Perguntas interativas da Lição: Passagens bíblicas controversas

Algumas passagens bíblicas são usadas equivocadamente para defender o conceito da imortalidade da alma. Devemos entender muito bem o significado correto spassagens não só para nossa própria edificação espiritual, mas também para estarmos “sempre preparados para responder a todo aquele que pedir a razão da nossa esperança” (1Pe 3:15).

Perguntas para reflexão e discussão em grupo:

Passagem sobre “o rico e Lázaro” (Lc 16:19-31)

Quais são as evidências de que esta passagem é uma parábola e não a descrição de uma cena literal?

Que problemas surgem se essa parábola tiver que ser entendida de modo literal? (R.: O maior problema, se essa passagem fosse literal, é que ela estaria em contradição com o ensino das Escrituras a respeito do estado dos mortos; além disso, dentre outras incoerências, haveria o problema de que o Céu e o inferno seriam tão próximos um do outro que seria possível haver comunicação entre as pessoas dos dois lados.)

Passagem sobre o “ladrão arrependido” (23:42, 43)

Como sabemos que essa tradução não é a melhor, e que Jesus não prometeu ao ex-ladrão que ambos estariam juntos no paraíso naquele mesmo dia? (R.: O texto grego original permite que o advérbio “hoje” esteja relacionado tanto ao verbo anterior [“digo”] quanto ao verbo posterior [“estarás”]; além disso, as Escrituras apontam o fato de que, no domingo de manhã, dois dias após a promessa feita na sexta-feira à tarde, Jesus disse que ainda não havia ido ao Pai [João 20:17].)

O que essa história nos ensina sobre a salvação pela graça mediante a fé?

Passagem sobre o “partir e estar com Cristo” (Fp 1:21-24)

Como sabemos que, apesar dessas palavras, Paulo não estava ensinando o conceito de consciência durante a morte? (R.: Isso seria contrário ao seu próprio ensino sobre a morte, como podemos ver em 1Co 15:51-53; 1Ts 4:16; 2Tm 4:8; etc., e às Escrituras Sagradas.)

Passagem sobre a “pregação aos espíritos em prisão” (1 Pe 3:17-20)

Muitas pessoas creem, baseando-se erroneamente nessa passagem, que Jesus teria “pregado aos mortos” durante o breve período em que Seu corpo repousava na morte. Quais são os erros teológicos desse tipo de pensamento? Ver Sl 146:4; Ec 9:5, 10; Hb 9:27, 28.

Em que ocasião Jesus pregou (ou “havia pregado”) aos “espíritos em prisão”? (R.: O texto bíblico diz que Jesus pregou, por meio do Espírito Santo, “nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca” [1Pe 3:20]). Tal pregação foi realizada por Noé, “pregador de justiça” [2Pe 2:5], durante 120 anos. O texto também diz que nesse mesmo Espírito [o que pregou nos dias de Noé] Jesus foi vivificado, ou ressuscitado.)

Leia Lucas 13:16. Quem são os “espíritos em prisão” de nossos dias, e como podemos pregar a essas pessoas por meio do mesmo Espírito que pregou nos dias de Noé?

Passagem sobre as “almas debaixo do altar” (Ap 6:9-11)

Por que essa passagem não pode ser interpretada de modo literal? (R.: Não há altar de sacrifícios no Céu; não há pessoas desencarnadas no Céu; a Bíblia não ensina que haja consciência durante a morte [Ec 9:5, 6, 10; Sl 6:5; 115:17; Is 38:18, 19; etc.]; não há pessoas pedindo por vingança no Céu [Rm 12:19].)

Leia Gênesis 4:9, 10; Levítico 4:25. Se a Bíblia deve ser usada como intérprete de si mesma, qual é o significado da passagem sobre as “almas debaixo do altar”? (R.: Essa passagem faz referência ao sangue derramado de Abel, que figuradamente “clamava” desde a terra por justiça [Gn 4:10]; faz também referência aos animais sacrificados no santuário, cujo sangue era derramado à base do altar. Essa figura representa os mártires do Evangelho, cujo sangue derramado, assim como o de Abel, figuradamente “clama por justiça”, e assim como os animais sacrificados nos serviços do santuário, eles também morreram em prol do Evangelho. Portanto, enquanto continuam descansando na inconsciência da morte, seu prêmio já está guardado, e lhes será entregue no dia da ressurreição.)

Leia 1 Pedro 3:15. Como podemos estar sempre prontos para dar uma resposta (do grego: apologia) a qualquer um que nos perguntar sobre a razão de nossa fé?

(Pastor Natal Gardino, professor de Teologia no Instituto Adventista Paranaense)