O número 666 e o Vicarius Filii Dei

papalNesse artigo faço uma busca histórica da origem e do uso da expressão Vicarius Filii Dei como interpretação de Apocalipse 13:18 nos círculos adventistas. Após esse background histórico, discorrerei brevemente sobre o uso desse título no meio adventista, bem como sobre a validade hermenêutica dele para a interpretação do número 666. As interpretação mais popular no meio adventista para o número 666, citado em Apocalipse 13:18 é a utilização do suposto título papal Vicarius Filii Dei. Entre as muitas questões a serem levantadas a partir desse assunto, o que nos interessa neste artigo é a confiabilidade histórica dessa expressão e a validade de seu uso nos círculos adventistas.

ORIGEM DO TÍTULO

O documento Doação de Constantino é a mais antiga referência do suposto título papal Vicarius Filii Dei. Tendo sido escrito no período da Idade Média, esse é o mais antigo relato eclesiástico que confere a Pedro a autoridade de ser “substituto do Filho de Deus”.[2] Por quase 600 anos, o catolicismo o considerou como genuíno, mesmo porque aproximadamente dez papas o utilizaram como prova de sua autoridade temporal.[3] A menção do nome Constantino sugere que esse documento deve ter sido escrito nos dias desse imperador, no século 4 d.C.. Porém, Lorenzo Valla, por algum tempo secretário do papa humanista Nicolau V, em 1440 escreveu uma crítica literária e histórica demonstrando que a Doação de Constatino era um documento forjado, que provavelmente foi composto em meados do século 9 d.C.[4]

VICARIUS FILII DEI EM AUTORES PROTESTANTES

O escritor protestante mais antigo a relacionar a expressão Vicarius Filii Dei ao número 666 foi o alemão Andreas Helwig (ca. 1572-1643). Esse erudito foi professor de línguas bíblicas e letras clássicas por quase três décadas. Em 1612, Helwig escreveu sua obra Antichristus Romanus, na qual reuniu 15 títulos nas línguas latina, grega e hebraica, que na soma de suas letras dariam a cifra apocalíptica. Tal obra não enfatizou o título Vicarius Filii Dei, mas o considerou apenas como mais uma das pretensões da Igreja de Roma. Segundo Helwig, quatro fatores eram essenciais para um nome ser aplicado ao número apocalíptico: (1) a soma deveria dar a cifra correta; (2) teria que concordar com a ordem papal; (3) deveria ser um nome do próprio anticristo, não um título dado por seus inimigos; (4) teria que ser um título usado pelo anticristo para a sua auto-ostentação. Porém, essa interpretação se tornou comum entre autores de diversas denominações em meados da Revolução Francesa (1789-1799), quase duzentos anos após a publicação de sua obra.[5]

Autores protestantes como Amzi Armstrong (1771-1827),[6] os presbiterianos William Linn (1752-1808)[7] e David Austin (1760-1831)[8] e Robert Shimeall[9] aplicaram ao número 666 os títulos Ludovicus (latim), Lateinos (grego), Romith (hebraico) e Vicarius Filii Dei. Referente a esse último, John Bayford, em sua obra Messiah’s Kingdom (ca. 1820), afirmou que sua utilização era “dificilmente satisfatória” e que a expressão correta ainda estava para ser descoberta.[10] Percebe-se, assim, que desde o século 19, já havia certa relutância em aplicar esse título ao número 666.

VICARIUS FILII DEI EM AUTORES ADVENTISTAS

Muitos dos pioneiros do movimento adventista foram contemporâneos dos autores protestantes mencionados anteriormente. Sendo assim, é natural encontrarmos semelhança entre as interpretações de Apocalipse 13:18 de ambos os grupos. Foi por meio dos trabalhos de Uriah Smith, decano da interpretação profética nos círculos adventistas,[11] que se atribuiu a expressão Vicarius Filii Dei ao papado. Smith assim entendia: a expressão mais plausível que temos visto sugerir contendo o número da besta é o título que o papa toma para si mesmo e permite que outros lhe apliquem. Esse título é Vicarius Filii Dei, que quer dizer “Substituto do Filho de Deus”. Tomando as letras desse título que os latinos usavam como numerais e dando-lhes seu valor numérico, temos exatamente 666.[12]

A interpretação de Smith causou um impacto significativo no adventismo, a ponto de John N. Andrews, o expoente teológico mais importante dessa denominação, adotá-la na reimpressão de sua obra The Three Angels of Revelation XIV, 6-12, em 1877. Os anos posteriores presenciaram uma expansão dessa visão, por meio dos trabalhos públicos e impressos de alguns evangelistas adventistas ao redor do mundo. Stephen. N. Haskell, por exemplo, ao tratar do tema de Apocalipse 13, enfatizou apenas Vicarius Filii Dei.[13] O mesmo foi feito pelo autor brasileiro Aracely Mello ao afirmar que existem “fatos comprobatórios de que Vicarius Filii Dei é o título verdadeiro do papa e de Roma Papal.”[14] Roy Alan Anderson, importante nome no evangelismo adventista, utilizou títulos como stur (aramaico), italika ekklesia, he latine Basiléia (grego) e Vicarius Filii Dei (latim).[15] Por sua vez, o evangelista argentino Daniel Belvedere limitou a interpretação do número 666 à expressão “substituto do Filho de Deus”[16], e C. Mervyn Maxwell adotou essa mesma posição.[17]

Esse quem sabe seja o principal motivo para o título Vicarius Filii Dei ser associado com Apocalipse 13:18 por tantos adventistas. Porém, por mais popular que seja essa interpretação, é inegável que existem inúmeros problemas na sua aplicação ao relato bíblico.

PROBLEMAS INTERPRETATIVOS

Como vimos anteriormente, o documento mais antigo a mencionar esse título é a Doação de Constantino. A implicação disso é que essa interpretação se baseia num falso decreto da Idade Média. Da mesma forma, há certa controvérsia envolvendo a inscrição de Vicarius Filii Dei na mitra papal. A publicação Our Sunday Visitor, uma popular revista católica americana, mencionou por duas ocasiões que havia, de fato, uma inscrição na tiara do papa. A primeira menção foi em 1914, e a segunda no ano seguinte. Porém, existe uma terceira citação que nega qualquer tipo de inscrição na coroa do pontífice romano. E não há qualquer tipo de evidência que prove o contrário.[18]

Provavelmente, esse assunto teve início com um incidente envolvendo W. W. Prescott, um dos pioneiros da segunda geração adventista. Um evangelista chamado C. T. Everson visitou o Museu do Vaticano e tirou algumas fotografias de diversas tiaras papais, usadas ao longo dos séculos. Nenhuma inscrição havia em sequer uma delas. Prescott foi autorizado a utilizar as fotos na ilustração de um dos seus artigos. Porém, a Southern Publishing Association, quando preparava a publicação da versão atualizada da obra de Smith, contratou um artista que inseriu as palavras Vicarius Filii Dei. A sede mundial da Igreja Adventista ordenou que a impressão fosse interrompida e que removessem as fraudes fotográficas.[19]

Em 1935, a revista Our Sunday Visitor desafiou o periódico adventista Present Truth, que nessa época tinha como editor Francis D. Nichol, a provar que a expressão “substituto do Filho de Deus” era um título oficial do papa. Nichol consultou Prescott para solucionar esse problema. Prescott afirmou que não era possível responder ao desafio, já que os adventistas baseavam essas argumentações em fontes questionáveis.[20] Devido a esse incidente, a sede mundial da IASD sugeriu que tal interpretação jamais fosse utilizada novamente.[21] Ironicamente, hoje essa é a interpretação mais popular entre os adventistas.

Em novembro de 1948, Leroy E. Froom publicou sua resposta para uma pergunta referente à inscrição na tiara do papa. Após negar qualquer tipo de grafia na mitra papal, Froom afirmou que “como arautos da verdade, devemos proclamá-la verdadeiramente”, e que “em nome da verdade e honestidade este periódico protesta contra algum membro da associação ministerial da denominação adventista do sétimo dia”. Segundo ele, “a verdade não necessita de fabricação para ajudá-la”.[22]

Além desses problemas, é necessário dizer que esse recurso é exegeticamente desnecessário. O pregador escocês Robert Fleming Jr. (ca. 1600-1716), por exemplo, jamais utilizou Vicarius Filii Dei em suas abordagens sobre o anticristo e chegou à mesma posição dos adventistas a respeito desse poder, isto é, o catolicismo apostólico romano.[23]

CONCLUSÃO

É evidente, portanto, que o uso da expressão Vicarius Filii Dei aplicado ao número 666 de Apocalipse 13:18 é controvertida e questionável. Visto que sua origem está ligada a um documento forjado. Como declarou Froom, nesse assunto, “nós devemos honrar a verdade e meticulosamente observar o princípio da honestidade ao lidar com as evidências sobre todas as circunstâncias”.[24]

(Luiz Gustavo S. Assis é formado em Teologia pelo Unasp e doutorando no Boston College)

Referências:

  1. Bettenson, H. Documentos da igreja cristã, São Paulo, ASTE, 1998, 171.
  2. Coleman, Christopher B. The Treatise of Lorenzo Valla on the Donation of Constantine, Canada: University of Toronto Press, 1993, 1 e 2. Essa obra foi originalmente publicada em 1922.
  3. Cairns, Earle E. O cristianismo através dos séculos, São Paulo, Vida Nova, 2006, 213.
  4. Froom, Leroy E. The Prophetic Faith of Our Fathers, Washington, D.C.: Review and Herald Publishing Association, 1954, v. 2, 605-608.
  5. O título da obra é “A syllabus of lectures on the visions of the Revelation”.
  6. O título de seu trabalho é “Discourses on signs of the times”.
  7. O título de sua obra é “A prophetic leaf”, citada em Froom, op. cit., 342.
  8. Damsteegt, P. Gerard. Foundations of the Seventh-day Adventist Message and Mission, Berrien Springs, MI: Andrews University Press, 1997, 206.
  9. Froom, op. cit., 412.
  10. Timm, Alberto R. O santuário e as três mensagens angélicas: fatores integrativos no desenvolvimento das doutrinas adventistas. Engenheiro Coelho, SP: Imprensa Universitária Adventista, 2004, 137-138.
  11. Nichol, Francis D. (ed.). Seventh-day Adventist Biblical Commentary. Hangesrtown, MD: Review and Herald Publishing Association, 1980, v. 10, 1009.
  12. Haskell, Stephen. N. The Story of the Seer of Patmos. Nashville, TN: Southern Publishing Association, 1905. p. 105.
  13. Mello, Aracely S. A verdade sobre as profecias do Apocalipse. Taquara, RS: Grafiacs, 1982. 202-203.
  14. Anderson, Roy A. As Revelações do Apocalipse. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1988. 151.
  15. Belvedere, Daniel. Seminário revelações do Apocalipse. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1987, 102.
  16. C. Mervyn Maxwell. Uma nova era segundo as profecias do Apocalipse. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1998. 431.
  17. Nichol, Francis D. ed. op. cit., v. 9. 1071.
  18. Valentine, Gilbert. W.W. Prescott: Forgotten Giant of Adventism’s Second Generation. Washington D.C.: Review and Herald Pub. Association, 2005. 317.
  19. Ibid., 318.
  20. Ibid., 319.
  21. Froom, Leroy E. “Dubious Pictures of the Tiara”, The Ministry, novembro de 1948, 35.
  22. Torres, Milton Luiz. “Contenções Quanto à Interpretação Tradicional de 666 em Apocalipse 13:18”. Revista teológica SALT-IAENE, Cachoeira, BA, v. 2, n. 1, 1998. 64.
  23. Froom. “Dubious Pictures of the Tiara”, 35.
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Paralelos entre a apostasia de Salomão e o 666

666Um dos temas de estudo desta semana da Lição da Escola Sabatina é a marca da besta e o famoso número 666 de Apocalipse 13. Por pertencerem a um movimento profético nascido do estudo dos livros de Daniel e Apocalipse, é natural que os adventistas se debrucem mais sobre assuntos como esse do que os membros de outras religiões cristãs. Algumas propostas de interpretação foram apresentadas ao longo dos anos (como a indevida aplicação do 666 ao título Vicarius Filii Dei, por exemplo), mas o que fica mesmo claro é que Apocalipse 13 tem relação direta com Daniel 3. Em ambos os capítulos a questão em foco é a adoração forçada: ou as pessoas adoram o Deus verdadeiro ou os falsos deuses. Se optar pela fidelidade ao Criador e à Sua lei (o sábado incluído), o povo de Deus sofrerá perseguição e ameaça de morte, como aconteceu com os três jovens hebreus fieis. No Apocalipse, o número da besta representa o poder humano (o 6 em oposição ao 7, que é o número de Deus). Em Daniel, as medidas da estátua que representava o panteão babilônico eram 60 por 6 côvados. Paralelos inegáveis. Mas há outro possível paralelo, esse entre Apocalipse 13 e 1 Reis 10. O pastor e editor da CPB Fernando Dias Souza me falou a respeito disso e achei muito interessante. Veja a explicação dele: [MB]

O livro de 1 Reis 10:14 e 15 fala que o peso do ouro trazido a Salomão era de “seiscentos e sessenta e seis talentos de ouro, além do que entrava dos vendedores, e do tráfico dos negociantes, e de todos os reis da Arábia, e dos governantes da terra” (ver também 2Cr 9:13, 14). Note-se que as alianças políticas de Salomão, que deveria ser o líder do povo de Deus na terra (ele era “filho de Davi”, e, portanto, um tipo ou modelo de Jesus Cristo, o “Filho de Davi”), levaram-no à apostasia, à luxúria e a sincretizar a religião de Israel com o paganismo (1Rs 11:1-8), exatamente o mesmo caminho que seguiu o ramo da igreja cristã que formou a Babilônia espiritual profética (ver Ap 18:2-24).

Assim como Salomão recebia 666 talentos de ouro dos “negociantes”, dos “reis” e dos “governantes”, e se prostituiu com centenas de mulheres princesas, filhas dos reis de todas as nações da terra, que lhe perverteram o coração para seguir seus deuses (2Rs 11:2, 4), a besta apocalíptica, cujo número é 666 (Ap 13:18), prostituiu-se com “os reis da terra” (Ap 17:2), corrompendo-se espiritualmente com “os mercadores da terra” (Ap 18:3). É interessante ler 1 Reis 10, 2 Crônicas 9 e comparar com Apocalipse 18. Vários dos itens trazidos pelos comerciantes e como presentes dos reis a Salomão também são mencionados no Apocalipse.

Para mim, a menção do número 666 no Apocalipse nos remete à experiência desastrosa do rei Salomão como o líder maior do povo de Deus, que construiu um santuário de Deus na terra (1Rs 7, 8), mas que deixou-se corromper moral e espiritualmente por causa de associações indevidas com os pagãos. Da mesma forma, o Apocalipse 13 fala de duas potências que estão em posição de liderança sobre o mundo cristão, mas que se corromperam moral e espiritualmente da mesma maneira que Salomão. Não vejo razão para o significado do número 666 estar fora da Bíblia, já que entendo que a Bíblia se interpreta a si mesma.

O selo de Deus é o sábado ou o Espírito Santo?

testa2Algumas pessoas têm dificuldade de harmonizar a função do Espírito Santo e o papel do sábado no selamento final do povo remanescente de Deus. Não resta dúvida de que a habitação do Espírito Santo na vida do crente é a maior evidência de que este se encontra em estado de salvação (ver Rm 8:1-17; Gl 5:16-26). Por esse motivo, o apóstolo Paulo se referiu ao Espírito Santo como “penhor” (2Co 1:21, 22) e “selo” (Ef 1:13; 4:30) da salvação. Ellen G. White acrescenta que “a todos os que aceitam a Cristo como um Salvador pessoal, o Espírito Santo vem como consolador, santificador, guia e testemunha” (Atos dos Apóstolos, p. 49).

Além disso, o Espírito Santo é também o agente selador e capacitador dos crentes para o cumprimento da missão evangélica. Comentando os derradeiros momentos antes da ascensão de Cristo, Ellen G. White diz que “a visível presença de Cristo estava prestes a ser retirada dos discípulos, mas uma nova dotação de poder lhes pertencia. O Espírito Santo lhes seria dado em Sua plenitude, selando-os para a sua obra” (Atos dos Apóstolos, p. 30). Em relação ao Pentecostes, a mesma autora afirma que “os que creram em Cristo foram selados pelo Espírito Santo” (Seventh-day Adventist Bible Commentary, v. 6, p. 1.055).

O processo de restauração das verdades bíblicas pelos pioneiros adventistas do sétimo dia também foi selado, ou seja, aprovado pelo Espírito Santo. “Muito bem sabemos nós como foi estabelecido cada ponto da verdade, e sobre ele posto o selo pelo Espírito Santo de Deus” (Mensagens Escolhidas, v. 2, p. 103, 104). Descrevendo sua participação em algumas reuniões em South Lancaster, Massachusetts, na década de 1880, a Sra. White menciona que “o Senhor ouviu nossas súplicas, e Seu Espírito colocou o Seu selo à nossa obra” (Review and Herald, 15 de janeiro de 1884, p. 33). Ainda hoje, Deus “deseja que Sua obra seja levada avante com proficiência e exatidão, de modo que possa pôr sobre ela o selo de Sua aprovação” (Atos dos Apóstolos, p. 96).

Mas a função seladora do Espírito Santo no plano da salvação não conspira contra a identificação do sábado como “o selo do Deus vivo” (Ap 7:2; 9:4) no desfecho da grande controvérsia entre a verdade e o erro (ver Ap 12:17; 14:9-12). Em realidade, o Espírito Santo é concedido aos que obedecem a Deus (At 5:32) e, por essa razão, Ele é chamado por Cristo de “o Espírito da verdade” (Jo 14:17; 15:26; 16:13). Sua obra é conduzir os seguidores de Cristo “a toda a verdade” (Jo 16:13), da qual faz parte o quarto mandamento do decálogo, que ordena a observância do sábado (Êx 20:8-11; cf. Sl 119:142).

Ellen G. White afirma que “o sábado foi inserido no decálogo como o selo do Deus vivo, identificando o Legislador, e tornando conhecido o Seu direito de governar. Era o sinal entre Deus e Seu povo, um teste de sua obediência a Ele. Moisés foi ordenado a lhes dizer da parte do Senhor: ‘Certamente, guardareis os Meus sábados; pois é sinal entre Mim e vós nas vossas gerações; para que saibais que Eu sou o Senhor, que vos santifica’ (Êx 31:13). E quando alguns do povo saíram no sábado a recolher o maná, o Senhor indagou: ‘Até quando recusareis guardar os Meus mandamentos e as Minhas leis?’ (Êx 16:28)” (Sings of the Times, 13 de maio de 1886, p. 273).

“A obra do Espírito Santo é convencer o mundo do pecado, da justiça e do juízo. O mundo só será advertido ao ver os que creem na verdade sendo santificados pela verdade, agindo por princípios altos e santos, demonstrando em sentido alto e elevado a linha divisória entre aqueles que guardam os mandamentos de Deus e aqueles que os pisoteiam a pés. A santificação do Espírito demarca a diferença entre aqueles que têm o selo de Deus e aqueles que guardam um dia de repouso espúrio” (Seventh-day Adventist Bible Commentary, v. 7, p. 980).

Portanto, a habitação santificadora do Espírito Santo na vida é o selo da salvação do crente, que permanece nele enquanto este permitir que o Espírito Santo o conduza “a toda a verdade” (Jo 16:13). No conflito final entre a verdade e o erro, a humanidade acabará se polarizando entre os que observam o sábado bíblico instituído por Deus e os que veneram o domingo de origem pagã. Nesse contexto, o sábado assumirá a função de sinal escatológico de lealdade incondicional a Deus.

(Dr. Alberto Timm é diretor associado do White Estate, na sede mundial da Igreja Adventista do Sétimo Dia)

Isaac & Charles: #SomosTodosETs

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Trump surpreende o mundo e volta a falar no poder da fé

Quem diria que os presidentes da Coreia do Norte e dos Estados Unidos um dia estariam apertando as mãos e batendo um papo sorridente. Kim Jong-un e Donald Trump fizeram mais do que posar para fotos: assinaram um documento de compromisso no encontro realizado em Singapura, no último dia 12. Kim se comprometeu a desmontar seu programa nuclear e aceitou o convite de Trump para visitar a Casa Branca, em Washington. Algo impensável poucos meses atrás. Entre os quatro pontos do documento está o compromisso se ambos os países com a paz na península coreana. E assim Trump conseguiu uma façanha que seus predecessores sequer haviam tentado, marcando seu papel como líder cuja admiração é crescente e promotor do poderio político norte-americano. Antes de falar como dragão, a besta-cordeiro precisa conquistar mais e mais terreno e apoio. Quem lê entenda…

Jovens querem religião mais consistente e conservadora

gospelÉ um erro pensar que os jovens só gostam de festa e entretenimento, e que se não dermos isso para eles numa versão “cristianizada” eles acabarão buscando essas coisas “lá fora”. Pelo menos é o que mostra uma tendência interessante observada em pesquisas no Brasil e no mundo. Veja o que escreveram duas pessoas a respeito de certa migração irrefletida para o conservadorismo (e os perigos que isso envolve):

“Amo os católicos, sobretudo os muitos amigos católicos que tenho. O que direi não se refere a eles, mas ao fenômeno cada vez maior de evangélicos, sobretudo jovens, voltando-se ao catolicismo. Em geral, eles não demonstram fazê-lo, por exemplo, em virtude de haverem examinado as Escrituras e, a partir disso, alterado suas convicções teológicas (o que seria algo honesto), mas por culto ao tradicionalismo, à ideologia conservadora e aos seus ícones, muito abundantes no meio católico. Tal comportamento, além de demonstrar infantilidade e personalidade fraca, aponta para o fato do quanto qualquer ideologia pode nos fazer abrir mão do que nos é caro como oferta de sacrifício no altar da idolatria. O sujeito acha que a redenção se encontra no tradicionalismo, conservadorismo, progressismo, esquerdismo… e sai à procura de bandeiras que prometam a redenção que jamais poderão dar” (Vanedja Cândido).

“Quando o conservadorismo deixa de ser uma postura e passa a ser uma ideologia, o efeito espiritual é tão devastador quanto comunismo, feminismo, etc. Afinal, toda ideologia se propõe ser uma panaceia e usurpar a prerrogativa divina de redenção (seja de modo parcial ou total)” (Davi Caldas).

O conservadorismo não é um mal em si (qualquer hora escrevo sobre isso), mas o ato de abraçar ideologias de maneira irrefletida, isso é. Só que quero me deter aqui no fenômeno da busca de um sentido na religião. Matéria publicada no New York Times revelou uma tendência que guarda certa semelhança com esse fenômeno brasileiro: jovens evangélicos migrando para religiões calvinistas. E parte dessa atração pelo calvinismo certamente se deve ao fato de que ele representa uma alternativa à teologia superficial e feita para agradar o consumidor que predomina em muitas igrejas. A doutrina é descartada como irrelevante, a Bíblia é utilizada como um manual de autoajuda e a adoração é substituída por várias formas de entretenimento (liberais ou conservadores).

Veja o que Ellen White escreveu há mais de um século: “Deus nos chama a um reavivamento e uma reforma. As palavras da Bíblia, e da Bíblia somente, deveriam ser ouvidas do púlpito. Mas a Bíblia tem sido despida de seu poder, e o resultado é ausência de vigor espiritual. Em muitos sermões de hoje não existe aquela manifestação divina que desperta a consciência e traz vida à alma. Os ouvintes não podem dizer: ‘Não estava queimando o nosso coração, enquanto Ele nos falava no caminho e nos expunha as Escrituras?’ (Lc 24:32). Muitos estão clamando pelo Deus vivo, ansiando pela presença divina. Permitam que a Palavra de Deus fale ao coração deles. Deixem que os que têm ouvido apenas tradições, teorias e ensinos humanos ouçam a voz dAquele que pode renová-los para a vida eterna” (Profetas e Reis, p. 626; itálicos acrescentados)

Temos a advertência inspirada do passado e o exemplo de fenômenos presentes. Por que esperar que o profetizado e o já experimentado ocorram entre nós? Menos show e mais Bíblia! Menos espetáculo e mais missão! O conteúdo bíblico sólido estudado, pregado e cantado alimenta a mente e o coração, e a missão exercita a fé e solidifica a experiência com Deus. O entretenimento ocupa os sentidos por algumas horas, mas depois se dissipa deixando um vazio que clama pelo próximo evento, e pelo próximo, e pelo próximo.

Como adventistas, temos a “faca e o queijo” na mão – temos o conteúdo e o propósito. Nascemos como um movimento profético que deve anunciar as três mensagens angélicas ao mundo. Façamos isso e salvaremos esta geração carente de identidade. Sem contar que o “efeito colateral” disso será o abalo do mundo com a mensagem de salvação proclamada por um povo cheio do Espírito Santo.

Michelson Borges

Histórias do Impacto (3): o livro vai chegando a todos

deniseOlá, Michelson, tudo bem? Sou de Hortolândia e em 2008 conheci você em Rafard, SP, durante um evento criacionista na Câmara Municipal. Depois disso, infelizmente, saí da igreja, mas voltei recentemente, fui rebatizada e meu marido e eu estamos “batalhando”. Mas a notícia que lhe trago é que disponibilizei a opção digital do seu livro O Poder da Esperança no meu Facebook. Trabalhei muito tempo em São Paulo com assessoria de imprensa, e tenho contato muito grande com a comunidade LGBTQ. Vários conhecidos gays pediram o livro e leram; uns até colocaram trechos do livro como status do WhatsApp. Uma mãe de santo também pediu o livro, leu e depois perguntou se se tratava de uma trilogia (rsrs). Ainda estou compartilhando o livro com muitas pessoas. Vamos orar para que Deus faça brotar nesses corações a semente que foi plantada.

(Denise Rios Lopes)