A ferida de morte que atingiu o papado em 1798 foi curada em 1929?

Não podemos negligenciar as claras evidências de cumprimento profético, que nos mostram que estamos em pleno processo de cura.

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Comecemos por perguntar: O que aconteceu ao papado em 1798? Qual a “ferida” que o atingiu? Desde o século 6, o papado dispunha de um poder imenso junto às nações da velha Europa, lugar da sua sede e quase completa influência. Veja as evidências:

“O altivo pontífice também pretendia o poder de depor imperadores; e declarou que sentença alguma que pronunciasse poderia ser revogada por quem quer que fosse, mas era prerrogativa sua revogar as decisões de todos os outros.” Ellen White, O Grande Conflito, p. 57

“O papado se tornou o déspota do mundo. Reis e imperadores curvavam-se aos decretos do pontífice romano. O destino dos homens, tanto temporal como eterno, parecia estar sob seu domínio. […] Seu clero era honrado e liberalmente mantido. Nunca a Igreja de Roma atingiu maior dignidade, magnificência ou poder.” Ellen White, O Grande Conflito, p. 60

Portanto, vemos aqui que o domínio de Roma abrangia tudo: poderes religioso, secular, político, civil, militar (usando a força dos estados), etc., tudo estava sob a ordem do pontífice romano.

Então, algo mudou. Em fevereiro de 1798, o general francês Berthier entrou em Roma e, numa ação militar que durou poucos dias, prendeu o Papa Pio VI, proclamou uma república e – preste bem atenção! – retirou o poder temporal (secular, político, civil) do papado, cumprindo a profecia de Apocalipse 13:3: “Vi uma de suas cabeças como ferida de morte.”

A inspiração profética confirma esse cumprimento profético: “Nesta ocasião [1798] o papa foi aprisionado pelo exército francês, e o poder papal recebeu a chaga mortal.” Ellen White, O Grande Conflito, p. 439

Cessou aqui – melhor dizendo, interrompeu-se por algum tempo – o domínio absoluto, a despotismo e a tirania da Igreja Romana. Mas o mesmo versículo de Apocalipse que já lemos (13:3) continua dizendo: “E a sua chaga mortal foi curada”, o que indica que essa interrupção chegaria ao fim e o papado seria novamente restituído ao seu poderio anterior a 1798.

É justamente aqui que a maioria dos autores e comentadores adventistas chega a 1929. O que aconteceu nesse ano de significativo com o papado? Em 7 de junho de 1929, o reino da Itália e a Santa Sé ratificavam uma série de três tratados, assinados em 11 de fevereiro do mesmo ano, cujos documentos atestavam:

1. O reconhecimento total da soberania da Santa Sé no Estado do Vaticano.

2. Uma concordata regulando a posição da religião católica no Estado.

3. Uma convenção financeira acordando a liquidação definitiva das reivindicações da Santa Sé por suas perdas territoriais (estados pontifícios) e de propriedade.

Portanto, o que Roma (ou Santa Sé, Vaticano, papado) recuperou em 1929 foi – preste bem atenção! – território, poder religioso (não obrigatório, não vinculativo) e bens patrimoniais e financeiros. Assim, pergunta-se: Em 1929, Roma recuperou o poder temporal (secular, político, civil) que havia perdido em 1798? A resposta é não.

Então, de que é que Roma se recuperou em 1929? Pois bem, nessa data Roma se recuperou de outra ferida (permita-me o uso desse termo apenas para fazer paralelo) que tinha sofrido em 1870: no dia 20 de setembro, e após alguns anos de disputas políticas internas e europeias, o rei Victor Emanuel II (monarca do reino da Itália) anexou a cidade de Roma como parte do processo de unificação da península italiana, retirando assim a soberania papal sobre todos os territórios conhecidos como estados pontifícios ou papais. Resumindo: em 1929, Roma recuperou, sarou essencialmente a ferida que tinha sofrido em 1870 – os territórios físicos do seu domínio. Mas não houve recuperação nem sarar do seu poder temporal perdido em 1798.

Vejamos bem o que diz a Bíblia, no texto já citado: “Vi uma de suas cabeças como ferida de morte, e a sua chaga mortal foi curada; e toda a Terra se maravilhou após a besta.” Apocalipse 13:3

Portanto, o oráculo profético de Patmos indica que depois de a ferida de morte (sofrida em 1798) ser curada, toda a Terra se maravilhará após (ou diante, ou com) a besta (papado romano). Perguntamos: A Terra toda se maravilhou com a besta após 1929 e até agora? Não, claro que não – a história mostra isso, todos o sabemos! Então, por dedução lógica, isso quer dizer e confirma que a ferida de morte sofrida em 1798 não foi curada naquela data.

Mas você pode estar pensando: “Então, será que a ferida papal de 1798 já foi curada? Se sim, quando foi? Se não, quando será?” Veja como Ellen White comenta esse momento em que, de fato, toda a Terra se maravilhará após a besta, ato contínuo à cura da ferida sofrida em 1798:

“A profecia do Capítulo 13 do Apocalipse declara que o poder representado pela besta de chifres semelhantes aos do cordeiro fará com que a ‘Terra e os que nela habitam’ adorem o papado, ali simbolizado pela besta ‘semelhante ao leopardo’. A besta de dois chifres dirá também ‘aos que habitam na Terra que façam uma imagem à besta’; e, ainda mais, mandará a todos, ‘pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e servos’, que recebam o ‘sinal da besta’. Apocalipse 13:11-16. Mostrou-se que os Estados Unidos são o poder representado pela besta de chifres semelhantes aos do cordeiro, e que esta profecia se cumprirá quando aquela nação impuser a observância do domingo, que Roma alega ser um reconhecimento especial de sua supremacia. Mas nessa homenagem ao papado os Estados Unidos não estarão sós. A influência de Roma nos países que uma vez já lhe reconheceram o domínio, está ainda longe de ser destruída. E a profecia prevê uma restauração de seu poder. ‘Vi uma de suas cabeças como ferida de morte, e a sua chaga mortal foi curada; e toda a Terra se maravilhou após a besta.’ Apocalipse 13:3. A aplicação da chaga mortal indica a queda do papado em 1798. Depois disto, diz o profeta: ‘A sua chaga mortal foi curada; e toda a Terra se maravilhou após a besta.’ Paulo declara expressamente que o homem do pecado perdurará até ao segundo advento. 2 Tessalonicenses 2:8. Até mesmo ao final do tempo prosseguirá com sua obra de engano. E diz o escritor do Apocalipse, referindo-se também ao papado: ‘Adoraram-na todos os que habitam sobre a Terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro da vida.’ Apocalipse 13:8. Tanto no Velho como no Novo Mundo o papado receberá homenagem pela honra prestada à instituição do domingo, que repousa unicamente na autoridade da Igreja de Roma.” Ellen White, O Grande Conflito, p. 579

Vemos que Ellen White relaciona diretamente a cura da ferida de 1798 com o reconhecimento do domingo como dia santo (que na verdade é o falso sábado) – será aqui que Roma recuperará totalmente o que perdeu em 1798: o poder temporal (secular, político, civil), agora associado ao religioso de que já dispõe. E isso será feito com uma importante e decisiva intervenção dos Estados Unidos da América, o que não sucedeu até ao dia de hoje.

Enquanto sabemos que isso está ainda no futuro, não podemos negligenciar as claras evidências de cumprimento profético, que nos mostram que estamos em pleno processo de cura. A cada dia vemos Roma reunir mais apoios e consensos em todos os níveis da sociedade, em todo o mundo. Longe vai o tempo em que a ferida sangrava e provocava grande sofrimento ao papado – isso foi estancado, tratado, cicatrizou bem e o paciente está quase pronto para voltar à vida ativa, sem limitações.

Fique atento e preparado! Pode acontecer a qualquer momento.

(Filipe Reis, O Tempo Final)