Movimento político a favor do descanso dominical comemora jubileu

Articulista de jornal do interior de São Paulo chega perto da verdade que muitos cristãos ignoram

Constantino

Sonntagsschutz ( Domingo livre) é um movimento com bases fortes na Alemanha, Países Baixos e Áustria, mas está por toda a Europa através de entidades, defesas políticas e sindicatos trabalhistas. No próximo dia 3 de março [ontem], todas as entidades envolvidas na Aliança Domingo Livre vão comemorar o jubileu de 1.700 anos da promulgação do édito de Flavius Valerius Constantinus (Constantino; foto ao lado), imperador romano que estabeleceu o Domingo como dia de descanso estatal. Erwin Helmer, teólogo que atua como um tipo de “sindicalista eclesiástico”, é co-fundador da Alliance for Free Sunday e da Sunday Alliance in Bavaria (2006), que hoje reúne 51 grupos regionais que se estendem até o European Sunday Alliance. As declarações de Helmer são contundentes [na direção do] propósito de estabelecer um descanso dominical: tornar o domingo um dia de descanso obrigatório através de leis trabalhistas.

O evento comemorativo do jubileu vai trazer aos holofotes uma estrutura que está organizada e operando nos bastidores “esquecidos” da grande mídia há uma década e que ao longo do tempo conquistou vitórias significativas, embora discretas, e extremamente importantes no campo jurídico trabalhista para num breve futuro países passarem a adotar o dia de descanso dominical por força de lei. Provavelmente, essa comemoração vai ser motor propulsor para iniciar outra fase de sensibilização de outros grupos de pessoas.

European Sunday Alliance está empenhada em mudar a consciência das pessoas a sobre o valor do domingo, como é hoje, para um domingo/shabbat. A European Sunday Alliance atua de forma política nos países do bloco através de uma rede de alianças dominicais nacionais, formadas por sindicatos, organizações da sociedade civil liderados por comunidades católicas que têm adesão de protestantes/evangélicos. Sem trabalho e sem consumo dos recursos naturais em nome da Mãe Terra.

Pelo site e publicações, é possível identificar os maiores agentes da Sunday Alliance: comunidades religiosas através de suas pastorais que se conectam a sindicatos e parlamentares europeus, e ordens religiosa como, por exemplo, a Companhia de Jesus, ordem do papa Francisco. Essas entidades costuram de forma discreta o descanso dominical obrigatório, sem o interesse providencial da grande mídia. Conquistaram espaço, conexões e aparentes pequenas vitórias que sinalizam em direção à grande conquista.

Aprovações de leis trabalhistas locais pipocam na Alemanha e em [outros] países da Europa, em âmbito municipal. Várias decisões judiciais e negociações trabalhistas com atuação de sindicatos e entidades pastorais foram conquistadas. Muitas passam a compor um corpo jurídico de precedente que poderá servir de exemplo.

No Brasil se iniciou um braço do movimento em pequenas cidades, também apoiado pelas pastorais e sindicatos. Mas o movimento que está em estado dormente não está fora de intenções futuras, assim como as Blue Laws nos USA. 

OS ARGUMENTOS

Há três frentes de discurso: a primeira, de base religiosa liderada pelo Vaticano e já com o apoio de protestantes, consenso através do “ecumenismo religioso”, que une católicos e protestantes em pontos doutrinários que lhe são comuns, no caso, para a maioria, o santo [sic] domingo.

A segunda linha é o apelo pela necessidade e importância do descanso para o equilíbrio do indivíduo, das famílias. Irrefutável. Mas isso já é sabido, só não é praticado por todos. Agrega-se o parecer de médicos, psicólogos e toda uma mobilização acadêmica para sustentar com força a opinião pública. De fato, o descanso é necessário ao homem, mas a imposição de dia e hora por governos implica interferir em outros aspectos da vida do indivíduo.

A terceira linha e de maior peso político é a relação que o movimento faz com o ambientalismo e o mundo sustentável dos tecnocratas: o descanso no uso dos recursos naturais da Terra. Esse argumento supera em força persuasiva os dois primeiros argumentos; é quase unânime o pensamento de que a necessidade humana individual é responsável pela extinção planetária e as aflições da psique coletiva. A grande liderança em torno do argumento ambientalista não vem de grupos ativistas como Greenpeace, WWF, Greta Thumberg – claro que esses se juntam pelo caminho. A grande voz pelo descanso dominical de abrangência global é do Vaticano, fato esse que começou na Igreja através do Concílio de Niceia, em 325 d.C., que deu o primeiro passo quando definiu o primeiro domingo depois da primeira Lua cheia da primavera para a celebração como dia de Páscoa. Após essa definição eclesiástica, o domingo ganhou base teológica [sic] na Igreja Cristã [católica].

Para entender que não é de todo impossível um consenso mundial em torno do descanso obrigatório de domingo por imaginarem que isso se restringe à Europa, sugerimos uma pesquisa no YouTube com [a expressão] Blue Law. São leis dominicais que existem na maioria dos Estados norte-americanos e estão adormecidas, isto é, não se exige o cumprimento delas com rigor em nome da liberdade de consciência. Para serem exigidas, basta o Estado relativizar a liberdade de consciência individual com o coletivo sustentável; nem precisarão de grandes debates políticos – as leis já existem.

(Patrice Lima, Boituva Hoje)