Deus “mutante”

Deus sabe exatamente aquilo de que precisamos. Ele tem a capacidade de ser tudo o que nos falta. Ele está disposto a preencher o espaço vazio, seja ele qual for.

Jesus

Nos últimos anos tem aumentando muito o entretenimento em torno do tema mutante. São filmes, desenhos, brinquedos baseados em seres que sofreram transformações genéticas e adquiriram poderes especiais, tornando-se diferentes dos demais seres humanos. Fico pensando em como o ser humano deseja alcançar mais, ter poder, contudo, ao mesmo tempo, apresenta tão pouca disposição para mudar – tudo isso é uma grande contradição.

Deparar-me com esses pensamentos levou-me a pensar num Ser que tem uma capacidade enorme de ser mutante. Sempre que pensamos na nossa relação com Deus, pensamos em ser transformados, em mudar por meio da ação do Espírito Santo, em nos tornarmos outras pessoas. Pouco, no entanto, se pensa na capacidade infinita que Deus tem para mudar. Quando falo de Deus mudar não me refiro ao Seu caráter. Deus não muda (Salmos 15:4) e isso está claro na Bíblia. No entanto, Deus Se adapta amoravelmente e misericordiosamente à necessidade de cada um de nós. Somos pessoas diferentes, com necessidades diferentes. Deus é o mesmo, mas Ele sabe exatamente como alcançar cada um de forma individual e única.

Para alguns, Ele é um Amigo querido; para outros, um grande Conselheiro; para outros ainda um Pastor que guia, etc.

Em minha vida Deus sempre foi o Pai. Meus pais se divorciaram quando eu era ainda bebê e não tive contato com meu pai desde então. Logicamente minha mãe e meu irmão fizeram de tudo para suprir minhas necessidades emocionais nesse aspecto. Mas seu amor, por maior que fosse, sempre foi o amor de mãe e de irmão. Assim, desde cedo decidi “adotar” Deus como meu pai. E o mais maravilhoso de tudo isso é que Deus Se deixou adotar por mim. Ele correspondeu ao meu amor e me preencheu exatamente com o amor de um pai, o amor de que eu precisava. Em Sua infinita misericórdia, Deus foi exatamente o que eu precisava em minha vida. E não foi de forma metafórica ou abstrata. Foi de forma presente, concreta. Passei a tratá-Lo como Pai: pedia conselhos, reclamava, contava o que acontecia, meus problemas, minhas conquistas, pedia ajuda, às vezes cobrava, mostrava insatisfação, revolta, fugia do Seu olhar… enfim, estabelecemos uma relação tal que sempre o chamei de Pai, sempre Lhe declarei meu amor e sempre me senti mais à vontade para falar com Ele em oração que com o próprio Jesus. Ele, por sua vez, me protegeu constantemente, me deu amor sem limites, me aconselhou muito, sempre mostrou o caminho de forma clara, escolheu o melhor pra mim, me corrigiu firmemente (por vezes podia sentir Deus me chamando a atenção literalmente), teve muita paciência (que eu mesma não teria) e nunca desistiu de mim. Deus mudou por mim – Ele Se tornou meu Pai porque eu precisava de um Deus Pai em minha vida.

Todos nós temos nossos vazios, nossas frustrações, nossas mágoas. Deus conhece cada sentimento, cada necessidade. Certa vez, após pregar em uma igreja, fui abordada por uma senhora dizendo que a mensagem havia preenchido exatamente a necessidade de seu coração naquele momento. E, ao descrever seu problema e o que ela havia tirado pra si da pregação, percebi que não era nada do que eu havia falado. Na verdade, Deus havia trabalhado de tal forma que ela abstraiu do sermão exatamente aquilo que Deus queria lhe falar naquele momento. E tenho certeza de que isso acontece em muitas outras pregações.

Deus sabe exatamente aquilo de que precisamos. Ele tem a capacidade de ser tudo o que nos falta. Ele está disposto a preencher o espaço vazio, seja ele qual for. Às vezes, cremos que Deus é todo-poderoso para realizar milagres incríveis, mas não acreditamos que Ele possa curar as feridas mais profundas nos abismos da nossa alma. Ele pode, sim. Ele pode ser o pai, a mãe, o amigo, o conselheiro, o pastor, o companheiro, o confidente. Deus pode! Resta saber: do que você precisa?

(Danivia Mattozo Wolff é Revisora de Textos | Assembleia Legislativa de Minas Gerais)