Expedição revive trilha dos pioneiros adventistas no Brasil

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Natural de Criciúma, em Santa Catarina, Michela Borges Nunes é apaixonada por viagens. Ela criou o blog Mapa na Mão porque muitas pessoas a procuravam para pedir informações, conselhos e dicas de viagem. Então veio a ideia: “Por que não passar essas informações a outros? Por que não ajudar mais pessoas a viajar? Por que não inspirar pessoas a sair de sua ‘bolha’ e colocar os pés na estrada?” Assim o blog, suas redes sociais e o canal no YouTube nasceram em 2016. Além de viajar, que é algo que ela, o esposo e as filhas apreciam muito, Michela preenche um pouco do tempo descrevendo lugares, inspirando e ajudando pessoas a realizar sonhos.

Em conversa com a Agência Adventista Sul-Americana de Notícias (ASN), ela contou sobre a expedição que foi montada para reviver locais históricos importantes para o adventismo no Estado de Santa Catarina. O primeiro grupo, formado por 20 pessoas, percorreu o roteiro no início do mês de agosto. Veja os detalhes na entrevista a seguir.

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Primeira expedição Na Trilha dos Pioneiros

Grupo realiza expedição em lugares históricos do adventismo no Brasil.

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Nos dias 11 e 14 de agosto, um grupo de 20 pessoas vindas de vários estados do Brasil participou da primeira expedição intitulada Trilha dos Pioneiros. O destino: Santa Catarina. Organizada pelo blog Mapa na Mão, mantido pela criciumense Michela Borges Nunes, em parceria com a agência de viagens WJ Turismo, de Florianópolis, a expedição teve início na sede da Associação Catarinense (fundada em 1906) e foi guiada pelo pastor e jornalista Michelson Borges, autor do livro A Chegada do Adventismo ao Brasil.

Dali, o grupo foi para o Porto de Itajaí. Do alto do Morro da Cruz, Michelson contou a história da providencial chegada da mensagem adventista às terras catarinenses. Em seguida, a expedição passou por Brusque (Casarão Hort, onde foi aberto o primeiro pacote de literatura adventista no país, e rio Itajaí-Mirim, palco dos primeiros batismos), Blumenau e Gaspar Alto (localidade da primeira igreja adventista organizada no Brasil).

Em Gaspar Alto, no sábado, o pastor Michelson pregou durante o culto, quase três décadas depois de ter estado lá para realizar as primeiras pesquisas a fim de escrever o livro. Logo em seguida, o grupo se dirigiu até o riacho no qual, 127 anos antes, os pioneiros Guilherme e Johanna Belz (entre outros) foram batizados pelo pastor Frank Westphal. Ali, o pastor batizou seu aluno bíblico Marcelo Faceto. À tarde, o grupo visitou uma casa em estilo enxaimel construída com materiais do Colégio Superior de Gaspar Alto (embrião do atual Unasp) e concluiu o passeio do dia com um pequeno culto no Cemitério da Esperança, onde estão sepultados alguns dos pioneiros do adventismo. No domingo, a excursão seguiu para Pomerode, a cidade mais alemã do Brasil, onde os participantes puderam conhecer, entre outras coisas, a Rota do Enxaimel, maior concentração de casas nesse estilo fora da Alemanha.

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Centenário do adventismo no Maranhão

Uma história de fé e coragem que mostra a mão de Deus agindo nesse pedaço lindo do Brasil.

Ao que se sabe, o primeiro adventista chegou a São Luís em 1922. Firmo Marinho, barbeiro e adventista que fora batizado na cidade de Recife, em Pernambuco, chegou à capital maranhense nesse período e começou a pregar para seus clientes. Várias pessoas aceitaram a mensagem apresentada e logo um grupo de guardadores do sábado foi formado na cidade. Sérgio Vieira de Araújo foi um desses conversos (1888-1980) e, mais tarde, liderou um grupo de adventistas em São Luís.

Em 1923, Henrique Berg Correia chegou ao estado do Maranhão. Ele foi o primeiro colportor evangelista a trabalhar naquelas terras e promoveu o avanço da obra adventista no local através da página impressa. Percebendo as oportunidades evangelísticas na região, quatro anos depois, a Igreja Adventista enviou outros missionários para o norte do Brasil. Eram eles o Pastor John Lewis Brown e os colportores André Gedrath e Hans Mayr. Esse trio, com suas esposas e filhos, chegou a Belém, capital do Pará, em maio de 1927, quando a Divisão Sul-Americana organizou a Missão Baixo Amazonas (atua Associação Norte do Pará). No início, essa missão abrangia os estados do Amazonas, Pará, Ceará, Piauí e Maranhão.

Algum tempo depois, em dezembro de 1936, uma comissão da Divisão Sul-Americana aprovou a reorganização do campo missionário da União Este Brasileira (atual União Sudeste Brasileira), dando origem à União Norte Brasileira. Na mesma época, o campo também foi organizado em missões para melhor administrar o trabalho, e a Missão Costa Norte (atual Associação Cearense) foi estabelecida. A princípio, essa missão foi responsável por promover a obra adventista nos estados do Ceará, Piauí e Maranhão, com sede em Fortaleza (capital do Ceará). A Missão Costa Norte iniciou suas atividades em janeiro de 1937.

Em 1942, Gustavo S. Storch, evangelista da União Norte Brasileira, conduziu conferências evangelísticas em um lugar chamado “Cassino Maranhense,” na cidade de São Luís. Storch recebeu ajuda de Walter e Olga Streithorst (seu genro e sua filha, respectivamente) e batizou cerca de 60 pessoas naquele local. Na época, havia apenas dois distritos em toda a Missão Costa Norte. Nesse mesmo ano (1942), Walter Streithosrt tornou-se responsável pela gestão de um desses distritos que compreendia o vasto território dos estados do Maranhão e Piauí. O outro distrito, que abrangia o estado do Ceará, foi administrado por Aldo Carvalho. Após essa série de conferências de Storch, a congregação crescente alugou uma casa grande na Rua da Paz, no centro de São Luís. Esse grupo foi posteriormente organizado em uma igreja sob a liderança de Walter Streithorst. Além disso, naquela época, uma escola paroquial também foi organizada na casa que abrigava a igreja, tendo a jovem Elziária de Castro como primeira professora.

Em 1945, os membros da IASD de São Luís iniciaram um trabalho evangelístico no presídio da cidade. Os estudos bíblicos com os prisioneiros eram realizados aos domingos e, às sextas-feiras, havia conferências ilustradas com o uso de um projetor. Um ramo da Escola Sabatina também funcionava naquela prisão, com mais de 20 membros matriculados. Além dos estudos, os membros da Igreja de São Luís também ajudavam os prisioneiros com remédios, roupas, calçados, redes, revistas, cobertores, folhetos e livros. Algum tempo depois, devido ao crescimento constante, a congregação adventista de São Luís não pôde mais realizar suas reuniões na casa da Rua da Paz. Assim, em 1949, os membros da igreja adquiriram um terreno na Rua Celso Magalhães, onde iniciaram a construção da IASD Central de São Luís. Dois anos mais tarde, em outubro de 1951, o templo foi inaugurado.

Ainda em 1949, um grupo de adventistas que havia morado em Teresina, capital do estado do Piauí, mudou-se para Caxias e estabeleceu um centro adventista naquela região. Assim, a mensagem adventista chegou a outra cidade do estado do Maranhão. Alguns anos depois, em 1955, o Pastor Gustavo Storch iniciou uma série de conferências em Caxias, realizando reuniões evangelísticas às segundas, quartas e sextas-feiras. Dessa vez, ele teve como assistentes Américo Quispe e Emery Cohen, bem como Orlando Barreto e Orlando Queiroz. Como resultado das bênçãos divinas sobre esse trabalho, mais de 50 pessoas foram batizadas no que foi o primeiro batismo adventista da cidade. Em julho do ano seguinte (1956), foi organizada a Igreja Adventista Central de Caxias.

Durante a primeira metade da década seguinte, outras cidades do interior do estado do Maranhão também receberam a mensagem de esperança pregada pela Igreja Adventista e, como resultado, outras congregações foram estabelecidas. Em 1963, por exemplo, alguns adventistas chegaram à cidade de São José de Ribamar, na ilha de São Luís. Embora um grupo adventista já tivesse sido estabelecido na cidade no final da década de 1940 e início da década de 1950, seus membros haviam se mudado para a cidade de Paço do Lumiar. Portanto, o grupo adventista no local começou oficialmente suas atividades somente em 1964, quando foi realizada a primeira reunião.

Durante a década de 1960, o trabalho de assistência social adventista se intensificou no estado do Maranhão. Uma Sociedade Dorcas foi estabelecida na cidade de Caixas e, no final de 1963, essa frente missionária já havia servido cerca de 800 pessoas. Na época do Natal, no mesmo ano, leite, trigo e roupas foram distribuídos a algumas famílias carentes da cidade. Os adventistas de São Luís também estavam ativamente envolvidos na assistência social. Em 1966, a Sociedade Dorcas da igreja local realizou cursos sobre Arte Culinária e Corte e Costura. Além disso, foi criado um consultório médico, onde uma enfermeira e um médico prestavam cuidados semanalmente. Em outubro daquele ano, cerca de 140 consultas já haviam sido realizadas no consultório da igreja. Nesse mesmo ano, a Sociedade Dorcas de São Luís foi registrada oficialmente em cartório, ganhando o direito de receber recursos financeiros que ajudariam no trabalho filantrópico.

No ano seguinte (1967), um novo tipo de trabalho foi acrescentado às frentes missionárias adventistas na região. Por meio de uma doação da Companhia SC Johnson & Son, a Missão Costa Norte começou a oferecer assistência médica em seu campo através de uma clínica móvel. Até abril de 1967, 56 vilas e cidades foram visitadas, e mais de 21 mil visitas foram realizadas. A clínica tinha como sede Caxias, no interior do Maranhão, e era administrada por Luis Fuckner, um enfermeiro e pastor. Devido à influência do trabalho dessa clínica, em março do ano seguinte, 127 pessoas já haviam sido batizadas nos estados do Maranhão e Piauí.

Na primeira metade da década seguinte, o evangelismo continuou avançando no estado do Maranhão. No final da década de 1970, o campo missionário havia alcançado 440 membros batizados em uma época em que todo o estado do Maranhão ainda fazia parte de um único distrito pastoral. No ano seguinte, cerca de 200 alunos já estavam matriculados em uma escola adventista que havia sido previamente estabelecida na cidade de Coroatá. Assim, a mensagem adventista também foi pregada através do campo educacional. Em 1972, o Pastor Raimundo Lima realizou uma série de conferências em Codó e, ao final da sessão, cerca de 200 pessoas foram batizadas, dando origem a uma Igreja Adventista na região.

A pregação evangelística continuou avançando no ano seguinte (1973). Naquela época, Caxias estava entre as poucas cidades da União Norte Brasileira que recebiam o sinal de rádio do programa A Voz da Profecia, que era transmitido cinco vezes por semana. A transmissão desse programa denominacional ajudou a difundir a mensagem adventista por toda aquela região. Em 1974, a Codó também começou a receber essas transmissões. Como resultado, a filial do programa, coordenada pela Igreja Adventista da cidade, matriculou cerca de 700 alunos na Escola Radiopostal. Além dessas matrículas, através do trabalho da rádio, mais de 200 pessoas demonstraram interesse na mensagem adventista. Ainda em 1974, uma nova série evangelística foi realizada na cidade de Codó, e cerca de 1.200 pessoas compareceram às reuniões todas as noites. A maioria dos participantes eram estudantes do programa A Voz da Profecia.

Na primeira metade da década de 1980, alguns templos adventistas foram inaugurados, como por exemplo o do bairro de Monte Castelo, somando mais um templo à cidade de São Luís. Alguns anos depois, em 1984, o templo adventista São José de Ribamar, na ilha de São Luís, também foi estabelecido. Três anos depois, o grupo dessa cidade foi organizado em uma igreja. Com o constante aumento da pregação adventista na região, em 1987, a Missão Costa Norte já contava com 61 igrejas organizadas e 27.257 membros adventistas, indicando que o campo missionário precisava ser reorganizado.

(Enciclopédia Adventista)

Igreja Adventista é apartidária

A Igreja Adventista do Sétimo Dia declara que:

  1. Como reforçado em seus documentos oficiais, “não possui nem mantém partidos políticos, não se filia a eles, tampouco repassa recursos denominacionais para atividades dessa natureza. Por adotar uma postura apartidária, respeita as autoridades constituídas, mas não participa de qualquer atividade político-partidária”. Portanto, sua relação com o poder público se dá dentro dos limites de seus próprios regulamentos e das leis nos países onde atua.
  2. Pauta seus procedimentos com base em regulamentos internos. A denominação, portanto, não toma decisões eclesiásticas com a finalidade de causar qualquer tipo de prejuízo a membros, pastores ou funcionários da organização.
  3. Respeita as convicções de cada membro. No entanto, opiniões pessoais sobre qualquer assunto, expressas de forma livre e pública, não representam o posicionamento da organização adventista. Ninguém, sem delegação específica, está autorizado a falar em nome da Igreja Adventista do Sétimo Dia.

Para compreender mais sobre a relação da Igreja Adventista do Sétimo Dia com a política, acesse este endereço.

Brasília, 22 de julho de 2022

Um novo Hinário para uma nova igreja

A Igreja Adventista do Sétimo Dia no Brasil lançou seu novo Hinário. Foi um dia histórico em nosso país, que agora tem uma nova coletânea de hinos cristãos para seus cultos e reuniões privadas. O maior país adventista do globo renovará seu repertório musical e, consequentemente, sua experiência espiritual. O impacto do novo Hinário, possivelmente, perdurará por décadas. Será um fator agregador em nossa trajetória, imprimirá novo ritmo a nossos encontros e impactará os amantes da música sacra. Alguns mau podem esperar a hora de cantar novas melodias, enquanto outros estão preocupados se seus hinos favoritos não permaneceram.   

O Hinário do qual nos despedimos é de 1996, ano em que fui batizado na denominação que há 159 anos anuncia a volta de Jesus. Recordo que, estando na Igreja Central de Juazeiro do Norte, José Raimundo, que servia como assistente de Colportagem da antiga Missão Costa Norte, apresentou o Hinário Adventista em um culto jovem. Na ocasião, a mudança do nome (o hinário anterior chamava-se Cantai ao Senhor), a redução de dez hinos e a revisão teológica em algumas letras foram recebidas com normalidade, embora alguns membros conservadores continuassem, por algum tempo, utilizando os dois hinários. Talvez isso tenha acontecido porque o Cantai ao Senhor teve uma vida longa (32 anos). Recordo que um membro, enquanto a congregação cantava um hino cuja letra foi revisada, insistia em usar a letra antiga. A assimilação ao novo Hinário promete ser rápida, pois várias canções são contemporâneas (a igreja já as canta) e a geração atual se adapta mais facilmente a mudanças.

O novo Hinário chegou em boa hora. Sem dúvida, é um novo hinário para uma nova igreja. Quando o anterior foi lançado, há 26 anos, a Igreja Adventista era outra denominação. Embora adote os mesmos princípios e a mesma missão, sua estrutura, presença na sociedade brasileira e membresia são bem diferentes. Naquela época, o sistema de comunicação Novo Tempo estava dando os primeiros passos; muitas instituições ainda não existiam e a igreja no Brasil tinha a metade dos membros de hoje. Poucos sabem que, atualmente, a Igreja Adventista do Sétimo Dia ocupa a segunda posição no ranking de igrejas não pentecostais no Brasil.[1] Sua influência global na denominação também cresceu substancialmente na última década, e alguns cogitam que o adventismo brasileiro terá um papel decisivo nos próximos anos.[2] Tudo isso torna a decisão recente de lançar o novo Hinário acertada, por sete razões – para lembrar as notas musicais:   

1. O canto é um dos principais elementos na adoração a Deus e precisa ser estimulado de várias maneiras, constantemente. O Hinário é um dos melhores instrumentos nesse sentido, e a nova edição estimulará antigos e novos adoradores.

2. Cada geração de adventistas tem certas preferencias musicais e precisa ser atendida, para que sua experiência religiosa se consolide. Além disso, a igreja tem hoje um público diversificado, que ainda não conhecia o melhor de nossa hinologia, já que nosso hinário “envelheceu” e a pandemia alterou nossas reuniões presenciais por algum tempo.

3. As pessoas são imprevisíveis. Os adventistas não fogem a essa regra. O novo hinário não agradará a todos. Ele terá promotores entusiastas e críticos cruéis. Se você for um deles, lembre-se de que o Hinário atual não será eterno. Em relação às observações válidas que surgirem, elas poderão ser implementadas no futuro, em nova edição. Apesar disso, a seriedade com que o trabalho foi feito dá testemunho de que a igreja receberá um material de extrema qualidade, e a equipe deve ser reconhecida por seu desejo de glorificar a Deus.      

4. Certos setores e nichos da igreja (como as novas gerações) precisavam de uma atenção especial para seu desenvolvimento, e o novo Hinário suprirá essa lacuna.

5. Para um novo mundo, mais interativo e tecnológico, a igreja precisava reinventar suas estratégias e se comunicar mais eficazmente, e o novo Hinário satisfará essas demandas, com novos recursos e novas linguagens acessíveis aos nativos digitais, embora o bom e velho hinário impresso ainda seja uma referência.   

6. Ao longo da história, a difusão da mensagem bíblica e a preservação da identidade adventista têm sido fundamentais para o êxito de nossa missão. O novo hinário, ao que parece, contribuirá ainda mais com essas iniciativas essenciais, refinando a teologia dos hinos, destacando nossas crenças fundamentais, fortalecendo a cultura adventista e nos desafiando à genuína santificação.   

7. Enquanto o cristão individualmente enfrenta desafios diários, a igreja remanescente enfrentará provas severas no futuro. Os novos hinos trazem novo ânimo e novas esperanças para o povo de Deus em sua longa jornada a Canaã.

Termino essas reflexões com um apelo: nas 16 congregações em que sirvo como pastor, estou desafiando os líderes a usar apenas o novo hinário nos serviços de cânticos, até dezembro. Será a melhor maneira de pegar gosto e acostumar-se com o material. Como família, adquirimos três unidades para usar em nossos cultos domésticos. Faça algo parecido em sua realidade. O novo hinário precisa se tornar o principal veículo do louvor em nossas congregações e nossos lares. Isso unirá ainda mais os irmãos, até que esse Hinário (e qualquer outro) se torne obsoleto, quando formos cantar nas cortes celestiais.      

(Ribamar Diniz é pastor, escritor e editor; mestre em teologia pelo SALT/FADBA, é pastor distrital na Missão Para Amapá)

Referencias:

[1] Mais detalhes em: https://novohinario.cpb.com.br/ Acesso: 8 de julho de 2022. https://pt.wikipedia.org/wiki/Igreja_Adventista_do_S%C3%A9timo_Dia_no_Brasil#cite_note-STATI2021-13 Acesso: 8 de julho de 2022.

[2] https://www.revistaadventista.com.br/conferencia-geral-2022/adventismo-em-portugues/ Acesso: 8 de julho de 2022.

Quão perto está o Ômega?

Ellen White caracterizou as crises pelas quais a igreja passou no fim de 1800 e início de 1900 como o Alfa da apostasia, e advertiu que a igreja teria que enfrentar um Ômega semelhante, em um momento posterior. Roger W. Coon analisa e sintetiza as evidências sobre o Alfa para melhor reconhecer e resistir ao Ômega.

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A apostasia, essa trágica quebra de um relacionamento de fé, é tão antiga quanto Adão e Eva, o jardim, a árvore, o fruto e o primeiro ato ventríloquo da história. Sempre foi um fato triste, mas central da vida, com o qual a igreja cristã teve que lidar: Jesus teve Seu Judas, Paulo teve seu Demas e Ellen White teve seu John Harvey Kellogg.

No que bem pode ter sido o segundo livro mais antigo do Novo Testamento a ser escrito, Paulo advertiu os cristãos tessalonicenses de seus dias de que a volta de seu Senhor não aconteceria, não poderia acontecer até que primeiro ocorresse uma grande “apostasia” dos princípios básicos que sustentam a fé.[1] Seria planejado por “espíritos iníquos nos lugares celestiais”,[2] e efetuado organizacionalmente por um sistema eclesiástico apóstata personificado historicamente como “aquele homem do pecado […] o filho da perdição”,[3] que reinaria supremo sobre a consciência da cristandade por cerca de 1.260 anos literais.[4]

A histórica igreja de Éfeso simbolizava o primeiro século da era cristã ao deixar seu primeiro amor,[5] e o melhor que se podia dizer de Laodiceia, simbolizando a era final, é que era morna.[6]

Em seus primeiros escritos, Ellen White falou variavelmente de um “abalo” e um “peneiramento” do povo de Deus no tempo do fim. Em 26 de janeiro de 1850, ela foi informada por um anjo celestial de que já havia começado, e continuaria até o fim do tempo de graça, “e serão sacudidos todos os que não estiverem dispostos a tomar uma posição corajosa e inflexível pela verdade e se sacrificar por Deus e Sua causa”.[7]

Assim foi estabelecido o fato do abalo final. As causas desse abalo são pelo menos quatro: (1) perseguição de fontes fora da igreja; (2) introdução de falsas teorias dentro de suas fileiras; (3) o amor à verdade[10] ou ser santificado pela obediência a ela;[11] e (4) a resistência de alguns do povo de Deus ao “testemunho direto invocado pelo conselho da Testemunha Verdadeira”.[12]

De fato, o “último engano de Satanás” dentro do remanescente seria a dupla tarefa de destruir a credibilidade da voz profética em seu meio e criar um ódio satânico contra os escritos desse profeta.[13]

A extensão do abalo foi ainda descrita, tanto em termos de números quanto em agrupamentos identificáveis. Numericamente, os desertores constituiriam “uma grande classe”,[14] de fato, uma “proporção maior do que agora prevemos”.[15]

Em termos de pessoas, “famílias inteiras” sairão,[16] mesmo companhias inteiras, “companhia após companhia do exército do Senhor se juntaram ao inimigo”.[17] Sob outra figura, “a palha como uma nuvem será levada pelo vento, mesmo de lugares onde [agora] vemos apenas pisos de rico trigo”.[18] A liderança, bem como a base, estão envolvidas na traição final: “Homens de talento que uma vez se regozijaram na verdade empregam seus poderes para enganar as pessoas”[19], e: “Muitas estrelas que admiramos por seu brilho se apagarão na escuridão.”[20] De fato, “na última obra solene poucos grandes homens estarão engajados”.[21]

(Para manter as coisas em perspectiva, lembre-se de que esse trágico êxodo de metade do adventismo ocorre em uma via de mão dupla. O mesmo parágrafo que relata “companhia após companhia” desertando do exército do Senhor também fala de um influxo ainda maior: “Grupo após grupo das fileiras do inimigo unidos com o povo de Deus que guarda os mandamentos”!)

Durante a vida de Ellen White, a igreja testemunhou o que ela três vezes descreveu como o “Alfa da apostasia”,[22] o cisma mais sério no primeiro meio século de existência do adventismo. Envolvia um movimento para subverter as doutrinas básicas da fé, que eram derivadas de intenso estudo bíblico e confirmadas pelo Espírito Santo por meio de revelações diretas a um profeta inspirado, e para mudar a natureza básica e a direção da igreja orgânica.[23]

Depois de identificar as aberrações doutrinárias do Alfa como “heresias mortais”,[24] um “perigo” que faria com que “muitos” “se afastassem da fé”,[25] e “teorias e sofismas que minam os pilares fundamentais da fé”,[26] Ellen White falou gravemente, ainda que enigmaticamente, do “Ômega da apostasia”. E ela destacou três pontos básicos:

1. O Ômega seguiria o Alfa[27] – não imediatamente, mas em pouco tempo.[28]

2. O Ômega seria pior que o Alfa – seria de uma “natureza assombrosa”[29]; de fato, a profetisa “tremeu” por nosso povo, antecipando-o[30] (ela disse que a controvérsia Alfa lhe trouxe “grande aflição”, e que toda a experiência “quase me custou a vida”).[31]

3. O Ômega seria recebido por aqueles adventistas do sétimo dia que inadvertidamente, se não voluntariamente, falham em atender à advertência relativa ao Alfa, que Deus graciosamente deu em detalhes consideráveis ​​por meio de Sua profetisa.[32]

Ellen White não identificou mais o Ômega da apostasia. Mas ela insinuou claramente nessa última afirmação que se não houvesse uma correspondência um-para-um entre Alfa e Ômega, haveria pelo menos pontos de congruência suficientes para que, se alguém conhecesse o Alfa em detalhes, provavelmente reconheceria o Ômega quando e onde ele aparecesse.

Essa implicação não apenas justifica uma análise detalhada do Alfa, mas quase torna esse estudo obrigatório, se alguém espera escapar do engano e dos perigos espirituais que acompanham o Ômega. O que segue, portanto, analisa e sintetiza a evidência disponível dos escritos de Ellen White e seus contemporâneos sobre o Alfa, sob as categorias (1) os homens do Alfa, (2) o movimento do Alfa e (3) a mensagem do Alfa, para melhor ser prevenido e preparado para enfrentar o Ômega.

OS HOMENS DO ALFA

Pelo menos oito características dos homens da apostasia Alfa podem ser detectadas à medida que se investigam os escritos do período:

1. Líderes. Assim como na apostasia do antigo Israel, Coré, Datã e Abirão lideraram “duzentos e cinquenta príncipes da assembleia, famosos na congregação, homens de renome”,[33] também na apostasia do moderno Israel estavam envolvidos “homens de destaque nos círculos ministerial, médico e educacional”. Estes “assumiram abertamente sua posição”[34] a favor da nova teologia e da nova direção denominacional. O líder? “Alguém de alta responsabilidade no trabalho médico”[35] – um eufemismo óbvio para o Dr. John Harvey Kellogg, diretor médico do Sanatório de Battle Creek. Kellogg, nessa época, era mais conhecido em círculos não eclesiásticos ao redor do mundo do que até mesmo sua mentora, a profetisa da igreja, Ellen White.

2. Cientistas. Embora seja verdade que havia um amplo apoio para Kellogg entre os educadores do Battle Creek College e não poucos clérigos (o capelão do Battle Creek Sanitarium foi um proponente proeminente), no entanto, tem-se a impressão distinta de materiais contemporâneos de que médicos, cientistas médicos lideraram a vanguarda do Alpha. (Talvez eles se sentissem menos vulneráveis ​​à represália dos administradores denominacionais.)

3. Personalidade. Ellen White caracteriza incisivamente esses líderes como homens com “línguas maliciosas e mentes agudas, aguçadas por longa prática em fugir da verdade, […] continuamente trabalhando para trazer confusão e levar a cabo planos instigados pelo inimigo”.[36] Ela previu que as verdades distintivas mantidas pelos adventistas seriam “criticadas, desprezadas e ridicularizadas”;[37] e isso parece ter sido a principal entre as atividades intelectuais desses homens equivocados.

4. Especulação filosófica. A Sra. White estava claramente preocupada com médicos que “falam por horas, quando estão cansados ​​e perplexos, e não estão em condições de falar”, homens que mantinham “longas sessões noturnas de conversas; influência sedutora” roubou, primeiro “de um e depois de outro a fé que uma vez foi entregue aos santos”. Ela ainda advertiu: “Ideias brilhantes e cintilantes muitas vezes surgem de uma mente que é influenciada pelo grande enganador. Aqueles que ouvem e aquiescem ficarão encantados, como Eva ficou encantada pelas palavras da serpente. Eles não podem ouvir especulações filosóficas encantadoras, e pelo menos ao mesmo tempo lembrar-se claramente da Palavra do Deus vivo.”[38]

5. Anticlerical. O papel do ministério evangelístico dentro da Igreja Adventista foi claramente definido pela profetisa: “Desde Sua ascensão, Cristo, o grande Cabeça da igreja, tem levado avante Sua obra no mundo por embaixadores escolhidos, através dos quais Ele fala às pessoas e ministros às suas necessidades. […] Os ministros de Cristo são os guardiões espirituais do povo confiado aos seus cuidados. Seu trabalho tem sido comparado ao de vigias, mordomos dos mistérios de Deus.”[39]

A Sra. White escreveu ao Dr. Kellogg da Austrália, alertando-o “para não separar sua influência do ministério do evangelho”.[40] Muitos parágrafos depois, ela voltou a esse pensamento: “Você não está disposto a dar ouvidos ao conselho dos servos do Senhor. […] O Senhor deseja que você respeite o ministério do evangelho.”[41]

Apenas um mês antes, ela havia advertido Kellogg: “O inimigo está trabalhando […] criticar o seu trabalho.”[42]

O biógrafo do Dr. Kellogg, Richard W. Schwarz, catalogou as razões do médico para a antipatia em relação ao ministério adventista. Poucos deles praticavam o vegetarianismo ou outros princípios de saúde adotados e defendidos por Kellogg e Ellen White. Eles tinham o que ele via como uma educação profissional inferior. Eles eram, como ele via, maus administradores financeiros do dinheiro da igreja no trabalho religioso, e certamente não estavam em posição de dizer ao pessoal médico como praticar suas artes ou como administrar suas operações institucionais. E a miopia deles, ele sustentava, era bem ilustrada pelo fato de que eles promoviam as publicações religiosas em maior extensão do que o seu tipo de trabalho médico-missionário.[43]

6. Desprezo a Ellen White. De preocupação ainda maior, no entanto, foi o fato de que a liderança do Alfa em geral, e o Dr. Kellogg em particular, frequentemente ignoravam o conselho de Ellen White, negligenciando a implementação de suas instruções escritas provenientes do Senhor ou realmente trabalhando contra elas.

Em 12 de dezembro de 1899, a Sra. White escreveu ao líder da obra médica da denominação “como uma mãe escreveria a seu filho. Eu o ajudaria se pudesse”. Então, em conclusão, ela acrescentou uma nota de solene urgência: “Como alguém que sabe, como alguém que teve permissão para ver os resultados do trabalho que você assumiu, peço que pare e considere […]. Não jogue para trás de você sem consequência as advertências que você ainda não entende. Se receber as mensagens de advertência enviadas a você, você será salvo de grande provação.”[44]

Três semanas depois, no dia de Ano Novo de 1900, a Sra. White escreveu ao presidente da Associação Geral, G. A. Irwin: “Procure salvar o Dr. Kellogg de si mesmo.”[45]

E três meses depois a profetisa dirigiu esta palavra adicional ao Dr. Kellogg: “Sua voz está trabalhando contra o sucesso e triunfo da verdade nestes últimos dias […]. Você está se afastando do próprio trabalho a ser feito.”[46]

7. Coerção autoritária. O Dr. Kellogg não toleraria nenhuma interferência em suas ideias ou planos. Alguns de seus conselheiros eram até mesmo homens “sob a repreensão de Deus”. O único teste era o da lealdade pessoal ao médico-chefe (“Você estava disposto a se unir a eles se eles apoiassem sua proposta.”)[47] Os oponentes foram impiedosamente afastados. A respeito do Alfa, Ellen White escreveu diretamente: “Nada seria permitido ficar no caminho do novo movimento.”[48]

Essa atitude de “rolo compressor” do Dr. Kellogg foi refletida com precisão nas palavras de um “proeminente” colega profissional, um dos cerca de dez homens que vieram de Battle Creek para o primeiro Concílio Anual realizado em Washington, D.C., em outubro de 1903, para pressionar pela aceitação das ideias teológicas e organizacionais de seu chefe. Abordado por Arthur G. Daniells, presidente da Associação Geral na época, sob um poste de luz na noite do primeiro dia da sessão, o jovem médico impetuosamente, imperiosamente, sacudiu o dedo no rosto de seu líder da igreja, declarando: “Você está cometendo o erro de sua vida. Depois de toda essa turbulência, alguns desses dias você acordará para se ver rolando no pó, e outro estará liderando as forças.”

Cansado, o presidente da Associação Geral respondeu: “Eu não acredito em sua profecia. De qualquer forma, eu preferiria rolar no pó fazendo o que acredito em minha alma ser certo do que andar com príncipes, fazendo o que minha consciência me diz estar errado.”[49]

8. Espírito subversivo. Ellen White atacou sem rodeios a desonestidade básica dos homens do Alfa que estavam trabalhando “de maneira dissimulada e poderosa para derrubar o fundamento de nossa fé”.[50]

Em uma visão do tipo parábola especialmente adequada, à meia-noite ela viu um navio em forte neblina: “De repente, o vigia gritou: ‘Iceberg logo à frente!’ Ali, elevando-se bem acima do navio, havia um gigantesco iceberg. Uma voz autoritária gritou: ‘Enfrentem-no!’ Não houve um momento de hesitação. Era hora de ação instantânea. O engenheiro acelerou a todo vapor e o homem ao leme dirigiu o navio direto para o iceberg. Com um estrondo, ele atingiu o gelo. Houve um choque terrível, e o iceberg quebrou em muitos pedaços, caindo com um barulho como um trovão no convés. Os passageiros foram violentamente abalados pela força da colisão, mas nenhuma vida foi perdida. A embarcação ficou avariada, mas não além do reparo. Ela estremeceu ao choque, tremendo de proa a popa, como uma criatura viva.”[51]

O iceberg representava a heresia e o movimento Alfa; o navio representava a Igreja Adventista de 1903. O Capitão – Jesus, é claro, reconheceu que haveria menos perigo para a igreja em última análise por uma colisão direta e frontal do que tentar evitar o iceberg. E assim o timoneiro foi instruído: “Enfrentem-no!”

E o grito “Enfrentem-no!” tornou-se um grito de guerra em vários círculos da igreja, quando leais obreiros adventistas do sétimo dia e leigos enfrentaram o desafio do Alfa em um confronto frontal que abalou seriamente – mas não destruiu – a Igreja Adventista daquele tempo.

O MOVIMENTO ALFA

O Alfa não consistia apenas em ensinamentos heréticos defendidos pelo Dr. Kellogg e seus seguidores, como será observado em detalhes abaixo, mas definitivamente havia um “novo movimento” envolvido também, de fato; Ellen White usou essa mesma expressão para descrevê-lo.[52] Ele pode ser identificado por pelo menos três características:

1. Nova Organização. “Uma nova organização seria estabelecida” pelos proponentes do Alfa, declarou a Sra. White.[53]

A questão de se o Movimento do Advento deveria ou não ser organizado agitou os primeiros pioneiros, e Ellen White estava bem no meio da controvérsia. Guilherme Miller havia ensinado originalmente que, se seu movimento se organizasse, automaticamente faria parte da Babilônia. Muitos dos primeiros pioneiros que fundaram o que mais tarde seria conhecido como a Igreja Adventista do Sétimo Dia assumiram uma posição semelhante. Mas Deus enviou luz por meio de Ellen White para que houvesse organização nas fileiras de Seus seguidores na Terra.[54] E a estrutura evoluiu ao longo dos anos, com mudanças na forma ocorrendo conforme as necessidades de mudança ditavam.

Existem três formas básicas de organização de igreja: (a) episcopal, na qual toda autoridade e poder estão centrados no topo e descem; (b) “presbiteriana” ou representativa, na qual a igreja como um todo delega autoridade a indivíduos para agir em seu nome, renovando esse mandato periodicamente; e (c) congregacional, em que uma congregação local decide absolutamente tudo, desde seu credo doutrinário até como gastará seu dinheiro – democracia em sua forma mais pura, no mundo da religião.

Os adventistas do sétimo dia tradicionalmente seguem o segundo dos três: um sistema presbiteriano modificado com autoridade delegada pelos eleitorados em intervalos determinados. O Dr. Kellogg propôs – e finalmente conseguiu, no que diz respeito ao Sanatório de Battle Creek – remover todo o trabalho médico da denominação do controle e da direção central, e colocá-lo sob sua própria supervisão pessoal, independentemente das restrições denominacionais. Escreveu Ellen White: “Fui instruída pelo Senhor de que sua tentação seria tornar sua obra médico-missionária independente da Associação.”[55] (A história de como Kellogg projetou uma grande mudança na ênfase de um impulso evangelístico geral para todas as classes da sociedade, incorporada em uma única “Missão da Cidade”, para um movimento do tipo Exército de Salvação voltado principalmente para as classes mais baixas e desfavorecidas da sociedade, está bem documentada em uma série de quatro artigos de Arthur L. White, então secretário do Ellen White Estate, na Review and Herald de 5, 12, 19 e 26 de novembro de 1970, e não será recontada aqui.)

Hoje, sugestões estão continuamente surgindo em alguns círculos adventistas defendendo uma mudança na estrutura organizacional, na direção de uma postura congregacional, em que cada congregação individual definiria suas crenças doutrinárias, estabeleceria suas próprias políticas financeiras e traçaria seu próprio curso individual. Tais propostas não são novas; os homens do Alfa sonharam tais sonhos.

2. Nova literatura. Além disso, os homens do Alfa tinham ideias revolucionárias no campo editorial. Disse a serva de Deus: “Livros de uma nova ordem seriam escritos.”[56]

O principal livro-texto detalhando as heresias panteístas do Dr. Kellogg foi O Templo Vivo. Como foi escrito é uma história interessante:

Quando o Sanatório de Battle Creek foi incendiado em 1902, a cobertura do seguro mal pagou a hipoteca; não havia dinheiro para reconstruir. O pastor Daniells propôs ao Dr. Kellogg que ele escrevesse um livro de medicina popular e doasse os royalties para o projeto de construção; nosso povo poderia se reunir e vender o livro, e nosso sanatório poderia ser reconstruído mais rapidamente.

O pastor Daniells advertiu especificamente o Dr. Kellogg para não colocar nada de sua “nova teologia” no livro. O bom médico prometeu que não o faria.

Como o tempo era tão vital, nenhum comitê de livros foi formado para ler o manuscrito; na verdade, o livro foi escrito quase tão rapidamente quanto os capítulos foram escritos. No entanto, a notícia logo vazou de que o livro estava cheio de heresia panteísta, que estava cada vez mais se infiltrando nas reuniões de obreiros, nas reuniões de comitês e todas as outras reuniões de adventistas ao redor de Battle Creek. Um rápido exame das provas de impressão na editora confirmou as piores suspeitas.

Uma comissão de cinco pessoas foi nomeada pela Associação Geral para investigar o caso. Três disseram que se deveria imprimir o livro; dois disseram para não publicá-lo. A Associação Geral adotou o relatório da minoria. Mas o Dr. Kellogg estava em Battle Creek havia mais tempo do que o novo presidente da Associação Geral, pastor Daniells, e ordenou ao superintendente da editora que imprimisse o livro. Cerca de cinco mil cópias foram impressas, mas antes que as capas pudessem ser colocadas nas páginas encadernadas, a Review and Herald Publishing House sofreu um incêndio que destruiu não apenas os livros não encadernados e suas capas, mas também fez derreter as chapas de impressão.

O Dr. Kellogg enviou uma cópia do manuscrito para uma gráfica comercial e encomendou três mim cópias, e o livro começou a circular entre as igrejas.[57] Horrorizada, Ellen White escreveu: “No livro The Living Temple é apresentado o alfa das heresias mortais.”[58]

Em uma visão, “alguém de autoridade” falou com a Sra. White. Segurando uma cópia do The Living Temple, ele disse: “Neste livro há declarações que o próprio escritor não compreende. Muitas coisas são declaradas de uma forma vaga e indefinida… do tipo que será instado ao povo.”[59]

Se Deus não tivesse cortado o mal pela raiz, no Concílio de Outono de 1903, quem sabe que outras publicações poderiam ter sido impressar para enganar e destruir!

3. Ênfase excessiva no bem-estar social. Na década de 1890, o evangelismo público adventista do sétimo dia nas cidades consistia em reuniões para o público em geral conduzidas por ministros, assistidos por evangelistas de literatura. Muitas vezes, instruções gerais sobre tratamentos simples de hidroterapia e higiene preventiva eram dadas por enfermeiros e médicos treinados. Restaurantes saudáveis foram abertos em alguns lugares.

O Dr. Kellogg, muito influenciado pelo Dr. George D. Dowkontt, um pioneiro no trabalho médico-missionário não sectário e não denominacional, foi fundamental para mudar a ênfase do evangelismo público adventista para um ministério especializado para classes carentes – alcoólatras, prostitutas e outros grupos semelhantes. Ele também começou a mudar as características do que chamou de “trabalho médico-missionário”, particularmente em Chicago, onde iniciou uma faculdade de medicina, de um “objetivo evangelístico inalterado e distinto em todas as fases do trabalho denominacional para um caráter generalizado e não sectário”.[60] Disse Ellen White dos proponentes dessa ênfase exagerada no bem-estar social, excluindo um testemunho evangelístico para as classes média e alta, com apenas uma pitada de sarcasmo: “Os fundadores desse sistema iriam às cidades, e fariam um maravilhoso trabalho.”[61] Mas não era a obra que Deus queria que os adventistas fizessem.[62]

Antes que o novo programa imaginado pelo Dr. Kellogg pudesse ser verificado, ele providenciou para que muitos de nossos ministros e instrutores bíblicos deixassem seus postos no evangelismo convencional e trabalhassem em missões em novas cidades para os pobres e marginalizados.[63]

Nenhuma pessoa informada contestará que há um lugar apropriado para o ministério prático aos necessitados, no trabalho da Igreja Adventista. A existência de nossas Sociedades Dorcas [Assistência Social], e até mesmo a existência do livro Beneficência Social, de Ellen White, é evidência desse fato indiscutível. Mas a questão central é equilíbrio. A cauda não deve abanar o cão; o ministério adventista do sétimo dia não deve degenerar em simplesmente uma pálida imitação de algo conhecido algumas décadas atrás como “evangelho social”. O Alfa faria dessa ênfase no trabalho de bem-estar social o principal impulso da igreja. Ellen White hesitou, gentilmente no início, vigorosamente depois, quando as implicações da ameaça a todo o Movimento do Advento foram sucessivamente reveladas a ela por Deus.

A MENSAGEM DO ALFA

Talvez o mais sinistro e perigoso de todos os fatores fossem os novos rumos nas crenças doutrinárias propostas pelos líderes do Alfa. Ellen White resumiu a situação de forma bastante sucinta quando escreveu com muita simplicidade: “Nossa religião seria mudada.”[64]

Como? Alguns de nossos “princípios de verdade”, escreveu ela, “seriam descartados […]. Princípios fundamentais […] seriam considerados errados.”[65] Outras crenças seriam menosprezadas, menos enfatizadas e “consideradas levianamente”, para usar sua expressão.[66] Observemos vários exemplos específicos:

1. Características gerais da teologia Alfa: Ellen White falou das verdades proposicionais do Alfa variadamente como “um sistema de filosofia intelectual”,[67] “teorias espiritualistas”,[68] “falácias insidiosas”,[69] “falsa ciência”,[70] “filosofia capciosa”,[71] e “interpretações fantasiosas e espiritualistas das Escrituras, interpretações que minam os fundamentos de nossa fé”.[72] Estas eram “doutrinas que negam a experiência passada do povo de Deus”.[73]

2. “Reforma doutrinária” proposta: (a) Sábado e criacionismo: as doutrinas do sábado e do criacionismo não seriam descartadas; em vez disso, elas seriam simplesmente menos enfatizadas, “considerados levianamente”,[74] relegadas a um papel menor na hierarquia de importância dos ensinamentos doutrinários.

(b) Escatologia: Ellen White sempre deu ao estudo dos eventos dos últimos dias uma prioridade muito alta para os cristãos que vivem no fim dos tempos; os líderes do Alfa, entretanto, “ensinam que as cenas que estão diante de nós não são de importância suficiente para merecerem atenção especial”.[75]

(c) Inspiração/revelação: os líderes do Alfa desprezaram totalmente, na pior das hipóteses, e condenaram com fraco louvor, na melhor das hipóteses, a contribuição do dom de profecia na igreja remanescente por meio de Ellen White. Em essência, “eles tornam sem efeito a verdade de origem celestial e roubam do povo de Deus sua experiência passada, dando-lhes, em vez disso, uma falsa ciência”.[76]

(d) Doutrinas fundamentais do adventismo: em suma, os líderes do Alfa fariam avançar “teorias e sofismas que minam os pilares fundamentais da fé”.[77] Esta acusação será examinada mais detalhadamente.

3. Ênfase na ética humanista: uma faceta importante do Alpha era sua confiança em um sistema de ética humanista divorciado do poder de Deus: “Os líderes ensinavam que a virtude é melhor que o vício, mas Deus sendo removido, eles colocam sua dependência no poder humano, que, sem Deus, vale menos.”[78]

Em outro lugar, Ellen White escreveu sobre “promessas e resoluções” feitas na vida cristã que eram como “cordas de areia”.[79] Alguns, que afirmam que somente a fé os salvará, apesar de sua indiferença às reivindicações de Deus, estão “confiando em uma corda de areia, pois a fé é fortalecida e aperfeiçoada somente pelas obras”.[80] Para o cristão que não compreende a “verdadeira força da vontade”, suas promessas são como “cordas de areia”.[81] E qualquer sistema de ética divorciado de Deus e de Seu poder é igualmente impotente.

4. Natureza falsa: as ideias e doutrinas do Alfa não eram todas erradas; havia uma insidiosa mistura de verdade com erro, tornando tudo ainda mais perigoso e enganoso. O Templo Vivo continha “sentimentos especiosos”, mas também “sentimentos que são inteiramente verdadeiros, mas estes estão misturados com erros. As Escrituras são retiradas de sua conexão e são usadas para sustentar teorias errôneas”.[82] “As Escrituras são introduzidas de tal maneira que o erro é feito parecer verdade.”[83]

Ellen White empregou a analogia de trilhos de trem paralelos e uma ilusão de ótica criada pela perspectiva: que, portanto, não são rápidos em discernir a diferença entre verdade e erro.[84]

AS VISÕES DA “PLATAFORMA”

Em uma de suas primeiras visões, Ellen White viu uma “plataforma” sobre a qual um grupo de cristãos estava, “uma plataforma sólida e inamovível”.[85] Houve três etapas que levaram a essa plataforma. Deus estava guiando o povo, passo a passo, até que eles encontraram o caminho para o topo da plataforma. Ela notou vários grupos diferentes entre os cristãos: (1) aqueles que, ao ver a plataforma e examinar os pilares da fundação, imediatamente pisaram nela com alegria; (2) aqueles que subiam e vasculhavam os pilares da fundação, queixando-se de inadequação; “Eles desejavam melhorias feitas, e então a plataforma seria mais perfeita, e as pessoas muito mais felizes”; (3) outros, que subiram na plataforma e depois desceram para examinar a fundação, declarando que estava tudo errado.

A maioria dos que subiram na plataforma ficou lá, e exortou aqueles que saíram a cessar as reclamações porque Deus era o Mestre Construtor, e eles estavam de fato lutando contra Ele. Alguns desses descontentes atenderam às palavras de admoestação e voltaram ao seu antigo lugar no topo.

Com relação aos três degraus que levavam à plataforma, um anjo disse a Ellen White: “Ai daquele que mover um bloco ou agitar um alfinete dessas mensagens.”[86] O simbolismo dessa e das visões relacionadas é claro: a “plataforma exaltada” na qual devemos estar é “a verdade como é em Jesus”.[87] Os três passos que conduzem a ela são as três mensagens angélicas de Apocalipse 14.[88] Os pilares de sustentação são as doutrinas fundamentais da Igreja Adventista do Sétimo Dia.[89]

Nessa visão, Ellen White viu o Dr. John Harvey Kellogg orientando vários homens a soltar essa e aquela madeira entre os pilares da fundação. Uma voz do céu declarou, no entanto: “Esse fundamento foi construído pelo Mestre dos Trabalhadores, e resistirá à tempestade.”[90] Foi-lhe mostrado que “é o esforço constante do inimigo remover essas verdades de seu lugar e colocar ali teorias espúrias”.[91]

Ellen White, além disso, não nos deixou em dúvida quanto ao que constitui os pilares fundamentais da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Ela os identificou especificamente como (1) a doutrina do santuário celestial, com suas questões corolárias de expiação, purificação, etc.; (2) as três mensagens angélicas de Apocalipse 14, que trazem à tona as questões de julgamento, adoração, criacionismo, a queda da Babilônia espiritual e a controvérsia final entre o selo de Deus e a marca da besta; (3) o sábado na estrutura da lei de Deus; e (4) a não imortalidade da alma.[92]

No contexto da heresia Alfa, Ellen White mencionou que “especialmente” desafiadas nos primeiros cinquenta anos de nossa história denominacional foram as questões do “ministério de Cristo no santuário celestial” e as mensagens dos três anjos.

Com respeito à doutrina do santuário celestial, Ellen White escreveu em 1905, no contexto de uma “plataforma” de verdade na qual devemos nos firmar, que no futuro “o inimigo introduzirá teorias falsas, como a doutrina de que não há santuário. Esse é um dos pontos em que haverá um afastamento da fé”.[94]

Dois anos depois, ela destacou, em uma discussão sobre as várias heresias do último meio século: “Ao serem apresentados os grandes pilares de nossa fé, o Espírito Santo deu testemunho deles, e especialmente em relação às verdades da questão do santuário. Repetidas vezes o Espírito Santo endossou de maneira marcante a pregação dessa doutrina. Mas hoje, como no passado, alguns serão levados a formar novas teorias e negar as verdades sobre as quais o Espírito de Deus colocou Sua aprovação.”[95]

E O ÔMEGA?

O que é o Ômega? Quando surgirá? Ellen White não nos contou. Ela disse, na verdade, que se você conhece o Alfa, você reconhecerá o Ômega quando o vir.

Especulou-se que o Ômega foi o roubo legal do Sanatório de Battle Creek pelo Dr. John Harvey Kellogg.[96] Outros sugeriram que são visões antirreforma da saúde, ou mesmo acupuntura! Com base na evidência do Alfa, muito provavelmente o Ômega envolverá o repúdio de Ellen G. White como uma autêntica, legítima e inspirada profetisa do Senhor, cuja mensagem tem autoridade para os cristãos adventistas do sétimo dia de hoje.

No quadro do Alfa, sua instrução à igreja de oitenta anos [em 1980] atrás parece pertinente para nós ao contemplarmos o Ômega:

1. Esteja alerta! “Todo mundo agora deve ficar em guarda.”[97]

2. Reconhecer a motivação do inimigo. “Bajulação, subornos, incentivos, promessas de maravilhosa exaltação serão empregados com mais assiduidade.”[98]

3. Tome uma posição ativa contra o erro. “Não consenti mais em ouvir sem protesto a perversão da verdade. Desmascarei os sofismas pretensiosos.”[99]

4. Preserve firmemente os pilares da fé. “Os marcos que nos fizeram o que somos devem ser preservados, e eles serão preservados, como Deus indicou por meio de Sua Palavra e do testemunho de Seu Espírito.”[100]

5. Não tenha medo; não se esqueça! É-nos assegurado que “não temos nada a temer pelo futuro, a não ser que nos esqueçamos do caminho pelo qual o Senhor nos conduziu e de Seus ensinamentos em nossa história passada”.

As seguintes promessas devem ser especialmente reconfortantes para aqueles que se preocupam com a direção da igreja – aqueles que “suspiram e […] clamam por todas as abominações que se cometem no meio dela”,[102] “ministros do Senhor” que “choram entre o pórtico e o altar”:[103]

“O Senhor colocará nova e vital força em Sua obra à medida que os instrumentos humanos obedecerem à ordem de sair e proclamar a verdade de Deus.” [104]

“Deus nunca deixa o mundo sem homens que possam discernir entre o bem e o mal, a justiça e a injustiça. Ele tem homens que designou para estarem na vanguarda da batalha em tempos de emergência.”[105]

“Satanás estabeleceu todas as medidas possíveis para que nada venha entre nós como um povo para nos repreender, e nos exortar a deixar de lado nossos erros. Mas há um povo que levará a arca de Deus. Alguns sairão do meio nós, que não levarão mais a arca. Mas esses não podem fazer muros para obstruir a verdade, pois ela irá para a frente e para cima até o fim. No passado, Deus suscitou homens, e Ele ainda tem homens de prontidão esperando, preparados para cumprir Suas ordens, homens que passarão por restrições que são apenas como paredes rebocadas com argamassa não temperada. Quando Deus colocar Seu Espírito sobre os homens, eles trabalharão. Eles proclamarão a palavra do Senhor, levantarão a voz como uma trombeta. A verdade não será diminuída nem perderá seu poder em suas mãos. Eles mostrarão ao povo suas transgressões, e à casa de Jacó seus pecados.”[106]

“Aqueles que permanecem em defesa da honra de Deus e mantêm a pureza da verdade a qualquer custo terão múltiplas provações, como o fez nosso Salvador no deserto da tentação. Mas se calarem quando sua influência for necessária para defender o direito contra qualquer pressão, podem evitar muitas mágoas e escapar de muitas perplexidades, perderão também uma recompensa muito rica, senão a própria alma. Aqueles que estão em harmonia com Deus e que pela fé nEle recebem forças para resistir ao mal e permanecer em defesa do certo, sempre terão graves conflitos e frequentemente terão que ficar quase sozinhos. Mas vitórias preciosas serão suas enquanto fizerem de Deus sua dependência, sua força. Sua sensibilidade moral será aguda e clara, e suas faculdades morais serão capazes de resistir a influências erradas. Sua integridade, como a de Moisés, será do mais puro caráter.”[107]

Nossa tarefa, muito simplesmente, então, é esta: “Quando a religião de Cristo é mais desprezada, quando Sua lei é mais desprezada, então nosso zelo deve ser o mais caloroso e nossa coragem e firmeza mais inabaláveis. […] Quando a maioria nos abandona, para lutar as batalhas do Senhor, quando os campeões são poucos, este será o nosso teste.”[108]

Disse Josafá no passado: “Ouvi-me, ó Judá, e vós, moradores de Jerusalém: Crede no Senhor vosso Deus, e assim sereis estabelecidos; crede em Seus profetas, e prosperareis.”[109] Como é reconfortante saber que “todos os que creem que o Senhor falou através da irmã White, e lhe deu uma mensagem, estarão a salvo das muitas ilusões que virão nestes últimos dias”![110] “Vem, Senhor Jesus!”[111]

(Roger W. Coon, Ph.D., foi pastor da Igreja Adventista do Sétimo Dia de Takoma Park, Maryland; revista Ministry, abril de 1980)

Note: The standard abbreviations have been used for Ellen White reference works.

1 2 Thess. 2:32 Eph. 6:12, margin; 3 2 Thess. 2:3; 4 Dan. 7:255 Rev. 2:46 Chap. 3:15, 16; 7 EW 50; 8 GC 608, 5T 81, 463, 6T 400, Ev 360, 361; 9 TM 112, ISM 193-208; 10 6T 401; 11 GC 608, 2SM 368; 12 EW 270; 13 ISM 48, 2SM 78; 14 GC 608; 15 2SM 368, Ev 361; 16 TM 411; 17 8T 41; 18 5T 81; 19 GC 608; 20 PK 188; 21 5T 80; 22 ISM 197, 200, 203; 23 The historical backgrounds of the “Alpha” are ably presented by a leading opponent of the breakaway movement, the then president of the General Conference, Arthur G. Daniells (The Abiding Gift of Prophecy, chapter 30) and a contemporary denominational administrator, L. H. Christian (The Fruitage of Spiritual Gifts, chapter 20). The precipitating, climactic crisis in 1903 is discussed by Ellen G. White herself in Selected Messages, book 1, pp. 193-208; 24 ISM 200; 25 Ibid., p. 197; 26 Ibid.; 27 Ibid., p. 200; 28 Ibid., p. 203; 29 Ibid., p. 197; 30 Ibid., p. 203; 31 Ibid., p. 199; 32 Ibid.; 33 Num. 16:234 Daniells, op. cit., p. 336; 35 ISM 204; 36 Ibid., p. 195; 37 Ibid., p. 201; 38 Ibid., p. 197; 39 GW 13-15; 40 8T 180; 41 Ibid., p. 188; 42 Letter 232, Nov. 10, 1899, cited in RH 11-12-70; 43 John Harvey Kellogg, M.D., pp. 175, 180; 44 8T 190, 191; 45 Letter 3, Jan. 1, 1900, cited in RH
11-26-70; 46 Letter 4, March 12, 1900, cited in RH 11-19-70; 47 8T 188; 48 ISM 205; 49 Daniells, op. cit., pp. 336, 337. See also Arthur L. White, “The Kellogg Story,” Testimony Countdown I;  501SM 207; 51 Ibid., pp. 205, 206; 52 Ibid., p. 205; 53 Ibid., p. 204; 54 For reasons why the SDA movement finally chose to organize, and for a brief sketch of Ellen White’s historic vision on the subject (cf. Manuscript 11, 1850), see T. Housel Jemison, A Prophet Among You, pp. 215, 216; 55 8T 187; 56 ISM 204; 57 Daniells, op. cit., pp. 332-336; 58 ISM 200; 59 Letter 211, 1903, cited in Daniells, op. cit., p. 337; 60 Arthur L. White, “Strategy of Division,” RH 11-19-70; 61 ISM 204, 205; 62 8T 185; 63 Christian, op. cit., p. 283; 64 ISM 204; 65 Ibid.;66 Ibid., p. 205; 67 Ibid., p. 204; 68 Ibid.; 69 Ibid., p. 195; 70Ibid., p. 204; 71 Ibid., p. 198; 72 Ibid., p. 196; 73 Ibid., p. 204; 74 Ibid., p. 205; 75 Ibid., p. 204; 76 Ibid.; 77 Ibid., p. 197; 78 Ibid., p,205; 79 SC 47; 80 SR 289; 815T 513; 82 ISM 199; 83 Ibid., p. 202; 84 Ibid.; 85 EW 259; 86 Ibid., pp. 258, 259; 87OT 2SM 29, 5T 593; 88 EW 258; 89 ISM 201, 204; 90 Ibid., p. 204; 91 Ibid., p. 201; 92 CW 30, 31; 93 ISM 208; 94 RH 5-25-05, cited in Ev 224; 95 Manuscript 125, 1907, cited in Ev 224; 96 Christian, op. cit., p. 292; 97 ISM 196; 98 Ibid., p. 194; 99 Ibid., p. 196; 100 Ibid., p. 208; 101 LS 196; 102 Eze. 9:4103 Joel 2:17104 ISM 201; 105 GW 263; 106 TM 411; 107 3T 302, 303; 108 5T 136; 109 2 Chron. 20:20110 Letter 50, 1906; 111 Rev. 22:20.

127 anos da primeira igreja adventista organizada no Brasil

Gaspar-Alto

Hoje comemoramos 127 anos da primeira congregação da Igreja Adventista do Sétimo Dia estabelecida no Brasil, em 15 de junho de 1895, em Gaspar Alto, SC. Quando estudamos a história do surgimento da IASD em nosso país e a vida dos pioneiros, vemos que eles enfrentaram tantas dificuldades e mesmo perseguições; praticamente não tinham recursos, mas foram gigantes espirituais porque amaram Jesus e a verdade mais do que tudo, dedicando a vida em prol da pregação do evangelho, sendo fiéis a Deus. O legado e o exemplo que esses heróis da fé nos deixaram devem nos motivar – fixando o olhar da fé em Jesus – a amar e abraçar diariamente a verdade, vivendo e proclamando o evangelho a todo o mundo, a fim de concluirmos a missão e Jesus voltar para nos buscar.

Maranata: o Senhor logo vem!

(Fábio Mendonça)

expedição

Bandeira do Vaticano na Conferência Geral?

Talvez por falta de notícias sobre pandemia, vacinas, e outros assuntos de sua preferência recente, a patrulha do zelo crítico tenha achado que seria uma nova e boa ocasião de mostrar as garras.

bandeira

Achei muito interessante ter sido levantada polêmica por ter aparecido uma bandeira do Vaticano no desfile de países que aconteceu no último dia da 61ª Sessão da Conferência Geral. Na verdade, trata-se de uma prática que já existe há muito, de fazer desfilar bandeiras dos países e regiões em que a IASD tem presença formal, que são quase todos no mundo, e também daqueles países e territórios onde não há presença adventista. A bandeira do Vaticano surgiu juntamente com várias outras, representando uma nação soberana reconhecida pelas Nações Unidas.

Disseram alguns que isso representa uma “submissão e reconhecimento do poder do anticristo nas fileiras do povo de Deus”, indicando, como não poderia deixar de ser, a “apostasia reinante na IASD”.

Assim sendo, e uma vez que também ali apareceu a bandeira da Coreia do Norte, a pior ditadura comunista do mundo atual, talvez isso indique uma “submissão e reconhecimento do poder da besta do abismo nas fileiras do povo de Deus”.

Mais ainda: uma vez que também ali apareceram bandeiras de diversos países islâmicos, alguns dos quais não permitem a presença organizada da IASD, talvez isso indique uma “submissão e reconhecimento do poder dos gafanhotos da quinta trombeta, ou dos 200 milhões de cavaleiros da sexta, em Apocalipse 9, nas fileiras do povo de Deus”.

Voltando ao início: o interesse que tive foi pelo fato de, até agora, nada disso ter sido questionado; talvez por falta de notícias sobre pandemia, vacinas, e outros assuntos de sua preferência recente, a patrulha do zelo crítico ter achado que seria uma nova e boa ocasião de mostrar as garras.

Ok, já mostraram; agora, enquanto dedicados missionários fazem um esforço muito grande para alcançar as pessoas desses tais países, já podem voltar para a habitual procura de um novo motivo de julgamento sumário.

(Filipe Reis, de Portugal)

IASD reafirma confiança na Revelação divina

Durante as reuniões da Conferência Geral, que estão sendo realizadas nesta semana nos Estados Unidos, representantes da Igreja Adventista do Sétimo dia de todo o mundo votaram duas resoluções que reafirmam a confiança da igreja na revelação divina:

RESOLUÇÃO SOBRE A BÍBLIA SAGRADA

Como delegados da Sessão da Conferência Geral de 2022 em St Louis, Missouri, expressamos nossa convicção de que a Bíblia é a Palavra de Deus inspirada e revelada. Através das Sagradas Escrituras, Deus revelou a Si mesmo e Sua vontade à humanidade. A Bíblia toda é inspirada e deve ser entendida como um todo para se chegar a conclusões corretas quanto à verdade sobre qualquer assunto revelado. A Bíblia é confiável no que afirma. Seu registo da criação em seis dias literais, a queda dos seres humanos, um dilúvio global para destruir a maldade e preservar um remanescente, a vida terrena, morte e ressurreição de Cristo, bem como as numerosas intervenções de Deus na história para a salvação dos seres humanos são relatos confiáveis dos atos de Deus na história (Lucas 24:27; Hebreus 1:1, 2; 2 Pedro 1:21). Profeticamente, o cumprimento de eventos preditos de acordo com períodos de tempo proféticos estabelece a confiança na Bíblia como um testemunho único da verdade divina, diferentemente de qualquer outro livro religioso (Isaías 46:9, 10; Daniel 2, 7, 8; Lucas 24:44; 2 Pedro 1:19, 20).

Acreditamos que a Bíblia é a Palavra profética de Deus e por meio dos profetas do Antigo Testamento, os apóstolos do Novo Testamento, e principalmente por meio de Seu Filho, Jesus Cristo, Deus revelou como Ele agirá para a salvação dos seres humanos e executar julgamento sobre a maldade.

Comprometemo-nos a, em espírito de oração, estudar e seguir a Bíblia, a Palavra viva e eficaz de Deus. É proveitosa para doutrina, repreensão, correção e instrução em justiça. Permanece para sempre como um testemunho da vontade de Deus, Sua lei, Seus pensamentos e Seus propósitos para os seres humanos e para o nosso mundo, e contém os tesouros da eterna sabedoria e graça (Isaías 40:8; 1 Tessalonicenses 2:13; 2 Timóteo 3:16, 17). Seus princípios e ensinamentos são aplicáveis em todos os tempos, todos os lugares, todos os idiomas e todas as culturas para todas as pessoas. Fala de forma confiável e relevante hoje como no passado, e continuará a falar enquanto o tempo durar.

Também acreditamos que a Bíblia nos leva a um relacionamento vivo com Deus por meio de Jesus Cristo. E pelo Espírito Santo a Bíblia fala diretamente a cada pessoa para revelar o plano de salvação e restaurar os crentes à imagem de Deus. Assim, a Bíblia permanece como a norma para toda experiência religiosa na medida em que revela e ensina a verdade e explica como seus efeitos se manifestam no intelecto, sentimentos e afeições (Hebreus 4:12; Gálatas 5:22, 23).

Expressamos nossa profunda gratidão ao Senhor porque nas Escrituras encontramos esperança para viver em meio aos desafios do mundo. A Bíblia fala do plano de Deus para conceder imortalidade ao Seu povo na segunda vinda de Cristo e, finalmente, após o milênio no céu, para acabar com o pecado e os pecadores para sempre e estabelecer a justiça na nova Terra (Salmo 119:105; Romanos 15:4; Hebreus 4:12; Tiago 1:18).

DECLARAÇÃO DE CONFIANÇA NOS ESCRITOS DE ELLEN G. WHITE

Como delegados da Sessão da Conferência Geral de 2022 em St Louis, Missouri, expressamos nossa profunda gratidão pela orientação profética de Deus na Igreja Adventista do Sétimo Dia. Com o objetivo de viver “de toda palavra que procede da boca de Deus” (Mateus 4:4 NKJV; cf. Lucas 10:16), levamos a sério as passagens bíblicas que ensinam a natureza permanente do dom de profecia (Romanos 12:6; 1 Coríntios 12:10, 28; Efésios 4:11-14) e prometem sua manifestação no fim dos tempos (Joel 2:28-31; Apocalipse 12:17; 19:10; 22:9). Reconhecemos o dom de profecia na vida e ministério de Ellen G. White (1827-1915).

Acreditamos que os escritos de Ellen G. White foram inspirados pelo Espírito Santo e são centrados em Cristo e fundamentados na Bíblia. Em vez de substituir as Escrituras, eles exaltam seu caráter normativo, protegem a Igreja de “todo vento de doutrina” (Efésios 4:14) e oferecem um guia inspirado para passagens bíblicas sem esgotar seu significado ou impedir um estudo mais aprofundado. Também nos ajudam a superar a tendência humana de aceitar na Bíblia o que gostamos e distorcer ou desconsiderar o que não gostamos.

Comprometemo-nos a estudar em espírito de oração os escritos de Ellen G. White com o coração disposto a seguir os conselhos e as instruções neles encontrados. Seja individualmente, em família, em pequenos grupos, na sala de aula ou na igreja, acreditamos que o estudo de seus escritos nos aproxima de Deus e de Sua Palavra infalível – as Escrituras –, proporcionando-nos uma experiência transformadora e edificante na fé.

Regozijamo-nos no Senhor pelo que já foi realizado na circulação global e local dos escritos de Ellen G. White em formatos impressos e eletrónicos, incluindo egwwritings.org e aplicativos relacionados. Incentivamos o desenvolvimento contínuo de estratégias mundiais e locais para promover a circulação e o estudo de seus escritos no maior número possível de idiomas. O estudo desses escritos é um meio poderoso para fortalecer e preparar o povo de Deus para enfrentar os desafios destes últimos dias à medida que nos aproximamos do breve retorno de Cristo.

Vamos resgatar a música congregacional adventista!

Razões pelas quais a música congregacional adventista e evangélica empobreceu nos últimos 20 anos:

canto

1. A introdução do modelo Hillsong de adoração. Solista/líder de louvor com um grupo ou coral fazendo back vocal. Banda e orquestra em alguns casos ou playback.

2. O advento do PowerPoint e o abandono dos hinários.

3. Equipamentos de som amplificando em níveis sonoros altíssimos acima de 96 dbs.

4. Melodias sem preocupação com tonalidades. Essas canções foram feitas para os solistas sem levar em conta a região/extensão ideal para a congregação.

5. Complexidade rítmica e melódica.

6. Harmonias pobres para facilitar grooves rítmicos tocados por instrumentistas iniciantes.

7. Melodias e letras repetitivas.

8. Consequência: instrumentos que exigem estudo e dedicação perderam alunos. Hoje até os colégios procuram pianistas.

Corais, por exigir ensaio e dar pouca visibilidade na era da imagem, são percebidos como muito trabalho para pouco resultado. Pra que ensaiar 10 horas para 5 minutos de música quando aprendo ou invento uma voz na equipe de louvor? Ensaio no dia anterior e apareço bem bonito na transmissão.

Estamos vivendo uma nova era com o novo Hinário… Sugestão: compre hinários para colocar nos bancos e desative o PowerPoint. Use-os para anunciar o número.

As crianças que estão aprendendo a ler vão acompanhar as letrinhas.

Aqueles que seguem bolinhas vão se desenvolver na leitura musical.

Use um regente para liderar e controle o som para a igreja se ouvir. Quando o membro percebe que sua voz faz diferença ele canta com mais vontade. Divida as estrofes para homens, mulheres e crianças. Em pouco tempo sua igreja deixará de ser passiva com pessoas em pé olhando para o PowerPoint e ouvindo o vocal geralmente desafinado e desencontrado, e passará a louvar com alegria.

Não concorda comigo? Assista aos cultos online de 90% das igrejas… É vergonhosa a qualidade musical de tudo – dos instrumentistas, cantores e técnicos de som. Você pode fazer a diferença! E coloque seu filho para estudar e não o deixe desistir.

(Flávio Santos; Facebook)

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