É preciso usar máscara para a varíola do macaco?

“Essa é a pergunta que mais tenho recebido nas últimas semanas; então vamos esclarecer com argumentos científicos abaixo”

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O Monkeypox (varíola dos macacos) é um vírus DNA bem maior e mais pesado que os vírus respiratórios tradicionais (que geralmente são de RNA, como os coronavírus). Esse vírus não consegue realizar uma transmissão em aerosol ou gotícula eficaz em condições normais. Os casos confirmados até agora no Brasil circularam em diversos ambientes, e absolutamente ninguém que teve contato eventual desenvolveu a doença.

A Via de transmissão do Monkeypox é de pessoa para pessoa, e necessariamente envolve contato físico prolongado com as secreções contaminadas – consequentemente, máscaras NÃO são mecanismos de proteção. A transmissão de humano para humano do pode ocorrer de várias maneiras, mas a principal via é o contato direto com os fluidos corporais e as feridas infecciosas ou crostas.

O artigo publicado na semana passada no The New England Journal of Medicine relatou 528 infecções diagnosticadas entre 27 de abril e 24 de junho de 2022, em 43 locais em 16 países. No geral, 98% das pessoas com infecção eram homens gays ou bissexuais, 75% eram brancos e 41% tinham infecção pelo vírus HIV. Suspeita-se que a transmissão tenha ocorrido através da atividade sexual em 95% das pessoas com infecção. Nessa série de casos, 95% das pessoas apresentaram erupção cutânea, 73% lesões anogenitais e 41% lesões mucosas. As características sistêmicas comuns que precedem a erupção incluem febre, letargia, mialgia e cefaleia, linfadenopatia também foi comum.

Infecções sexualmente transmissíveis concomitantes foram relatadas em 109 de 377 pessoas (29%) que foram testadas.

O DNA do vírus Monkeypox foi detectado em 29 das 32 pessoas nas quais o fluido seminal foi analisado. O tratamento antiviral foi administrado a 5% das pessoas em geral, e 70 foram hospitalizados; os motivos de internação foram o manejo da dor, superinfecção de tecidos moles, faringite limitando a ingestão oral, lesões oculares, lesão renal aguda, miocardite e fins de controle de infecção. NENHUMA morte foi relatada.

(Benedito Rodrigues da Silva Neto, doutor em Medicina Tropical e Saúde Pública; Instagram)