Varinha de condão – parte 1

Qual o inconveniente em supor que os corpos dos primeiros seres humanos tenham procedido de antropoides evoluídos, se a Deus Lhe aprouvesse criar assim?

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Durante boa parte da minha vida fui um sincero adepto da Teologia Alegórica (TA), que tem em Agostinho de Hipona (354-430) um de seus principais expoentes. De forma bem resumida, a TA interpreta as Escrituras buscando supostamente ir além do que o texto afirma. Um claro exemplo está relacionado ao relato da criação em Gênesis. Nunca me causou estranheza a visão de que Adão e Eva não seriam necessariamente a personificação literal dos primeiros homem/mulher criados por Deus, mas apenas uma alegoria poética do autor inspirado a fim de identificar o surgimento da humanidade em algum momento da história. Naturalmente, todo o restante das Escrituras, nessa visão, torna-se condicionado ao contexto de Gênesis, especialmente em seus primeiros capítulos.

Se Adão e Eva não são literais, logo, os dias da criação também não o são, assim como o descanso do sétimo dia. Nessa mesma linha de pensamento, relatos como o conflito Davi/Golias, a rebeldia de Jonas e até mesmo as descrições escatológicas são vistas como alegorias, dos termos gregos allos (outro) e agoreyo (falar), literalmente “dizer uma coisa que significa outra”. Resumindo, metáforas que visam a responder às inquietações e aos desafios da vida. Certamente você já ouviu pregadores bradando a plenos pulmões: “Deus também irá derrubar os gigantes que te afligem!” Ou: “Cristo irá te fazer caminhar por sobre as águas tempestuosas da vida.” Qual o problema disso? A princípio, nenhum.

Como ferramenta, por vezes a analogia é um recurso válido no sentido de levar a audiência a uma experiência mais pessoal com Jesus. Mas o grande equívoco ocorre quando esse tipo de visão é estabelecido como um método de interpretação bíblica. Muitas vezes, na ânsia de encontrar “espiritualidade” em cada versículo ou verso, o contexto histórico é perdido de vista e mutilado, além de desviar a intenção original do autor e relativizar a exegese. Um dos princípios básicos de uma boa interpretação é o entendimento literal do texto em questão, exceto onde o simbolismo é evidente.

Enfim, depois de tudo isso, retorno ao relato da criação e deixo bem claro: até aquele momento eu era um evolucionista teísta convicto. Nunca me pareceu incoerente a ideia de um Deus que em Sua soberania fez uso de um processo evolutivo ou lançou mão de uma massa informe de matéria como matéria-prima construtiva. Nela, pensava eu, Ele imprimira potencialidades naturais que então se desenvolveriam ao longo de bilhões de anos.

Qual o inconveniente em supor que os corpos dos primeiros seres humanos tenham procedido de antropoides evoluídos, se a Deus Lhe aprouvesse criar assim?

Toda teoria precisa em algum ponto do percurso ser questionada a fim de firmemente ser estabelecida ou descartada. Nesse caso, especificamente, as Escrituras teriam de cumprir seu papel, e é a partir daqui que meus supostos alicerces começaram a desmoronar…

(Matheus Amaral é formado em Logística e licenciado em Filosofia)

O reino tem rei

Seguir o Rei significa aceitá-lo e fazer Sua vontade

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O tema do reino de Deus tem se tornado popular entre jovens cristãos como uma mensagem de aceitação, tolerância e prática de obras de misericórdia. No entanto, há uma notável tendência de retratar o reino com tons hostis à lei, à obediência, à doutrina bíblica e até à Igreja, como se o reino não tivesse um rei. Primeiramente, não há motivos para colocar em extremos opostos o grande mandamento e a grande comissão. Jesus ordenou as duas coisas: amar e doutrinar. Além disso, Ele não veio apenas nos mostrar como amar, Ele veio para nos resgatar. A humanidade não precisa apenas de um bom exemplo: ela precisa de um Salvador.

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Perguntas interativas da Lição: a derrota dos assírios

O bom rei judeu Ezequias ainda colhia os amargos resultados das más escolhas de seu antecessor, o rei Acaz. A nação de Judá ainda pagava pesados tributos à Assíria. Contudo, no 14º ano de seu reinado, Ezequias aproveitou a troca de reis na Assíria e se rebelou. Em reação, o novo rei Assírio, Senaqueribe, começou a atacar a região de Judá sistematicamente, destruindo as cidades em seu caminho em direção à capital, Jerusalém. Finalmente, chegou o dia em que os assírios cercaram as muralhas de Laquis, a última cidade antes de chegar a Jerusalém, a 48 km de distância. Muito confiante, o próprio rei Senaqueribe enviou de lá um eloquente mensageiro, Rabsaqué, para persuadir os moradores de Jerusalém a se entregarem sem precisar passar por toda a situação de cerco. O que aconteceu a seguir, e tudo o que podemos aprender desse evento, foi o tema da Lição da Escola Sabatina desta semana.

Perguntas interativas para discussão em grupo:

Leia 2 Crônicas 32:2-5. Sendo que o rei Ezequias cria em Deus, por que era necessário fazer tantos preparativos para resistir ao ataque do exército inimigo? Como podemos conciliar a confiança em Deus com a ação humana? (Ne 4:9 e Sl 127:1)

Leia 2 Crônicas 32:6-8. Além dos preparativos físicos e psicológicos, o rei Ezequias também fortaleceu o povo espiritualmente para encarar a guerra. Por que esse foi e ainda é o melhor preparo para as lutas da vida?

Rabsaqué, o mensageiro do rei da Assíria, excelente orador, usou de muita falácia (argumentos com algumas premissas verdadeiras, aparentemente lógicas, mas com conclusões falsas) para destruir a fé dos judeus fazendo com que se entregassem (leia Is 36:11-21). Como podemos comparar essa estratégia às de Satanás nos dias de hoje? (veja Cl 2:8; 1Tm 6:20, 21) Quem são os “rabsaqués” do século 21, e quais são seus argumentos? Como podemos estar sempre imunes às suas eloquentes falácias?

Veja em Isaías 36:21 como o povo reagiu aos argumentos de Rabsaqué. Em sua opinião, por que o rei ordenou ao povo que não lhe dissesse nada em resposta? Como conciliar isso com 1 Pedro 3:15? (R.: Rabsaqué não estava querendo saber “a razão da fé” dos judeus; ele só queria argumentar e atacar. Responder a ele naquela ocasião só geraria discussão e não ajudaria em nada.)

Ao ouvir as palavras de Rabsaqué, o rei Ezequias orou ao Senhor (Is 37:15-20). Conforme vemos em sua oração, era o nome de Deus que estava em jogo. Por que isso era uma preocupação para Ezequias? Por que deve ser uma preocupação também para todos os servos de Deus? (veja Sl 74:10; 74:18; Dn 9:19; Rm 2:24)

Veja em Isaías 37:33-38 a resposta de Deus à oração de Ezequias, de Isaías e da nação de Judá. Por que nem sempre as orações são respondidas de forma tão sensacional? E mesmo que não sejam, por que devemos continuar sempre confiando em Deus? (Rm 8:28)

Em sua opinião, por que desta vez Deus não os deixou ser levados cativos (como de fato aconteceu quase um século depois)? O que isso nos ensina sobre os motivos de nossas orações e a vontade primordial de Deus? (veja Tg 4:3; Jr 29:11)

Como você entende e como responderia a alguém que lhe perguntasse sobre a justiça de Deus ao ter destruído 185 mil soldados assírios para libertar o Seu povo?

Leia Isaías 38:1-3. Conforme os versos 5, 6 e 2 Reis 20:6, a doença que quase levou o rei Ezequias à morte aconteceu enquanto Jerusalém ainda estava sob a ameaça do rei assírio, antes mesmo da intervenção divina destruindo o exército inimigo. Nessa ocasião (“naqueles dias”) Deus fez o milagre do retrocesso da sombra no relógio do Sol para mostrar ao rei Seu poder de cura e de libertação (não é possível saber hoje quantos minutos durariam cada um dos 10 degraus nesse relógio de Sol). Portanto, pense nisto: antes de destruir os 185 mil soldados inimigos, Deus fez a sombra do Sol voltar “dez degraus” por apenas um homem. O que podemos aprender desse fato?

O rei Ezequias, apesar de ter sido um dos poucos “bons” reis de Judá, caiu na tentação de exaltar a si mesmo diante dos embaixadores babilônicos que vieram visitá-lo para saber sobre o aparente retrocesso do Sol. Em vez de exaltar o poder do Deus que realizou o milagre, ele desviou o foco exibindo todos os seus tesouros (Is 39:1, 2). Isso fez com que os babilônios voltassem décadas mais tarde, levassem todos os seus tesouros e destruíssem definitivamente a nação judaica (Dn 1:1, 2). Em sua opinião, o que faz com que pessoas “boas” caiam nesse tipo de tentação? Como podemos estar protegidos contra isso exaltando sempre o nome de Deus e não o nosso próprio?

(Natal Gardino é doutor em Ministério pela Andrews University e pastor distrital em Londrina, PR)

O mistério do relógio de Acaz

De vez em quando, alguém pergunta o que exatamente Deus teria feito para efetuar o milagre do retrocesso de 10 graus na sombra no relógio de sol de Acaz (2 Reis 20:11). Temos alguma pista sobre isso?

Relogio

O caso é bastante semelhante ao do dia longo de Josué, o qual, segundo evidências arqueológicas, foi um fenômeno mundial, pois correspondeu a uma noite longa nas Américas. Isso indica que a Terra parou de girar no caso de Josué e chegou a retroceder no caso de Acaz. Um contra-argumento comum é o de que um fenômeno assim seria catastrófico a ponto de provavelmente eliminar a vida na Terra. Para ter uma ideia em miniatura do problema, basta imaginar um carro viajando em alta velocidade por uma estrada e tendo sua velocidade reduzida a zero muito rapidamente ao bater contra uma rocha. O carro provavelmente seria destruído e seus ocupantes obviamente morreriam no processo. Portanto, alguma outra coisa deve ter ocorrido tanto no caso do relógio de Acaz quanto no dia longo de Josué, certo. Na verdade, esse é um argumento falacioso (enganoso).

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A utopia urgente de voltar para o campo

No mundo urbano, ir ao campo sempre foi um ideal de fuga rumo à qualidade de vida, e nunca a cidade havia nos aprisionado tanto como durante a pandemia do coronavírus. Alguns já escolheram escapar. Estamos em um momento de mudança ou diante do eterno retorno da quimera rural?

[…] Com a recomendação da adesão ao home office para todos os setores que podem evitar a volta aos escritórios, no Brasil, também cresceu o número de pessoas que fugiram para a zona rural, como mostrou uma reportagem do correspondente em Brasília Afonso Benites, publicada em julho de 2020. Sem escolas para os filhos e confinados em apartamentos, os brasileiros que moram em grandes cidades – com condições financeiras para fazê-lo – optaram por fugir para o meio do mato, nem que fosse temporariamente. […]

Há vários fatores que justificam a fuga para o campo. Mais contato com a natureza, menos contato com os problemas das grandes cidades (mais caras, mais desiguais, mais saturadas), deixar o vício dos celulares e toda essa convulsão existencial que vem sendo o século 21 e que deixa o ser humano sem poder respirar. Sem poder respirar de ansiedade e sem poder respirar pelo vírus, que parece a materialização patógena de nosso tempo. […]

(El País)

Canibalismo entre índios brasileiros

Assim era a vida em algumas tribos no Brasil, antes da chegada dos conquistadores

canibalismo

Sacrificar e comer os inimigos capturados faziam parte de uma das instituições sociais mais importantes dos tupis. Muitas vezes, o prisioneiro não era morto logo após ser capturado, pois acontecia de ele permanecer na aldeia, convivendo com os índios, em certas situações, por muitos anos, sendo vigiado e “engordado”. Havia o costume de oferecer uma companheira para viver com ele, alimentá-lo e até ter filhos com ele.

Quando o dia da cerimônia chegava, o cativo era morto, despedaçado, cozido e devorado durante uma grande festa. Pedaços do prisioneiro podiam ser defumados para serem comidos mais tarde. Quando os participantes da festa eram muitos e a refeição era pouca, respeitavam-se os princípios patriarcais da sociedade tupinambá. Os homens comiam as partes mais nobres da vítima, e as mulheres e as crianças contentavam-se com a cabeça ou com um “mingau” feito com as vísceras e outras sobras. Nada era desperdiçado.

Algumas partes eram preferidas em detrimento de outras, devido a supostas virtudes mágicas, ou então ao sabor. Certas partes, como a língua e os miolos, eram reservadas aos jovens. Os adultos regalavam-se com a pele do crânio. As mulheres banqueteavam-se com os órgãos sexuais. Porções nobres eram dadas aos hóspedes de honra. Acreditava-se que a carne humana tivesse poderes curativos.

Caso o cativo tivesse um filho com sua guardiã, a criança também seria sacrificada. As mães não se negavam a ingerir a carne de seus filhos, porque eles também eram vistos como inimigos. Os tupis consideravam que o filho descendia do pai e nada se devesse à mãe.

(Fonte: Clickideia)

Perguntas interativas da Lição: brincando de Deus

Não existe na Bíblia uma lista com os supostos “sete pecados capitais”, como muitos pensam. No entanto, ao estudarmos sobre a origem do pecado, podemos perceber que, cronologicamente, o orgulho e a exaltação própria estão entre os primeiros. Eles surgiram no coração de um ser que havia sido criado perfeito, mas que usou de maneira errada o livre-arbítrio. Ele queria ser “como Deus” apenas no poder, no “status”, mas não no caráter. Esse foi o caso dos perversos reis de Babilônia e de Tiro, que tinham esse anjo caído como o líder por trás de seus governos e de suas vidas. Esse é o tema da Lição da Escola Sabatina desta semana.

Perguntas interativas para discussão em grupo:

Isaías 13 é uma “sentença contra Babilônia”. Veja os versos 13 a 20. Por que Deus permitiria que essas coisas horríveis acontecessem com os babilônios? Tendo em consideração o caráter santo e amoroso de Deus, por que há ocasiões na história em que Ele teve que agir de modo tão radical, retirando Sua proteção? (R.: Isso nos mostra como o pecado é grave, e precisa ser restringido para proteger a humanidade.)

Como você imagina que reagiria uma pessoa que vivesse na poderosa nação babilônica ao ouvir essa profecia aparentemente tão improvável, de que a nação seria destruída? Que outras profecias bíblicas podem parecer improváveis, mas que sabemos que também se cumprirão? Por quê?

O capítulo 14 de Isaías, especificamente a partir do verso 4, zomba do ímpio rei de Babilônia e anuncia sua destruição, fazendo uso abundante de figuras de linguagem. Veja, por exemplo, os versos 7 a 11. Por que eles não podem ser lidos de maneira literal? Qual é o significado, então? (R.: Esses versos não podem ser interpretados de modo literal, pois falam de coisas absurdas, que contradiriam a razão e o restante das Escrituras. Por exemplo: a terra “canta” por causa da morte do rei; as árvores “se alegram” pois o rei não as cortaria mais; e os reis que morreram antes dele se “levantariam de seus tronos” para recebê-lo na morte com muita zombaria. São figuras de linguagem para escarnecer do rei de Babilônia, que morreria em breve.)

Há pessoas que não aceitam os versos de Isaías 14:12-14 e de Ezequiel 28:12-18 como descrições da queda de Lúcifer, pois esses trechos específicos, dentro de seus respectivos contextos, fazem parte de sentenças contra seres humanos – no primeiro caso, contra o rei de Babilônia; no segundo, contra o rei de Tiro. No entanto, apesar de fazerem parte de contextos diferentes, esses dois trechos específicos não fazem sentido se forem aplicados a seres humanos. Por quê? Como você explicaria essa situação para alguém que lhe questionasse? (R.: Seres humanos “normais” não “caem do céu”; não querem estabelecer seu trono “acima de Deus” ou ser “semelhante ao Altíssimo”; não estiveram no Éden [só Adão e Eva estiveram lá]; não foram “querubins”; etc. Nesses trechos, Deus mostra quem realmente estava por trás do caráter e das atitudes desses dois reis.)

Leia Ezequiel 28:2. O rei de Tiro, assim como seu “chefe” sobrenatural, desejou ser “como Deus”, não em caráter, mas em poder, apenas. Ambos, porém, juntamente com todos os que também têm esse desejo, serão mortos no final (cf. Ez 28:16; Ml 4:1-3; Mc 1:24; Lc 4:34; Ap 20:9, 10). Em oposição a esse tipo de desejo, somos aconselhados em Filipenses 2:5-8 a ter “o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus”. O que quer dizer isso? Como podemos ter esse tipo de sentimento?

Como é possível conciliar o fato de que “Deus é amor” (1Jo 4:8) com a realidade de que todos os ímpios serão exterminados no juízo final (veja Dt 30:19, Is 28:21 e Ez 33:11 como base para sua resposta)? Como podemos ter a certeza de que escolhemos a vida e não a morte? (Rm 10:9)

O nome “Babilônia” – apesar de ter ganhado justamente a conotação de “confusão” – significa originalmente “porta dos deuses”. Em contraste, quando Jacó teve a visão da escada que vinha do Céu à Terra, ele chamou aquele lugar de “Betel”, que significa “casa de Deus”, e disse que ali era a “porta dos Céus” (Gn 28:17). Em sua opinião, quais são as diferenças entre a “porta dos deuses” das religiões pagãs e a “porta dos Céus” da religião bíblica? (R.: Basicamente, as falsas religiões, além de muitas mentiras baseadas em mitos e fábulas engenhosamente inventadas, ensinam que a salvação é conquistada pelas próprias obras; a religião bíblica, além de ensinar a verdade revelada por Deus, ensina que a salvação se dá pela graça divina.)

Pelo fato de Babilônia ter oprimido o povo de Deus no passado, Roma passou a ser chamada também com esse nome, de maneira figurada (ex.: 1Pe 5:13). Em seu aspecto religioso, ela é retratada no Apocalipse como uma mulher “embriagada com o sangue dos santos” (17:5, 6). Além disso, ela tem nas mãos uma taça de vinho misturado, “cheio das abominações e da imundícia da sua prostituição”, com o qual ela embebeda todas as nações da Terra (17:2, 4). Ao compará-la a Babilônia, de que maneira Roma tem “embebedado” as nações com seu “vinho”? (R.: O vinho que Cristo oferece é “novo”, sem fermento, não intoxicante [Mt 26:29]. Já o vinho que Babilônia oferece é uma “fermentação” das verdades bíblicas, como as ideias da imortalidade da alma, do inferno eterno, da guarda do domingo, etc. Essas doutrinas, que advêm de mistura da Bíblia com conceitos do paganismo, alcançaram e contaminaram o mundo inteiro.)

Leia Isaías 21:9 (sobre a Babilônia histórica) e Apocalipse 14:8 (sobre a Babilônia escatológica, espiritual). Por que Deus usa elementos da história bíblica como modelos do que acontecerá no futuro? O que isso nos diz sobre a importância de conhecermos muito bem as histórias bíblicas?

Por que o orgulho e a arrogância são pecados tão perigosos? Por que eles são tão difíceis de ser abandonados? De que maneira a reflexão sobre Jesus Cristo pendurado na cruz pode ser uma cura poderosa para nosso orgulho e nossa arrogância?

(Natal Gardino é doutor em Ministério pela Andrews University e pastor distrital em Londrina, PR)

Existe, sim, Teologia da Libertação nas Escrituras

Existe, sim, Teologia da Libertação nas Escrituras. Se tem dúvidas, confira Romanos 6:22.

O evangelho da inclusão, pregado sistematicamente por alguns formadores de opinião, muitas vezes peca exatamente pela incongruência discurso/prática claramente exposta quando se sugere uma concepção mais bíblica a respeito dos discursos de Cristo.

É evidente e irrefutável a responsabilidade que temos para com os menos favorecidos; isso faz parte do evangelho em sua essência, mas não o define. Como cristãos, precisamos lançar mão de todos os recursos possíveis a fim de aliviar o fardo de nossos semelhantes; a abnegação e o desprendimento são exigidos muitas vezes nesse processo, o que contribui para nosso próprio amadurecimento espiritual. Mas isso deve ocorrer à luz da moral social bíblica cristã e não por meio de um falso moralismo político-teológico maximalista que reduz o imenso cenário de um conflito cósmico a uma simples luta de classes.

Ecos de uma concepção platônica de “República” que atingem seu ápice no ópio ideológico marxista têm invadido um ambiente onde originalmente se pregava sobre o conflito entre o bem e o mal, as decisões que precisamos tomar diariamente, nossa humana incapacidade de estabelecer e viver princípios igualitários, os resultados da entrada do pecado neste mundo e a única e necessária solução.

O fato é que o comunismo, seja ele raiz ou transvestido de religiosidade, jamais funcionará, e a resposta para essa ideologia fadada ao fracasso é muito simples e já foi dada: vivemos em um mundo de pecado. Se Romanos 6:22 nos dá o verdadeiro significado de Teologia da Libertação, é necessário que avancemos para o versículo 23 e, de uma vez por todas, compreendamos e aceitemos a definitiva solução bíblica para esse dilema.

(Matheus Amaral é formado em Logística e licenciado em Filosofia)

O profético mundo novo

Este pode ser mesmo um mundo novo, imerso no medo e na corrosão das liberdades individuais

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A revista Veja do dia 6 de setembro de 2006 publicou como matéria de capa uma análise das 50 principais mudanças ocorridas no mundo após os atentados terroristas que levaram abaixo as Torres Gêmeas, nos Estados Unidos, em 11 de setembro de 2001, e inauguraram a guerra contra o terror. Quero destacar aqui algumas dessas mudanças que parecem ter relação mais direta com o panorama profético pintado pela Bíblia e que aponta para a breve volta de Cristo. Os autores da reportagem, Diogo Schelp e Isabela Boscov, afirmam que “os Estados Unidos assumiram um papel que já vinham desempenhando com timidez durante a década de 90, nos anos que se seguiram ao fim da Guerra Fria: o de potência imperial, imbuída da missão de levar estabilidade ao mundo”. Exatamente como havia sido anunciado na profecia de Apocalipse 13 (que descreve, entre outras coisas, o papel hegemônico e dominador da segunda besta).

“Para impedir novos ataques terroristas”, diz a matéria, “governos e empresas resolveram colocar em prática medidas de segurança que têm como efeito colateral reduzir a liberdade e a privacidade dos cidadãos. Nos Estados Unidos, os agentes de inteligência podem grampear ligações telefônicas, vasculhar e-mails e inspecionar extratos bancários sem precisar de indícios consistentes de que a pessoa investigada é suspeita. Na Inglaterra, a lei foi alterada para que a polícia pudesse manter possíveis terroristas presos por 28 dias, sem provas.”

Com o passar do tempo e com o medo alimentado por outras situações emergenciais (pandemia, mudanças climáticas, crise, etc.), as liberdades individuais se encontram ainda mais ameaçadas.

Note outras consequências advindas do 11/9:

Os gastos militares voltaram aos tempos da Guerra Fria
O orçamento de defesa americano bateu perto de 440 bilhões de dólares. É mais que nos tempos da URSS

Nem na Guerra Fria os gastos americanos foram tão grandes quanto nesta era de combate ao terror. O orçamento reservado para o Departamento de Defesa em 2007 foi de 439 bilhões de dólares, 48% mais do que em 2001. Com outros itens embutidos na legislação, ele chegou perto dos 600 bilhões. Esses gastos se voltaram para a tecnologia: o número de soldados americanos era um terço menor do que uma década antes de 2006.

Religião na trincheira
Matar e morrer em nome de Deus virou lugar-comum

A moda macabra do mártir muçulmano ganhou impulso em 1982, quando um membro da milícia Hezbollah matou 75 pessoas num ataque suicida a um prédio do Exército israelense. Calcula-se que apenas o Hezbollah tenha gerado 1.200 mártires entre 1982 e 1998, e hoje também mulheres e crianças se suicidam – sempre com a ideia de lutar por Alá e chegar ao paraíso.

A banalização da morte violenta
O número de mortos em ataques terroristas aumentou cerca de 1.000% em relação à década de 1990

Em 2005, o terror fez 8.359 vítimas, dez vezes mais que a média da década de 90. Essa escalada enterrou a esperança de um período de relativa paz no mundo, que o fim da Guerra Fria parecia prometer.

O medo veio pelo correio
Cartas com anthrax fizeram com que o modo de manipular correspondências mudasse no mundo inteiro

No ataque bioterrorista mais conhecido, cartas com o bacilo provocaram cinco mortes nos Estados Unidos, após o 11 de Setembro. No Brasil, funcionários dos Correios usaram luvas para manusear a correspondência.

Os chips contra o terror
Até 2010, todos os países adotaram documentos de viagem com leitura digital

Vigiar a entrada e a saída de pessoas tornou-se prioritário para a segurança nacional. Em quarenta países, os passaportes ganharam um chip para evitar falsificações. Até 2010, praticamente todos os países tinham documentos com leitura digital. Com a pandemia de coronavírus, esse controle será ainda maior.

O Big Brother aconteceu
Câmeras seguiam os passos dos cidadãos e identificavam ações suspeitas

Em todo o mundo, equipamentos de vigilância foram instalados em locais de grande concentração de pessoas. No metrô londrino, palco de um atentado que fez 56 vítimas em 2005, 6 mil câmeras vigiavam os transeuntes.

Os EUA se assumiram como império
Da esquerda à direita, os americanos perderam a relutância em aceitar o rótulo

Colosso militar e tecnológico, os Estados Unidos sempre hesitaram em se definir como império. A presença prolongada de forças americanas no Afeganistão e no Iraque fez com que a maioria dos americanos reconhecesse esse papel – ainda que para deplorá-lo.

O campeão das liberdades as cerceia
O governo americano ampliou os poderes para vigiar, investigar e prender cidadãos

Os direitos individuais nos Estados Unidos, país cuja Constituição é um dos pilares da democracia moderna, sofreram um duro golpe com a aprovação do Patriot Act, em 2001. O pacote de leis permite ao governo monitorar conversas telefônicas de suspeitos de terrorismo sem necessidade de autorização judicial. Também permite manter estrangeiros presos por até sete dias sem acusação formal.

Nota: Do ponto de vista puramente histórico e político, este pode ser mesmo um mundo novo, imerso no medo e na corrosão das liberdades individuais. Mas no panorama profético, é tão-somente mais uma evidência de que o que a Bíblia vem anunciando há milênios é a mais pura verdade. E Jesus logo vai voltar!

Educação, não aborto, reduz mortalidade materna

Após o aborto tornar-se ilegal no Chile, a taxa de mortalidade materna diminuiu de 41,3 para 12,7 por 100 mil nascidos vivos

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Uma análise científica de dados dos últimos 50 anos sobre a mortalidade materna do Chile concluiu que o fator mais importante na redução da mortalidade materna é o nível educacional das mulheres. A equipe do Dr. Elard Koch, da Universidade Católica de Concepción, analisou o efeito sobre a mortalidade materna exercido pelo histórico educacional (escolaridade) e pelas políticas de saúde da mulher, incluindo a legislação que proibiu o aborto no Chile em 1989. Os pesquisadores analisaram os fatores com probabilidade de afetar a mortalidade materna, tais como anos de escolaridade, renda per capita, taxa de fecundidade total, ordem de nascimento, abastecimento de água potável, esgoto sanitário e parto por pessoal qualificado.

“Educar as mulheres aumenta a capacidade que elas têm para acessar os recursos de saúde existentes, incluindo atendentes qualificados para o parto, e leva diretamente a uma redução no seu risco de morrer durante a gravidez e o parto”, diz Koch.

Uma das descobertas mais significativas é que, ao contrário de suposições amplamente sustentadas, tornar o aborto ilegal no Chile não resultou em um aumento da mortalidade materna. Os defensores da legalização do aborto argumentam que a ilegalidade leva as mulheres para clínicas ilegais, o que aumentaria sua mortalidade. Na verdade, após o aborto tornar-se ilegal, em 1989, a Taxa de Mortalidade Materna (TMM) continuou a diminuir de 41,3 para 12,7 por 100 mil nascidos vivos – uma redução de 69,2%. TMM é o número de mortes maternas relacionadas à gravidez, dividido pelo número de nascidos vivos.

“Definitivamente, o status legal do aborto não tem relação com as taxas globais de mortalidade materna”, destacou o Dr. Koch.

Durante o período do estudo – 50 anos -, a Taxa de Mortalidade Materna geral declinou dramaticamente, passando de 270,7 para 18,2 óbitos por 100 mil nascidos vivos entre 1957 e 2007 (93,8%), tornando o Chile um modelo para a saúde materna em outros países.

As variáveis que afetam essa diminuição incluem os fatores previsíveis, como o acompanhamento do parto por atendentes qualificados, nutrição complementar para as mulheres grávidas e seus filhos nas clínicas de cuidados primários e escolas, instalações limpas e fertilidade. Mas o fator mais importante, e aquele que aumentou o efeito de todos os outros, foi o nível educacional das mulheres. Para cada ano adicional de escolaridade materna, houve uma diminuição correspondente na TMM de 29,3 por 100 mil nascidos vivos.

(Diário da Saúde)