Papa emérito Bento XVI morre aos 95 anos

O papa emérito Bento XVI morreu aos 95 anos neste sábado (31), anunciou o Vaticano.

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Ratzinger nasceu em 16 de abril de 1927 na cidade de Marktl, mas passou boa parte da infância e adolescência em Traunstein, perto da fronteira com a Áustria. De família humilde e o mais novo de três irmãos, entrou para o seminário aos 12 anos e era fluente em diversas línguas, entre elas grego e latim. Mais tarde, fez doutorado em teologia na Universidade de Munique. Ele foi escolhido papa no dia 19 de abril de 2005, após a morte de João Paulo II, no mesmo ano.

Ortodoxo, Ratzinger era conhecido por transitar entre os conservadores com mais facilidade e um dos favoritos para a sucessão papal, mesmo não sendo oficialmente a sua vontade.

O nome adotado por ele foi o de Bento XVI. Na ata da audiência geral, publicada no site oficial do Vaticano, ele explicou as razões para a escolha. “Quis chamar-me Bento XVI para me relacionar idealmente com o venerado pontífice Bento XV [Cardeal Giacomo della Chiesa], que guiou a Igreja num período atormentado devido à Primeira Guerra Mundial”, disse ele. “Ele foi um profeta corajoso e autêntico de paz, e comprometeu-se com coragem infatigável primeiro para evitar o drama da guerra e depois para limitar as consequências nefastas”, completou. São Bento também é o padroeiro da Europa e fundador da Ordem Beneditina.

Bento XVI, no entanto, também viria a ser o primeiro papa a renunciar em 600 anos, após a Igreja Católica se tornar alvo de escândalos envolvendo acusações de corrupção e pedofilia.

(CNN Brasil)

Nota: Com a morte de Bento XVI, morre também a “sétima cabeça” de Apocalipse 17, na interpretação de algumas pessoas, como o pastor aposentado Samuel Ramos (veja a partir do tempo 33:45). Segundo essa teoria, a cabeça que dava vida à sétima cabeça se foi, e o oitavo rei (Francisco), que também era uma cabeça que fazia dupla com a sétima, ficou “boiando” agora. O papa Francisco não está bem de saúde e anda falando em renúncia. Quando isso ocorrer, será eleito o próximo papa, que, na interpretação de Ramos, será a nona cabeça. Será a pá de cal nessa teoria que contraria a interpretação mais aceita pela Igreja Adventista, que não entende os reis/montes como sendo papas (em pessoa).

Bíblia escravista? Ed René força a carta de Paulo a Filemom a dizer o contrário do que ela diz

“Se Satanás puder fazer você crer que existem na Palavra de Deus porções não inspiradas, então ele estará preparado para enlaçar nossa alma.”

filemom

Além de afirmar que a Bíblia deve ser atualizada e que a água que jorra para a vida eterna, oferecida por Jesus à mulher samaritana, seria Seu sêmen (veja a partir do minuto 19), o pastor progressista Ed René Kivitz difamou a Bíblia e fez uma leitura escravista da carta de Paulo a Filemon (confira aqui). Ele atribui a Paulo falas e intenções que não estão no texto. Isso é extremamente grave, mas ficou em segundo plano por causa da polêmica em torno da “atualização”.

Os escravistas optaram por remover Filemon da “Slave Bible”, justamente por entender que essa é uma carta nitidamente antiescravidão. O único jeito de um senhor de escravos instrumentalizar Filemon é “atualizar” a carta para a realidade do século 19, como Ed fez. E ninguém reclamou disso. Incrível!

Ed diz que Paulo mandou Filemon receber Onésimo como escravo, quando o texto diz exatamente o oposto! Ed leu a Bíblia como um ateu faz. Pior: como um escravista fazia.

Ajudar Onésimo a fugir seria condená-lo à morte no Império. Enviá-lo de volta e pedir que Filemon o acolhesse como irmão amado e não como escravo (o libertasse) foi a melhor solução. Mas Ed acha que agiria melhor do que Paulo… O curioso é que ele abre a mensagem dizendo que quem lê Filemon de maneira desatenta e superficial, vê ali base bíblica para a escravidão. E, posteriormente, afirma várias vezes que Filemon legitima a escravidão! Ou seja: parece que ele mesmo fez uma leitura desatenta e superficial.

Infelizmente, este tem sido o modus operandi dos pastores e teólogos progressistas: usam a Bíblia apenas como instrumento para reforçar narrativas e ideologias. Quando a Bíblia condena o que eles aprovam, a descartam ou descredibilizam (ou vêm com suas “chaves hermenêuticas” que mais parecem tesouras picotadoras). Quando a Palavra de Deus contraria seu discurso sociológico, eles a torcem e fazem com que ela diga exatamente o contrário do que diz.

É como escreveu Ellen White: “Se Satanás puder fazer você crer que existem na Palavra de Deus porções não inspiradas, então ele estará preparado para enlaçar nossa alma. Não teremos segurança, nenhuma certeza, no exato momento em que precisarmos saber o que é a verdade” (Review and Herald, 18/12/1888).

Perguntas interativas da Lição: Novas todas as coisas

“Nós, segundo a Sua promessa, aguardamos novos Céus e nova Terra, nos quais habita a justiça” (2Pe 3:13). Essa esperança dos cristãos é baseada na certeza de que Deus continua cumprindo Suas promessas. Ela dá sentido, propósito e direção à vida a despeito do sofrimento e da tristeza causados pelo pecado enquanto aguardamos. Por isso a volta de Jesus é chamada de “bem-aventurada esperança” (Tt 2:13).

Perguntas para reflexão e discussão em grupo:

Leia 2 Pedro 3:13. Por que todos nós, cristãos, aguardamos “novos Céus e nova Terra”? Por que há uma ênfase na justiça dessa nova morada?

Por que a vida não faz sentido sem essa esperança futura?

Leia Apocalipse 21:3, 22. Após o período do milênio, o pecado deixará de existir. Assim, o templo celestial – local onde Deus manifesta Sua presença e onde sempre foi adorado – perderá sua função de corte/tribunal. Que pensamentos ou sentimentos vêm à sua mente ao pensar que o pecado finalmente deixará de existir?

Leia Êxodo 33:20; Mateus 5:8; Hebreus 12:14; 1 João 3:2, 3; Apocalipse 22:3, 4. Por que o pecado nos impede de ver a face de Deus (Is 59:2)? Como podemos nos preparar para vê-Lo quando Ele Se manifestar em toda a Sua glória? Que diferença faz sabermos que é pela graça, e não por nossas obras, que conseguiremos essa realização?

Leia 2 Pedro 3:3, 4. Como podemos confirmar o cumprimento da profecia até mesmo quando vemos pessoas zombando da promessa da volta de Jesus?

O que significa a figura que retrata o nome de Deus como estando na “testa” de todos os salvos por Ele?

Como a esperança da nova Terra transforma nossos valores e objetivos?

Como podemos equilibrar nossos ideais terrenos com nossas prioridades celestiais?

(Pastor Natal Gardino, professor de Teologia no Instituto Adventista Paranaense)

Mulher é presa por fazer oração silenciosa perto de clínica de aborto

Isabel Vaughan-Spruce foi abordada pela polícia após ter sido denunciada por uma pessoa que suspeitou de que ela orava em pensamento.

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Uma voluntária do grupo de oração 40 Days for Life, dedicado à orações pró-vida foi presa por quatro acusações, após dizer à polícia que “poderia” estar orando silenciosamente, quando questionada sobre o motivo de estar em uma rua pública perto de uma clínica de aborto. Isabel Vaughan-Spruce foi abordada perto da Clínica BPAS Robert, em Kings Norton, Birmingham. A voluntária pró-vida não carregava nenhuma placa e permaneceu completamente em silêncio até ser abordada pelos oficiais, após receber reclamações de um espectador que suspeitava que Vaughan-Spruce estivesse orando em pensamento.

“É terrivelmente errado que eu tenha sido revistada, presa, interrogada pela polícia e acusada simplesmente de orar na privacidade de minha própria mente. As zonas de censura pretendem proibir o assédio, que já é ilegal. Ninguém jamais deve ser sujeito a assédio”, indignou Vaughan-Spruce. “Mas o que eu fiz foi a coisa mais longe de ser prejudicial – eu estava exercendo minha liberdade de pensamento, minha liberdade de religião, dentro da privacidade de minha própria mente. Ninguém deve ser criminalizado por pensar e orar em um espaço público no Reino Unido”, disse a voluntária, após sua prisão por oração silenciosa.  

A medida da zona de censura introduzida pelas autoridades de Birmingham criminaliza os indivíduos considerados “envolvidos em qualquer ato de aprovação ou desaprovação ou tentativa de ato de aprovação ou desaprovação” em relação ao aborto, inclusive por “meios verbais ou escritos, oração ou aconselhamento”.

Segundo a ADF International, organização jurídica que atua no caso de Vaughan-Spruce, ela ficou perto da clínica de aborto enquanto estava fechada em três ocasiões, nas quais ela diz que “poderia” estar orando.

Na delegacia, Vaughan-Spruce viu fotos dela mesma do lado de fora da clínica de aborto. Ela disse que não conseguia se lembrar das fotos se estava orando nesses momentos específicos ou se foram tiradas em momentos em que ela estava distraída e pensava em outras coisas, como no almoço. Ela sustenta que todos os seus pensamentos eram igualmente pacíficos e imperceptíveis, e que nenhum deveria ser criminalizado.   

“A experiência de Isabel deve ser profundamente preocupante para todos aqueles que acreditam que vale a pena proteger nossos direitos fundamentais duramente conquistados. É realmente surpreendente que a lei tenha concedido às autoridades locais uma discrição tão ampla e irresponsável, que agora até pensamentos considerados ‘errados’ podem levar a uma prisão humilhante e a uma acusação criminal”, disse Jeremiah Igunnubole, consultor jurídico da ADF UK.

“Uma democracia madura deve ser capaz de diferenciar entre conduta criminosa e o exercício pacífico de direitos constitucionalmente protegidos. Isabel, uma mulher de bom caráter e que serviu incansavelmente sua comunidade, prestando assistência caritativa a mulheres e crianças vulneráveis, não foi tratada melhor do que uma criminosa violenta”, disse Igunnubole.

“O recente aumento na legislação e ordens de zona tampão é um divisor de águas em nosso país. Devemos nos perguntar se somos um país genuinamente democrático, empenhado em proteger o exercício pacífico do direito à liberdade de expressão. Corremos o sério risco de entrar como sonâmbulos em uma sociedade que aceita, normaliza e até promove a ‘tirania da maioria’”, continuou ele.

Para ser solta sob fiança, Vaughan-Spruce foi informada de que não deveria entrar em contato com um padre católico local que também estava envolvido em trabalho pró-vida – uma condição que mais tarde foi abandonada. A polícia também impôs restrições, como parte de sua fiança, ao envolvimento de Vaughan-Spruce em orações públicas fora da área do PSPO, afirmando que isso era necessário para evitar novos crimes.

Diretora da Marcha pela Vida no Reino Unido, há muitos anos Vaughan-Spruce é voluntária no apoio a mulheres em crises de gravidez. “Dediquei grande parte da minha vida a apoiar mulheres em gestações de crise com tudo o que elas precisam para fazer uma escolha empoderada pela maternidade. Também estou envolvida no apoio a mulheres que fizeram aborto e estão lutando contra as consequências disso. Eu me aproximei de muitas das mulheres que pude apoiar ao longo dos anos e parte meu coração saber que tantas outras passam por isso todos os dias”, explica Vaughan-Spruce.  

“Minha fé é uma parte central de quem eu sou, então, às vezes, eu fico de pé ou caminho perto de uma clínica de aborto e oro sobre esse assunto. Isso é algo que tenho feito praticamente todas as semanas nos últimos 20 anos da minha vida. Oro pelas minhas amigas que fizeram aborto e pelas mulheres que estão pensando em fazê-lo elas mesmas”, continuou ela.

Segundo a ADF International, a Westminster pondera nacionalizar zonas de censura à luz das preocupações com os direitos humanos. Isso porque em Westminster os parlamentares estão considerando uma legislação para introduzir zonas de censura na Inglaterra e no País de Gales.

O artigo 9º do Projeto de Lei de Ordem Pública, atualmente em debate parlamentar, proibiria os voluntários pró-vida de “influenciar”, “aconselhar”, “persuadir”, “informar”, “ocupar espaço” ou mesmo “exprimir opinião” nas proximidades de uma instalação de aborto. Quem descumprir as regras pode pegar até dois anos de prisão. 

Uma análise do governo de 2018 sobre o trabalho de voluntários pró-vida fora das instalações de aborto constatou que os casos de assédio são raros e a polícia já tem poderes para processar indivíduos envolvidos em tais atividades. Descobriu-se que as atividades mais comuns dos grupos pró-vida são orações silenciosas, ou oferecer panfletos sobre apoio de caridade disponível para mulheres que gostariam de considerar opções alternativas ao aborto.  

A 150 m, as zonas de censura nacional seriam maiores do que um campo de futebol (115 m). No espaço equivalente, se um goleiro orasse pelo outro goleiro – independentemente do impacto ou visibilidade – isso seria uma ofensa.

As disposições de censura do projeto de lei parlamentar atraíram críticas substantivas de membros da Câmara dos Lordes, incluindo o liberal-democrata Peer Lord Beith, que considerou a cláusula “a restrição mais profunda à liberdade de expressão que já vi em qualquer legislação do Reino Unido”.

Lord Farmer chamou a cláusula de “fundamentalmente falha” e perguntou: “Quando alguém passa, vê que as vigílias costumam ser pequenos grupos de aposentados inofensivos, principalmente mulheres. Por que eles deveriam ser banidos e silenciados?” 

A Cláusula causou grande controvérsia após uma declaração divulgada pelo Subsecretário de Estado Parlamentar logo após os MPs terem votado para incluí-la, admitindo que a cláusula “não poderia ser considerada compatível” com os direitos da Convenção protegidos no Tribunal Europeu de Direitos Humanos.  

A baronesa Claire Fox, que defende o aborto, apontou que “criar proibições de protestos questão a questão não é uma maneira apropriada de fazer leis. Estabelece um precedente que inevitavelmente levará a tentativas de impedir a fala, a expressão, o compartilhamento de informações, a reunião ou a manutenção de crenças protegidas em outros locais ou em relação a outras causas controversas ou impopulares”.  

(Missões Urgente)

Nota: Sem cartazes, sem placas, sem carro de som. Só orando MENTALMENTE. Essa é a mesma Inglaterra dos reavivamentos, do abolicionismo cristão, do metodismo? Só podemos imaginar o tipo de restrição e de punição que aguarda outras pessoas, por motivos também religiosos…

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Perguntas interativas da Lição: O processo do juízo

Nada está escondido de Deus. Ele não precisa realizar um processo de julgamento para conhecer a vida de cada pessoa. Mesmo assim, há um juízo em andamento agora, e “é necessário que todos nós compareçamos diante do tribunal de Cristo” (2Co 5:10). Esse juízo, portanto, não é por causa de Deus; é por causa de Suas criaturas, para que possam entender a perfeição dos juízos divinos. Didaticamente, esse juízo é desenvolvido em três fases: Investigativa (pré-milenial), Vindicativa (milenial) e Executiva (pós-milenial).

Perguntas para reflexão e discussão em grupo:

Leia João 3:18 e 5:24. Muitas pessoas acreditam que os cristãos não serão julgados. No entanto, eles também serão julgados, mas não condenados. Que diferença faz esse entendimento? Por que os cristãos não são condenados no juízo divino? (ver Rm 8:1; 1Jo 1:7)

Leia Tiago 2:14-17 e Apocalipse 20:12. Se a salvação se dá exclusivamente pela graça de Cristo, e não pelas obras humanas, por que as obras são consideradas no juízo? (R.: As obras praticadas – ou a negligência delas – são evidências externas se aceitamos ou não a graça salvadora de Cristo e se nos tornamos ou não Seus súditos.)

SOBRE O JUÍZO INVESTIGATIVO (ou pré-advento, ou pré-Milenar)

Leia Apocalipse 14:6, 7; 14:14-16; 20:12. Quais são as evidências de que o juízo de todas as pessoas acontece antes da volta de Jesus? (R.: O texto bíblico aponta o fato de que o juízo já começou [Ap 14:7]. Quando Jesus voltar, todos os casos já terão sido decididos antes, pois os nomes de todos os salvos estarão registrados no livro da vida, e os dos perdidos não.)

Como o conhecimento de um juízo no Céu antes da volta de Jesus deve impactar nossa maneira de viver?

SOBRE O JUÍZO VINDICATIVO (ou confirmativo, ou milenar)

Leia Apocalipse 20:5, 6; 1 Coríntios 6:2, 3. Se os casos de todas as pessoas já terão sido decididos antes da volta de Jesus, por que o juízo será revisto durante o Milênio? (R.: Deus não precisa dos livros de juízo; esses servem para que Suas criaturas vejam como Ele é justo. O juízo milenar tem o propósito de reivindicar o caráter de Deus em Seus julgamentos. Apenas confirmaremos o que já terá sido feito. Nada será mudado.)

O juízo milenar tem o objetivo de reivindicar o caráter justo de Deus para todas as Suas criaturas antes que aconteça o juízo executivo. Em outras palavras, ninguém será punido até que tenhamos visto antes a justiça divina. O que isso nos diz sobre a transparência do caráter de Deus?

SOBRE O JUÍZO EXECUTIVO (ou pós-milenar)

A tendência de muitos cristãos hoje é a de enxergar Deus apenas como um Pai amoroso e permissivo, incapaz de punir. Que exemplos temos na Bíblia de pessoas que sofreram juízos por causa de suas escolhas?

Em que sentido a destruição dos ímpios será “um ato de justiça e misericórdia da parte de Deus” (Ellen White, O Grande Conflito, p. 453)? (R.: A misericórdia de Deus não permitiria que eles sofressem pela eternidade. Além disso, pelas escolhas dos ímpios, eles seriam infelizes no ambiente puro e santo do Céu; a tristeza e a infelicidade não podem continuar existindo após a erradicação do pecado. Por Seu amor misericordioso, Deus decide que é melhor eles deixarem de existir do que sofrerem punição eterna ou sofrerem eternamente com a vida pura no Céu que terão rejeitado.)

O que devemos fazer para que o conceito de Juízo seja algo confortador e desejado?

(Pastor Natal Gardino, professor de Teologia no Instituto Adventista Paranaense)

Brancura = pureza. Ellen White racista?

Deixando de lado figuras importantes do século 19 verdadeiramente racistas, como Darwin, Marx e Kardec, alguns críticos insistem em atribuir a Ellen White algo que ela nunca defendeu: racismo

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A respeito do texto que os críticos de Ellen White andam divulgando,[*] no qual ela afirma que os salvos serão brancos como Jesus: ela está usando uma metáfora bíblica e muito comum em sua época: igualar pureza à brancura (mas não a da pele). Não dá para ignorar a primeira afirmação de que não haverá “color lines” (ou seja, não haverá nenhum tipo de separação ou classificação por cor da pele). Não faria nenhum sentido ela dizer isso e depois afirmar literalmente que o fenótipo dos salvos é branco. Sobre o fenótipo, ela disse: “Não é a cor da pele que estragará seu [do negro] registro [ou] que o Senhor fará um céu especial para os brancos e outro para os negros. Todos receberão sua recompensa de acordo com sua pureza de coração” (Carta 304, 1903). Repare que o critério não é a cor da pele, mas explicitamente a pureza de coração. O teor do texto é de igualdade racial. Em seguida, ela traz a metáfora “brancura = pureza”:

“Se Cristo torna a raça de cor pura e branca no sangue do Cordeiro, se Ele os veste com as vestes de Sua justiça, eles serão honrados no reino celestial tão verdadeiramente quanto o branco, e quando a face do Senhor Jesus resplandecer sobre o negro justo eles resplandecerão na mesmíssima tez que Cristo tem” (Carta 304, 1903). A palavra “tez” ou “compleição” (“complexion“, em inglês), de acordo com o Webster’s 1828 Dictionary, era “usada para denotar caráter” no século 19. É evidente que Ellen White transita do tema da cor da pele para o tema da pureza de caráter.

Então, usando a metáfora, ela afirma que os salvos terão o caráter puro (branco) no Céu. Mas, falando literalmente sobre a cor da pele, ela afirma: “Não direi se você será branco ou negro no céu. Eu sei que você será exatamente o que Deus quer que você seja” (Manuscrito 60, 1904).

Ainda na metáfora “branco = puro”, ela usa outra expressão muito comum na época: descrever a alma como branca (white soul). Essa era uma expressão que não tinha nenhuma conotação racista, mas estava fundamentada na metáfora bíblica de “brancura = pureza”. Como sabemos disso? Ele explica que a metáfora da “white soul” representa uma “alma pura”, “almas limpas e puras”, uma “alma lavada e embranquecida no sangue do Cordeiro” (Carta 304, 1903; Carta 165, 1899). Nada a ver com cor da pele.

A expressão “white soul” foi inclusive contrastada com a ideia de que ter uma pele branca era uma vantagem. Para Ellen White, era muito melhor ter uma “white soul” do que a pele branca. Certamente, essa é uma figura de linguagem e um jogo de palavras, já que ela não acreditava na existência de uma alma à parte do corpo.

Ellen White fez essa declaração para uma comunidade adventista em um colégio, encorajando os membros a superarem exatamente a separação racial na igreja. A declaração pode soar ambígua hoje, e existem várias maneiras de interpretar essa citação (o crítico sempre vai optar pela pior, evidentemente).

Diante do peso da evidência de que Ellen tratou o tema da igualdade racial de maneira explícita em centenas de outros textos, e diante da evidência de que era comum o uso metafórico da “brancura = caráter santificado” (refletindo uma metáfora bíblica), qual das opções parece ser mais provável?

Nota: Agora, um fato intrigante é que pessoas que tentam colar o rótulo de racista em Ellen White jamais se interessam em investigar o racismo real e o eurocentrismo de Darwin, Marx e Engels. Ficam garimpando uma palavrinha aqui e outra ali nos textos da autora, mas passam pano para um TEORIA que inegavelmente fez mal a alguns povos. Tem dúvida? Leia O Marxismo e a Questão Racial: Karl Marx e Friedrich Engels frente ao racismo e à escravidão, de Carlos Moore.

Outra informação frequentemente desconsiderada: “Assim, como organização física, os negros serão sempre os mesmos; como espíritos, trata-se, sem dúvida, de uma raça inferior, isto é, primitiva; são verdadeiras crianças às quais muito pouco se pode ensinar” (Allan Kardec, “Perfectibilidade da Raça Negra.” Revista Espírita, abril de 1862).

[*] “Remembering this, you will be able to bear the trials which you meet here. In heaven there will be no color line; for all will be as white as Christ Himself. Let us thank God that we can be members of the royal family” (Manuscript 27, 1901, par. 17; “Trust in God,” p. 20).

Nada novo debaixo do Sol

A ideia de reformular o evangelho a fim de torná-lo mais palatável pode até parecer atraente, mas fazê-lo significa negar o evangelho.

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Marcião foi um famoso herege do segundo século. Natural do Ponto (norte da moderna Turquia), ele acumulou considerável fortuna como comandante de navio até que, por volta do ano 135, se mudou para Roma, onde se uniu à igreja local. Em Roma, começou a se relacionar com pessoas que divergiam da visão tradicional da fé. Poucos anos depois, acabou sendo excluído da igreja.

Inteligente, rico e ambicioso, Marcião seguiu em frente com suas ideias. Viajou intensamente pelo mundo a fim de promover sua versão do cristianismo e conseguiu conquistar muitos adeptos. Suas igrejas eram populares, dinâmicas e inspiradoras, até que desapareceram na poeira da história.

Na raiz de tudo estava a crença de que o Deus do Antigo Testamento não era o mesmo Pai de Jesus e Deus do Novo Testamento. Marcião simplesmente não podia crer num Deus transcendente, santo e justo como Aquele que Se revelara, por exemplo, no Sinai. Ele se opunha à noção da justiça retributiva, a qual, segundo ele, não podia ser harmonizada com o amor demonstrado por Jesus em Seu ministério. Por isso, acabou rejeitando o AT e diversas partes do NT que não se ajustavam à sua teologia. Ele queria apenas um Deus de bondade, amor e misericórdia, mais nada. Queria um evangelho que confortasse o coração e fosse acolhedor, o que fez com que Marcião se tornasse antinomianista (contrário à lei), avesso a doutrinas e regras, e ao mesmo tempo idealista quanto ao pontencial humano. Para ele, lei e graça, justiça e amor se excluem mutuamente.

A visão tradicional da fé, portanto, não se sustentava e precisava ser corrigida – assim pensava ele. O amor e a compaixão de Jesus se tornaram uma espécie de princípio hermenêutico, o critério pelo qual Marcião avaliava tudo o mais, inclusive o próprio evangelho. Qualquer coisa que passasse disso era supérfluo, até ilegítimo.

Parece familiar? Bem disse o sábio: “Não há nada novo debaixo do sol” (Ec 1:9). A ideia de reformular o evangelho a fim de torná-lo mais palatável pode até parecer atraente, mas fazê-lo significa negar o evangelho. Se tão somente a morte substitutiva de Jesus na cruz recebesse a mesma ênfase que se dá à vida de Jesus, veríamos menos dessas distorções populares do evangelho.

(Dr. Wilson Paroschi, Instagram)

Concurso de estupidez: os passadores de pano do Kleber Lucas

Perguntas interativas da Lição: A cosmovisão bíblica

A cosmovisão bíblica a respeito da natureza humana protege os cristãos contra muitos enganos e equívocos. Entre vários benefícios, ela lhes dá a compreensão de que o corpo e a vida formam uma unidade indivisível e que, portanto, a “vida espiritual” deve abranger todos os aspectos da vida (trabalho, relacionamentos, estudos, lazer, etc.). Além disso, essa cosmovisão faz com que eles reconheçam que o corpo é templo do Espírito Santo, e que tudo o que fazem por meio do corpo influencia a vida espiritual (1Co 10:31).

Perguntas para reflexão e discussão em grupo:

Leia 1 Tessalonicenses 5:23. Pelo estudo integral das Escrituras, compreendemos que os termos “espírito”, “alma” e “corpo” se referem ao todo de uma unidade indivisível. Como essa compreensão nos ajuda a entender melhor a religião cristã e a importância do estilo de vida?

Leia Lucas 2:52. Como podemos nos desenvolver em todas essas áreas (física, mental, espiritual e social)? Qual é o problema de se tornar deficiente em uma delas?

Veja em Mateus 4:23 e 9:35 os três verbos que resumem o ministério terrestre de Jesus (pregação, cura e ensino). Sendo nós Seus discípulos e imitadores, como podemos, em nossa respectiva esfera de ação, reproduzir essas mesmas atividades em nosso dia a dia?

Como podemos fazer com que nossa “vida espiritual” envolva todos os aspectos da vida, e não apenas os momentos devocionais e “de igreja”?

Leia 1 Coríntios 6:19, 20 e 10:31. Por que o entendimento de que o corpo é templo do Espírito Santo é tão importante para nós, adventistas? De que modo esse conhecimento deve influenciar nosso estilo de vida?

Leia 1 Coríntios 2:16. O que significa ter “a mente de Cristo”? Em um mundo com tantas narrativas e ideologias, como podemos manter bem clara a cosmovisão cristã? (veja Rm 12:2; Cl 2:8)

Por que é necessário orar a cada manhã pedindo a direção do Espírito Santo? O que significa “estar aberto” à Sua influência?

Que diferença existe entre “preparar-se” para a segunda vinda de Jesus e “estar pronto” para esse grande dia?

A crença fundamental nº 10 dos adventistas do sétimo dia é conhecida como “A Experiência da Salvação”. Essa crença declara que, ao permanecermos em Jesus, nós nos tornamos “participantes da natureza divina e temos a certeza da salvação agora e no Juízo”. Como podemos ter a certeza de que estamos prontos para a volta de Cristo sem ser presunçosos ou arrogantes? Se recebemos Jesus como nosso Senhor e Salvador, fomos batizados, somos membros de Seu corpo, mas não temos essa certeza, então o que está errado e precisa ser resolvido urgentemente?

(Pastor Natal Gardino, professor de Teologia no Instituto Adventista Paranaense)

O hino “Alvo mais que a neve” é racista?

Nossas hipersensibilidades culturais devem ser abordadas com cuidado, mas não podem julgar nem invalidar a Palavra de Deus.

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A Teologia Negra, mais um modismo progressista importado com atraso dos Estados Unidos, chega aqui no Brasil repetindo os mesmos discursos de desconstrução que são feitos por lá desde os anos 1970. Lá já haviam problematizado o hino “Alvo mais que a neve”, a canção “White Christmas” (uma óbvia referência à neve do período do Natal) e outras músicas. É com base nessa hipersensibilidade que algumas pessoas estão sugerindo que cristãos parem de falar que “há poder no sangue de Jesus”, e denunciam o suposto incentivo à violência e ao militarismo nos hinos que apelam às figuras de soldados, exércitos, armas e sangue. E não importa avisar que uma das instituições evangélicas que mais fazem o bem neste mundo é o “Exército da Salvação”!

Há quem problematize a cruz e a doutrina da expiação como defesa da violência; e alguém até classificou a doutrina da expiação como “abuso infantil cósmico” de um Pai sanguinário sobre um Filho inocente.

Agora, chega ao Brasil, com anos de atraso, a problematização de um dos hinos mais queridos entre os protestantes e evangélicos: “Alvo mais que a neve”, cuja letra se baseia no Salmo 51 e em Isaías 1. O hino está sendo acusado de promover ideias racistas, como se o texto bíblico em que se fundamenta tivesse sido produzido como uma tentativa de incorporar os valores racistas de alguma sociedade branca dominante!

E não adianta explicar que, em Isaías, o contraste do branco não é com o preto, mas com a cor vermelha. Nem explicar que os dois textos falam de pecado, não de etnia ou cor da pele.

Recentemente, tentaram mudar a letra do hino “In Christ alone”, para remover uma referência à ira de Deus e não ofender as “novas gerações”. Sinceramente, me parece um curioso caso de combate à dominação pelo discurso através da… dominação pelo discurso!

Esse hino (e outros que fazem a mesma referência) tem sido cantado por séculos em congregações de irmãos negros sem nenhum problema. As pessoas sabem do que se trata. Elas sabem que a Bíblia não foi escrita pela Ku Klux Klan. Aliás, a “Slave Bible” (Bíblia utilizada por escravistas do século 19) é que editava textos e arrancava livros inteiros da Escritura.

De fato, existe racismo em nossa cultura, e ele pode transparecer em nossas produções, ainda que de maneira não intencional. No entanto, quando tudo é racismo, nada é racismo. Nossas hipersensibilidades culturais devem ser abordadas com cuidado, mas não podem julgar nem invalidar a Palavra para que o ser humano pecador nunca se sinta ofendido (a própria palavra “pecado” já ofende muita gente hoje…). Em vez de não cantar o texto sagrado, deveríamos meditar sobre ele e ensinar as pessoas do que se trata: a malignidade do pecado.

Racismo é pecado e heresia, e deve ser tratado como tal. E ninguém precisa pular ou editar o Salmo 51:7 e Isaías 1:18 para fazer isso.