Quando a oposição vem de dentro

Não se deixe abater quando se assustar com algumas coisas que vamos testemunhando.

Desde há algumas décadas, tem-se fortalecido dentro da Igreja Adventista uma visão contrária àquela que poderemos chamar de tradicional e histórica. Seguindo a inquestionável tendência da sociedade rumo ao liberalismo e progressismo, com forte reflexo nos costumes e estilo de vida, a Igreja (conceito lato) não conseguiu ficar imune nem estanque; copiando, em nível comportamental, algumas dessas caraterísticas, transportou-as para a nossa religião, revestiu-as de uma capa bíblica e, por fim, tentou normalizá-las e padronizá-las como não apenas aceitáveis, mas também desejáveis. Esta mesma semana, assistimos a mais uma triste evidência de que essa tendência é mais forte do que muitos pensariam.

Resumidamente, tivemos destacados líderes da Igreja em nível mundial que, de forma educada e respeitosa, mas não menos firme e determinada, produziram algumas declarações que não são mais do que a reafirmação daquilo que nós somos e acreditamos, entre as quais:

a) A Palavra de Deus tem autoridade.

b) O Espírito de Profecia manifestado em Ellen White é totalmente confiável e deve ser crido em sua totalidade.

c) Vivemos tempos urgentes, na iminência da segunda vinda de Jesus.

d) As filosofias humanistas não se sobrepõem à inspiração divina.

e) A Igreja Adventista deve se manter afastada do ecumenismo.

f) O congregacionalismo não deve prevalecer sobre a Igreja remanescente mundial.

g) Evolução e evolução teísta estão em oposição ao relato bíblico literal da criação.

h) Práticas homossexuais, transgenerismo e estilo de vida LGBT+ estão em desacordo com o plano de Deus para a sexualidade humana.

Isso deveria ter agradado e confirmado nos irmãos a certeza de que há uma identidade histórica, doutrinária, até missiológica na qual estamos firmes e convencidos em seguir, representando aquilo que é o nosso claro e indiscutível entendimento bíblico.

É verdade que muitos, tal como seria de esperar, se manifestaram favoravelmente quanto a essas posições. Alegremente, percebemos que, ao contrário do que apregoam os críticos profissionais da Igreja Adventista, existe, sim, um rumo, uma trajetória definida, e também uma barreira delimitadora entre o certo e o errado, entre o que cremos e o que rejeitamos, e que não temos medo nem vergonha de o declarar.

Contudo, tivemos também alguns, que se chamam de adventistas, que não esperaram muito para dizer que aquelas declarações foram uma “retórica inflamada” que “deixou muitos em fúria”, uma arrogante atitude de “nós estamos certos e vocês todos errados”, o que configura uma “abominação que deve terminar”.

Na mesma linha, e referindo-se ao incentivo dos líderes para que cada membro foque a sua ação na proclamação das mensagens dos três anjos, um obreiro da igreja fez uma lista daquilo que, ele entende, devem ser as prioridades atuais do movimento adventista, entre as quais: “Injustiça, preconceito, racismo, homofobia, misoginia, ódio e abuso.” Por um momento, pensei tratar-se de um ativista qualquer de causas fraturantes que atualmente se identificam como os novos “messias” que pretendem salvar a sociedade da sua História judaico-cristã; mas não, era mesmo um professor de uma escola adventista.

Não menos relevante, e quando surgem renovadas intenções para um projeto de distribuir mundialmente um bilhão de cópias de O Grande Conflito nos próximos tempos, surge o comentário de outro obreiro, este aposentado, que classifica essa obra de Ellen White como mera “tradição adventista do século 19”, em que o objetivo de a espalhar como folhas de outono resulta de “analfabetismo escatológico”.

Já sabíamos que o adventismo está há muito sob ataque; agora, temos a certeza de que não é só de fora.

Quando nos apercebemos de dificuldades internas, alguns têm a tendência de desanimar, fraquejar, duvidar e até desistir. Não aguentam perceber que, tal como no passado, infelizmente a casa de Israel vai tendo aqueles que preferem erguer bezerros de ouro ou adorar Baal, enquanto isso apenas deveria renovar e reforçar nossos esforços de lealdade e fidelidade para com Deus, Sua causa e Sua Igreja. Então, o que fazer?

Deixemos que seja a pena inspirada a responder:

“A maior necessidade do mundo é a de homens – homens que se não comprem nem se vendam; homens que no íntimo da alma sejam verdadeiros e honestos; homens que não temam chamar o pecado pelo seu nome exato; homens, cuja consciência seja tão fiel ao dever como a bússola o é ao polo; homens que permaneçam firmes pelo que é reto, ainda que caiam os céus” (Educação, p. 57).

“Quando a religião de Cristo for mais desprezada, quando Sua lei mais desprezada for, então deve nosso zelo ser mais ardoroso e nosso ânimo e firmeza mais inabaláveis. Permanecer em defesa da verdade e justiça quando a maioria nos abandona, ferir as batalhas do Senhor quando são poucos os campeões – essa será nossa prova. Naquele tempo devemos tirar calor da frieza dos outros, coragem de sua covardia, e lealdade de sua traição” (Testemunhos Seletos, v. 2, p. 31).

Em todo o tempo, temos os Moisés, que podem até partir as tábuas, mas não se curvam diante do bezerro; temos os Josués e Calebes, que não se acovardam diante do medo dos outros; temos os Neemias, que estão demasiado ocupados na obra para perder tempo com os insidiosos opositores; temos os quatro homens em Babilônia, que preferem enfrentar as ameaças de morte a ceder no princípio; temos os Jeremias, que até podem ser espancados e lançados num poço, mas preferem continuar servindo a Deus; e temos tantos outros, desde antigamente até aos dias de hoje, cuja dedicação e retidão nos inspiram a ficar ao lado do que é correto, aconteça o que acontecer, quer no mundo, quer na Igreja.

Não se deixe abater quando se assustar com algumas coisas que vamos testemunhando; aliás, se Ezequiel estivesse aqui, ele iria nos lembrar de que, em meio do seu espanto para com as abominações que via no templo, o Senhor o avisou: “Ainda verás coisas piores.” Por isso, renove as suas forças, cresça a sua coragem, confie e espere no Senhor.

“Se vos puserdes a trabalhar como Cristo determina que Seus discípulos o façam, e conquistar almas para Ele, sentireis a necessidade de uma experiência mais profunda e um maior conhecimento das coisas divinas, e tereis fome e sede de justiça. Instareis com Deus, e vossa fé se fortalecerá e vossa alma beberá livremente da fonte da salvação. As oposições e provações que encontrardes vos impelirão para a Bíblia e para a oração. Crescereis na graça e no conhecimento de Cristo e desenvolvereis uma rica experiência” (Aos Pés de Cristo, p. 80).

(Filipe Reis é ancião na Igreja Adventista de Avintes, em Portugal, e diretor do projeto O Tempo Final)

História da IASD no Planalto Central

A doutrina na Igreja Apostólica e na Igreja Adventista

Assim como a Igreja Apostólica, a Igreja Adventista do Sétimo Dia valoriza as doutrinas, e elas são o fundamento de sua fé e prática.

Atos 2:42-47 apresenta um quadro impressionante e vívido da igreja apostólica; um raio x da primeira igreja: “E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações. Em cada alma havia temor; e muitos prodígios e sinais eram feitos por meio dos apóstolos. Todos os que criam estavam juntos e tinham tudo em comum. Vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade. Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso, o Senhor lhes acrescentava, dia a dia, os que iam sendo salvos.”

Uma leitura atenta revela pelo menos 14 aspectos distintivos ou marcas dessa comunidade. Chamo sua atenção para o primeiro desses aspectos: doutrina (verso 42). A palavra original é didache, e se refere ao ensino. Esse vocábulo aponta para o fervor e a dedicação dos primeiros convertidos ao cristianismo em relação à Palavra. Eles se voltavam para os apóstolos constantemente a fim de receberem instrução sobre o evangelho de Cristo, pois Jesus havia nomeado Seus seguidores imediatos para que fossem professores desses aprendizes (ver Mateus 28:20).

Por que era importante perseverar na doutrina? A igreja apostólica praticava uma evangelização poderosa e eficaz; como resultado, muitas pessoas se juntavam à nova comunidade e isso levava a mudanças práticas, pois, embora as pessoas se tornassem propriedade de Jesus, sabiam pouco a respeito Dele! Para isso, os apóstolos não cultivavam pensamentos teológicos e dogmáticos, mas relatavam “todas as coisas que Jesus começou a fazer e a ensinar” (At 1:1); os discípulos narravam o que haviam vivenciado com Jesus e transmitiam o que aprenderam com Ele: ensinos, discursos, parábolas e milagres. E os ouvintes assimilavam tudo.

Assim como a Igreja Apostólica, a Igreja Adventista do Sétimo Dia (IASD) valoriza as doutrinas, e elas são o fundamento de sua fé e prática. A IASD formula suas doutrinas a partir de sólido estudo da Bíblia, e faz isso mediante longas pesquisas, trabalhando em comissões e contando com eruditos de todas as áreas da teologia. Por isso, precisamos prestar atenção quando uma pessoa se levanta em atitude crítica diante das doutrinas da IASD, que foram sistematizadas e aprovadas por diversas comissões. Não estou querendo dizer que, necessariamente, uma comissão esteja certa e, necessariamente, uma pessoa esteja equivocada. Mas estou sugerindo que é muito provável que uma comissão tenha mais acertos que uma única pessoa.

E por falar em comissões, o livro Nisto Cremos foi aprovado por uma comissão, assim como o Tratado de Teologia Adventista do Sétimo Dia. Por outro lado, o Biblical Research Institute Committee (Bricom) é uma comissão que analisa publicações oficiais do Instituto de Pesquisas Bíblicas ou da Igreja Adventista mundial, e é um órgão oficial da Associação Geral da IASD.

Tudo isso mostra que a IASD leva a sério as doutrinas, a exemplo da Igreja Apostólica. Afinal, as doutrinas são a base de uma vida correta e de ensinamentos corretos. E nunca é demais afirmar que a igreja cristã deve ser conhecida pela correção de sua prática e pela retidão de suas crenças.

(Adolfo Suarez é reitor do Seminário Adventista Latino-Americano de Teologia)

Pr. Ted Wilson faz apelo para que membros vivam de acordo com a Bíblia

“Não perca o foco sobre a razão de sermos adventistas do sétimo dia”, apelou o presidente mundial da Igreja Adventista

Ted

“Aceitem e sigam a verdade apenas de acordo com a Palavra de Deus”, enfatizou em sua mensagem no dia 9 outubro de 2021 aos membros da Comissão Diretiva da Associação Geral. “Meus queridos líderes e membros da Igreja, mantenham seu foco na Bíblia. Não permitam que vozes estranhas confundam o que acreditamos.”

Os comentários de Wilson foram parte de seu discurso pastoral no Concílio Anual de 2021 da denominação em Silver Spring, Maryland, Estados Unidos. Devido às restrições contínuas e considerações orçamentárias, a maioria dos membros e convidados estão acompanhando o evento, realizado de 7 a 13 de outubro, de forma online.

[Continue lendo.]

Ellen White e o conservadorismo

É um erro tentar encaixar sentidos do século 21 em uma palavra que, no século 19, foi utilizada para descrever coisas diferentes das que descreve hoje.

White-Ellen

Alguns textos de Ellen White criticam o “conservadorismo”, porém, hoje a Igreja Adventista do Sétimo Dia se descreve como “uma corporação protestante e conservadora de cristãos evangélicos”.[1] Será que Ellen White teria usado, no século 19, o termo “conservador” no sentido teológico contemporâneo (oposto ao liberalismo/progressismo teológico)? As evidências mostram claramente que não. Os editores do livro Eventos Finais em inglês (Last Day Events) perceberam o potencial de confusão e fizeram este esclarecimento entre colchetes, na seguinte citação:

“O trabalho que a igreja tem deixado de fazer em tempo de paz e prosperidade terá de realizar em terrível crise, sob as circunstâncias mais desanimadoras, proibitivas. As advertências que a conformidade com o mundo tem silenciado ou retido precisam ser dadas sob a mais feroz oposição dos inimigos da fé. E por aquele tempo a classe dos superficiais, conservadores [Ellen White não está aqui distinguindo os conservadores teológicos de suas contrapartes liberais; ela está descrevendo aqueles que colocam a “conformidade mundana” em primeiro lugar e a causa de Deus em segundo], cuja influência tem retardado decididamente o progresso da obra, renunciará à fé.”[2]

Sem dúvida, Ellen White tinha algumas ideias e atitudes consideradas “progressistas” para a época dela. Mas as palavras são curiosas: mudando o tempo e o contexto, elas podem significar exatamente o oposto do que imaginamos hoje. Ellen usou “conservador” para descrever pessoas que seguiam a moda, que eram contrárias às reformas, que não se misturavam com o povo simples, que eram acomodadas com o que todos faziam ao redor, pouco criativas no evangelismo, tinham medo de arriscar, que eram mundanas, pouco zelosas na fé, que rejeitavam novas descobertas bíblicas, etc.

Outro sentido que ela dá à palavra “conservadorismo” é o de “preconceito”. Ela descreve “o antigo e estreito conservadorismo dos judeus”, que tinha “uma tendência a afastá-los de seus preconceitos contra outras nações”.[3] E é nesse mesmo sentido que ela lamenta: “O Espírito de Deus entristece quando o conservadorismo afasta o homem de seus semelhantes, especialmente quando é encontrado entre aqueles que professam ser Seus filhos.”[4]

Roupas e divertimentos “conservadores”

Ellen White chamou de “conservadores” aqueles que eram contra a reforma do vestuário: “O ato de reformar é sempre acompanhado de sacrifício. Requer que o amor ao conforto, o interesse egoísta e a concupiscência da ambição sejam mantidos em sujeição aos princípios do que é correto. Quem quer que tenha a coragem de reformar encontrará obstáculos. O conservadorismo daqueles cujos negócios ou prazer lhes colocam em contato com os defensores da moda e que perderão sua posição social pela mudança, opor-se-á a tal pessoa.”[5]

O curioso é que o “traje americano” foi chamado na época por uma das líderes do movimento, a Dra. Harriet N. Austin, de reforma “verdadeiramente conservadora”.[6] No entanto, sobre essa moda, Ellen White escreveu: “Nunca devemos imitar a Dra. Austin ou a Dra. York. Elas se vestem muito semelhante aos homens.”[7]

Ou seja, Ellen White foi contra uma reforma considerada “conservadora”, que consistia em fazer mulheres usar roupas semelhantes às de homens. Você consegue perceber como a palavra “conservador” tem sentido diferente? Hoje aqueles que discordam dessa questão de mulheres não usarem roupas parecidas com as de homens se consideram conservadores?

Ironicamente, Ellen e Tiago White foram acusados de não serem conservadores, e até citaram a roupa dela como argumento: “Alguns estavam censurando nossa conduta, dizendo que não éramos tão conservadores como devíamos ser; nós não procurávamos agradar as pessoas como podíamos; falávamos muito francamente; reprovávamos muito severamente. Alguns estavam falando sobre o vestido da irmã White, realçando minúcias. Outros estavam expressando insatisfação com a conduta do irmão White, e observações passavam de um para outro, questionando sua conduta e achando defeito.”[8]

Ou seja, os “conservadores”, nesse contexto, eram os que procuravam agradar a todos, os que não reprovavam ninguém severamente. Seria esse o sentido comum hoje? Isso mostra como as palavras podem mudar de sentido com o tempo.

Jovens que têm dificuldade para rejeitar divertimentos mundanos também são descritos como “conservadores”, pois seguem as tendências da maioria: “Se você realmente pertence a Cristo, terá oportunidades de testemunhar por ele. Você será convidado a frequentar lugares de diversão e, então, terá a oportunidade de testificar de seu Senhor. Se você for fiel a Cristo, então, não tentará formar desculpas para o seu não comparecimento, mas declarará clara e modestamente que é um filho de Deus, e seus princípios não permitiriam que você estivesse em um lugar, mesmo uma única vez, onde você não poderia convidar a presença de seu Senhor. Não devemos permitir que o espírito de conservadorismo nos leve a representar mal nosso Senhor.”[9]

E então? O “espírito de conservadorismo” é o espírito de ceder à pressão e seguir a moda, e o medo de se posicionar de maneira firme e pública. Mas, hoje, um jovem adventista que não vê problema em frequentar esses ambientes dificilmente se definiria como “conservador”.

Os mundanos conservadores

Curiosamente, Ellen vincula “conservadores” à “conformidade com o mundo”, à superficialidade, à simpatia com os inimigos da obra, e à apostasia: “As advertências que a conformidade com o mundo tem silenciado ou retido precisam ser dadas sob a mais feroz oposição dos inimigos da fé. E por aquele tempo a classe dos superficiais, conservadores, cuja influência tem retardado decididamente o progresso da obra, renunciará à fé e tomará sua posição com os francos inimigos dela, para os quais havia muito tendiam suas simpatias. Esses apóstatas hão de manifestar então a mais cruel inimizade, fazendo tudo quanto estiver ao seu alcance para oprimir e fazer mal a seus antigos irmãos e incitar indignação contra eles. Esse tempo se acha justamente diante de nós.”[10]

Ela também chama de “conservadores” os professos cristãos, unidos ao mundo, que falam bastante de “piedade e amor”, “se desviam dos velhos marcos”, e “aconselham os fiéis obreiros de Deus a serem menos zelosos e mais conservadores”. Ou seja, o “conservadorismo” aí é seguir o mundo, seguir o fluxo daqueles que desprezam a Palavra de Deus:

“[…] nossa resposta deve ser apelar para a Palavra de Deus. Quando os que se estão unindo com o mundo reclamam união com os que sempre foram opositores da causa da verdade, devemos temer e evitá-los tão decididamente como o fez Neemias. Os que se desviam dos velhos marcos para formar uma conexão com os ímpios não são enviados pelo Céu. Qualquer que possa ter sido sua primitiva posição, seu comportamento presente tende a perturbar a fé do povo de Deus. Esses conselheiros são movidos por Satanás. Eles são servidores de ocasião. Os testemunhos, reprovações e advertências dos servos de Deus não lhes são agradáveis, mas uma censura às suas propensões de amantes dos prazeres mundanos. Deveríamos evitar essa classe tão resolutamente como fez Neemias.”[11]

Nesses contextos, os conservadores são os que negam os velhos marcos, e ficam contra quem “se recusa a aceitar costumes e tradições populares”. Definitivamente, não é esse o sentido comum da palavra “conservador” hoje.

Falando de “pessoas impulsivas”, ela vincula conservadorismo à condescendência: “Existem aqueles que, por atitudes apressadas e insensatas, trairão a causa de Deus, entregando-a ao poder do inimigo. Haverá pessoas que buscarão vingança, que se tornarão apóstatas e trairão a Cristo na pessoa de Seus santos. Todos necessitam de aprender prudência; então, por outro lado, há o perigo de sermos conservadores, de darmos lugar ao inimigo mediante a condescendência.”[12]

Ellen White também dá o sentido de egocentrismo e egoísmo ao conservadorismo. Para não ser conservador nesse sentido, os cristãos “devem estudar as Escrituras com o propósito de viver a vida altruísta de Cristo. O verdadeiro cristão não se tornará egocêntrico ou conservador em seus planos. ‘De sua plenitude todos nós recebemos, e graça sobre graça.’ Como a graça de Deus nos é dada gratuitamente, ela deve ser transmitida a outros”.[13]

Conservadorismo e a diversidade teológica

Ellen White repreendeu um pastor, presidente de Associação, que “revelou que é muito conservador e que suas ideias são em extremo mesquinhas”.[14] O problema dele era desanimar o povo e não incentivar o evangelismo. Também usou “conservadores” para descrever os anglicanos que mantiveram muitos costumes da igreja de Roma.[15]

Ela também chama de “conservadores” os que evitam debates teológicos, desencorajam a investigação e a discussão de novas verdades bíblicas, e não querem crescer no conhecimento doutrinário, apegando-se ao conhecimento que já têm. O adventismo surgiu como um movimento que promovia o livre exame das Escrituras. Desde os dias de Ellen White até hoje, o adventismo nunca foi uma teologia hegemônica, e ainda hoje é considerado seita por alguns cristãos. Porém, Ellen White combateu o panteísmo de Kellogg, uma doutrina inovadora no adventismo. Assim, o tema não é tão simplório.

Nesse contexto, Ellen White usa “conservadorismo” como um problema, e vê perigo nos dois extremos: “Há os que, por meio de medidas apressadas e imprudentes, irão trair a Causa de Deus, deixando-a em poder do inimigo. Haverá homens que procurarão desforrar-se, que se tornarão apóstatas e que trairão a Cristo na pessoa de Seus santos. Todos precisam aprender discrição; então, ao contrário de ser conservador, há o perigo de favorecer o inimigo em concessões.”[16]

Descrevendo as qualidades do líder cristão, Ellen White diz que eles “serão humildes, tementes a Deus, não conservadores nem astuciosos, mas homens de independência moral, que avancem no temor do Senhor”. No contexto, ela diz que esses líderes não “permitem que seu testemunho seja adaptado para agradar mentes não consagradas”, e farão “com que sua voz seja ouvida acima das vozes dos infiéis que apresentam objeções, dúvidas e críticas”; eles declaram “destemidamente toda a verdade”, e proclamam “a verdade em justiça, quer os homens ouçam ou deixem de ouvir”.[17] Novamente, conservadorismo aqui é seguir o fluxo mundano, negociando doutrinas e princípios.

Ellen White contrasta a obra de reforma de saúde do Instituto de Saúde de Battle Creek com o das instituições “conservadoras”. O instituto adventista deveria “aliviar os aflitos, disseminar luz, despertar o espírito de indagação e promover a reforma”, sob “princípios que são diferentes daqueles de qualquer outra instituição de higiene no país”, que ela chama de “princípios da higiene bíblica”.[18] As instituições conservadoras buscavam apenas lucro. Percebe-se que “conservadorismo” aqui não tem nenhuma relação com a Bíblia, e até parece descrever algo que é contrário à Bíblia.

Então, como a IASD pode se considerar teologicamente conservadora?

Por outro lado, Ellen White defendeu a vida inteira o que hoje pode ser chamado de “teologia conservadora” (em oposição à teologia liberal modernista que lança dúvidas sobre a Palavra de Deus). Ela condenou a “alta crítica”[19] e os que negam que a Bíblia é a Palavra de Deus (uma característica central das teologias progressistas).

Por isso, hoje, a IASD se define como “uma corporação protestante e conservadora de cristãos evangélicos”, cuja fé está “embasada na Bíblia e centralizada em Cristo”.[20] George Reid descreve como “conservadora” a posição teológica protestante que mantém a Bíblia como a autorizada Palavra de Deus. O livro A Symposium on Biblical Hermeneutics, publicado pela IASD, afirma que, teologicamente, “denominações inteiras podem estar dentro da estrutura conservadora – como é o caso, por exemplo, dos adventistas do sétimo dia”.[21]

O livro Interpretando as Escrituras expõe a compreensão adventista de alguns temas bíblicos, e argumenta sob uma perspectiva teológica conservadora,[22] rejeitando a visão liberal.[23] Teologicamente, o Oxford Handbooks descreve a IASD como “uma denominação biblicamente conservadora, arminiana, evangélica e protestante”. O historiador Nicholas Miller define a IASD como conservadora, e Roger Coon a define como “denominação protestante […] conservadora e de orientação evangélica”.[24]

Por que adventistas se descrevem como teologicamente conservadores, mesmo diante das palavras de Ellen White? Porque ela usa a palavra num sentido diferente. No sentido técnico, “conservador”, “liberal” e “progressista” são termos usados na literatura teológica porque conseguem descrever razoavelmente algo que temos dificuldade de descrever de outra forma.[25] Teologicamente, esses termos não têm necessariamente a ver com costumes, comportamentos ou opiniões políticas, mas têm a ver, principalmente, com a opinião que se tem a respeito da Bíblia como Palavra de Deus, inspirada e infalível. Por isso, apesar de manterem crenças peculiares, os adventistas são corretamente descritos como teologicamente conservadores.[26]

Conclusão

Portanto, é um erro tentar encaixar sentidos do século 21 em uma palavra que, no século 19, foi utilizada para descrever coisas diferentes das que descreve hoje. Quando lidamos com textos antigos, é preciso levar sempre em conta o sentido das palavras no contexto histórico-cultural original.

Aqui estamos falando de teologia. Conservadorismo ideológico, político ou comportamental não tem necessariamente nenhuma relação com o conservadorismo teológico. A IASD se descreve como “teologicamente conservadora”, pois rejeita as pressuposições da teologia liberal e da alta crítica (ver Métodos de Estudo da Bíblia, 1986), que ainda hoje encontram eco em teologias contemporâneas.

Mas isso não deveria nos definir, pois os rótulos podem mudar de significado, e o importante mesmo é nos esforçarmos para ser “bíblicos”, seja buscando novas verdades ou defendendo as verdades já descobertas.

Transpondo os princípios do século 19 para o século 21: quem não quer ser conservador no sentido em que Ellen White usa o termo precisa continuar promovendo uma reforma do vestuário, evitar lugares e diversões impróprias, abandonar preconceitos que ferem e afastam pessoas e continuar crescendo no conhecimento bíblico. Além disso, deve ter a Bíblia em alta conta, não seguindo os modismos e as teologias hegemônicas que rebaixam o status da Palavra de Deus. É isso que Ellen G. White quer dizer quando menciona o “conservadorismo” no século 19. Concordo com tudo isso. E você?

Referências:

1. Tratado de Teologia, p. 1.

2. Last Day Events, p. 174.

3. The Sending Out of the Seventy, The Signs of the Times, December 10, 1894.

4. Selected Messages, v. 1, p. 160.

5. Testemunhos para a Igreja, v. 4, p. 636.

6. Seventh-day Adventists and the Reform Dress, p. 33.

7. Letter 6, To Brother and Sister Lockwood, September 1864.

8. Testemunhos para a Igreja, v. 3, p. 312.

9. Serviço Cristão, p. 120.

10. Lições da Vida de Neemias, p. 53-54.

11. Cristo Triunfante, p. 363.

12. Review and Herald, 30 maio 1899.

13. Testemunhos para a Igreja, v. 5, p. 370.

14. O Grande Conflito, p. 289.

15. Mensagens Escolhidas, v. 3, p. 397.

16. Liderança Cristã, p. 107.

17. Testimonies for the Church, v. 3, p. 165.

18. “Como nos dias dos apóstolos os homens procuravam destruir a fé nas Escrituras pelas tradições e filosofias, assim hoje, pelos aprazíveis sentimentos da ‘alta crítica’, evolução, espiritismo, teosofia e panteísmo, o inimigo da justiça está procurando levar as almas para caminhos proibidos. Para muitos a Bíblia é uma lâmpada sem óleo, porque voltaram a mente para canais de crenças especulativas que produzem má compreensão e confusão. A obra da ‘alta crítica’, em dissecar, conjeturar, reconstruir está destruindo a fé na Bíblia como uma revelação divina. Está roubando a Palavra de Deus em seu poder de controlar, erguer e inspirar vidas humanas” (Atos dos Apóstolos, p. 245).

19. Tratado de Teologia, p. 1.

20. A Symposium of Biblical Hermeneutics, p. 90.

21. Interpretando as Escrituras, p. 22, 40, 192.

22. Interpretando as Escrituras, p. 50.

23. Gift of Life, p. 9.

24. Hoje, por exemplo, já se fala em “pós-liberalismo” e “pós-conservadorismo”.

25. Existem classificações alternativas. Por ex., Kwabena Donkor classifica a teologia adventista como “biblico-historical realism”. Mas, no geral, o adventismo é considerado teologicamente conservador <https://bit.ly/2CPKhk4>

Como não neutralizar o adventismo

O povo que deve pregar as três mensagens angélicas de Apocalipse 14 tem uma mensagem de esperança diferenciada para este tempo.

knight2

Em seu livro A Visão Apocalíptica e a Neutralização do Adventismo, George Knight expõe sua preocupação com os fatores que podem “castrar” a mensagem adventista e sua relevância no século 21. Knight, que é autor de mais de 70 livros (entre os quais Uma Igreja Mundial Em Busca de Identidade, também publicados pela CPB), diz que A Visão Apocalíptica é o “livro do seu coração”, um recado simples e franco, que procura atingir pontos nevrálgicos e responder à pergunta: “Por que sou adventista?”

Para o autor, o povo que deve pregar as três mensagens angélicas de Apocalipse 14 tem uma mensagem de esperança diferenciada para este tempo. “Temos que pregar que Jesus morreu por nós. Mas é só isso? Um Salvador morto não pode fazer muito por mim. Devemos pregar que Ele ressuscitou. Ok, mas isso ocorreu há dois mil anos e as pessoas continuam sofrendo e morrendo. Jesus não é apenas o Salvador morto e ressuscitado. Ele também é o Leão da tribo de Judá que virá pôr fim à história humana e criar novos céus e nova Terra. Portanto, o Apocalipse não é um livro sobre bestas; é um livro sobre esperança”, disse ele em uma palestra na CPB, alguns anos atrás.

No livro, Knight fala um pouco sobre seu tempo de agnóstico, sua vinda para a igreja e posterior abandono dela, para, finalmente, voltar “com tudo”. “Não voltei [para a igreja] porque a teologia adventista era perfeita, mas porque sua teologia é a mais próxima da Bíblia do que a de qualquer outra igreja que eu conhecia. Em resumo, fui e sou adventista por convicção e não por escolha”, diz ele na página 10.

Ao ler isso, lembrei-me de minha própria experiência de conversão (conheça mais dessa história aqui). Quando conheci o adventismo, na transição da década de 1980 para a de 1990, eu era líder na Igreja Católica e seguidor da Teologia da Libertação. Tinha minhas convicções arraigadas. Por isso passei por um conflito de ideias muito intenso e dediquei-me a mais de dois anos de estudo da Bíblia para verificar que igreja a obedece mais integralmente. Embora nunca tenha deixado de reconhecer que Deus tem Seus filhos sinceros em todas as religiões (conheço muitos desses na igreja da qual deixei de fazer parte), uma coisa tive que admitir (como faz Knight em seu livro): a Igreja Adventista do Sétimo Dia é a que segue a Bíblia mais de perto e a que tem a mensagem mais profeticamente relevante para este tempo. A pergunta é: Está ela pregando e vivendo essa mensagem? Esse é ponto focal da análise de Knight.

O autor faz uma comparação entre aquilo que aconteceu com o protestantismo liberal e o que pode eventualmente ocorrer com o adventismo: “O melhor exemplo de esterilização religiosa no mundo moderno é o liberalismo protestante, que, na década de 1920, renunciou às ideias ‘primitivas’ do cristianismo, como a imaculada conceição, a ressurreição de Cristo, o sacrifício expiatório, os milagres, o segundo advento, o criacionismo e, claro, a inspiração divina da Bíblia, no sentido de que suas informações ultrapassam o entendimento humano e, por isso, foram obtidas por meio da revelação divina” (p. 18).

Se o adventismo perder sua visão apocalíptica, poderá enveredar por caminho parecido e se tornar estéril. A “demora” da volta de Cristo e a acomodação à cultura pós-moderna têm trazido essa sombra sobre o movimento e feito com que muitos se esqueçam do papel evangelístico da igreja. Para Knight, esse papel consiste em “levar as pessoas a não se adaptarem a uma cultura que foi julgada pela cruz e encontrada em falta; a não se adaptarem a uma cultura que chama a violência e o sexo ilícito de diversão; a não se adaptarem a uma cultura que paga milhões de dólares aos jogadores de futebol, mas permite que os professores de ensino fundamental ganhem um salário que mal dá para sustentar a família” (p. 21, 22).

É preciso que a igreja proclame uma mensagem equilibrada, “centralizada no Cordeiro de Deus e no Leão da tribo de Judá apresentado no Apocalipse” (p. 27). Devemos pregar o evangelho à luz da compreensão obtida a partir de 1888 (apresentada na assembleia da Associação Geral, em Mineápolis), segundo a qual, enquanto o povo de Deus aguarda a segunda vinda, deve guardar os mandamentos de Deus e a fé em Jesus (Ap 14:12), num perfeito casamento entre a lei e o evangelho. Mas, para que isso seja possível, é preciso, sobretudo, ter um relacionamento salvador com Deus. “O que precisamos”, diz Knight, “é de um relacionamento capaz de transformar nosso coração, e não simplesmente de doutrinas corretas e a prática de um bom estilo de vida. Deus deseja um povo que O ame e O sirva de coração. […] Guardaremos verdadeiramente os mandamentos de Deus somente quando nossas ações fluírem de um coração repleto de amor a Deus e ao próximo” (p. 49).

Na página 56, Knight é contundente e pontua bem o assunto: “Se eu fosse o diabo, tentaria os adventistas e seus pregadores a serem bons evangélicos e a esquecerem coisas desagradáveis como a visão apocalíptica. Se isso não funcionasse, eu os tentaria a fazer pregações apocalípticas da besta que se concentrassem nos detalhes, no esoterismo e nos extremos. Tentaria levá-los a debater sobre o número 666 e a identidade dos 144 mil. Se não fosse bem-sucedido, tentaria fazer com que enfocassem a agitação e o medo dos eventos apocalípticos. E, claro, semearia a dúvida a respeito da validade da compreensão apocalíptica básica do movimento adventista.”

No fim do livro, Knight lembra que a igreja de Deus tem, sim, um importante papel social, mas não deve canalizar todos os seus esforços nessa direção. Por quê? Porque as mazelas sociais não terão fim até que Deus ponha um ponto final nisso tudo. Assim, precisamos ver Jesus “não apenas como o Cordeiro de Deus que oferece salvação, mas também como o Leão da tribo de Judá que em breve irá regressar. Ele virá não para alimentar os famintos, mas para acabar com a fome; não apenas para consolar os que sofrem, mas para erradicar a morte. O mundo já sofreu demais e continua sofrendo, apesar dos melhores esforços da humanidade. A visão neoapocalíptica é a pregação da última esperança que obscurece todas as outras esperanças” (p. 106).

Por que me tornei adventista? Primeiramente, porque amo a Deus e tenho Sua Palavra como minha bússola, regra infalível de fé e prática. Em segundo lugar, porque amo as pessoas e quero torná-las conscientes de que existe uma esperança acima de qualquer esperança – a fim de que elas possam também decidir por si mesmas o que farão com essa verdade.

É uma esperança que arde em meu coração e que não posso guardar para mim. Tenho que falar, escrever sobre e viver essa mensagem, pois logo veremos Jesus!

Michelson Borges

Os pioneiros e a identidade adventista

Raízes adventistas (abertura)

Ensino bíblico e ações sociais são uma das marcas da Igreja Adventista

Atender às necessidades básicas das pessoas enquanto lhes fala da esperança bíblica deve ser a missão dos cristãos.

iasd1

Uma das fortes ênfases da Igreja Adventista do Sétimo Dia na América do Sul para os próximos anos consiste na motivação para que as pessoas compartilhem o conhecimento sobre a Bíblia com outros. Os dados oficiais mostram que já há muita gente que dá estudos bíblicos regularmente, e uma parcela significativa que recebe esses estudos na condição de alunos. O presidente da Igreja Adventista do Sétimo Dia para oito países sul-americanos, pastor Stanley Arco, comentou sobre essa ênfase em recente transmissão ao vivo realizada pelos canais oficiais da denominação. Ele explicou que “um discípulo precisa dar fruto. E, por isso, deve dar estudos bíblicos. Isso significa buscar e atender interessados no ensino da Bíblia”.

Estatísticas obtidas a partir de dados registrados no sistema oficial de gerenciamento de membros da Igreja Adventista do Sétimo Dia, chamado ACMS, mostram um panorama do primeiro semestre deste ano. Foi totalizado que, nesse intervalo de tempo, 268.132 pessoas deram estudos bíblicos. Por outro lado, pelo menos 354.551 receberam estudos sobre a Bíblia no mesmo período (janeiro a junho de 2021). O número de batismos foi de 121.957.

[Continue lendo.]

A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) mostra, em pesquisa que 2021 ainda não conseguirá reverter efeitos adversos da pandemia. A entidade, que conta 46 países-membros e oito territórios não independentes, alertou, em julho deste ano, que os impactos sociais da crise pandêmica ainda são graves. De acordo com esses dados, no último ano a taxa de extrema pobreza nesta região atingiu 12,5% e de pobreza 33,7%. Outra informação repassada foi a de que a insegurança alimentar moderada ou grave atingiu 40,4% da população dessa localidade em 2020. […]

agência humanitária adventista, a ADRA, contabilizou nos primeiros seis meses do ano a realização de 112 projetos no território sul-americano. As iniciativas resultaram em um atendimento a 972.233 beneficiadas de forma direta. A ADRA possui parcerias com órgãos públicos e entidades privadas, e tem um trabalho permanente de solidariedade.

[Continue lendo.]

iasd2

Ações em desastres, regiões carentes e com refugiados: conheça a Adra no Brasil

Com o auxílio de doadores, a instituição já atendeu mais de 100 mil pessoas em situação de vulnerabilidade no País, atuou em catástrofes como a de Brumadinho e ajudou 60 mil refugiados.

adra1

Decidida a oferecer uma vida melhor para sua família, a venezuelana Esther Govia deixou seu país com o marido e o filho, cruzou o Brasil até o Rio Grande do Sul e enfrentou inúmeras dificuldades para recomeçar. “Foi complicado conseguir emprego e eu não tinha quem cuidasse do meu menino”, conta a mulher, que foi atendida pela Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (Adra).

Segundo ela, os voluntários da instituição a ajudaram com alimentos, itens de higiene e a matricularam em um curso de culinária para que aprendesse a fazer bolos e doces para vender. “No início ganhei até mesmo os ingredientes, o que me incentivou muito”, comemora. “Hoje tenho minha própria empresa.”

E ela não é a única. De acordo com o líder da Adra no Brasil, Fábio Salles, os projetos direcionados a refugiados já ajudaram mais de 60 mil pessoas desde janeiro de 2020, com o objetivo de suprir suas necessidades emergenciais e incentiva-las a participar de programas de geração de renda e emprego. “Focamos no desenvolvimento humano”, afirma.

Além disso, a instituição atende áreas carentes, onde organiza projetos voltados para o bem-estar físico e psicológico dos moradores com auxílio de nutricionistas, enfermeiros, assistentes sociais e psicólogos. Dessa forma, “ofereceremos sustento básico e também acompanhamos a evolução desses beneficiários”, comenta o diretor, ao citar o exemplo da Carreta Solidária, uma unidade móvel da Adra que viaja pelo País desde 2016.

Com o slogan “amor que move”, esse caminhão adaptado com 45 metros de área útil já passou por 40 cidades brasileiras, distribuiu mais de 107 mil refeições e ofereceu assistência psicossocial e outros serviços para pessoas em situação de vulnerabilidade. Sem contar que “o fácil deslocamento proporciona resposta emergencial às vítimas de desastres”, explica a voluntária Cristiane Alejo de Freitas, emocionada ao lembrar as ações realizadas após o rompimento da barragem Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, Minas Gerais.

adra2

Os projetos direcionados a refugiados já ajudaram mais de 60 mil pessoas desde janeiro de 2020

Assim que ficou sabendo da tragédia no dia 25 de janeiro de 2019, ela e sua equipe viajaram para a região. Lá, cozinharam cerca de 1,5 mil refeições por turno, lavaram e secaram quase 360 quilos de roupas diariamente e trataram com carinho de centenas de pessoas em sofrimento. “O que vivi ali mudou minha maneira de pensar e de sentir”, relembra.

adra3

A Carreta Solidária já passou por 40 cidades brasileiras, distribuiu mais de 107 mil refeições e ofereceu assistência psicossocial para centenas de pessoas

Como ajudar?

E é por isso que ela incentiva outros voluntários a também colaborarem com os projetos da instituição. “Não tem como eu explicar o que a gente sente ao ajudar tantas pessoas, é algo que só quem passa sabe como é”, relata, ao afirmar que os projetos continuam ativos durante a pandemia de Covid-19 e contam com o apoio de milhares de doadores e também da Igreja Adventista do Sétimo Dia.

Segundo Fábio Salles, para ajudar é preciso entrar em contato diretamente com as atividades de cada estado ou se cadastrar no site da instituição para ser direcionado às ações mais próximas. Além disso, é possível contribuir financeiramente para que a Adra no Brasil e em outros 117 países continue ativa. “Se comprometa a doar uma pequena quantia mensalmente e você ajudará a transformar o mundo, uma vida de cada vez”, convida. “Lembrando que fazer o bem a alguém faz bem para você também”, finaliza Cristiane.

(Gazeta do Povo)