Os fãs da cultura pop

Coleção gibisFui nerd na adolescência. Tive uma coleção de milhares de HQs de super-heróis, era cinéfilo, adorava filmes de ficção científica e até produzia minhas próprias histórias em quadrinhos (texto e desenhos). Sou fruto da cultura pop e sei dos estragos que ela fez em mim, na minha mente, nas minhas emoções, durante a minha adolescência (isso que há 30 anos essa cultura era bem menos decadente). Quando me converti, entendi que precisava abandonar os filmes a que eu assistia, os quadrinhos de super-heróis que eu lia e as músicas tipo rock que eu ouvia. Precisei, com a ajuda de Deus, refinar meus gostos, minhas preferências, e adotar critérios bem definidos para o consumo da mídia. Hoje estamos passando a mão na cabeça dos jovens e dizendo que eles podem assistir a tudo o que quiserem, desde que extraiam dali conteúdos espirituais. Para essas pessoas mais fãs e geeks do que cristãos parece que o diabo não mais existe. Nada é ruim se te faz feliz! O que dizer de textos como Romanos 12:2, Filipenses 4:8 e Efésios 5:8 (para citar apenas três)? Deixe pra lá ou interprete-os ao seu bel-prazer. Aliás, assistindo a tantas séries e lendo tantos gibis, que tempo haverá para estudar a Bíblia, não é mesmo? E aí está a armadilha: sem tempo para a Bíblia, não se desenvolve uma cosmovisão bíblica; sem essa cosmovisão, fica fácil chamar ao mal de bem e ao bem de mal (Isaías 5:20). Antes, o que nos preocupava era termos uma geração meramente fã de Jesus, sem compromisso com Ele. Mas como tudo neste mundo sempre pode piorar, hoje estamos vendo surgir uma geração fá da cultura pop e meramente admiradora do “super-herói” Jesus. Uma geração que parece confundir o uso dos meios com a imersão nos conteúdos. Uma geração que adora pão e circo e se alimenta (quando o faz) de migalhas do Pão da Vida. Fala-se em “contextualização”, mas deixa-se de perceber que Jesus e os apóstolos, quando utilizaram esse recurso, estavam lutando por alcançar os incrédulos a partir da cultura deles e sem se demorar nos aspectos culturais que lhes eram familiares. Os pregadores usavam certos conteúdos apenas como “gancho” para atrair a atenção e levar a audiência à verdade que salva. Usar esse recurso para atrair a atenção de jovens cristãos e se demorar mais nos conteúdos da cultura pop do que na mensagem divina é, no mínimo, um contrassenso. Em lugar de tentar sacralizar conteúdos fúteis, ocultistas e/ou imorais, seria preferível admitir de uma vez que se é fã dessas coisas e assisti-las somente em casa, no escurinho da sala de estar, sem escancarar a aparência do mal. Algo feito apenas entre você e os anjos – sabe-se lá que anjos…

Michelson Borges

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A segunda vinda de Cristo será em 2018, pelo menos no cinema

a-segunda-vinda-de-cristoMisturando porções bíblicas com relatos ficcionais, ao estilo de “Deixados para Trás”, o filme “A Segunda Vinda de Cristo” deseja despertar o interessante das pessoas sobre as profecias dos fins dos tempos. Misturando presente, passado e futuro, semelhantemente ao Livro de Apocalipse, o longa fala sobre desastres naturais que vão se desenrolando sobre a Terra, resultando em um “efeito dominó” que mostra os animais e as pessoas morrendo, a fome e a peste se alastrando pelo planeta, quando um “salvador” surge no cenário político. A sobrevivência dos que ficaram na Terra é o ponto central da trama, que mostra como a fé em Deus separou os justos dos injustos. A personagem principal é a cientista Beatrix Cera (interpretada por Diana Angelson) que tem dificuldades em discernir as mensagens bíblicas apesar de ver o cumprimento diante de seus próprios olhos. O filme deveria ter estrear no Natal de 2017, mas por problemas de distribuição só chegará às telas nos EUA em março de 2018. Até o momento não há previsão de lançamento no Brasil.

(Gospel Prime)

Nota 1: A intenção pode até ser boa, mas se trata de mais um filme que mais confunde do que esclarece, reforçando a ideia de que as pessoas poderiam ter uma segunda chance após a volta de Jesus. Resumindo, trata-se de mais um filme para (1) distorcer os fatos e/ou (2) ridicularizar O FATO. [MB]

sandra-bullockNota 2: Sandra Bullock foi escalada para o papel principal de “Bird Box”, filme pós-apocalíptico da Netflix. A informação é do The Hollywood Reporter. O filme será baseado em um livro de Josh Malerman, passado em um futuro próximo, onde uma mãe (Bullock) e seus dois filhos tentam sobreviver a uma invasão alienígena letal. Ainda não há previsão para o lançamento. Como se pode ver, o clima apocalíptico e a ufologia continuam garantidos nas telonas e nas telinhas. E as pessoas cada vez mais dessensibilizadas para o verdadeiro fim. [MB]

França adota lei antiterrorista que facilita fechamento de locais de culto

macronO Parlamento francês aprovou definitivamente nesta quarta-feira um polêmico projeto de lei antiterrorista que facilita as operações de busca e o fechamento de locais de culto. O dispositivo legislativo visa a transpor para o Direito comum certas medidas do estado de emergência, estabelecido pelo antigo governo de François Hollande após os ataques de 13 de novembro de 2015 em Paris (130 mortes). O estado de emergência, que confere às autoridades poderes excepcionais, deveria ser temporário, mas foi estendido seis vezes, em razão dos ataques e das ameaças. Entre as disposições mais polêmicas, a lei prevê prisão domiciliar sem o controle prévio de um juiz, mas impõe a necessidade de um mandado judicial para realizar “buscas domiciliares”, que substituem formalmente as contestadas “buscas administrativas”. As possibilidades para as verificações de identidade também são ampliadas: são autorizadas “nos arredores das estações ferroviárias” (e não mais apenas dentro), bem como “dentro de um raio máximo de 20 quilômetros em torno de portos e aeroportos internacionais” mais sensíveis.

Os deputados já haviam aprovado na semana passada esse texto, que passará a ser válido a partir de 1º de novembro. Conforme as novas disposições, a autoridade administrativa, principalmente o prefeito, terá seus poderes ampliados em detrimento daquelas de um juiz.

De acordo com uma pesquisa publicada na semana passada pelo jornal Le Figaro, 57% dos franceses são a favor do projeto de lei.

A votação do texto nesta quarta-feira coincide com um discurso do presidente Emmanuel Macron sobre sua política de segurança diante de representantes das forças de ordem, durante o qual ele evocou os esforços que pretende fazer em termos de efetivos policiais e de inteligência.

Diante da ameaça terrorista, que “é prioridade absoluta, daremos os meios para que vocês sejam mais eficazes”, assegurou o mandatário às forças de ordem. O presidente também anunciou para dezembro um novo plano para a luta contra a radicalização, que incluirá uma “lista de terroristas” que serão alvos de uma vigilância específica. Macron detalhou ainda a criação de uma polícia local de segurança diária, uma de suas principais promessas de campanha na área da segurança.

De acordo com opositores à lei, especialmente a esquerda, o texto atenta contra a presunção de inocência e contra o respeito à privacidade. “Trata-se de uma regressão sem precedentes das nossas liberdades civis e das nossas liberdades individuais”, disse à AFP o advogado criminal Maître Emmanuel Daoud, membro da Federação Internacional dos Direitos Humanos (FIDH).

Já a direita e a extrema-direita criticam uma lei muito “suave”, de acordo com a presidente da Frente Nacional, Marine Le Pen, que julga o texto “prejudicial” e “um subestado de emergência”. A ex-ministra da Justiça Rachida Dati (direita) denunciou um texto “muito incompleto”, principalmente sobre a prevenção da radicalização.

Diante das críticas, o ministro do Interior Gérard Collomb defendeu “uma resposta duradoura a uma ameaça que se tornou durável”, promovendo um compromisso entre a necessidade de “sair de um estado de emergência por natureza privativo de uma série de liberdades” e a necessidade de “retornar à situação de antes do estado de emergência”.

O ex-primeiro-ministro socialista Manuel Valls, que se uniu à maioria presidencial, considerou o projeto de lei “equilibrado”, denunciando novamente o “discurso islâmico-esquerdista” da esquerda radical.

(O Globo)

Nota: Mais uma vez vemos a população de um país concordando com medidas autoritárias que podem até ameaçar suas liberdades individuais. Vimos algo semelhante nos Estados Unidos após os atentados do 11 de setembro. Quando a segurança está em jogo, o povo entrega até sua liberdade ao governo. O que vai acontecer na França é apenas um ensaio para algo maior que virá, dependendo apenas de algum grande evento como o prometido atentado terrorista no Vaticano, por exemplo. Aí a perseguição contra (todos) os “fundamentalistas” terá início. [MB]

Novela prega que transexualidade é evolução humana

vejaNo capítulo de sábado (14) de “A Força do Querer”, uma conversa entre Eugênio (Dan Stulbach) e Joyce (Maria Fernanda Cândido) lançou uma teoria a respeito da transexualidade. “Talvez faça parte da evolução humana”, diz o advogado. “Evolução?”, contesta a socialite. “É. A humanidade sempre destruiu barreiras para poder avançar. A gente venceu as barreiras impostas pela natureza. Quem sabe agora a gente não esteja vencendo as barreiras impostas pelo gênero?” O casal vive um dilema: aceitar ou não que o filho trans, Ivan (Carol Duarte), faça a retirada dos seios. Conservadora e preocupada com o status social do clã, Joyce não cede. Ela define a cirurgia pretendida por sua “ex-bonequinha Ivana” como “aberração”.

A trama da transexualidade ajudou “A Força do Querer” a atrair em certas noites quase dez milhões de telespectadores somente na região metropolitana de São Paulo, principal área de aferição de audiência da Kantar Ibope. O folhetim de Gloria Perez está com média de 35 pontos, a maior em quatro anos na faixa das 21h. Trata-se de um sucesso de público e crítica que há muito tempo não se via na teledramaturgia da Globo.

Tal êxito fez a revista Veja, que circula com 1,2 milhão de exemplares toda semana, dedicar a matéria de capa da edição [de semana passada] ao tema lançado por Ivan/Ivana. O texto cita o enredo bem-sucedido do trans da novela, comenta as questões médicas relacionadas à transexualidade (condição que atinge 0,5% da população; cerca de 1 milhão de pessoas no Brasil) e apresenta várias histórias de famílias com filhos transexuais.

Mais uma vez, a telenovela – gênero de entretenimento tão desprezado pela intelectualidade – prova seu poder de colaborar com a transformação social ao esclarecer um assunto polêmico por meio de um personagem popular. […]

(Terra)

Nota: As novelas vêm prestando um grande (des)serviço ao longo dos anos no sentido de promover valores anticristãos e conduzir o “rebanho” a costumes e ideologias perniciosos. No episódio mencionado acima parecem ter chegado à quintessência da mentira: a ideologia de gênero e a transexualidade constituem evolução humana, o que contraria frontalmente duas verdades bíblicas – o criacionismo e o casal heterossexual originalmente criado. Outro aspecto interessante dessa onda gayzista e impositora de uma cultura esquerdista e imoral é o efeito contrário: uma forte ação moralizante e um clamor por mudança. O bispo de Apucarana, dom Celso Antônio Marchiori, conclamou católicos e evangélicos a se unirem contra a rede Globo, que ele define como “um demônio dentro de casa” (confira). A revista Veja da semana passada (capa acima) se uniu ao coro midiático, ajudando ainda mais a promover a polarização. De qualquer forma e por todos os ângulos pode-se ver uma tendência que está de acordo com a descrição profética bíblica dos últimos dias: moral decadente, por um lado, e despertamento religioso ecumênico, por outro. [MB]

Os adventistas, os romeiros de Aparecida e a contextualização

adventistasQuando eu era católico, uma das experiências mais marcantes e significativas que tive foi representar Jesus em uma encenação da paixão de Cristo, durante a Semana Santa de 1990. Fazia pouco mais de um ano que eu estava estudando a Bíblia com um jovem adventista chamado Vanderlei. Eu ainda tinha o coração dividido, e aquela foi a minha última participação em um evento da Igreja Católica. Conto essa história com mais detalhes no vídeo “Minha História Eterna”, em meu canal no YouTube. O que quero destacar aqui, no entanto, é a atitude daquele jovem adventista quando lhe pedi que fotografasse a encenação, pois se tratava de um momento muito especial para mim. O Vanderlei aceitou meu pedido e a decisão dele me deixou positivamente impressionado. Em outras ocasiões ele também aceitou meu convite para participar de reuniões do grupo de jovens que eu liderava. O Vanderlei quebrou meus preconceitos e ajudou a preparar o caminho para a decisão que eu tomaria meses depois.

Por que conto essa história? Para mostrar como é importante construir pontes em lugar de erigir muros entre nós e as pessoas com quem queremos partilhar as boas-novas do evangelho. Desde que, nesse processo, princípios não sejam comprometidos, devemos sempre nos aproximar do nosso semelhante (na condição de pecadores somos mais semelhantes do que imaginamos) e procurar maneiras novas, às vezes diferentes, contextualizadas de cumprir a antiga comissão de Jesus.

Foi o que grupos de adventistas procuraram fazer no último feriado de 12 de outubro, data reservada para homenagear a santa católica Nossa Senhora de Aparecida. Como acontece todos os anos, milhares de romeiros se dirigem para o santuário localizado na cidade de Aparecida do Norte, em São Paulo. Alguns caminham a duras penas por muitos e muitos quilômetros numa peregrinação que pode durar vários dias. Há quem chegue à basílica em condições lastimáveis, até. O que fizeram os adventistas, afinal? Montaram tendas e ali ofereceram abrigo do sol, água aos romeiros sedentos e até massagem relaxante. Graças a essa atitude misericordiosa, puderam fazer contato com quase três mil pessoas, conversar com elas sobre saúde e outros assuntos e, depois, entregar um livro missionário para cada uma delas. Livros que foram invariavelmente aceitos de todo o coração e com muita gratidão.

O vídeo na página do Facebook oficial da Igreja Adventista no estado de São Paulo teve mais de três milhões de visualizações e as reportagens veiculadas pela TV Canção Nova e emissoras seculares tiveram grande repercussão.

Milhares de pessoas deixaram comentários elogiosos no Facebook da igreja, entre elas muitos católicos, espíritas e umbandistas. Segundo os organizadores da iniciativa, uma força-tarefa foi criada para dar prosseguimento a esses contatos e manter um diálogo com essas pessoas.

Infelizmente, houve também críticas farisaicas – não de pessoas “de fora”… Gente que parece ter se esquecido do conselho de Ellen White: “Unicamente os métodos de Cristo trarão verdadeiro êxito no aproximar-se do povo. O Salvador misturava-Se com os homens como uma pessoa que lhes desejava o bem. Manifestava simpatia por eles, ministrava-lhes às necessidades e granjeava-lhes a confiança. Ordenava então: ‘Segue-Me.’” (A Ciência do Bom Viver, p. 143).

Como se a solidariedade por si só não fosse uma grande ação destruidora de preconceitos e um exemplo de amor desinteressado como o de Jesus, é bom que fique claro que o “segue-me” não foi esquecido. A diferença é que, por ter sido precedida de misericórdia, a mensagem encontrou terreno mais receptivo.

Obviamente que aqueles romeiros sabem (ou pelo menos a maioria deve saber) que os adventistas não concordam com a adoração de imagens e que, portanto, não estavam ali na rodovia para apoiar a romaria. Estavam ali simplesmente porque queriam fazer o bem. Mais ou menos como os adventistas fazem em projetos como aquele que ficou conhecido como “Bálsamo”, que consiste em organizar grupos de irmãos para visitar os cemitérios no Dia de Finados a fim de distribuir folhetos e revistas que tratam da esperança da ressurreição. É claro que, com esse tipo de ação, os adventistas não estão apoiando a veneração aos mortos, as preces pelos falecidos, nem coisa semelhante (clique aqui e saiba por que). Estão apenas, mais uma vez, expressando solidariedade aos que sofrem e partilhando verdades bíblicas que trazem consolo.

Um último exemplo de oportunidade evangelística contextualizada que quero citar são as campanhas realizadas durante a chamada Semana Santa. Os adventistas não celebram essa data, mas levam em conta a predisposição natural das pessoas para a religiosidade, nessa época, e falam de Jesus, do plano da salvação e das promessas bíblicas quanto ao retorno do Mestre. Curiosamente, décadas atrás, quando esse projeto começou a ser posto em prática, críticos de plantão igualmente levantaram objeções. Hoje ninguém duvida de que se trate de um plano abençoado.

Contextualização e excessos

Já que falei em “contextualização”, é bom que se diga que, apesar de necessário e bem-vindo, esse esforço deve ter limites. Deus utilizou uma estátua para tornar Sua mensagem conhecida ao rei Nabucodonosor. Jesus contou uma parábola antibíblica (do rico e Lázaro) a fim de ilustrar um assunto mais profundo e importante. Paulo, no areópago em Atenas, citou pequenos trechos da literatura grega a fim de captar e manter o interesse dos que o ouviam. Mas note que em todos esses e em outros exemplos que poderiam ser aqui mencionados os pregadores e mesmo Deus não se demoram no elemento secular da história. O propósito sempre é conduzir as pessoas à salvação e a uma maior compreensão dos planos divinos.

Acredito que os adventistas que fizeram contato com os romeiros de certa forma imitaram a conduta evangelística de Paulo diante dos altares pagãos de Atenas, o que é bem diferente, por exemplo, de incentivar cristãos a assistirem séries de TV para tentar extrair dali eventuais e esparsos conteúdos cristãos. Eu sei, esse assunto dá “pano pra manga”. Por isso voltarei a ele oportunamente.

Oremos por aquelas milhares de pessoas que receberam livros missionários e o carinho dos adventistas, e oremos também para que cada vez mais nossa igreja se torne relevante e atuante, deixando na comunidade uma marca positiva que facilitará o processo de compartilharmos as verdades que nos são tão caras. Conteúdos que nos fizeram tão bem que não nos contentamos em guardar só para nós. Exatamente como o Vanderlei fez comigo há mais de duas décadas.

Michelson Borges

O feminismo radical lançou as sementes do atual momento transgênero

feminismoO movimento transgênero atual é o esforço mais recente para derrubar premissas sobre a vida humana que, na realidade, correspondem à verdade. Meu ensaio recente “Sex, Gender, and the Origin of the Culture Wars” (Sexo, gênero e a origem das guerras culturais) lança luz sobre as raízes intelectuais do movimento transgênero moderno, para que os cidadãos possam defender o bom senso contra as corrupções geradas por esse movimento. O transgenerismo significa, literalmente, “para além do gênero”. O nome reflete a ideia de que a sociedade “estrutura” o gênero de maneira arbitrária e injusta, dividindo as pessoas arbitrariamente entre as categorias “homem” e “mulher” e apresentando a todos uma maneira aceitável de se comportarem.

Os transgêneros resolveram superar as estruturas sociais, apontando a direção de uma nova sociedade em que os indivíduos possam fazer ou seguir seu próprio “gênero”. A sociedade, por sua vez, precisa tornar-se “pós-estrutural” e afirmar qualquer nova identidade que os indivíduos construam para si.

O movimento transgênero nasceu do projeto feminista radical lançado após a Segunda Guerra Mundial. A fundadora do feminismo radical foi a pensadora francesa Simone de Beauvoir, cujo livro O Segundo Sexo foi publicado nos EUA em 1953. Beauvoir abre seu livro indagando: “O que é uma mulher?” Sua resposta prepara o campo para o pensamento feminista subsequente: “Ninguém nasce mulher: torna-se mulher.” É a sociedade quem faz ou constrói a identidade da mulher, não a natureza ou Deus.

Essa identidade socialmente construída acabaria por ser chamada “gênero”. Se a sociedade parasse de enquadrar as meninas em papéis femininos artificiais, argumentam as feministas de segunda onda, as mulheres deixariam de agir como se fossem “o segundo sexo” e de se subordinar aos homens.

De acordo com essas feministas, o sexo, a biologia da pessoa e as características psicológicas estreitamente vinculadas a ela não devem moldar nossa identidade. O sexo ou “a biologia não é destino”, elas afirmam. As mulheres precisam emancipar-se de todas as limitações impostas pela biologia ou a sociedade.

O transgenerismo é um ramo que tem raízes feministas. Ele procura solapar a “socialização tradicional” de meninos em homens e meninas em mulheres, porque nega a base biológica da masculinidade e da feminilidade.

Mas foi a feminista radical Judith Butler quem primeiro estabeleceu o vínculo formal entre transgenerismo e feminismo. Defensora de longa data da ideia de que devemos transgredir o que a sociedade vê como sendo a realidade, Butler começou a defender o travestismo e o uso de roupas do sexo oposto. Mais tarde ela voltou sua atenção às possibilidades diversas dos estilos de vida transgêneros, que, para ela, poderiam desfazer as ideias de gênero predominantes.

Butler ficava impressionada com o modo como os queers “lutam para retrabalhar a normalidade” e postular “um futuro diferente para a própria normalidade”. A exposição a performances novas e estranhas “nos leva não apenas a questionar o que é real e o que é o ‘certo’”, ela disse, “como nos mostra que os modelos que regem as noções contemporâneas de realidade podem ser questionados e como novos modos de realidade podem ser instituídos”. Exatamente como as feministas esperavam.

As pessoas que se identificam como transgênero não desejam apenas ser toleradas. Querem que o público afirme essas performances de gênero como sendo admiráveis, sadias e autênticas. Segundo essa visão, a identidade da pessoa nunca é inteiramente real enquanto não for endossada pelas autoridades públicas e reconhecida como tal por nossos concidadãos. Vem daí a necessidade de, como atestam muitos relatos recentes na mídia, as escolas adaptarem seus currículos ou seus banheiros de modo a afirmar as identidades transgênero.

É claro que nenhuma feminista tinha o transgenerismo em mente quando o movimento feminista foi fundado. Mas é essa a ironia: a lógica feminista radical apresentada por Beauvoir encontra sua realização mais recente no movimento transgênero de 2017.

(The Daily Signal, via Gazeta do Povo)

Leia mais sobre feminismo aqui e aqui.

Sexualidade e questões de gênero. Proteja as crianças!

childrenO American College of Pediatricians exorta profissionais de saúde, educadores e legisladores a rejeitar as políticas que condicionam as crianças a aceitar como normal uma vida de representação química e cirúrgica do sexo oposto (confira). Confira algumas afirmações dessa associação de pediatras quanto à ideologia de gênero:

1. A sexualidade humana é um traço binário biológico objetivo: “XY” e “XX” marcadores genéticos de macho e fêmea, respectivamente, e não marcadores genéticos de um transtorno. A sexualidade humana é binária e o propósito óbvio é reprodução da espécie. Há transtornos do desenvolvimento sexual, como a feminização testicular e hiperplasia adrenal congênita, que são muito raros e identificados pela ciência como desvios da norma binária sexual e reconhecidos como transtornos do design humano. Pessoas com esses transtornos não constituem um terceiro sexo (“Clinical Guidelines for the Management of Disorders of Sex Development in Childhood.” Intersex Society of North America, March 25, 2006).

2. Ninguém nasce com um gênero, mas com um sexo biológico. Gênero (consciência de si como macho ou fêmea) é um conceito sociológico e psicológico, não biológico objetivo. Bebês não nascem com consciência deles mesmos como macho ou fêmea. Essa tomada de consciência se desenvolve com o tempo e pode ser desviada por percepções subjetivas da criança, por relacionamentos e experiências adversas da infância para adiante. As pessoas que se identificam como “me sinto como sendo do sexo oposto” ou “me sinto no meio, nem macho nem fêmea” não constituem um terceiro sexo. Elas permanecem homem biológico e mulher biológica (Zucker, Kenneth J. and Bradley Susan J. “Gender Identity and Psychosexual Disorders.” FOCUS: The Journal of Lifelong Learning in Psychiatry. Vol. III, nº 4, Fall 2005 [598-617]. Whitehead, Neil W. “Is Transsexuality biologically determined?” Triple Helix [UK], Autumn 2000, p. 6-8. http://www.mygenes.co.nz/transsexuality.htm; see also Whitehead, Neil W. “Twin Studies of Transsexuals [Reveals Discordance]” www.mygenes.co.nz/transs_stats.htm. Jeffreys, Sheila. Gender Hurts: A Feminist Analysis of the Politics of Transgenderism. Routledge, New York, 2014 [p. 1-35]).

3. A crença de que ele ou ela é algo que não é, revela um pensamento confuso. Quando um menino biologicamente saudável crê que ele é uma menina, ou quando uma menina biologicamente saudável crê que ela é um menino, existe um problema psicológico objetivo que está na mente dele ou dela, e não no corpo. Essas crianças sofrem de Disforia de Gênero, antes chamada de Transtorno de Identidade de Gênero, reconhecida como desordem mental e listada no CID-10 (Código Internacional das Doenças) sob o código F64.2 e no DMS-5. As teorias de aprendizagem psicodinâmica e social sobre a Disforia de Gênero nunca foram refutadas (American Psychiatric Association: Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, Fifth Edition, Arlington, VA, American Psychiatric Association, 2013 [451-459]. See page 455 re: rates of persistence of gender dysphoria).

4. A adolescência não é doença e hormônios bloqueadores da puberdade podem ser perigosos. Reversíveis ou não, os puberty-blocking hormones induzem a um estado de doença – a ausência da puberdade – e inibem o crescimento e a fertilidade em crianças biologicamente saudáveis anteriormente (Hembree, WC, et al. Endocrine treatment of transsexual persons: an Endocrine Society clinical practice guideline. J Clin Endocrinol Metab. 2009;94:3132-3154).

5. De acordo com o DSM-5 (o CID norteamericano), 98% dos meninos confusos quanto ao gênero e 88% das meninas com essa confusão eventualmente aceitam seu sexo biológico após atravessarem naturalmente a adolescência (American Psychiatric Association: Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, Fifth Edition, Arlington, VA, American Psychiatric Association, 2013 [451-459]. See page 455 re: rates of persistence of gender dysphoria).

6. Dar hormônios bloqueadores da puberdade a crianças com Disforia de Gênero na pré-adolescência requer o uso de cross-sex hormones (testosterona e estrogênio) mais tarde, na adolescência, para continuar o processo de representar o papel do sexo oposto. Tais crianças ficarão sem condições de conceber filhos mesmo com tecnologia reprodutiva artificial. Além disso, usando tais hormônios há risco de doença cardíaca, hipertensão arterial, derrame, diabetes, câncer, etc. (Moore, E., Wisniewski, & Dobs, A. “Endocrine treatment of transsexual people: A review of treatment regimens, outcomes, and adverse effects.” The Journal of Endocrinology & Metabolism, 2003; 88[9], p. 3467-3473. FDA Drug Safety Communication issued for Testosterone products accessed 3.20.16: www.fda.gov/Drugs/DrugSafety/PostmarketDrugSafetyInformationforPatientsandProviders/ucm161874.htm. World Health Organization Classification of Estrogen as a Class I Carcinogen: http://www.who.int/reproductivehealth/topics/ageing/cocs_hrt_statement.pdf Eyler AE, Pang SC, Clark A. LGBT assisted reproduction: current practice and future possibilities. LGBT Health 2014;1[3]:151-156).

7. Taxas de suicídio são cerca de 20 vezes maiores entre adultos que usam esses cross-sex hormones e se submetem à cirurgia para mudança sexual (reassignment surgery), mesmo na Suécia, um dos países com mais defensores do grupo LGBT (Dhejne, C, et.al. “Long-Term Follow-Up of Transsexual Persons Undergoing Sex Reassignment Surgery: Cohort Study in Sweden.” PLoS ONE, 2011; 6[2]. Affiliation: Department of Clinical Neuroscience, Division of Psychiatry, Karolinska Institutet, Stockholm, Sweden. Accessed 3.20.16 from http://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0016885).

8. É um abuso contra a criança condicioná-la a crer que a tentativa de mudança de sexo por meios químicos e cirúrgicos seja normal e saudável. Fazer isso em educação pública ou privada e em políticas públicas só confunde as crianças e os pais. Proteja as crianças!

Um dos autores dessas declarações é o Dr. Paul McHugh, distinto professor de Psiquiatria da Escola Médica Johns Hopkins e ex-chefe da Psiquiatria do Hospital Johns Hopkins.

(Cesar Vasconcellos de Souza é psiquiatra; www.doutorcesar.com.br)