Ascensão de valores católicos e influenciadores digitais

“Que conselho você daria para os jovens dessa nova geração?”

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Assim alguém indagou um influenciador digital católico, que após uma série de recomendações de grandes influenciadores e canais alinhados com a cosmovisão católica, finalizou dizendo: “O que temos de bom na sociedade devemos à Igreja Católica.”

Na sociedade atual, cada vez mais cansada e desgastada pelas polarizações em diversos temas, mensagens com alguma aparência de solidez, e que oferecem algum tipo de conforto, revelam-se muito atrativas para muitas pessoas. Em todos os grupos sociais, de uma forma ou de outra, existe uma vulnerabilidade em áreas em que as pessoas de alguma forma perderam foco e/ou negligenciaram certo cuidado por estarem demasiadamente ocupadas nos diversos embates que vemos. E isso se refere não somente a ocupações nos embates em todas as esferas sociais que tanto ocupam os holofotes da mídia, mas também nas batalhas do dia a dia em aspectos da vida pessoal, como trabalho e família. Isso é caraterística de uma sociedade moderna em que a vida está cada vez mais corrida também, resultando nessas negligências que mais cedo ou mais tarde cobram seu preço.

Influenciadores preenchendo o vazio

Como resultado desse cenário atual, nota-se um fenômeno crescente que chama a atenção. Ele se manifesta na grande quantidade de influenciadores sociais lidando com assuntos que cobrem espectro abrangente de temas, como família, educação, literatura, cultura, psicologia, religião, comportamento, relacionamentos, filosofia, entre outros. Os temas em geral tratados cobrem áreas e aspectos importantes da vida que por muito tempo têm estado “órfãos” de atenção da maior parte da população, alheia ou ocupada com constantes (e cansativos) embates, especialmente aqueles de caráter político/ideológico nos últimos anos. As pessoas estão se cansando e sentindo um vazio por lhes faltar preenchimento sólido em uma ou mais dessas áreas da vida. E há diversos influenciadores se aproveitando justamente desse momento em que áreas tão importantes para a formação das pessoas e da sociedade estão por tanto tempo negligenciadas e sem cuidado – vazios e desgaste estão cada vez mais evidentes. Esse grupo de pessoas é o que toma a dianteira para prover “respostas”, aquilo que parece ser o “alimento sólido” que satisfaz a fome de maior bem-estar, de direção e mesmo de um propósito para a vida.

Algo interessante e para o qual se deseja chamar a atenção é o fato de que uma significativa parcela desses grandes influenciadores está interconectada em uma rede que possui um núcleo comum e um propósito bem claro e não oculto para ninguém: o objetivo não é simplesmente dar respostas para as pessoas em diversas áreas, como mencionado acima, mas levar as pessoas para uma experiência mais profunda com o catolicismo e com suas crenças mais importantes por meio dessas respostas.

Existe uma nota de harmonia no discurso e/ou cosmovisão da maior parte das páginas recomendadas por esses influenciadores e seus discípulos: elas querem cortar o laço de confiança que a sociedade possui com qualquer fonte geralmente não alinhada com a cosmovisão católica, sejam canais de televisão, religiões, universidades, etc. Muitas dessas páginas usam termos como “valores cristãos” para defender e propagar seu discurso. Fontes de acesso a conhecimento e informação que não apoiarem de alguma forma a visão e os valores desses influenciadores são colocadas em xeque sob a bandeira da defesa e restauração de “valores cristãos”. Assim, um engajamento gigantesco de seguidores é conseguido, inclusive por parte de milhões de cristãos protestantes e evangélicos que nos fundamentos de suas igrejas não creem (ou deveriam não crer) nos princípios por trás de muitos desses conteúdos e ideias difundidos nessas páginas. No entanto, uma análise cautelosa e mais profunda dos materiais, dos conceitos adotados e da cosmovisão utilizada por eles geralmente irá revelar que, no fundo, as mensagens que  transmitem possuem valores católicos (mais especificamente jesuítas), não sendo necessariamente de caráter universal “cristão”, uma vez que esses valores e conteúdos são muitas vezes incompatíveis com os de outros cristãos como os protestantes.

Esse tipo de movimento que influencia e molda o pensamento coletivo de grande parte da sociedade nos ajuda a compreender a razão do progresso da agenda ecumênica entre as religiões que veem no papado a voz mais proeminente. No campo da política (área em que esses influenciadores também estão engajados fortemente), vozes relevantes como a de John Biden e John Kerry, nos EUA, reconhecem a voz do papa de maneira similar (veja aqui e aqui). Esses últimos aspectos (que podem ser mais bem trabalhados em outro momento) evidenciam que diferentes lados ou bandeiras ideológicas, religiosas ou políticas têm se aproximado e levado seus apoiadores a um estreitamento de relações com o catolicismo. Adaptando e parafraseando a corrupção feita ao ditado antigo: quase todos os caminhos têm levado a sociedade para Roma. Será que a sociedade e, principalmente, os protestantes se esqueceram das páginas da história e de que até mesmo Roma declara não mudar?

“E, convém lembrar, Roma jacta-se de que nunca muda. Os princípios de Gregório VII e Inocêncio III ainda são os princípios da Igreja Católica Romana. E tivesse ela tão-somente o poder, pô-los-ia em prática com tanto vigor agora como nos séculos passados” (Ellen G. White, O Grande Conflito, p. 581).

“O romanismo, como sistema, não se acha hoje em harmonia com o evangelho de Cristo mais do que em qualquer época passada de sua história. As igrejas protestantes estão em grandes trevas, pois do contrário discerniriam os sinais dos tempos. São de grande alcance os planos e modos de operar da Igreja de Roma. Emprega todo expediente para estender a influência e aumentar o poderio, preparando-se para um conflito feroz e decidido a fim de readquirir o domínio do mundo, restabelecer a perseguição e desfazer tudo que o protestantismo fez. O catolicismo está ganhando terreno de todos os lados. Vede o número crescente de suas igrejas e capelas nos países protestantes. Notai a popularidade de seus colégios e seminários na América do Norte, tão extensamente patrocinados pelos protestantes. Pensai no crescimento do ritualismo na Inglaterra, e nas frequentes deserções para as fileiras dos católicos. Essas coisas deveriam despertar a ansiedade de todos os que prezam os puros princípios do evangelho” (O Grande Conflito, p. 565).

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“Quando apareciam como membros de sua ordem, [os jesuítas] ostentavam santidade, visitando prisões e hospitais, cuidando dos doentes e pobres, professando haver renunciado ao mundo, e levando o nome sagrado de Jesus, que andou fazendo o bem. Mas sob esse irrepreensível exterior, ocultavam-se frequentemente os mais criminosos e mortais propósitos. Era princípio fundamental da ordem que os fins justificam os meios. […] Sob vários disfarces, os jesuítas abriam caminho aos cargos do governo, subindo até conselheiros dos reis e moldando a política das nações. Tornavam-se servos para agirem como espias de seus senhores. Estabeleciam colégios para os filhos dos príncipes e nobres, e escolas para o povo comum; e os filhos de pais protestantes eram impelidos à observância dos ritos papais. Toda a pompa e ostentação exterior do culto romano eram levadas a efeito a fim de confundir a mente e deslumbrar e cativar a imaginação; e assim a liberdade pela qual os pais tinham labutado e derramado seu sangue era traída pelos filhos. Os jesuítas rapidamente se espalharam pela Europa e, aonde quer que iam, eram seguidos de uma revivificação do papado” (O Grande Conflito, p. 235)

“O papado é exatamente o que a profecia declarou que havia de ser: a apostasia dos últimos tempos (2Ts 2:3, 4). Faz parte de sua política assumir o caráter que melhor cumpra seu propósito; mas sob a aparência variável do camaleão, oculta o invariável veneno da serpente. […] Não é sem motivo que se tem feito nos países protestantes a alegação de que o catolicismo difere hoje menos do protestantismo do que nos tempos passados. Houve uma mudança; mas esta não se verificou no papado. O catolicismo na verdade em muito se assemelha ao protestantismo que hoje existe; pois o protestantismo moderno muito se distancia daquele dos dias da Reforma” (O Grande Conflito, p. 571).

“A Palavra de Deus deu aviso do perigo iminente; se este for desatendido, o mundo protestante saberá quais são realmente os propósitos de Roma apenas quando for demasiado tarde para escapar da cilada. Ela está silenciosamente crescendo em poder. Suas doutrinas estão exercendo influência nas assembleias legislativas, nas igrejas e no coração dos homens. Está a erguer suas altaneiras e maciças estruturas, em cujos secretos recessos se repetirão as anteriores perseguições. Sorrateiramente, e sem despertar suspeitas, está aumentando suas forças para realizar seus objetivos ao chegar o tempo de dar o golpe. Tudo que deseja é a oportunidade, e esta já lhe está sendo dada. Logo veremos e sentiremos qual é o propósito do romanismo. Quem quer que creia na Palavra de Deus e a ela obedeça incorrerá, por esse motivo, em censura e perseguição” (O Grande Conflito, p. 581).

(Josué Cardoso)

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