Não confunda Crítica Textual com Alta Crítica

As duas áreas são totalmente diferentes e é preciso saber disso para não fazer confusão nem propagar desinformação

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Há pessoas que confundem Crítica Textual, cuja explicação está correta, e da qual o melhor livro em língua portuguesa é do Dr. Wilson Paroschi, Crítica Textual do Novo Testamento (Vida Nova), com a chamada Alta Crítica, que é outra área totalmente diferente. A crítica textual busca o melhor texto bíblico, o mais próximo ao original, chamado de autógrafo; é uma ciência séria e que auxilia o cristão em sua compreensão do texto bíblico. Totalmente diferente da Alta Crítica. Esta tenta interpretar o texto bíblico a partir da dúvida. Sua abordagem é olhar o texto bíblico com desconfiança: duvidar de sua autoria (Moisés, Davi, Daniel não seriam os verdadeiros autores, por exemplo), duvidar de sua integridade (o Pentateuco teria cinco fontes documentais, por exemplo), duvidar de sua origem (a Bíblia não seria um livro inspirado, mas apenas um documento histórico como tantos outros) e duvidar de suas histórias (Raabe não teria dito o que está escrito no texto, por exemplo). As duas áreas são, portanto, totalmente diferentes.

Junta-se à Alta Crítica o Método Histórico-Crítico de interpretação da Bíblia, que parte da premissa de que todo o texto bíblico deve ser abordado com dúvidas e questionamentos sobre sua autenticidade e integridade. Esse método é constante e consistentemente rejeitado pela Igreja Adventista do Sétimo Dia como método válido de interpretação da Bíblia. Como adventistas, usamos o Método Gramático-Histórico, que chega ao texto bíblico com a premissa de sua inspiração sobrenatural, total integridade e confiabilidade.

(Pastor Roberto Roefero)

Nota: A Bíblia Hebraica, principalmente a Torah, foi objeto de cuidado extremo na transmissão. Apenas como exercício, imagine que uma das 250 mil variantes do texto do Novo Testamento houvesse sido o “amarás ao teu próximo” e a crítica demonstrasse que o texto foi inserido. Os progressistas/liberais aceitariam? Ou o “não julgueis para não ser julgado”… Será que aceitariam as conclusões dos críticos? Por outro lado, o texto de Levítico 18, por exemplo, não encontra variação textual, no entanto, não é aceito por esses grupos, pois não passa no crivo de sua “chave hermenêutica”.

“Mesmo o estudo da Bíblia, como muitas vezes é feito nas escolas, está despojando o mundo do inapreciável tesouro da Palavra de Deus. A obra da ‘alta crítica’, dissecando, conjecturando, reconstruindo, está destruindo a fé na Bíblia como uma revelação divina; está despojando a Palavra de Deus do poder de dirigir, enobrecer e inspirar as vidas humanas” (Ellen White, Educação, p. 227).

“Qual é a condição do mundo atualmente? Não é a fé na Bíblia hoje destruída tão eficazmente pela ‘alta crítica’ e as especulações, como o era pela tradição e o rabinismo dos dias de Jesus? Não têm a ambição e a cobiça e o amor do prazer tão forte domínio no coração dos homens agora como possuíam então? No professo mundo cristão, mesmo nas professas igrejas de Cristo, quão poucos são regidos por princípios cristãos!” (Ellen White, A Ciência do Bom Viver, p. 142).

“Como nos dias dos apóstolos os homens procuravam destruir a fé nas Escrituras pelas tradições e filosofias, assim hoje, pelos aprazíveis pensamentos da ‘alta crítica’, evolução, espiritismo, teosofia e panteísmo, o inimigo da justiça está procurando levar as pessoas para caminhos proibidos. […] Pelo espiritismo, multidões são ensinadas a crer que o desejo é a mais alta lei, que licenciosidade é liberdade, e que o homem deve prestar contas apenas a si mesmo” (Ellen White, Atos dos Apóstolos, p. 47).

“Os homens agem como se tivessem recebido liberdade especial de cancelar as decisões de Deus. Os estudiosos da ‘alta crítica’ põem-se no lugar de Deus e revisam a Palavra de Deus alterando-a ou endossando-a. Dessa forma todas as nações são induzidas a beber do vinho da fornicação de Babilônia. Esses proponentes da ‘alta crítica’ acertaram as coisas de modo a adaptar-se às heresias populares destes últimos tempos. Se não podem subverter e torcer a Palavra de Deus, se não podem ajustá-la a práticas humanas, eles a despedaçam” (Ellen White, Olhando Para o Alto, p. 25).