Bob Dylan completa 80 anos: primeiro a ganhar o Nobel, Oscar, Pulitzer, Grammy e Globo de Ouro

História sobre um possível pacto com o diabo e uma declaração ambígua em uma entrevista continuam rondando a carreira do artista

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Em meu livro Nos Bastidores da Mídia, analiso o poder de influência dos conteúdos veiculados nos meios de comunicação e da cultura que nos rodeia. Evidentemente que há aspectos da cultura que não são necessariamente problemáticos para um cristão que procura manter os pensamentos puros e orientados pela Palavra de Deus, assim como também é evidente que o diabo se valeria dessa indústria cultural como ferramenta (medium) para disseminar seus enganos e afastar as pessoas da verdade. Igualmente evidente é que os fãs da cultura pop relativizariam tudo isso, à semelhança daqueles que negam que o diabo seria capaz de usar uma serpente inebriante (medium) para enganar a distraída Eva.

Um dos capítulos do meu livro trata do poder da música. E esta notícia que ocupou espaço na mídia nesta semana me fez lembrar do assunto:

No dia 24, o cantor Bob Dylan completou 80 anos. Para muitos, a fama dele é devida a um pacto com o diabo. Anos atrás, em entrevista a Ed Bradley, do programa “60 Minutes” (veja aqui), o próprio músico [teria admitido] isso, dizendo que fez um combinado com o “comandante-chefe” (veja aqui também). A assessoria dele tentou abafar o assunto, mas a conversa girou o mundo. Quando Dylan ganhou o prêmio Nobel de literatura em 2016, muitos ficaram surpresos, menos ele. Na mesma entrevista, ele disse: “Era um lance de destino. Eu fiz um acordo com [ele] e estou cumprindo a minha parte.” [E não fica claro quem seria esse “comandante-chefe”.]

No documentário “No Direction Home” (2005), de Martin Scorsese, alguns entrevistados contam que a técnica de Bob Dylan como violonista evoluiu assombrosamente logo em seus primeiros meses em Nova York. Tanto que, ao voltar à sua cidade natal, muita gente achou que ele, como muitos artistas de blues, havia mesmo feito um pacto com o demônio.

Detalhe: os Beatles descobriram a maconha só em 1964, quando Dylan os presenteou com cigarros de maconha em um quarto de hotel do grupo inglês. A história foi contada por Ringo Star, que foi o primeiro a provar da droga.

(Fontes: 60 Minutes, Megacurioso e Extra)

A trajetória religiosa do artista – único a ganhar o Nobel, Oscar, Pulitzer, Grammy e Globo de Ouro (O Globo) – é bastante tortuosa: de família judaica, ele se tornou cristão no fim da década de 1970 (confira aqui e aqui), para, depois, voltar atrás e afirmar, em 1997: “Eu não adiro a rabinos, pregadores, evangelistas, tudo isso. Aprendi mais com as canções do que com qualquer outro tipo de entidade. As músicas são meu léxico. Eu acredito nas musicas” (Newsweek). Essa mesma matéria da Nesweek traz o seguinte: “Na verdade, ele parece estar perto de sua zona de conforto ao falar sobre por que não está falando sobre uma de suas páginas mais ilegíveis: aquela fase conservadora e cristã renascida que surpreendeu sua base de fãs seculares liberais há cerca de 15 anos. ‘Não é tangível para mim’, diz ele. ‘Eu não acho que sou tangível para mim mesmo. Quer dizer, eu penso uma coisa hoje e penso outra coisa amanhã. Eu mudo no decorrer de um dia. Eu acordo e sou uma pessoa, e quando vou dormir eu sei com certeza que sou outra pessoa. Não sei quem eu sou na maioria das vezes. Isso nem importa para mim.'”

Neste vídeo (aqui), o crítico musical Tony Glover compara a meteórica ascensão de Dylan com a de Robert Johnson, para muitos o pai do rock/blues moderno, que fez pacto com o diabo em uma encruzilhada e compôs uma música sobre isso. Ele menciona que em ambos os casos eles não tinham talento e voltaram “do nada” tocando bem.

Judeu? Cristão? Sem religião? O fato é que em shows mais recentes de Dylan lá estava o símbolo ocultista Olho de Hórus (veja aqui e aqui).

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Deixo, para reflexão, alguns textos da Bíblia e de Ellen White, que nos fazem recordar o porquê de termos que ser muito criteriosos com os conteúdos culturais que consumimos:

“A nossa luta não é contra o sangue e a carne, mas contra os principados e as potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestiais” (Efésios 6:12).

“…tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o pensamento de vocês” (Filipenses 4:8).

“E não vivam conforme os padrões deste mundo, mas deixem que Deus os transforme pela renovação da mente, para que possam experimentar qual é a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Romanos 12:2).

“Sujeitem-se a Deus, mas resistam ao diabo, e ele fugirá de vocês. Cheguem perto de Deus, e Ele Se chegará a vocês. Limpem as mãos, pecadores! E vocês que são indecisos, purifiquem o coração” (Tiago 4:7, 8).

“Toda paixão profana deve ser mantida sob o controle da santificada razão, por meio da graça abundantemente concedida por Deus. Vivemos em uma atmosfera de satânico encantamento. O inimigo tecerá uma fascinação de licenciosidade em torno de toda alma que não se ache entrincheirada na graça de Cristo. Tentações virão; se vigiarmos contra o inimigo, porém, e mantivermos o equilíbrio do domínio próprio e pureza, os espíritos sedutores não exercerão influência sobre nós. Os que nada fazem para animar a tentação terão forças para resistir-lhe quando ela vier. Aqueles, porém, que se mantêm na atmosfera do mal só terão que se censurar a si mesmos, caso sejam vencidos e caiam de sua firmeza” (Ellen G. White, MG, Conselhos aos Professores, Pais e Estudantes, 257).

“Os que não querem cair presa dos enganos de Satanás, devem guardar bem as vias de acesso à alma; devem-se esquivar de ler, ver ou ouvir tudo quanto sugira pensamentos impuros. Não devem permitir que a mente se demore ao acaso em cada assunto que o inimigo das almas possa sugerir. O coração deve ser fielmente guardado, pois de outra maneira os males externos despertarão os internos, e a alma vagará em trevas” (Ellen G. White, Atos dos Apóstolos, p. 518, 519).

Assista abaixo ao vídeo com o testemunho do ex-satanista hoje adventista do sétimo dia Gabriel Estêvão, cujo livro está em preparo para publicação em breve: