Os adventistas, a liberdade e as autoridades

Os textos a seguir, de Ellen White, têm relação com o decreto dominical, mas seus princípios valem para outros assuntos também.

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“Temos homens que são colocados sobre nós como governadores, e leis para nos regerem. Não fosse por essas leis, e as condições do mundo seriam piores do que são agora. Algumas dessas leis são boas, outras más. Estas têm aumentado, e seremos ainda levados a situações apertadas. Mas Deus susterá Seu povo para ser firme e viver à altura dos princípios de Sua Palavra. […] Vi que nosso dever em cada caso é obedecer às leis de nossa pátria, a menos que se oponham às que Deus proferiu com voz audível do Monte Sinai, e depois, com o próprio dedo, gravou em pedra. ‘Porei as Minhas leis no seu entendimento, e em seu coração as escreverei; e Eu lhes serei por Deus, e eles Me serão por povo’ (Hb 8:10). Quem tem a lei de Deus escrita no coração obedecerá mais a Deus do que aos homens, e preferirá desobedecer a todos os homens a desviar-se um mínimo que seja dos mandamentos de Deus. O povo de Deus, ensinado pela inspiração da verdade, e guiado por uma consciência pura a viver segundo toda Palavra de Deus, terá Sua lei, escrita no coração, como única autoridade que reconhece ou consente em obedecer. Supremas são a sabedoria e a autoridade da lei divina” (Testimonies for the Church 1:201, 361).

“O governo sob que Jesus viveu era corrupto e opressivo; clamavam de todo lado os abusos — extorsões, intolerância e abusiva crueldade. Não obstante, o Salvador não tentou nenhuma reforma civil. Não atacou nenhum abuso nacional, nem condenou os inimigos da nação. Não interferiu com a autoridade nem com a administração dos que se achavam no poder. Aquele que foi o nosso exemplo conservou-Se afastado dos governos terrestres. Não porque fosse indiferente às misérias do homem, mas porque o remédio não residia em medidas meramente humanas e externas. Para ser eficiente, a cura deve atingir o próprio homem, individualmente, e regenerar o coração” (O Desejado de Todas as Nações, p. 509).

“Esse princípio tem de ser mantido firmemente em nossos dias. A bandeira da verdade e da liberdade religiosa desfraldada pelos fundadores da igreja do evangelho e pelas testemunhas de Deus durante os séculos decorridos desde então, foi, neste último conflito, confiada a nossas mãos. A responsabilidade por esse grande dom repousa com aqueles a quem Deus abençoou com o conhecimento de Sua Palavra. Temos de receber essa Palavra como autoridade suprema. Devemos reconhecer o governo humano como uma instituição designada por Deus, e ensinar obediência a ele como um dever sagrado, dentro de sua legítima esfera. Mas, quando suas exigências se chocam com as reivindicações de Deus, temos que obedecer a Deus de preferência aos homens. A Palavra de Deus precisa ser reconhecida como estando acima de toda a legislação humana. Um ‘Assim diz o Senhor’ não deve ser posto à margem por um ‘Assim diz a igreja’, ou um ‘Assim diz o Estado’. A coroa de Cristo tem de ser erguida acima dos diademas de autoridades terrestres.

“Não nos é exigido que desafiemos as autoridades. Nossas palavras, quer faladas quer escritas, devem ser cuidadosamente consideradas, para que não sejamos tidos na conta de proferir coisas que nos façam parecer contrários à lei e à ordem. Não devemos dizer nem fazer coisa alguma que nos venha desnecessariamente impedir o caminho. Temos de avançar em nome de Cristo, defendendo as verdades que nos foram confiadas. Se somos proibidos pelos homens de fazer essa obra, podemos, então, dizer como os apóstolos: ‘Julgai vós se é justo, diante de Deus, ouvir-vos antes a vós do que a Deus? Porque não podemos deixar de falar do que temos visto e ouvido’ (At 4:19, 20)” (Atos dos Apóstolos, p. 38).

“Nossa obra não consiste em atacar o governo, mas em preparar um povo para estar de pé no grande dia do Senhor. Quanto menos ataques fizermos às autoridades e governos tanto mais realizaremos para Deus” (Evangelismo, p. 173).

“Se bem que a verdade deva ser defendida, esta obra deve ser feita no espírito de Jesus. Se o povo de Deus atuar sem paz nem amor, sofrerá grande perda, uma perda irreparável. As almas são afastadas de Cristo, mesmo depois de haverem estado ligadas a Sua obra. Não devemos julgar quem não teve as oportunidades nem os privilégios que nós tivemos. Alguns desses irão ao Céu adiante dos que tiveram grande luz, mas não viveram em conformidade com essa luz. Se quisermos convencer os descrentes de que possuímos a verdade que santifica a alma e transforma o caráter, não devemos acusá-los veementemente de seus erros. Se o fizermos, obrigamo-los a concluir que a verdade não nos torna bondosos nem corteses, mas ásperos e rudes.

“Alguns, facilmente excitáveis, estão sempre dispostos a pegar em armas de luta. Em tempos de provação, mostrarão que não alicerçaram a sua fé sobre a rocha sólida. […] Não façam os adventistas do sétimo dia coisa nenhuma que os assinale como desobedientes à lei ou a ela contrários. Apartem de sua vida toda incoerência. Nossa obra consiste em proclamar a verdade, deixando com o Senhor os resultados. Fazei tudo quanto está ao vosso alcance para refletir a luz, mas não profirais palavras que irritem ou provoquem” (Manuscrito 117a, 1901; Evangelismo, p. 173).

Ensinemos o povo a conformar-se em todas as coisas com as leis de seu Estado, quando assim podem fazer sem entrar em conflito com a lei de Deus” (Testimonies, v. 9, p 238).

“Tempo virá em que expressões descuidadas de caráter denunciante, displicentemente proferidas ou escritas pelos nossos irmãos, hão de ser usadas pelos nossos inimigos para nos condenarem. Não serão usadas simplesmente para condenar os que as proferiram, mas atribuídas a toda a comunidade adventista. Nossos acusadores dirão que em tal e tal dia um dos nossos homens responsáveis falou assim e assim contra a administração das leis desse governo. Muitos ficarão pasmos ao ver quantas coisas foram conservadas e lembradas, as quais servirão de prova para os argumentos dos nossos adversários. Muitos se surpreenderão de como foi atribuído às suas palavras um significado diferente do que era a sua intenção. Sejam nossos obreiros cuidadosos no falar, em todo tempo e sob quaisquer circunstâncias. Estejam todos precavidos para que, por meio de expressões imprudentes, não tragam sobre si um tempo de angústia antes da grande crise que provará os seres humanos. […] Devemos estar lembrados de que o mundo nos julgará pelo que aparentamos ser. Que os que buscam representar a Cristo exerçam o cuidado de não exibir traços incoerentes de caráter. Antes de assumirmos um lugar definido na linha de frente, certifiquemo-nos de que o Espírito Santo nos tenha sido concedido lá dos altos Céus. Quando isso acontecer, pregaremos uma mensagem definida, que será, porém, de espécie muito menos condenatória do que a de alguns; e os que crerem terão muito mais interesse na salvação de nossos oponentes. Deixemos inteiramente com Deus o assunto de condenar as autoridades e governos. Com humildade e amor, defendamos, como sentinelas fiéis, os princípios da verdade tal como é em Jesus” (Testimonies for the Church, v. 6:394, 395, 397).

“A lei da observância do primeiro dia da semana é produto de um cristianismo apostatado. O domingo é filho do papado, entretanto exaltado pelo mundo cristão acima do sagrado dia de repouso de Deus. Em caso algum lhe deve o povo de Deus prestar homenagem. Mas desejo que compreendam que, se provocam oposição quando Deus deseja que a evitem, não estão cumprindo a Sua vontade. Desse modo despertam um preconceito tão implacável que será impossível proclamar a verdade. Não façamos, no domingo, demonstrações de desacato à lei. Se isso ocorrer num lugar, e formos humilhados, a mesma coisa poderá ocorrer noutro lugar. Podemos servir-nos do domingo para levar avante um trabalho que testifique de Cristo. Devemos fazer o melhor possível, trabalhando com toda a mansidão e humildade” (Testimonies for the Church, v. 9:229, 230, 235).