Vacinação: testemunho de um missionário adventista em Moçambique

É profético o mundo caminhar para a perseguição, culminando com o decreto dominical e os últimos eventos da história. Enquanto isso não acontece e o desafio não se trata de obediência ou não à Lei de Deus, siga o que os médicos e as autoridades de saúde receitarem, bem como mantenha seu estilo de vida saudável.

heraldo

Sou brasileiro, mas moro aqui em Moçambique há alguns anos. Sou reitor da Universidade Adventista neste país. Aqui peguei Covid variante Delta, bem recentemente, e estou ainda me recuperando. Ela está assolando Moçambique. Para você ter uma ideia, até poucas semanas atrás, em todo o país, desde o início da pandemia, tínhamos contabilizado por volta de mil mortos. Agora, com a variante, em poucos dias morreram mais de 350, sem contar a sobrecarga nos hospitais. O presidente da República decretou imediatamente o fechamento de escolas, igrejas, toque de recolher nas grandes cidades a partir das 21h, comércio fechando às 16h, entre outras medidas. Quando testei positivo, ingeri muita água, sucos de frutas cítricas, mel, alho, cebola, fiz inalação de vapor d’água com orégano ou folhas de eucalipto, banhos de sol e aspiração de Vick Vaporub. Graças a Deus, já estava vacinado com duas doses da vacina da Sinopharm. Aqui em nosso meio e próximo a nós havia pessoas ainda não vacinadas que contraíram a variante Delta e, infelizmente, morreram. E foram várias.

A Igreja Adventista do Sétimo Dia tem uma posição sobre vacinas muito anterior à pandemia de Covid (leia aqui). Sempre a IASD deixou claro que entre seus membros toma a vacina quem quiser. Há muitas décadas a IASD apoia, incentiva e participa de campanhas de vacinação. Nossos missionários são orientados a isso e só vão para o campo missionário se tomarem a carga completa de vacinas disponíveis. Se eu mostrar a lista que tive que tomar para vir para cá, a da Covid é somente mais uma diante de tantas outras. A história mostra que não é a primeira vez que esses movimentos antivacinas acontecem. Tivemos, inclusive, a triste experiência de um médico missionário que no passado aplicou muitas vacinas contra poliomielite, mas ele mesmo não tomou. Pegou a pólio e teve um sofrimento terrível. Leia a descrição dessa experiência aqui.

Estou me recuperando e ainda estou vivo, graças a Deus. Não sei, sinceramente, o que teria acontecido com minha vida se tivesse pego essa variante Delta sem ter sido vacinado. Nem quero saber! Aqui, até recentemente, havia apenas cinco respiradores para alguns milhões de habitantes no único hospital geral da província. Pegar Covid já é assustador, imagine aqui no campo missionário, na região do interior onde estou. A Delta está contagiando e matando sem limites aqui agora. Só no campus da nossa universidade tivemos nove casos de contágio na semana passada. Quem foi vacinado sobreviveu.

Quanto às liberdades individuais e as atitudes governamentais, sabemos que é profético caminhar para a perseguição, pois, à medida que os esforços não resultarem em solução, os líderes civis serão pressionados pelos líderes religiosos a criar leis civis, mas de motivação religiosa, culminando na principal delas: o decreto dominical. Enquanto isso não acontece e o desafio não se trata de obediência ou não à Lei de Deus, siga o que os médicos e as autoridades de saúde receitarem, bem como mantenha seu estilo de vida saudável. E ore por nós.

(Heraldo Lopes é doutor em Teologia e reitor da Universidade Adventista de Moçambique)