O pecado perdeu a vergonha

Quem define o que é pecado é Deus, não o homem

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Alguns advogam a premissa de que, como todos são pecadores, a igreja tem que tolerar qualquer tipo de pecado. A lógica não poderia ser mais equivocada! Há pecado voluntário e há pecado involuntário (1Jo 5:16-18). Pecado voluntário é uma escolha pessoal, consciente – a pessoa sabe que é pecado, pode evitar, mas não quer evitar –, e por isso é uma grave ofensa a Deus e à comunidade dos crentes.

A Bíblia se refere ao pecado voluntário como o pecado “da mão levantada,” como diz o texto hebraico original de Números 15:30, 31 (ARA, “atrevidamente”). É um ato de desprezo e rebelião. Não há sacrifício que possa expiar tal pecado (Hb 10:26, 27), a menos, é claro, que o pecador se arrependa, peça perdão e se converta (do latim convertere, “dar meia-volta”).

Pecado involuntário, por sua vez, não é uma escolha, mas um acidente – resultado de uma natureza caída e fragilizada pelo pecado. É do pecado involuntário que Paulo fala em Romanos 7:14-25, e é justamente por ser involuntário que o apóstolo conclui dizendo que “não existe nenhuma condenação para os que estão em Cristo Jesus” (Rm 8:1). Ao longo do capítulo 8, especialmente nos versículos finais, Paulo vai explicar por que (v. 31-39; cf. 1Jo 2:1, 2).

Mas a pergunta é: Como diferenciar pecado voluntário de pecado involuntário? Isso nem sempre é possível. Nem sempre é possível conhecer as reais motivações por trás do ato, isso porque o coração é jurisdição exclusiva de Deus (Jr 17:10; Rm 2:16). De ninguém mais, incluindo-se a igreja. A igreja deve apenas salvaguardar a boa causa do evangelho (Tg 2:4, 8, 10). Ainda que imperfeita, ela é chamada a agir quando o pecado, voluntário ou involuntário, trouxer desonra à fé e ao nome de Deus (Ti 1:10, 11). Portanto, os que defendem uma espécie de salvo-conduto eclesiástico para os que vivem em flagrante violação dos princípios divinos estão confusos acerca do que é pecado, do que é graça e do que é igreja – confusos ou coisa pior, afinal de contas, vivemos numa época em que o pecado perdeu a vergonha. E nunca é demais lembrar que quem define o que é pecado é Deus, não o homem.

(Dr. Wilson Paroschi é Professor de Novo Testamento no Southern Adventist University; via Instagram)