Pastor adventista cubano refuta acusações contra a Igreja Adventista

Críticos se esforçam para emplacar a narrativa falsa de que a IASD teria apoiado a visão marxista/comunista dos revolucionários em Cuba

Revolução-Cubana

Certo grupo autointitulado adventista, mas que vive postando críticas à Igreja Adventista do Sétimo Dia (IASD) e se mostra alinhado às ideologias progressistas/marxistas/esquerdistas postou recentemente o seguinte texto nas redes sociais:

“Na relação entre a Igreja Adventista do Sétimo Dia e a Revolução Cubana, existem duas narrativas que foram esquecidas (ou negligenciadas) pela publicações adventistas: uma relativa ao início da revolução, em Sierra Maestra, e outra ao final, em Santa Clara. Em ambas as situações, os adventistas se solidarizaram com os ideais da revolução socialista, e ofereceram hospedagem, alimentação e primeiros-socorros aos combatentes. Entre os revolucionários, nas duas ocasiões, encontra-se a figura de Ernesto Che Guevara, uma das principais personalidades da Revolução Cubana, que, além de ser salvo pelos adventistas, desenvolveu uma aproximação respeitosa e amistosa com eles. Essas narrativas são evidências insuspeitas de que a crença adventista (ao menos entre os agricultores e a membresia leiga) não encontrou conflitos entre sua esperança e o ideal socialista em Cuba, a ponto de oferecer assistência clandestina aos revolucionários, arriscando as suas vidas e a de suas famílias.”

O texto é um claro esforço para emplacar a narrativa falsa de que a IASD teria apoiado a visão marxista/comunista dos revolucionários em Cuba. Já publiquei aqui no blog uma longa entrevista com o pastor adventista cubano Rolando de los Ríos (leia aqui), uma testemunha ocular dos fatos relacionados com a revolução protagonizada por figuras como Fidel Castro e Che Guevara. Do alto de seu “lugar de fala” (para usar a expressão modinha), o pastor Rolando contradiz mais essa tentativa desonesta de deturpar a imagem da IASD e a verdade dos fatos. Voltei a contatar o pastor e mostrei-lhe esse novo texto dos críticos da igreja. Leia a resposta breve e clara dele:

“Pastor Michelson, fala-se da ‘revolução socialista’ quando, realmente, não se dizia que era assim. A grande maioria do povo cubano (e entre eles os adventistas) simpatizava com os jovens rebeldes, capazes de lutar contra o governo ditatorial de Batista para estabelecer a democracia e o direito à propriedade privada, mas nunca se disse que a revolução era socialista ou comunista, até 1961, 1962. Posso assegurar-lhe isto, porque vivi essa realidade: o povo de Cuba foi enganado. A Igreja Adventista, como organização, nunca apoiou ou apoia o governo comunista.”

Funk gospel, rock gospel, pagode gospel, forró gospel, só falta o diabo gospel

Recentemente, o cantor Renato Max publicou dois vídeos falando sobre música gospel. Segundo ele, não tem problema você ouvir funk, axé, pagode, forró, rock, etc., desde que seja gospel. Ele afirmou ainda que Deus não tem um gênero musical. É isso mesmo? Qualquer gênero musical louva a Deus, é só colocar uma letra cristã? O que diz a Bíblia sobre a adoração? Há princípios bíblicos que condenam alguns gêneros musicais?

Vacinar ou não vacinar? Desabafo de uma bióloga

São dias difíceis. Deus nos conceda sabedoria e lábios amorosos para não pecar com as palavras, injuriando nossa igreja e seus membros.

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A prática da vacinação não tem qualquer contraindicação na Bíblia, nos escritos de Ellen White, tampouco por conta da saúde. Devemos lembrar que a IASD é uma igreja fundada por Deus. Os líderes são mantidos por Deus, e quem está em discordância Deus retira da obra. Antes de seguir com meus argumentos, precisamos nos lembrar de que a IASD nunca será babilônia. NUNCA! No livro Eventos Finais, página 43, a serva de Deus deixa bem clara a seguinte afirmação: “Deus tem na Terra uma igreja que está erguendo a lei pisada a pés, e apresentando aos homens o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. No mundo só existe uma igreja que presentemente se acha na brecha, tapando o muro e restaurando os lugares assolados.” ATENTEM TODOS PARA O ALERTA DA IRMÃ WHITE, NA SEQUÊNCIA DO MESMO TEXTO: “Sejam todos cuidadosos para não clamarem contra o único povo que está cumprindo a descrição dada do povo remanescente, que guarda os mandamentos de Deus e tem a fé em Jesus. […] Deus tem um povo distinto, uma igreja na Terra, inferior a nenhuma outra, mas a todas superior em suas facilidades para ensinar a verdade, para vindicar a Lei de Deus. Meu irmão, se estais ensinando que a Igreja Adventista do Sétimo Dia é Babilônia, estais errado” (Testemunhos Para Ministros, p. 50, 58, 59).

Dito isso, resta claríssimo que o posicionamento oficial da igreja JAMAIS será contrário aos ensinamentos bíblicos ou contra o espírito de profecia. Quando digo isso, não significa que pastores, cantores e outros não possam atuar por certo tempo em dissonância. Mas fica evidente que o próprio Deus é quem cuida de retirar as “maçãs podres” na hora certa. A irmã White continua: “Os homens poderão apresentar um ardil após o outro, e o inimigo procurará desviar as almas da verdade, mas todos os que creem que o Senhor tem falado por intermédio da irmã White, e lhe tem dado uma mensagem, estarão livres dos muitos enganos que surgirão nestes últimos dias (Mensagens Escolhidas, v. 3, p. 83, 84). Portanto, devemos ser cautelosos com as acusações que tecemos contra nossos irmãos e especialmente contra posicionamentos oficiais da igreja! O inimigo tem usado interpretações errôneas para fazer com que os membros da igreja pensem que a igreja apostatou, que já não é regida por Deus. Isso é perigoso! Tenho visto adventistas pregando teoria de Terra plana com argumentos supostamente de Ellen White! Jesus tenha misericórdia! Não vou entrar nesse assunto, pois já existe muito bom material da igreja refutando esse absurdo (veja aqui). Digo isso pois um texto fora do contexto é um pretexto para defender a ideologia que eu quiser.

Se entendemos que a IASD é regida por Deus, entendemos que ela JAMAIS irá orientar seus membros a tomar qualquer atitude pecaminosa ou em discordância com os preceitos divinos, muito menos que contrarie os escritos no espírito de profecia. Nossos líderes foram escolhidos por Deus, e mesmo sendo pecadores (como nós) são guiados por Deus para conduzir a IASD e repassar orientações. Nesse sentido, afinal qual é o posicionamento oficial da igreja em relação à vacinação? A declaração oficial da Igreja Adventista do Sétimo Dia em nível mundial a respeito de vacinação foi publicada originalmente no ano 2015 e pode ser lida, na íntegra, na área de declarações e documentos oficiais da organização. O material recomenda que os membros sejam vacinados. Veja o documento aqui. No início do texto, a declaração afirma que “a Igreja Adventista do Sétimo Dia dá forte ênfase à saúde e ao bem-estar. A ênfase adventista na saúde é baseada na revelação bíblica, nos escritos inspirados de Ellen G. White (cofundadora da Igreja) e na literatura científica revisada por pares. Assim sendo, encorajamos a imunização/vacinação responsável, e não temos nenhuma razão religiosa ou baseada na fé para não incentivar nossos seguidores a participar de forma responsável de programas de imunização preventiva e protetora”.

O diretor da área de Saúde da sede sul-americana adventista, o médico Rogério Gusmão, ressalta que a ciência das imunizações foi o maior avanço no controle de doenças e saúde pública que a humanidade conquistou. “Sem programa de imunizações teríamos milhares de mortos por essas doenças e muitas outras. Nosso índice de mortalidade infantil aumentaria assustadoramente, assim como as sequelas dessas doenças graves”, pondera. Gusmão lembra que historicamente sempre existiu resistência ao programa de vacinação e cita o que ocorreu no Rio de Janeiro na revolta da vacina, em novembro de 1904. Naquela época, a população se rebelou contra a vacina da varíola. “Passados mais de 110 anos, o que vemos hoje é, então, a erradicação da varíola, pois a maioria da população se vacinou. E, também, criou a barreira imunológica de grupo chamada de imunidade de rebanho, que protege, inclusive, os que discordam da vacinação e não se vacinam”, frisa.

Existem efeitos colaterais? SIM! Alguns deles são graves? SIM! cada corpo reage de um jeito. Temos visto que as vacinas de DNA podem implicar em problemas relacionados a alterações nos fatores de coagulação. COM RELAÇÃO AOS FATORES GRAVES, QUAL A PORCENTAGEM DE PESSOAS ACOMETIDAS? Os 242 casos de trombose ligados ao imunizante da AstraZeneca incluíram 49 mortes, em 28,5 milhões de doses da vacina administradas, ou seja, os casos graves da vacina da AstraZeneca têm uma incidência de 0,00087% e a taxa de morte é 20% sobre esse valor, ou seja, é muito raro. E a mortalidade da Covid-19? HOJE A TAXA DE MORTALIDADE É DE 2,9%. Isso é similar a outras vacinas. A taxa de efeitos graves é muito baixa e rara. Ou seja, a chance de morte por Covid é muito maior! Além do risco de morte e dos efeitos colaterais da Covid (trombose, perda de paladar e olfato, alterações de memória, infarto, problemas renais, etc.), o que temos visto são hospitais lotando por situações graves de pessoas que pegaram a Covid e estão com síndrome pós-covid.

Em estudo que avaliou dados de mais de 87 mil pacientes que tiveram a doença e cinco milhões de indivíduos saudáveis, sequelas do Sars-CoV-2 fizeram o primeiro grupo ter 59% maior probabilidade de falecer seis meses após o contato com a doença. Por isso no vídeo que eu gravei com o pastor Michelson Borges eu disse: se ficar o bicho come e se correr o bicho pega! Se você não se vacina e contrai a doença, a chance de morrer é de quase 3%. Se você não morrer durante esses 20 dias mais críticos, tem 59% de chance de morrer seis meses depois! Você acha que esse assunto é brincadeira? Se você se vacinar a chance de ter um problema grave é de 0,0008%! Não precisa ser um gênio da matemática para entender a diferença!

Eu verdadeiramente entendo o receio de muitos. Agora o que me deixa profundamente aborrecida é o fato de o povo de Deus, por FALTA DE CONHECIMENTO, estar criticando o posicionamento da IGREJA e de PROFISSIONAIS da ÁREA; profissionais adventistas, consagrados, que lidam com as mortes todos os dias. Tomar vacina ou não é uma decisão individual. Mas dizer que a vacina é “veneno papal”, tem relação com microchip, etc., trata-se de um erro colossal! Sabe o que é veneno satânico? Esse vírus, essa doença maldita! Ter esse vírus circulando no seu corpo, deturpando sua imunidade e afetando sua mente. Isso é o vírus que faz! A vacina é uma tentativa de fazer com que esse veneno satânico pare de circular. Então, irmãos, orem sobre o assunto e parem de criticar aqueles que preferem se arriscar 0,0008% para que o vírus não chegue até sua casa e mate alguém da sua família.

Trago ainda as seguintes reflexões: criticam as vacinas, mas moram nas cidades! Os vegetais estão repletos de agrotóxicos, comprovadamente relacionados à predisposição a câncer, autismo, etc. Toda vez que você come saladas ou frutas está ingerindo veneno! Está consumindo alimento transgênico que pode induzir mutações, doenças autoimunes, alergias alimentares, câncer, etc. Ah, mas eu como salada orgânica… Ainda que você more num sítio e plante seu alimento, se seu vizinho usa agrotóxico sua comida está afetada. Percebe que nossa vida está rodeada de veneno? Isso sem falar na poluição, radiação emitida pelas elevadas horas passadas nos celulares, etc. A lista é longa. Poderia ficar horas aqui falando sobre os perigos de estar vivo hoje! Apesar disso, entendo que enquanto vivermos neste mundo estaremos, de alguma forma, sendo contaminados pelas consequências da modernidade e do pecado. Entenda que sua vida depende da misericórdia de Deus!

Devemos, sim, fazer a nossa parte e minimizar o máximo possível os efeitos de tudo o que nos faz mal. As pestes nas cidades vão piorar! Isso é profético. Se você vive na cidades, seja coerente para com Deus e para com o próximo e não espalhe o vírus.

Duas opções coerentes para quem mora nas cidades: (1) tomar as vacinas regularmente; (2) não tomar as vacinas, mas permanecer em casa, manter total isolamento.

Ellen White explica perfeitamente no livro Vida no Campo que o ideal de Deus NUNCA foi que seu povo se estabelecesse nas cidades. O ideal é ter uma vida no campo o quanto antes (medida que deve ser tomada mediante oração).

Concluindo: “Os adventistas do sétimo dia foram postos no mundo como atalaias e portadores de luz. A eles foi confiada a última mensagem de advertência a um mundo a perecer. Sobre eles incide maravilhosa luz da Palavra de Deus. Confiou-se-lhes uma obra da mais solene importância: a proclamação da primeira, segunda e terceira mensagens angélicas. Nenhuma obra há de tão grande importância. Não devem eles permitir que nenhuma outra coisa lhes absorva a atenção” (Testemunhos Seletos, v. 3, p. 288). Precisamos estar vivos e com a nossa mente sã para proclamar com grande fervor que Cristo em breve virá! Que esse seja o nosso foco.

Relembrando tudo o que Ellen White fala, fica evidente que, se discordamos de algo que é orientado pela liderança da igreja, o erro estará em nossa interpretação. “Há muitos que dão sua própria interpretação àquilo que ouvem, fazendo com que o pensamento do orador pareça completamente diferente daquilo que ele se esforçou em apresentar. Alguns, ouvindo por meio de seus próprios preconceitos ou predisposições, entendem o assunto como desejam que seja — como melhor se harmoniza com seus propósitos — e assim o relatam. Seguindo os impulsos de um coração não santificado, levam para o mal aquilo que, corretamente compreendido, poderia ser instrumento de grande bem. Pessoas bem-intencionadas são frequentemente descuidosas e cometem erros graves e não é nada provável que outros a apresentem sob luz mais favorável. Alguém que não compreendeu claramente aquilo que o orador quis dizer repete uma observação ou afirmativa, dando-lhe seu próprio significado. Isso causa uma impressão sobre o ouvinte moldada de acordo com seus preconceitos e imaginações. Ele a refere a um terceiro, que por sua vez acrescenta um pouco mais e passa-a adiante. E antes que alguns deles estejam cientes do que estão fazendo, atendem ao propósito de Satanás em plantar as sementes da dúvida, do ciúme e da suspeita em muitas mentes” (Testemunhos para a Igreja, p. 661, 662).

Reforço: o posicionamento oficial da IASD é a favor da vacina. Não há críticas para os que não tomam. Que você pondere seus argumentos para com aqueles que optaram por seguir as orientações da Igreja, que é regida e guiada pelo próprio Deus.

São dias difíceis. Deus nos conceda sabedoria e lábios amorosos para não pecar com as palavras, injuriando nossa igreja e seus membros.

(Liziane Conrad Costa, bióloga, mestranda em Biociências e Saúde e colaboradora da revista Vida e Saúde, da CPB)

A realidade da IASD em Cuba: testemunho de um pastor

Perseguida pela ditadura, igreja teve sérias dificuldades para levar avante sua missão na ilha

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O pastor Rolando de los Ríos nasceu em Sancti Spíritus, Cuba, em 8 de agosto de 1947, em uma família adventista do sétimo dia. Recebeu a educação primária na Escola Elementar Adventista na década de 1950, antes do triunfo da revolução de Fidel Castro. “Cursei os primeiros anos de Teologia no seminário do Colégio das Antilhas da Igreja Adventista, de 1962 a 1966. Em fevereiro de 1967, o governo socialista de Fidel Castro assumiu definitivamente a instituição, expulsando o corpo discente”, recorda. A educação privada foi proibida em Cuba anos antes, de modo que era esperado que ocorresse uma ação.

Já nos Estados Unidos, e depois de ter servido em vários lugares e ocupado cargos na obra adventista, o pastor Rolando estudou na Andrews University, em Michigan, onde obteve o grau de mestre em Ministério Pastoral. Quanto à experiência ministerial, a partir de 1967, começou como ministro da igreja, em Cuba, até 1980, quando deixou o país. Nos Estados Unidos, serviu como pastor, administrador e evangelista. Hoje é pastor aposentado.

Nesta entrevista, concedida ao jornalista Michelson Borges, ele fala sobre sua infância em Cuba e sobre a situação vivida em seu país de origem.

Fale sobre sua infância em Cuba.

Venho de uma família de classe média trabalhadora. Meu pai tinha um pequeno negócio de selaria e trabalhava com peles na produção de cintos e bainhas para facões e facas. Foi assim que ele sustentou a família de cinco filhos com minha mãe. Participei do Clube de Desbravadores em minha igreja local, e desde muito jovem ocupei cargos na igreja. Sou adventista por nascimento e convicção. Minha vida de infância se desenvolveu como a de qualquer criança normal, participando de jogos infantis com meus vizinhos e amigos.

Como foi a educação escolar? Que tipo de conteúdo era ensinado? 

Minha educação primária foi em um ambiente cristão adventista. Mesmo no Seminário Adventista o lema era “educar a mão, a mente e o coração”. As disciplinas ministradas, além das bíblicas, foram ciências, artes, história, princípios cívicos, educação física, etc. Nos primeiros anos da revolução, estudei em escolas públicas que já estavam sob a direção do Departamento de Educação do Governo Revolucionário. Lá recebi doutrinação política como parte integrante da educação.

Entre 1959 e 1962, o comunismo não foi abertamente reconhecido. Fidel Castro disse à imprensa que sua revolução não era vermelha (comunista), mas que era “mais verde do que as palmas”, negando repetidamente que era comunista. Não sofri a pressão da doutrina marxista-leninista como minha filha, de apenas sete anos, sofreu nos anos 1970.

Durante os anos da ditadura de Fulgencio Batista, por princípios pacíficos de base cristã, minha família e a Igreja Adventista em geral permaneceram fora de toda atividade política, nem a favor nem contra. Devo admitir, porém, que um de meus tios paternos se envolveu na luta civil clandestina contra o governo de Batista, tendo sofrido fortes represálias. Dois de seus irmãos, de Nova York, ajudaram a causa da revolução levantando fundos para apoiar os rebeldes nas montanhas de Cuba. Tudo isso criou em mim, como na maioria dos cubanos no fim dos anos 1950, simpatia por Fidel Castro e sua revolução. Como demonstração dessa simpatia, na minha adolescência fiz parte das Brigadas de Alfabetização Conrado Benítez. Considerava que essa atividade não era contrária aos meus princípios cristãos por ajudar na educação do meu país.

Foram as crianças dessa época que receberam mais influência assim que a revolução foi declarada socialista. Desde a pré-escola, nas creches, as professoras mandavam as crianças de três e quatro anos fecharem os olhos e pedir a Deus que lhes enviasse doces. Quando abriam novamente os olhos e viam que suas mesas estavam vazias, ouviam as professoras dizer: “Deus não existe!” Depois diziam para elas novamente fecharem os olhos e pedir doces a Fidel. As professoras então aproveitavam o momento para depositar silenciosamente doces nas mesas e, assim, afirmar que Fidel Castro lhes havia dado o que Deus não deu. Desse modo, elas estavam preparando a mente infantil para o ateísmo pregado pela doutrina marxista.

Como era o país antes da revolução comunista?

É bem conhecido e registrado na história que Cuba era um país pequeno, mas desenvolvido durante os anos 1950. Muito antes de outros países latino-americanos, Cuba liderou os avanços tecnológicos. A ferrovia na ilha foi estabelecida bem antes do que em alguns dos países vizinhos, incluindo a própria Espanha. Sabe-se também que a televisão em cores teve seus primórdios em Cuba em 1958. O peso cubano era equivalente ao dólar dos Estados Unidos e, em meados dessa década, valia vários centavos a mais que a moeda americana.

Se citar alguns dados da minha própria cidade de origem, Sancti Spíritus, poderia dizer que por ser uma cidade relativamente pequena (cerca de 40 mil habitantes na década de 1950), teve grande desenvolvimento industrial e comercial. Contava com um grande número de empresas e indústrias, além de grande número de profissionais, médicos, advogados, professores, artesãos e comerciantes.

Na minha cidade existiam várias fábricas e indústrias que forneciam trabalho para grande parte da população: as fábricas de laticínios Nestlé e Nela, bem como a fábrica de conservas de fruta Libby’s. Também a La Mosa, outra fábrica que produzia as embalagens para as fábricas mencionadas acima.

No município de Sancti Spíritus havia quatro engenhos de açúcar com plantações de cana que abasteciam o consumo nacional, bem como exportação abundante. É importante lembrar que, desde então e até alguns anos depois, Cuba foi reconhecida como o principal exportador de açúcar do mundo. A cidade em que nasci era considerada uma das maiores produtoras leiteiras do país, daí o desenvolvimento de uma florescente indústria de couro, já que possuía vários curtumes e fábricas.

Meu pai, artesão de peles, sustentava a família sem luxos supérfluos, mas nunca íamos para a cama com o estômago vazio. Minha querida mãe, como dona de casa, preparava três refeições diárias para a família, fornecidas aos visitantes e vizinhos em abundância.  Não me lembro de nenhum de nós ter que andar descalço porque não tínhamos sapatos; éramos pobres, mas não miseráveis. Meus irmãos e eu tínhamos roupas suficientes para não ter que usar a mesma roupa todos os dias.

Quanto à realidade política, o fato de Fulgencio Batista ter chegado ao poder em 1952, dando um golpe de estado no presidente eleito constitucionalmente, Carlos Prío Socarras, criou grande descontentamento contra aquela ditadura. Embora o governo Batista fosse relativamente próspero economicamente, o problema social e político do país, bem como a forma como foi conduzido, resultou no surgimento da revolução.

Fale sobre o episódio em que o Colegio de las Antillas recebeu Che Guevara e seus homens.

Nos últimos dias de 1958, Ernesto Che Guevara comandou o ataque à cidade de Santa Clara, no centro da ilha, e a conquistou após descarrilar um trem blindado do governo de Batista carregado com suprimentos militares. O exército se protegeu nos prédios da Universidade Marta Abreu, em frente ao nosso campus, enquanto Che chegou com seus soldados à nossa escola e pediu comida para suas tropas. A administração forneceu o que eles precisavam. Não se pode negar que alguns professores da nossa escola simpatizavam com aqueles bravos jovens barbudos, capazes de desafiar a tirania de Fulgencio Batista.

Poucos meses depois do triunfo da revolução, o coro polifônico do Colegio de las Antillas apresentou um concerto no teatro principal da cidade de Santa Clara, e Che Guevara foi convidado para fazer o discurso de abertura. Ele disse então: “Alguns podem se surpreender que um comandante da revolução esteja aqui, mas é que entre os adventistas e a revolução existe uma velha amizade.” Em seguida, contou de quando, após o desembarque do iate Granma, no fim de 1956, os poucos expedicionários sobreviventes percorreram o matagal da montanha e chegaram, ao anoitecer, perto de uma humilde casa de camponeses onde pediram comida e ajuda. Ouvindo que dali saía a melodia de um hino cristão, e confiando que por serem religiosos os ajudariam, decidiram chegar sem medo de ser denunciados. Segundo Guevara, aquela família cuidava deles dividindo a comida, e ele, com forte crise de asma, recebeu uma camisa de um dos rapazes da casa. Então ele soube que era a única camisa que aquele jovem tinha.

Em seu livro Passagens da Guerra Revolucionária, Che incluiu a experiência daquela ocasião em que viu alguém andando por um caminho. Ao dar a ordem “Parem!”, viram que se tratava de “duas mulheres negras, de sobrenome Maya, adventistas de religião, e embora se opusessem a todo tipo de violência por causa de suas crenças religiosas, ainda assim nos ajudaram com tudo que foi necessário”.

Poucos meses depois do triunfo, o próprio Fidel Castro, acompanhado por vários de seus governantes, visitou o Colegio de las Antillas. Em seu discurso, elogiou a forma como funcionava a instituição, que incluía o trabalho físico dos alunos como parte do programa educacional, e disse: “A revolução estabelecerá muitas escolas como esta em Cuba.” 

O diretor e os professores de nossa escola não tinham como saber que alguns meses depois um representante revolucionário chegaria e declararia que a instituição havia sido tomada, passando para as mãos do governo. Pouco depois, na esteira da crise dos mísseis soviéticos na ilha, nossos professores estrangeiros foram presos. Cito o pastor Alfredo Aeschlimann, do Chile, por exemplo. Outros foram obrigados a deixar Cuba, como aconteceu com o então diretor, Dr. Walton Brown, do Brasil.

Nossa escola continuou a funcionar sob intervenção como um seminário religioso até fevereiro de 1967, quando o ministro da Educação, Armando Hart, ordenou que professores e alunos deixassem o campus imediatamente. Naquela época, Castro já havia declarado a revolução como socialista marxista-leninista. Muitos de nossos alunos foram expulsos de casa por suas famílias, devido à paixão política e à discriminação religiosa. Expulsos do lar, esses jovens saíram sem saber para onde ir.

O que você acha do comunismo em geral? Cuba é comunista?

Não me considero especialista em política, mas penso que bastaria ter vivido os primeiros 21 anos de socialismo/comunismo em meu país para poder emitir essa opinião. Lembro-me de quando visitei em Matanzas, Cuba, um dos poucos seminários que permaneceram de pé na ilha. Eu me perguntava o motivo da existência de um seminário teológico “perdoado” pelo governo castrista, quando o nosso, entre outros, havia ficado sido destruído. A resposta foi imediata quando vi uma pintura em exposição no saguão com o título: “El Cristo Guerrillero”. Lá estava o humilde Nazareno carregando um rifle no ombro.

O que eu acho do comunismo? É mais uma doutrina humana que promete tornar todos os cidadãos iguais – e isso é verdade, mas não explica em que nível: todos iguais na pobreza. Afinal, quem viveu por mais de seis décadas em Cuba, bem como na ex-União Soviética e nos países do Leste Europeu sabe que o comunismo é apenas uma teoria.  Enquanto a liderança e os governantes vivem em mansões luxuosas, com iates caros e mesas abundantes, o povo em geral sofre com a fome, a miséria, a falta de remédios e, acima de tudo, a falta de liberdade de expressão.

Enquanto milhares de médicos cubanos são enviados para outros países como “missionários” dos recursos médicos da revolução cubana, o povo nada tem. Basta olhar para o estado dos hospitais onde as pessoas têm que conviver com a falta de higiene e de medicamentos.

Penso que, na ausência de uma resposta mais abrangente, devo recordar a definição dada por um dos maiores estadistas do mundo, o primeiro-ministro inglês Winston Churchill: “Socialismo é a doutrina do fracasso, o credo da ignorância e a pregação da inveja. Seu defeito inerente é a distribuição igualitária da miséria.”

Como foi o início da obra adventista em Cuba?

A obra adventista do sétimo dia começou em Cuba nos primeiros anos do século 20, devido à chegada ao país de um casal de enfermeiros missionários.

Quando a Igreja foi instalada na ilha, quais eram exatamente as regras que o governo estabeleceu? Até que ponto o evangelismo foi permitido?

Como uma nação democrática recém-nascida, Cuba desfrutava de liberdade religiosa, com uma separação marcante entre igreja e Estado. Embora a religião mais popular, devido às raízes espanholas dos cubanos, fosse a católica, outras crenças religiosas podiam ser praticadas sem inconvenientes e também proselitismo gratuito.

A grande maioria dos soldados rebeldes que lutaram ao lado de Fidel Castro nas montanhas eram homens que acreditavam em Deus, de diferentes religiões. Vale a pena mencionar um mártir da revolução como José Antonio Echeverría, um jovem católico.  Mas quando Fidel declarou sua revolução socialista, começando no início dos anos 1960, os cristãos tiveram que enfrentar a antipatia e até a discriminação do governo.  Lembro-me de ter ouvido a frase de Karl Marx repetida muitas vezes: “A religião é o ópio do povo.” Por outro lado, na convocação em massa para ouvir Fidel Castro nos seus intermináveis ​​discursos, a bela melodia do nosso Hino Nacional foi partilhada com o Hino da Internacional Socialista, apelando ao proletariado. A última estrofe daquela canção do comunismo revela por si mesma seu descontentamento com tudo o que se chama religião: “Chega de salvadores supremos, nem César, nem burguês, nem Deus, para que nós mesmos façamos a nossa própria redenção.”

Em 1965, o governo criou a Unidade de Auxílio à Produção Militar (UMAP). Na realidade, era um campo de concentração para onde eram enviados todos aqueles que fossem considerados “males sociais”. Eram os jovens que o governo considerava inúteis ao exército. O Serviço Militar Obrigatório (SMO) acabava de ser criado. Os acampamentos da UMAP, estabelecidos na província de Camagüey, estavam cheios de jovens de crenças cristãs, entre os quais havia um número considerável de adventistas do sétimo dia, bem como outros crentes, católicos e evangélicos. O atual cardeal católico de Cuba estava entre eles. Outros indesejáveis ​​para o governo também foram enviados àqueles infames acampamentos para realizar trabalhos forçados nos canaviais: os homossexuais, ou todos aqueles que pareciam ao regime como tais. 

Se hoje você perguntar a um cubano com menos de 50 anos, ele lhe dirá que nada sabe sobre a existência da UMAP. O governo comunista de Cuba se encarregou de erradicar da história aqueles campos que se revelaram negativos em sua propaganda internacional a favor do regime, devido ao tratamento desumano praticado neles.

Nossos jovens adventistas sofreram profunda discriminação nas UMAPs. Basta um exemplo: um dos meus colegas estudantes do seminário, Manuel Molina, junto com outros dos nossos, foi forçado a trabalhar no corte da cana no sábado. Quando ele e seus companheiros recusaram, foram confinados na prisão e privados de qualquer alimento, como expressou o chefe militar, atribuindo a um ideólogo comunista a frase: “Quem não trabalha, também não deve comer.”

Depois de permanecerem nesse jejum forçado, sem ceder em seus princípios cristãos, receberam a visita de um alto funcionário de Havana que perguntou por que estavam na cela sem comida. Sabendo do porquê, perguntou se eles estavam recebendo água potável. Quando foi informado de que eles haviam recebido água, o líder sênior disse: “Parem com isso! Esses ‘cães’ não merecem nem mesmo receber água!”

Após o oitavo dia, eles foram levados para uma corrida em terra arada. Esse é um exercício militar usado para fazer os soldados perderem peso. No décimo dia, foram levados para a parte de trás do acampamento onde havia uma vala na qual seriam enterrados após serem fuzilados, se não abandonassem suas crenças religiosas. Havia um pelotão de fuzilamento pronto para cumprir a ordem. Para a surpresa desses soldados, aqueles jovens, desfalecidos e quase a ponto de desmaiar, disseram que estavam prontos para tudo, mas que não negariam sua fé em Cristo e obedeceriam aos Seus mandamentos. Por fim, ouviu-se a voz: “Preparar, apontar…”, mas, em vez de dizer: “Fogo!”, o oficial proferiu uma interjeição grosseira, acrescentando: “Com essa gente não há quem possa!”

Esses heróis contam que talvez o plano de atirar fosse apenas um meio de assustá-los; mas ainda era uma tremenda prova de fogo.

Quanto ao plano de evangelização em Cuba, desde o início do governo socialista, devo dizer que toda a atividade foi limitada dentro dos edifícios da igreja; a colportagem também foi proibida. Sempre fui evangelista, mas não fui nomeado em Cuba para esse cargo; era apenas pastor. Minhas atividades eram campanhas realizadas dentro do templo e nos dias permitidos pelo Estado; qualquer reunião no templo fora do horário estabelecido poderia ser considerada ilegal e o pastor teria que enfrentar as consequências. 

Os panfletos não podiam ser utilizados para a promoção das reuniões, e os convites eram então feitos pessoalmente a familiares e amigos, tendo a certeza de que essas pessoas não fossem filiadas ao Partido Comunista ou a outras organizações políticas do governo. Isso poderia ter consequências sérias também.

Como pastor da cidade de Camagüey, fui acusado de praticar ato de proselitismo, tentando atrair um jovem membro da União da Juventude Comunista (UJC). Fui convocado para entrevistas rigorosas em meio a ameaças. Agradeço a Deus por ter sido absolvido por falta de provas. A verdade é que não procurei aquele jovem, mas ele visitou minha igreja para me fazer perguntas, as quais respondi. Sempre enfatizei que respondia porque ele tinha vindo a mim e não eu ido a ele. Espero que esse jovem tenha sido sincero e aceitado Jesus como seu Salvador.

Havia liberdade para escolher a liderança da igreja no país?

Antes do governo de Fidel Castro nossa igreja em Cuba funcionava livremente como em outros países. Na década de 1960, mudanças foram feitas na organização de nossa igreja, dividindo o país em seis delegações, uma para cada província então existente, todas sob uma Associação Nacional. Isso manteve a unidade da igreja nacionalmente.  Durante o tempo em que trabalhei como pastor em Cuba, as nomeações dos oficiais das congregações eram feitas todos os anos, como no resto do mundo, porém, foram impostas mudanças de funções. Por exemplo, as igrejas não tinham tesoureiros, mas, sim, coletores. O único tesoureiro legal era o da delegação. No nível da igreja, havia apenas coletores que traziam dízimos e ofertas para o escritório da delegação, que era responsável por todas as despesas da congregação local. Periodicamente, nossa organização tinha que relatar ao governo todas as saídas e entradas econômicas, bem como os membros que foram adicionados e aqueles que haviam sido desligados, e o motivo. Talvez tenha sido uma maneira sutil de saber se alguns infiltrados nas congregações haviam sido descobertos. Oportunidade não faltou para que o Senhor nos indicasse a presença de alguns “Judas”, embora sempre tivéssemos cuidado ao lidar com eles.

A cada ano cada delegação realiza um congresso juvenil em que se encontram os jovens de toda a jurisdição da província. Essa atividade exigia uma permissão especial para a reunião no maior templo que tínhamos. A década de setenta foi, no meu tempo em Cuba, talvez a mais difícil. Na Delegação de Camagüey, o então presidente, pastor Nicolás Bence, certa vez aguardou até sexta-feira à tarde a autorização do Ministério do Interior para o registo de associações do fim de semana. Quando os membros das igrejas já haviam chegado depois de uma longa viagem, nosso presidente recebeu uma ordem arbitrária de que a reunião do congresso não fora permitida. Correndo riscos, a reunião de sexta-feira foi realizada, mas o pastor Bence anunciou tristemente que eles não poderiam mais voltar na manhã de sábado.

Quanto à nomeação dos dirigentes das organizações em âmbito nacional, estas foram realizadas, com licenças especiais, claro, de dois em dois anos, e depois de três em três.  Essas nomeações tinham que ser relatadas ao governo. Quanto ao respeito do governo pela pessoa do pastor, verdade seja dita que todos nós tínhamos que evitar fazer a coisa errada e ter muito cuidado para fazer a coisa certa. Um exemplo foi o pastor Rolando Morgado, que foi revistado em sua casa, pois se dizia que ele tinha material subversivo contra o governo comunista. Claro, eles só encontraram livros religiosos em sua biblioteca. No entanto, encontraram algo que virou motivo para acusá-lo: um antigo exemplar de uma revista Seleções; isso foi o suficiente para lhe garantir vários meses de trabalho forçado. 

Lembramos também quando dois de nossos pastores, Gustavo González e Fidel Paneque, foram comissionados para viajar à fazenda de um irmão da igreja que havia doado, da colheita de sua propriedade, cerca de 23 quilos de feijão preto. Esse produto seria usado para alimentar os participantes do congresso anual de jovens. Os pastores dividiram o fardo, que deveria ser autorizado pelo governo. Quando chegaram de trem à cidade de Camagüey, a polícia os esperava com sentença: meio ano de trabalhos forçados na reforma das ruas da cidade. Claro que o feijão desapareceu. Há que esclarecer que, nessa altura (e creio que ainda é assim), o cidadão não estava autorizado a transportar alimentos, o que era considerado clandestino.

A Igreja Adventista apoiou a revolução ou o governo? Se sim, conhecendo as consequências ou inocentemente?

Posso dar a resposta exata a essa pergunta com conhecimento de causa. A Igreja Adventista do Sétimo Dia nunca apoiou a revolução ou o governo comunista. Não descarto a possibilidade de que algum membro da igreja, pessoalmente, tenha feito isso, de uma forma ou de outra, mas nossa organização nunca o fez. Lembro-me da cidade de Matanzas, onde servi nos últimos anos como pastor, que o diretor do Departamento do Ministério do Interior, encarregado de igrejas, me repreendeu dizendo que os adventistas não cooperavam com o governo como as outras religiões, e que aquelas, sim, eram formadas por “verdadeiros cristãos”. Infelizmente, os cristãos em Cuba nem sempre estiveram unidos, em detrimento daqueles de nós que sempre defendemos nossos princípios.

A Igreja Adventista cubana alguma vez se opôs à Associação Geral? Chegou a ver a liderança mundial como uma espécie de “imperialismo”?

Minha resposta é categórica: a Igreja Adventista em Cuba nunca se opôs à Associação Geral de forma alguma. Quanto mais tempo a igreja vive em um ambiente opressor, mais adere à organização geral da igreja. Nem vimos nossa organização como “imperialista” porque está localizada nos Estados Unidos. Os adventistas do sétimo dia em Cuba nem mesmo viam os Estados Unidos com desprezo, nem nos sentimos autorizados a ver outros países da mesma forma. Acredito que os cristãos são, como Jesus disse, “o sal da terra”. Nossa missão deve ser de unidade e não o contrário.  Honestamente falando, acredito que a maioria dos cubanos, crentes ou não, não desprezam os Estados Unidos. Prova disso é que os milhões de cubanos que emigraram, de uma forma ou de outra, de Cuba, encontraram no país do norte uma casa e um futuro que não encontraram em sua própria pátria.

Como era a questão alimentar em face das restrições governamentais?

O ano de 1959, o primeiro do governo de Castro, foi muito próspero. Mas já em 1960 os alimentos começaram a escassear. As relações com os Estados Unidos ainda não haviam sido rompidas, mas, talvez devido à má gestão do governo desde o início, não era fácil conseguir alimentos básicos. Não há razão para acusar o chamado “embargo” pelas carências reinantes.

Lembro-me do período que passei em Sierra Maestra, na província oriental de Cuba, como alfabetizador. Eu sorria quando o velho dono da casa onde eu estava me dizia que gostaria que houvesse azeite de oliva novamente ali, em tamanha quantidade que se poderia tomar banho nele. Nossa dieta básica lá era banana-da-terra cozida.

À medida que a escassez aumentava e o Ministério do Comércio Interno atribuía a cada família uma caderneta de abastecimento alimentar, limitando o que podia ser retirado mensalmente dos armazéns, houve mais e mais dificuldades. Cuba sempre foi um país agrícola que produzia o que o povo consumia e muito mais. Agora o camponês era obrigado a vender seus produtos ao governo, ao preço que este decidia pagar.  Nunca houve motivo para que a cana-de-açúcar, produzida no país como em nenhum outro lugar, fosse distribuída por meio de racionamento.

Foi fácil guardar o sábado?

Não, nunca foi fácil em Cuba guardar o sábado durante o longo governo comunista de mais de seis décadas. Tem sido um grande teste de fé para os adventistas pedir a seus chefes que lhes permitam cobrir as horas de sábado em outros turnos durante a semana.  Acredito sinceramente que esse é um teste permanente para os fiéis de Deus em qualquer país e sistema político, mas você pode imaginar o que significa estar sob um sistema em que há apenas um chefe de trabalho: o governo? Se a Igreja Adventista guarda fielmente o sábado há mais de 60 anos, isso só pode ser explicado por meio de milagres.

Outro problema sério foi visto nas salas de aula. Até a sexta série não havia aula aos sábados, no entanto, quando nossos adolescentes iam para o ensino médio, não só era obrigatório o comparecimento, mas também os exames principais eram feitos naquele dia. Isso frustrava nossos jovens, que eram obrigados a repetir o mesmo curso todos os anos. No ensino superior, o caso era ainda pior, pois nossos jovens não poderiam ter cursos universitários, a menos que fizessem parte do Partido Comunista da Juventude (UJC) e, claro, frequentassem as aulas aos sábados. Durante os 21 anos que fiquei em Cuba, não ouvi dizer que um jovem adventista pudesse se formar em uma universidade.  Se bem me lembro, no fim dos anos 1960, o jovem Reinaldo Pelicié chegou bem perto. No dia do exame final, professores lhe colocaram o seguinte dilema: “Pelicié, você está para fazer seu último exame, mas tem que responder a esta pergunta: ‘Você ainda acredita em Deus?’ Quando ele respondeu afirmativamente, ali mesmo o direito ao exame lhe foi negado e ele jamais pôde ser médico como havia sonhado.

Admiro a visão dos líderes de nossas igrejas que, assim que essa dificuldade começou a ser apresentada, compensaram a falta de educação de nossos jovens criando um departamento de música para ensinar-lhes a tocar instrumentos musicais, em todo o país. Isso fez com que tivéssemos toda uma geração capaz de praticar música, tanto instrumental quanto cantada. Honremos a memória de homens como os professores Félix Spengler e David Carvajal, entre outros, que prestaram tão digno serviço.

Existe liberdade para evangelizar hoje?

Visto que o comunismo considera a religião um potencial inimigo ideológico, o proselitismo ou o exercício do evangelismo nunca foi abertamente permitido em Cuba.  Já na década de 1990, época que o governo designou como um “período especial” (sem mais apoio e recursos da extinta União Soviética), alguns evangelistas, como o pastor Alejandro Bullón, foram autorizados a apresentar campanhas públicas. Eu mesmo fui convidado, entre outros evangelistas, a liderar uma campanha multipartidária sob a direção do então presidente da Associação Geral Robert Folkenberg. Não temos dúvidas de que isso aconteceu por obra e graça de Deus. Foi a grande oportunidade para milhares de pessoas de conhecer Jesus. Num sistema comunista, em princípio ateu, quando isso acontece é porque se vê uma vantagem estratégica. Seja o que for, Deus Se manifestou.

Na Cuba comunista não houve liberdade, mas, às vezes, tolerância. No fundo, o Partido Comunista vê o cristão com a Bíblia nas mãos muito mais perigoso do que o inimigo com uma metralhadora. O religioso é seu inimigo ideológico mais temido.

A mídia é controlada lá?

Enquanto estive em Cuba, a internet não era conhecida. O único meio de comunicação que tínhamos para saber sobre nossos parentes no exterior era o telefone. Como não tínhamos nosso próprio telefone e as ligações eram extremamente caras para nosso baixo orçamento, podíamos fazê-lo uma ou duas vezes por ano por cerca de dez a quinze minutos cada vez. O outro meio mais utilizado eram as cartas, que demoravam dois ou três meses a chegar às nossas mãos. Atualmente, soubemos que as pessoas têm permissão para usar a internet em seus telefones celulares, desde que um parente de fora de Cuba possa pagar por eles. Quanto ao controle de uso, é claro que existe e temos provas disso em função dos incidentes ocorridos desde 11 de julho passado.

Os programas de rádio e televisão de nossa igreja nunca foram permitidos sob Fidel.  Embora o programa de rádio “La Voz de la Esperanza” tenha nascido em Havana em 1942 e fosse transmitido todos os domingos até os primeiros anos do governo comunista, foi suspenso e continua assim até hoje.

Quando você saiu de Cuba e por quê?

Quando me casei em 1969, a família de minha esposa já tinha planos de partir para os Estados Unidos. O pai da minha mulher, depois de trabalhar arduamente para construir o negócio da família, que consistia numa fábrica de tijolos e materiais de construção, teve que enfrentar a dor da intervenção do governo em tudo. A livre iniciativa não é permitida sob o regime comunista; tudo deve ser controlado pelo governo. Meu sogro, sendo pai de uma numerosa família de filhas, achou necessário sair em busca de um futuro para elas. De nossa parte, ficamos onze anos em Cuba esperando a oportunidade, quase impossível, de que algo acontecesse e nos encontrássemos novamente. Finalmente, conseguimos fazê-lo depois que deixamos Cuba, via Costa Rica, em meados da década de 1980. Quando tinha dez anos, nossa filha pôde abraçar seus avós e tias que não conhecia.

Por que o povo se rebelou agora, desafiando o regime?

Em 11 de julho, uma revolta massiva ocorreu em quase cinquenta cidades de Cuba – um evento sem precedentes. Em sua maioria jovens, aqueles que nasceram e foram criados sob o comunismo, sem armas nas mãos a não ser o despertar pela reivindicação de seus direitos à liberdade de expressão. Embora talvez a faísca que acendeu o pavio tenha sido a condição em que vive a nação diante da Covid-19, a falta de remédios e alimentos, o que tenho ouvido nas gravações de vídeo que esses mesmos manifestantes colocaram na internet, é que a razão é a falta de liberdade que sufoca os cubanos há muitos anos.  Agora vemos uma nova geração de jovens que não quer continuar vivendo como seus pais e avós. Eles reivindicam seus direitos de viver como os líderes de um país cujo conforto não passa mais despercebido pelo povo.

Cito as palavras de Abraham Lincoln: “É possível enganar todas as pessoas parte do tempo, ou enganar parte das pessoas o tempo todo, mas é impossível enganar todas as pessoas o tempo todo.”

Suas últimas palavras.

Por favor, elevem a Deus suas orações pelo povo cubano. Exorto-vos também a orar pelo vosso próprio povo, seja ele qual for, para que desfrute por mais tempo de um dom inestimável como a liberdade de sentir, pensar, falar e acreditar.

Você não precisa ter um conhecimento profundo da Bíblia ou de religião para perceber que o mundo está passando pela fase mais difícil e preocupante da história. Tanto física, quanto moral, política e religiosamente, tudo indica que chegamos a um ponto sem volta. Em breve será estabelecido o único governo perfeito cujo governante guiará Seu povo pelos caminhos da justiça em direção a um futuro de felicidade e estabilidade eternas. Estou esperando por aquele país cujo presidente é Jesus Cristo.

(Colaborou: pastor Francis Giovanella)

Perguntas interativas da Lição: o custo do descanso

A vergonhosa história do adultério de Davi, seguido de um assassinato, e a descrição das terríveis consequências advindas disso são um exemplo de quanta tragédia podemos causar buscando descanso fora de Deus. Mas essa mesma história é também um exemplo de como Deus está disposto a nos perdoar e a nos dar o verdadeiro descanso, preenchendo o nosso coração com esperança, apesar das consequências causadas pelas escolhas erradas.

Perguntas interativas para discussão em grupo:

Para quem não conhece a história de Davi e Bate-Seba, e como ele cometeu um crime horrível para tentar encobrir outro, leia 2 Samuel 11:1-27. Em sua opinião, por que essa parte da história da Davi, apesar de ser tão vergonhosa, está também registrada na Escrituras? (Compare com a história de Paulo em 1 Timóteo 1:12-16.)

É difícil entender como Davi, um homem a quem Deus havia honrado tanto, cometeu crimes tão grotescos. Não importa quem sejamos ou quanto já tenhamos sido abençoados, que lição aprendemos com essa história?

Por que o profeta Natã preferiu contar uma história alegórica ao rei (2Sm 12:1-14) em vez de lhe falar “na cara” sobre a gravidade de seu pecado?

Leia 2 Samuel 12:13. Se Deus perdoou Davi no mesmo instante em que ele reconheceu sua condição, por que ele ainda teria que sofrer as consequências de seus vergonhosos atos (12:10-14)?*

O Salmo 51 foi escrito pelo rei Davi logo após o reconhecimento de seu pecado. Que elementos desse salmo demonstram que o arrependimento foi verdadeiro? Como esse mesmo salmo pode nos dar forças quando também erramos e reconhecemos nosso erro?

Leia Salmo 51:11, 12. Por que Davi sentia agora a necessidade do Espírito Santo? O que significa a expressão “restitua-me a alegria da salvação”? Como podemos experimentar essa alegria?

Leia agora o verso 13. Qual é a relação entre a conversão verdadeira e o evangelismo?

Como podemos aplicar as promessas de João 1:9 à nossa vida?

NOTA:

Ao ler esses textos difíceis como 2 Samuel 12:10-14 sob a nossa ótica – sem o conhecimento da cultura e da literatura do Antigo Testamento –, é fácil considerar Deus como um tirano que “causa” os males que sobrevêm a Davi, a seus familiares e ao seu reino. Portanto, é importante enfatizar aqui que, no modo de pensar hebraico, Deus é o responsável não apenas pelo que Ele faz, mas também pelo que Ele permite que aconteça. Ele poderia “blindar” os Seus para que nunca sofressem nada, nem mesmo as consequências naturais de suas escolhas. Mas esse não é o modo de Deus agir no grande conflito entre o bem e o mal, para que todas as testemunhas, visíveis e invisíveis, possam compreender como o pecado é terrível. Muitas vezes, Ele permite que as pessoas simplesmente colham o que plantaram (Gl 6:7). É nesse sentido que, por exemplo, Deus diz que “trará o mal” sobre o povo de Judá quando, de fato, Ele simplesmente não os protegeria contra os cruéis ataques das nações invasoras (2Rs 22:16; 2Cr 34:24; Jr 6:19; 11:11; etc.). Há muitos outros exemplos como esses em todas as Escrituras.

Os acusadores da Bíblia, sem esse conhecimento, usam textos como 2 Samuel 12:10-14 para argumentar que o próprio Deus teria causado a morte do bebê de Bate-Seba e o abuso das mulheres do harém real. No entanto, entendemos que nesse texto Deus está prevendo as consequências naturais das escolhas erradas de Davi, nas quais Ele não poderia interferir, de acordo com a Justiça. Temos que confiar que Deus não pode, jamais, cometer injustiça, pois isso vai contra a Sua própria natureza (Dt 32:4; Rm 3:5,6; 9:14).

Uma das evidências de que Deus não “pune” os inocentes por causa dos erros dos outros é o fato de que Deus escolheu, dentre vários outros filhos de Davi, Salomão, o segundo filho de Bate-Seba, para ser o rei de Israel e ascendente do Messias.

(Natal Gardino é doutor em Ministério pela Andrews University e pastor distrital em Londrina, PR)

Lição do Jardim: Ester salva seu povo

Lição dos Adolescentes: Jesus esclarece Sua verdadeira missão

Adventistas apoiaram a revolução cubana?

Há perseguição religiosa em Cuba ou é apenas uma “narrativa imperialista estadunidense”? Este texto analisa o tema a partir da Revolução Cubana até hoje.

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Certamente, muitos adventistas viram na revolução uma “libertação redentora”[1] da ditadura de Fulgencio Batista. Há relatos de que muitos adventistas celebraram a vitória da revolução e ficaram entusiasmados com o início do novo governo. Mas logo começaram as restrições, desapropriações, perseguições e prisões,[2] e eles perceberam que a velha ditadura tinha sido substituída por outra.

Argelio Rosabal foi um adventista que ajudou Che Guevara logo após os revolucionários chegarem a Cuba no barco Granma. Rosabal lhe deu roupas e cuidou de sua saúde (Che sofria ataques de asma). Nas palavras do próprio Che Guevara: “Estávamos na casa de um adventista chamado Argelio Rosabal, que todos conheciam como El Pastor. Esse camarada, ao ouvir a infeliz notícia, rapidamente fez contato com outro camponês, que conhecia muito bem a região e que disse simpatizar com os rebeldes.”[3] Rosabal foi o primeiro camponês a ajudar as forças revolucionárias.

Che Guevara também utilizou o Colégio Adventista de las Antillas como ponto de apoio numa batalha decisiva, mas, nesse caso, os adventistas não tiveram a opção de não colaborar. Apesar disso, Che sabia que os adventistas não participariam de uma luta armada nem de sua política.[4] Che desenvolveu respeito pelos adventistas por causa dessas experiências,[5] e isso foi vantajoso para os adventistas, pelo menos no início da revolução.

Porém, ainda que os adventistas tenham obtido alguma vantagem temporária por causa da gratidão de Che Guevara, a realidade é que o governo revolucionário perseguiu violentamente crentes de várias religiões, inclusive adventistas. Segundo Jeff King, presidente da International Christian Concern, o discurso inicial de Castro para os crentes era algo como: “‘Olha, você não precisa se preocupar conosco, os comunistas. Vamos criar uma utopia juntos. Somos seus amigos, etc.’ Assim que ele conseguiu o poder, você sabe o que aconteceu. Ele fez o que os marxistas sempre fazem. E o martelo desceu, e ele começou a prender, torturar e matar pastores.”[6]

Após um início de governo aparentemente amistoso com as religiões, a situação mudou rapidamente: “A existência de um conflito ideológico latente, produzido a partir da aceitação de padrões ateístas nas organizações estatais e partidárias, provocou múltiplas polêmicas, questão que se intensificou a partir de março de 1963, quando o Comandante Fidel criticou a atitude de um grupo de igrejas que fazia proselitismo no campo, entre eles os pentecostais, o Partido Evangélico Gideão, os adventistas do sétimo dia e as testemunhas de Jeová. Essas denominações entraram em conflito com o Estado por um conjunto de fatores que, juntos, apareceram como elementos negativos ao processo revolucionário e passíveis de ser utilizados pelo imperialismo: sua alienação da política, seu conformismo arraigado, seu profundo espírito de proselitismo, a rejeição do trabalho voluntário e da participação em organizações armadas como as milícias, além do fato de alguns considerarem o sábado como um dia de adoração a Deus e no qual não se podia trabalhar, sem desconsiderar as atitudes contrarrevolucionárias de alguns de seus fiéis.”[7]

A face antirreligiosa da revolução não demorou a aparecer, e ela pode ser ilustrada com a história da família Rosabal, que havia ajudado Che Guevara. Há evidências de que Argelio Rosabal recebeu o apelido de “pastor” do próprio Che Guevara. Sua esposa cozinhou para Fidel na Sierra Maestra, e como reconhecimento pela ajuda recebida, o governo revolucionário deu uma casa à família.[8]

Ironicamente, o filho de Argelio Rosabal, Omar Rosabal, adventista, casado, pai de cinco filhos, foi falsamente acusado de agenciar prostitutas, condenado a oito anos de prisão (depois de apelação, pois a previsão era de 20 anos de prisão!). O governo expulsou sua família de casa, agrediu mulheres, inclusive sua filha de 13 anos, retirada de casa à força, nua (ela acabou hospitalizada e desenvolveu pensamentos suicidas).[9] Além disso, destruíram o túmulo de Argelio Rosabal, que havia ajudado Che Guevara na revolução.[10]

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As testemunhas posteriormente teriam admitido que deram falso testemunho porque foram ameaçadas pela polícia,[11] e testemunhas de defesa também foram presas.[12] O irmão de Argelio, Onésimo Rosabal, também foi condenado a um ano de prisão, mas que poderia ser substituído por um ano de trabalho forçado.[13]

Omar Rosabal foi considerado preso político, e houve uma mobilização internacional para que ele fosse liberto. O caso foi analisado por um grupo de trabalho na Comissão de Direitos Humanos da ONU,[14] que considerou a prisão como “arbitrária”, e uma violação dos artigos 9, 10 e 11 da Declaração Universal dos Direitos Humanos.[15] Omar foi solto em dezembro de 2019, mas, segundo testemunho de familiares, continua sendo monitorado e ameaçado. Seu irmão, Argelio R. Sotomayor, lamenta por “todos aqueles que, cegamente, involuntariamente e obedecendo a esse medo que inocularam em nosso sangue, continuam a defender o sistema que os mata com miséria e fome, e continuam a gritar ‘Viva Fidel’”.

Foi assim que a família adventista que ajudou Che Guevara foi tratada pelos revolucionários. Assim, a “gratidão” inicial de Che Guevara se transformou em ingratidão revolucionária. O filho do senhor Rosabal, Argelio R. Sotomayor, assim se manifestou a respeito da revolução:

“Todos os cubanos devem estar cientes dos abusos e das torturas de que tantos cubanos foram vítimas, pelo único crime de pensar diferente e não querer para Cuba aquele regime vergonhoso e letal que trouxe tanto sofrimento e morte à ilha e ao mundo: o castrocomunismo. Tenho vergonha de meu pai ter sido o primeiro camponês a ajudar aquele bando de aventureiros cujo único objetivo era tirar do poder a ditadura de Batista para implantar sua própria ditadura, aquela que há mais de 60 anos sujeita os cubanos, oprimindo-os, aprisionando-os, privando-os de liberdade e direitos fundamentais.

“É claro que nunca passou pela cabeça do meu pai que o movimento que estava em suas mãos degeneraria no monstro sangrento que se tornou o que se chamou de Revolução, e ele foi enganado como tantos milhões de cubanos, dos quais apenas uma parte tivemos a oportunidade de abrir os olhos e ver a realidade.

“Se alguma vez acreditei que ser contrarrevolucionário era uma ofensa, hoje, depois de 62 anos de miséria e fome, repressão e prisão, creio que constitui o maior orgulho de qualquer cubano, eu o primeiro.

“Se José Martí, nosso herói nacional, pudesse ver em que uma gangue de criminosos, mafiosos e burgueses transformaram Cuba, seria o primeiro a pegar no facão e se jogar de novo no mato.

“Nós, cubanos, somos um só povo, embora eles tenham tentado nos dividir em bons e maus, em revolucionários e vermes, em patriotas e mercenários, em leais e traidores.

“É uma grande realidade, e é que todos queremos um país livre, soberano, democrático e próspero, com todos, dentro e fora; que só há um inimigo que impede de atingir esse objetivo: a ditadura comunista castrista liderada por um grupo de octogenários burgueses.

“Mas esse regime ditatorial está com os dias contados, apesar de sua ostentação e do abuso da força; porque não há nada nem ninguém que possa impedir o desejo de um povo decidido a ser livre. E isso acontecerá no mesmo dia em que todos os cubanos, de dentro e de fora, se unam e saiam às ruas de Cuba e de todos os países do mundo onde estamos, para exigir o fim da ditadura, a formação de um governo provisório, a convocação de eleições livres e constituição por sufrágio livre e universal de um governo decente e democrático.”[16]

No início do governo revolucionário, “houve entusiasmo e esperança para a maioria das pessoas, ‘uma lua de mel’”.[17] Mas a tendência antirreligiosa se impôs, como fica evidente no texto da (Artigo 54) Constituição de 1976, que diz: “(1) O Estado socialista, que fundamenta sua atividade e educa o povo na concepção científica materialista do universo, reconhece e garante a liberdade de consciência, o direito de todos de professar qualquer crença religiosa e de praticar o culto de sua preferência.”

O estado socialista admite o ateísmo como visão de mundo, e acrescenta que “(2) A lei regula as atividades das instituições religiosas”. Assim, apesar de supostamente garantir a liberdade religiosa, o governo ateísta avisa que “(3) É ilegal e punível opor a fé ou crença religiosa à revolução, à educação ou ao cumprimento de […] outros deveres estabelecidos pela constituição”.[18]

A base legal para perseguição se completa com o Código Penal de 1978 (Artigo 237) sobre o abuso da liberdade de culto: “Quem, abusando da liberdade de culto garantida pela Constituição, opõe a crença religiosa aos objetivos da educação ou ao dever de trabalhar, de defender a pátria com armas, ao reverenciar seu símbolo ou qualquer outro estabelecido na Constituição, é punido com pena privativa de liberdade de três a nove meses, multa de até 270 cotas ou ambas.”[19]

Ou seja, a educação é ateísta, e nenhum religioso poderia se opor a essa visão de mundo. Como isso poderia dar certo na prática? Resultou no óbvio: fim da liberdade religiosa e perseguição.

Os adventistas foram considerados contrarrevolucionários?

Sim. A Igreja Adventista do Sétimo Dia (IASD) em Cuba é descrita como uma “seita em conflito com o Partido Comunista”, pois são “diferentes ideologias”.[20] Várias fontes afirmam que os adventistas foram considerados contrarrevolucionários por irem contra o Artigo 54 da Constituição de 1976. Os adventistas e as testemunhas de Jeová foram perseguidos porque suas crenças não coincidiam com as do governo.[21] Historicamente, a IASD sempre procurou manter boas relações com os governos, sem denotar apoio político. Logo após a revolução, a IASD foi convidada a assinar publicamente um apoio ao novo governo revolucionário, mas recusou.[22]

Um relatório sobre os direitos humanos afirma que, apesar de apresentar alguma melhora, “a perseguição religiosa continua. […] O governo continuou a usar o Código Penal para perseguir testemunhas de Jeová e, em menor medida, adventistas do sétimo dia. […] Porque o governo os considera ‘ativos inimigos religiosos da revolução’, testemunhas de Jeová e adventistas são vigiados e frequentemente perseguidos pelos CDRs”.[23]

Após um início de governo aparentemente amigável, logo as escolas religiosas sofreram intervenção estatal (funcionavam sob a supervisão do governo). Posteriormente, muitas propriedades da IASD foram confiscadas.[24] Em 1962, o mesmo colégio que serviu de ponto de apoio a Che Guevara sofreu uma intervenção do governo, e em 1967 foi tomado definitivamente. Uma instituição cristã considerada fundamentalista não podia ser tolerada num estado marxista-leninista.[25]

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Che Guevara e Fidel no Colegio [Adventista] de las Antillas

Fonte: https://bit.ly/3kCvHAz

O governo revolucionário de Fidel Castro proibiu programas de rádio (o “La Voz de Atalaya”), reuniões evangelísticas, e desapropriou escolas e outras instituições da igreja. O Colegio de las Antillas foi tomado pelo governo, e acabou em ruínas.[26]

Em 1963, houve vários conflitos entre o governo e cristãos que faziam evangelismo, especialmente pentecostais e adventistas do sétimo dia. O motivo é que a pregação apocalíptica era considerada antirrevolucionária.[27]

A obra de construção de uma igreja adventista em Pinar del Río foi embargada, e o material de construção foi utilizado para construir a casa de um funcionário do governo local. A Igreja Adventista de Cienfuegos teve autorização de funcionamento rejeitada e foi ameaçada de apedrejamento; igrejas adventistas foram incendiadas; adventistas foram agredidos gratuitamente por policiais, militares e “Jóvenes Comunistas” em diversas ocasiões.[28]

Em 1963, o governo divulgou um programa de combate aos movimentos religiosos, escrito pelo líder comunista Blas Roca e publicado na revista Cuba Socialista, com o título “A luta ideológica contra as seitas religiosas”.[29] Fidel mencionou o documento em discursos, e as restrições atingiram os adventistas (devido à estrita observância do sábado) e as testemunhas de Jeová (contrárias ao serviço militar e à saudação à bandeira nacional).[30]

Segundo Blas Roca, o governo deveria atacar as seitas religiosas porque o imperialismo norte-americano e “todos os inimigos de classe usaram a religião para seu trabalho contrarrevolucionário”.[31] O cristianismo era uma arma de colonização dos Estados Unidos, e “em lugar da confiança no homem e na ciência, as religiões e seitas prostram-se ante o poder sobrenatural dos deuses”.[32]

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Ruínas do Colegio de las Antillas

Fonte: https://bit.ly/3wPQLG1

Adventistas foram enviados aos campos de concentração (UMAP)?

Logo no início do governo revolucionário, doze estudantes do Colegio de las Antillas foram convocados ao Serviço Militar Obrigatório, e acabaram presos por sua posição irredutível quanto ao sábado e ao uso de armas. Na prisão, foram mantidos literalmente a pão e água por nove dias, e tiveram sérios problemas de saúde.[33]

Os adventistas receberam uma “oportunidade” para servir sem pegar em armas: trabalhar nas Unidades Militares de Apoio à Produção (UMAPs). As UMAPs eram “fazendas de trabalhos forçados, guardadas por soldados com armas longas, onde trabalhavam desde antes do amanhecer até o fim da tarde (muitas vezes até tarde da noite); com […] comida mais do que deficiente e escassa. Moravam em cabanas cercadas com arame farpado”.[34]

A propaganda oficial dizia que o objetivo da UMAP não era castigar ninguém, mas “fazer com que esses jovens mudem de atitude, educá-los, treiná-los, salvá-los. Impedir que amanhã sejam parasitas, incapazes de produzir qualquer coisa, criminosos contrarrevolucionários, ou criminosos comuns, seres inúteis para a sociedade”.

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Matéria anunciando as UMAPs como local para forjar cidadãos úteis

Fonte: https://bit.ly/2UmVQZv

Em 1965, um grupo de 48 pastores e crentes evangélicos foi acusado de “desvio ideológico” e vínculos com a CIA. No mesmo ano, militantes do Partido Comunista ameaçaram o pastor adventista Charles Vento e queimaram a Igreja Adventista de Santa Damiana, em San Juan e Martinez.[35] Algum tempo depois, o pastor Charles foi preso numa UMAP.

Nas UMAPs, os presos adventistas “foram impedidos de se alimentar aos sábados por se recusarem a trabalhar nesse dia. Isso demonstra que o desrespeito aos dogmas pregados por essas religiões também eram uma forma de tortura psicológica exercida dentro das UMAPs”.[36]

Luis Caballero Calas, sobrevivente das UMAPs, relatou: “Testemunhei o dia em que um cristão adventista foi amarrado a um cavalo para ser levado aos campos para trabalhar no sábado, um dia sagrado para eles.”[37] Também há registro de que o pastor adventista Firino Serrano foi prisioneiro dos campos de concentração.[38]

Noel Fernández, levado para uma UMAP em 1966, conta: “Alguns de nós economizamos parte de nossa comida aos sábados para dar aos adventistas, que eram forçados a ficar de pé durante toda a manhã e tarde no centro do acampamento. O chefe da unidade gritou que se a Bíblia diz que quem não trabalha não come, como não trabalhou naquele dia, não tinha direito à alimentação.”[39]

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Há relatos de tortura psicológica, como o do pastor adventista Manuel Molina: “No acampamento Mola, cujo nome não quero lembrar. Eles levaram 17 religiosos de nós; Adventistas, testemunhas de Jeová e o Bando Evangélico Gideon, e eles ameaçaram nos fuzilar.”[40]

O pastor batista Orlando Colás viu testemunhas de Jeová sendo espetados por baionetas, espancados, e quando gritavam, jogavam terra na boca para silenciá-los. Além disso, relata que viu “a punição dos adventistas do sétimo dia que, por respeito, não trabalham aos sábados. Como os acampamentos funcionavam sete dias por semana, eles eram forçados a trabalhar aos sábados. Eles amarraram um adventista, o pastor Isaac Suárez, a uma laranjeira cheia de espinhos e disseram-lhe: ‘Agora você é Jesus Cristo e nós vamos crucificá-lo.’ Eles deixaram assim, ao sol, o dia todo. Eles levaram outro para fora e fizeram o mesmo com ele. Alguns foram enterrados, cobrindo-os completamente, deixando apenas a cabeça de fora, por dois dias ao sol”.[41]

Alguns pesquisadores tentaram “desmistificar” as UMAPs, mas a desmistificação proposta significa admitir que as UMAPs não eram só campos de tortura, mas de produção também – isso não muda absolutamente nada para as vítimas. É basicamente como argumentar que um assassino não é apenas um assassino, mas também um bom funcionário e um bom motorista.

Ignorando os inúmeros testemunhos de vítimas, alguns tentam negar o fato de que adventistas sofreram abusos nas UMAPs. Por exemplo, Tahbaz afirma que “os adventistas do sétimo dia, no entanto, não foram associados ao mesmo estigma contrarrevolucionário e, portanto, não foram alvo de abusos nos campos”.[42] No entanto, as fontes usadas por Tahbaz dizem exatamente o contrário, e incluem os adventistas entre as vítimas de abusos nas UMAPs.[43]

Apesar de fontes afirmarem que, teoricamente, os adventistas não eram considerados párias da sociedade nas UMAPs, na prática, “nas áreas rurais e semiurbanas, os ministros [adventistas] não estavam em uma classificação muito diferente da categoria mencionada”.[44] Sempre há uma diferença entre a realidade e os relatórios oficiais das ditaduras.

Estima-se que aproximadamente 35 mil pessoas passaram pelas UMAPs, e várias pessoas acabaram em clínicas psiquiátricas, morreram de tortura ou cometeram suicídio: “As pessoas mais frequentemente internadas nos campos eram religiosos (fanáticos religiosos) e gays”, e “a grande quantidade de internados [presos] incluía testemunhas de Jeová, adventistas do sétimo dia”.[45] Falando sobre as UMAPs e a perseguição aos homossexuais, mais de 40 anos depois, o próprio Fidel Castro admitiu: “Sim […], foram momentos de grande injustiça, grande injustiça!”[46]

A homenagem fúnebre do pastor adventista Charles Vento lembrou que ele esteve em um “campo de concentração chamado UMAP” em Cuba, uma “terrível experiência em que seu cristianismo foi severamente testado”.[47]

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Pastor Charles Vento

Fonte: https://bit.ly/3wSNLc2

O pastor Charles foi entrevistado em várias pesquisas sobre religião durante a revolução cubana. Charles Vento relatou tortura física e psicológica; os prisioneiros ouviam: “Aqui você vai apodrecer. Sairão quando aceitarem a revolução.”[48] Também é bem conhecido o relato do pastor cubano José H. Cortés, ex-aluno do Colegio de las Antillas, que foi prisioneiro em Cuba.[49]

Um caso extremo que ficou mundialmente conhecido foi o do adventista Humberto Noble Alexander, falsamente acusado de conspiração em 1962, condenado a 20 anos de prisão, mas que acabou ficando 22 anos, 3 meses e 11 dias preso. Foi torturado de várias formas, perdeu a família e a saúde. Foi solto em 1984, após intervenção do pastor Jesse Jackson, e morreu nos Estados Unidos em 2002.[50]

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Pastor José H Cortés, ex-prisioneiro em Cuba

Fonte: https://bit.ly/2UuTF62

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Humberto Noble Alexander, preso e torturado por mais de 20 anos

Fonte: https://bit.ly/2TmxgqS

A IASD frequentemente aparece como vítima em relatórios internacionais sobre liberdade religiosa em Cuba. Até o teólogo Adolfo Ham, um dos maiores defensores da ideia de que as igrejas deveriam cooperar com o governo revolucionário, e membro do Concilio de Iglesias Evangélicas de Cuba, admite que os adventistas estavam entre as denominações “mais castigadas”.[51]

O Serviço Militar Obrigatório era outra fonte de problemas. Mesmo nos anos 1980 ainda havia vários registros de adventistas ameaçados e perseguidos “porque, entre outras coisas, se recusaram a participar do treinamento militar”.[52] Também foram perseguidos por se recusarem a enviar os filhos à escola aos sábados.[53]

Em 1989, três adventistas de Villa Clara foram presos por publicar literatura religiosa clandestinamente.[54] Nos anos 1990, ainda havia problemas, como mostra relatório do Puebla Institute: “Outro grupo muitas vezes em desagrado são os adventistas do sétimo dia, que frequentemente se recusam a trabalhar […] aos sábados.”[55]

Outro relatório afirma que, durante a visita do Papa em 1998, uma série de “igrejas evangélicas” em Holguín, incluindo a Adventista do Sétimo Dia, “continuou sendo vitimada por cercos, proibições e fechamento de igrejas”. Esse relato diz que a Igreja Adventista dessa região já estava fechada havia mais de 20 anos.[56]

Relatório da Human Rights Watch relatava em 1999 que, “embora Cuba permita maiores oportunidades de expressão religiosa do que nos anos anteriores […], o governo ainda mantém um controle rígido sobre as instituições religiosas, grupos afiliados e crentes individuais”.[57]

Relatório da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (OEA) de 2000 ainda menciona a questão da falta de liberdade religiosa em Cuba.[58] Eventos religiosos públicos acontecem, mas são vigiados. Um quarteto adventista espanhol (Los Heraldos del Rey) foi proibido de se apresentar em Cuba em 1998.[59] Outro relatório também menciona a proibição da apresentação do quarteto adventista Los Heraldos Negros,em 2000.[60] Relatório publicado pela Agência de Refugiados da ONU menciona essas situações envolvendo adventistas.[61]

Conclusão

A revolução começou como esperança para muitos adventistas, mas logo se tornou em pesadelo. Por causa da ajuda que recebeu de Argelio Rosabal, Che Guevara tinha gratidão aos adventistas, mas a revolução cubana não. E, apesar de Che Guevara ter conseguido uma exceção temporária à convocação militar de jovens adventistas, os adventistas foram enviados para os campos de concentração como os demais religiosos. A afirmação de que adventistas receberam melhor tratamento que os demais ou que não eram alvo de abusos nos campos de concentração por terem ajudado Che Guevara simplesmente não é sustentada pelas evidências, pelos registros, testemunhos e relatórios.

É lamentável que alguns adventistas prefiram acreditar na propaganda do partido em lugar dos inúmeros testemunhos de sobreviventes, familiares, relatórios de observadores internacionais e pesquisadores. Há uma enorme comunidade de adventistas cubanos na Flórida (EUA); essas pessoas existem, possuem relatos de primeira mão, e são nossos irmãos de fé. Um estudo mostra como as igrejas ajudaram no êxodo cubano, e o impacto que a comunidade de exilados e refugiados cubanos (adventistas, inclusive) exerceu na Flórida.[62] Não é difícil obter testemunhos de primeira mão sobre a verdadeira história da liberdade religiosa durante o governo revolucionário em Cuba.

O embargo econômico imposto pelos Estados Unidos não justifica a falta de liberdade religiosa e a perseguição. O argumento “mas a igreja cresceu nesse período” não significa que o regime foi bom. A igreja cristã cresceu na União Soviética, na Albânia, na China, e até sob o Império Romano! O argumento do crescimento é irrelevante para discutir liberdade religiosa.

Finalmente, é preciso agradecer a Deus, pois, apesar das dificuldades, a IASD cubana é vibrante e atuante. Como em toda a história de Sua igreja, Deus tem transformado maldição em bênçãos, e o evangelho prospera naquela linda ilha.

(Isaac Malheiros é doutor em Teologia e professor no Instituto Adventista Paranaense)

Referências:

[1] VALDÉS, Israel Gonzalez. La Iglesia Adventista Del Séptimo Dia en Cuba a Partir del Triunfo de la Revolución. Monografia. Berrien Springs: Andrews University, 1976. p. 19. Disponível em: https://bit.ly/3wRkKh1 Acesso em 23 jul. 2020

[2] VALDÉS, 1976, p. 24.

[3] CHE GUEVARA, Ernesto. Pasajes de la Guerra Revolucionaria.New York: Ocean Sur, 2006. p. 126 (Capítulo “A la deriva”).

[4] VALDÉS, 1976, p. 9.

[5] Che Guevara cita positivamente os adventistas algumas vezes em seus livros de memórias, por ex., GUEVARA, Che p. 89.

[6] KING, Jeff. The Untold Story of Revival in Cuba. Persecution. 15 jul. 2020. Disponível em: https://bit.ly/36V1UL3

[7] MASSÓN, Caridad. La Revolución Cubana em la vida de pastores y creyentes evangélicos. La Habana: Ediciones La Memoria, 2006. p. 14-15.

[8] FLOR, Mamela Fiallo. Cuba: profanan tumba del Pastor que rescató a combatientes del Granma. PanAm Post. 23 maio 2018. Disponível em: https://bit.ly/3hW1Dy9

[9] CUBANET. El régimen cubano expropia a una familia con dos menores de edad. 29 jun. 2018. Disponível em: https://bit.ly/3y4IBv7

[10] FLOR, 2018.

[11] DIARIO DE CUBA. Detenido un ‘exitoso’ cuentapropista en Pilón. 24 nov. 2017. Disponível em: https://bit.ly/3hQ3PHl

[12] CANINO, Agustín López. Onésimo. Cuba Democracia y Vida. 22 jun. 2018. Disponível em: https://bit.ly/3iovEFO

[13] Ver o depoimento de Onésimo Rosabal, disponível em: https://bit.ly/36OAff4

[14] Disponível em: https://bit.ly/3zdKW6T

[15] Human Rights Council: Working Group on Arbitrary Detention. Opinion No. 48/2018 regarding Omar Rosabal Sotomayor (Cuba). Disponível em: https://bit.ly/3zdKW6T

[16] SOTOMAYOR, Argelio Rosabal. Facebook. 18 Mar. 2021. Disponível em: https://bit.ly/3zkqzoS

[17] MASSÓN, 2006, p. 51.

[18] Constitución Política de 1976. Disponível em: https://bit.ly/3kwMV28 (ênfase acrescentada)

[19] Código Penal 1978. Disponível em: https://bit.ly/3ikAeVe (ênfase acrescentada)

[20] ROSADO, Caleb. Sect and Party: Religion Under Revolution in Cuba. Tese (doutorado). Evanston: Northwestern University, 1985. p. iii-iv.

[21] LUIS, William. Culture and Customs of Cuba. Westport: Greenwood, 2001. p. 25.

[22] VALDÉS, 1976, p. 18.

[23] DEPARTMENTE OF STATE. Country Reports on Human Rights. Volume 993. Washington: U.S. Government, 1994. p. 412-413.

[24] ALBA SILOT, John. Cuba: Iglesia y Revolución, la deconstrucción de un mito. Dissertação (mestrado). Bernal: Universidad Nacional de Quilmes, 2015. p. 50-51. Disponível em: https://bit.ly/3wQrk7n

[25] VALDÉS, 1976, p. 39.

[26] LAND, Gary. Historical Dictionary of the Seventh-Day Adventists. Lanham: Rowman & Littlefield, 2015. p. 85.

[27] ALBA SILOT, 2015, p. 55.

[28] VALDÉS, 1976, p. 24-33.

[29] ROCA CALDERÍO, Blas. La Lucha Ideológica contra las Sectas Religiosas, Cuba Socialista, ano 3, n. 22, jun. 1963, p. 28-41.

[30] ALBA SILOT, 2015, p. 56.

[31] ROCA CALDERÍO, 1963, p. 28.

[32] ROCA CALDERÍO, 1963, p. 32.

[33] VALDÉS, 1976, p. 50.

[34] VALDÉS, 1976, p. 52.

[35] FIGUEROA, Abel R. Castro. Quo Vadis, Cuba?: Religión Y Revolución. Bloomington: Palibrio, 2012. Capítulo 4.

[36] RODRIGUES, Amanda A. G. Memórias da repressão do governo revolucionário a grupos religiosos e homossexuais em Cuba: um estudo dos testemunhos de ex-umapianos (1984-2019). Ituiutaba: Universidade Federal de Uberlândia, 2020. p. 62. Disponível em: https://bit.ly/36OKK1Y

[37] UMAP CUBA 1965. El silencio que no entierra a las UMAP. s.d. Disponível em: https://bit.ly/3BvuAZs

[38] FIGUEROA, 2012, p. 169.

[39] UMAP CUBA 1965, El silencio que no entierra a las UMAP.

[40] UMAP CUBA 1965. Manuel Molina – Pastor Adventista. s.d. Disponível em: https://bit.ly/36RtFEg

[41] UMAP CUBA 1965. Orlando Colás – Pastor Bautista. s.d. Disponível em: https://bit.ly/36Ru2Pa

[42] TAHBAZ, Joseph. Demystifying las UMAP: The Politics of Sugar, Gender, and Religion in 1960s Cuba, Delaware Review of Latin American Studies, v. 14, n. 2, 2013. Disponível em: https://bit.ly/3wTafJK

[43] Por exemplo, Tahbaz cita Blanco, e mesmo assim ignora os relatos de Blanco a respeito dos maus-tratos que incluíam adventistas entre as vítimas. Ver BLANCO, José Caballero. Uma Muerte A Plazos. Yelm: D’Har, 2008 [kindle]. p. 38, 46, 49, 52, 89.

[44] VALDÉS, 1976, p. 52.

[45] TAHBAZ, 2013.

[46] SAADE, Carmen Lira. Soy el responsable de la persecución a homosexuales que hubo en Cuba: Fidel Castro. Periódico La Jornada, 31 ago. 2010, p. 26. Disponível em: https://bit.ly/3kBTOPz Para Tahbaz (2013), “homens gays certamente sofreram tratamento horrível nos campos”.

[47] Celebrando la Vida del Pr. Charles Vento. Disponível em: https://youtu.be/LgKnSIlpmNk?t=2620

[48] Por exemplo, ROS, Enrique. La UMAP: el Gulag castrista. Ediciones Universal, 2004. p. 62-64, 219; SÁNCHEZ-BOUDY, José. La Cuba eterna: la fuerza de las ideas del exilio histórico. Ediciones Universal, 2009. p. 42.

[49] CORTÉS, José H. Prisioneiro em Cuba: a história de um jovem que não perdeu a esperança. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 2020.

[50] A história está registrada em ALEXANDER, Humberto Noble. Moriré Libre. Voice Media, 2015. A IASD fez uma matéria na época da libertação de Alexander, JOHNSON, Stephanie D. Standing firm in a raging storm: an account of 22 years in a Cuban prison, North Regional Voice, v. 8, n. 9, nov. 1986. p. 2-4. Disponível em: https://bit.ly/2TmxgqS

[51] MASSÓN, 2006, p. 51. Em espanhol: “más fustigadas”.

[52] BRIGGS, Kenneth A. Communist-Christian conflict in Cuba seems to ease. The New York Times. 19 abr. 1981. Disponível em: https://nyti.ms/3hRDpVw

[53] INTER-AMERICAN COMMISSION ON HUMAN RIGHTS. La situación de los derechos humanos en Cuba: septimo informe. General Secretariat, Organization of American States, 1983. p. 84.

[54] PUEBLA INSTITUTE. Cuba: Castro’s War on Religion. s.l.: Puebla Institute, 1991. p. 16.

[55] PUEBLA INSTITUTE, 1991, p. 16.

[56] CUBANET. Un mito que con el Papa se ha hecho leyenda. 18 maio 1998. Disponível em: https://bit.ly/3zdee5E

[57] HUMAN RIGHTS WATCH. Cuba’s Repressive Machinery: Human Rights Forty Years After the Revolution. 1999. Capítulo 1. Disponível em: https://bit.ly/2W68IUl

[58] INTER-AMERICAN COMMISSION ON HUMAN RIGHTS. Annual Report 2000. Capítulo IV. Disponível em: https://bit.ly/36LBueO

[59] CUBANET. Limitan la actuación de un cuarteto. 29 dez. 1998. Disponível em: https://bit.ly/3zigacW

[60] CUBANET. Permitirán oficios religiosos públicos. 3 out. 2000. Disponível em: https://bit.ly/2UVVzfY

[61] REFWORLD. Cuba: Situation of Seventh Day Adventists (update to CUB22465.E of 16 February 1996). Disponível em: https://bit.ly/3wVxDq1

[62] JORGE, Antonio; SUCHLICKI, Jaime; VARONA, Adolfo Leyva de. Cuban Exiles in Florida: Their Presence and Contributions. Miami: University of Miami, 1991. p. 111-145.

Entrevista com uma copista moderna da Bíblia

A crise cubana e as mentes embargadas

Comunistas de iPhone vivem de delírio. Morar em Cuba não querem. Será que lá conseguiriam continuar construindo narrativas do alto de suas torres de marfim ideológicas e militando deliberadamente na internet como fazem aqui?

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Para pessoas alinhadas com as ideias defendidas pela ditadura cubana e que colocam a ideologia acima da empatia, a culpa pelo que está acontecendo ao povo da Ilha é do tal embargo norte-americano, e não adianta cubanos do alto do seu “lugar de fala” dizerem que não é assim. Calem-se, cubanos oprimidos, e não atrapalhem nossa narrativa! Comunismo é bom, só foi mal aplicado em todos os países que seguiram a cartilha dO Manifesto (só que não). Até a calamidade de saúde cubana é culpa do embargo. Mas o engraçado (trágico, na verdade) é que, antes desta crise, Cuba era exemplo de cuidado com a Covid, mas agora não consegue importar seringas por culpa dos Estados Unidos. Como assim?! Cria vacinas e não consegue produzir seringas para imunizar a população?! Onde esteve esse tempo todo a parceira ideológica gigante chinesa para acudir o governo amigo? (Até o Brasil, em governos anteriores, enviou bilhões aos então parceiros – e nunca mais viu a cor do dinheiro.)

Um sobrevivente das Unidades Militares de Apoio à Produção (UMAP) perguntou como o embargo pode ser o culpado de terem-no enterrado apenas com a cabeça para fora, sob o sol causticante; de terem-no espetado com baionetas, espancado, etc. Como o embargo pode ser o responsável por desapropriações, prisões ilegais, tortura, etc.? Foi o embargo que fez Che Guevara fuzilar vários cubanos, também? A culpa pelos campos de concentração, por prisões, torturas e fuzilamentos na Ilha é do embargo solitário norte-americano (o mesmo que permite a cidadãos norte-americanos enviar dinheiro aos cubanos, dinheiro imediatamente confiscado pelo regime “democrático” da Cuba dolarizada)?

(Na verdade, culpar o embargo é a mesma coisa que pedir livre mercado, que é o que Cuba odeia.)

Curiosa e contraditoriamente, defensores do pensamento subversivo e alinhados com o Black Lives Matter vêm curtindo postagens em defesa da ditadura comunista cubana (!). Será que o adventista torturado pela ditadura Humberto Noble Alexander não era negro o suficiente?

Há tanto discursinho em favor do outro, em dar voz e visibilidade ao outro, mas, quando esse outro discursa sobre suas mazelas, não é ouvido nem visto nem validado. Agora seria a hora de os militantes de plantão fazerem algo em relação ao clamor do povo cubano e não descredibilizar a fala dele. “Em verdade vos digo que, quando o fizestes a um destes Meus pequeninos irmãos, a Mim o fizestes” (Mateus 25:40).

Comunistas de iPhone vivem de delírio. Morar em Cuba não querem. Será que lá conseguiriam continuar construindo narrativas do alto de suas torres de marfim ideológicas e militando deliberadamente na internet como fazem aqui?

Sugestão de leitura (aqui).

(Adventismo Sólido; Instagram)

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