Os que os cristãos amam e odeiam

Como-Vencer-a-Guerra-Cultural“Os santos amam a verdadeira paz. Eles também odeiam a falsa paz, a paz baseada em mentiras. Os santos odeiam a violência e a intolerância para com os pecadores. Mas eles odeiam também a tolerância ao pecado. Os santos amam mais os pecadores e menos os pecados do que todas as outras pessoas. Essas duas excentricidades confundem as pessoas e, não raro, as ofendem. Na época de Jesus, a primeira dessas duas coisas que os santos fazem – amar os pecadores – ofendeu seus inimigos, pois a moda era então exageradamente cruel: uma verdade sem paz. Hoje, a segunda dessas duas coisas que os santos fazem – odiar os pecados – ofende os inimigos de Cristo e de sua Igreja, pois a moda agora é ser excessivamente benevolente: uma paz sem verdade. Na época de Jesus, aqueles que amavam os pecadores eram acusados de amar os pecados. Hoje, aqueles que odeiam os pecados são acusados de odiar os pecadores.”

(Peter Kreeft, Como Vencer a Guerra Cultural)

A chegada do adventismo ao Brasil

Satanistas focam nas novas gerações

satanistaRepresentantes de Deus e do Diabo na Terra estão disputando a atenção de alunos de escolas públicas nos Estados Unidos. Desde 2001, a Suprema Corte americana permite que grupos religiosos ofereçam cursos extracurriculares a alunos da rede pública. Graças à regra, igrejas católicas e evangélicas espalharam os chamados “Clubes de Boas Notícias” por colégios de todo o país, com a missão de “evangelizar meninos e meninas com o Evangelho do Senhor, para estabelecê-los como discípulos da Palavra de Deus”. Com a imagem de um lápis escolar de três pontas, simulando um tridente, membros do Templo Satanista dos EUA decidiram aproveitar a legislação para “oferecer uma alternativa a crianças e pais” e questionar a legitimidade dos cursos cristãos na rede de ensino infantil. “Se cursos religiosos são permitidos nas escolas, nós queremos espalhar nossos clubes por toda a nação para garantir que múltiplos pontos de vista estejam representados”, disse à BBC Brasil Chalice Blythe, diretora nacional do programa “Satã Depois da Escola” (After School Satan Program, no original), do Templo Satânico dos EUA. A estratégia inclui um convite em vídeo, com áudio invertido e imagens de crianças intercaladas com aranhas, bodes com longos chifres e outros símbolos satânicos, em que o grupo convoca estudantes para “aprenderem e se divertir” com o satanismo. Um livro de colorir chamado O Grande Livro de Atividades das Crianças Satanistas, vendido por 10 dólares (aproximadamente R$ 33), estimula os pequenos a brincar de “ligar os pontos para formar um pentagrama invertido”, símbolo clássico associado ao reino de Satanás. […]

Com um discurso fortemente político, o Templo Satânico foi criado em 2014 como um novo ramo do satanismo americano tradicional. O templo tem forte atuação em redes sociais, onde reúne mais de 100 mil seguidores – especialmente jovens. Em menos de três anos, o templo inaugurou “capítulos” (ou escritórios) em 13 Estados americanos.

Mais do que devotos do diabo, entretanto, o projeto satanista vem ganhando popularidade entre ateus e ativistas políticos nos Estados Unidos e outros países. “Precisamos de uma filial do templo no Brasil”, escreveu um morador do Rio de Janeiro na página do grupo satanista no Facebook. “O novo prefeito da minha cidade é um bispo evangélico e está começando a mostrar serviço em nome de Deus. Nas câmaras legislativas existem cultos para Jesus. Em nossa Constituição está escrito que somos um país secular, mas mesmo em nossa Suprema Corte temos um crucifixo na parede. Se até a nossa Justiça não respeita a Constituição, quem respeitará?”, questionou o brasileiro, em meio a outros comentários críticos relacionando política e religião.

Fundador do Templo Satânico e ex-aluno de neurociência da Universidade de Harvard, o americano Lucien Greaves tem como bandeiras a defesa do conhecimento científico, das liberdades individuais e direitos humanos, da legalização do aborto e do casamento [sic] entre pessoas do mesmo sexo e, acima de tudo, da separação entre religião e Estado. […]

 (BBC Brasil)

Nota: Tome um tempinho para voltar aos trechos destacados em negrito no texto acima. Veja as estratégias que os militantes satanistas estão adotando para disseminar suas ideias: (1) aproveitam oportunidades que as leis lhes dão; (2) focam nas crianças e nos pais delas; (3) produzem vídeos e livros atrativos; (4) procuram atuar no ambiente escolar; (5) têm forte atuação nas redes sociais, alcançando especialmente os jovens; (6) defendem o conhecimento científico; (7) promovem os direitos humanos; (8) defendem a separação entre Estado e igreja. Com exceção da promoção do aborto e do “casamento” entre pessoas do mesmo sexo, os sete itens são recursos que os cristãos deveriam estar usando com muito mais eficácia e empenho. Satanás sabe que essas coisas dão certo e tem roubado bandeiras que deveriam estar sendo empunhadas pelos filhos de Deus. Precisamos dar prioridade às novas gerações e ajudar crianças, adolescentes e jovens a enfrentar os enganos destes últimos dias. Infelizmente, “os filhos deste mundo são mais sagazes para com a sua geração do que os filhos da luz” (Lucas 16:8). [MB]

O garoto que usava o portão da igreja como trave de futebol

IMG_0484Quando era criança, Matheus Farias Soares costumava jogar bola na rua com seus amiguinhos, na cidade de Tatuí, interior do Estado de São Paulo. Como ele morava em frente à igreja adventista de seu bairro, fazia do portão do templo a trave de futebol. Várias vezes seus chutes certeiros acabavam disparando o alarme da igreja. O tempo passou e Matheus acabou descobrindo o canal de TV Novo Tempo. Gostava especialmente do programa “Está Escrito”, apresentado pelo pastor Ivan Saraiva. Depois de fazer uma oração pedindo orientação a Deus (ele sempre foi um menino religioso), Matheus teve a clara impressão de que deveria pedir aos pais que o matriculassem no colégio adventista da cidade. E seu pedido foi atendido. Ali, Matheus demonstrou interesse pelas aulas de religião e chegou a ser convidado para apresentar uma reflexão durante uma das capelas (cultos) semanais. Nesse dia, minha filha Giovanna o convidou para fazer parte do pequeno grupo de adolescentes que se reunia em nossa casa às sextas-feiras à noite. Matheus gostava desses encontros e era bastante participativo. Só que depois de alguns meses ele teve que se mudar com a mãe para São Paulo e não mais pôde participar do nosso pequeno grupo. Mantive contato com ele pelo WhatsApp e procurei tirar dúvidas e enviar materiais de estudo.

O tempo passou e mais de um ano depois recebi a mensagem de um amigo colportor a quem não via fazia muitos anos: “Pastor Michelson, você poderia vir a São Paulo fazer o batismo de um amigo seu?” “Quem?”, perguntei. “O Matheus”, respondeu meu amigo Tiarlhes. Depois fiquei sabendo que ele havia visitado o Matheus e a mãe dele e continuado os estudos bíblicos que minha esposa e eu havíamos iniciado em nossa casa. Que notícia feliz! Quando o Matheus me convidou para ir ao seu batismo, procurei desconversar. Queria fazer surpresa. E aquele sábado foi realmente muito feliz! Tive o privilégio de batizar o Matheus e a mãe dele, a Alessandra, e percebi mais uma vez que, quando a igreja e suas instituições trabalham unidas com o mesmo propósito (levar as pessoas a Jesus), os milagres acontecem. No caso do Matheus, o Espírito Santo trabalhou por meio da Novo Tempo, da Educação Adventista, do evangelismo pessoal de uma colega de classe e até da colportagem, por meio do trabalho de um ministro da página impressa.

Quando era criança, Matheus Farias Soares fazia do portão da igreja adventista de seu bairro a trave de futebol, e não imaginava que um dia encontraria o caminho da salvação nas páginas da Bíblia Sagrada e entraria pelos portões de uma igreja adventista de outra cidade, preparando-se desde já para um dia entrar pelos portões de ouro da cidade celestial.

Michelson Borges

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Matheus, o colportor Tiarlhes e Alessandra

Pais, cuidado! Canal de TV exibe animação pornográfica

festa salsichaA decadência humana parece não ter fim e o fundo do poço moral da humanidade continua sendo cavado. Prova disso é a exibição em um canal pago – com classificação de apenas 16 anos mas ao alcance de qualquer pessoa de qualquer idade – de uma animação pornográfica intitulada “Festa da Salsicha”. O desenho animado aparentemente infantil tem cenas de sexo grupal, orgias, linguagem obscena e homossexualismo. E pode atrair as crianças justamente por parecer inofensivo. O portal G1 descreve assim essa animação pra lá de “animada”:

“Depois da vida secreta dos brinquedos (‘Toy Story’) e de ‘A vida secreta dos bichos’, ‘Festa da Salsicha’ mostra a vida secreta dos produtos de supermercado. Sério, é um filme sobre isso. Eles creem que humanos são deuses e os levarão da prateleira ao paraíso. A salsicha Frank é separada de seus amigos de pacote, enquanto todos começam a descobrir que o céu não existe e todos serão devorados. A ideia absurda é a cara do chapado Seth Rogen (Frank), roteirista e ator de ‘Superbad’ (2007) [e outras produções]. […] Não é uma superprodução, mas com orçamento estimado em US$ 19 milhões foi um sucesso inesperado no verão dos EUA. Já rendeu por lá US$ 96 milhões. […] Quando você acha que vai ficar só em brincadeiras de ‘e se minha comida falasse’, pegação de salsicha com pão e treta de alimento árabe com judeu, começa a realmente se comover com o destino dos personagens. Ponto para as assustadoras cenas de mutilação em que uma banana descascada vira um pobre rosto sem pele e fofas ‘cenouras baby’ são mastigadas vivas. Assim, a animação questiona religião (o pão árabe acredita que será recebido no paraíso por 77 garrafas de azeite extravirgem, por exemplo) e vai parar em niilismo (a perda da fé leva ao pavor, mas também a incríveis orgias) e metafísica. É quando o filme começa a questionar sua própria existência. Mas aí você precisa ver tudo desde o começo para acompanhar a viagem – e pensar que tudo começou com uma piada de enfiar a salsicha no pão.”

E aí está a obra maravilhosa elogiada pela crítica. Sobre uma criança, o menor dos males seria o de fazer com que ela passasse a ter pena dos vegetais que come. O público conservador em geral vai concentrar a atenção na pornografia suja e descarada. Mas muito pior do que tudo isso é o deboche da religião e a apresentação da promiscuidade como alternativa aos que não têm mesmo futuro. Os deuses humanos, em lugar de salvar os vegetais, vão fatiá-los, triturá-los, esmagá-los e devorá-los. Não há esperança além do supermercado (ou seja, da vida). E já que vão todos morrer mesmo, por que não “aproveitar” e dar vazão a todos os instintos vegetais animais?

Então a única alternativa para os que concluem que Deus não existe é a perversão sexual e o niilismo inconsequente? Bem, essa é a ideia dos produtores e do roteirista “chapado” Seth Rogen. Uma ideia que, infelizmente, multidões estão pagando para ver – e imitar.

Michelson Borges

hbo

Homeopatia perde mais uma batalha

homeopatiaOs remédios homeopáticos são vendidos em milhares de lojas de saúde no mundo como extratos, tônicos, pílulas e pastas. A origem da homeopatia pode ser atribuída a um médico alemão do século 18 chamado Samuel Hahnemann, que teorizou que tomar doses extremamente diluídas do que está causando uma doença pode curar. Dois anos atrás, o professor e pesquisador australiano Paul Glasziou analisou cerca de 200 estudos científicos sobre a eficácia do tratamento homeopático para 68 condições de saúde, que vão desde a artrite até o HIV. No geral, o tratamento não teve “efeito discernível” em nenhuma dessas condições, o que levou Glasziou a concluir que a homeopatia era “um fim de semana terapêutico”. Desde então, o sistema de saúde do governo da Grã-Bretanha (NHS) continuou pagando para milhares de pacientes receberem tratamento homeopático. Mas em 21 de julho, o NHS incluiu a homeopatia em um extenso relatório sobre itens que os médicos de cuidados primários não devem prescrever. Isso efetivamente proíbe os pacientes de usar fundos governamentais para o tratamento homeopático.

O NHS atualmente gasta mais de 92.412 libras esterlinas (quase R$ 400 mil) em prescrições de homeopatia a cada ano, de acordo com o relatório. Mas os autores citam uma “falta de evidência robusta de eficácia clínica” para o tratamento e sugerem que os médicos devem parar de prescrevê-lo.

Simon Stevens, diretor executivo do NHS, disse em uma declaração anunciando a decisão que a homeopatia é “no melhor dos casos um placebo”. Ele chamou a decisão anterior de receitar esses remédios de “um mau uso dos escassos fundos do NHS, que poderiam ser mais devotados aos tratamentos que funcionam”.

O governo dos EUA também não apoia o tratamento – no ano passado, a Comissão Federal de Comércio divulgou diretrizes que exigem que os produtores de tratamentos homeopáticos agreguem um aviso à sua embalagem dizendo que “não há provas científicas de que o produto funciona”.

Em todo o mundo, no entanto, a homeopatia continua a ser uma indústria em expansão. “Posso entender por que Samuel Hahnemann – o fundador da homeopatia – ficou insatisfeito com o estado das práticas da medicina do século 18, como a sangria e a purga, e tentou encontrar uma alternativa melhor”, escreveu Glasziou em uma postagem de blog para a revista médica The BMJ, depois de publicar sua pesquisa. “Mas eu acho que ele ficaria desapontado com o fracasso coletivo da homeopatia em continuar suas investigações inovadoras, mas, em vez disso, continuar a perseguir um beco sem saída terapêutico.”

(Hypescience)

Leia mais sobre homeopatia aqui.

Compositor batista fala do declínio da música gospel

showAlgumas pessoas ficaram surpresas – e preocupadas – ao descobrir através de uma pesquisa publicada em abril [de 2017] que os sermões são um atrativo muito mais forte para a frequência à igreja do que a música. E ainda fica pior para os amantes da música. A pesquisa Gallup apresentou uma lista de motivos dados pelos norte-americanos para irem aos cultos, e a música estava firmemente no último lugar. Mas depois de um mês para refletir sobre essa descoberta, o músico cristão, compositor e ministro Kyle Matthews não está preocupado. Longe disso. “Penso que essas podem ser boas notícias”, Matthews disse durante uma conferência convocada pela FaithSoaring Churches Learning Community. “Isso indica que as pessoas estão mais famintas por substância do que nós presumíamos”, disse Matthews, ministro de artes de adoração na Primeira Igreja Batista em Greenville, Carolina do Sul.

Matthews tem acompanhado a música cristã e o que as igrejas querem e não querem, por um longo tempo. Por mais de 20 anos ele foi um intérprete em gravações e compositor para empresas editoras em Nashville, Tennessee. Ele venceu um Prêmio Dove além de outros prêmios, como compositor. Mas Matthews disse que abandonou a indústria [fonográfica] por causa de seu foco nos lucros, às custas de fornecer educação teológica e formação cristã. Através de seu ministério atual, ele busca a composição de músicas de adoração que colocam a liturgia acima do entretenimento. Mas música que forneça inspiração e letras com conteúdo não vendem em um mundo de louvor gospel, disse Matthews.

É por isso que os resultados da pesquisa Gallup são tão interessantes, ele disse a outros ministros durante a conferência. A indústria da música cristã, diz ele, é composta por pessoas que estão tentando servir a um mercado. “Eles são homens de negócios, não teólogos, historiadores ou educadores musicais. Eles são homens de negócios.” E o que vende são músicas com letras superficiais, com pouco ou nenhum conteúdo teológico. Matthews disse que conheceu compositores e intérpretes que não são familiarizados com as Escrituras. Como resultado, a música tem se tornado “papel de parede, em vez de mobiliário” na adoração.

Em vez de trabalhar para instruir os cristãos na fé, a música de adoração contemporânea está cheia de mantras e clichês planejados para alterar o estado mental, disse Matthews. Esse tipo de música vem e vai, porque se tornou descartável. “Não penso que se permita às pessoas conhecer a música da igreja o suficiente para interagir com ela.”

Mas a indústria [fonográfica] não é o problema, acrescenta Matthews. “Se a igreja exigisse um produto diferente, teria um produto diferente.” Isso envolve as pessoas que estão nos bancos da igreja. A indústria [fonográfica] está “respondendo àquilo que o público está pedindo”.

Tem havido músicas de louvor que são divertidas e felizes, e que evitam conceitos sombrios e difíceis, diz ele. “Elas se tornam uma forma de escapismo, em vez de serem uma maneira de se encontrar com Deus.”

É por isso que a pesquisa Gallup de abril pode ser boas notícias. Ela pode sinalizar que as pessoas nos bancos das igrejas podem estar desejando algo mais. Pode ser por isso que os sermões estão no topo da lista, e a música cristã contemporânea, com seus mantras e clichês, está no final. Contudo, diz Matthews, “eu detestaria ver o sermão se tornando o único lugar do qual as pessoas pensam que podem extrair conteúdo”.

(Baptist News Global, traduzido por Levi de Paula Tavares)