Crença no fim do mundo pesou na decisão de Trump sobre Jerusalém

trumpPode parecer pouco usual em termos de decisão histórica de política internacional, mas o fim do mundo contou para a decisão de Donald Trump de reconhecer Jerusalém como capital de Israel. O presidente americano pagou uma promessa a seu eleitorado evangélico, que tem razões diversas para defender a existência de Israel, mas no centro de sua teologia está uma crença ligada aos dias finais da humanidade, segundo uma leitura bem literal do texto bíblico. Nada indica que Trump, presbiteriano, compartilhe das ideias, mas o financiamento e apoio desse segmento foi vital em sua campanha.

Para várias denominações evangélicas americanas, e também no Brasil e em outros lugares, o Estado judeu precisa estar plenamente estabelecido para dar curso à volta de Jesus Cristo à Terra. A ideia da volta dos judeus, o povo eleito de Deus segundo o Velho Testamento, é central na crença de que o Messias retornará para protagonizar episódios narrados no livro do Apocalipse.

Entre eles está, de forma não pouco controversa para os judeus, a ideia de que eles serão convertidos à fé cristã quando os eventos do fim do mundo estiverem em marcha. Entre eles, a ascensão de um líder político, o Anticristo, que com o Falso Profeta irá semear a guerra e a discórdia no mundo.

A batalha decisiva entre as forças do bem e do mal, segundo a tradição, ocorrerá no lugar chamado Armagedom, uma corruptela da atual cidade de Megido, no norte israelense. Historiadores apontam a abundância de batalhas na região durante a antiguidade como o motivo da eleição do lugar, mas para esses fiéis a coisa é ao pé da letra.

Segundo a Bíblia, toda essa narrativa acaba com a destruição de boa parte do mundo, a destruição do Anticristo e do Falso Profeta e a prisão de Satã, o chefe deles, em um abismo. Mil anos de reino de Deus sobre a Terra ocorrerão, creem os fiéis, quando então o Diabo será solto novamente para uma derrota final – e o estabelecimento de uma nova cosmogonia na qual a Nova Jerusalém celeste pontifica.

Trump foi muito bem votado no chamado “Bible Belt”, o famoso “cinturão da bíblia” de Estados do interior americano. Uma grande pesquisa de boca de urna realizada pelo National Election Pool em 2016 apontou que 80% dos evangélicos que foram às urnas votaram em Trump, mas os dados não são considerados precisos – outros analistas falam talvez em 45%.

As mais variadas denominações protestantes dominam o cenário religioso americano. O censo oficial do país não pergunta qual a fé de seus pesquisados, mas uma série de institutos coloca os evangélicos como força dominante do país – girando em torno de 50% daqueles que dizem crer em Deus.

Nem todos os aderentes da defesa cristã de Israel acreditam nessa leitura apocalíptica, contudo, baseando sua posição numa simples questão de reparação histórica ao “povo de Deus” original. De uma forma ou de outra, além de convicções políticas e conveniências eleitorais, a fé segue temperando o debate acerca da paz no Oriente Médio.

(Folha de S. Paulo)

Nota: Análise interessante de um jornal secular em relação à situação em Jerusalém, causada pelo presidente norte-americano Donald Trump, que contrariou a ONU e os interesses dos palestinos para mexer em um verdadeiro vespeiro, o que terá grandes desdobramentos ainda. Conforme noticiou a BBC Brasil, lideranças evangélicas aqui também querem que o país apoie a iniciativa de Trump e transfira sua embaixada para Jerusalém. Segundo a matéria da BBC, “lideranças evangélicas argumentam que a Bíblia estabelece que os judeus são o povo prometido e que Jerusalém é a capital de Israel. Segundo sua crença, isso deve ser cumprido para que se concretize a esperada volta de Jesus Cristo”.

A decisão de Trump cria um cenário interessante justamente pelos aspectos religiosos contidos nela. O dispensacionalismo evangélico (com o qual obviamente os teólogos adventistas não concordam), tanto nos Estados Unidos quanto em outros países como o Brasil, começa a exercer forte influência política, o que, na prática, enfraquece a salutar separação entre igreja e Estado. Outros analistas das profecias bíblicas pensam que tudo isso não passa de uma jogada para desviar o foco do verdadeiro anticristo, afinal, quase todos os cristãos hoje abraçam a visão profética antibíblica dispensacionalista e vão considerar os últimos acontecimentos como os passos para o cumprimento dessa falsa visão. Inclusive pensam que a batalha do Armagedom será algo literal e que o Israel literal terá papel preponderante nesse processo, contrariando o correto entendimento das profecias do Apocalipse.

“Jesuítas criaram o preterismo e o futurismo e trabalham fabricando falsos cumprimentos proféticos, para prender a atenção fora de quem realmente as profecias indicam como o anticristo”, escreveu um amigo astrônomo. Detalhe, logo após a decisão de Trump, o líder palestino pediu ajuda ao papa Francisco.

“Os evangélicos estão em êxtase, pois Israel é para nós um lugar sagrado e o povo judeu são os nossos amigos mais queridos”, disse à CNN Paula White, pastora de uma megaigreja da Flórida e próxima de Trump. Sim, os evangélicos estão em êxtase. Então imagine como deve estar em êxtase o originador dessas falsas profecias e que finalmente vai simular uma falsa vinda de Cristo… [MB]

Leia também: O que a decisão de Trump sobre Jerusalém tem que ver com as profecias?

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Segundo a Nasa, supervulcão nos EUA é ameaça maior que qualquer asteroide

yellowstone-TANo subsolo do belíssimo Parque Nacional de Yellowstone, nos EUA, há uma imensa câmara de magma. Ela é a responsável pelos gêiseres e fontes termais que fazem da área um cartão postal famoso no mundo todo. Mas, para cientistas da Nasa, a agência espacial americana, trata-se também de uma da mas maiores ameaças naturais à civilização: um supervulcão. “Fui membro do Conselho de Defesa Planetária da Nasa, que estudou formas de proteger o planeta contra asteroides e cometas”, explica Brian Cox, do Laboratório de Propulsão a Jato (LPJ), do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), na sigla em inglês. “Durante os trabalhos, cheguei à conclusão de que o supervulcão é uma ameaça substancialmente maior do que qualquer asteroide ou cometa.”

A Terra tem pelo menos 20 supervulcões conhecidos, e grandes erupções ocorrem em média uma vez a cada 100 mil anos [segundo a cronologia uniformitarista evolucionista]. Uma das maiores ameaças de um acontecimento como esse é a fome, pois uma queda prolongada na temperatura causada por cinzas bloqueando a luz do sol – o chamado inverno vulcânico – pode privar a humanidade de comida. Em 2012, a ONU estimou que as reservas mundiais de alimentos seriam suficientes para 74 dias.

Quando cientistas da Nasa estudaram o problema, a mais lógica solução encontrada foi a de resfriar os supervulcões. O de Yellowstone é essencialmente um imenso gerador de calor, equivalente a seis usinas. Até 70% desse calor é vazado para a atmosfera através da água que entra na câmara de magma por meio de rachaduras no solo. O restante acumula no interior do magma, fazendo com que ele dissolva mais e mais rochas em volta. Quando o calor chegar a determinado ponto, uma erupção será inevitável. Porém, se mais calor for extraído, o supervulcão jamais explodirá. E, de acordo com os cálculos da Nasa, um aumento de 35% na transferência de calor gerado por Yellowstone seria suficiente para neutralizar a ameaça. O problema é como fazer isso.

Uma possibilidade é aumentar a quantidade de água no supervulcão. Realizável na teoria, a medida seria mais complicada na prática, a começar no que diz respeito a obter autorização das autoridades. “Construir um imenso aqueduto em uma região montanhosa seria custoso e difícil. E as pessoas não querem ver sua água usada para isso”, afirma Wilcox. “As pessoas estão desesperadas por água ao redor do mundo, e um grande projeto de infraestrutura desse porte seria muito controverso.”

Sendo assim, a Nasa criou outro plano. A agência acredita que o mais viável agora é cavar um túnel de 10 km de profundidade no interior do supervulcão e bombear água em alta pressão, que circularia diariamente, extraindo calor dele. O projeto tem um orçamento salgado – cerca de US$ 3,46 bilhões -, mas apresenta um aspecto que pode ser convincente para os políticos. “As companhias de energia termelétrica teriam que cavar mais fundo e usar água mais quente do que o normal, mas esse investimento teria retorno sob a forma de eletricidade capaz de abastecer a área em volta por dezenas de milhares de anos. E, a longo prazo, há o benefício de prevenir a erupção de um supervulcão que poderia devastar a humanidade.”

O problema é que escavar um vulcão tem alguns riscos. Incluindo detonar a erupção que se está tentando evitar. “Se você escavar o topo da câmara de magma e tentar resfriá-la a partir de lá, seria arriscado. Isso poderia deixar a superfície frágil e propensa a fraturas. E resultar na liberação de gases voláteis no magma no topo da câmara, que de outra maneira não seriam liberados.”

A ideia é escavar o supervulcão pela parte de baixo para extrair o calor da parte inferior da câmara. “Dessa maneira você evita que o calor da parte de baixo atinja o topo, que é onde mora o perigo”, diz Wilcox.

No entanto, os defensores desse projeto jamais o verão ficar pronto ou nem sequer têm ideia de seu potencial sucesso. Resfriar Yellowstone dessa maneira fará com que sejam necessários milhares de anos para que apenas rocha fria permaneça na câmara. E, apesar de não ser necessário que ela seja totalmente resfriada para deixar de ser uma ameaça, não há garantia de que a empreitada seria um sucesso antes de pelo menos centenas de anos.

Mas essa pode ser a única maneira de prevenir uma catástrofe. “Com um projeto como esse, você poderia iniciar o processo e ao menos teria o benefício de um novo suprimento de energia elétrica”, completa o especialista.

Tal solução pode ser potencialmente aplicada a todos os supervulcões ativos do planeta, e os cientistas da Nasa esperam que os planos possam encorajar mais discussões cientificas práticas sobre o problema. “Quando as pessoas consideraram pela primeira vez a ideia de defender a Terra de um asteroide, elas reagiram da mesma forma. Pensaram que humanos jamais poderiam evitar o impacto. Mas se você criar algo que dê um leve e longo empurrão, você pode desviar o asteroide”, diz Wilcox. “O problema é mais simples do que as pessoas pensam. Os dois casos exigem que a comunidade científica invista capital mental. Temos que começar a trabalhar logo. Yellowstone explode a cada 600 mil anos e já faz quase 600 mil anos desde a última vez [sic]. Isso já deveria nos forçar a fazer alguma coisa.”

(G1 Notícias)

Nota: Já disse e repito: a Terra é um frágil barril de pólvora prestes a ser detonado a qualquer momento. Se não for um asteroide ou um supervulcão, pode ser uma tempestade solar que nos jogará de volta à idade média, causando muita destruição (confira aqui). Isso sem contar a possibilidade sempre presente e crescente de que um superterremoto devaste a costa oeste dos Estados Unidos, ceifando milhões de vidas e levando o mundo a uma crise financeira descomunal (confira). Bem, antes de tudo isso, Trump e Kim Jong-un podem levar o mundo ao caos com uma guerra nuclear. De qualquer forma, é bom não nos esquecermos de que a vida anda sempre sobre o fio de uma navalha e de que nossa proteção vem unicamente dAquele que criou o universo e prometeu recriar este mundo fragmentado e desgastado pelo pecado. [MB]

 

Mulher do ano: Anitta, Nadia ou Heley?

anittaUma revista masculina brasileira concedeu à cantora Anitta o prêmio de Mulher do Ano. Depois de saber da escolha, ela disse: “Quando soube que seria eleita a Mulher do Ano da [revista] parei para recapitular tudo que fiz em 2017 e só assim me dei conta de quanta coisa aconteceu.” Com esse título, Anitta se junta ao grupo formado por Isabeli Fontana, Grazi Massafera, Maria Casadevall, Isis Valverde, Tatá Werneck e Taís Araujo, as seis vencedoras da categoria nos anos anteriores.

Não tenho absolutamente nada contra essa moça que começou a cantar aos oito anos de idade em um coral de igreja e que acabou depois se notabilizando por suas composições e interpretações de músicas funk. Não conheço as composições dela e tudo o que sei se limita a notas e fotos que vejo de vez em quando em revistas semanais de jornalismo e nos noticiários – algumas fotos bem ousadas, diga-se de passagem.

Cada um é livre para fazer o que gosta e o que pode para “vencer na vida”. O que questiono é o título dado a ela pela revista. Por que “Mulher do Ano”? Que critérios os editores levaram em conta para fazer essa escolha? Fama? Discos vendidos? Projeção na mídia? Influência social e poder de lançar tendências? Se os critérios fossem outros, eu gostaria de propor outras “mulheres do ano”.

nadiaA Global Graphene Challenge Competition é uma competição internacional promovida pela empresa sueca Sandvik. O objetivo é procurar soluções sustentáveis e inovadoras ao redor do mundo que ajudem a criar novas utilizações para o grafeno, material extremamente fino, derivado do carbono, transparente e 200 vezes mais forte que o aço. A vencedora mundial de 2016, anunciada no início deste ano, foi Nadia Ayad, recém-formada em Engenharia pelo Instituto Militar de Engenharia do Rio de Janeiro. O trabalho de Nadia concorreu com outros nove finalistas. Nadia criou um sistema de dessanilização e filtragem de água usando o grafeno, que possibilitará que milhões de pessoas tenham acesso à água potável com custo de energia reduzido.

Você ficou sabendo disso pela grande mídia? Garanto que não. Infelizmente, Nadia é outro cérebro nacional que poderá ir embora. Deverá prosseguir em seus estudos nos Estados Unidos ou na Inglaterra, países que certamente apoiarão suas pesquisas.

heley-abreuQuero ainda propor outra “mulher do ano”: a professora Heley de Abreu Silva Batista, de 43 anos, que morreu na noite do dia 5 de outubro após tentar salvar crianças de um incêndio criminoso causado pelo vigia Damião Soares dos Santos, no Centro Municipal de Educação Infantil Gente Inocente, em Janaúba, MG. Segundo a polícia, Heley teria tentado conter o agressor.

Diego Abreu, primo de Heley, disse à revista Veja que a professora tinha sido efetivada este ano na escola, que pertence à rede municipal de ensino. Segundo ele, a prima sempre foi uma professora zelosa. “Ela adorava crianças, tanto seus filhos quanto seus alunos. Amava a profissão, nem se importou com sua própria vida, salvou muitas crianças”, disse ele.

Quando mulheres como Nadia e Heley são esquecidas pelas pessoas e pela mídia em detrimento de cantoras de funk, atrizes e modelos, podemos ter certeza de que algo muito errado está acontecendo com a sociedade. Nadia, Heley e muitas outras mulheres dão duro todos os dias para estudar, trabalhar e ajudar a sustentar a família ou mesmo promover avanços tecnológicos que poderão salvar milhões de pessoas. Muitas delas são mulheres anônimas que nunca receberão um prêmio de “mulher do ano”, afinal, não se vestem de maneira ousada, não cantam músicas que agradam ao gosto popular, não estão sob os holofotes às vezes protagonizando escândalos calculados para chamar atenção e vender. São mulheres comuns que salvam vidas, educam gerações, ajudam a sustentar o pouco de humanidade que ainda nos resta. Mas, definitivamente, não são mulheres midiáticas. Continuarão morrendo ou indo embora do país sem que ninguém lhes conceda um título, um prêmio ou a notoriedade que suas conquistas merecem.

Há muitas “mulheres do ano” neste país, mas poucos conhecerão seus nomes.

Michelson Borges

“A Chegada”: os aliens chegam e levam o ecumenismo ao ápice

a chegada“A Chegada” (“The Arrival”) é um filme de ficção científica baseado em um conto do escritor Ted Chiang intitulado História da Sua Vida. A produção dirigida por Denis Villeneuve trata do primeiro contato da humanidade com seres extraterrestres, mostra o senso desconfortante de nossa pequenez diante de uma raça superior, evidencia o poder que um evento grandioso tem de unir a humanidade e trabalha também o conceito de tempo (não linear para os recém-chegados). “A Chegada” inevitavelmente nos faz lembrar do clássico de Steven Spielberg “Contatos Imediatos”, de 1978 (assim como também lembra “2001, Uma Odisseia no Espaço” e outros). Desde que Spielberg levou às telas o problema da comunicação com uma raça alienígena que eventualmente aportasse por aqui, várias outras produções com temática semelhante foram sucesso de bilheteria. Desde “E.T.”, do mesmo produtor, passando por “Contato”, “Independence Day”, “O Predador”, “Guerra dos Mundos” e outros. Via de regra, os ETs são hostis e os terráqueos têm que se unir para salvar a Terra. Mas há também os filmes em que os alienígenas não têm pretensões colonizadoras e desejam apenas estabelecer contato ou até mesmo ajudar a humanidade, como é o caso do recente “A Chegada”.

Faz tempo que Hollywood tem dado sua contribuição para alimentar a ideia de que em algum momento faremos contato com seres que chegarão aqui em naves espaciais ou de alguma outra forma. No meio ufológico cresce a ideia de que os “ETs” possam até se tratar de seres espirituais que dispensariam aparatos tecnológicos e nos ajudariam em nossa “evolução espiritual”, numa interessante junção de enganos criados e orquestrados pela mesma mente.

A despeito das interessantes discussões sobre linguística que “A Chegada” propõe, o que fica mesmo evidente para quem estuda as profecias bíblicas é a ideia de que ETs poderiam salvar a humanidade de si mesma promovendo a união dos povos. Sim, a Bíblia antecipa a chegada de falsos Cristos e a operação de milagres e sinais impressionantes, sobrenaturais. Não é à toa que Jesus nos tenha advertido de que esses enganos seriam tão poderosos que, se possível, enganariam até mesmo o povo de Deus. Afinal, pense bem: No momento em que você vir um ser majestoso se dirigindo à humanidade com palavras mansas e cheias de sabedoria, você dará mais atenção aos seus sentidos ou à Palavra de Deus? Se unirá à maioria estupefata e inebriada ou permanecerá fiel a Jesus Cristo, a despeito do fato de que você será visto como louco, cego e inimigo da paz?

Em um artigo para a Folha de S. Paulo, o físico Marcelo Gleiser escreveu algumas coisas interessantes sobre o filme “A Chegada”: “O contato com alienígenas inteligentes seria, talvez, a experiência coletiva mais profundamente transformadora para nossa espécie. Especialmente o contato direto, se viessem aqui usando meios misteriosos, com objetivo desconhecido.” Gleiser tem razão. Um evento dessa natureza teria um tremendo poder de transformação social e de convencimento ideológico. Imagine que ideias poderiam ser facilmente aceitas pelas pessoas, caso os tais “ETs” trouxessem, digamos, revelações teológicas e filosóficas. Até mesmo ateus se convenceriam da existência de um deus, caso extraterrestres superiores declarassem isso. Gleiser, que é ateu, chega a dizer que “os alienígenas seriam como deuses. E, como todos os deuses, seriam adorados ou temidos”. E não é verdade?

Gleiser prossegue: “Os extraterrestres vieram dividir sua tecnologia conosco, […] vieram elevar nosso nível moral, criar uma aliança cósmica, demonstrando uma generosidade que ilustra a futilidade dos nossos conflitos e comportamento destrutivos. O que é necessário é um jogo de ‘soma maior do que zero’, onde ambas as partes ganhem na interação.”

Atualmente, grandes esforços vêm sendo feitos para unir os povos. O Vaticano (que também tem interesse na busca do chamado “irmão extraterrestre”) liderado pelo papa Francisco, vem promovendo o ECOmenismo, a salvação da família, etc. São bandeiras que têm o poder de unir as pessoas. Mas um evento como a chegada dos “extraterrestres” ou mesmo uma grande crise motivada por alguma catástrofe ambiental, um superterremoto, a queda de um meteorito, uma forte tempestade solar ou fome e epidemias – ou tudo isso junto – sem dúvida catalisaria a união da humanidade e os eventos finais.

Quase todas as pessoas aguardam a chegada de alguém ou algo que nos salvará, nos ajudará. E é justamente essa esperança e esse anseio que serão usados para manipular e enganar. Aquele que prometeu voltar, aquele que protagonizará a verdadeira e grande chegada nos advertiu claramente quanto aos enganos dos últimos dias. Você já leu sua Bíblia hoje?

Michelson Borges

Um novo coração, uma nova data de nascimento

coraçãoGostaria de falar sobre o Daniel. Daniel (nome fictício) é um paciente real que está internado desde julho no Instituto do Coração. Tem os seus 40 e poucos anos. Aparentemente, quem o conhece de primeira vez, até leva um tempo para entender o que está acontecendo. Daniel não parece doente. Fala muito bem. Tem boa aparência. É empresário. Mas Daniel nasceu com uma doença incurável no coração, a despeito de todos os remédios humanos. Os médicos chegaram à conclusão de que a única saída para Daniel seria um transplante de coração. Senão ele estaria fatalmente condenado e morreria. Durante estes quase cinco meses Daniel ficou em um leito de hospital, recebendo dia e noite medicamentos para manter sua pressão e bombeamento do coração. Em alguns momentos pensamos que ele não suportaria, fosse por alguma infecção oportunista, fosse pelo desânimo ou pela depressão.

Nesta madrugada, de todos os 132 dias, tive a honra de avisá-lo de que ele vai finalmente ter um novo coração, neste caso, o de um jovem de 24 anos. Esse coração virá de outro estado. Daniel terá substituído seu antigo e doente coração, com o qual a morte seria certa, por um novo coração. E é nesse ponto que eu gostaria de traçar um paralelo com a lição da Escola Sabatina de hoje.

Para Daniel receber o tão almejado coração, para que ele tenha uma nova vida, alguém morreu. Jesus também morreu pelos nossos pecados para que tenhamos novidade de vida. Daniel passará por uma cirurgia para receber seu novo coração. Costumamos dizer que o transplantado do coração tem duas datas de nascimento: a natural e a da cirurgia.  Da mesma forma, o batismo simboliza morte para o pecado e novidade de vida, em uma nova caminhada na vida cristã.

O transplantado do coração tem uma caminhada a seguir para que não haja rejeição do transplante. É uma nova rotina de vida, que inclui tanto remédios quanto não fumar nem beber, ou se abster de coisas que sejam prejudiciais para o corpo. Na caminhada cristã, devemos confirmar nossa decisão e escolha de que temos um novo coração. Deus nos deu a graça de nos resgatar da condenação do pecado. Por meio da novidade de propósito devemos demonstrar que Jesus é o Senhor da nossa vida.

Dei um abraço no Daniel e na esposa dele, e em seguida saí do hospital. Estávamos todos emocionados e conscientes de que a maior libertação estava diante dele. Mas esse é apenas o começo de sua caminhada.

(Everton Padilha Gomes é médico cardiologista e diretor do Estudo Advento)

A escolha mais importante da sua vida, de acordo com um neurocientista

coupleDe acordo com o neurocientista Moran Cerf, da Universidade Northwestern (EUA), a maneira mais fácil de maximizar a sua felicidade não tem nada a ver com experiências, bens materiais ou filosofia pessoal. Cerf estuda o processo de tomada de decisões há mais de uma década. De acordo com o pesquisador, a chave para fazer boas escolhas, e consequentemente ser feliz, é eleger com sabedoria com quem você passa mais tempo. Existem duas premissas que levam Cerf a acreditar que esse é o fator mais importante para a satisfação a longo prazo. A primeira é que a tomada de decisões é muito cansativa. Diversas pesquisas descobriram, por exemplo, que os seres humanos têm uma quantidade limitada de energia mental para dedicar ao ato de fazer escolhas.

Todos os dias precisamos fazer diversas deliberações: que roupa vestir, onde comer, o que comer quando chegamos lá, que música ouvir, entre milhões de outras coisas simples ou complexas que precisamos ponderar. Sim, é exaustivo.

A segunda premissa é que os humanos acreditam falsamente que estão no controle de sua felicidade ao fazer essas escolhas. Em outras palavras, nós pensamos que, se fizermos as escolhas corretas, ficaremos bem. Cerf não crê nisso. A verdade é que a tomada de decisões é repleta de preconceitos que atrapalham nosso julgamento. As pessoas confundem experiências ruins como boas, e vice-versa. Elas também deixam suas emoções transformarem uma escolha racional em uma irracional. Por fim, usam pistas sociais, mesmo inconscientemente, para fazer escolhas que de outra forma evitariam. Como escapar de todos esses obstáculos, e fazer boas escolhas inconscientemente?

A pesquisa de Cerf revelou que, quando duas pessoas estão na companhia uma da outra, suas ondas cerebrais começam a parecer quase idênticas. Um estudo em particular, com espectadores de cinema, mostrou que os trailers mais envolventes produziram padrões semelhantes no cérebro das pessoas. Ou seja, apenas estar ao lado de certas pessoas, realizando alguma atividade juntos, já pode alinhar seu cérebro com os delas. “Isso significa que as pessoas com quem você anda realmente têm um impacto no seu envolvimento com o cotidiano além do que você pode explicar”, afirma Cerf.

Você pode reparar nesse efeito por conta própria: quando um mal-humorado chega em um ambiente, o humor de todas as pessoas em volta piora; quando alguém que fala rápido entra em uma conversa, o ritmo da conversa aumenta; um comediante consegue fazer com que as pessoas ao seu redor se sintam mais leves ou engraçadas, e etc.

A partir dessas premissas, a conclusão de Cerf é que, se as pessoas querem maximizar sua felicidade e minimizar o estresse, elas devem fazer menos decisões ao se cercarem de pessoas que possuem as características que elas preferem. Ao longo do tempo, naturalmente, elas passarão a ter atitudes e comportamentos parecidos com os de suas companhias, que são os desejáveis. Ao mesmo tempo, podem evitar decisões triviais que prejudicam a energia necessária para escolhas mais importantes.

Em outras palavras, se você deseja se exercitar mais, aprender um instrumento musical ou tornar-se mais sociável, encontre pessoas que fazem o que você quer fazer e comece a andar com elas.

(Hypescience)

Nota: Em termos humanos, essa pesquisa nos faz pensar na importância da escolha do cônjuge e dos amigos mais chegados, já que essas pessoas próximas têm grande influência sobre nós. Em termos transcendentais, faz pensar na importância da escolha de andar com Jesus diariamente a fim de sermos mais semelhantes a Ele. [MB]

Entre o liberalismo e o perfeccionismo: um desabafo

confusedA tensão entre liberais e conservadores é antiga entre os cristãos em geral e os adventistas, em específico. Por ser uma denominação que valoriza a lei de Deus e que leva a sério a revelação inspirada dEle, ou seja, a Bíblia Sagrada, a Igreja Adventista do Sétimo Dia sempre foi conhecida pelos ideais elevados que cultiva e defende, levando a sério aspectos como alimentação saudável, entretenimentos sadios, vestuário apropriado, discrição em termos de adornos, relacionamentos, e por aí vai. Obviamente que uma ênfase exagerada no que alguns chamam de “usos e costumes” em detrimento da cristocentricidade e do valor da graça salvífica gera distorções objetáveis e, infelizmente, já bem conhecidas, como o legalismo, o perfeccionismo e a aridez religiosa que mais afasta do que atrai as pessoas. Como já disse em outras ocasiões, é comum na história o movimento pendular de ação e reação na mesma intensidade, mas em sentido oposto. E esse fenômeno parece estar sendo reproduzido também nos arraiais cristãos e adventistas.

No afã de deixar para trás todo ranço legalista de certas fases da história, alguns têm movido o pêndulo comportamental para o outro extremo. Com receio de repelir, estão atraindo toda gente com iscas apetecíveis e com “táticas evangelísticas” duvidosas. Na intenção de ganhar o “mundo” (quando essa intenção ainda existe), há quem esteja imergindo no mundo. E para não perder o melhor de dois mundos, numa atitude de pé lá pé cá, tentam “batizar” hábitos, procedimentos, práticas, produtos que não têm qualquer relação com a religião que professam ter.

Recentemente recebi de um amigo líder na igreja (uma pessoa inteligente, cristã e bastante equilibrada) o seguinte desabafo que considero sintomático de uma época em que estão sendo corroídos os valores, os princípios, as normas e o respeito às autoridades eclesiásticas legitimamente constituídas:

“Sinceramente me sinto com medo e coagido. Na medicina existe um pensamento famoso do médico do século XVI, Paracelso, que diz: ‘A diferença entre o remédio e o veneno é a dose.’ Entendo que no começo dos anos 2000, por conta de grupos extremistas, a igreja necessitava dar uma resposta imediata e efetiva contra diversos pensamentos díspares e espúrios que a ameaçavam. Só que no afã dessa resposta, um efeito colateral aconteceu: o ‘antiperfeccionismo’ está se tornando em exaltação ao imperfeccionismo.

“Em um encontro de anciãos, é o professor de Teologia falando que não tem nada de mais no uso da Coca-Cola. No meu Facebook e WhatsApp, vários dos meus colegas anciãos mandam fotos em família na fila dos cinemas do shopping como algo habitual.  Nem vou falar de usos e costumes (uso de joias, brincos, adereços), pois variam entre regiões.

“Sinceramente, me sinto tenso quando vou falar de saúde ou nutrição em alguma igreja, pelo receio que alguém vá me interromper no meio da minha fala e dizer que sou ‘perfeccionista’ (e quão longe e quanta abjeção essa ideia me causa)…

“Vivemos na era das rotulações. É paradoxal, mas é cada vez mais comum. Homofóbico, racista, facista… perfeccionista. O problema dos rótulos é que bloqueiam automaticamente qualquer tentativa de diálogo. Quem quer dialogar com um homofóbico? Ou um racista? Perfeccionsta? Isso parece que vira lepra. Contamina? Pega?

“Veja bem: existem pessoas extremistas, existem os que distorcem nossa sã doutrina. Mas pelo fato de não haver limites claros, de não se dizer o que não é perfeccionismo, criou-se uma fronteira sem bordas definidas. Antigamente se falava de legalismo, mas com o ‘perfeccionismo’ já são questões completamente diferentes. Ideologicamente, a igreja se permitia promover a lei de Deus, mas sob a égide da graça. Hoje até isso parece que ficou meio fora da ‘agenda’.

“No fim das contas, o que se perde? A meu ver, a identidade. Fica cada vez mais difícil explicar para os meus filhos por que os coleguinhas do Ministério da Criança, filhos de anciãos, vão no sábado à noite ver o novo filme do Pokémon, e nós não vamos. ‘Mas eles não são de Jesus?’, pergunta meu filho mais novo. ‘Sim, são, meu filho’, respondo. ‘E eles estão fazendo algo errado?’ Expliquei que isso é um assunto que cada família decide, mas que o nosso entendimento é que não é adequado. Entendeu a angústia?”

Sim, meu amigo, entendi perfeitamente sua angústia. Também tenho filhos tentados e assediados por filmes, séries, músicas impróprias… E só não me desespero porque creio que o Deus da minha família e o Deus da minha igreja está cuidando de tudo e vai colocar todas as coisas em ordem, no devido tempo. Este é o barco que vai chegar ao porto final. Até lá, ele vai enfrentar muitos tsunamis, icebergs, vai chacoalhar pra valer, parecerá até afundar enquanto muitos serão lançados às águas da incredulidade, do liberalismo desmedido, do fanatismo louco e da desconsideração pelos Testemunhos.

Parecerá afundar, mas não vai.

Michelson Borges