundo inteiro.)

Leia Isaías 21:9 (sobre a Babilônia histórica) e Apocalipse 14:8 (sobre a Babilônia escatológica, espiritual). Por que Deus usa elementos da história bíblica como modelos do que acontecerá no futuro? O que isso nos diz sobre a importância de conhecermos muito bem as histórias bíblicas?

Por que o orgulho e a arrogância são pecados tão perigosos? Por que eles são tão difíceis de ser abandonados? De que maneira a reflexão sobre Jesus Cristo pendurado na cruz pode ser uma cura poderosa para nosso orgulho e nossa arrogância?

(Natal Gardino é doutor em Ministério pela Andrews University e pastor distrital em Londrina, PR)