Pastor adventista é homenageado pela Igreja Mórmon

1No dia 24 de novembro, a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, conhecida como a Igreja dos Mórmons, realizou mais uma edição do Prêmio Valores Familiares e Comunitários. Trata-se de um evento promovido pela organização religiosa que premia pessoas que se destacaram na cidade (região) durante o ano corrente. São pessoas que, de alguma forma, contribuíram para o bem da cidade, o alívio dos necessitados e a promoção dos valores da família tradicional. Na edição deste ano, pela primeira vez em Vitória da Conquista um ministro adventista do sétimo dia recebeu a honraria: o ex-líder de Jovens da Missão Bahia Sudoeste pastor Eleazar Domini. Além dele, mais três pessoas foram homenageadas: o Dr. Nivaldo Braz Carvalho de Burgos Soares, o maestro João Omar e a Orquestra Sinfônica de Vitória da Conquista, e a professora e Dra. Ana Palmira Bittencourt Santos Casimiro.

Por ocasião da cerimônia, o pastor Eleazar não somente recebeu o prêmio, como também tocou um hino clássico ao violão. Para a cerimônia foi convidado o Coral Jovem Adventista Conquistense (CJAC), que abrilhantou a cerimônia cantando, entre outros hinos, “Aleluia de Handel”, emocionando os presentes.

Eleazar esteve à frente do Ministério Jovem da Missão Bahia Sudoeste em 2018, desenvolvendo vários projetos que foram vistos pela comunidade e trouxeram visibilidade para a obra adventista, fazendo com que o pastor fosse procurado pela liderança da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, a fim de ser um dos quatro homenageados neste ano.

O pastor Eleazar Domini, além de bacharel em Teologia, é mestre em Teologia na área de Interpretação e Ensino da Bíblia com ênfase na língua hebraica, e atuou em 2018 nas áreas de jovens, desbravadores, aventureiros, universitários, comunicação e liberdade religiosa para toda região Sudoeste e Oeste da Bahia. É casado com Gisele Domini e tem duas filhas: Hannah e Isabella.

Clique aqui e aqui para assistir aos vídeos de divulgação do prêmio.

Anúncios

Direito à vingança

jose-mariaAntigamente roupa suja era lavada em casa. Esse tempo (saudoso!) passou. Hoje há lavanderias públicas que, à semelhança da internet, permitem terceirizar (e publicizar) a lavagem daquelas partes de nossas vidas que não costumam ser as mais limpas. Os reality shows, que há duas décadas arrancavam suspiros de horror de quem achava baixaria expor na TV certos dramas familiares, são fichinha diante dos absurdos que circulam atualmente nas redes sociais, sem pudor, limite ou censura. Já não nos importamos tanto, exceto quando é a reputação de alguém próximo a nós que está em jogo. Às vezes nem assim.

Como se estivéssemos numa grande aldeia sem cacique nem pajé, ou seja, sem ter que prestar contas a nenhuma autoridade civil ou religiosa, com frequência levamos à praça pública, instintivamente, nossas querelas e desafetos. Ali acabamos com nossos inimigos à queima-roupa, ainda que isso, de alguma forma, represente também nossa própria destruição moral. A “ágora digital” é rápida no gatilho e sumária em seus julgamentos. Ela, alegando transparência e democracia, limita-se a “expor os fatos” (será?), deixando que cada um julgue por si mesmo, que junte as peças do quebra-cabeça, se for capaz. Lembro-me, por exemplo, do caso da adolescente que detonou o ex, publicando o impublicável na internet. Ela ainda gostava dele e só fez isso quando soube que havia “outra” no pedaço (bem, essa parte da história não foi divulgada, claro). Também me recordo dos artistas e desportistas cujos excessos do fim de semana não costumam escapar ao olhar atento dos paparazzi de plantão nem ao instinto de CSI dos fãs casualmente munidos de celulares inteligentes que, “ingenuamente”, gravam áudios e vídeos que vão parar na web.

Bisbilhotice à parte, há algo bem mais importante aqui. Fazer justiça e se vingar: duas coisas difíceis de distinguir e nas quais não gostamos de pensar. Quando você está ferido e casualmente está com a razão, por que ficar calado? Por que não veicular sua própria versão dos acontecimentos? Por que levar fama sem proveito? Por que não se defender e limpar sua barra? Por que deixar que um(a) espertinho(a) ou um poderosão acabe com você assim, “na boa”? Afinal, passividade, sangue de barata, silêncio, resignação… são “virtudes cristãs”? Certamente parte dessas questões, para lá de complexas, passou pela cabeça daquele provável marido traído chamado José. Coberto de razão, protegido por uma cultura que prezava pela honra e que, de certa forma, favorecia o homem, ele poderia ter invocado a lei que previa para sua noiva grávida uma dura penalidade. O “problema” é que ele a amava, algo que nem sequer as evidências de uma traição puderam desfazer. O segundo, digamos, “problema” é que ele tinha princípios dos quais não quis se desvencilhar, nem mesmo sob a forte pressão do ressentimento, da decepção e da iminência dos boatos maldosos de que ele certamente seria alvo. O texto bíblico diz que José, noivo de Maria, “como era justo, e a não queria infamar, intentou deixá-la secretamente” (Mt 1:19).

Em alguns casos, o segredo é um item obrigatório da ética profissional. No caso específico de José, porém, o segredo – que não haveria de durar muito, dada a gestação de Maria – era, para ele, uma questão de princípio moral; não visava apenas à proteção de um ofício, comunidade ou círculo profissional. Era parte de sua identidade, de suas convicções e de sua fé. Ele preferia lavar a roupa suja em casa mesmo, não na lavanderia da esquina. Holofotes e outdoors ficariam só para coisas que valessem a pena! Devido à sua hombridade, ele decidiu que não a exporia. Recusou-se a ser portador e difusor de más notícias, muito embora fosse um dos principais envolvidos e, certamente, o maior afetado. Mesmo ferido, ele ainda era capaz de manifestar ternura, compaixão, simpatia (creia!), coisas que normalmente sentimos apenas pelos pecadores que nos feriram pouco ou que não nos ameaçam nem nos enfrentam abertamente. Se formos bem sinceros, veremos que nossos reclamos de justiça muitas vezes não passam de boas escusas para extravasar nossa necessidade de autodefesa. José preferiu não se defender, não se explicar nem acusar Maria, uma atitude que nos deixa… simplesmente sem palavras!

Seria certo ele agir diferente? Talvez. Há situações diante das quais não podemos nos omitir; perguntas que não podem ser devidamente respondidas com o silêncio. Dar de ombros pode ser às vezes um ato de covardia, dos mais cruéis. Por isso, a ressalva que Ellen White faz é bastante oportuna:

“É verdade que há uma indignação justificável, mesmo nos seguidores de Cristo. Quando veem que Deus é desonrado e Seu serviço, exposto ao descrédito; quando veem o inocente opresso, uma justa indignação agita a alma. Tal ira, nascida da sensibilidade moral, não é pecado. Mas os que, ante qualquer suposta provocação, se sentem em liberdade de condescender com a zanga ou o ressentimento estão abrindo o coração a Satanás. Amargura e animosidade devem ser banidas da alma, se quisermos estar em harmonia com o Céu” (O Desejado de Todas as Nações, p. 213).

Note aí as duas faces dessa moeda: justa indignação de um lado e amargura do outro. Sensibilidade moral de um lado e ressentimento do outro. Defesa da honra de um lado e animosidade do outro. Quando estamos nessa saia justa, andando pelo fio da navalha, sangrando e sofrendo, há um risco real de perdermos a harmonia com o Céu. No calor da emoção, podemos não ser capazes de tomar as melhores decisões. A passividade não é uma virtude, a paciência sim, e é preciso não confundi-las. A linha tênue e cinzenta que separa a justiça da vingança não justifica uma atitude impulsiva ou displicente, muito menos se coisas importantes estão em jogo. Cirurgias delicadas não se fazem com um facão, mas com um bisturi. É preciso clamar por sabedoria quando falta clarividência.

Abrir mão de direitos adquiridos não é uma obrigação. Perdoar também não é. É dom. É dádiva. É sinal de generosidade, de bondade. Crer que essa forma “abobalhada”, pacifista e aparentemente passiva de agir favorece a justiça, num mundo cheio de pecado e corrupção, é um ato de fé. E fé do tipo incomum. Ninguém garante que terá o efeito desejado. Talvez não tenha. Não dá para saber. José não sabia. A ética que se baseia no cálculo de probabilidades não é a ética dos princípios bíblicos, e sim a das contingências, a ética situacional. Uma vive pela fé; a outra, pela vista. E nós todos, em nossos dilemas, caímos numa dessas duas redes e assim vamos. José fez a escolha dele. Todos nós, sempre que nos decepcionarmos ou formos injustiçados, teremos que decidir também. O pano de fundo é esse. O que fizermos dirá não só daquilo que cremos, mas também de quem somos.

(Júlio Leal é editor na Casa Publicadora Brasileira)

Câmara aprova direito de aluno se ausentar de prova por crença religiosa

sabadoProjeto de relevância para o respeito à crença religiosa teve importante avanço na tarde de terça-feira, 27. Integrantes da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovaram Substitutivo do Senado ao Projeto de Lei da Câmara 130, de 2009 (originalmente Projeto de Lei número 2.171, de 2003, de autoria do deputado federal Rubens Otoni). O texto aprovado trata da aplicação de provas e atribuição de frequência a alunos impossibilitados de comparecer à escola por motivos de liberdade de consciência e de crença religiosa. O teor será incorporado, portanto, à legislação por meio da inserção do artigo 7-A na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.

Na prática, alunos da rede pública ou privada ganham um instrumento de respeito em função da sua consciência e crença. O texto prevê que seja assegurado o direito a estudantes em qualquer nível (exceto os de ensino militar) de se ausentar de prova ou aula marcada para um dia que, segundo seus preceitos religiosos, seja proibido o exercício desse tipo de atividade. Na aprovação da CCJ, estão previstas prestações alternativas como: prova ou aula de reposição, conforme o caso, realizada em data alternativa, no turno do estudo do aluno ou em outro horário agendado e trabalho escrito ou outra modalidade de atividade de pesquisa, com tema, objetivo e data de entrega definidos pela instituição de ensino.

Em 1997, o então deputado federal Marcos Vinícius de Campos já havia encaminhado um projeto com o mesmo teor, porém, segundo registros da Câmara Federal, o documento havia sido arquivado em fevereiro de 1999.

A relatora do projeto na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, deputada federal Maria do Rosário, ressaltou, então, o caráter de respeito à liberdade de expressão religiosa. Ela lembrou que a Constituição Federal, no seu artigo 5º, garante que esse tipo de liberdade é inviolável e precisa ser garantido. Acrescentou, ainda, que “ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política”.

O diretor de Assuntos Públicos da Igreja Adventista do Sétimo Dia na América do Sul, pastor Helio Carnassale, ressaltou que essa foi uma importante vitória para a liberdade religiosa, especialmente no caso de milhares de estudantes que observam dias religiosos. “Muitos contribuíram para chegarmos até aqui. Quero ressaltar o empenho e apoio dos deputados Rubens Otoni, senador Pedro Chaves, deputada Maria do Rosário, além de Uziel Santana, presidente da Anajure, deputado Leonardo Quintão e de apoios recentes do deputado federal Aguinaldo Ribeiro e da senadora Daniela Ribeiro”, disse. Carnassale lembrou, ainda, o “papel do consultor parlamentar Adiel Lopes, além do advogado Vanderlei Viana e da administração adventista na América do Sul”.

A aprovação na CCJ teve caráter conclusivo, portanto não seguirá para o Plenário da Câmara, mas diretamente para ser ou não sancionada pelo presidente da República. É difícil precisar quantos alunos, por motivo de crença religiosa, serão beneficiados no Brasil com essa medida. Para se ter uma ideia, último levantamento realizado pelo Ministério da Educação apontou que, somente alunos guardadores do sábado, que prestavam o Exame Nacional de Ensino Médio, representavam em torno de 100 mil no País.

(Felipe Lemos, Notícias Adventistas)

Mãe e pai brigam na justiça por mudança de sexo em filho de seis anos

gender2Um pai iniciou uma batalha na Justiça dos Estados Unidos para impedir que sua ex-mulher mude o sexo do filho James, de seis anos. O processo tramita em Dallas, no Texas. De acordo com os autos, a mãe veste o menino com roupas de menina desde quando ele tinha três anos de idade. Ela também o matriculou na escola com nome de menina, como “Luna”. O pai, por outro lado, afirma que, quando está com ele, o menino se nega a usar roupas de mulher e se identifica como menino. No processo de divórcio, a mãe, que é pediatra, acusou o pai de abuso infantil por não “admitir que James era transgênero” e tenta que o ex-marido perca a guarda compartilhada. Ela quer também que ele seja condenado a pagar as consultas do filho para a mudança de sexo o que inclui, além de um terapeuta, a esterilização hormonal a partir dos oito anos.

E a mulher já conseguiu algumas vitórias. O pai foi legalmente impedido de falar com seu filho sobre sexualidade e gênero, tanto do ponto de vista científico quanto religioso, e obrigado a oferecer roupas unissex para o filho. O menino foi diagnosticado com disforia de gênero por especialista escolhido pela mãe. O terapeuta confirmou que quando está só com a mãe o menino prefere roupas de menina e quer ser chamado de Luna; quando está com o pai, só atende por James e escolhe roupas de menino.

O pai reuniu testemunhos de amigos para tentar convencer a Justiça de que o filho é um menino e evitar uma castração química aos oito anos. Pessoas preocupadas com a decisão final e a repercussão do caso criaram um site para tentar persuadir a corte de que é preciso esperar e não seguir perigosamente o diagnóstico precoce.

(Gazeta do Povo)

A sombra do suicídio entre os jovens

suicideDados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que o suicídio é a segunda causa de morte entre os jovens no mundo. Julio Jacobo Waiselfisz, sociólogo e coordenador do Mapa da Violência no Brasil, endossou esses dados ao apresentar em um de seus estudos que o número de suicídios aumentou em 65% na faixa etária dos 10 aos 14 anos, e em 45% dos 15 aos 19 anos, no período entre os anos 2000 e 2015. Os números são alarmantes e a situação exige atenção da sociedade. Os motivos desse aumento de suicídios são multifatoriais: um cérebro adolescente em formação, com as incertezas próprias dessa idade, aliado a uma criação superprotetora. Soma-se a isso a obrigatoriedade de ser feliz a qualquer custo em um mundo onde a mesma tecnologia que une também afasta as pessoas. Difícil administrar, certo?

Diante de tantas incertezas, a ansiedade e a depressão podem bater à porta e, para muitos deles, o suicídio é a saída na ânsia de exterminar o sofrimento e o desespero. Cabe aos pais lembrar da importância de transmitir segurança aos filhos durante a vida. Felizes deles também se puderem contar com o limite, com o modelo dos pais diante das ameaças do mundo.

O suicídio entre os jovens é uma forma de fugir do mundo, resultado da ausência de objetivos. A vida perde o sentido e eles deixam de acreditar. Se um adolescente se suicida por desesperança, a sociedade na qual ele vive certamente também está adoecida.

Caso a depressão já esteja instalada, torna-se indispensável procurar um profissional para o tratamento de transtorno da personalidade instalada no psiquismo desse adolescente. Aos educadores, cabe a contribuição de fazer com que os alunos desviem temporariamente o olhar da tela do celular, contemplem a natureza e entusiasmem-se por ela, criando assim uma visão sistêmica da vida que apresenta desafios, mas que também traz oportunidades de crescimento.

Acima de tudo é necessário desenvolver a consciência de que todo desejo pede realização, mas que nem todo desejo poderá ser realizado. Pois é nesse ponto que surge a frustração.

E não para por aí. É preciso ensinar os princípios da Inteligência Emocional, para adiar a necessidade de satisfação e aumentar a tolerância quando as frustrações surgirem. E neste âmbito, dois instintos devem ser levados em consideração: de vida e o de morte. Quando o instinto de morte prevalece a vida corre perigo. Devemos cuidar dos nossos jovens para não lhes faltar o principal: amor. Suicídio é a falência do amor.

(Ivo Carraro é psicólogo e professor do Centro Universitário Internacional Uninter)

Capa6peqNota: Caso você ainda não tenha lido, quero lhe recomendar o livro O Poder da Esperança, o qual escrevi em co-autoria com o psicólogo espanhol Julián Melgosa e foi publicado em dezenas de países. Nele abordamos problemas como depressão, baixa autoestima, estresse, ansiedade, suicídio e outras. Você precisa ler, ainda que seja para encontrar recursos para ajudar alguém que esteja sofrendo. Clique aqui e adquira o livro por apenas R$ 2,80.

Três perguntas que “matam” o antitrinitarianismo

Todos esses movimento novidadeiros de suspostos reavivalistas da fé na verdade não reavivam é coisa nenhuma. Dirigi certa vez três perguntas a um adepto dessas novas ideias de descrença na Trindade:

1. Em que essas noções antitrinitarianas o ajudaram a crescer espiritualmente, tornando-o um cristão melhor?

2. Em que essas noções antitrinitarianas têm ajudado a Igreja a ser mais unida e a refletir mais amor de uns para com os outros?

3. Em que essas noções antitrinitarianas podem contribuir para apressar a pregação mundial do evangelho, que é o grande desafio para a Igreja – cumprir Mateus 24:14?

Ele admitiu candidamente que não saberia dizer em que tais noções o ajudaram a tornar-se um cristão melhor, a unir mais a Igreja e levar os membros a terem mais amor uns pelos outros, nem como contribuiria para apressar a terminação da obra de evangelização mundial e a volta de Cristo.

Então, uma pergunta final: Para que esse empenho todo, que a nada leva de construtivo?

Azenilto Brito

Uma vida de louvor

IMG_6776

Com mais de três décadas de uma carreira premiada e consolidada, o cantor filho de missionários fala de seu desejo de exaltar o Criador por meio da música

Há 20 anos o Centro Universitário Adventista (Unasp) celebrava os 15 anos de seu campus em Engenheiro Coelho. Para abrilhantar o evento, foi convidado o cantor cristão mundialmente famoso Steve Green. O campus ainda não tinha um grande auditório nem templo para uma programação dessa natureza, então um palco foi montado ao ar livre, em um amplo gramado, e ali milhares de pessoas se reuniram para louvar a Deus. Vinte anos depois, a administração do Unasp resolveu trazer novamente Steve Green para juntos celebrar os 35 anos da instituição. E mais uma vez o espírito que tomou conta de todos foi de gratidão. Agora o campus dispõe de um amplo templo com capacidade para mais de três mil pessoas, mesmo assim foram necessárias duas sessões nas quais o espaço esteve complemente cheio. Em 1998 a Revista Adventista publicou uma entrevista exclusiva com o cantor, feita pelo jornalista Michelson Borges. Duas décadas depois, ele o entrevistou novamente.

Como foi o seu chamado para o ministério musical?

Cresci na Argentina e meus pais eram missionários lá. Na época eu não sabia que podia cantar. Voltei aos Estados Unidos para cursar uma faculdade. Meu plano era ser advogado, mas alguém me ouviu cantar certa vez e me disse que eu deveria fazer um curso de música. Então comecei a estudar música. Inicialmente, meu coração não era inteiramente do Senhor, portanto, eu tinha apenas uma voz. Anos depois, Deus me atraiu para Si, mudou meu coração e me fez ver que todo dom vem Dele. Meu chamado foi para dar-Lhe glória por onde eu for.

Como é ser usado por Deus para tocar vidas?

É maravilhoso! Deus pode chamar qualquer um de nós para trabalhar para Ele, mas é preciso ser humilde para falar em nome Dele, para agir de acordo com a vontade Dele e tocar a vida das pessoas. Sinto-me muito pequeno, mas muito abençoado por poder fazer isso.

Música é como um sermão, certo?

Sim, pois ela tem uma mensagem muito importante; afinal, comunicamos a verdade. É meu prazer e também minha responsabilidade ser um proclamador da Palavra de Deus.

Que conselho você daria aos cantores cristãos?

Trabalhem muito, busquem a excelência naquilo que fazem, trabalhem fundamentados em sua relação com Deus, e deixem que Ele cuide de sua carreira. Geralmente, os cantores fazem o oposto: desejam ser grandes diante das pessoas, mas são muito pequenos. Devemos permitir que Deus mude nosso coração e nos coloque onde Ele quer. Não copie as maneiras do mundo. Busque o Senhor, humilhe-se e deixe que Ele o exalte.

Uma experiência marcante em seu ministério.

Voltei ao local onde cresci: Tartagal, Argentina. Nunca mais tinha estado lá desde os meus nove anos de idade. Convidaram-me para cantar e eu fiquei muito empolgado, afinal, poderia levar uma mensagem para a minha terra. Quando iniciei o concerto, começou a chover forte e, devido ao barulho no telhado, eu não conseguia me ouvir e ninguém me ouvia. A água começou a subir e inundar tudo. Meu irmão me disse que tínhamos que cancelar o concerto, que eu poderia ser eletrocutado, mas eu disse “não”. Tinha voltado à minha terra para dar uma mensagem para o meu povo. Mais tarde, alguém me enviou uma carta e disse que naquele concerto havia três ou quatro diferentes grupos indígenas que não gostavam um do outro; que tinham tensões raciais baseadas em quão escura era a pele de cada um. Mas ali estavam eles, juntos. Enquanto chovia, eles tiveram que ficar juntos por quase três horas; e começaram a conversar, fizeram amizade. Percebi que naquela ocasião minha música não era importante. Minha mensagem não era importante. O concerto não aconteceu, mas tudo bem. Deus agiu.

Se pudesse escolher uma música que mais marcou seu ministério, qual seria e por quê?

Provavelmente, “God, and God Alone”, porque às vezes pensamos que somos grandes, mas não somos. Às vezes pensamos que controlamos as coisas, mas não. Às vezes pensamos que se tivéssemos o presidente ou o líder correto tudo daria certo, mas não. Deus está conduzindo tudo. Ele é o governante de tudo. Ele está no controle.

Em 20 anos, o que mudou em seu ministério?

Muita coisa, especialmente em minha compreensão da graça de Deus. Eu pensava que Deus havia me salvado e o resto era por minha conta, mas descobri que não é esse o caso. A graça de Deus está presente em todo o caminho. É Deus trabalhando em nós para fazermos Sua vontade prazerosamente. Aprendi a descansar mais no que Ele fez por mim.

Leia também: A capsula do tempo foi aberta vinte anos depois