A velha tesoura da teologia seletiva

Embora alguns grupos dissidentes e subversivos se autointitulem “adventistas”, fica evidente que fazem isso de maneira contraditória, pois ignoram justamente a primeira crença fundamental da Igreja Adventista do Sétimo Dia.

tesouras

Um perfil nas redes sociais que se autointitula “adventista”, mas vive divulgando conteúdos contrários aos princípios bíblicos defendidos pela Igreja Adventista do Sétimo Dia, postou recentemente o seguinte comentário: “A Palavra de Deus está por toda a Bíblia, oras. Mas quem define o que é Palavra de Deus ou não é o próprio Verbo encarnado. Aquilo que combina com o Evangelho é suficiente. O restante são registros históricos e aplicativos circunstanciais.”

A Palavra de Deus não “está por toda a Bíblia”, ela É toda a Bíblia. É contraditório, pra dizer pouco, o surrado truque de exigir validação formal de Jesus para cada versículo que não esteja textualmente presente nos Evangelhos. Nos Evangelhos, Ele aprovou as Escrituras como um todo; nunca Se propôs recitar cada palavra da Escritura, até porque isso seria desautorizar o Espírito Santo. E, a propósito, quem valida os Evangelhos, uma vez que eles não foram escritos por Jesus, mas por Seus apóstolos? Se estes merecem respeito autoral, por que Pedro deve ser desconsiderado quando endossa toda a Bíblia? E se Pedro corrobora a autoridade apostólica de Paulo e seus escritos, por que a proclamação paulina de que “toda Escritura é divinamente inspirada” deve ficar fora do cânon sagrado?

O que esses subversores das Escrituras chamam de “Verbo” nada mais é que trechos macetadamente pinçados das Escrituras; textos que possam ser relativizados, manipulados e distorcidos conforme as preferências do pretenso hermeneuta. No fim das contas, é só uma eisegese das mais primárias de quem está muito longe do verdadeiro Jesus Cristo.

Essa atitude seletiva em relação à Bíblia é semelhante à dos adeptos das heresias da Alta Crítica, já condenada por Ellen White em seu tempo (portanto, nada de novo debaixo do sol):

“Qual é a condição do mundo atualmente? Não é a fé na Bíblia hoje destruída tão eficazmente pela Alta Crítica e as especulações, como o era pela tradição e o rabinismo dos dias de Jesus? […] No professo mundo cristão, mesmo nas professas igrejas de Cristo, quão poucos são regidos por princípios cristãos! Nos círculos comerciais, sociais, domésticos, e mesmo nos religiosos, quão poucos fazem dos ensinos de Cristo a regra do viver diário!” (A Ciência do Bom Viver, p. 142).

“Mesmo o estudo da Bíblia, como muitas vezes é feito nas escolas, está despojando o mundo do imprescindível tesouro da Palavra de Deus. A obra da Alta Crítica, dissecando, conjeturando, reconstruindo, está destruindo a fé na Bíblia como uma revelação divina; está despojando a Palavra de Deus do poder de dirigir, enobrecer e inspirar as vidas humanas” (Educação, p. 227).

“Os homens agem como se tivessem recebido liberdade especial de cancelar as decisões de Deus. Os estudiosos da Alta Crítica põem-se no lugar de Deus e revisam a Palavra de Deus alterando-a ou endossando-a. Dessa forma todas as nações são induzidas a beber do vinho da fornicação de Babilônia. Esses proponentes da Alta Crítica acertaram as coisas de modo a adaptar-se às heresias populares destes últimos tempos. Se não podem subverter e torcer a Palavra de Deus, se não podem ajustá-la a práticas humanas, eles a despedaçam” (Olhando Para o Alto, p. 29).

Embora alguns grupos dissidentes e subversivos se autointitulem “adventistas”, fica evidente que fazem isso de maneira contraditória, pois ignoram justamente a primeira crença fundamental da Igreja Adventista do Sétimo Dia: “As Sagradas Escrituras, Antigo e Novo Testamentos, são a palavra escrita de Deus, dada por inspiração divina por meio de homens santos de Deus que falaram e escreveram sob inspiração do Espírito Santo. Em Sua palavra, Deus entregou ao ser humano o conhecimento necessário para a salvação. As Sagradas Escrituras são a revelação infalível da vontade de Deus. Elas são o padrão de caráter, o teste da experiência, a revelação autorizada de doutrinas, e o registro fiel da atuação de Deus na história.”