Prefeitura de SP dá aval a projeto que prevê abstinência sexual como método contraceptivo para adolescentes

Projeto de lei que prevê programa Escolhi Esperar será votado nesta quinta-feira

prefeitura

Está prevista para esta quarta-feira, 17 de junho, na Câmara Municipal de São Paulo, a votação de um projeto de lei que cria o programa Escolhi Esperar, que defende a abstinência sexual como método contraceptivo para menores de idade. De autoria do vereador Rinaldi Digilio (PSL), o PL será votado no segundo turno e, caso seja aprovado, seguirá para sanção do prefeito Ricardo Nunes (MDB). A prefeitura de São Paulo, no entanto, já teria emitido um parecer favorável ao projeto ainda ano passado.

Segundo a Prefeitura, trata-se de um texto técnico emitido pela Secretaria Municipal de Saúde e que “portanto, não autoriza nenhuma ilação político-ideológica”. O parecer encontra-se em sigilo, mas o vereador Digilio, autor do projeto, divulgou trechos em suas redes sociais. Segundo ele, o documento, que é de agosto de 2020, diz que “as áreas técnicas, ou seja, médicos, enfermeiros e profissionais de saúde se declararam “favoráveis à proposta” e pedem o “prosseguimento da tramitação”.

Originalmente, o PL criava uma semana de conscientização e prevenção de gravidez precoce e, por isso, o projeto chegou a contar com votos da oposição durante o primeiro turno. No entanto, Digilio apresentou um substitutivo que transformava a proposta em uma política de caráter perene, não mais restrita a uma única data.

Segundo o texto do substitutivo, o programa Escolhi Esperar incluiria palestras aos profissionais de saúde voltadas para implementação do programa, exposição e divulgação de material explicativo destinado aos adolescentes e “monitoramento de possíveis casos para avaliação e cuidado”. O documento, contudo, não explica quais seriam esses casos e o que seria feito deles.

Em publicação nas redes sociais, a vereadora Juliana Cardoso (PT) afirmou que o PL “confunde escolhas pessoais com políticas públicas de Estado”. Ela diz temer que esse seja o primeiro de uma série de projetos de lei com caráter conservador.

(O Globo)

Leia também: “Sexo: vantagens de esperar” e “Consequências do sexo fora de contexto”