“Domingo mais uma vez dia de repouso”

1Quando abrimos a nossa página no Facebook, logo nos deparamos com a frase: “No que você está pensando?” Neste exato momento estou pensando em aproveitar da melhor maneira possível o meu dia do tipo home office, e também pensando em quão bom é nosso Deus por nos avisar com milênios de antecedência sobre os principais eventos que ocorreriam antes da volta de Jesus. Se você pensa que agora estou me referindo à Covid-19 devo avisá-lo que não se trata disso apenas, mas, sim, do que pode acontecer depois dessa crise. Se é familiarizado com as profecias do livro de Daniel e do Apocalipse você vai entender melhor o que estou falando. Caso não conheça essas profecias bíblicas você precisa conhecê-las o mais rápido possível. Disso depende o seu futuro! Lá foi profetizado que um poder se levantaria após o Império Romano e alcançaria supremacia mundial por 1.260 anos seguidos. Depois, receberia um “golpe mortal” que faria com que perdesse grande parte do seu poder absoluto. Porém, exatamente antes da volta de Jesus esse poder, com a ajuda de outro poder (EUA), recuperaria a supremacia mundial, obrigando o mundo todo, por meio de leis civis, a obedecer a um mandamento religioso. E a Bíblia ainda revela que, seguindo esse mandamento religioso obrigatório, as pessoas estarão adorando esse poder, em vez de adorar a Deus que instituiu Seus próprios mandamentos.

Quase tudo já se cumpriu. Falta pouco para o restante se cumprir. O poder que exerceu supremacia mundial por 1.260 anos (538 a 1798 d.C.) foi o romanismo (Roma papal). Em 1798 d.C. as tropas francesas invadiram Roma, confiscaram suas terras e aprisionaram o papa Pio VI, acarretando um “golpe mortal” no poder absoluto do romanismo. Dessa data até hoje, Roma perdeu seu poder temporal, o poder que exercia sobre a consciência das pessoas por meio do poder civil. Mas, como a profecia revelou antecipadamente, esse poder recuperaria seu status de absolutismo antes da volta de Jesus com a ajuda de outro poder (EUA). E isso se tornaria sacramentado em definitivo quando os EUA (país protestante) estabelecessem uma lei obrigatória de caráter religioso para seus cidadãos. E o mundo inteiro viesse a copiar essa lei.

O mandamento religioso em questão trata-se da guarda do domingo. E quando as nações estabelecerem essa lei estarão prestando honra ao romanismo e devolvendo-lhe o poder absoluto perdido em 1798 d.C. Essa lei não terá a aprovação de Deus porque, na Bíblia, o mandamento diz para guardar o sábado do sétimo dia (Êx 20:8-11; Êx 31:17; Is 56:2-6; Ez 20:20; Lc 4:16; Lc 23:54-56; At 13:42-44) e não o domingo. O domingo é um sinal de autoridade do romanismo que mudou o dia de guarda por sua própria autoridade. Essa será a última crise sócio/econômica/religiosa pela qual o mundo vai passar. Todos poderão escolher de que lado ficarão. Ou adoram a Deus e guardam Seu mandamento, ou adoram ao romanismo e seguem sua tradição.

Depois de entender essas informações e suas implicações, observe o ponto em que já estamos. Hoje, um jornal do Canadá, da cidade de Kitchener, traz na sua capa o título: “Domingo mais uma vez dia de repouso”. E outras mídias também já têm defendido a guarda do Shabbat (os cristãos em geral leem “Domingo” no lugar de “Sábado do sétimo dia”). Tudo isso mostra que estamos nos aproximando da volta de Jesus. Espero que você esteja preparado! 

Sérgio Santeli é pastor e mestre em Teologia

Fontes: The Record, Watauga Democrat e Tablet

Vídeos relacionados com a China

Carta de um adventista ao reverendo Augustus Nicodemus

nicodemusO jornalista adventista Davi Caldas enviou uma carta ao reverendo Augustus Nicodemus, por e-mail, no dia 29 de março de 2020. Ela trata de um estudo que ele costuma apresentar sobre seitas e heresias, em suas igrejas (e que tem gravações no YouTube), no qual trata também das doutrinas da Igreja Adventista do Sétimo Dia (IASD). Na carta Davi explica ao reverendo, de maneira respeitosa e cordial, como ele relacionou à IASD várias doutrinas que, na verdade, não são sustentadas pela IASD. Como o estudo dele é público, Davi escreveu a carta não apenas pensando no reverendo, mas no público em geral. Por isso, decidiu disponibilizar a carta tal qual foi escrita.

[Clique aqui para ler o documento.]

Um ensaio para o fim do mundo

coronaO que parecia tão distante e impossível de repente aconteceu. Cenários típicos de filmes apocalípticos e distópicos passaram a fazer parte do dia a dia das pessoas em todo o planeta. Somos praticamente obrigados a ficar em confinamento domiciliar. Nos supermercados, os consumidores mantêm-se distantes uns dos outros, vários usam máscaras, e em alguns lugares só podem entrar em grupos de dez ou vinte. Idosos não podem pôr os pés nas ruas. Aulas foram suspensas. As portas das lojas permanecem fechadas. Apenas os serviços essenciais ainda funcionam. Uma crise econômica sem precedentes vem sendo anunciada. No ar paira um clima de medo e insegurança. Quem poderia imaginar uma situação dessas poucos meses atrás?

É interessante analisar os efeitos dessa crise em duas frentes: (1) na igreja e (2) fora dela. No que diz respeito à Igreja Adventista, leal às autoridades constituídas (quando essa lealdade não fere nenhum princípio bíblico) e alinhada com as iniciativas promovidas pelo Ministério da Saúde, a decisão foi por manter as portas das igrejas fechadas até segunda ordem. A partir disso, um fenômeno interessante pôde ser observado: vários pastores e líderes da igreja passaram a utilizar a internet para alimentar suas “ovelhas”. Praticamente todos os dias há alguma live sendo realizada em alguma rede social. A TV Novo Tempo adaptou sua programação de sábado para aproximá-la dos serviços típicos desse dia nos templos. Chega a dar a impressão de que Deus permitiu a criação dessas tecnologias exatamente para este momento – uma nova “plenitude dos tempos” em que as pessoas podem ser facilmente alcançadas dentro de casa, por meio de um dispositivo eletrônico na palma da mão.

Talvez o efeito colateral mais positivo seja a saudade que os membros da igreja estão sentindo das reuniões presenciais. Em tempos normais, poucos param para pensar da bênção que é termos liberdade religiosa em nosso país e podermos nos reunir no templo no mínimo três vezes por semana. Privados dessa liberdade, muitos estão reavaliando sua atitude em relação aos cultos. Terminada a crise, aproveitemos para nos reunir como comunidade de crentes, enquanto ainda pudermos fazer isso. Atentemos ao apelo de Hebreus 10:25: “Não deixemos de reunir-nos como igreja, segundo o costume de alguns, mas encorajemo-nos uns aos outros, ainda mais quando vocês veem que se aproxima o Dia.” Sim, o dia da volta de Jesus se aproxima! Sim, antes disso perderemos nossa liberdade. Portanto, aproveitemos para nos fortalecer uns aos outros enquanto podemos.

Outro detalhe interessante é a sincronia das lições da Escola Sabatina com o momento que estamos vivendo. Acabamos de concluir mais um trimestre de estudos bíblicos durante o qual nos dedicamos a revisitar as profecias de Daniel. Em pleno confinamento, relemos o capítulo 12 de Daniel e reafirmamos nossa fé de que em breve Miguel, nosso Príncipe celestial, vai nos libertar do cativeiro deste mundo. Rever as impressionantes profecias apocalípticas neste momento histórico foi algo muito especial (assista ao vídeo que eu gravei sobre Daniel 12).

A lição do trimestre que acabou de começar tem como título “Como estudar as Escrituras”. Incrível! Neste momento em que a atenção das pessoas se volta para a Bíblia Sagrada, mais do que nunca se faz necessário estudá-la correta e responsavelmente, a fim de que sejam desmascaradas ideias mirabolantes como a de que um biochip seria a marca da besta ou a de que a igreja seria secretamente arrebatada antes da volta de Jesus, para mencionar apenas duas.

Precisamos conhecer bem as profecias e nos aprofundar no estudo do Livro Sagrado, a fim de dar às pessoas as respostas que elas precisam para ter esperança. Não é maravilhoso perceber que Deus já estava preparando as condições para isso? Que tal você aproveitar o confinamento para se dedicar ao estudo da Palavra de Deus? Que tal caprichar no estudo dessa nova Lição da Escola Sabatina? Darei minha contribuição para isso gravando pequenos vídeos semanais com um resumo do lição, os quais publicarei em meu canal no YouTube sempre às quintas-feiras. Não perca!

E quanto aos efeitos da crise fora da igreja? Bem, o primeiro deles eu apresentei no texto “Mundo precisa de um líder global e papa concede perdão universal”: a ideia de que o mundo precisa de um líder mundial para sair dessa situação desafiadora. Outra consequência que chama a atenção daqueles que estudam as profecias do Apocalipse é a perda gradual das liberdades individuais e a vigilância por parte das autoridades. De repente, em questão de dias, as pessoas não mais podem se reunir para cultuar, não podem andar em grupos; em algumas cidades drones vêm sendo usados para controlar isso (sem contar o rastreio por meio dos celulares), e mesmo chips poderão ser usados para monitorar doentes. Embora chips não sejam a marca da besta, eles certamente poderão ser usados para controle social, impedindo até transações comerciais e controlando a ida e a vinda das pessoas. Curiosamente, praticamente ninguém vai se opor a essa perda de liberdade e a esse monitoramento, porque a engenharia social tratou de alimentar o medo. E pessoas com medo cedem o controle da vida àqueles que supostamente podem salvá-las.

Mais um possível desdobramento: conforme sugere o jornal El País, resolvido o problema da pandemia, a humanidade estará cara a cara com outro grande problema: a crise financeira. Para sair desse buraco, as pessoas terão que trabalhar ainda mais, a fim de compensar o tempo parado. Como a pregação ecomênica de salvação da Terra está se agigantando (inclusive com evidências de que o confinamento ajuda a despoluir o meio ambiente), pelo menos um dia terá que ser reservado para um novo tipo de “confinamento” semanal, que será benéfico para a Terra e para as famílias. Nos outros dias será necessário trabalhar duro.

Cada vez mais tenho a impressão de que estamos passando por um ensaio para coisas maiores. Cada vez mais me convenço de que Deus está nos dando uma grande oportunidade de parar e refletir no que estamos fazendo com a nossa vida, no que é realmente prioritário e no quão frágeis são as estruturas criadas pelo ser humano. De um dia para o outro tudo o que consideramos tão importante acaba perdendo relevância. E o que sobra?

Em entrevista publicada no portal UOL, o historiador, professor universitário e escritor israelense Yuval Noah Harari (uma espécie de guru atual) disse: “As decisões que em tempos normais podem levar anos de deliberação são aprovadas em questão de horas. Tecnologias imaturas e até perigosas são colocadas em serviço porque os riscos de não fazer nada são maiores. Países inteiros servem como cobaias em experimentos sociais em larga escala. O que acontece quando todos trabalham em casa e se comunicam apenas à distância? O que acontece quando escolas e universidades inteiras ficam online? Em tempos normais, governos, empresas e conselhos educacionais nunca concordariam em realizar tais experimentos. Mas esses não são tempos normais.”

Sim, não são tempos normais… É tempo de erguer a cabeça porque nossa redenção se aproxima! (Lucas 21:28). É tempo de viver “neste presente século sóbria, e justa, e piamente, aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo” (Tito 2:12, 13).

Michelson Borges

Acompanhe a série de palestras em vídeo “Confinados: um planeta em quarentena” (clique aqui)

confinados

Mundo precisa de um líder global e papa concede perdão universal

pandemiaDeu no site da Veja [e meus comentários seguem entre colchetes]: “A economia global sofreu com quatro grandes rupturas da paz ao longo dos últimos cem anos. Primeiro, tivemos a Grande Depressão dos anos 1930, quando houve o congelamento dos créditos, a seca de investimentos e a queda do emprego. Depois, veio o choque do petróleo da década de 1970, quando a era da energia barata acabou abruptamente. Países acostumados a importar petróleo passaram por uma combinação inédita de estagnação econômica e inflação, enquanto os exportadores lutaram para encontrar formas produtivas para investir sua nova fortuna. Em terceiro lugar, veio a Grande Recessão de 2008, quando o estado completamente interconectado das finanças globais e do comércio mundial permitiu que o mercado aparentemente ascendente das hipotecas dos Estados Unidos se espalhasse pelas grandes economias do mundo. Agora, vem uma pandemia devastadora que só pode ser controlada por meio da suspensão das atividades econômicas e sociais das mais cotidianas. […] Descobrir como restaurar o emprego e o crescimento econômico deverão ser a prioridade assim que as exigências médicas diminuírem.”

[Portanto, o desafio daqui para a frente consistirá em (1) recuperar a economia mundial com muito trabalho e (2) preservar o meio ambiente, tendo como base as evidências de despoluição observadas nos dias de confinamento de milhões de pessoas durante a pandemia. O confinamento funciona, mas não se pode ficar tantos dias em casa. Então, que tal termos apenas um dia de “confinamento” por semana? Um dia sem emissões de carbono e com mais tempo para a família. Fácil, pois essa ideia já vem sendo defendida há anos pelos últimos papas, pelo Parlamento Europeu e outros.] […]

“A segunda lição mais importante é a de que não basta somente o esforço internacional. Essa cooperação mundial será efetiva apenas se houver um grande país que esteja disposto e for capaz de exercer uma liderança positiva nessa situação. Nos últimos 75 anos, esse país foi os Estados Unidos. As instituições globais pós-guerra foram criadas e financiadas sobretudo pelos Estados Unidos. Vale lembrar que a ascensão da economia global moderna e o rápido crescimento econômico pelos quais diversos países passaram nos anos 1950 e 1960 foram, em grande parte, resultado da liderança estadunidense. Para bem ou para mal e apesar do grande crescimento dos seus rivais do ponto de vista das finanças, a economia dos Estados Unidos permanece a maior do mundo, o dólar ainda é a moeda dominante para a economia mundial e o mercado de capitais do país ainda é considerado o mais essencial para as finanças globais. Nenhum outro país, nem mesmo a China, está na posição de destronar o país desse cargo, dessa liderança tão forte da qual o mundo veio a depender.”

[O autor desse texto é James Boughton, economista norte-americano que trabalhou por 31 anos – entre 1981 e 2012 – no Fundo Monetário Internacional (FMI) como historiador. Atualmente é membro do conselho de finanças internacionais do Centro de Inovação para Governança Internacional, do Canadá (CIGI). Mesmo sem qualquer viés profético-escatológico, Boughton deixa claro o que os conhecedores das profecias deveriam saber de cor e salteado: os Estados Unidos até o fim da história serão protagonistas nos aspectos cultural, econômico e militar. Eles constituem a segunda besta do Apocalipse 13, besta essa que apoiará a primeira besta (papado), e que no fim “falará como dragão”, violando as liberdades individuais e se intrometendo em assuntos de adoração – como o dia que as pessoas escolhem para adorar a Deus, por exemplo.]

[Boughton diz mais:] “A não ser que o governo dos Estados Unidos assuma a responsabilidade de coordenar uma resposta global, a recuperação de um choque econômico grande como aquele pelo qual passamos será, no melhor dos casos, caótica. O efeito deprimente dessa pandemia na economia e saúde mundial poderá, nesse caso, persistir por anos.”

[Enquanto o mundo se preocupa com a crise financeira vindoura e com os efeitos caóticos da pandemia, outro líder assume o protagonismo religioso e chama a atenção ao conceder a “indulgência plenária” aos acometidos pelo coronavírus. Ontem o papa realizou uma cerimônia religiosa transmitida ao vivo acompanhado por apenas outro religioso, na praça de São Pedro surreal e totalmente deserta. A atitude inédita permitiu que mais de 1,3 bilhão de católicos obtivessem (segundo a crença deles) o perdão de seus pecados, em meio a medidas de confinamento que afetam mais de três bilhões de pessoas. Durante a cerimônia, o papa concedeu a bênção “Urbi et Orbi” (à cidade e ao mundo) a todos os fiéis.]

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[Segundo matéria publicada no G1], “na oração, o papa ressaltou a avidez pelo lucro, que fez com que muitos não despertassem face a guerras e injustiças planetárias. ‘Não ouvimos o grito dos pobres e do nosso planeta gravemente enfermo’, disse. ‘Avançamos, destemidos, pensando que continuaríamos sempre saudáveis num mundo doente. Agora nós, sentindo-nos em mar agitado, imploramos-Te: ‘Acorda, Senhor!’, rezou.”

[Era esperado que o ecossocialista papa Francisco conectasse a saúde da Terra com as mazelas que atingem principalmente os pobres. Esse discurso, já visto no Sínodo da Amazônia, só tende a ganhar força.]

[Depois de proferir um belo sermão em que compara o mundo em crise com o barco dos discípulos açoitado pela tempestade, o papa concluiu com estas palavras:] “‘Porque sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?’ Queridos irmãos e irmãs, deste lugar que atesta a fé rochosa de Pedro, gostaria nesta tarde de vos confiar a todos ao Senhor, pela intercessão de Nossa Senhora, saúde do seu povo, estrela do mar em tempestade. Desta colunata que abraça Roma e o mundo desça sobre vós, como um abraço consolador, a bênção de Deus.” [E concedeu perdão a todos.]

[Com todo o respeito aos amigos e irmãos católicos, mas a Bíblia é clara: “Quem pode perdoar os pecados senão Deus?” (Marcos 2:7). A prerrogativa de perdoar pecados pertence unicamente a Deus. Homens pecadores que assumem esse papel cometem blasfêmia e se colocam no lugar do próprio Cristo.]

[Mas voltemos ao tema principal deste post: o protagonismo das duas bestas e a convergência de ideias causada pela crise e pelo medo. No fim do ano passado, Francisco disse que precisamos pedir perdão à Terra, e antes disso disse que o domingo é dia de fazer as pazes com a vida. A crise atual e outras que virão darão grande força a essas ideias. – MB.]

Leia também: Gordon Brown (ex-primeiro ministro do Reino Unido) pediu a formação de um governo global para combater o coronavírus (em inglês)

A historicidade confiável do livro de Daniel

DanielLionsPodemos confiar na historicidade do livro de Daniel?

Há pelo menos três bons motivos para acreditarmos que o livro de Daniel é confiável do ponto de vista histórico e que de fato foi escrito no 6º século antes de Cristo:

1) A arqueologia tem reconstruído as informações históricas do livro de Daniel.

a) Toda a história desse profeta hebreu se passa na cidade de Babilônia. Os críticos da Bíblia afirmavam que se Babilônia realmente houvesse existido, não passaria de um pequeno clã. A arqueologia demonstrou o oposto. Os resultados dos estudos do arqueólogo alemão Robert Koldewey, feitos entre 1899 e 1917, provaram que Babilônia era um grande centro econômico e político no Antigo Oriente Médio na metade do 1º milênio a.C. (600 a.C.).

b) Outro ponto de questionamento era sobre a existência ou não de Nabucodonosor, rei de Babilônia na época do profeta Daniel. Mais uma vez a arqueologia resolveu a questão trazendo à luz muitos tabletes que foram encontrados nas ruínas escavadas por Koldewey com o nome Nabu-Kudurru-Usur, ou seja, Nabucodonosor! Não é incrível como um tablete de 2.600 anos consegue esmiuçar teorias fundamentadas no silêncio?

c) Assim como a opinião dos críticos teve que ser radicalmente mudada a respeito de Babilônia e de Nabucodonosor, o mesmo aconteceu com Belsazar, o último rei da Babilônia. Críticos modernos não concordavam com essa informação. Novamente a arqueologia refutou essa opinião. Vários tabletes cuneiformes confirmam que Nabonido, o último rei de Babilônia, deixou seu filho Bel-Shar-Usur (Belsazar) cuidando do Império enquanto ele estava em Temã, na Arábia. Você pode confirmar em Daniel 5:7 que Belsazar ofereceu para Daniel o terceiro lugar no reino, já que o pai, Nabonido, era o primeiro e ele, Belsazar, o segundo.

d) Até os amigos de Daniel estão documentados nos tabletes cuneiformes da antiga Babilônia. Foi descoberto um prisma de argila, publicado em 1931, contendo o nome dos oficiais de Nabucodonosor. Três nomes nos interessam: Hanunu (Hananias), Ardi-Nabu (Abede Nego) e Mushallim-Marduk (Mesaque). Incrível! Os mesmos nomes dos companheiros de Daniel mencionados nos capítulos 1, 2 e 3 de seu livro! Um grande defensor dessa associação é o adventista e especialista em estudos orientais William Shea, em seu artigo: “Daniel 3: Extra-biblical texts and the convocation on the plain of Dura”, AUSS 20:1 [Spring, 1982] 29-52. Hoje esse artefato encontra-se no Museu de Istambul, na Turquia.

Resumindo: as informações históricas do livro de Daniel são confirmadas pela arqueologia bíblica.

2) Por muitos anos os defensores da composição do livro de Daniel no 2º século a.C. se valeram das palavras gregas do capítulo 3 para “confirmar” a autoria da obra no período helenístico. Essa opinião apresenta dois problemas sérios:

a) Há ampla documentação do relacionamento entre os gregos e os impérios da Mesopotâmia antes mesmo do 6º século a.C. Nos registros do rei assírio Sargão II, por exemplo, fala-se sobre cativos da região da Macedônia (Cicília, Lídia, Ionia e Chipre). Se os judeus em Babilônia eram solicitados para tocar canções judaicas (Salmo 137:3), por que não imaginar o mesmo com os gregos? Um poeta grego chamado Alcaeus de Lesbos (600 a.C.) menciona que seu irmão Antimenidas estava servindo no exército de Babilônia. Logo, não nos deve causar espanto algum o fato de termos na orquestra babilônica instrumentos gregos.

b) Se o livro de Daniel foi escrito durante o período de dominação grega sobre os judeus, por que há apenas três palavras gregas ao longo de todo o livro? Por que não há costumes helenísticos em nenhum dos incidentes do livro numa época em que os judeus eram fortemente influenciados pelos filósofos da Grécia? Esse fato parece negar uma data no 2º século a.C.

Resumindo: o fato de existirem palavras gregas no terceiro capítulo de Daniel não prova sua composição no 2º século a.C., pelo contrário, intercâmbio cultural entre Babilônia e Grécia era comum antes mesmo do 6º século a.C.

3) Daniel foi escrito em dois idiomas: hebraico (1:1-2:4 e 8:1-12:13) e aramaico (2:4b-7:28).

Diversos nomes no estudo do aramaico bíblico (Kenneth Kitchen, Gleason Archer Jr, Franz Rosenthal, por exemplo) afirmam que o aramaico usado por Daniel difere em muito do aramaico utilizado nos Manuscritos do Mar Morto que datam do 2º século a.C. Para Archer Jr., a morfologia, o vocabulário e a sintaxe do aramaico do livro de Daniel são bem mais antigos do que os textos encontrados no deserto da Judeia. Não só isso, mas que o tipo da língua que Daniel utilizou para escrever era o mesmo utilizado nas “cortes” por volta do 7º século a.C.

Resumindo: o aramaico utilizado por Daniel corresponde justamente àquele utilizado em meados no 6º século a.C. nas cortes reais.

Qual a relevância dessas informações para um leitor da Bíblia no século 21? Gostaria de destacar dois pontos para responder essa questão:

1) Como foi demonstrado acima, Daniel escreveu seu livro muito antes do cumprimento de suas profecias. Logo, isso nos mostra a soberania e a autoridade de Deus sobre a história da civilização. Se Deus é capaz de comandar o futuro, Ele é a única resposta para os problemas da humanidade.

2) A inspiração das Escrituras. O livro de Daniel se mostrou confiável no ponto de vista histórico e, consequentemente, profético. Essa é a realidade com toda a Bíblia, que graças a descobertas de cidades, personagens e inscrições, mostra-se verdadeira para o ser humano.

O livro de Daniel, longe de ser uma fraude, é um relato fidedigno. Ao escavarmos profundamente as Escrituras e estudarmos a História, podemos perceber que a Bíblia é um documento histórico confiável.

(Luiz Gustavo S. Assis é formado em Teologia pelo Unasp e doutorando no Boston College)

Daniel: do pó às estrelas

ampulhetaChegamos ao último capítulo do livro de Daniel. Mesmo sem entender completamente o sentido do que viu, o profeta recebeu a ordem de escrever seu livro, o qual só seria entendido no “tempo do fim” (Dn 12:4, 8, 9). O cientista Isaac Newton chegou a decifrá-lo em grande parte, mas ainda não era o tempo de saber tudo. No entanto, após a prisão do papa Pio VI em 1798, o que assinalou o início do “tempo do fim”, as profecias de tempo de Daniel foram decifradas e ensinadas em várias partes do mundo. O próprio Daniel não veria o cumprimento dessas profecias mas lhe foi assegurado que ele ressuscitaria “ao fim dos dias” para a vida eterna (v. 13). Hoje temos o privilégio de reconhecer que a maior parte dessas profecias foi cumprida, e de estarmos muito mais perto da conclusão de tudo, que é a vitória do povo de Deus na volta de Jesus.

 Perguntas para reflexão e discussão on-line

 Já vimos (aqui) que o nome “Miguel” não se refere a um anjo, mas é um título que só cabe ao Senhor Jesus. Leia Daniel 12:1 e contraste com João 14:30 e 16:11. Qual é a diferença entre o principado de Miguel e o do “príncipe deste mundo”? De que forma nos tornamos súditos de um desses dois príncipes? Em sua opinião, por que Jesus assume o título de “príncipe” (ou “comandante”) sendo que Ele é o Criador do Universo (ver Isaías 9:6)?

Ainda no verso 1 vemos a menção a um livro no qual estão inscritos todos os que serão salvos nos últimos dias. Veja outras referências a esse livro: Lucas 10:20; Filipenses 4:3; Apocalipse 13:8; 20:15; 21:27; 22:19 e discuta: De que forma nosso nome pode estar inscrito nesse livro? E como ele pode ser “riscado” de lá? (Êx 32:32, 33; Ap 3:5; 1Jo 2:1)

Leia Daniel 12:2 e compare com João 5:28, 29. O tema da ressurreição já era conhecido há muito tempo no Antigo Testamento. Jó, que viveu antes de Abraão, já tinha essa certeza (Jó 19:25-27). De que forma a crença equivocada que a maioria das pessoas têm em uma “alma imortal” destrói a verdade da ressurreição? Por que a doutrina da ressurreição do corpo faz muito mais sentido do que a ideia de “almas desencarnadas” no Céu?

De acordo com todo o contexto de Daniel 12:3, como devem agir nesse tempo os que são verdadeiramente “sábios”? Por que o trabalho missionário tem tanta relevância nesse versículo?

Leia Daniel 12:4, 8, 9. Por que as profecias de Daniel só deveriam ser entendidas no “tempo do fim” (após o ano 1798)?

Pense no fato de que cristãos fiéis passarão pelo grande tempo de angústia logo antes da volta de Jesus (Dn 12:1; Ap 7:14). O que será revelado a todo o Universo através desse grande tempo de angústia? (R.: Os quatro anjos terão liberado os quatro ventos, e o mundo estará sob o completo domínio do inimigo de Deus. Ainda assim, Deus mostrará ao Universo que é possível Seus filhos serem fiéis e serem luz, mesmo quando o mundo mergulhar em totais trevas morais. Será a demonstração final do que é o pecado e do que é a graça de Deus no ser humano.)

Leia Daniel 12:7. Sendo que o “Homem vestido de linho” representa Jesus como sumo-sacerdote, por que Ele faz um juramento “por Aquele que vive eternamente”? (Compare com Gn 22:16; Dt 32:40; Hb 6:13, 17, 18; Ap 10:6)

Leia Daniel 12:13. Se você ouvisse do anjo essas palavras, como encararia a morte? O que muda pelo fato de o anjo não lhe dizer essas palavras? Como as palavras do próprio Jesus (Jo 6:39, 40, 44, 54; 11:25, 26) lhe dão essa segurança?

Notas:

Sobre o período de tempo especificado em Daniel 12:7. Ele se refere ao tempo de perseguição que os cristãos fiéis à Bíblia sofreram desde o ano 538 até 1798. Esse mesmo período de tempo é mencionado sete vezes na Bíblia, em três maneiras diferentes: “tempo, tempos e metade de um tempo” (Dn 7:25; 12:7; Ap 12:14); “quarenta e dois meses” (Ap 11:2; 13:5); e “mil duzentos e sessenta dias” (Ap 11:3; 12:6). O tempo após esse período é chamado de “o tempo do fim”.

Sobre os dois períodos de tempo mencionados em Daniel 12:11, 12. Conforme o Dicionário Bíblico Adventista, o ano 508 d.C., com “a conversão de Clóvis, rei dos francos, à fé católica, e a vitória sobre os godos”, é um marco importante para o “estabelecimento da supremacia da Igreja Católica no Ocidente”. Se considerarmos esse ano como o ponto de partida para o período de 1290 anos, chegaremos mais uma vez ao ano 1798, que marca o fim do período de perseguição aos cristãos (apresentado pouco antes, no verso 7), e o início do “tempo do fim”. Depois disso, os 1335 anos mencionados no verso 12 são apenas a adição de mais 45 anos aos 1290, o que nos leva ao ano 1843. “Bem aventurado” seria o que pudesse viver e testemunhar esse período, o qual foi de grande movimentação religiosa em expectativa para o cumprimento da profecia que estava prestes a se realizar (a profecia de Daniel 8:14 se cumpriu em 1844).

Sobre o “selamento” do livro de Daniel. O livro de Daniel, que termina “selado até o tempo do fim” (12:4, 9), aparece novamente em Apocalipse 10, mas agora como um livrinho “aberto”. Isso significa que o rolo de Daniel, ou “livrinho”, que não havia sido compreendido durante tantos séculos, finalmente foi entendido no “tempo do fim”. Porém, apesar de os cristãos mileritas haverem compreendido o tempo correto da conclusão da profecia (o ano 1844), não compreenderam bem o evento em si. Pensaram que ela apontava a volta de Jesus a esse mundo, e não a uma fase do ministério de Jesus no santuário celestial (Hb 8:1, 2; 9:11, 24, 25; etc.). Por isso o “livrinho aberto” (de Daniel) foi “doce como o mel” na boca de João, mas depois “amargo como o fel” em seu estômago; isso representa todas as pessoas que experimentariam equivocadamente a esperança da volta de Jesus e depois teriam uma grande decepção. Entretanto, logo após o amargor no estômago de João (Ap 10:10), é dito para ele, o qual representa esse povo: “É necessário que ainda profetizes a respeito de muitos povos, nações, línguas e reis” (v. 11). Os adventistas do sétimo dia entendem que essa ordem é dirigida a um pequeno grupo que, após a grande decepção milerita, se entregou ao estudo das Escrituras para compreendê-las. A eles foi dada a missão de pregar ao mundo todo, o que estão cumprindo.

(Natal Gardino é doutor em Ministério pela Andrews University e pastor distrital em Londrina, PR)