Perguntas interativas da Lição: “Amor em ação”

Os judeus nos tempos de Isaías (e de Jesus) eram muito bons em praticar publicamente as minúcias da religião, mas não em amar as pessoas. Eram precisos em devolver os dízimos de pequenas folhas, mas negligenciavam “os preceitos mais importantes da lei: a justiça, a misericórdia e a fidelidade” (Mt 23:23 NVI). Nos capítulos 55 e 58 de Isaías Deus demonstra a eles (e a nós) que a religião de formas e aparências não é a que agrada ao Céu. Manter os princípios eternos da Palavra de Deus e ao mesmo tempo repartir o pão com o faminto, cobrir o nu, atender à causa dos que sofrem é a maior demonstração do que Deus deseja que façamos em Seu nome. Esse foi o tema da Lição da Escola Sabatina desta semana.

1. Leia Isaías 55:1. O que significa “comprar” as coisas que Deus oferece “sem dinheiro e sem preço”? Compare com Apocalipse 3:16-18. Por que precisamos, simbolicamente, “comprar” de Jesus “ouro”, “vestes” e “colírio”? (R.: Esses símbolos representam, respectivamente: fé purificada [1Pe 1:7]; justiça de Cristo [Is 64:6; 61:10; Ap 3:5]; unção do Espírito Santo para “enxergarmos” espiritualmente [Mt 6:22; At 26:18; etc.]). E como podemos “comprar” se estivermos espiritualmente “miseráveis”, “pobres”, “cegos” e “nus”? O que isso nos diz sobre o caráter de Deus?

2. Leia sobre o alto preço de nossa salvação em 1 Pedro 1:18, 19. Tendo custado tão caro, por que ela é “de graça” para nós? Por que nossas obras jamais poderão “comprar” nossa salvação? (Ef 2:8, 9)

3. Ainda que a salvação seja gratuita (Jesus a pagou por nós), ela pode nos custar tudo (ver Mt 10:39; Lc 14:26; Fp 3:8). Como assim?

4. Em sua opinião, o que significa a expressão do próprio Deus de que os pensamentos e caminhos dEle são mais elevados do que os nossos? (Is 55:8, 9) Por que é impossível compreendermos plenamente os “pensamentos” e os “caminhos” de Deus? Por outro lado, o que devemos fazer em relação àquilo que conseguimos compreender, conforme revelado em Sua Palavra?

5. De todos os mistérios do Universo, por que o do plano da redenção – o evangelho – é o mais profundo e imensurável? Por que passaremos a eternidade maravilhados com a profundidade desse assunto, e ele nunca se esgotará? Como podemos nos encantar por esse tema a partir de hoje?

6. Leia Isaías 58:3-5. O que havia de errado com o jejum dos judeus? Em contrapartida, o que significa o jejum que Deus “escolheu” nos versos 6 e 7? Como podemos nos proteger de apenas “parecer” piedosos – praticando as formas exteriores da religião –, mas negando os princípios do Reino de Deus?

7. Leia Mateus 25:40 e Tiago 1:27. Por que não basta “fazer parte” da verdadeira religião, mas temos que experimentá-la pessoalmente na vida prática? E se a salvação é gratuita, por que precisamos praticar atos de amor e misericórdia?

8. Leia Isaías 58:13, 14. O sábado mencionado nesse texto não se refere ao semanal, mas ao cerimonial, ligado ao Dia da Expiação. Contudo, os princípios que tornavam esses sábados dias especiais, espirituais, são os mesmos para os sábados semanais. O que esse texto nos ensina sobre nossas atitudes no sábado? O que precisamos mudar para tornar o sábado “deleitoso” (prazeroso), mesmo não fazendo nossas próprias vontades nesse dia?

*Nota sobre o sábado em Isaías 58:13

Isaías 58:13 apresenta os princípios básicos de como se deve guardar o sábado. O quarto mandamento diz: “Lembra-te do dia de sábado para o santificar” (Êx 20:8). Diferentemente do que muitos pensam, portanto, não é um dia para não fazer nada; santificar significa “separar para Deus”. Nesse sentido, em Isaías 58:13 Deus nos diz, nas palavras do profeta, que não devemos “cuidar de nossos próprios interesses” nesse dia, nem “seguir os nossos [próprios] caminhos”, nem “fazer a nossa própria vontade”. Isso significa deixar de lado todos os interesses pessoais com os quais podemos lidar nos outros seis dias: trabalho remunerado, finanças, estudos acadêmicos, entretenimentos que não conduzem o pensamento para Deus, ou que não edificam espiritualmente, etc. Ficar em casa no sábado à tarde dormindo por horas, olhando as redes sociais, e não fazendo nada não “santifica” esse dia. Ele deve ser um dia de descanso espiritual, mas também de trabalho desinteressado em prol da causa do evangelho e para o bem-estar de outras pessoas. Os outros dias também oferecem muitas oportunidades para agir assim, mas o sábado é exclusivo, para uso do Senhor, para o bem da humanidade – não é nosso.

Como diz o texto de Isaías 58:13, até mesmo nossas palavras não devem tratar de assuntos que podem ser tratados nos outros seis dias. A expressão “palavras vãs”, como é dita nesse verso, não se refere a “palavras feias”, pois essas obviamente não devem ser ditas em nenhum dia da semana. No dia de sábado, são “vãs” até mesmo as conversas que não são em si pecaminosas ou imorais, mas que não correspondem ao caráter sagrado do sábado – tais como os avanços dos times de futebol, qual time conquistou títulos ou não, enredos de filmes e heróis fictícios, novidades de jogos eletrônicos, ou até mesmo os compromissos de negócios ou de estudos acadêmicos. Tudo isso, perto da santidade do sábado, é “vão”; são assuntos (“palavras”) que não merecem desviar nossa mente de aproveitar ao máximo as 24 horas semanais abençoadas e santificadas por Deus exclusivamente para nosso crescimento espiritual, para termos maior intimidade com Ele, e para fazermos o bem à humanidade.

(Natal Gardino é doutor em Ministério pela Andrews University e pastor distrital em Londrina, PR)