Cristãos liberais

Há várias formas de liberalismo, desde aquele que nega que a Bíblia seja divinamente inspirada àquele que alega, por exemplo, que certas partes da Bíblia são mais inspiradas que outras.

liberais

No âmbito cristão, liberalismo é a forma de pensamento que coloca a razão e a experiência humanas acima da autoridade bíblica. Ou seja, cristãos liberais são aqueles que buscam uma religião de feitura humana. A pergunta é se uma religião assim ainda pode ser chamada de cristianismo. O cristianismo, assim como o judaísmo antes dele, é a religião da Palavra. É verdade que, em algum momento, tanto o judaísmo quanto o cristianismo acabaram incorporando uma sobrecarga de tradições humanas, mas isso por si só não justifica o abandono daquela que é a premissa mais fundamental da religião bíblica: o reconhecimento de que as Escrituras são a Palavra de Deus e, portanto, autoritativas.

Há várias formas de liberalismo, desde aquele que nega que a Bíblia seja divinamente inspirada àquele que alega, por exemplo, que certas partes da Bíblia são mais inspiradas que outras, que a Bíblia é apenas um meio para se chegar à verdade, que Jesus (a Palavra encarnada) é a verdadeira Palavra de Deus (não a Palavra escrita), que só é verdade aquilo que se ajusta à experiência humana ou que o significado do texto bíblico pode variar de pessoa para pessoa.

O primeiro grupo – aqueles que rejeitam a noção bíblica de inspiração – acredita que a Bíblia é um livro antigo como outro qualquer e que, por isso, deve ser interpretada unicamente à luz da cultura e história antigas. O segundo grupo é mais diversificado, mas seja qual for a ênfase, o resultado é o mesmo: a autoridade final repousa sobre o leitor, não sobre Deus, como revelado nas Escrituras. E a partir do momento em que a autoridade divina é rejeitada, reproduz-se o pecado original: “Deus disse, mas não é bem assim!” (cf. Gn 3:1-6).

A raiz do pecado é a descrença na veracidade de Deus e Sua Palavra. Seria mais lógico abandonar tudo e assumir de vez a própria incredulidade, pois se a Bíblia não é a Palavra de Deus em tudo o que ela diz, então ela pode não o ser em nada do que ela diz. Neste caso, por que ainda insistir em algumas coisas? A arbitrariedade implode o argumento já na sua origem. Jesus chamou os discípulos de Emaús de “néscios” por não crerem “em tudo o que os profetas disseram” (Lc 24:25).

(Dr. Wilson Paroschi; Instagram)