Lição dos Jovens: Um final abrupto

127 anos da primeira igreja adventista organizada no Brasil

Gaspar-Alto

Hoje comemoramos 127 anos da primeira congregação da Igreja Adventista do Sétimo Dia estabelecida no Brasil, em 15 de junho de 1895, em Gaspar Alto, SC. Quando estudamos a história do surgimento da IASD em nosso país e a vida dos pioneiros, vemos que eles enfrentaram tantas dificuldades e mesmo perseguições; praticamente não tinham recursos, mas foram gigantes espirituais porque amaram Jesus e a verdade mais do que tudo, dedicando a vida em prol da pregação do evangelho, sendo fiéis a Deus. O legado e o exemplo que esses heróis da fé nos deixaram devem nos motivar – fixando o olhar da fé em Jesus – a amar e abraçar diariamente a verdade, vivendo e proclamando o evangelho a todo o mundo, a fim de concluirmos a missão e Jesus voltar para nos buscar.

Maranata: o Senhor logo vem!

(Fábio Mendonça)

expedição

A pregação que desafiou e encorajou os adventistas do sétimo dia

“Venho sem demora. Conserve o que você tem, para que ninguém tome a sua coroa” (Apocalipse 3:11).

No último dia da Assembleia Geral deste ano, o pastor Ted Wilson, eleito como presidente mundial da Igreja Adventista do Sétimo Dia para os próximos três anos, apresentou um sermão poderoso com diversos apelos à igreja.

Partindo do texto de Apocalipse 3:11, ele orientou os adventistas a CONSERVAR os princípios que Deus nos deu em Sua Palavra. A seguir destacamos os 25 pontos mencionados na mensagem:

I. Conserve a verdade bíblica de que a Divindade é constituída por três Pessoas divinas e iguais, que existem e existirão de eternidade a eternidade.

II. Conserve a simplicidade do estilo de vida cristão, no vestuário pessoal, na conduta de vida da igreja e nas atividades cotidianas.

III. Conserve as verdades bíblicas e sua relevância para hoje, apesar da perseguição.

IV. Conserve firme sua observância cuidadosa do sábado do sétimo dia, celebrando a criação bíblica realizada por Deus em seis dias literais.

V. Conserve um estilo simples de vida, incluindo uma dieta baseada em vegetais, de acordo com o conselho bíblico e do Espírito de profecia.

VI. Conserve a unidade da igreja que Deus providenciou a todos os que focam a vida em Cristo e em Sua verdade bíblica completa.

VII. Conserve a instituição bíblica do casamento de Deus entre um homem e uma mulher.

VIII. Conserve com humildade o respeito bíblico e espiritual à autoridade da igreja ao mostrar respeito pela obra de Deus em Sua Igreja através de suas entidades apropriadas e cuidadosa observância da Bíblia e do Espírito de Profecia.

IX. Conserve sua apreciação, uso e promoção dos escritos de Ellen G. White. Esse é um presente de Deus para a Sua Igreja.

X. Conserve os princípios bíblicos do crescimento da Igreja e as orientações divinas do crescimento evangelístico, conforme relatado no Espírito de Profecia.

XI. Conserve sua fidelidade ao movimento adventista, resistindo a qualquer compromisso com o ecumenismo e a neutralização da pura Palavra de Deus.

XII. Conserve o cerne da nossa salvação e o evangelho eterno – a Justiça de Cristo. Essa justiça é o que nos salvará. A graça de Cristo e nada mais.

XIII. Conserve todas as maravilhosas 28 crenças fundamentais da Igreja Adventista do Sétimo Dia, incluindo nossa compreensão da profecia, culminando com o final anúncio de Daniel 8:14 e a profecia de 2.300 dias/anos, terminando em 1844, iniciando o juízo investigativo no Céu, revelando o grande amor de Deus por Seu povo, conforme demonstrado no plano da salvação e no serviço do santuário.

XIV. Conserve a sua confiança diária no Senhor através do estudo pessoal e da oração.

XV. Conserve a adoração bíblica simples da igreja, apresentada em Apocalipse 4, dando glória somente a Deus e não aos seres humanos.

XVI. Conserve a circulação proativa e a distribuição de livros do Espírito de Profecia inspirados por Deus. Participe do “Projeto O Grande Conflito 2.0”, em 2023 e 2024, distribuindo milhões de cópias da versão completa desse livro.

XVII. Conserve firme a sua crença de que Jesus está voltando em breve e que você precisa estar envolvido.

XVIII. Conserve a inspiração bíblica, rejeitando o humanismo e a cultura social popular que tentam destruir a revelação de Deus.

XIX. Conserve a beleza do santuário e seus serviços que apontam para o evangelho eterno – Jesus Cristo, o Cordeiro morto na cruz.

XX. Conserve o princípio bíblico dia/ano de interpretação das profecias, permitindo que a Bíblia seja sua própria intérprete.

XXI. Conserve a abordagem histórico-bíblica-gramatical para interpretar as Escrituras. É a única abordagem hermenêutica aprovada pela Igreja Adventista do Sétimo Dia.

XXII. Conserve o entendimento bíblico e do Espírito de Profecia de que a sacudidura e o peneiramento da igreja de Deus ocorrerão antes do retorno de Cristo.

XXIII. Conserve o precioso entendimento de que somos a Igreja Adventista do Sétimo Dia remanescente de Deus em todo o mundo, em mais de 200 países, apoiando uns aos outros, evitando conceitos de congregacionalismo, destruidor de missões.

XXIV. Conserve o maravilhoso fundamento do governo de Deus fundamentado em Seu amor – Sua eterna lei, incluindo os Dez Mandamentos.

XXV. Conserve o plano especial de Deus da reforma de saúde e ministério de saúde abrangente ao defender um estilo de vida saudável dos oito remédios naturais.

(Colaboração: Jefferson Araújo)

Advogada adventista cria plataforma gratuita com direitos sobre autismo após descobrir diagnóstico do filho

“Direito é qualidade de vida, não só para quem tem autismo, mas para toda a família”, afirma Carla Borges Bertin, fundadora do Autismo Legal

autismo

Ter acesso à informação é um direito de todos. E a advogada Carla Borges Bertin levou isso ao pé da letra ao decidir criar o Autismo Legal. Porém, existe uma história de muitos anos antes de o projeto se tornar realidade. Em 2014, Carla e o marido, José Carlos Bertin Júnior, começaram a reparar em algumas atitudes do filho caçula. “O Gabriel não falava nem cinco palavras que a gente entendesse, colocava a mãozinha no ouvido com sons fortes, alinhava carrinhos, gritava desesperadamente na hora de lavar a cabeça, era louco por números, não ligava se a gente saísse de perto, não procurava outras crianças”, afirma a advogada. O atraso de fala foi o que levou o casal a buscar um neuropediatra, que deu o diagnóstico de TEA. Carla e José estudaram sobre o assunto por um mês antes de decidirem o que fazer. “Gabriel começou com psicóloga e fonoaudióloga. Fizemos consultoria com alguém que nos ensinou muitas coisas sobre autismo e resolvemos que faríamos parte do desenvolvimento dele. Diminuímos a sala de jantar para fazer um quartinho de terapias e eu ficava de 3h a 4h fazendo estimulações e brincadeiras dirigidas com ele”, lembra.

Um dia, quando a advogada estava na sala de espera da terapia, uma assistente social que passava por lá mencionou que ela poderia comprar um carro com isenção de IPI por causa do autismo, que é considerado uma deficiência. “Foi aí que acendeu essa ‘luz’ que Gabriel poderia ter direitos. Comecei a pesquisar no Google e achei muitas respostas que não levavam a nada. Era sempre assim: ‘o autista tem direito a tal coisa, procure um advogado’. E aí eu pensei: ‘e quem não tem dinheiro para pagar advogado?’. Direito a gente pede cada um em um lugar diferente, tem formulários, documentos. Como sempre trabalhei com contabilidade, estou acostumada com burocracia”, explica.

Com 20 anos de experiência no Direito, Carla nunca havia trabalhado em nenhuma causa sobre deficiência e decidiu mergulhar de cabeça no tema. E mais do que isso: compartilhar conhecimento. “Um dia, conversando com o meu marido, tive uma ideia: ‘O que você acha de a gente fazer um site explicando para os pais como eles conseguem exercer os direitos dos filhos? Mas com formulário, com links, etc. Tudo para aquelas pessoas que não têm como pagar um advogado?’” José, que tem uma empresa de sistemas, topou na hora. “E aí nasceu o Autismo Legal. O ‘legal’ vem de direitos, mas de bacana também. É muito legal ter filhos e o autismo não tira isso da maternidade ou paternidade”, conta.

José programou o site e Carla produziu o conteúdo. Eles montaram páginas nas redes sociais, com lives e outros materiais sobre direitos referentes a planos de saúde e atendimento no SUS, benefícios sociais para famílias em situação de vulnerabilidade, entrada gratuita em parques de diversão, transportes e muito mais. “A essência do Autismo Legal é levar informação prática, de forma gratuita, para que os pais sejam os advogados dos próprios filhos. Não tinha ninguém que ensinasse isso a eles. Quem tinha dinheiro poderia pagar um advogado. Mas quem não tinha ficava batendo cabeça ou saía por aí dizendo que Direito é só no papel”, enfatiza.

Saber que não precisam ficar esperando na fila de atendimento correndo risco de o filho ter uma crise ou que o aluno pode ter um assistente terapêutico em sala de aula para auxiliar o desenvolvimento traz qualidade de vida aos familiares, na visão de Carla Bertin: “O Direito é para todas as pessoas e é qualidade de vida, não só para quem tem autismo, mas para toda a família. Ela é diretamente impactada pelo diagnóstico e a gente consegue levar informação para quem precisa.”

No Autismo Legal, pais têm acesso a um guia sobre o TEA, e brincadeiras dirigidas. Além disso, com auxílio de inteligência artificial, até o fim do mês, será lançado um módulo pago dentro do app para aqueles que querem um conteúdo específico para o filho. Famílias em situação de vulnerabilidade terão acesso livre. “Investimos tudo do nosso bolso. Essa plataforma tem um custo baixo de manutenção anual e os pais terão 30 dias de acesso gratuitamente. Quem puder pagar irá custear o sistema para quem não pode. São 40 profissionais envolvidos nesse projeto, de forma voluntária”, conclui.

(Estadão)

Chave hermenêutica: as Escrituras

A única serventia da tal chave hermenêutica é revelar o grau de comprometimento que se tem para com a Palavra de Deus.

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Para quem deseja mais informação, essa coisa do filtro do evangelho, de Jesus como a chave hermenêutica ou do princípio cristocêntrico (ou crucicêntrico) foi popularizada poucos anos atrás nos Estados Unidos pelo pastor e escritor progressista (pós-moderno) Greg Boyd. Na obra The Crucifixion of the Warrior God (A Crucificação do Deus Guerreiro), em dois volumes, ele sustenta que tudo na Bíblia deve ser avaliado a partir da revelação suprema do amor de Deus em Cristo Jesus, um amor não violento e que se sacrifica a si mesmo pelos outros. Ou seja, as Escrituras devem ser lidas pelas lentes da cruz e qualquer coisa – mesmo se atribuída a Deus – que, na visão de Boyd, não se ajusta ao princípio da cruz, deve ser rejeitada como incorreta, culturalmente condicionada e mesmo demonicamente induzida.

O problema de Boyd é com o que ele chama de “lado escuro” do Antigo Testamento, que são as passagens em que Deus é retratado como exercendo juízo de forma violenta (como o dilúvio, a rebelião de Coré, Sodoma e Gomorra, etc.). Para Boyd, a cruz demonstra que Deus não condena. Ele apenas ama. Logo, os relatos bíblicos em que Deus parece condenar pecado e pecadores são falsas representações do caráter divino. Na verdade, afirma Boyd, não era Deus. Eram forças satânicas em operação e, ao creditar o relato a Deus, o escritor humano (Moisés, Josué, Samuel, etc.) está apenas evidenciando sua própria obstinação e perversidade.

Boyd defende o mesmo com relação ao Novo Testamento. O que temos aqui, porém, nada mais é que uma rejeição sumária da autoridade divina e sua substituição pela autoridade humana. É o homem querendo decidir o que é correto e o que não é, o que é “bíblico” e o que não é. Se não condiz com minha mentalidade liberal quanto ao que é pecado e o que não é, eu rejeito!

O tema é amplo, mas gostaria de perguntar de novo (veja meu post anterior, “O filtro do evangelho”): Onde está o apoio bíblico para esse pseudocritério de interpretação? Simplesmente não existe!

Pelo contrário, Jesus explicitamente afirmou que a Palavra de Deus é a verdade (Jo 17:17), que a Escritura não pode falhar (10:35), que mesmo as menores partes da Escritura continuam válidas (Lc 16:17), que Ele viera para Se submeter à Escritura (Mt 5:17) e que enquanto durassem os céus e a terra nada seria tirado da Escritura (v. 18). Ele reconheceu a autoridade de Moisés e afirmou que os escritos dele seriam a norma no juízo final (Jo 5:45-47). E pouco antes de morrer, Ele orou para que Seus discípulos fossem santificados na verdade, acrescentando que a Palavra de Deus é a verdade (Jo 17:17). Ou seja, Jesus jamais sequer insinuou que o Antigo Testamento possa conter concepções distorcidas sobre o caráter de Deus ou não ser autoritativo em tudo o que diz (cf. 2Tm 3:15, 16; Tt 1:2; Hb 6:18; 2Pd 1:19-21).

Não há dúvida de que Jesus é o centro da Escritura e do plano redentor (Jo 5:39, 46; 2Tm 3:15), mas usar isso para excluir passagens ou conceitos bíblicos só porque eles não condizem com as minhas preferências pessoais é brincar de Deus (cf. Gn 3:15). A única serventia da tal chave hermenêutica, portanto, é revelar o grau de comprometimento que se tem para com a Palavra de Deus.

(Dr. Wilson Paroschi; Instagram)

Bandeira do Vaticano na Conferência Geral?

Talvez por falta de notícias sobre pandemia, vacinas, e outros assuntos de sua preferência recente, a patrulha do zelo crítico tenha achado que seria uma nova e boa ocasião de mostrar as garras.

bandeira

Achei muito interessante ter sido levantada polêmica por ter aparecido uma bandeira do Vaticano no desfile de países que aconteceu no último dia da 61ª Sessão da Conferência Geral. Na verdade, trata-se de uma prática que já existe há muito, de fazer desfilar bandeiras dos países e regiões em que a IASD tem presença formal, que são quase todos no mundo, e também daqueles países e territórios onde não há presença adventista. A bandeira do Vaticano surgiu juntamente com várias outras, representando uma nação soberana reconhecida pelas Nações Unidas.

Disseram alguns que isso representa uma “submissão e reconhecimento do poder do anticristo nas fileiras do povo de Deus”, indicando, como não poderia deixar de ser, a “apostasia reinante na IASD”.

Assim sendo, e uma vez que também ali apareceu a bandeira da Coreia do Norte, a pior ditadura comunista do mundo atual, talvez isso indique uma “submissão e reconhecimento do poder da besta do abismo nas fileiras do povo de Deus”.

Mais ainda: uma vez que também ali apareceram bandeiras de diversos países islâmicos, alguns dos quais não permitem a presença organizada da IASD, talvez isso indique uma “submissão e reconhecimento do poder dos gafanhotos da quinta trombeta, ou dos 200 milhões de cavaleiros da sexta, em Apocalipse 9, nas fileiras do povo de Deus”.

Voltando ao início: o interesse que tive foi pelo fato de, até agora, nada disso ter sido questionado; talvez por falta de notícias sobre pandemia, vacinas, e outros assuntos de sua preferência recente, a patrulha do zelo crítico ter achado que seria uma nova e boa ocasião de mostrar as garras.

Ok, já mostraram; agora, enquanto dedicados missionários fazem um esforço muito grande para alcançar as pessoas desses tais países, já podem voltar para a habitual procura de um novo motivo de julgamento sumário.

(Filipe Reis, de Portugal)

Perguntas Interativas da Lição: José, mestre dos sonhos

A história de José contém muitas lições sobre a providência de Deus. A despeito de toda a maldade do coração humano, demonstrada nas atitudes de vários personagens, e apesar de situações adversas e aparentemente aleatórias (Gn 37:15-17), Deus sempre realiza Seu propósito e cumpre Suas promessas. Esse foi o tema da Lição da Escola Sabatina desta semana, com base na primeira parte da história de José.

Perguntas para reflexão e discussão em grupo

Leia Gênesis 37:2,3. Quais são os fatores potenciais de conflito demonstrados nestes dois versos? Como essa situação poderia ter sido amenizada para que não surgisse o conflito?

Leia Gênesis 37:4. Em sua opinião, como um homem idoso e experiente como Jacó pôde cair no mesmo erro de seu pai, ao demonstrar preferência por um filho? Por que essa atitude é tão desastrosa em um mundo caído?

Por que a Palavra de Deus compara o ódio ao assassinato (Mt 5:21-22; 1 Jo 3:15)? O que isso nos diz sobre o cuidado que devemos ter com nossos sentimentos e emoções? (Ef 4:26, 27)

Leia Gênesis 37:19, 20. O que essas palavras nos revelam sobre o caráter dos filhos de Jacó? Como podemos proteger nossa própria família de chegar a esse ponto? Como Deus pode mudar os traços negativos do caráter?

Mesmo tendo sido vendido como escravo por seus próprios irmãos, José era admirado por sua personalidade e por fazer o seu trabalho com excelência (Gn 39:2-4, 21, 23). Qual era o segredo de José? Que diferença fará se trabalharmos em qualquer ofício sabendo que o Senhor está conosco? (ver Cl 3:22-24)

Como podemos continuar confiando em Deus mesmo quando não temos aparentemente o mesmo sucesso de José?

Em Gênesis 37:15-17 há um detalhe que parece insignificante, mas está registrado por ser importante. Em sua opinião, qual pode ser a identidade desse homem que encontrou José enquanto este andava “errante”? Por quê? O que aconteceria com a história que conhecemos de “José no Egito” se ele não tivesse se encontrado com esse homem que lhe indicou o caminho até os seus irmãos, que o venderiam a uma caravana de comerciantes que logo passaria por ali? O que isso nos ensina sobre a intervenção de Deus mesmo quando nos faz passar por situações difíceis? E o que isso nos ensina sobre os versículos que parecem “insignificantes” na Bíblia?

Apesar do erro vergonhoso de Judá e Tamar, eles aparecem na lista genealógica de Jesus Cristo (Mt 1:3). Nessa lista também aparece a mãe de Salomão (Mt 1:6), a qual não deveria ter sido esposa de Davi se ele tivesse sido fiel. O que isso nos ensina sobre a graça de Deus e sobre Sua providência a qual pode atuar a despeito das maiores falhas humanas?

Quais são as semelhanças entre José e Daniel? E quais as semelhanças entre estes dois e Jesus Cristo?

(Pastor Natal Gardino, professor de Teologia no Instituto Adventista Paranaense)

IASD reafirma confiança na Revelação divina

Durante as reuniões da Conferência Geral, que estão sendo realizadas nesta semana nos Estados Unidos, representantes da Igreja Adventista do Sétimo dia de todo o mundo votaram duas resoluções que reafirmam a confiança da igreja na revelação divina:

RESOLUÇÃO SOBRE A BÍBLIA SAGRADA

Como delegados da Sessão da Conferência Geral de 2022 em St Louis, Missouri, expressamos nossa convicção de que a Bíblia é a Palavra de Deus inspirada e revelada. Através das Sagradas Escrituras, Deus revelou a Si mesmo e Sua vontade à humanidade. A Bíblia toda é inspirada e deve ser entendida como um todo para se chegar a conclusões corretas quanto à verdade sobre qualquer assunto revelado. A Bíblia é confiável no que afirma. Seu registo da criação em seis dias literais, a queda dos seres humanos, um dilúvio global para destruir a maldade e preservar um remanescente, a vida terrena, morte e ressurreição de Cristo, bem como as numerosas intervenções de Deus na história para a salvação dos seres humanos são relatos confiáveis dos atos de Deus na história (Lucas 24:27; Hebreus 1:1, 2; 2 Pedro 1:21). Profeticamente, o cumprimento de eventos preditos de acordo com períodos de tempo proféticos estabelece a confiança na Bíblia como um testemunho único da verdade divina, diferentemente de qualquer outro livro religioso (Isaías 46:9, 10; Daniel 2, 7, 8; Lucas 24:44; 2 Pedro 1:19, 20).

Acreditamos que a Bíblia é a Palavra profética de Deus e por meio dos profetas do Antigo Testamento, os apóstolos do Novo Testamento, e principalmente por meio de Seu Filho, Jesus Cristo, Deus revelou como Ele agirá para a salvação dos seres humanos e executar julgamento sobre a maldade.

Comprometemo-nos a, em espírito de oração, estudar e seguir a Bíblia, a Palavra viva e eficaz de Deus. É proveitosa para doutrina, repreensão, correção e instrução em justiça. Permanece para sempre como um testemunho da vontade de Deus, Sua lei, Seus pensamentos e Seus propósitos para os seres humanos e para o nosso mundo, e contém os tesouros da eterna sabedoria e graça (Isaías 40:8; 1 Tessalonicenses 2:13; 2 Timóteo 3:16, 17). Seus princípios e ensinamentos são aplicáveis em todos os tempos, todos os lugares, todos os idiomas e todas as culturas para todas as pessoas. Fala de forma confiável e relevante hoje como no passado, e continuará a falar enquanto o tempo durar.

Também acreditamos que a Bíblia nos leva a um relacionamento vivo com Deus por meio de Jesus Cristo. E pelo Espírito Santo a Bíblia fala diretamente a cada pessoa para revelar o plano de salvação e restaurar os crentes à imagem de Deus. Assim, a Bíblia permanece como a norma para toda experiência religiosa na medida em que revela e ensina a verdade e explica como seus efeitos se manifestam no intelecto, sentimentos e afeições (Hebreus 4:12; Gálatas 5:22, 23).

Expressamos nossa profunda gratidão ao Senhor porque nas Escrituras encontramos esperança para viver em meio aos desafios do mundo. A Bíblia fala do plano de Deus para conceder imortalidade ao Seu povo na segunda vinda de Cristo e, finalmente, após o milênio no céu, para acabar com o pecado e os pecadores para sempre e estabelecer a justiça na nova Terra (Salmo 119:105; Romanos 15:4; Hebreus 4:12; Tiago 1:18).

DECLARAÇÃO DE CONFIANÇA NOS ESCRITOS DE ELLEN G. WHITE

Como delegados da Sessão da Conferência Geral de 2022 em St Louis, Missouri, expressamos nossa profunda gratidão pela orientação profética de Deus na Igreja Adventista do Sétimo Dia. Com o objetivo de viver “de toda palavra que procede da boca de Deus” (Mateus 4:4 NKJV; cf. Lucas 10:16), levamos a sério as passagens bíblicas que ensinam a natureza permanente do dom de profecia (Romanos 12:6; 1 Coríntios 12:10, 28; Efésios 4:11-14) e prometem sua manifestação no fim dos tempos (Joel 2:28-31; Apocalipse 12:17; 19:10; 22:9). Reconhecemos o dom de profecia na vida e ministério de Ellen G. White (1827-1915).

Acreditamos que os escritos de Ellen G. White foram inspirados pelo Espírito Santo e são centrados em Cristo e fundamentados na Bíblia. Em vez de substituir as Escrituras, eles exaltam seu caráter normativo, protegem a Igreja de “todo vento de doutrina” (Efésios 4:14) e oferecem um guia inspirado para passagens bíblicas sem esgotar seu significado ou impedir um estudo mais aprofundado. Também nos ajudam a superar a tendência humana de aceitar na Bíblia o que gostamos e distorcer ou desconsiderar o que não gostamos.

Comprometemo-nos a estudar em espírito de oração os escritos de Ellen G. White com o coração disposto a seguir os conselhos e as instruções neles encontrados. Seja individualmente, em família, em pequenos grupos, na sala de aula ou na igreja, acreditamos que o estudo de seus escritos nos aproxima de Deus e de Sua Palavra infalível – as Escrituras –, proporcionando-nos uma experiência transformadora e edificante na fé.

Regozijamo-nos no Senhor pelo que já foi realizado na circulação global e local dos escritos de Ellen G. White em formatos impressos e eletrónicos, incluindo egwwritings.org e aplicativos relacionados. Incentivamos o desenvolvimento contínuo de estratégias mundiais e locais para promover a circulação e o estudo de seus escritos no maior número possível de idiomas. O estudo desses escritos é um meio poderoso para fortalecer e preparar o povo de Deus para enfrentar os desafios destes últimos dias à medida que nos aproximamos do breve retorno de Cristo.

Lição dos Jovens: Espere por isto

Um Deus sanguinário?

Por que Deus mandou matar? Essa é a pergunta que se impõe quando certas passagens bíblicas são analisadas.

Numa época em que o terrorismo e o fundamentalismo religioso estão sendo amplamente discutidos, surgem algumas dúvidas e confusões com relação a certos textos bíblicos. Robert Wright, autor de O Animal Moral: Psicologia Evolucionária e o Cotidiano, chegou a escrever que “se Osama bin Laden fosse cristão e quisesse destruir o World Trade Center, citaria a reação violenta de Jesus contra os vendilhões do templo”. Exageros à parte, Wright não é o único escritor contemporâneo a comparar a postura de terroristas com certas passagens das Escrituras, especialmente aquelas em que Deus aparece intervindo de forma drástica na vida humana ou ordenando a morte de pessoas. Mas o Deus do Antigo Testamento não é menos amoroso do que o Deus revelado por Jesus.

Para Chris Blake, autor de Searching for a God to Love [Procurando um Deus para Amar], “figuras de doenças em um livro de medicina não refletem o médico; elas ilustram a grande necessidade de cura”. A comparação é boa, uma vez que conhecer o contexto do Antigo Testamento – e as “doenças espirituais” do povo de Deus – ajuda e muito a entender certas reações divinas.

Blake faz outra comparação: “Deus Se revelava ao povo do Antigo Testamento como uma persiana num quarto escuro – uma lâmina por vez – para que eles se acostumassem aos poucos com a luz. Se Ele houvesse aberto totalmente a persiana e revelado Sua deslumbrante ternura e tremenda bondade, a luz teria cegado os antigos. Eles não teriam visto coisa alguma.”

Quando se conhece o contexto cultural da época, pode-se perceber que, na verdade, o Deus do Antigo Testamento é o mesmo no Novo. Senão, note este texto bíblico: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo.” São palavras de Jesus, certo? Certo. Mas elas estão registradas em Levítico 19:18, como tendo sido ditas primeiramente por Yahweh ao povo de Israel. Ainda que tenham sido necessárias atitudes extremas da parte de Deus em alguns momentos da História, uma coisa fica clara para o estudante da Bíblia: indiscutivelmente, do Gênesis ao Apocalipse, “Deus é amor” (1 João 4:8).

ORDEM PARA MATAR

Por que Deus mandou matar? Essa é a pergunta que se impõe quando certas passagens bíblicas são analisadas. A primeira dificuldade em se lidar com essa questão é justamente a pequena compreensão que o ser humano tem do caráter de Deus. As pessoas formam seus valores e tomam suas decisões por meio do paralelismo ou da comparação. Escolhem esse ou aquele produto comparando cores, formas, sabores, preço. Com relação ao divino, não há com o que ou com quem compará-lo. Diante do Senhor, não há paralelos que permitam identificar aquilo que Lhe é natural. Por isso, não podemos definir para o Criador padrões ou parâmetros do que seja justo, correto, bom e adequado. Os padrões da dimensão terrena e finita não podem ser parâmetros ou projeções para aquilo que está infinitamente acima da percepção e do conhecimento humanos.

A Bíblia fornece algumas pistas sobre a pessoa de Deus. Ela diz que Deus é puro, santo, justo e amoroso. Sua santa Lei também possui esses atributos, pois é a expressão de Seu caráter. Assim, a consequência negativa surge porque o padrão divino para a vida humana é rompido. O “castigo”, antes de ser um ato isolado de um Ser superior e rigoroso, nada mais é do que o exercício zeloso e exigente da própria virtude que foi desprezada.

PUREZA

A não observância da virtude divina da pureza foi a causa de muitas consequências negativas para o ser humano. O dilúvio é uma delas: “E disse o Senhor: Destruirei da face da Terra o homem que criei […] porque a Terra está cheia da violência dos homens; eis que os destruirei juntamente com a Terra” (Gn 6:7, 13).

A impureza que se alastrava condenou toda a geração de Noé, numa oportunidade para um novo começo da raça humana. Note-se a grande longanimidade de Deus: Noé pregou por 120 anos que viria a destruição, mas os antediluvianos preferiram assumir as consequências.

Outro exemplo de extrema impureza: Sodoma e Gomorra. A destruição dessas duas cidades evidencia a consequência do pecado. É uma das páginas mais tristes sobre o ponto a que pode chegar a depravação do ser humano. Não havia outro jeito! A impureza, cujo clamor subira aos Céus, tinha que ser exemplarmente condenada, como a um câncer que precisa ser extirpado, sob o risco de comprometer aquilo que ainda está são (Ez 16:49, 50).

Por outro lado, Deus poupou a cidade de Nínive em circunstâncias semelhantes, devido ao arrependimento de todo o povo. Isso deixa evidente a misericórdia divina (ver Jn 3:1-10).

A impureza na vida impede o ser humano de se aproximar de Deus. Foi o que aconteceu com Nadabe e Abiú. Por serem filhos do grande sacerdote Arão, julgavam que poderiam apresentar-se diante de Deus da forma como lhes convinha, e não de acordo com os preceitos divinos. As cerimônias do santuário apontavam para a obra intercessória de Cristo, e tinham caráter sagrado. A impureza dos dois hebreus foi castigada: “Ora, Nadabe e Abiú […] ofereceram fogo estranho perante o Senhor, o que Ele não ordenara. Então saiu fogo de diante do Senhor, e os devorou; e morreram perante o Senhor” (Lv 10:1, 2).

Posteriormente, por não ter outro alimento, Davi comeu dos pães da proposição, o que não era permitido (ver 1Sm 21:4-6). Mas Deus não o matou. Isso demonstra que a irreverência é mais uma disposição do coração do que meramente atos exteriores.

A impureza no coração faz desencadear uma série de atitudes e procedimentos contrários à vontade de Deus. Salta à vista a ingratidão do povo hebreu que, por mais de 400 anos, havia sido escravo dos egípcios e que agora, depois de libertado, ainda murmurava contra seu Libertador. O maná caía do céu diariamente, provendo-lhes o sustento necessário para a caminhada no deserto. Mas eles não estavam satisfeitos. Preferiam a comida que tinham no Egito. Foi preciso que Deus lhes permitisse comer carne e que muitos morressem, para que aprendessem a importante lição (Nm 11:32-34). Ainda hoje o ser humano come aquilo que deseja e, depois, sofre os resultados de sua intemperança.

As trágicas mortes foram, portanto, o preço cobrado pela opção da impureza. As ocorrências terríveis relatadas na Bíblia tiveram suas causas em si mesmas explicadas. Não seria, na verdade, preciso que Deus atuasse diretamente para que cada um daqueles fatos ocorresse, pois, pela falta de pureza no viver, eles naturalmente iriam acontecendo.

SANTIDADE

Santidade e pureza andam de mãos dadas. Enquanto pureza é eliminar tudo aquilo que prejudica o viver, santidade é somar tudo aquilo que exalta e dignifica o ser humano; enquanto pureza é retirar do viver ético tudo aquilo que rebaixa a vida moral, santidade é acrescentar padrões divinos à vida, pela comunhão com Jesus.

Santidade é o segundo padrão pelo qual o ser humano deve caminhar. Assim, a quebra desse padrão também traz consigo desgraças inevitáveis.

Israel estava diante da sonhada terra prometida. O grande confronto da santidade exigida do povo teria início a partir do momento em que a terra começasse a ser conquistada. Isso porque os povos que ali viviam não eram nada santos. Pelo contrário, eram imorais, violentos e idólatras, praticando toda sorte de profanação e ofensas ao nome de Deus. Essa diferença teria que ser clara e evidentemente absorvida pelo povo de Israel.

O padrão divino de santidade começou a ser mostrado por meio da cidade de Jericó e tudo o que nela havia: “A cidade, porém, com tudo quanto nela houver, será anátema ao Senhor; somente a prostituta Raabe viverá, ela e todos os que estiverem em casa” (Js 6:17). Raabe aceitou os termos do Senhor e foi salva, da mesma forma que aqueles que aceitarem a Palavra de Deus serão salvos.

O Senhor ainda advertira Israel para não tomar nada do que fosse de Jericó – símbolo do pecado. A ambição de Acã foi maior e ele tentou esconder consigo algumas riquezas. Resultado: foi apedrejado e suas coisas queimadas (Js 7:15, 24, 25).

Como escreveu Chris Blake, “Deus levantou Sua voz frequentemente no Antigo Testamento para atrair a atenção dos filhos de Israel”. De fato, Deus precisava ser “duro” com Seu povo; afinal, Ele os havia conduzido até ali para serem luz para outros povos. O perigo da paganização era constante. As nações vizinhas tinham divindades de caráter fundamentalmente violento e imoral, que conduziam o povo à guerra e à depravação. Os cultos eram verdadeiras orgias, com sacrifícios até de vidas humanas. Não havia como compactuar. O povo que deveria ser santo porque o seu Deus é santo tinha que lutar e eliminar por completo tais pecados.

Nos anos seguintes, Israel passaria por uma sucessão de altos e baixos espirituais. E Deus permitiria que Seu povo enfrentasse dificuldades e até humilhações com o objetivo de corrigi-lo. Deus, como sempre, seria constantemente mal entendido, enquanto o único responsável pelas desgraças continuava sendo o ser humano.

JUSTIÇA

A justiça é outro padrão para o qual não temos paralelismo. Por isso, hoje, nem sempre é possível entender exatamente o porquê de certas coisas terem acontecido. Como exemplo da quebra desse padrão tomemos apenas uma passagem: “Estando, pois, os filhos de Israel no deserto, acharam um homem apanhando lenha no dia de sábado. E os que o acharam apanhando lenha trouxeram-no a Moisés e a Arão, e a toda a congregação e o meteram em prisão, porquanto ainda não estava declarado o que se lhe devia fazer. Então disse o Senhor a Moisés: ‘Certamente será morto o homem; toda a congregação o apedrejará’” (Nm 15:32-36).

Será que foi agradável para aquelas pessoas apedrejarem o homem? E por que “toda a congregação” deveria participar da terrível cena? Os preceitos para a vida de obediência e adoração a Deus já tinham sido declarados por Moisés, que os recebera do próprio Deus. O Senhor queria que o povo entendesse a importância de Seus mandamentos. Foi a desobediência que levou Lúcifer à ruína, privou Adão e Eva do Éden e traria desgraça ao povo. O transgressor do sábado, certamente não arrependido de seu feito, foi morto como exemplo da justiça divina e da gravidade do pecado. Se Deus perdoasse o homem em rebelião consciente, Satanás seria o primeiro a acusá-Lo de injusto.

É preciso que entendamos que o caminho da justiça de Deus se faz muitas vezes de forma incompreensível para nós, e que o Senhor não tem “prazer na morte do ímpio, mas em que o ímpio se converta do seu caminho e viva” (Ez 33:11).

AMOR

A quarta razão pela qual as manifestações negativas de Deus estão registradas na Bíblia é decorrente não da falha do ser humano diante de qualquer padrão divino, mas de uma decisão soberana e amorosa de Deus.

Por incrível que pareça, apenas uma vez o Senhor Se manifesta negativamente por causa do amor, e essa única vez é contra Ele mesmo: “Pois Deus amou tanto o mundo, que entregou o Seu Filho único, para que todo o que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3:16 BJ). A palavra “entregou” poderia ser substituída por “matou”. Sim, porque não foi nada mais, nada menos do que isso.

Deus amou tanto a cada um dos seres humanos que deu o que mais amava: Seu único Filho. Quando Deus comissionou os anjos para guiar os pastores até Belém em forma de uma linda estrela, sabia que ela apontava para o Gólgota. Quando fez com que um exército de anjos cantasse “Glória a Deus nas alturas!”, sabia que esse coro celestial mais tarde se quedaria mudo, para ouvir o brado solitário e tenebroso do Calvário: “Por que Me desamparaste?” Quando permitiu que os magos do Oriente levassem ouro, incenso e mirra a Cristo, também sabia que os judeus e os romanos Lhe dariam a coroa de espinhos e a cruz. Ele sabia de tudo isso desde os tempos de Adão, passando por todas as épocas, porque já havia dado o Seu Filho, pelo grande amor com que nos amou.

O Pai Celestial sempre desejou o bem da humanidade. E para isso não poupou esforços, correndo mesmo o risco de ser mal interpretado. Por que Ele Se afligiu até suar sangue e morreu por decisão própria? Porque Deus, o Senhor, é puro, santo, justo e amoroso.

(Michelson Borges é jornalista, pós-graduado em Biologia Molecular e mestre em Teologia)

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