Pastor adventista cubano refuta acusações contra a Igreja Adventista

Críticos se esforçam para emplacar a narrativa falsa de que a IASD teria apoiado a visão marxista/comunista dos revolucionários em Cuba

Revolução-Cubana

Certo grupo autointitulado adventista, mas que vive postando críticas à Igreja Adventista do Sétimo Dia (IASD) e se mostra alinhado às ideologias progressistas/marxistas/esquerdistas postou recentemente o seguinte texto nas redes sociais:

“Na relação entre a Igreja Adventista do Sétimo Dia e a Revolução Cubana, existem duas narrativas que foram esquecidas (ou negligenciadas) pela publicações adventistas: uma relativa ao início da revolução, em Sierra Maestra, e outra ao final, em Santa Clara. Em ambas as situações, os adventistas se solidarizaram com os ideais da revolução socialista, e ofereceram hospedagem, alimentação e primeiros-socorros aos combatentes. Entre os revolucionários, nas duas ocasiões, encontra-se a figura de Ernesto Che Guevara, uma das principais personalidades da Revolução Cubana, que, além de ser salvo pelos adventistas, desenvolveu uma aproximação respeitosa e amistosa com eles. Essas narrativas são evidências insuspeitas de que a crença adventista (ao menos entre os agricultores e a membresia leiga) não encontrou conflitos entre sua esperança e o ideal socialista em Cuba, a ponto de oferecer assistência clandestina aos revolucionários, arriscando as suas vidas e a de suas famílias.”

O texto é um claro esforço para emplacar a narrativa falsa de que a IASD teria apoiado a visão marxista/comunista dos revolucionários em Cuba. Já publiquei aqui no blog uma longa entrevista com o pastor adventista cubano Rolando de los Ríos (leia aqui), uma testemunha ocular dos fatos relacionados com a revolução protagonizada por figuras como Fidel Castro e Che Guevara. Do alto de seu “lugar de fala” (para usar a expressão modinha), o pastor Rolando contradiz mais essa tentativa desonesta de deturpar a imagem da IASD e a verdade dos fatos. Voltei a contatar o pastor e mostrei-lhe esse novo texto dos críticos da igreja. Leia a resposta breve e clara dele:

“Pastor Michelson, fala-se da ‘revolução socialista’ quando, realmente, não se dizia que era assim. A grande maioria do povo cubano (e entre eles os adventistas) simpatizava com os jovens rebeldes, capazes de lutar contra o governo ditatorial de Batista para estabelecer a democracia e o direito à propriedade privada, mas nunca se disse que a revolução era socialista ou comunista, até 1961, 1962. Posso assegurar-lhe isto, porque vivi essa realidade: o povo de Cuba foi enganado. A Igreja Adventista, como organização, nunca apoiou ou apoia o governo comunista.”

Vacinar ou não vacinar? Desabafo de uma bióloga

São dias difíceis. Deus nos conceda sabedoria e lábios amorosos para não pecar com as palavras, injuriando nossa igreja e seus membros.

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A prática da vacinação não tem qualquer contraindicação na Bíblia, nos escritos de Ellen White, tampouco por conta da saúde. Devemos lembrar que a IASD é uma igreja fundada por Deus. Os líderes são mantidos por Deus, e quem está em discordância Deus retira da obra. Antes de seguir com meus argumentos, precisamos nos lembrar de que a IASD nunca será babilônia. NUNCA! No livro Eventos Finais, página 43, a serva de Deus deixa bem clara a seguinte afirmação: “Deus tem na Terra uma igreja que está erguendo a lei pisada a pés, e apresentando aos homens o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. No mundo só existe uma igreja que presentemente se acha na brecha, tapando o muro e restaurando os lugares assolados.” ATENTEM TODOS PARA O ALERTA DA IRMÃ WHITE, NA SEQUÊNCIA DO MESMO TEXTO: “Sejam todos cuidadosos para não clamarem contra o único povo que está cumprindo a descrição dada do povo remanescente, que guarda os mandamentos de Deus e tem a fé em Jesus. […] Deus tem um povo distinto, uma igreja na Terra, inferior a nenhuma outra, mas a todas superior em suas facilidades para ensinar a verdade, para vindicar a Lei de Deus. Meu irmão, se estais ensinando que a Igreja Adventista do Sétimo Dia é Babilônia, estais errado” (Testemunhos Para Ministros, p. 50, 58, 59).

Dito isso, resta claríssimo que o posicionamento oficial da igreja JAMAIS será contrário aos ensinamentos bíblicos ou contra o espírito de profecia. Quando digo isso, não significa que pastores, cantores e outros não possam atuar por certo tempo em dissonância. Mas fica evidente que o próprio Deus é quem cuida de retirar as “maçãs podres” na hora certa. A irmã White continua: “Os homens poderão apresentar um ardil após o outro, e o inimigo procurará desviar as almas da verdade, mas todos os que creem que o Senhor tem falado por intermédio da irmã White, e lhe tem dado uma mensagem, estarão livres dos muitos enganos que surgirão nestes últimos dias (Mensagens Escolhidas, v. 3, p. 83, 84). Portanto, devemos ser cautelosos com as acusações que tecemos contra nossos irmãos e especialmente contra posicionamentos oficiais da igreja! O inimigo tem usado interpretações errôneas para fazer com que os membros da igreja pensem que a igreja apostatou, que já não é regida por Deus. Isso é perigoso! Tenho visto adventistas pregando teoria de Terra plana com argumentos supostamente de Ellen White! Jesus tenha misericórdia! Não vou entrar nesse assunto, pois já existe muito bom material da igreja refutando esse absurdo (veja aqui). Digo isso pois um texto fora do contexto é um pretexto para defender a ideologia que eu quiser.

Se entendemos que a IASD é regida por Deus, entendemos que ela JAMAIS irá orientar seus membros a tomar qualquer atitude pecaminosa ou em discordância com os preceitos divinos, muito menos que contrarie os escritos no espírito de profecia. Nossos líderes foram escolhidos por Deus, e mesmo sendo pecadores (como nós) são guiados por Deus para conduzir a IASD e repassar orientações. Nesse sentido, afinal qual é o posicionamento oficial da igreja em relação à vacinação? A declaração oficial da Igreja Adventista do Sétimo Dia em nível mundial a respeito de vacinação foi publicada originalmente no ano 2015 e pode ser lida, na íntegra, na área de declarações e documentos oficiais da organização. O material recomenda que os membros sejam vacinados. Veja o documento aqui. No início do texto, a declaração afirma que “a Igreja Adventista do Sétimo Dia dá forte ênfase à saúde e ao bem-estar. A ênfase adventista na saúde é baseada na revelação bíblica, nos escritos inspirados de Ellen G. White (cofundadora da Igreja) e na literatura científica revisada por pares. Assim sendo, encorajamos a imunização/vacinação responsável, e não temos nenhuma razão religiosa ou baseada na fé para não incentivar nossos seguidores a participar de forma responsável de programas de imunização preventiva e protetora”.

O diretor da área de Saúde da sede sul-americana adventista, o médico Rogério Gusmão, ressalta que a ciência das imunizações foi o maior avanço no controle de doenças e saúde pública que a humanidade conquistou. “Sem programa de imunizações teríamos milhares de mortos por essas doenças e muitas outras. Nosso índice de mortalidade infantil aumentaria assustadoramente, assim como as sequelas dessas doenças graves”, pondera. Gusmão lembra que historicamente sempre existiu resistência ao programa de vacinação e cita o que ocorreu no Rio de Janeiro na revolta da vacina, em novembro de 1904. Naquela época, a população se rebelou contra a vacina da varíola. “Passados mais de 110 anos, o que vemos hoje é, então, a erradicação da varíola, pois a maioria da população se vacinou. E, também, criou a barreira imunológica de grupo chamada de imunidade de rebanho, que protege, inclusive, os que discordam da vacinação e não se vacinam”, frisa.

Existem efeitos colaterais? SIM! Alguns deles são graves? SIM! cada corpo reage de um jeito. Temos visto que as vacinas de DNA podem implicar em problemas relacionados a alterações nos fatores de coagulação. COM RELAÇÃO AOS FATORES GRAVES, QUAL A PORCENTAGEM DE PESSOAS ACOMETIDAS? Os 242 casos de trombose ligados ao imunizante da AstraZeneca incluíram 49 mortes, em 28,5 milhões de doses da vacina administradas, ou seja, os casos graves da vacina da AstraZeneca têm uma incidência de 0,00087% e a taxa de morte é 20% sobre esse valor, ou seja, é muito raro. E a mortalidade da Covid-19? HOJE A TAXA DE MORTALIDADE É DE 2,9%. Isso é similar a outras vacinas. A taxa de efeitos graves é muito baixa e rara. Ou seja, a chance de morte por Covid é muito maior! Além do risco de morte e dos efeitos colaterais da Covid (trombose, perda de paladar e olfato, alterações de memória, infarto, problemas renais, etc.), o que temos visto são hospitais lotando por situações graves de pessoas que pegaram a Covid e estão com síndrome pós-covid.

Em estudo que avaliou dados de mais de 87 mil pacientes que tiveram a doença e cinco milhões de indivíduos saudáveis, sequelas do Sars-CoV-2 fizeram o primeiro grupo ter 59% maior probabilidade de falecer seis meses após o contato com a doença. Por isso no vídeo que eu gravei com o pastor Michelson Borges eu disse: se ficar o bicho come e se correr o bicho pega! Se você não se vacina e contrai a doença, a chance de morrer é de quase 3%. Se você não morrer durante esses 20 dias mais críticos, tem 59% de chance de morrer seis meses depois! Você acha que esse assunto é brincadeira? Se você se vacinar a chance de ter um problema grave é de 0,0008%! Não precisa ser um gênio da matemática para entender a diferença!

Eu verdadeiramente entendo o receio de muitos. Agora o que me deixa profundamente aborrecida é o fato de o povo de Deus, por FALTA DE CONHECIMENTO, estar criticando o posicionamento da IGREJA e de PROFISSIONAIS da ÁREA; profissionais adventistas, consagrados, que lidam com as mortes todos os dias. Tomar vacina ou não é uma decisão individual. Mas dizer que a vacina é “veneno papal”, tem relação com microchip, etc., trata-se de um erro colossal! Sabe o que é veneno satânico? Esse vírus, essa doença maldita! Ter esse vírus circulando no seu corpo, deturpando sua imunidade e afetando sua mente. Isso é o vírus que faz! A vacina é uma tentativa de fazer com que esse veneno satânico pare de circular. Então, irmãos, orem sobre o assunto e parem de criticar aqueles que preferem se arriscar 0,0008% para que o vírus não chegue até sua casa e mate alguém da sua família.

Trago ainda as seguintes reflexões: criticam as vacinas, mas moram nas cidades! Os vegetais estão repletos de agrotóxicos, comprovadamente relacionados à predisposição a câncer, autismo, etc. Toda vez que você come saladas ou frutas está ingerindo veneno! Está consumindo alimento transgênico que pode induzir mutações, doenças autoimunes, alergias alimentares, câncer, etc. Ah, mas eu como salada orgânica… Ainda que você more num sítio e plante seu alimento, se seu vizinho usa agrotóxico sua comida está afetada. Percebe que nossa vida está rodeada de veneno? Isso sem falar na poluição, radiação emitida pelas elevadas horas passadas nos celulares, etc. A lista é longa. Poderia ficar horas aqui falando sobre os perigos de estar vivo hoje! Apesar disso, entendo que enquanto vivermos neste mundo estaremos, de alguma forma, sendo contaminados pelas consequências da modernidade e do pecado. Entenda que sua vida depende da misericórdia de Deus!

Devemos, sim, fazer a nossa parte e minimizar o máximo possível os efeitos de tudo o que nos faz mal. As pestes nas cidades vão piorar! Isso é profético. Se você vive na cidades, seja coerente para com Deus e para com o próximo e não espalhe o vírus.

Duas opções coerentes para quem mora nas cidades: (1) tomar as vacinas regularmente; (2) não tomar as vacinas, mas permanecer em casa, manter total isolamento.

Ellen White explica perfeitamente no livro Vida no Campo que o ideal de Deus NUNCA foi que seu povo se estabelecesse nas cidades. O ideal é ter uma vida no campo o quanto antes (medida que deve ser tomada mediante oração).

Concluindo: “Os adventistas do sétimo dia foram postos no mundo como atalaias e portadores de luz. A eles foi confiada a última mensagem de advertência a um mundo a perecer. Sobre eles incide maravilhosa luz da Palavra de Deus. Confiou-se-lhes uma obra da mais solene importância: a proclamação da primeira, segunda e terceira mensagens angélicas. Nenhuma obra há de tão grande importância. Não devem eles permitir que nenhuma outra coisa lhes absorva a atenção” (Testemunhos Seletos, v. 3, p. 288). Precisamos estar vivos e com a nossa mente sã para proclamar com grande fervor que Cristo em breve virá! Que esse seja o nosso foco.

Relembrando tudo o que Ellen White fala, fica evidente que, se discordamos de algo que é orientado pela liderança da igreja, o erro estará em nossa interpretação. “Há muitos que dão sua própria interpretação àquilo que ouvem, fazendo com que o pensamento do orador pareça completamente diferente daquilo que ele se esforçou em apresentar. Alguns, ouvindo por meio de seus próprios preconceitos ou predisposições, entendem o assunto como desejam que seja — como melhor se harmoniza com seus propósitos — e assim o relatam. Seguindo os impulsos de um coração não santificado, levam para o mal aquilo que, corretamente compreendido, poderia ser instrumento de grande bem. Pessoas bem-intencionadas são frequentemente descuidosas e cometem erros graves e não é nada provável que outros a apresentem sob luz mais favorável. Alguém que não compreendeu claramente aquilo que o orador quis dizer repete uma observação ou afirmativa, dando-lhe seu próprio significado. Isso causa uma impressão sobre o ouvinte moldada de acordo com seus preconceitos e imaginações. Ele a refere a um terceiro, que por sua vez acrescenta um pouco mais e passa-a adiante. E antes que alguns deles estejam cientes do que estão fazendo, atendem ao propósito de Satanás em plantar as sementes da dúvida, do ciúme e da suspeita em muitas mentes” (Testemunhos para a Igreja, p. 661, 662).

Reforço: o posicionamento oficial da IASD é a favor da vacina. Não há críticas para os que não tomam. Que você pondere seus argumentos para com aqueles que optaram por seguir as orientações da Igreja, que é regida e guiada pelo próprio Deus.

São dias difíceis. Deus nos conceda sabedoria e lábios amorosos para não pecar com as palavras, injuriando nossa igreja e seus membros.

(Liziane Conrad Costa, bióloga, mestranda em Biociências e Saúde e colaboradora da revista Vida e Saúde, da CPB)

Adventistas apoiaram a revolução cubana?

Há perseguição religiosa em Cuba ou é apenas uma “narrativa imperialista estadunidense”? Este texto analisa o tema a partir da Revolução Cubana até hoje.

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Certamente, muitos adventistas viram na revolução uma “libertação redentora”[1] da ditadura de Fulgencio Batista. Há relatos de que muitos adventistas celebraram a vitória da revolução e ficaram entusiasmados com o início do novo governo. Mas logo começaram as restrições, desapropriações, perseguições e prisões,[2] e eles perceberam que a velha ditadura tinha sido substituída por outra.

Argelio Rosabal foi um adventista que ajudou Che Guevara logo após os revolucionários chegarem a Cuba no barco Granma. Rosabal lhe deu roupas e cuidou de sua saúde (Che sofria ataques de asma). Nas palavras do próprio Che Guevara: “Estávamos na casa de um adventista chamado Argelio Rosabal, que todos conheciam como El Pastor. Esse camarada, ao ouvir a infeliz notícia, rapidamente fez contato com outro camponês, que conhecia muito bem a região e que disse simpatizar com os rebeldes.”[3] Rosabal foi o primeiro camponês a ajudar as forças revolucionárias.

Che Guevara também utilizou o Colégio Adventista de las Antillas como ponto de apoio numa batalha decisiva, mas, nesse caso, os adventistas não tiveram a opção de não colaborar. Apesar disso, Che sabia que os adventistas não participariam de uma luta armada nem de sua política.[4] Che desenvolveu respeito pelos adventistas por causa dessas experiências,[5] e isso foi vantajoso para os adventistas, pelo menos no início da revolução.

Porém, ainda que os adventistas tenham obtido alguma vantagem temporária por causa da gratidão de Che Guevara, a realidade é que o governo revolucionário perseguiu violentamente crentes de várias religiões, inclusive adventistas. Segundo Jeff King, presidente da International Christian Concern, o discurso inicial de Castro para os crentes era algo como: “‘Olha, você não precisa se preocupar conosco, os comunistas. Vamos criar uma utopia juntos. Somos seus amigos, etc.’ Assim que ele conseguiu o poder, você sabe o que aconteceu. Ele fez o que os marxistas sempre fazem. E o martelo desceu, e ele começou a prender, torturar e matar pastores.”[6]

Após um início de governo aparentemente amistoso com as religiões, a situação mudou rapidamente: “A existência de um conflito ideológico latente, produzido a partir da aceitação de padrões ateístas nas organizações estatais e partidárias, provocou múltiplas polêmicas, questão que se intensificou a partir de março de 1963, quando o Comandante Fidel criticou a atitude de um grupo de igrejas que fazia proselitismo no campo, entre eles os pentecostais, o Partido Evangélico Gideão, os adventistas do sétimo dia e as testemunhas de Jeová. Essas denominações entraram em conflito com o Estado por um conjunto de fatores que, juntos, apareceram como elementos negativos ao processo revolucionário e passíveis de ser utilizados pelo imperialismo: sua alienação da política, seu conformismo arraigado, seu profundo espírito de proselitismo, a rejeição do trabalho voluntário e da participação em organizações armadas como as milícias, além do fato de alguns considerarem o sábado como um dia de adoração a Deus e no qual não se podia trabalhar, sem desconsiderar as atitudes contrarrevolucionárias de alguns de seus fiéis.”[7]

A face antirreligiosa da revolução não demorou a aparecer, e ela pode ser ilustrada com a história da família Rosabal, que havia ajudado Che Guevara. Há evidências de que Argelio Rosabal recebeu o apelido de “pastor” do próprio Che Guevara. Sua esposa cozinhou para Fidel na Sierra Maestra, e como reconhecimento pela ajuda recebida, o governo revolucionário deu uma casa à família.[8]

Ironicamente, o filho de Argelio Rosabal, Omar Rosabal, adventista, casado, pai de cinco filhos, foi falsamente acusado de agenciar prostitutas, condenado a oito anos de prisão (depois de apelação, pois a previsão era de 20 anos de prisão!). O governo expulsou sua família de casa, agrediu mulheres, inclusive sua filha de 13 anos, retirada de casa à força, nua (ela acabou hospitalizada e desenvolveu pensamentos suicidas).[9] Além disso, destruíram o túmulo de Argelio Rosabal, que havia ajudado Che Guevara na revolução.[10]

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As testemunhas posteriormente teriam admitido que deram falso testemunho porque foram ameaçadas pela polícia,[11] e testemunhas de defesa também foram presas.[12] O irmão de Argelio, Onésimo Rosabal, também foi condenado a um ano de prisão, mas que poderia ser substituído por um ano de trabalho forçado.[13]

Omar Rosabal foi considerado preso político, e houve uma mobilização internacional para que ele fosse liberto. O caso foi analisado por um grupo de trabalho na Comissão de Direitos Humanos da ONU,[14] que considerou a prisão como “arbitrária”, e uma violação dos artigos 9, 10 e 11 da Declaração Universal dos Direitos Humanos.[15] Omar foi solto em dezembro de 2019, mas, segundo testemunho de familiares, continua sendo monitorado e ameaçado. Seu irmão, Argelio R. Sotomayor, lamenta por “todos aqueles que, cegamente, involuntariamente e obedecendo a esse medo que inocularam em nosso sangue, continuam a defender o sistema que os mata com miséria e fome, e continuam a gritar ‘Viva Fidel’”.

Foi assim que a família adventista que ajudou Che Guevara foi tratada pelos revolucionários. Assim, a “gratidão” inicial de Che Guevara se transformou em ingratidão revolucionária. O filho do senhor Rosabal, Argelio R. Sotomayor, assim se manifestou a respeito da revolução:

“Todos os cubanos devem estar cientes dos abusos e das torturas de que tantos cubanos foram vítimas, pelo único crime de pensar diferente e não querer para Cuba aquele regime vergonhoso e letal que trouxe tanto sofrimento e morte à ilha e ao mundo: o castrocomunismo. Tenho vergonha de meu pai ter sido o primeiro camponês a ajudar aquele bando de aventureiros cujo único objetivo era tirar do poder a ditadura de Batista para implantar sua própria ditadura, aquela que há mais de 60 anos sujeita os cubanos, oprimindo-os, aprisionando-os, privando-os de liberdade e direitos fundamentais.

“É claro que nunca passou pela cabeça do meu pai que o movimento que estava em suas mãos degeneraria no monstro sangrento que se tornou o que se chamou de Revolução, e ele foi enganado como tantos milhões de cubanos, dos quais apenas uma parte tivemos a oportunidade de abrir os olhos e ver a realidade.

“Se alguma vez acreditei que ser contrarrevolucionário era uma ofensa, hoje, depois de 62 anos de miséria e fome, repressão e prisão, creio que constitui o maior orgulho de qualquer cubano, eu o primeiro.

“Se José Martí, nosso herói nacional, pudesse ver em que uma gangue de criminosos, mafiosos e burgueses transformaram Cuba, seria o primeiro a pegar no facão e se jogar de novo no mato.

“Nós, cubanos, somos um só povo, embora eles tenham tentado nos dividir em bons e maus, em revolucionários e vermes, em patriotas e mercenários, em leais e traidores.

“É uma grande realidade, e é que todos queremos um país livre, soberano, democrático e próspero, com todos, dentro e fora; que só há um inimigo que impede de atingir esse objetivo: a ditadura comunista castrista liderada por um grupo de octogenários burgueses.

“Mas esse regime ditatorial está com os dias contados, apesar de sua ostentação e do abuso da força; porque não há nada nem ninguém que possa impedir o desejo de um povo decidido a ser livre. E isso acontecerá no mesmo dia em que todos os cubanos, de dentro e de fora, se unam e saiam às ruas de Cuba e de todos os países do mundo onde estamos, para exigir o fim da ditadura, a formação de um governo provisório, a convocação de eleições livres e constituição por sufrágio livre e universal de um governo decente e democrático.”[16]

No início do governo revolucionário, “houve entusiasmo e esperança para a maioria das pessoas, ‘uma lua de mel’”.[17] Mas a tendência antirreligiosa se impôs, como fica evidente no texto da (Artigo 54) Constituição de 1976, que diz: “(1) O Estado socialista, que fundamenta sua atividade e educa o povo na concepção científica materialista do universo, reconhece e garante a liberdade de consciência, o direito de todos de professar qualquer crença religiosa e de praticar o culto de sua preferência.”

O estado socialista admite o ateísmo como visão de mundo, e acrescenta que “(2) A lei regula as atividades das instituições religiosas”. Assim, apesar de supostamente garantir a liberdade religiosa, o governo ateísta avisa que “(3) É ilegal e punível opor a fé ou crença religiosa à revolução, à educação ou ao cumprimento de […] outros deveres estabelecidos pela constituição”.[18]

A base legal para perseguição se completa com o Código Penal de 1978 (Artigo 237) sobre o abuso da liberdade de culto: “Quem, abusando da liberdade de culto garantida pela Constituição, opõe a crença religiosa aos objetivos da educação ou ao dever de trabalhar, de defender a pátria com armas, ao reverenciar seu símbolo ou qualquer outro estabelecido na Constituição, é punido com pena privativa de liberdade de três a nove meses, multa de até 270 cotas ou ambas.”[19]

Ou seja, a educação é ateísta, e nenhum religioso poderia se opor a essa visão de mundo. Como isso poderia dar certo na prática? Resultou no óbvio: fim da liberdade religiosa e perseguição.

Os adventistas foram considerados contrarrevolucionários?

Sim. A Igreja Adventista do Sétimo Dia (IASD) em Cuba é descrita como uma “seita em conflito com o Partido Comunista”, pois são “diferentes ideologias”.[20] Várias fontes afirmam que os adventistas foram considerados contrarrevolucionários por irem contra o Artigo 54 da Constituição de 1976. Os adventistas e as testemunhas de Jeová foram perseguidos porque suas crenças não coincidiam com as do governo.[21] Historicamente, a IASD sempre procurou manter boas relações com os governos, sem denotar apoio político. Logo após a revolução, a IASD foi convidada a assinar publicamente um apoio ao novo governo revolucionário, mas recusou.[22]

Um relatório sobre os direitos humanos afirma que, apesar de apresentar alguma melhora, “a perseguição religiosa continua. […] O governo continuou a usar o Código Penal para perseguir testemunhas de Jeová e, em menor medida, adventistas do sétimo dia. […] Porque o governo os considera ‘ativos inimigos religiosos da revolução’, testemunhas de Jeová e adventistas são vigiados e frequentemente perseguidos pelos CDRs”.[23]

Após um início de governo aparentemente amigável, logo as escolas religiosas sofreram intervenção estatal (funcionavam sob a supervisão do governo). Posteriormente, muitas propriedades da IASD foram confiscadas.[24] Em 1962, o mesmo colégio que serviu de ponto de apoio a Che Guevara sofreu uma intervenção do governo, e em 1967 foi tomado definitivamente. Uma instituição cristã considerada fundamentalista não podia ser tolerada num estado marxista-leninista.[25]

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Che Guevara e Fidel no Colegio [Adventista] de las Antillas

Fonte: https://bit.ly/3kCvHAz

O governo revolucionário de Fidel Castro proibiu programas de rádio (o “La Voz de Atalaya”), reuniões evangelísticas, e desapropriou escolas e outras instituições da igreja. O Colegio de las Antillas foi tomado pelo governo, e acabou em ruínas.[26]

Em 1963, houve vários conflitos entre o governo e cristãos que faziam evangelismo, especialmente pentecostais e adventistas do sétimo dia. O motivo é que a pregação apocalíptica era considerada antirrevolucionária.[27]

A obra de construção de uma igreja adventista em Pinar del Río foi embargada, e o material de construção foi utilizado para construir a casa de um funcionário do governo local. A Igreja Adventista de Cienfuegos teve autorização de funcionamento rejeitada e foi ameaçada de apedrejamento; igrejas adventistas foram incendiadas; adventistas foram agredidos gratuitamente por policiais, militares e “Jóvenes Comunistas” em diversas ocasiões.[28]

Em 1963, o governo divulgou um programa de combate aos movimentos religiosos, escrito pelo líder comunista Blas Roca e publicado na revista Cuba Socialista, com o título “A luta ideológica contra as seitas religiosas”.[29] Fidel mencionou o documento em discursos, e as restrições atingiram os adventistas (devido à estrita observância do sábado) e as testemunhas de Jeová (contrárias ao serviço militar e à saudação à bandeira nacional).[30]

Segundo Blas Roca, o governo deveria atacar as seitas religiosas porque o imperialismo norte-americano e “todos os inimigos de classe usaram a religião para seu trabalho contrarrevolucionário”.[31] O cristianismo era uma arma de colonização dos Estados Unidos, e “em lugar da confiança no homem e na ciência, as religiões e seitas prostram-se ante o poder sobrenatural dos deuses”.[32]

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Ruínas do Colegio de las Antillas

Fonte: https://bit.ly/3wPQLG1

Adventistas foram enviados aos campos de concentração (UMAP)?

Logo no início do governo revolucionário, doze estudantes do Colegio de las Antillas foram convocados ao Serviço Militar Obrigatório, e acabaram presos por sua posição irredutível quanto ao sábado e ao uso de armas. Na prisão, foram mantidos literalmente a pão e água por nove dias, e tiveram sérios problemas de saúde.[33]

Os adventistas receberam uma “oportunidade” para servir sem pegar em armas: trabalhar nas Unidades Militares de Apoio à Produção (UMAPs). As UMAPs eram “fazendas de trabalhos forçados, guardadas por soldados com armas longas, onde trabalhavam desde antes do amanhecer até o fim da tarde (muitas vezes até tarde da noite); com […] comida mais do que deficiente e escassa. Moravam em cabanas cercadas com arame farpado”.[34]

A propaganda oficial dizia que o objetivo da UMAP não era castigar ninguém, mas “fazer com que esses jovens mudem de atitude, educá-los, treiná-los, salvá-los. Impedir que amanhã sejam parasitas, incapazes de produzir qualquer coisa, criminosos contrarrevolucionários, ou criminosos comuns, seres inúteis para a sociedade”.

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Matéria anunciando as UMAPs como local para forjar cidadãos úteis

Fonte: https://bit.ly/2UmVQZv

Em 1965, um grupo de 48 pastores e crentes evangélicos foi acusado de “desvio ideológico” e vínculos com a CIA. No mesmo ano, militantes do Partido Comunista ameaçaram o pastor adventista Charles Vento e queimaram a Igreja Adventista de Santa Damiana, em San Juan e Martinez.[35] Algum tempo depois, o pastor Charles foi preso numa UMAP.

Nas UMAPs, os presos adventistas “foram impedidos de se alimentar aos sábados por se recusarem a trabalhar nesse dia. Isso demonstra que o desrespeito aos dogmas pregados por essas religiões também eram uma forma de tortura psicológica exercida dentro das UMAPs”.[36]

Luis Caballero Calas, sobrevivente das UMAPs, relatou: “Testemunhei o dia em que um cristão adventista foi amarrado a um cavalo para ser levado aos campos para trabalhar no sábado, um dia sagrado para eles.”[37] Também há registro de que o pastor adventista Firino Serrano foi prisioneiro dos campos de concentração.[38]

Noel Fernández, levado para uma UMAP em 1966, conta: “Alguns de nós economizamos parte de nossa comida aos sábados para dar aos adventistas, que eram forçados a ficar de pé durante toda a manhã e tarde no centro do acampamento. O chefe da unidade gritou que se a Bíblia diz que quem não trabalha não come, como não trabalhou naquele dia, não tinha direito à alimentação.”[39]

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Há relatos de tortura psicológica, como o do pastor adventista Manuel Molina: “No acampamento Mola, cujo nome não quero lembrar. Eles levaram 17 religiosos de nós; Adventistas, testemunhas de Jeová e o Bando Evangélico Gideon, e eles ameaçaram nos fuzilar.”[40]

O pastor batista Orlando Colás viu testemunhas de Jeová sendo espetados por baionetas, espancados, e quando gritavam, jogavam terra na boca para silenciá-los. Além disso, relata que viu “a punição dos adventistas do sétimo dia que, por respeito, não trabalham aos sábados. Como os acampamentos funcionavam sete dias por semana, eles eram forçados a trabalhar aos sábados. Eles amarraram um adventista, o pastor Isaac Suárez, a uma laranjeira cheia de espinhos e disseram-lhe: ‘Agora você é Jesus Cristo e nós vamos crucificá-lo.’ Eles deixaram assim, ao sol, o dia todo. Eles levaram outro para fora e fizeram o mesmo com ele. Alguns foram enterrados, cobrindo-os completamente, deixando apenas a cabeça de fora, por dois dias ao sol”.[41]

Alguns pesquisadores tentaram “desmistificar” as UMAPs, mas a desmistificação proposta significa admitir que as UMAPs não eram só campos de tortura, mas de produção também – isso não muda absolutamente nada para as vítimas. É basicamente como argumentar que um assassino não é apenas um assassino, mas também um bom funcionário e um bom motorista.

Ignorando os inúmeros testemunhos de vítimas, alguns tentam negar o fato de que adventistas sofreram abusos nas UMAPs. Por exemplo, Tahbaz afirma que “os adventistas do sétimo dia, no entanto, não foram associados ao mesmo estigma contrarrevolucionário e, portanto, não foram alvo de abusos nos campos”.[42] No entanto, as fontes usadas por Tahbaz dizem exatamente o contrário, e incluem os adventistas entre as vítimas de abusos nas UMAPs.[43]

Apesar de fontes afirmarem que, teoricamente, os adventistas não eram considerados párias da sociedade nas UMAPs, na prática, “nas áreas rurais e semiurbanas, os ministros [adventistas] não estavam em uma classificação muito diferente da categoria mencionada”.[44] Sempre há uma diferença entre a realidade e os relatórios oficiais das ditaduras.

Estima-se que aproximadamente 35 mil pessoas passaram pelas UMAPs, e várias pessoas acabaram em clínicas psiquiátricas, morreram de tortura ou cometeram suicídio: “As pessoas mais frequentemente internadas nos campos eram religiosos (fanáticos religiosos) e gays”, e “a grande quantidade de internados [presos] incluía testemunhas de Jeová, adventistas do sétimo dia”.[45] Falando sobre as UMAPs e a perseguição aos homossexuais, mais de 40 anos depois, o próprio Fidel Castro admitiu: “Sim […], foram momentos de grande injustiça, grande injustiça!”[46]

A homenagem fúnebre do pastor adventista Charles Vento lembrou que ele esteve em um “campo de concentração chamado UMAP” em Cuba, uma “terrível experiência em que seu cristianismo foi severamente testado”.[47]

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Pastor Charles Vento

Fonte: https://bit.ly/3wSNLc2

O pastor Charles foi entrevistado em várias pesquisas sobre religião durante a revolução cubana. Charles Vento relatou tortura física e psicológica; os prisioneiros ouviam: “Aqui você vai apodrecer. Sairão quando aceitarem a revolução.”[48] Também é bem conhecido o relato do pastor cubano José H. Cortés, ex-aluno do Colegio de las Antillas, que foi prisioneiro em Cuba.[49]

Um caso extremo que ficou mundialmente conhecido foi o do adventista Humberto Noble Alexander, falsamente acusado de conspiração em 1962, condenado a 20 anos de prisão, mas que acabou ficando 22 anos, 3 meses e 11 dias preso. Foi torturado de várias formas, perdeu a família e a saúde. Foi solto em 1984, após intervenção do pastor Jesse Jackson, e morreu nos Estados Unidos em 2002.[50]

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Pastor José H Cortés, ex-prisioneiro em Cuba

Fonte: https://bit.ly/2UuTF62

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Humberto Noble Alexander, preso e torturado por mais de 20 anos

Fonte: https://bit.ly/2TmxgqS

A IASD frequentemente aparece como vítima em relatórios internacionais sobre liberdade religiosa em Cuba. Até o teólogo Adolfo Ham, um dos maiores defensores da ideia de que as igrejas deveriam cooperar com o governo revolucionário, e membro do Concilio de Iglesias Evangélicas de Cuba, admite que os adventistas estavam entre as denominações “mais castigadas”.[51]

O Serviço Militar Obrigatório era outra fonte de problemas. Mesmo nos anos 1980 ainda havia vários registros de adventistas ameaçados e perseguidos “porque, entre outras coisas, se recusaram a participar do treinamento militar”.[52] Também foram perseguidos por se recusarem a enviar os filhos à escola aos sábados.[53]

Em 1989, três adventistas de Villa Clara foram presos por publicar literatura religiosa clandestinamente.[54] Nos anos 1990, ainda havia problemas, como mostra relatório do Puebla Institute: “Outro grupo muitas vezes em desagrado são os adventistas do sétimo dia, que frequentemente se recusam a trabalhar […] aos sábados.”[55]

Outro relatório afirma que, durante a visita do Papa em 1998, uma série de “igrejas evangélicas” em Holguín, incluindo a Adventista do Sétimo Dia, “continuou sendo vitimada por cercos, proibições e fechamento de igrejas”. Esse relato diz que a Igreja Adventista dessa região já estava fechada havia mais de 20 anos.[56]

Relatório da Human Rights Watch relatava em 1999 que, “embora Cuba permita maiores oportunidades de expressão religiosa do que nos anos anteriores […], o governo ainda mantém um controle rígido sobre as instituições religiosas, grupos afiliados e crentes individuais”.[57]

Relatório da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (OEA) de 2000 ainda menciona a questão da falta de liberdade religiosa em Cuba.[58] Eventos religiosos públicos acontecem, mas são vigiados. Um quarteto adventista espanhol (Los Heraldos del Rey) foi proibido de se apresentar em Cuba em 1998.[59] Outro relatório também menciona a proibição da apresentação do quarteto adventista Los Heraldos Negros,em 2000.[60] Relatório publicado pela Agência de Refugiados da ONU menciona essas situações envolvendo adventistas.[61]

Conclusão

A revolução começou como esperança para muitos adventistas, mas logo se tornou em pesadelo. Por causa da ajuda que recebeu de Argelio Rosabal, Che Guevara tinha gratidão aos adventistas, mas a revolução cubana não. E, apesar de Che Guevara ter conseguido uma exceção temporária à convocação militar de jovens adventistas, os adventistas foram enviados para os campos de concentração como os demais religiosos. A afirmação de que adventistas receberam melhor tratamento que os demais ou que não eram alvo de abusos nos campos de concentração por terem ajudado Che Guevara simplesmente não é sustentada pelas evidências, pelos registros, testemunhos e relatórios.

É lamentável que alguns adventistas prefiram acreditar na propaganda do partido em lugar dos inúmeros testemunhos de sobreviventes, familiares, relatórios de observadores internacionais e pesquisadores. Há uma enorme comunidade de adventistas cubanos na Flórida (EUA); essas pessoas existem, possuem relatos de primeira mão, e são nossos irmãos de fé. Um estudo mostra como as igrejas ajudaram no êxodo cubano, e o impacto que a comunidade de exilados e refugiados cubanos (adventistas, inclusive) exerceu na Flórida.[62] Não é difícil obter testemunhos de primeira mão sobre a verdadeira história da liberdade religiosa durante o governo revolucionário em Cuba.

O embargo econômico imposto pelos Estados Unidos não justifica a falta de liberdade religiosa e a perseguição. O argumento “mas a igreja cresceu nesse período” não significa que o regime foi bom. A igreja cristã cresceu na União Soviética, na Albânia, na China, e até sob o Império Romano! O argumento do crescimento é irrelevante para discutir liberdade religiosa.

Finalmente, é preciso agradecer a Deus, pois, apesar das dificuldades, a IASD cubana é vibrante e atuante. Como em toda a história de Sua igreja, Deus tem transformado maldição em bênçãos, e o evangelho prospera naquela linda ilha.

(Isaac Malheiros é doutor em Teologia e professor no Instituto Adventista Paranaense)

Referências:

[1] VALDÉS, Israel Gonzalez. La Iglesia Adventista Del Séptimo Dia en Cuba a Partir del Triunfo de la Revolución. Monografia. Berrien Springs: Andrews University, 1976. p. 19. Disponível em: https://bit.ly/3wRkKh1 Acesso em 23 jul. 2020

[2] VALDÉS, 1976, p. 24.

[3] CHE GUEVARA, Ernesto. Pasajes de la Guerra Revolucionaria.New York: Ocean Sur, 2006. p. 126 (Capítulo “A la deriva”).

[4] VALDÉS, 1976, p. 9.

[5] Che Guevara cita positivamente os adventistas algumas vezes em seus livros de memórias, por ex., GUEVARA, Che p. 89.

[6] KING, Jeff. The Untold Story of Revival in Cuba. Persecution. 15 jul. 2020. Disponível em: https://bit.ly/36V1UL3

[7] MASSÓN, Caridad. La Revolución Cubana em la vida de pastores y creyentes evangélicos. La Habana: Ediciones La Memoria, 2006. p. 14-15.

[8] FLOR, Mamela Fiallo. Cuba: profanan tumba del Pastor que rescató a combatientes del Granma. PanAm Post. 23 maio 2018. Disponível em: https://bit.ly/3hW1Dy9

[9] CUBANET. El régimen cubano expropia a una familia con dos menores de edad. 29 jun. 2018. Disponível em: https://bit.ly/3y4IBv7

[10] FLOR, 2018.

[11] DIARIO DE CUBA. Detenido un ‘exitoso’ cuentapropista en Pilón. 24 nov. 2017. Disponível em: https://bit.ly/3hQ3PHl

[12] CANINO, Agustín López. Onésimo. Cuba Democracia y Vida. 22 jun. 2018. Disponível em: https://bit.ly/3iovEFO

[13] Ver o depoimento de Onésimo Rosabal, disponível em: https://bit.ly/36OAff4

[14] Disponível em: https://bit.ly/3zdKW6T

[15] Human Rights Council: Working Group on Arbitrary Detention. Opinion No. 48/2018 regarding Omar Rosabal Sotomayor (Cuba). Disponível em: https://bit.ly/3zdKW6T

[16] SOTOMAYOR, Argelio Rosabal. Facebook. 18 Mar. 2021. Disponível em: https://bit.ly/3zkqzoS

[17] MASSÓN, 2006, p. 51.

[18] Constitución Política de 1976. Disponível em: https://bit.ly/3kwMV28 (ênfase acrescentada)

[19] Código Penal 1978. Disponível em: https://bit.ly/3ikAeVe (ênfase acrescentada)

[20] ROSADO, Caleb. Sect and Party: Religion Under Revolution in Cuba. Tese (doutorado). Evanston: Northwestern University, 1985. p. iii-iv.

[21] LUIS, William. Culture and Customs of Cuba. Westport: Greenwood, 2001. p. 25.

[22] VALDÉS, 1976, p. 18.

[23] DEPARTMENTE OF STATE. Country Reports on Human Rights. Volume 993. Washington: U.S. Government, 1994. p. 412-413.

[24] ALBA SILOT, John. Cuba: Iglesia y Revolución, la deconstrucción de un mito. Dissertação (mestrado). Bernal: Universidad Nacional de Quilmes, 2015. p. 50-51. Disponível em: https://bit.ly/3wQrk7n

[25] VALDÉS, 1976, p. 39.

[26] LAND, Gary. Historical Dictionary of the Seventh-Day Adventists. Lanham: Rowman & Littlefield, 2015. p. 85.

[27] ALBA SILOT, 2015, p. 55.

[28] VALDÉS, 1976, p. 24-33.

[29] ROCA CALDERÍO, Blas. La Lucha Ideológica contra las Sectas Religiosas, Cuba Socialista, ano 3, n. 22, jun. 1963, p. 28-41.

[30] ALBA SILOT, 2015, p. 56.

[31] ROCA CALDERÍO, 1963, p. 28.

[32] ROCA CALDERÍO, 1963, p. 32.

[33] VALDÉS, 1976, p. 50.

[34] VALDÉS, 1976, p. 52.

[35] FIGUEROA, Abel R. Castro. Quo Vadis, Cuba?: Religión Y Revolución. Bloomington: Palibrio, 2012. Capítulo 4.

[36] RODRIGUES, Amanda A. G. Memórias da repressão do governo revolucionário a grupos religiosos e homossexuais em Cuba: um estudo dos testemunhos de ex-umapianos (1984-2019). Ituiutaba: Universidade Federal de Uberlândia, 2020. p. 62. Disponível em: https://bit.ly/36OKK1Y

[37] UMAP CUBA 1965. El silencio que no entierra a las UMAP. s.d. Disponível em: https://bit.ly/3BvuAZs

[38] FIGUEROA, 2012, p. 169.

[39] UMAP CUBA 1965, El silencio que no entierra a las UMAP.

[40] UMAP CUBA 1965. Manuel Molina – Pastor Adventista. s.d. Disponível em: https://bit.ly/36RtFEg

[41] UMAP CUBA 1965. Orlando Colás – Pastor Bautista. s.d. Disponível em: https://bit.ly/36Ru2Pa

[42] TAHBAZ, Joseph. Demystifying las UMAP: The Politics of Sugar, Gender, and Religion in 1960s Cuba, Delaware Review of Latin American Studies, v. 14, n. 2, 2013. Disponível em: https://bit.ly/3wTafJK

[43] Por exemplo, Tahbaz cita Blanco, e mesmo assim ignora os relatos de Blanco a respeito dos maus-tratos que incluíam adventistas entre as vítimas. Ver BLANCO, José Caballero. Uma Muerte A Plazos. Yelm: D’Har, 2008 [kindle]. p. 38, 46, 49, 52, 89.

[44] VALDÉS, 1976, p. 52.

[45] TAHBAZ, 2013.

[46] SAADE, Carmen Lira. Soy el responsable de la persecución a homosexuales que hubo en Cuba: Fidel Castro. Periódico La Jornada, 31 ago. 2010, p. 26. Disponível em: https://bit.ly/3kBTOPz Para Tahbaz (2013), “homens gays certamente sofreram tratamento horrível nos campos”.

[47] Celebrando la Vida del Pr. Charles Vento. Disponível em: https://youtu.be/LgKnSIlpmNk?t=2620

[48] Por exemplo, ROS, Enrique. La UMAP: el Gulag castrista. Ediciones Universal, 2004. p. 62-64, 219; SÁNCHEZ-BOUDY, José. La Cuba eterna: la fuerza de las ideas del exilio histórico. Ediciones Universal, 2009. p. 42.

[49] CORTÉS, José H. Prisioneiro em Cuba: a história de um jovem que não perdeu a esperança. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 2020.

[50] A história está registrada em ALEXANDER, Humberto Noble. Moriré Libre. Voice Media, 2015. A IASD fez uma matéria na época da libertação de Alexander, JOHNSON, Stephanie D. Standing firm in a raging storm: an account of 22 years in a Cuban prison, North Regional Voice, v. 8, n. 9, nov. 1986. p. 2-4. Disponível em: https://bit.ly/2TmxgqS

[51] MASSÓN, 2006, p. 51. Em espanhol: “más fustigadas”.

[52] BRIGGS, Kenneth A. Communist-Christian conflict in Cuba seems to ease. The New York Times. 19 abr. 1981. Disponível em: https://nyti.ms/3hRDpVw

[53] INTER-AMERICAN COMMISSION ON HUMAN RIGHTS. La situación de los derechos humanos en Cuba: septimo informe. General Secretariat, Organization of American States, 1983. p. 84.

[54] PUEBLA INSTITUTE. Cuba: Castro’s War on Religion. s.l.: Puebla Institute, 1991. p. 16.

[55] PUEBLA INSTITUTE, 1991, p. 16.

[56] CUBANET. Un mito que con el Papa se ha hecho leyenda. 18 maio 1998. Disponível em: https://bit.ly/3zdee5E

[57] HUMAN RIGHTS WATCH. Cuba’s Repressive Machinery: Human Rights Forty Years After the Revolution. 1999. Capítulo 1. Disponível em: https://bit.ly/2W68IUl

[58] INTER-AMERICAN COMMISSION ON HUMAN RIGHTS. Annual Report 2000. Capítulo IV. Disponível em: https://bit.ly/36LBueO

[59] CUBANET. Limitan la actuación de un cuarteto. 29 dez. 1998. Disponível em: https://bit.ly/3zigacW

[60] CUBANET. Permitirán oficios religiosos públicos. 3 out. 2000. Disponível em: https://bit.ly/2UVVzfY

[61] REFWORLD. Cuba: Situation of Seventh Day Adventists (update to CUB22465.E of 16 February 1996). Disponível em: https://bit.ly/3wVxDq1

[62] JORGE, Antonio; SUCHLICKI, Jaime; VARONA, Adolfo Leyva de. Cuban Exiles in Florida: Their Presence and Contributions. Miami: University of Miami, 1991. p. 111-145.

Jovens lançam campanha para levar agasalho e comida a quem mora na periferia

ajuda

Com a chegada do inverno e as baixas temperaturas registradas recentemente em Dourados, um grupo de jovens se reuniu para lançar campanha para levar ajuda a quem necessita. Os voluntários são da Igreja Adventista do Sétimo Dia no município, onde deram início ao movimento “Inverno Solidário”. O objetivo é recolher cobertores, moletons, malhas, casacos, calças, luvas, calçados, entre outros donativos, em bom estado de conservação, para ajudar famílias carentes da cidade. 

A campanha teve início no dia 12 de junho liderada pelos jovens da “Missão Calebe”, projeto missionário da Igreja Adventista em toda a América do Sul, e é fruto de um esforço coletivo da Igreja Adventista do bairro Jardim Água Boa. 

Após o período de arrecadação, as doações começaram no dia 3 e seguem até o dia 10 de julho para moradores da comunidade Santa Felicidade, localizada na região Sul de Dourados.

Até o momento foram arrecadados 300 marmitex, 20 cestas básicas, 50 agasalhos e 135 cobertores. Todo o material vem de doações de membros da igreja, vizinhos e amigos.

Com a campanha ainda em andamento, os interessados em realizar alguma doação podem procurar o ponto de coleta na Igreja Adventista do bairro Jardim Água Boa, localizada na rua Salviano Pedroso, n° 865.

O contato para ajuda pode ser feito pelo (67) 99671-0507, com a Eunice.

(Dourados News)

Divulgado documento oficial sobre marca da besta e decreto dominical

Declaração foi produzida pelo Instituto de Pesquisa Bíblica, órgão ligado à sede mundial da Igreja Adventista do Sétimo Dia.

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Questionamentos recentes foram direcionados ao Instituto de Pesquisa Bíblica a respeito da marca da besta e sua relação com a observância do domingo, bem como condicionalidade da profecia bíblica. O órgão consultivo para temas teológicos, ligado à sede mundial adventista, divulgou uma declaração oficial acerca desse tema em formato de perguntas e respostas.

O documento trata, por exemplo, da fundamentação bíblica para a compreensão acerca de um decreto mundial a respeito do domingo. Além disso, aborda a própria visão de Ellen White sobre o assunto, o que inclui uma explicação acerca da marca da besta.

Segundo Adolfo Suárez, reitor do Seminário Adventista Latinoamericano de Teologia, “a Igreja Adventista é um movimento profético fundamentado na sólida Palavra de Deus; por isso, diante de possíveis dilemas interpretativos e propostas criativas de compreensão de temas bíblicos, nossa referência está na Sagrada Escritura”.

Para o teólogo, a Bíblia é a base de compreensão adotada pelos adventistas. “Assim, precisamos estudá-la com afinco e profundidade, tomando-a como padrão para avaliar tudo o que for dito sobre o passado, presente e futuro, e que afeta a nossa salvação”, acrescenta.

Veja o documento na íntegra.

(Portal Adventista)

Live (monólogo) feminista relativista é exemplo de desprezo à Bíblia

Adventismo Sólido analisa live com famosa ecofeminista católica

live

Na noite do dia 24 de junho, os canais dos adventistas Alan Gentil e Leonardo Gonçalves fizeram uma live com a teóloga ecofeminista Ivone Gebara. Foi uma verdadeira aula de teologia liberal, relativização e desconstrução da Bíblia e da fé cristã, assistida passivamente por um grupo de mulheres, a maioria delas adventistas. Os comentários nos chats e a quantidade de dislikes deixaram clara a insatisfação geral. Se você ainda duvida, assista à gravação da live (aqui) e confira a lista de heresias abaixo:

16:00 – Leonardo faz o discurso de abertura e diz que, no cristianismo [sic], houve Cruzadas, Inquisição, escravidão, pastores exploradores; diz também que é necessário haver teologia negra, teologia feminista, etc. E arremata: “Por dois mil anos a teologia masculina branca falou por todos.” Aos 19:03, ele diz que a teologia deve ouvir e considerar os outros, num sentido ecumênico de equivalência de valores.

23:23 – Ivone reclama da introdução feita por um homem (Leonardo).

32:18 – A teologia precisa ser feminista (detalhe: essa é a mesma afirmação feita pelo pastor Edson Nunes em uma programação realizada na igreja que ele lidera, a Nova Semente).

37:05 – Gebara diz que as pessoas têm uma visão estereotipada do feminismo e também do cristianismo. O problema, segundo ela, não está com o feminismo, mas com o cristianismo.

40:00 – A Bíblia está cheia de mitos: há o mito do mal, o mito da criação, o mito da bondade e da maldade divinas.

40:47 – As doutrinas teológicas cunhadas pelos homens não aceitam mitos; elas “falam” como se existisse uma verdade, mas não existe “uma” verdade, existem caminhos. Jesus disse: “Eu sou o caminho”, então a própria verdade é uma verdade que caminha; a própria compreensão de Jesus é uma realidade que caminha; a própria compreensão do mistério maior, que é a vida, caminha, não é uma realidade estática.

44:28 – Na realidade, biológica e cosmologicamente, o feminino é anterior ao masculino. Deus Pai todo-poderoso que criou Adão é um mito de poder.

45:49 – O cristianismo foi e é uma forma de colonialismo.

49:15 – Uma das participantes cita e critica artigo de site oficial adventista que afirma ser o feminismo antibíblico.

55:07 – “Como se a palavra ‘crente’ fosse sinônimo de bom. Não é!”

55:35 – “Tirem essa ideia da bondade do cristianismo. Não é bom, não!”

59:25 – “Quem é Deus e quem é o diabo? São forças que estão dentro de nós.”

1:01 – A Bíblia não foi escrita tal e qual a conhecemos; é ingenuidade pensar assim. “Estamos continuamente interpretando, dando um significado que é para nós hoje, não o significado da época.”

1:05 – “Como podemos em nossas comunidades contribuir para desconstruir a representação masculina de Deus?” (Pergunta feita por uma das participantes.)

1:09 – Relativiza a ordem da criação.

1:10 – “Afirmamos Deus como mistério maior. O mistério maior inclui o masculino, feminino, gay, lésbica, planta, barata…”

1h11 – Debocha da ressurreição de Cristo.

1:17, 20, 23 – Não há um único caminho; não dá mais para usar a Bíblia como força de legitimação; é preciso mostrar a inter-relação entre os mundos e “experimentar outras coisas”.

Nota: Vários adventistas estão manifestando insatisfação nas redes, não necessariamente com a teóloga feminista (pois ela apenas discorreu sobre a cosmovisão dela), mas com os adventistas passivos diante de afirmações que negam totalmente as doutrinas e os princípios da igreja a que dizem pertencer. Assista ao vídeo e confira.

(Adventismo Sólido; Instagram)

Nossa identidade profética

“Se nosso povo […] reconhecesse a proximidade dos acontecimentos descritos no Apocalipse, operar-se-ia uma reforma em nossas igrejas, e muitos mais creriam na mensagem”

A consciência profética do movimento adventista do sétimo dia tem sido preponderante para o comprometimento missionário da Igreja: “Sentimo-nos compelidos a advertir o mundo sobre algo de que a maioria das pessoas não tem a menor ideia: algo que muitos julgam inacreditável. Estamos certos de que tais eventos se acham à nossa frente. Esse é um dos principais fatores que tornaram nossa proclamação do sábado tão mais bem-sucedida que a dos batistas do sétimo dia” (Apocalipse 13, p. 13). É claro que essa convicção não deve partir de um sentimento tradicionalista. No entanto, há razões bíblicas e históricas para as convicções proféticas dos adventistas. De certa forma, elas estão entrelaçadas à nossa identidade. Razão pela qual marginalizá-las, como alguns adventistas relativistas têm feito, seria apresentar Jesus como o Cordeiro, desprovido de Sua atuação vitoriosa como o Leão da Tribo de Judá (conforme analogia proposta pelo Dr. George Knight).

A Igreja Adventista do Sétimo Dia é uma igreja profética, com identidade profética, que acredita no dom profético e tem uma missão profética. Negar a importância disso coloca o membro adventista em algum(ns) dos grupos a seguir:

1. Desconhece a história da IASD
2. Está sinceramente enganado
3. É um falso profeta

Para esses o conselho do pastor Mario Veloso e a exortação de Ellen White tornam-se extremamente necessários:

“Somente o conhecimento da verdadeira escatologia manterá os cristãos da igreja remanescente ou igreja cristã adventista do tempo escatológico” (O Futuro, p. 321).

“Os perigos dos últimos dias estão sobre nós, e por nosso trabalho devemos advertir o povo do perigo em que está. Não deixeis que as cenas solenes que a profecia tem revelado sejam deixadas por tocar. Se nosso povo estivesse meio desperto, se reconhecesse a proximidade dos acontecimentos descritos no Apocalipse, operar-se-ia uma reforma em nossas igrejas, e muitos mais creriam na mensagem” (Testemunhos para Ministros, p. 118).

(Ultima Verdade Presente; Instagram)

Igreja Adventista distribui sopa e cobertores para moradores de rua

Iniciativas como essa são muito bem-vindas, especialmente neste tempo de frio

igreja

Fieis da Igreja Adventista de Umuarama realizaram na noite deste sábado (12) uma ação em prol aos moradores de rua em Umuarama.  Os voluntários arrecadaram alimentos, cobertores e roupas e distribuíram às pessoas que necessitam.

A ação solidária Adventista (ASA) é uma atividade desenvolvida por um grupo de voluntários em favor das pessoas que vivem em situação de vulnerabilidade social. Com a chegada do frio e das baixas temperaturas eles viram a necessidade de aquecer quem vive na rua.

Com amor e carinho eles prepararam sopa e distribuíram para várias pessoas. Foram distribuídas 70 marmitas, além de 31 cobertores e roupas e agasalhos. Os voluntários percorreram praças de Umuarama (locais onde muitos moradores de rua vivem).

(O Bendito)

“Unicamente os métodos de Cristo trarão verdadeiro êxito no aproximar-se do povo. O Salvador misturava-Se com os homens como uma pessoa que lhes desejava o bem. Manifestava simpatia por eles, ministrava-lhes às necessidades e granjeava-lhes a confiança. Ordenava então: ‘Segue-Me’ (João 21:19).” Ellen G. White, A Ciência do Bom Viver, p. 143.

Câmara Municipal aprova Dia Comemorativo da Chegada do Adventismo ao Brasil

Proposta em projeto de lei, data poderá constar no calendário oficial do município, no quarto sábado do mês de outubro

brusque

O Poder Legislativo aprovou, em primeira discussão e votação, durante a sessão ordinária desta terça-feira (11) o Projeto de Lei Ordinária nº 39/2021, que institui o Dia Comemorativo da Chegada do Adventismo ao Brasil. Proposto pelo vereador Alessandro Simas (DEM), a data deverá figurar anualmente no Calendário Oficial de Datas e Eventos do Município, no quarto sábado do mês de outubro.

Na tribuna, Simas reforçou que o desenvolvimento da doutrina no país se iniciou em torno de 1880 na região de Brusque, onde está localizado o imóvel conhecido como Casarão Hort, considerado berço do adventismo no Brasil. A definição da data atende a uma sugestão da Associação Catarinense da Igreja Adventista do Sétimo Dia, explicou o vereador.

O parlamentar associou a proposta à dificuldade que as pessoas têm para vivenciar práticas religiosas atualmente. “A essência da religião é usar a sua fé, o seu Deus, para fazer o maior número de pessoas felizes, fazer o bem”, definiu. Ele reverenciou que a Igreja Adventista do Sétimo Dia, além de atividades relacionadas à pregação do evangelho, também conta com redes de escolas, universidades, hospitais e clínicas para atendimento das necessidades da comunidade.

Em aparte, a vereadora Marlina Oliveira Schiessl (PT) também reiterou a relevância social dos trabalhos da Igreja Adventista na cidade. “Seja na assistência social ou na acolhida carinhosa às pessoas, tem feito toda a diferença no sentido de trazer o conforto e a materialização da fé. É uma fé com obras”, acrescentou.

Para se tornar lei, o projeto ainda deve passar por segunda discussão e votação, antes de seguir para sanção do prefeito Ari Vequi (MDB).

(Portal da Cidade)

Adventistas dando ouvidos a falsos ensinamentos

O resultado é a ruína espiritual e um rastro de descrença e pecados justificados

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A seu amigo Timóteo, o apóstolo Paulo escreveu: “Pois virá o tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, se rodearão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos. Eles se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas” (2 Timóteo 4:3, 4). Quando vemos cristãos dando ouvidos a “mestres” que colocam em dúvida a inspiração e infalibilidade das Escrituras, percebemos que Paulo, inspirado pelo Espírito Santo, de fato, antecipou uma sombra que ameaçaria constantemente a igreja de Deus, especialmente nestes dias de dúvida e descrença em que estamos vivendo. Se duvida, saiba que há pessoas questionando a inspiração divina do apóstolo dos gentios, ainda que conheçam textos como estes:

“O Deus de nossos pais de antemão te [Paulo] designou para que conheças a Sua vontade, e vejas aquele Justo, e ouças a voz de Sua boca. Porque hás de ser Sua testemunha para com todos os homens do que tens visto e ouvido” (Atos 22:14-16; grifos meus).

Eu apareci a você para constituí-lo ministro e testemunha, tanto das coisas em que você Me viu como daquelas pelas quais ainda lhe aparecerei. Vou livrar você do seu próprio povo e dos gentios, para os quais Eu o envio, para abrir os olhos deles e convertê-los das trevas para a luz e do poder de Satanás para Deus, a fim de que eles recebam remissão de pecados e herança entre os que são santificados pela fé em mim” (Atos 26:16-18; grifo meu).

Esse chamado especial e a inspiração de Paulo eram reconhecidos pela igreja cristã, tanto que o apóstolo Pedro escreveu: “E considerem a longanimidade do nosso Senhor como oportunidade de salvação, como também o nosso amado irmão Paulo escreveu a vocês, segundo a sabedoria que lhe foi dada, ao falar a respeito destes assuntos, como, de fato, costuma fazer em todas as suas cartas. Nelas há certas coisas difíceis de entender, que aqueles que não têm instrução e são instáveis deturparão, como também deturparão as demais Escrituras, para a própria destruição deles” (2 Pedro 3:15, 16; grifo meu). Note, no trecho destacado em itálico, que Pedro iguala os escritos de Paulo às demais Escrituras.

Em seu livro Atos dos Apóstolos, falando sobre o chamado e a missão de Paulo, Ellen White escreveu: “Paulo declarava que sua mudança de fé não tinha sido gerada por impulso ou fanatismo, mas fora resultado de irresistível evidência. Em sua apresentação do evangelho, ele procurava tornar claras as profecias relativas à primeira vinda de Cristo. Mostrava irrefutavelmente que essas profecias se tinham cumprido literalmente em Jesus de Nazaré. O fundamento de sua fé era a segura palavra da profecia. […] A oposição tornou-se tão violenta que não foi permitido a Paulo continuar seus labores em Damasco. Um mensageiro do Céu ordenou-lhe retirar-se por algum tempo; e ele foi ‘para a Arábia’, onde encontrou um refúgio seguro (Gl 1:17).

“Ali, na solitude do deserto, Paulo teve ampla oportunidade para sossegado estudo e meditação. Recapitulou calmamente sua experiência passada, possuindo-se de genuíno arrependimento. Buscou a Deus de todo o coração, não descansando até que tivesse a certeza de que seu arrependimento fora aceito e seus pecados perdoados. Anelava a certeza de que Jesus estaria com ele em seu ministério futuro. Esvaziou a alma dos preconceitos e tradições que lhe haviam até então modelado a vida e recebeu instruções da fonte da verdade. Jesus comungou com ele e confirmou-o na fé, conferindo-lhe uma rica medida de sabedoria e graça” (grifos meus).

Resumindo: o apóstolo Paulo foi chamado e ensinado diretamente por Deus. Seus escritos são tão inspirados quanto o Antigo Testamento, os Evangelhos e as demais cartas do Novo Testamento. Isso é confirmado por autores igualmente inspirados como o profeta canônico Pedro e a profetisa não canônica Ellen White. A despeito disso, encontramos na internet declarações infelizes como esta abaixo:

“Para mim o único Verbo, a única Palavra de Deus é Jesus. O Velho Testamento é inspirado. O Novo Testamento é inspirado. Jesus é a encarnação da Verdade. Vocês pensam diferente de mim?! Quem está na heresia são vocês. […] A única encarnação da verdade absoluta de Deus é Jesus. Portanto, Paulo não conhecia essa verdade absoluta. Ele teria que viver muitos anos e anos e anos… e nunca conheceria essa verdade absoluta como eu que já sou mais velho do que Paulo, que já tenho mais tempo de fé do que Paulo teve. […] Nasci num tempo de Bíblia para ler. Ele não. Ele não tinha nem as cartas dele para corrigir (risos). […] A única Palavra de Deus é Cristo, cara. Quem disser outra coisa é herege. Herege! Se você disser que a Bíblia é a Palavra de Deus você é um herege” (Caio Fábio, “A única palavra de Deus é Cristo! Quem disser que é a Bíblia, é herege”, 26/8/2020, YouTube).

Realmente infeliz essa declaração do ex-pastor presbiteriano Caio Fábio, um dos maiores popularizadores da ideia de Jesus como a “chave hemenêutica” da Bíblia, que acaba criando um cânon dentro do cânon e selecionando das Escrituras aquilo que convém ao leitor (tome algum tempo para assistir a este vídeo, pois o assunto é importante). Trata-se de um tremendo desrespeito para com um servo de Deus que deu a vida pela verdade e que amava profundamente o Cristo que o chamou para missão tão importante. Com todo respeito ao Caio Fábio, não posso concordar com isso, e obviamente fico com Paulo.

Mas sabe o que é ainda mais triste? Ver influenciadores adventistas não mais suportando “a sã doutrina; pelo contrário, se [rodeando] de mestres segundo as suas próprias cobiças”. Alguns desses, além de desprezar Paulo e tudo aquilo que, na ótica deles, não passa pela chave hermenêutica imaginária, desconsideram também Ellen White, tratando-a quase com o mesmo desprezo com que Caio Fábio trata o apóstolo.

Esse tipo de postura já estava prevista (confira aqui) e frequentemente leva à ruína espiritual, deixando pelo caminho um rastro de descrença e pecados justificados.

Concluo com mais duas advertências da serva do Senhor:

“Quando pessoas mencionarem a alta crítica e se arrogarem no direito de julgar a palavra de Deus, chamem a atenção delas para o fato de terem esquecido quem foi o primeiro e o mais sábio dos críticos. Aquele que tinha centenas de anos de experiência prática. É ele quem ensina os assim chamados altos críticos de hoje. Deus punirá todos quantos, a exemplo desses altos críticos, exaltam a si mesmos e criticam a santa Palavra de Deus” (Ellen White; Bible Echo, 1º/2/1897; citado no Tratado de Teologia Adventista do Sétimo Dia, p. 117).

“Nada há que [Satanás] mais deseje do que destruir a confiança em Deus e em Sua Palavra. […] Os que estão indispostos a obedecer-lhe aos preceitos, esforçam-se por subverter a sua autoridade” (Ellen White, O Grande Conflito, p. 526).

Michelson Borges

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