Vacinar ou não vacinar? Desabafo de uma bióloga

São dias difíceis. Deus nos conceda sabedoria e lábios amorosos para não pecar com as palavras, injuriando nossa igreja e seus membros.

vacina

A prática da vacinação não tem qualquer contraindicação na Bíblia, nos escritos de Ellen White, tampouco por conta da saúde. Devemos lembrar que a IASD é uma igreja fundada por Deus. Os líderes são mantidos por Deus, e quem está em discordância Deus retira da obra. Antes de seguir com meus argumentos, precisamos nos lembrar de que a IASD nunca será babilônia. NUNCA! No livro Eventos Finais, página 43, a serva de Deus deixa bem clara a seguinte afirmação: “Deus tem na Terra uma igreja que está erguendo a lei pisada a pés, e apresentando aos homens o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. No mundo só existe uma igreja que presentemente se acha na brecha, tapando o muro e restaurando os lugares assolados.” ATENTEM TODOS PARA O ALERTA DA IRMÃ WHITE, NA SEQUÊNCIA DO MESMO TEXTO: “Sejam todos cuidadosos para não clamarem contra o único povo que está cumprindo a descrição dada do povo remanescente, que guarda os mandamentos de Deus e tem a fé em Jesus. […] Deus tem um povo distinto, uma igreja na Terra, inferior a nenhuma outra, mas a todas superior em suas facilidades para ensinar a verdade, para vindicar a Lei de Deus. Meu irmão, se estais ensinando que a Igreja Adventista do Sétimo Dia é Babilônia, estais errado” (Testemunhos Para Ministros, p. 50, 58, 59).

Dito isso, resta claríssimo que o posicionamento oficial da igreja JAMAIS será contrário aos ensinamentos bíblicos ou contra o espírito de profecia. Quando digo isso, não significa que pastores, cantores e outros não possam atuar por certo tempo em dissonância. Mas fica evidente que o próprio Deus é quem cuida de retirar as “maçãs podres” na hora certa. A irmã White continua: “Os homens poderão apresentar um ardil após o outro, e o inimigo procurará desviar as almas da verdade, mas todos os que creem que o Senhor tem falado por intermédio da irmã White, e lhe tem dado uma mensagem, estarão livres dos muitos enganos que surgirão nestes últimos dias (Mensagens Escolhidas, v. 3, p. 83, 84). Portanto, devemos ser cautelosos com as acusações que tecemos contra nossos irmãos e especialmente contra posicionamentos oficiais da igreja! O inimigo tem usado interpretações errôneas para fazer com que os membros da igreja pensem que a igreja apostatou, que já não é regida por Deus. Isso é perigoso! Tenho visto adventistas pregando teoria de Terra plana com argumentos supostamente de Ellen White! Jesus tenha misericórdia! Não vou entrar nesse assunto, pois já existe muito bom material da igreja refutando esse absurdo (veja aqui). Digo isso pois um texto fora do contexto é um pretexto para defender a ideologia que eu quiser.

Se entendemos que a IASD é regida por Deus, entendemos que ela JAMAIS irá orientar seus membros a tomar qualquer atitude pecaminosa ou em discordância com os preceitos divinos, muito menos que contrarie os escritos no espírito de profecia. Nossos líderes foram escolhidos por Deus, e mesmo sendo pecadores (como nós) são guiados por Deus para conduzir a IASD e repassar orientações. Nesse sentido, afinal qual é o posicionamento oficial da igreja em relação à vacinação? A declaração oficial da Igreja Adventista do Sétimo Dia em nível mundial a respeito de vacinação foi publicada originalmente no ano 2015 e pode ser lida, na íntegra, na área de declarações e documentos oficiais da organização. O material recomenda que os membros sejam vacinados. Veja o documento aqui. No início do texto, a declaração afirma que “a Igreja Adventista do Sétimo Dia dá forte ênfase à saúde e ao bem-estar. A ênfase adventista na saúde é baseada na revelação bíblica, nos escritos inspirados de Ellen G. White (cofundadora da Igreja) e na literatura científica revisada por pares. Assim sendo, encorajamos a imunização/vacinação responsável, e não temos nenhuma razão religiosa ou baseada na fé para não incentivar nossos seguidores a participar de forma responsável de programas de imunização preventiva e protetora”.

O diretor da área de Saúde da sede sul-americana adventista, o médico Rogério Gusmão, ressalta que a ciência das imunizações foi o maior avanço no controle de doenças e saúde pública que a humanidade conquistou. “Sem programa de imunizações teríamos milhares de mortos por essas doenças e muitas outras. Nosso índice de mortalidade infantil aumentaria assustadoramente, assim como as sequelas dessas doenças graves”, pondera. Gusmão lembra que historicamente sempre existiu resistência ao programa de vacinação e cita o que ocorreu no Rio de Janeiro na revolta da vacina, em novembro de 1904. Naquela época, a população se rebelou contra a vacina da varíola. “Passados mais de 110 anos, o que vemos hoje é, então, a erradicação da varíola, pois a maioria da população se vacinou. E, também, criou a barreira imunológica de grupo chamada de imunidade de rebanho, que protege, inclusive, os que discordam da vacinação e não se vacinam”, frisa.

Existem efeitos colaterais? SIM! Alguns deles são graves? SIM! cada corpo reage de um jeito. Temos visto que as vacinas de DNA podem implicar em problemas relacionados a alterações nos fatores de coagulação. COM RELAÇÃO AOS FATORES GRAVES, QUAL A PORCENTAGEM DE PESSOAS ACOMETIDAS? Os 242 casos de trombose ligados ao imunizante da AstraZeneca incluíram 49 mortes, em 28,5 milhões de doses da vacina administradas, ou seja, os casos graves da vacina da AstraZeneca têm uma incidência de 0,00087% e a taxa de morte é 20% sobre esse valor, ou seja, é muito raro. E a mortalidade da Covid-19? HOJE A TAXA DE MORTALIDADE É DE 2,9%. Isso é similar a outras vacinas. A taxa de efeitos graves é muito baixa e rara. Ou seja, a chance de morte por Covid é muito maior! Além do risco de morte e dos efeitos colaterais da Covid (trombose, perda de paladar e olfato, alterações de memória, infarto, problemas renais, etc.), o que temos visto são hospitais lotando por situações graves de pessoas que pegaram a Covid e estão com síndrome pós-covid.

Em estudo que avaliou dados de mais de 87 mil pacientes que tiveram a doença e cinco milhões de indivíduos saudáveis, sequelas do Sars-CoV-2 fizeram o primeiro grupo ter 59% maior probabilidade de falecer seis meses após o contato com a doença. Por isso no vídeo que eu gravei com o pastor Michelson Borges eu disse: se ficar o bicho come e se correr o bicho pega! Se você não se vacina e contrai a doença, a chance de morrer é de quase 3%. Se você não morrer durante esses 20 dias mais críticos, tem 59% de chance de morrer seis meses depois! Você acha que esse assunto é brincadeira? Se você se vacinar a chance de ter um problema grave é de 0,0008%! Não precisa ser um gênio da matemática para entender a diferença!

Eu verdadeiramente entendo o receio de muitos. Agora o que me deixa profundamente aborrecida é o fato de o povo de Deus, por FALTA DE CONHECIMENTO, estar criticando o posicionamento da IGREJA e de PROFISSIONAIS da ÁREA; profissionais adventistas, consagrados, que lidam com as mortes todos os dias. Tomar vacina ou não é uma decisão individual. Mas dizer que a vacina é “veneno papal”, tem relação com microchip, etc., trata-se de um erro colossal! Sabe o que é veneno satânico? Esse vírus, essa doença maldita! Ter esse vírus circulando no seu corpo, deturpando sua imunidade e afetando sua mente. Isso é o vírus que faz! A vacina é uma tentativa de fazer com que esse veneno satânico pare de circular. Então, irmãos, orem sobre o assunto e parem de criticar aqueles que preferem se arriscar 0,0008% para que o vírus não chegue até sua casa e mate alguém da sua família.

Trago ainda as seguintes reflexões: criticam as vacinas, mas moram nas cidades! Os vegetais estão repletos de agrotóxicos, comprovadamente relacionados à predisposição a câncer, autismo, etc. Toda vez que você come saladas ou frutas está ingerindo veneno! Está consumindo alimento transgênico que pode induzir mutações, doenças autoimunes, alergias alimentares, câncer, etc. Ah, mas eu como salada orgânica… Ainda que você more num sítio e plante seu alimento, se seu vizinho usa agrotóxico sua comida está afetada. Percebe que nossa vida está rodeada de veneno? Isso sem falar na poluição, radiação emitida pelas elevadas horas passadas nos celulares, etc. A lista é longa. Poderia ficar horas aqui falando sobre os perigos de estar vivo hoje! Apesar disso, entendo que enquanto vivermos neste mundo estaremos, de alguma forma, sendo contaminados pelas consequências da modernidade e do pecado. Entenda que sua vida depende da misericórdia de Deus!

Devemos, sim, fazer a nossa parte e minimizar o máximo possível os efeitos de tudo o que nos faz mal. As pestes nas cidades vão piorar! Isso é profético. Se você vive na cidades, seja coerente para com Deus e para com o próximo e não espalhe o vírus.

Duas opções coerentes para quem mora nas cidades: (1) tomar as vacinas regularmente; (2) não tomar as vacinas, mas permanecer em casa, manter total isolamento.

Ellen White explica perfeitamente no livro Vida no Campo que o ideal de Deus NUNCA foi que seu povo se estabelecesse nas cidades. O ideal é ter uma vida no campo o quanto antes (medida que deve ser tomada mediante oração).

Concluindo: “Os adventistas do sétimo dia foram postos no mundo como atalaias e portadores de luz. A eles foi confiada a última mensagem de advertência a um mundo a perecer. Sobre eles incide maravilhosa luz da Palavra de Deus. Confiou-se-lhes uma obra da mais solene importância: a proclamação da primeira, segunda e terceira mensagens angélicas. Nenhuma obra há de tão grande importância. Não devem eles permitir que nenhuma outra coisa lhes absorva a atenção” (Testemunhos Seletos, v. 3, p. 288). Precisamos estar vivos e com a nossa mente sã para proclamar com grande fervor que Cristo em breve virá! Que esse seja o nosso foco.

Relembrando tudo o que Ellen White fala, fica evidente que, se discordamos de algo que é orientado pela liderança da igreja, o erro estará em nossa interpretação. “Há muitos que dão sua própria interpretação àquilo que ouvem, fazendo com que o pensamento do orador pareça completamente diferente daquilo que ele se esforçou em apresentar. Alguns, ouvindo por meio de seus próprios preconceitos ou predisposições, entendem o assunto como desejam que seja — como melhor se harmoniza com seus propósitos — e assim o relatam. Seguindo os impulsos de um coração não santificado, levam para o mal aquilo que, corretamente compreendido, poderia ser instrumento de grande bem. Pessoas bem-intencionadas são frequentemente descuidosas e cometem erros graves e não é nada provável que outros a apresentem sob luz mais favorável. Alguém que não compreendeu claramente aquilo que o orador quis dizer repete uma observação ou afirmativa, dando-lhe seu próprio significado. Isso causa uma impressão sobre o ouvinte moldada de acordo com seus preconceitos e imaginações. Ele a refere a um terceiro, que por sua vez acrescenta um pouco mais e passa-a adiante. E antes que alguns deles estejam cientes do que estão fazendo, atendem ao propósito de Satanás em plantar as sementes da dúvida, do ciúme e da suspeita em muitas mentes” (Testemunhos para a Igreja, p. 661, 662).

Reforço: o posicionamento oficial da IASD é a favor da vacina. Não há críticas para os que não tomam. Que você pondere seus argumentos para com aqueles que optaram por seguir as orientações da Igreja, que é regida e guiada pelo próprio Deus.

São dias difíceis. Deus nos conceda sabedoria e lábios amorosos para não pecar com as palavras, injuriando nossa igreja e seus membros.

(Liziane Conrad Costa, bióloga, mestranda em Biociências e Saúde e colaboradora da revista Vida e Saúde, da CPB)