A mulher-maravilha e o homem-banana

boeachat.jpg

“Quando a gente chora, sofre, lamenta o fato ocorrido ontem, parece estar anestesiado ou gostar da anestesia que nos faz esquecer tão logo surja o fato de amanhã, que terá o mesmíssimo tratamento.” Horas antes de morrer tragicamente em um acidente de helicóptero em São Paulo, o jornalista Ricardo Boechat disse essas palavras em seu comentário num programa de rádio. “Anestesia” parece ser uma palavra adequada para descrever uma das imagens que mais me chocaram enquanto lia sobre o triste ocorrido. Uma mulher correu para o caminhão que se chocou contra a aeronave e do qual o motorista tentava sair. Ela subiu ao lado da porta destruída e se esforçou o quanto pode para abri-la. Enquanto a equipe de resgate não chegava, ela lutava, pedia socorro, pedia ajuda. E o que fez um bando de marmanjos? Ficou ali, parado, registrando tudo com o celular para depois postar e entreter os amigos com mais um “ocorrido”. Completamente anestesiados, indiferentes, abobalhados. Palmas para a mulher-maravilha de verdade e uma enorme vaia para os homens-banana.

A foto também me fez pensar em minha missão como cristão. Ao ver pessoas sofrendo, presas às “ferragens” deste mundo de miséria, limito-me a observar ou tenho feito alguma coisa? Tenho procurado arrancar as amarras que imobilizam os pecadores em uma vida de escravidão? Cristãos precisam ser proativos como a mulher da foto e aproveitar toda e qualquer oportunidade para falar às pessoas do amor de Deus e da volta de Jesus. [MB]

Anúncios

A foto que é o cúmulo da nerdice

nasa3aEm 2015, fui convidado a apresentar palestras criacionistas em Zurique e Genebra, na Suíça. Na segunda cidade, aproveitei para conhecer a famosa Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN, na sigla em inglês), onde fica o maior acelerador de partículas do mundo, o LHC, do inglês Large Hadron Collider (Grande Colisor de Hádrons), com seus 27 km de circunferência (parte da estrutura está em território francês). Fiz uma visita guiada juntamente com um grupo de turistas de vários países (confira o vídeo aqui). Depois de conversar um pouco mais com o guia, fui até uma pequena loja e comprei algumas lembranças, entre as quais uma camiseta azul com uma ilustração que representa uma colisão de partículas. Conhecer o CERN foi algo muito significativo para mim, já que na minha adolescência acompanhei com muito interesse a construção desse laboratório que tem trazido muito conhecimento na área de física de partículas. Lia tudo o que podia sobre isso na época.

Dois anos depois, fui convidado a dirigir uma série de palestras em Orlando, na Flórida. Como estava a pouco mais de uma hora de Cabo Canaveral, onde fica o Kennedy Space Center, local de lançamento de foguetes da NASA, não perdi a chance de visitar o complexo (veja o vídeo aqui). Além do simulador de decolagem e das fantásticas exibições em vídeos (alguns em 3D), com documentários bem-feitos a respeito das conquistas espaciais da agência, há ali também foguetes e naves originais, como o Saturno V e o ônibus espacial Atlantis. Nem preciso dizer que desde a minha infância acompanho tudo o que posso sobre a exploração do espaço (aliás, como muitas crianças, também quis ser astronauta; meu filho é ainda mais ambicioso: quer ser o primeiro pastor adventista a pisar na Lua).

Quando eu nasci, fazia apenas três anos que os astronautas norte-americanos haviam pousado em nosso satélite natural (sim, pousaram). Lá no complexo da Nasa em Cabo Canaveral tem até um pedaço de rocha lunar em que se pode tocar. Ver de perto a Atlantis foi especialmente emocionante. E adivinhe com que camiseta eu fui… Sim, com aquela azul, do CERN. Cúmulo da nerdice, diriam meus amigos nerds lá da infância (amigos que, como eu, não perdiam um episódio de Star Trek e nos divertíamos desenhando e montando maquetes de naves espaciais). Tirei várias fotos lá no Kennedy Space Center (assim como no CERN), e uma delas, em que o Saturno V aparece ao fundo, estampa o cabeçalho da minha página no Facebook e do meu Twitter. Uma grata recordação com “sabor” de infância e com “cheiro” de futuro. Futuro?

Sim, visitar o CERN e a NASA me fez pensar no futuro. Não me tornei astronauta nem trabalho em um laboratório de pesquisas nucleares, mas ainda amo a boa ciência e aguardo dia em que poderei contemplar de perto as maravilhas do Universo, tanto as micro quanto as macroscópicas. Toda vez que me deparo com algum aspecto impressionante da pesquisa científica e dos avanços tecnológicos da humanidade me lembro do quarto último parágrafo do livro O Grande Conflito, de Ellen White:

“Todos os tesouros do Universo estarão abertos ao estudo dos remidos de Deus. Livres da mortalidade, alçarão voo incansável para os mundos distantes – mundos que fremiram de tristeza ante o espetáculo da desgraça humana, e ressoaram com cânticos de alegria ao ouvir as novas de uma alma resgatada. Com indizível deleite os filhos da Terra entram de posse da alegria e sabedoria dos seres não caídos. Participam dos tesouros do saber e entendimento adquiridos durante séculos e séculos, na contemplação da obra de Deus. Com visão desanuviada olham para a glória da criação, achando-se sóis, estrelas e sistemas planetários, todos na sua indicada ordem, a circular em redor do trono da Divindade. Em todas as coisas, desde a mínima até à maior, está escrito o nome do Criador, e em todas se manifestam as riquezas de Seu poder.”

Aguardo ansiosamente o dia em que terei acesso a esses tesouros e estarei diante do Criador de todos eles! O melhor de tudo é que não precisarei de nave espacial para isso; e, com a graça de Deus, em lugar de uma camiseta azul estarei usando roupas brancas reluzentes!

Michelson Borges

Livro do ano dos Desbravadores

Adquira agora mesmo o seu, com frete grátis (clique aqui).

Ellen White, os capitalistas e os revolucionários

White-EllenEllen White viveu no século 19, cursou apenas os primeiros anos do ensino fundamental, e mesmo assim escreveu pérolas como esta: “Ao mesmo tempo a anarquia procura varrer todas as leis, não somente as divinas, mas também as humanas. A centralização da riqueza e do poder; vastas coligações para enriquecerem os poucos que nelas tomam parte, a expensas de muitos; as combinações entre as classes pobres para a defesa de seus interesses e reclamos, o espírito de desassossego, tumulto e matança; a disseminação mundial dos mesmos ensinos que ocasionaram a Revolução Francesa tudo propende a envolver o mundo inteiro em uma luta semelhante àquela que convulsionou a França. Tais são as influências a serem enfrentadas pelos jovens hoje. Para ficar em pé em meio de tais convulsões, devem hoje lançar os fundamentos do caráter” (Educação, p. 228).

Esse texto escrito não muito tempo depois dos estragos ocasionados pela Revolução Francesa é simplesmente impressionante! Da leitura atenta dele podemos formular pelo menos nove perguntas e extrair algumas reflexões:

1. Que tipo de problemas traz o acúmulo de riquezas por parte de poucos, além da óbvia e consequente distribuição muito desigual de recursos e da ampliação da pobreza? Regimes socialistas não concentram riquezas?

2. Que tipo de reação o capitalismo desenfreado promoveu e quais as consequências dessa reação? Leia Tiago 5:4.

3. Quando que a defesa de interesses de uma classe pode se tornar um problema igual ou até maior do que a situação injusta que a motivou? O que dizer da “tirania das minorias”?

4. Quais foram os aspectos positivos e os negativos da Revolução Francesa?

5. Você percebe um poder movendo o pêndulo da História para lá e para cá, trazendo consequências negativas tanto em um extremo quanto em outro?

6. Os jovens de hoje terão que enfrentar os males do capitalismo e as heranças da Revolução Francesa, uma das quais é o socialismo. Um destroi a sensibilidade espiritual (viver para ter) e afasta o desejo pela volta de Jesus, o outro abre as portas para males como a ideologia de gênero, o feminismo, o relativismo e mesmo o ateísmo.

7. Para ficar em pé e suportar as pressões sociais e políticas, bem como resistir às ideologias anticristãs, os jovens precisam “lançar os fundamentos do caráter”.

8. Como podemos formar um caráter cujos fundamentos sejam sólidos?

9. Você percebe que a solução para ambos os problemas consiste em formar uma adequada cosmovisão bíblica? Assim desaparece a ilusão de que a solução para os problemas do mundo estaria na esquerda ou na direita. Não está. Está no Alto.

Para responder à pergunta 1, dois textos bíblicos podem ajudar. Provérbios 30:7, 8: “Duas coisas te pedi; não mas negues, antes que morra. Afasta de mim a vaidade e a palavra mentirosa; não me dês nem a pobreza nem a riqueza; mantém-me do pão da minha porção de costume.” Lucas 12:18-21: “E disse: Farei isto: Derrubarei os meus celeiros, e edificarei outros maiores, e ali recolherei todas as minhas novidades e os meus bens; e direi a minha alma: Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e folga. Mas Deus lhe disse: Louco! esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? Assim é aquele que para si ajunta tesouros, e não é rico para com Deus.”

É importante esclarecer que a visão positiva do trabalho e do lucro é oriunda do protestantismo (Calvino sistematizou esse tema). Portanto, o capitalismo fundamentado sobre a ética protestante é uma benção para a sociedade; o problema é quando se torna instrumento de ideologias desprovidas de Deus. Por outro lado, vivemos na época do protestantismo apostatado, que caminha rapidamente para a formação da besta escarlate de Apocalipse 17. E não podemos nos esquecer de que o que fundamentou o capitalismo da atualidade não foi exatamente o protestantismo, e sim o evolucionismo social do século 19, e que a única coisa em comum que ele tem com o protestantismo é o fato de ter surgido em países protestantes, muito provavelmente relacionado ao processo de apostasia.

Quando lemos com atenção sobre a estrutura social do Israel teocrático, o qual White diz ser um modelo de justiça para a organização humana, vemos elementos presentes no capitalismo moderno, mas muitos outros diametralmente opostos.

Com relação à pergunta 8, a continuação da leitura nas páginas 228 e 229 fornece a resposta. Porém, também é necessário o jovem saber quais são as forças motrizes que estão por trás dos ataques que a cristandade sofre, pois conhecendo-as ele saberá se defender e se posicionar. Uma vez que o jovem se posicione a favor de Deus, ele precisa saber identificar as contrafações apresentadas ao mundo e discernir uma por uma, para, então, estar firme e não ser enganado.

Um elemento-chave do texto de Ellen White acima é a Revolução Francesa. Por isso esse assunto merece um estudo mais detalhado. Por hora, cito outro texto dela: “O mesmo espírito mestre que incitou o Massacre de São Bartolomeu também dirigiu as cenas da Revolução Francesa. Satanás parecia triunfar. Não obstante o trabalho dos reformadores, ele tinha conseguido manter vastas multidões na ignorância a respeito de Deus e da Sua palavra. Agora, ele apareceu com uma nova roupagem. Na França, surgiu um poder ateu que declarou abertamente guerra contra a autoridade do Céu. […] A fornicação foi sancionada por lei. Profanação e corrupção pareciam inundar a Terra. […] O trabalho que o papado havia começado, o ateísmo concluiu. Um retinha do povo as verdades da Bíblia; o outro ensinou-o a rejeitar tanto a Bíblia quanto seu Autor” (Spirit of Prophecy, v. 4, p. 192).

O que fica evidente de tudo isso? Precisamos como nunca antes estudar a Bíblia Sagrada e formar um caráter para a eternidade, não nos deixando desviar nem para a direita nem para a esquerda.

Michelson Borges

Apocalipse: o povo de Deus selado

seloO capítulo 7 do Apocalipse é um parêntese entre o sexto e o sétimo selos. Seu objetivo é responder à pergunta feita pelos perdidos diante da manifestação de Jesus em Sua vinda: “Quem pode suportar”? A resposta é: os 144 mil, um número simbólico que representa aqueles que passarão pelas provas finais da história da Terra e estarão de pé diante da glória de Jesus.

Perguntas para discussão e aplicação

1. Leia Apocalipse 7:2 e 3 e compare com Efésios 4:30. Em que sentido o Espírito Santo nos “sela” para o dia da redenção? De que modo a guarda do sábado se tornará uma evidência do selo do Espírito Santo? (ver Ez 20:12, 20; Hb 4:9, 10; etc.)

2. O que significa “entristecer” o Espírito Santo? Por outro lado, como podemos “alegrá-Lo”?

3. De acordo com Apocalipse 7:1-4, 14; 14:4, 5, quem são os 144 mil e quais são as suas características mais notáveis? À luz de Apocalipse 17:5, em que sentido os 144 mil não se contaminaram com “mulheres”?

4. Leia Apocalipse 7:4. Que evidências você pode citar de que os 144 mil “selados” não representam um número literal?

5. Por que Deus vai permitir que os 144 mil passem por um tempo de grande tribulação antes da vinda de Jesus? (1Pd 4:12-14)

6. Em sua concepção, como é o dia a dia de uma pessoa “lavada pelo sangue” de Jesus e “selada” pelo Espírito Santo? Como são os pensamentos, relacionamentos, as atividades de trabalho, o lazer, etc. de uma pessoa assim? Em que essa pessoa é diferente das outras que não foram “lavadas no sangue” de Jesus e não têm o selo de Deus? Como se alcança esse estado para fazer parte dos 144 mil?

Notas sobre os 144 mil

Há muita discussão sobre quem são precisamente os 144 mil. Basicamente, são os salvos que estarão vivos no fechamento da história da Terra. Eles se manterão fiéis durante o tempo da grande tribulação, mesmo sob intensa perseguição, e não experimentarão a morte, pois serão glorificados por ocasião da volta de Jesus.

Contudo, além desses, há também um grupo especial que possivelmente fará parte dos 144 mil. São os que morreram tendo fé na vinda de Jesus após terem passado pela grande decepção em 1844, os quais ressuscitarão para vê-Lo voltar. Em 1850, ao escrever para um cristão cuja esposa havia falecido, Ellen White disse: “Vi que ela estava selada, e à voz de Deus ressurgiria e se ergueria sobre a Terra, e estaria com os 144.000” (2ME, 263). Porém, ao mesmo tempo, não podemos especular muito sobre o assunto além do que está revelado. Em outro texto, registrado 64 anos depois, White diz: “Não tenho luz sobre o assunto [sobre quem constitui precisamente os 144 mil]” (3ME, 51).

Uma coisa pode ser afirmada com certeza sobre os 144 mil: não se trata de um número literal. A maior evidência disso é o fato de que eles teriam que ser só judeus, sendo precisamente 12 mil de cada uma das 12 tribos, as quais não mais existem há muito tempo. E mesmo que existissem, seria complicado definir quais seriam as 12 tribos, pois várias listas divergem entre si – por exemplo, umas não incluem Levi para inserir os dois irmãos Efraim e Manassés no lugar de seu pai José. A lista do Apocalipse não menciona o nome de Dã, e Efraim é substituído por José. O que temos que lembrar aqui é que no Novo Testamento a igreja é o novo Israel (ver Gálatas 3:7, 9, 29).

Além de tudo isso, o número preciso (12 mil de cada tribo) não faria jus à salvação baseada no livre-arbítrio, mas em uma escolha arbitrária por parte de Deus.

Assim, vemos que o significado desse número está no valor simbólico do número 12 (em referência aos 12 filhos de Jacó, às 12 tribos e aos 12 apóstolos) para representar o povo de Deus. Por isso são 12 tribos vezes 12 mil de cada, resultando em 144 mil.

Natal Gardino é doutor em Ministério pela Andrews University e pastor distrital em Jardim Iguaçu, Maringá, PR

Ioga, meditação transcendental e cristais são compatíveis com a fé cristã?

ioga“No panteísmo, o grande dilema da existência humana não é o pecado. […] O dilema humano é que não sabemos que fazemos parte de deus. Pensamos que somos indivíduos, com existência e identidade distintas. É o que gera a ganância e o egoísmo, conflitos e guerras. […] A meta dos exercícios espirituais é livrar a mente da ilusão da individualidade. A meta dos exercícios religiosos é nossa reunião ao deus que está dentro de nós, a fim de recuperarmos o senso de que todos somos deus. Com esta análise entendemos a razão da proliferação desnorteante de técnicas do movimento Nova Era: ioga, meditação transcendental, cristais, centralização, tarô, dietas, visualização e todo o resto. Apesar da grande variedade, o propósito de todas essas técnicas é dissolver os limites do eu e recuperar um senso de unidade universal” (Nancy Pearcey, Verdade Absoluta, p. 166),

Quando não se compreende que ser cristão é permitir que a Bíblia afete toda a vida (religiosa, social, política, econômica, estética, afetiva, emocional, profissional, física, etc.), a identidade cristã torna-se fluída e passa a ser moldada pelos modismos de cada época. Cuidado! “Não vos conformeis com este mundo” (Rm 12:2).

Jefferson Araujo

Nota: Antes de me tornar adventista, por ter lido muitos livros científicos e ter desenvolvido uma mentalidade relativamente cética (algo que ainda procuro cultivar), pseudociências como a astrologia (horóscopo) e as tais terapias alternativas (como a iridologia e a homeopatia, por exemplo) já me deixavam desconfiado. Depois que estudei a fundo a Bíblia Sagrada, tornei-me adventista e procurei desenvolver uma sólida cosmovisão cristã, pude perceber que minha desconfiança anterior era realmente válida. Antes da minha conversão, cheguei a me interessar pela parapsicologia, pois me pareceu “científica”. Ledo engano. Graças a Deus, a verdade me libertou (João 8:32) e a mensagem bíblico-adventista me satisfez plenamente. Faz vinte anos que medito, mas não para esvaziar a mente e buscar algo dentro de mim. Faço isso para, ao contrário, encher minha mente com as verdades bíblicas. A oração do tipo abrir o coração a Deus como se faz com um amigo é terapêutica e libertadora. E me traz uma satisfação indescritível o serviço pelo semelhante, ajudando as pessoas em suas necessidades e, principalmente, compartilhando com elas a mensagem do meu amigo Jesus – só entende quem faz isso.

Hoje percebo que algumas pessoas têm feito uma espécie de caminho contrário. Talvez por terem nascido em um contexto adventista tenham se acostumado com uma mensagem que é impactante e transformadora para os que a encontram ou são encontrados por ela. Alguns acabam buscando no “canto da serpente” algum tipo de satisfação que não conseguem encontrar naquilo que veem como banal e comum devido à familiaridade. Partem em peregrinações, em “buscas interiores”, tentam sincretizar a fé com ideias e ideologias perigosas. Embora sejam “aqui de dentro”, como muitos lá fora poderão descobrir que essas “alternativas” de fato não satisfazem, pois os afastam de Deus e os aproximam do nada. Que o Espírito Santo os liberte e faça com que sintam a verdadeira paz e satisfação que vêm da comunhão com o Criador. [MB]

Recomendo o livro Medicina Alternativa: A armadilha dourada, da CPB.

Leia também: “Buscando a paz no lugar errado”, “Ioga é destaque na imprensa” e “SUS libera mais terapias sem base científica”

Faz diferença saber exatamente quem são os 144 mil do Apocalipse?

144-milTem sido muito rica a experiência do estudo do Apocalipse neste trimestre. Destaco que esse é um conhecimento que não deve somente persistir dentro do aspecto de discussão racionalizada, mas, principalmente, entrar na questão pessoal e relacional com o nosso Deus. Grande multidão? Os 144 mil? Antes de adentrarmos propriamente nesse estudo, gostaria de colocar uma nota a mais no espírito que devemos nutrir ao estudar esse assunto.

Após a ressureição, nosso salvador Jesus estava pastoreando Seus discípulos. Era Sua terceira aparição a eles, relatada em João 21. Após uma nova experiência de milagre de pesca, e já desfrutando do resultado dessa pesca, há um diálogo entre Jesus e Pedro. Pedro, que havia traído o Mestre, estava naquele momento sendo reabilitado. Jesus disse que Pedro passaria por angústia e aflições, e que pelo seu martírio daria glória a Deus (verso 19). Naquele momento, compreendendo que veria a morte, uma curiosidade humana veio à mente de Pedro. Viu João, o discípulo amado, e perguntou: “Senhor, e quanto a ele?” Respondeu Jesus: “Se Eu quiser que ele permaneça vivo até que Eu volte, o que lhe importa? Siga-Me você” (João 21:20).

Quando adolescente, passei pelo temor de estar ou não entre os 144mil. Logicamente que temos a exortação: “Procuremos, com todo o poder que Deus nos tem dado, estar entre os 144 mil” (SDABC, v. 7, p. 1084). Essa é uma exortação, acima de tudo, de consagração ao nosso Deus. Mas devemos entender que não conhecemos os tempos nem a hora. Não sabemos se estaremos na grande tribulação final ou se estaremos vivos sem passar pela morte. Desse modo, embora seja interessante questionar quem estará ou não entre os 144 mil, a ênfase no nosso estudo deve ser: Senhor, estando ou não entre os 144 mil, eu Te seguirei.

Existe aqui um segundo ponto de discussão na Lição da Escola Sabatina desta semana: Em que sentido os 144 mil não se macularam com mulheres? Como a pureza de seu caráter se relaciona com o fato de que eles são redimidos da Terra como “primícias para Deus” (Ap 14:4). Vou começar de trás para a frente na pergunta, pois o primeiro ponto (serem castos ou virgens) talvez seja o de maior reflexão. Então, vejamos a questão das primícias.

Primícias eram os melhores frutos da colheita. Em Apocalipse são um grupo especial que foi trasladado sem experimentar a morte (1Co 15:50-52): “E agora digo isto, irmãos: que a carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus, nem a corrupção herdar a incorrupção. Eis aqui vos digo um mistério: Na verdade, nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados; num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados.” São os primeiros frutos da maior colheita de salvos (Ap 14:14-16).

E sobre a virgindade? Entendemos que esse grupo não participou da infidelidade de Babilônia. Agora, o que significa isso? Sabemos que os 144 mil não passarão pela morte. Mais ainda, Ellen White descreve em Eventos Finais, pagina 182, o seguinte: “Alguns tinham sido arrojados fora do caminho. Os descuidosos e indiferentes, que não se uniam com os que prezavam suficientemente a vitória e a salvação, para por elas lutar e angustiar-se com perseverança, não as alcançaram e foram deixados atrás, em trevas, e seu lugar foi imediatamente preenchido pelos que aceitavam a verdade e a ela se filiavam” (Primeiros Escritos, p. 271 [Eventos Finais, p. 182.1]).

“Os lugares vagos nas fileiras serão preenchidos pelos que foram representados por Cristo como tendo chegado na hora undécima. Há muitos com quem o Espírito de Deus está lutando. O tempo dos juízos destruidores da parte de Deus é o tempo de misericórdia para aqueles que [agora] não têm oportunidade de aprender o que é a verdade. O Senhor olhará para eles com ternura. Seu coração compassivo se enternece, e a mão do Senhor ainda está estendida para salvar, enquanto a porta é fechada para os que não querem entrar. Será admitido um grande número de pessoas que nestes últimos dias ouvirem a verdade pela primeira vez” (Carta 103, 1903 [Eventos Finais, p. 182.2]).

Entendo que virgindade aqui simboliza fidelidade dentro daquilo que Deus estabelece. E aqui cabe um adendo: existem pessoas que neste momento não fazem parte das fileiras da igreja, mas que agem com pureza de coração, sem reservas, diante da luz que receberam. Por outro lado, devemos vigiar e orar. Muitas vezes, mesmo tendo acesso a uma luz mais completa, permitimos que ideias do mundo – daquilo que é pensamento próprio, não exalado das Escrituras, ou o pensamento reinante do mundo – contamine nossas percepções ou convicções.

“À lei e ao testemunho! Se eles não falarem segundo esta palavra, é porque não há luz neles” (Is 8:20).

Perceba que se sua convicção religiosa não for maior que seus outros valores pessoais, esses valores acabarão por retirá-lo do caminho de Jesus. Já vi pessoas se desviarem completamente do caminho por questões em que a convicção pessoal dos valores atuais, do socialmente aceitável ou politicamente correto, em que os valores e amores deste mundo, sejam política (esquerda ou direita), bandeiras raciais, de gênero ou a mera ausência do prestígio social ou econômico que gostariam de ter advindo de sua participação religiosa na igreja, acabaram por dar entrada a valores, ideias e convicções que afastam definitivamente do são caminho.

Entendo que estamos em tempo de graça, e que a misericórdia de Deus está aberta para todos nós hoje. Entretanto, a descrição e o chamado de selamento aos 144 mil inclui implicitamente um apelo à santidade e consagração ao Senhor a cada dia. Que o Senhor nos abençoe e nos habilite a cada dia a viver de acordo com a guia do Espírito Santo e a disposição dos 144 mil descritos no livro do Apocalipse.

Quando eu era criança, a primeira vez que li o texto: “Estes são os que não se macularam com mulheres, porque são virgens. São os que seguem ao Cordeiro aonde quer que vá. Foram comprados dentre todos os seres humanos e foram os primeiros a ser oferecidos a Deus e ao Cordeiro” (Apocalipse 14:4), achei muito estranho. Alguma coisa passou pela minha cabeça, tipo: “Pobres coitados: além de não poderem casar, ainda nem vão poder ir para onde querem?” E essa incompreensão minha de garoto talvez seja a mais sem sentido e boba que você tenha ouvido falar, mas existem muitas outras sobre os 144 mil.

Seja qual for a sua dúvida sobre o assunto, eu gostaria de deixar uma certeza: acompanhar o Cordeiro por onde Ele vá não é uma consequência de fazer parte dos 144 mil, e sim a sua maior causa. Os 144 mil seguem o Cordeiro a cada dia. Em seus hábitos, pensamentos, suas prioridades enquanto ainda estão aqui na Terra.

Quantos hinos de batismo começam justamente com essa premissa? “A Jesus seguir eu quero, Tu morreste foi por mim. Mesmo que Te neguem todos, eu Te sigo até o fim.” “Minha cruz eu tomo e sigo, a Jesus eu sempre sigo; aonde for a Ele eu sigo; seguirei a meu Jesus.” Estão essas frases fazendo ainda sentido na sua vida? Lembre-se: seguir o Cordeiro pela fé é:

– Continuar confiando, mesmo quando o mundo diz que não vale a pena.

– Continuar seguindo, mesmo quando as pessoas ao redor lhe mostrem outro caminho.

– Seguir acreditando, mesmo quando as convicções de parentes, amigos, do professor ou orientador, ou da pessoa que você ama, dizem que não vale a pena.

– Seguir vivendo a vida cristã, até nos momentos em que você parece ir na contramão da sociedade.

Que Deus ilumine a todos e nos dê alento, forças e fé para continuar seguindo o Cordeiro.

Oremos: “Pai Eterno, obrigado pela redenção em Cristo Jesus, nosso Senhor e Salvador. Queremos seguir Jesus, nosso Cordeiro, a cada dia, até a Sua volta. E mesmo lá no Céu continuar seguindo ao Autor e Consumador da nossa fé!”

Everton Padilha Gomes é médico e doutorando em Cardiologia na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo