Raízes da nossa história

Edegar-LinkSendo descendente de uma das famílias adventistas mais antigas de Santa Catarina, Edegar Link cresceu ouvindo relatos da avó materna sobre o início da igreja na região. Isso despertou nele o interesse em conhecer mais sobre a chegada do adventismo ao Brasil. Porém, ele se deparou com uma dificuldade que a maioria dos interessados no tema enfrenta até hoje: a escassez de publicações na área e a limitação das pesquisas existentes, boa parte delas proveniente de fontes secundárias e da tradição oral. Por isso, durante o mestrado na Universidade Adventista de Friedensau (Alemanha), ele foi em busca de fontes primárias que ajudassem a elucidar especialmente o período anterior a 1906, data do início da maioria dos registros disponíveis em português. Como lê alemão gótico, ele teve acesso ao conteúdo da mais antiga revista adventista da Alemanha, intitulada Zions-Wächter (Guarda de Sião). Nela, deparou-se com vários relatórios escritos a partir de 1896 sobre o Brasil. Esse periódico o levou a descobrir outras fontes primárias que até então não tinham sido levadas em conta por pesquisadores brasileiros e norte-americanos. As principais conclusões do estudo você confere na entrevista a seguir, concedida ao pastor e jornalista Michelson Borges.

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Liberdade religiosa está ameaçada na Bolívia

evo-moralesLideranças evangélicas e católicas da Bolívia estão denunciando a tentativa do presidente Evo Morales de criminalizar a evangelização. O Novo Código do Sistema Criminal boliviano, proposto em dezembro e que deve ser aprovado em breve, trouxe uma série de mudanças na legislação, visando a se conformar à visão bolivariana de sociedade. Bispos católicos e pastores de diferentes igrejas evangélicas chamam atenção ao artigo 88, que prevê com prisão de sete (7) a doze (12) anos. O problema é que seu 12º parágrafo caracteriza como crime “o recrutamento de pessoas para participação em organizações religiosas ou de culto”.

Nesta segunda-feira (8), centenas de evangélicos fizeram manifestações na capital La Paz. Além dos líderes religiosos, também protestam advogados e jornalistas. Eles denunciam que o Novo Código do Sistema Criminal acaba com a liberdade de imprensa nos artigos 309, 310 e 311, que tratam de “injúria e difamação”. Na prática, eles preveem prisão para quem fizer denúncias contra o governo e os políticos bolivianos.

O argumento central do governo boliviano é que a liberdade de expressão (seja ela religiosa ou na imprensa) é uma “concessão de Estado”. Esse é um pensamento típico das ditaduras, que aproxima mais ainda a Bolívia da Venezuela, que compartilha do mesmo ideal “bolivariano” – que nada mais é uma forma latino-americana de comunismo.

Um grupo de representantes da associação Igrejas Evangélicas Unidas revelou que fez um ato em frente ao Palácio do Governo e à Assembleia Legislativa, que deverá aprovar as mudanças propostas por Evo Morales. Eles divulgaram uma declaração na qual exigem “a revogação total do Novo Código do Sistema Criminal”.

Susana Inch, assessora jurídica da Conferência Episcopal Boliviana (CEB), disse que “há uma forte preocupação na Igreja Católica e em todas as instâncias religiosas por causa do conjunto de leis que estão gerando ambiguidades, em que os direitos fundamentais das pessoas podem ser afetados… resultando em uma perseguição injustificada”.

Segundo os pastores, o artigo 88 dá margem a interpretações de que qualquer atividade de evangelização seja criminalizada. Também dizem que isso inviabiliza o trabalho com pessoas que recebem nos centros de recuperação de alcoolismo e dependência de drogas dirigido por religiosos.

As propostas da nova lei contradizem o artigo 4 da Constituição da Bolívia, que prevê a liberdade de culto. No entendimento dos líderes religiosos, toda manifestação fora dos templos estaria sujeita à censura, o que impediria, por exemplo, retiros de igrejas, procissões ou caminhadas do tipo “Marcha para Jesus”.

Chamam a atenção também para as “restrições à realização de atividades em grupo”, contempladas na nova legislação, que poderia resultar na intromissão do governo nas atividades das igrejas, como cultos.

O pastor Miguel Machaca Monroy, presidente das Igrejas Evangélicas de La Paz, acredita que a formulação dessa lei os impedirá de pregar e evangelizar nas ruas. Por isso, eles estão fazendo uma campanha de oração e jejum em favor do país.

A liderança da Assembleia de Deus da Bolívia emitiu um pronunciamento, dizendo que o país se encontra em uma “situação de emergência, que pelo visto é gravíssima”. Os pastores também são contrários ao artigo 157, que legaliza do aborto.

(Gospel Prime, com informações de La Razón e Los Tiempos)

LEIA TAMBÉM a nota oficial divulgada pela Divisão Sul-Americana da Igreja Adventista do Sétimo dia. Clique aqui.

Nota 1: Para os que flertam com o marxismo, duas perguntas simples: Em que países a liberdade religiosa e de imprensa está sempre mais ameaçada? Em que países o Estado interfere mais na vida dos cidadãos, ameaçando-lhes as liberdades individuais e indo contra valores e princípios bíblicos? Só pra pensar… [MB]

Nota 2: Há outro aspecto a ser considerado, destacado e ponderado por Tulio Santos Caldeira:

É importante salientar que, sim, a decisão do governo boliviano é um atentado aos direitos humanos (reconhecidos pela ONU e também pelo Tratado de San José da Costa Rica). Violações aos direitos humanos como essa são atentados à dignidade humana de grande impacto e não podem ser vistas ou tratadas com complacência. Caso a referida legislação seja de fato aprovada nesses termos e sob essa interpretação, há inequívoca violação ao direito humano de liberdade de crença, religião e expressão.  Todavia, gostaria de acrescentar outra perspectiva sobre o fato. A postura adotada pelo governo boliviano, embora violadora de direitos e absolutamente injustificável e desumana, não pode ser exclusivamente imputada a uma ideologia. É notório o atual crescimento da influência da religião nos centros de poder político (não apenas no Brasil, mas em todo o mundo). Quando a religião deixa de tratar da espiritualidade para lidar com política, poder, fundar partidos políticos, etc., ela se arvora em locais que não lhe são próprios e pode sofrer as mesmas ameaças que os políticos e os partidos sofrem.

O que quero dizer com isso é que as religiões estão sendo perseguidas na Bolívia (e em outros lugares) não necessariamente porque esses países sejam comunistas ou ateus, mas porque as religiões saíram das igrejas para formar bancadas nos Congressos e seus sermões deixaram de versar sobre fé e passaram a se tornar grandes comícios políticos, com pastores e padres que são ao mesmo tempo líderes de paridos políticos, congressistas e empresários.

A perseguição às religiões, portanto, ocorre também porque elas são uma oposição política a certas ideologias. Não são um questionamento espiritual a certas ideias, pelo contrário, são uma oposição política que quer poder político e, por isso, a ideologia atualmente no poder vê as religiões como uma oposição política a ser vencida. Por isso as religiões estarem sendo amordaçadas: não para não pregar o evangelho (tema que essas igrejas que buscam o podem deixaram de pregar há muito tempo), mas para não pregarem uma ideologia política rival à dominante.

Assim, grande parte do atual ataque à religião é fruto do abuso de algumas religiões (não todas) que deixaram de ser religiões de fato e se tornaram grandes empresas na busca de lucro e poder político (vide a bancada evangélica no Brasil e as igrejas que a finaciam).

Esse é um alerta importante, mas que mostra, por outro lado, como Deus protege seu povo, especialmente por meio dos conselhos de Ellen White que recomenda que a igreja não tenha qualquer vínculo com o Estado ou com os governos. A Igreja Adventista do Sétimo Dia, inclusive, inspirada nesse ideal, prega a salutar laicidade do Estado (adotada em nossa Constituição no art. 19, I).

É pena que todas as religiões  tenham que pagar pelo erro de algumas. Mas esta é uma importante lição para nós: não devemos misturar os temas, a Bíblia não é um livro político, é a Palavra de Deus e, por isso, espiritual. Não podemos reivindicar a laicidade do Estado para proteger nossa liberdade religiosa se usamos essa liberdade abusivamente para fazer política.

Toda ação tem consequências. Quanto mais distante nossa fé e religião estiverem da política, mas segura a pureza e a utilidade de ambas estarão. A política corrompe e destrói a religião quando são misturadas. E a religião torna cega e intolerante a política, quando unidas.

O mais importante, contudo, está no fato de que a perseguição religiosa ao povo de Deus no tempo do fim não vem de uma ideologia política apenas, mas de uma ideia religiosa equivocada. Será um poder pautado em conceitos religiosos e não ideológicos que perseguirá o povo de Deus. Buscar, fomentar e fortalecer a laicidade é uma responsabilidade (já que determinado pela Constituição de nosso país), mas também uma segurança para nós que conhecemos as profecias.

Crianças são sacrificadas em ritual satânico no RS

satanismoTem gente que ainda acha que o satanismo é só uma reação irônica ao cristianismo ou um tipo de brincadeira macabra de péssimo mau gosto. Só que algumas “pessoas” levam essa brincadeira bem a sério e revelam o espírito daquele que as inspira. Foi o que aconteceu em Novo Hamburgo, RS, onde o líder de um culto satânico é acusado de ter assassinado e esquartejado duas crianças em um ritual. As crianças teriam sido compradas ou sequestradas na Argentina e trazidas para o Brasil por um homem daquele país. Duas reportagens do Jornal NH (confira aqui e aqui) revelam os detalhes sórdidos desse crime hediondo que faz lembrar outros, como um que, no início da década passada, levou o Ministério Público Federal a conduzir uma investigação sobre os meninos castrados em Altamira, no Pará. Crianças e adolescentes eram sequestrados e apareciam mutilados e mortos. Era um caso que também envolvia magia negra. Por isso, na próxima vez que você achar que satanismo é brincadeira tipo Halloween, lembre-se de que tem “gente” que leva isso a sério, para deleite do “deus” que adoram.

Estude mais sobre a origem do mal e a rebelião de Lúcifer. Clique aqui.

A ligação entre a poligamia e a guerra

Mohamamd Inaamulillah Bin Ashaari centre, Rohaiza Esa, Ummu Habibah Raihaw , Nurul Azwa Mohd Ani,  Ummu Ammarah Asmis[Artigo interessante publicado no The Economist e que ajuda a ilustrar os problemas, as distorções e o sofrimentos ocasionados pela desobediência à vontade de Deus. O casamento bíblico passa longe de tudo isso. – MB]

É uma verdade universalmente reconhecida, ou ao menos largamente aceita no Sudão do Sul, que um homem de posse de uma grande fortuna deve estar interessado em muitas esposas. Paul Malong, o ex-chefe de gabinete do Sudão do Sul, tem mais de 100 – ninguém sabe o número exato. Um site de notícias afirmou serem 112 em fevereiro, após uma das mais jovens fugir para se casar com um professor. Afirmou-se que o casal estava escondido. Para adaptar Jane Austen [romancista inglesa], somos todos tolos no amor, mas especialmente se trairmos um senhor da guerra em um dos países mais violentos do mundo.

Os homens no Sudão do Sul tipicamente se casam tão frequentemente quanto sua fortuna – geralmente medida em gado – permite. Talvez 40% dos casamentos sejam poligâmicos. “Em [nossa] cultura, quanto mais família você tem, mais as pessoas o respeitam”, afirma William, um jovem especialista de TI à procura de sua segunda esposa (seu nome, assim como outros neste artigo, foi mudado). Tendo estudado nos Estados Unidos e retornado a seu vilarejo natal, ele descobriu ser rico comparado aos padrões locais. Então por que se contentar com apenas uma noiva?

Poucos Sudaneses do Sul veem a conexão entre esses costumes matrimoniais e a assustadora guerra civil do país. Se forem questionados quanto ao motivo da violência, os residentes locais culparão o tribalismo, políticos gananciosos, instituições fracas e talvez a riqueza do petróleo, que dá aos senhores da guerra motivo para lutarem. Tudo verdade, mas não é a estória completa.

Onde quer que seja extensamente praticada, a poligamia (especificamente poliginia, a união de múltiplas esposas) desestabiliza a sociedade, por ser uma forma de desigualdade que cria uma imediata necessidade nos corações, e entranhas, de jovens homens. Se um homem rico tem uma Lamborghini, isso não significa que um homem pobre tenha que andar, já que a oferta de carros não é fixa. Em contraste, cada vez que um homem rico toma uma nova esposa, outro homem pobre deve permanecer solteiro. Se os 10% mais ricos e poderosos homens têm, digamos, quatro esposas cada, os 30% mais pobres não podem se casar. Homens pobres tomarão medidas desesperadas para evitar essa condição.

Essa é uma das razões pela qual a Primavera Árabe eclodiu, porque os jihadistas de Boko Haram e o Estado Islâmico foram capazes de conquistar faixas da Nigéria, Iraque e Síria, e porque as regiões poligâmicas da Indonésia e Haiti são tão turbulentas. Sociedades poligâmicas são mais sangrentas, mais propensas a invadirem seus vizinhos e mais fadadas a colapsar do que outras. Tomar múltiplas esposas é parte do cotidiano em todos os 20 países mais instáveis da Lista dos Estados Frágeis, compilado pela ONG Fundo para a Paz.

Uma vez que a poligamia é ilegal na maioria dos países ricos, muitos ocidentais subestimam o quão comum ela é. Mais de um terço das mulheres na África Ocidental são casadas com um homem que tem mais de uma esposa. Casamentos plurais são comuns no mundo Árabe, e não raros no Sudeste da Ásia e em algumas partes do Caribe. As culturas envolvidas são geralmente patrilineares, ou seja, a família é definida pela linhagem masculina. São também patrilocais: esposas se unem à família do marido e abandonam sua própria. Casamentos são geralmente selados pelo pagamento de um dote da família do noivo à família da noiva. Isso deve supostamente compensar a família da noiva pelo custo de sua criação.

Alguns homens atraem múltiplas esposas por serem excepcionalmente carismáticos, ou persuadindo outras de que eles são santos. “Deve haver exemplos de homens líderes de cultos que não fazem uso de suas posições para incrementar sua própria poliginia, mas eu não consigo pensar em nenhum”, diz David Barash, da Universidade de Washington em Fora do Eden: As Consequências Surpreendentes da Poligamia. No entanto, o mais importante facilitador da prática não é a distribuição desigual de charme, mas a distribuição desigual de riqueza. Sociedades baseadas em dotes, onde a riqueza é distribuída de forma irregular as leva à poligamia – que por sua vez inflaciona o preço das noivas, algumas vezes a níveis destruidores. No terrivelmente pobre Afeganistão, o custo de um casamento para um jovem homem gira entre 12 a 20 mil dólares.

Ao aumentar o preço das noivas, a poligamia tende a aumentar a idade na qual jovens homens se casam; leva um longo tempo para se guardar dinheiro suficiente. Ao mesmo tempo, diminui a idade na qual as mulheres se casam. Todos menos as famílias mais ricas precisam “vender” suas filhas antes que eles tenham condições de “comprar” esposas para seus filhos; eles também querem que as esposas que eles vendem sejam jovens e férteis. No Sudão do Sul, “uma garota é considerada uma velha senhora na idade de 20 anos porque ela não pode ter muitos filhos após isso”, disse um homem local a Marc Sommers, da Universidade de Boston, e Stephanie Schwartz, da Universidade de Columbia. Um ancião tribal descreveu a matemática da situação. “Quando você tem 10 filhas, cada uma lhe dará 30 vacas, e todas são destinadas [ao pai]. Então você tem 300 vacas.” Se um patriarca vende suas filhas aos 15 anos e não deixa seus filhos se casarem até que tenham 30 anos, ele tem 15 anos para desfrutar do retorno dos bens recebidos dos dotes. Há muito leite.

Valerie Hudson, da Universidade A&M do Texas, e Hilary Matfess, de Yale, descobriram que um dote inflacionado é um fator “crítico” “predispondo jovens homens a se envolverem em grupos organizados de violência por motivos políticos”. Grupos terroristas sabem disso, também. Muhammad Kasab, um terrorista Paquistanês enforcado por sua atuação nos ataques em Mumbai em 2008, afirmou ter-se juntado a Lashkar-e-Taiba, o agressor jihadista, por lhe ter sido prometido pagamento a seus irmãos para se casarem. Na Nigéria, Boko Haram organiza casamentos para seus recrutas. O chamado Estado Islâmico costumava oferecer a recrutas estrangeiros 1.500 dólares para uma moradia inicial e uma lua de mel grátis em Raqqa. Grupos radicais islâmicos no Egito também organizaram casamentos baratos para membros. Não é apenas na próxima vida que são prometidas virgens aos jihadistas.

A mais profunda depravação

No Sudão do Sul, dotes podem variar de 30 a 300 vacas. “Para jovens homens, a aquisição de tanto gado de formas legítimas é praticamente impossível”, escreve a Srta. Hudson e a Srta. Matfess. A alternativa é roubar um rebanho da tribo vizinha. Em um país inundado de armas, tais roubos de gado são tão sangrentos quanto são frequentes. “Sete mortos, outros 10 feridos em roubo de gado em Eastern Lakes”, diz uma típica notícia no This Day, um jornal Sudanês do Sul. O artigo descreve como que “jovens armados de comunidades vizinhas” roubaram 58 vacas, deixando sete pessoas – e 38 vacas – mortas a tiro “num trágico fogo cruzado”.

Milhares de sudaneses do Sul são mortos em roubos de gado todo ano. “Quando você tem vacas, a primeira coisa a fazer é adquirir uma arma. Se você não tem uma arma, pessoas tomarão suas vacas”, afirma Jok, um vaqueiro de 30 anos de idade em Wau, uma cidade sudanesa do Sul. Ele carrega apenas um facão, mas afirma que seus irmãos têm armas.

Jok ama vacas. “Elas te dão leite, você pode se casar com elas”, ele sorri. Ele afirma que irá se casar neste ano, apesar de não ter vacas suficientes e, a julgar por suas roupas rasgadas, ele não tem dinheiro para comprá-las também. Ele é vago em dizer como irá adquirir as ruminantes necessárias. Mas qualquer um pode notar que ele está pastando seu rebanho numa terra que foi recentemente limpada etnicamente. Os Dinkas, assim como Jok, andam livremente em Wau. Membros de outras tribos que costumavam viver na região agruparam-se em acampamentos para deslocados, guardados por tropas de paz das Nações Unidas.

Todas as pessoas nos acampamentos contam histórias similares. Os Dinkas vieram, vestidos de azul, e atacaram suas casas, matando os homens e roubando tudo que podiam carregar, incluindo gado e jovens mulheres. “Muitos da minha família foram mortos ou estuprados”, afirma Saida, uma comerciante do vilarejo. “Os atacantes cortam a cabeça das pessoas. Todos os jovens homens desapareceram de nosso vilarejo agora. Alguns se juntaram aos rebeldes. Alguns fugiram para o Sudão.” O marido de Saida escapou e está agora com sua outra esposa em Khartoum, a capital Sudanesa. Saida foi deixada cuidando de cinco filhos. Questionada do porquê tudo isso estar acontecendo, ela desaba em lágrimas.

“Se você tem uma arma, você consegue tudo o que quiser”, diz Abdullah, um fazendeiro expulso de sua terra para que saqueadores Dinka pudessem levar seu gado para pastar ali. “Se um homem com uma arma diz ‘Quero me casar com você’, você não pode dizer não”, diz Akech, uma ajudante. Por isso que garotos adolescentes andam ao redor de batalhas no Sudão do Sul. Quando um combatente é morto, eles correm e roubam sua arma para que possam se tornar combatentes também.

De forma geral, a poligamia está recuando. No entanto, seus apoiadores estão lutando para preservá-la e até mesmo estendê-la. Dois quintos dos cazaques querem relegalizar a prática (foi banida pelos bolcheviques). Em 2008 eles foram impedidos, ao menos temporariamente, quando uma parlamentar propôs um projeto de lei sugerindo que a poliandria – a tomada de múltiplos maridos – seria autorizada também; anciãos muçulmanos rejeitaram a proposta.

No Ocidente a poligamia é muito rara para ser socialmente desestabilizadora. Até certo ponto é porque é feito em série. Homens ricos e poderosos regularmente trocam esposas velhas por outras mais jovens, dessa forma monopolizando os primeiros anos reprodutivos de várias mulheres. Mas isso é feito com algumas mulheres, não algumas dezenas. Os enclaves poligâmicos nos Estados Unidos dirigidos por seitas mórmons dissidentes são altamente instáveis – os homens mais velhos no comando expulsam grandes quantidades de jovens homens por ofensas triviais para que eles possam se casar com várias jovens mulheres. No entanto, alguns candidatos argumentam que a poligamia paralela deveria se tornar legal. Se a constituição determina que o casamento gay é permitido (como o Supremo Tribunal aprovou em 2015), então certamente é inconstitucional proibir o casamento plural, eles argumentam. “Casamento em grupo é o próximo horizonte do liberalismo social”, escreve Fredrik deBoer, um acadêmico, no Politico, com base em que relacionamentos poliamorosos de longo prazo merecem tanta proteção legal quanto quaisquer outras uniões livres.

Proponentes de poligamia oferecem dois principais argumentos além da preferência pessoal. Um é que é abençoado no Alcorão, o que é verdade. O outro é que ela dá a mulheres uma melhor chance de evitar se tornarem velhas solteironas. Rania Hashem, uma candidata pró-poligamia no Egito, afirma que há uma quantidade reduzida de homens em seu país. (Não há, mas essa é uma concepção errônea entre os poligamistas.) Se mais egípcios ricos e educados tomarem múltiplas esposas, diz ela, isso tornará mais fácil para as mulheres exercitarem seu “direito de terem um marido”. Mona Abu Shanab, outra egípcia defensora da poligamia, argumenta que a poligamia é uma forma sensível de mitigar a frustração sexual masculina, causa comum de divórcio. “Mulheres após o casamento desprezam seus maridos [e] focam em seus filhos. Elas… sempre têm uma desculpa para não se envolverem em relações íntimas; elas estão sempre ‘cansadas’ ou ‘doentes’. Isso deixa os homens desconfortáveis e os leva a… terem uma namorada.”

Alguns homens veem a poligamia como uma resposta pragmática à infertilidade feminina. “Minha primeira esposa era estéril”, afirma Gurmeet, um senhor de terras de 65 anos em Lahore, Paquistão. Em certo momento “ela disse que nossa incapacidade de ter filhos era por causa de minha condição médica, não dela. Eu fiquei furioso. Eu me voltei para a religião e fui guiado [por Deus] a tomar uma segunda mulher”. Ele estava planejando tentar fertilização in vitro, mas o aviso de Deus pareceu um melhor investimento. Inicialmente, sua primeira esposa estava “indisposta a dividir minhas afeições com outra mulher”. Mas, com o passar do tempo, ela aceitou a situação, diz Gurmeet. Ele dividiu a casa em duas partes, assim suas esposas poderiam viver separadamente. Ele dividiu seu tempo igualmente entre elas. “Funcionou”, ele diz. A segunda esposa teve seis filhos. Mas Gurmeet resmunga que ela se vestia menos elegantemente do que sua esposa sem filhos e não mantinha seus cômodos tão organizados.

Poligenia é algo difícil para os homens, mas bom para as mulheres, diz Gurmeet, porque é “indesejável” para uma mulher ser solteira. Questionado sobre poliandria, Gurmeet diz: “Eu desaprovo veementemente. É contra a natureza uma mulher ter múltiplos parceiros.” Ele elabora: “Quando jovem eu tinha galinhas. O galo tem muitas galinhas, mas ele não permite às fêmeas acasalarem com mais de um parceiro. Então é contra a lei natural.”

Ruim para as noivas

 A poligamia “pode funcionar, desde que se faça justiça a [todas as esposas] igualmente”, diz Amar, um juiz Paquistanês com duas esposas. “Se você não der preferência a uma acima das outras, nenhum problema surge.” Ele admite que se duas esposas vivem juntas na mesma casa, “uma rivalidade natural” surge. Dividir uma propriedade também pode se tornar complicado e leva a muito litígio.

Mas Amar acha que ele fez dar certo. “Minha rotina é: eu passo uma noite com uma esposa e uma noite com a outra. Dessa forma, ninguém se sente maltratada. E eu dou a elas exatamente a mesma quantidade de dinheiro para gastar: cada uma tem um cartão de crédito. Como juiz, é [minha] obrigação primária promover justiça.” Uma de suas esposas entra na sala e oferece dar seu lado da história. Seu marido a expulsa, com irritação visível, antes que o correspondente possa fazer qualquer pergunta.

Apesar de as mulheres numa sociedade poligâmica acharem ser relativamente fácil se casar, a qualidade de seus casamentos talvez não seja alta. Como tais noivas são geralmente muito mais novas, sem mencionar o baixo índice de escolaridade, se torna difícil para elas confrontar seus maridos. E o dote não é favorável a um relacionamento de iguais.

No Sudão do Sul, aproximadamente 80% dos habitantes acham aceitável para um marido bater em sua esposa por coisas como recusar sexo, queimar o jantar e por aí vai. O divórcio requer que a família da noiva devolva o dote; eles insistem então que a mulher abusada fique com seu marido não importa o quão mau ele a trate.

A poligamia é também ruim para as crianças. Um estudo com 240 mil crianças em 29 países africanos identificou que, após eliminar outros fatores, aquelas em famílias poligâmicas eram mais propensas a morrer jovens. Um estudo entre os Dogon de Mali identificou que uma criança em uma família poligênica era sete a onze vezes mais propensa a morrer cedo que uma criança em uma família monogâmica. O pai gasta mais seu tempo procriando do que cuidando dos filhos que já possui, o Sr. Barash explica. Além disso, de acordo com os próprios Dogon, coesposas ciumentas muitas vezes envenenam os filhos das outras, assim seus filhos herdam mais.

Para Akech, a ajudante sul-sudanesa, crescer em uma família poligâmica “não foi fácil”. Seu pai, um antigo comandante rebelde, teve oito esposas e numerosas concubinas. Ela tem 41 irmãos, que ela tem conhecimento. Quando tinha seis anos, ela costumava ir buscar 20 litros de água todos os dias para sua mãe fazer siko, um tipo de bebida alcoólica. Algumas vezes seu pai chegava bêbado, batia na porta e pegava o dinheiro da sua mãe para gastar com outra mulher. Akech se lembra de seus pais discutindo muito. Isso posto, a família estendida podia se juntar em uma emergência. Quando seu pai foi baleado na perna, suas esposas se juntaram para limpá-lo, leva-lo ao hospital e pagar por suas despesas médicas.

Um dia, quando Akech estava na universidade, seu pai pediu a ela que viesse vê-lo. “Nós nunca tivemos uma relação de pai e filha, então eu fiquei animada”, ela se lembra. Quando ela chegou, ele apresentou a ela um amigo oficial e mandou ela se casar com ele. Ela ficou horrorizada. O amigo de seu pai tinha 65 anos. Akech tinha 19. Ela fingiu aceitar a proposta e disse que queria apenas retornar a sua faculdade, que ficava em um país vizinho, para pegar suas coisas. Seu pai concordou. Ela voltou à faculdade e ficou lá.

Isso foi há mais de uma década. Akech voltou para completar a universidade e encontrar um bom emprego. Ela recentemente comprou para seu agora idoso pai uma casa, em parte para mostrar a ele o valor de sua educação, mas também por um sentimento residual de culpa por tê-lo outrora desafiado. “Em minha cultura, nossos pais não nossos deuses terrenos. Eu tentei não desapontá-lo”, ela diz. Ele nunca pediu desculpas por tentar vendê-la.

(The Economist, com tradução de Leonardo Serafim)

Folha concede espaço a ateu militante raivoso e a blasfemador

sottomaior[Meus comentários seguem entre colchetes. – MB] Cadê seu Deus agora? Em lugar nenhum – a trabalheira é convencer os 98% da população que dizem acreditar na ideia do Criador, segundo pesquisa Datafolha de setembro, e assegurar “a verdadeira laicidade do Estado”. Eis as bandeiras da Atea (Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos), que representa um de cada dez brasileiros, somando ateus (1%) e quem se declara sem religião ou agnóstico (8%). [Conheço agnósticos e até ateus que têm vergonha da Atea e não se sentem minimamente representados pela entidade, mas a Folha não quis tocar nesse assunto.] Em nome dessas causas, o grupo ajuizou dezenas de ações civis públicas contra o que considera serem atentados ao princípio de um Estado imune à interferência religiosa. A maioria desses processos questiona iniciativas evangélicas respaldadas pelo poder público. Caso, por exemplo, de uma ação contra o prefeito Marcelo Crivella e a cidade que gere, o Rio, “pela realização de eventos religiosos nas escolas da rede municipal”. Há outra contrária à instalação de um templo evangélico na sede do Bope, tropa de elite da PM-RJ. [Quando não se pode vencer no argumento, o jeito é partir para a truculência, para o sensacionalismo que garante espaço na mídia, para o deboche e o escárnio e para os processos judiciais.]

[Continue lendo.]

Isaac & Charles: Sinal inteligente

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Cristãos são cada vez mais influenciados pela nova era e pelo marxismo

marxUma nova pesquisa revela o aumento da influência de crenças não cristãs na mentalidade dos cristãos praticantes, com grandes percentagens deles concordando com ideias que contrariam as Escrituras. O levantamento realizado pelo Instituto Barna, em cooperação com Summit Ministries, foi divulgado [no fim do ano passado]. Ele mediu o quanto as crenças centrais de outras visões de mundo como nova era, secularismo, pós-modernismo e marxismo afetaram a maneira com que os cristãos veem o mundo. “Sua influência generalizada sobre o pensamento cristão é evidente, incluindo ideias de religiões concorrentes”, afirma o relatório. Ao todo, 1.456 cristãos praticantes foram confrontados com uma série de afirmações e precisavam dizer se concordavam ou não com elas.

Por exemplo, 61% dos entrevistados concordavam com pelo menos um dos ensinamentos da “nova era”. Quase 30% concordaram que “todas as pessoas rezam/oram ao mesmo deus ou espírito, não importa o nome que deem a ele”. Cerca de um terço das pessoas também disse acreditar que “o significado e o propósito da vida consistem em se tornarem um com o universo”.

A influência dessas filosofias pagãs também está presente nas questões éticas apresentadas aos cristãos, sendo que 32% acreditam em alguma forma de “reciprocidade ou karma”. Eles disseram concordar com a afirmação “se você fizer o bem nessa vida, receberá o bem, e se você fizer algo ruim, receberá algo ruim”. Embora apele para um senso de justiça, isso não é ensinado nas Escrituras.

A pesquisa também apresentou frases que afirmam o pós-modernismo, o secularismo e o marxismo. Quando perguntados, os cristãos mostraram concordar com muitas delas. Em geral, 54% concordaram com alguns pontos de vista pós-modernistas, 36% aceitaram ideias apregoadas pelo marxismo e 29% disseram acreditar no que ensina o secularismo.

Por exemplo, 10% dos cristãos disseram acreditar na percepção secular de que “toda crença precisa ser comprovada pela ciência para determinar que ela é verdadeira”. Já a afirmação pós-moderna “o que é moralmente certo ou errado depende do que cada indivíduo acredita” é compartilhada por 23% dos cristãos entrevistados. Ao mesmo tempo, 19% dizem que “ninguém sabe ao certo qual é o sentido da vida”.

Outros 11% concordaram com a declaração marxista: “A propriedade privada encoraja a ganância e a inveja”, e outros 14% dizem crer que “o governo e não os indivíduos deveria controlar os meios de produção e os recursos”.

Apenas 17% dos cristãos mostraram ter uma visão bíblica sobre a vida, de acordo com o que ensina a Bíblia.

Brooke Hempell, vice-presidente de pesquisas do Instituto Barna, revela que há tempos eles vêm detectando uma tendência, que agora se confirma. “Esta pesquisa cristaliza o que já era percebido, incluindo um aumento do pluralismo, do relativismo e do declínio moral até mesmo entre os membros das igrejas. No entanto, não deixa de ser surpreendente como essas crenças estão enraizadas. As pessoas podem se agarrar e até defender essas ideias sem perceber que elas são distorções das verdades bíblicas”, observou Hempell. “O desafio para a Igreja, em especial para os líderes e mestres, é ajudar os cristãos a perceber que essas crenças populares não deveriam substituir o que as Escrituras dizem.”

A tendência de que esse tipo de influência continuará crescendo pode ser vista pelo fato de que os mais jovens – menos de 25 anos – são oito vezes mais propensos a concordar com essas ideias do que seus pais.

(Gospel Prime, com informações de Christian Post)

Nota: Oseias 4:6 afirma que o povo de Deus perece quando lhe falta o conhecimento da verdade. Quando a Bíblia é levada a sério e é devidamente estudada, esse conhecimento serve de barreira contra a mentira em suas variadas formas. Faltou apenas os pesquisadores perguntarem sobre o evolucionismo e sobre a crença na literalidade do relato bíblico da criação. Aí veriam que o estrago é bem maior. Evolucionismo, espiritualismo e marxismo são mais parecidos em sua base filosófica do que muitos de seus defensores estão dispostos a admitir (confira no vídeo abaixo). As três correntes de pensamento pregam a independência de Deus e focalizam as supostas capacidades humanas – de “evoluir” biológica, espiritual e/ou socialmente. São uma verdadeira antítese das três mensagens angélicas, cujo âmago é a justificação pela fé, ou seja, nossa dependência total de Deus para a salvação. Para ser um cristão darwinista, espiritualista e/ou marxista, o indivíduo precisa desconsiderar a correta hermenêutica bíblica e partir para a alegorização e o relativismo. A Bíblia passa a ser encarada como uma espécie de livro de autoajuda com lições de vida e valores que podem ser lidos ao sabor da ética do momento. Esse cristianismo relativista e secularizado é uma religião desprovida de vida, de vigor; uma religião emasculada, domesticada e incapaz de dar respostas aos dilemas humanos. Incapaz, também, de resistir aos ataques e avanços de outras religiões, como o islamismo, que está conquistando a Europa justamente porque lá o cristianismo abraçou faz tempo o sincretismo neopagão ou simplesmente se tornou mera tradição, tendo-se tornado incapaz de mostrar a verdade do Evangelho aos que chegam ao continente – numa tremenda perda de oportunidade. Do evolucionismo e do marxismo derivam ideias perniciosas como a desvalorização da vida e a consequente banalização do aborto, assim como a destruição do conceito de família tradicional e do casamento heteromonogâmico, encarados como simples convenções sociais inventadas pelo ser humano. E por aí vai. Que isso tudo nos ensine profundas lições, antes que seja tarde demais. [MB]