Adventismo relativista e o ataque aos testemunhos

ellen-whiteRecentemente um professor disse em um vídeo que não há problema algum o adventista tomar café, afinal, o que Ellen White escreveu sobre saúde são “apenas conselhos”; segue quem quer. Se um profeta inspirado lhe dá um conselho da parte de Deus, como você considera esse conselho? Se um anjo viesse orientá-lo sobre alguma coisa, você desprezaria a recomendação? Infelizmente, nota-se que a influência do relativismo pós-moderno tem feito estragos no meio cristão de modo geral, e no adventismo não é diferente. Verdades bíblicas vêm sendo relativizadas e questionadas à luz do falível, limitado e transitório conhecimento humano, e os textos inspirados de Ellen White igualmente têm sido alvo de ataques dessa natureza. Os que leem os livros que ela escreveu no século 19 ficam maravilhados com as antecipações científicas contidas neles. Por exemplo: mesmo pessoas religiosas costumavam justificar o consumo de álcool afirmando que em pequenas quantidades ele não faria mal. Ellen já havia dito que nem uma gota da substância deve entrar em nosso corpo. E mais uma vez a verdadeira ciência confirmou a revelação (confira aqui). Mas e quanto ao café, do exemplo citado acima? Tem problema ou não? Trata-se apenas de um conselho do tipo segue quem quer? Veja o que Ellen escreveu sobre o assunto:

“Tomar chá e café é pecado, condescendência prejudicial, que, como outros males, causa dano à alma” (Conselhos Sobre o Regime Alimentar, p. 425).

“Chá, café, fumo e álcool precisam ser apresentados como condescendências pecaminosas. Não podemos pôr a carne, os ovos, a manteiga e o queijo em pé de igualdade com esses artigos colocados sobre a mesa. Estes não devem ser postos na frente, como o tema principal de nossa obra. Os primeiros – chá [os que contêm cafeína, como o preto], café, fumo, cerveja, vinho e todas as bebidas alcoólicas – não devem ser ingeridos moderadamente, mas rejeitados” (Mensagens Escolhidas, v. 3, p. 287).

Como relativizar textos tão claros como esses sem incorrer no erro de simplesmente descartar a inspiração profética? E esse é apenas um entre muitos exemplos…

Em Apocalipse 12:17, Satanás é apresentado na forma de um dragão que persegue a mulher, símbolo da igreja verdadeira. O motivo da perseguição é bastante claro: porque a igreja guarda os mandamentos de Deus e tem o testemunho de Jesus. E de acordo com o próprio Apocalipse (19:10) o testemunho de Jesus é o “espírito de profecia”. Satanás perseguiu, persegue e continuará perseguindo a igreja, especialmente por causa desses dois pilares fundamentais. Ele tenta convencer as pessoas de que a lei de Deus é inadequada aos dias de hoje, que ela foi abolida, ou mesmo que a graça dispensa a lei. Mas, se permanecemos firmes nos princípios da santa lei, Satanás intensifica seus ataques em outra direção: contra o testemunho de Jesus.

Quando não consegue destruir a fé na lei de Deus, o inimigo tenta com todas as forças e formas destruir a fé no espírito de profecia, nos escritos de Ellen G. White. Isso funciona mais ou menos assim: o inimigo ajuda alguns a terem uma interpretação diferente da igreja. Faz com que eles tenham certeza de que estão certos. Quando ele acha que atingiu o objetivo, faz o arremate: mostra à pessoa uma citação do espírito de profecia que diga exatamente o oposto do que ela está pensando. Nesse momento, ou a pessoa se humilha diante de Deus e estuda a Bíblia em oração, ou mantém seu posicionamento, desacreditando o espírito de profecia. Esse é um processo gradual que leva a pessoa a não querer nem mesmo ouvir alguém pregar ou falar sobre Ellen White. Cria-se uma aversão infundada.

Levar as pessoas a extremos também é uma tática amplamente utilizada por Satanás. Se há os que esposam ideias legalistas e radicais a respeito dos escritos do espírito de profecia, há também os que os ignoram por completo. Os segundos às vezes até fazem isso em função dos primeiros. Mas uma leitura cuidadosa e sem preconceitos mostra que Ellen White foi uma mulher equilibrada em tudo o que escreveu. Portanto, os que usam seus escritos de forma inadequada e sem a devida consideração para com o contexto e a época da profetisa apenas lançam sombras sobre seu ministério. Para “ajustar o foco” a respeito da vida e obra dessa mulher singular, vale a pena ler o livro Mensageira do Senhor, de Herbert E. Douglass, e mesmo o livreto Histórias de Minha Avó, de Ella M. Robinson, neta da Sra. White (ambos da CPB).

Embora saibamos que a Bíblia é nossa única regra de fé e prática, e que os escritos de Ellen White são, como ela mesma diz, uma luz menor que conduz à luz maior, a negação da inspiração de tais escritos é algo muito sério. No livro Mensagens Escolhidas, volume 1, página 48, está escrito que “será ateado contra os testemunhos um ódio satânico. […] Satanás não pode achar caminho tão fácil para introduzir seus enganos e prender almas em seus embustes se as advertências e repreensões e conselhos do espírito de profecia forem atendidos”.

No mesmo livro, à página 84, é dito que “uma coisa é certa: os adventistas do sétimo dia que tomarem sua posição sob o estandarte de Satanás, primeiramente renunciarão à sua fé nas advertências e reprovações contidas nos testemunhos do Espírito de Deus”.

É curioso notar como há pessoas que vivem à caça de ideias especulativas que invariavelmente tendem a desviar a atenção do que realmente é essencial. Encontram as mais esdrúxulas “revelações”, tanto na Bíblia quanto no espírito de profecia. Quanto a isso, também, a mensageira do Senhor é bem clara: “Não devem ser promovidas ideias especulativas, pois há mentes singulares que gostam de apegar-se a um ponto que outros não aceitam, e argumentar e atrair tudo para aquele único ponto, insistindo nele, ampliando-o, quando ele na verdade não é de importância vital e será entendido de maneira discordante. Duas vezes me foi mostrado que se deve conservar em segundo plano tudo o que for de natureza a levar nossos pastores a divergirem dos pontos que são agora essenciais para este tempo” (Ellen G. White, Carta 37, 1887 [Manuscript Releases, v. 15, p. 20-22]).

É de extrema importância, pois, que saibamos dar a “razão [de nossa] esperança” (1 Pedro 3:15), alicerçada em profundo conhecimento bíblico, pois, “ao vir a sacudidura, pela introdução de falsas teorias, esses leitores superficiais não ancorados em parte alguma, são como areia movediça” (Ellen G. White, Testemunhos para Ministros, p. 112).

Mais ainda: não basta um conhecimento meramente racional da verdade. É preciso experiência. A verdadeira religião desce da mente para o coração e impregna toda a vida, pois está baseada numa relação de íntima comunhão com Jesus. Ellen White diz que “estão rapidamente se aproximando dias quando haverá grande perplexidade e confusão. Satanás, trajado com vestes angelicais, enganará, se possível, os próprios escolhidos. […] Soprará todo vento de doutrina. […] Os que confiaram no intelecto, no gênio ou talento, não permanecerão à testa das fileiras e colunas. Eles não mantiveram seu passo com a luz” (Ellen G. White, Testemunhos Para a Igreja, v. 5, p. 80).

A Bíblia nos adverte a estar bem firmados na Rocha e a ser cuidadosos em nossas interpretações para não perdermos a coroa da vitória (Efésios 4:14; Mateus 7:24, 25; 2 Pedro 3:15-18; Apocalipse 3:11). Devemos, acima de tudo, reconhecer o inestimável presente que nos foi legado por Deus por meio dos escritos inspirados de Ellen White, e utilizá-los em nossa edificação e na edificação do próximo. “Crede no Senhor, vosso Deus, e estareis seguros; crede nos Seus profetas e prosperareis” (2 Crônicas 20:20).

(Vanderlei Ricken é bibliotecário no Instituto Adventista Cruzeiro do Sul; Michelson Borges é pastor, jornalista e editor na Casa Publicadora Brasileira)

Saiba mais sobre o espírito de profecia na Bíblia. Clique aqui.

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Controle de opinião pública

control“Quando eu uso a palavra”, disse Humpty Dumpty num tom desdenhoso, “ela significa exatamente o que eu quero que signifique – nem mais nem menos”. “A questão é”, disse Alice,”se você pode fazer uma palavra significar tantas coisas diferentes”. “A questão é”, disse Humpty Dumpty, “saber quem manda. Isso é tudo” (Lewis Carrol, Alice Através do Espelho).

A arte de convencer pela palavra é muito antiga. Em sua forma moderna, a propaganda política foi inaugurada pelo bolchevismo e especialmente por Lênin e Trotsky. Mas mesmo antes deles houve líderes que reconheceram sua importância. Napoleão Bonaparte foi um desses. Ele disse: “Para ser justo, não é suficiente fazer o bem, é igualmente necessário que os administrados estejam convencidos. A força fundamenta-se na opinião. Que é o governo? Nada, se não dispuser da opinião pública.”

Mas foram Hitler e Goebbels que (infelizmente) utilizaram com mais sucesso as técnicas de controle da opinião pública e, assim, acabaram dando enorme contribuição à propaganda moderna.

Mas o que é propaganda? “A propaganda é uma tentativa de influenciar a opinião e a conduta da sociedade, de tal modo que as pessoas adotem uma conduta determinada”, escreveu Bartlett, em Political Propaganda. E qual a diferença, então, entre propaganda e publicidade? Jean-Marie Domenach, em seu livro A Propaganda Política, à página 10, responde: “A publicidade suscita necessidades ou preferências visando a determinado produto particular, enquanto a propaganda sugere ou impõe crenças e reflexos que, amiúde, modificam o comportamento, o psiquismo e mesmo as convicções religiosas ou filosóficas.”

A partir do momento que se percebeu que o ser humano médio é um ser essencialmente influenciável, e que é possível mudar-lhe as opiniões e as ideias, os especialistas passaram a utilizar em matéria política o que já se verificara viável do ponto de vista comercial.

Assim, as campanhas eleitorais nos EUA – com suas “paradas”, orquestras, girls e cartazes, que são um verdadeiro e ruidoso reclamo – pouco diferem das campanhas publicitárias.

“Os poderes destrutivos contidos nos sentimentos e ressentimentos humanos podem ser utilizados, manipulados por especialistas”, disse J. Monnerot. E para isso são utilizadas leis específicas. Vamos a elas.

LEI DA SIMPLIFICAÇÃO E DO INIMIGO ÚNICO

Consiste em concentrar sobre uma única pessoa as esperanças do campo a que se pertence ou o ódio pelo campo adverso. Reduzir a luta política, por exemplo, à rivalidade entre pessoas é substituir a difícil confrontação de teses. No caso do nazismo, os judeus acabaram eleitos como o “inimigo único”.

LEI DA AMPLIAÇÃO E DESFIGURAÇÃO

A ampliação exagerada das notícias é um processo jornalístico empregado correntemente pela imprensa, que coloca em evidência todas as informações favoráveis aos seus objetivos.

LEI DA ORQUESTRAÇÃO

A primeira condição para uma boa propaganda é a infatigável repetição dos temas principais. Goebbels dizia: “A Igreja Católica mantém-se porque repete a mesma coisa há dois mil anos. O Estado nacional-socialista deve agir analogamente.”

Adolf Hitler, em seu Mein Kampf, escreveu: “A propaganda deve limitar-se a pequeno número de ideias e repeti-las incansavelmente. As massas não se lembrarão das ideias mais simples a menos que sejam repetidas centenas de vezes. As alterações nela introduzidas não devem jamais prejudicar o fundo dos ensinamentos a cuja difusão nos propomos, mas apenas a forma. A palavra de ordem deve ser apresentada sob diferentes aspectos, embora sempre figurando, condensada, numa fórmula invariável, à maneira de conclusão.”

Portanto, a qualidade fundamental de toda campanha de propaganda é a permanência do tema, aliada à variedade de apresentação.

LEI DA TRANSFUSÃO

A propaganda não se faz do nada e se impõe às massas. Ela sempre age, em geral, sobre um substrato preexistente, seja uma mitologia nacional, seja o simples complexo de ódios e de preconceitos tradicionais. É o que os oradores fazem quando querem amoldar uma multidão ao seu objetivo: jamais contradizem as pessoas frontalmente, mas de início declararam-se de acordo com ela.

A maior preocupação dos propagandistas reside na identificação e na exploração do gosto popular, mesmo naquilo que tem de mais perturbador e absurdo.

LEI DA UNANIMIDADE

Baseia-se no fato de que inúmeras opiniões não passam, na realidade, de uma soma de conformismo, e se mantêm apenas por ter o indivíduo a impressão de que a sua opinião é esposada unanimemente por todos no seu meio. É tarefa da propaganda reforçar essa unanimidade e mesmo criá-la artificialmente.

É preciso que as pessoas conheçam os mecanismos de controle de opinião. Principalmente os profissionais de comunicação, para que não entrem nessa ciranda de manipulação e façam jornalismo ético e responsável.

Michelson Borges

Nota: Tanto Goebbels quanto Stalin cobiçavam a posse de Hollywood pois acreditavam, com toda razão, que aquele seria um dos mais poderosos e eficazes instrumentos de manipulação das massas. Coube aos comunistas enfiar as garras na indústria cinematográfica norte-americana (a europeia praticamente já nascera dominada), através da cooptação de diretores, astros e roteiristas. Isso mais a ocupação progressiva das universidades e da imprensa puseram a América de quatro e soterraram um a um todos os princípios basilares da grande nação deste continente (Marco Dourado).

A transexualidade e o declínio do Ocidente

O cachorrinho morto e as incoerências humanas

cachorrinhaGanharam o mundo e causaram grande comoção a notícia e as imagens da morte de um cachorrinho brutalmente espancado e envenenado pelo segurança de uma unidade da rede de supermercados Carrefour, em São Paulo. Internautas, ativistas pelos direitos dos animais, celebridades e políticos estão se manifestando publicamente desde o dia 28, em uma mobilização que fez com que milhões de pessoas assinassem uma petição exigindo a punição do funcionário e da empresa. O promotor de Justiça Marco Antônio de Souza instaurou um inquérito civil para apurar a ocorrência. Ele considera “dever do Estado, segundo a lei, proteger todos os animais”. O ativista Rafael Leal, da ONG Cão Leal, convocou um protesto em frente ao supermercado. E disse: “Estamos convidando todas as pessoas de bem a se manifestarem contra esse crime. Nosso pedido também é para que as pessoas não comprem em nenhuma loja da rede.”

De fato, a morte do bichinho de maneira tão desumana é totalmente condenável e deve ser devidamente punida, mas quero aproveitar este momento de ânimos exaltados para expandir um pouco mais a reflexão sobre o ocorrido.

Em entrevista ao jornal El País, a psicanalista Vera Iaconelli, doutora em psicologia pela USP e diretora do instituto Gerar, disse que “qualquer forma de crueldade contra seres vivos é injustificável e deve ser condenada em todas as instâncias. Mas parece existir certa desproporção com relação à defesa de alguns seres vivos em detrimento de outros, o que mostra que estamos com dificuldade de fazer uma reflexão sobre nossos valores”.

Concordo com a Dra. Vera, afinal muitas das pessoas que agora estão vociferando nas redes sociais e clamando para que o supermercado seja punido com boicote entram e saem desses estabelecimentos com seus pacotes de picanha, filés, salsichas, pizzas de frango e alimentos temperados com bacon. Por que defendem tanto os cachorros e ignoram a morte de frangos, bois, porcos e, pior, de bezerrinhos que fornecem matéria-prima para as tão apreciadas vitelas? Por que muitas dessas mesmas pessoas que estão assinando manifestos contra o Carrefour e contra o segurança desalmado não ficam indignadas como eu fico quando vejo caminhões apinhados de frangos ou porcos cruzando rodovias, debaixo de chuva, sol, frio e calor, para depois da tétrica viagem acabar no matadouro? Por que essas mesmas pessoas que se sentem tão humanas por se manifestar a favor do cachorrinho não vão visitar um matadouro para ver quão humanos eles são?

“Ah, mas cachorros não são comida!” Diga isso a um chinês apreciador desse tipo de carne… E depois pergunte a um hindu o que ele acha do fato de ocidentais comerem vacas… Então é a cultura que deve classificar que bicho será mais ou menos amado? São os costumes que devem nortear nossa defesa dos animais mais defensáveis? O promotor citado há pouco considera “dever do Estado, segundo a lei, proteger todos os animais”. Mas, convenhamos, nem todos os animais vêm sendo protegidos. Na verdade, a maioria deles vem sendo devorada todos os dias.

Há outra reflexão que pode ser feita a partir da morte do cachorrinho. Vivemos em uma época em que o amor aos animais aumenta na mesma proporção em que aumentam também a indiferença e a intolerância pelos iguais. Claro, é muito mais fácil tolerar e amar um ser que nunca nos contraria e que sempre está do nosso lado, mesmo depois de receber uma bronca. Ele não nos critica. Não discorda das nossas opiniões. Enfim, é talvez exatamente por isso “o melhor amigo do homem”. Pessoas são diferentes. Elas, sim, nos contrariam. Nos obrigam a pensar de modo diferente. Até nos ofendem e nos obrigam a exercer a capacidade de perdoar. Assim, como diz a Dra. Vera, é mais fácil se mobilizar por um animal que nos faz sentir maravilhosos do que por um sujeito que, sendo humano, é falível por natureza.

Vera destaca também um paradoxo brasileiro: enquanto animais de estimação desfrutam de planos de saúde e até recebem herança, crianças morrem de fome ou vitimadas por balas perdidas dentro de casa. Pessoas que se sensibilizam com cachorrinhos sarnentos vagueando pelas ruas nada fazem quando veem um menino ou uma menina pedindo esmola num sinal de trânsito. Alguns ativistas que levantam cartazes em defesa de gatos e cachorros “vão ali” depois erguer outros cartazes em defesa da morte de crianças inocentes arrancadas aos pedaços do útero materno. Cadê os manifestos contra essas injustiças? Cadê a comoção nas redes sociais? Ou já nos acostumamos com essas mazelas cotidianas?

A morte do cachorrinho nas dependências do Carrefour em São Paulo foi triste e causou revolta geral porque acabou sendo registrada por câmeras. Infelizmente, quase ninguém filma o sofrimento de ovelhas, bois, bezerros, galinhas e porcos que morrem todos os dias aos milhões para servir de iguaria para muitos “defensores dos animais”.

Mundo estranho, triste, incoerente e injusto o nosso. Que venha logo o novo mundo em que crianças nunca mais sofrerão, animais não mais serão comida, a violência será uma mancha esquecida na história do Universo, e a harmonia e o amor serão a marca dos relacionamentos – entre humanos e humanos, entre animais e animais, e entre humanos e animais.

Michelson Borges

Um detalhe importante: Ativistas que manifestam ódio contra pessoas que comem carne enquanto defendem os animais também revelam a marca de contradição. Devemos amar e respeitar todas as pessoas e, se for para convencê-las, que seja na base do amor e dos bons argumentos, não do ódio e da intolerância, que apenas agridem e repelem.

Macron, O Belo da Tarde (me perdoe, Catherine Deneuve…)

paris[Em julho deste ano, fui convidado a apresentar palestras e pregar em duas igrejas de Paris. Foi a primeira vez que estive na charmosa capital francesa. Obviamente que fiquei encantado ao visitar seus principais pontos turísticos, especialmente o Museu do Louvre e – numa “esticadinha” estratégica até Versalhes – o famoso palácio homônimo. De fato, Paris é linda, mas é impossível deixar de notar os efeitos da presença de milhares de pessoas oriundas de países em crise, o mal cheiro dos metrôs, a sujeira em alguns bairros e a crescente falta de liberdade religiosa. Sim, o simples ato de carregar uma Bíblia em público pode causar problemas. O pastor de lá me explicou que a polícia estava tendo problemas com mulheres muçulmanas ao volante. Como usam burca, emprestavam suas carteiras de habilitação para amigas e os oficiais não podiam fazer nada a esse respeito. Pois “baixaram” uma lei proibindo que condutoras de veículos usem burca, e, para ser “justos”, proibiram que qualquer símbolo religioso seja exibido em público. Assim, Bíblias só na bolsa; e orações só nas igrejas, em casa ou em pensamento. O Ocidente cristão se curva aos novos costumes e se vê invadido por pessoas que até poderiam conhecer Jesus, se Ele fosse conhecido dos cristãos nominais de hoje… A Europa e a França, particularmente, vivem um momento complicado. Para ajudar você a compreender o que se passa por lá, pedi ao amigo analista de sistemas Marco Dourado, de Curitiba, que escrevesse uma análise da situação, a qual você pode ler a seguir. – Michelson Borges]

A cada ano, numa estimativa conservadora, vêm entrando na França uma média de 100 mil refugiados, um lumpemproletariado pra Marx nenhum botar defeito. Aí os franceses vão e elegem Emannuel Macron, na tentativa de evitar armadilhas de um extremo e outro do espectro político. Qual o resultado? Macron dá mostras cotidianas (e acintosas) de que não será pautado pelos interesses de seus eleitores, mas pelo politicamente correto, pelos chamados “acordos internacionais” recomendados pela ONU e pelo IPCC (o Painel Climático Internacional). Para “salvar o planeta” ele não titubeia em afundar seu país, talvez até tenha buscado o poder justamente para isso.

Somente nos subúrbios de Paris existem 400 mil imigrantes, sendo que 28% vivem abaixo da linha da pobreza, com o inevitável cortejo de violência, criminalidade, contrabando e sujeira. Paris fede como um gigantesco banheiro de rodoviária abandonada pelas autoridades. Pois vem Macron advogar em favor dos imigrantes ao mesmo tempo em que debocha publicamente da população francesa, como foi o caso de um jovem horticultor graduado que reclamou com ele da impossibilidade de arrumar emprego – o presidente lhe disse que bastava atravessar a rua para arranjar trabalho (aqui no Brasil soaria como dizer ao rapaz para procurar um Posto Ipiranga). Tal escárnio gerou comoção nacional.

Para seguir a agenda ECOmênica, Macron aumentou, desde o início do ano, o preço dos combustíveis (diesel e gasolina) em 23%. E quanto mais se aumenta a carga tributária, mais diminui, de forma sensível, o poder aquisitivo da população, especialmente as pessoas majoritariamente pobres, que não estão organizadas em sindicatos e associações, mas que se unem por meio das redes sociais. Daí se percebe a semelhança dos protestos naquele país com a greve de caminhoneiros do Brasil neste ano.

Os revoltosos franceses, que adotaram como símbolo o colete amarelo (gilets jaunes), são estimados entre 75 mil e 280 mil (cifras aproximadas, mas, com toda evidência, crescentes). Sua ação obrigou Macron a decretar Estado de Emergência. Sua popularidade no início do governo era de 69% – um índice expressivo, que indicava grande otimismo. Hoje, encontra-se – com firme viés de queda – na casa de 29%, patamar de governos impopulares em fim de mandato.

A situação política da França marca o contraste entre governos preocupados com seus cidadãos – caso dos EUA, Áustria, Itália, Polônia, Hungria e, felizmente, o Brasil – e vigaristas a mando de organizações globalistas presididas por burocratas sem alma – anônimos, não eleitos e pragmaticamente indiferentes à soberania dos países.

Por falar em Trump, o cinismo e a cara-de-pau de Macron são tamanhos que ele tentou lacrar o presidente norte-americano durante as comemorações do fim da Primeira Guerra, provocando o ianque ao afirmar que “nacionalismo é diferente de patriotismo”. Levou uma invertida de Trump, que lhe lembrou que, não fosse o “nacionalismo norte-americano”, os franceses estariam hoje falando alemão (nas entrelinhas, entenda-se que a França pode vir a adotar o árabe como idioma oficial). Sim, o bom e velho nacionalismo americano. Afinal, a maior motivação de um soldado em arriscar sua vida não é exatamente conquistar aquilo que ele não tem mas preservar, CONSERVAR o que já possui: sua família, sua propriedade, seus valores, suas tradições, sua cultura, sua história, sua religião, seu estilo de vida – coisas que o sabujismo de Macron está pondo em risco.

Note-se que Macron criticou Bolsonaro por ter, a exemplo de Trump, rechaçado que o Brasil venha a sediar uma dessas conferências para acordo climático. Usou, inclusive, de chantagem, condicionando um acordo comercial União Europeia/Mercosul com a realização do ecoevento. Ótima oportunidade para o Brasil não só pular fora da canoa ideológica furada do Mercosul e focar em acordos bilaterais, como também repudiar uma agenda ecológica intencionalmente vaga, baseada em argumentos não só temerários, mas despudoradamente mentirosos (a esse respeito, leia-se O Império EcológicoOu A Subversão da Ecologia pelo Globalismo, de Pascal Bernadin – 600 páginas altamente documentadas demonstrando que a tal da agenda climática favorece exclusivamente o globalismo em prejuízo da soberania dos países e do bem-estar de suas populações).

Em suma, ou Macron é um absoluto idiota ou um perfeito canalha. Não tem interesse ou capacidade de governar seu país, e ainda se dá o desfrute de querer ensinar a outros governantes o caminho para o desastre. Não é à toa que os franceses, a exemplo dos brasileiros em 2016, só têm uma palavra para o imbecil apátrida: “Fora!” – e olha que os recentes confrontos com a polícia até que estão saindo barato. Por quê? Vejamos.

Pouca gente associa os massacres da Noite de São Bartomeu ao Terror, dois séculos mais tarde – uma safra de sangue que teve engenheiros agrônomos de peso: Rousseau, De Sade, Marat e Robespierre. Não é de admirar que o flagelo do esquerdismo já nasceu extremo naquela mistura de hospício com matadouro. Luciano Ayan lembra que Kurt van Middelaar, em Politicídio, explica como a filosofia francesa se transformou numa forma de justificar o terror: “E da turma do marxismo ocidental, os que mais chutaram o balde vieram de que país? Adivinhe. Maurice Merleau-Ponty, Jean-Paul Sartre e Michel Foucault elogiaram formalmente os genocídios da Rússia. No resto do mundo, esse comportamento era exceção, e muitos questionavam. No meio acadêmico francês, era o padrão. Desde Rousseau é assim.”

Muito provavelmente Macron não perderá a cabeça, não literalmente. Três gerações sob o Estado de Bem-Estar Social amoleceram os carbonários franceses, aquela turma escolada em partir pro quebra-pau. Mas, como diz um ditado aqui no Sul, cachorro que comeu carne de carneiro, ainda que só uma vez, nunca mais esquece do gosto. E isso pode insuflar as matilhas dispersas do resto do Velho Continente.

Isaac & Charles: humanos e chimpanzés

ic009cor Humanos e chimpanzes

Anel de Pôncio Pilatos é descoberto perto de Jerusalém

herodiunUm anel descoberto perto de Jerusalém foi atribuído a Pôncio Pilatos, o governador romano que, segundo textos bíblicos, condenou Jesus a ser crucificado. O objeto descoberto há cinquenta anos em uma escavação traz uma inscrição “de Pilatus” em letras gregas, revelada agora em análises recentes de pesquisadores, de acordo com um artigo publicado no Israel Exploration Journal. Datado com cerca de 2.000 anos, o anel, que servia de selo, pode comportar uma das poucas menções escritas de Pôncio Pilatos de sua época, afirma o Instituto de Arqueologia da Universidade Hebraica de Jerusalém. A peça foi descoberta em Herodium, um antigo palácio construído na época do rei Herodes, perto de Jerusalém e de Belém, uma cidade da Cisjordânia ocupada [veja a foto]. O palácio serviu de fortaleza para os insurgentes judeus que se rebelaram contra os romanos.

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