Ellen White e a “opção preferencial pelos pobres”

“Ultimamente um grande interesse tem surgido em favor dos pobres e excluídos. Esta é em si uma boa obra. O Senhor tem uma obra a ser feita pelos mais pobres, e nada há a objetar visto que é dever de alguns trabalhar entre eles e procurar aliviar e salvar os que estão perecendo.”

“Nem todos são chamados a iniciar seu trabalho servindo às classes mais baixas. Deus não requer que Seus obreiros obtenham sua educação e treino para se devotarem exclusivamente a essas classes. O convite do evangelho deve ser levado aos ricos e aos pobres, aos elevados e aos humildes, e precisamos descobrir meios de levar a verdade a novos lugares e a todas as classes de pessoas.”

“Cristo pregou o evangelho aos pobres, mas não confiou Sua obra a essa classe. Ele trabalhou por todos quantos Lhe ouviam as palavras. Buscava não somente o publicano e o rejeitado, mas também o rico e o culto fariseu, o nobre judeu e a autoridade romana.”

“Não devemos esforçar cada tendão e nervo espiritual para trabalhar pelas classes mais baixas e fazer disso o todo e o tudo.”

“A obra pelos pobres não tem limite (visto que durará até o fim deste mundo de pecado), Ela nunca pode ser concluída e precisa ser tratada como parte de um grande todo. Dediquem-se as igrejas a obra que lhes é indicada de apresentar verdades dos oráculos de Deus.”

Textos extraídos da obra Ministério do Amor, de Ellen White, páginas 253, 254 e 255.

Perceba que não existe no pensamento de Ellen White uma tensão entre a pregação do evangelho e o auxílio aos mais pobres. Esta última faz parte de um processo naturalmente cristão de trabalhar no sentido de aliviar o fardo dos menos favorecidos, mas nunca os privilegiando como objetos centrais da missão da igreja. Os que ideologicamente centralizam seus esforços em tal direção, invariavelmente tornam-se críticos vorazes e hostis à igreja, incapacitando a si mesmos de proclamar com intrepidez o evangelho eterno e as três mensagens angélicas (Matheus Amaral).