A última casa de Ellen White

Patrimônio histórico da Igreja Adventista do Sétimo Dia e dos EUA

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Segunda-feira, 27 de outubro de 2014. Foi impressionante a passagem pela famosa ponte Golden Gate, em San Francisco, e pelas vinhas de Napa Valley, mas nada se compara à emoção de entrar na casa em que Ellen White viveu os últimos anos de sua vida incrivelmente produtiva e inspiradora. A bela e bem conservada casa de madeira foi construída em 1885 por um homem muito rico que a usava nas férias. Na época, foram gastos 15 mil dólares na construção, mas Ellen pagou por ela apenas cinco mil. Ellen havia passado nove anos na Austrália e desejava encontrar um bom e barato lugar para morar. Ela orou a Deus e pediu que Ele mostrasse o melhor negócio. Foi então que encontrou a grande oportunidade em Santa Helena, na Califórnia. Detalhe: a casa estava toda mobiliada e tinha vários móveis com tampa de mármore branco, o preferido de Ellen. Deus havia lhe dado um presente, depois de uma vida inteira de tantas privações e lutas, como educadora, escritora, pregadora, líder e mensageira de Deus. 

Aliás, é bom lembrar que Ellen escreveu mais de cem mil páginas manuscritas, foi traduzida para mais de 140 idiomas e tem seu legado reconhecido até mesmo pelo governo dos Estados Unidos, tanto é que há uma placa na varanda inferior da casa em que se reconhece a residência como monumento histórico nacional.

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No interior da casa que Ellen passou a chamar de Elmshaven (“refúgio dos olmeiros”), pode-se ter uma ideia da rotina de Ellen White e dos que moravam com ela. Na sala, eram realizados dois breves cultos por dia, um de manhã e outro à tarde. Eles cantavam, liam um texto bíblico e cada um dos presentes tomava parte nos momentos de oração. Na sexta-feira ao pôr do sol, o culto era mais longo, e Ellen lia partes do relato dos missionários além-mar. No sábado à noite, havia “pipocada”. 

Ellen utilizava o cômodo de cima para escrever, e sua secretária Sarah procurava evitar que visitas a atrapalhassem em sua missão. Mas os netinhos sabiam como “furar o bloqueio”: eles subiam sorrateiramente pela escada que chamavam de “passagem secreta”. Ellen e eles ficavam felizes por ter alguns momentos juntos.

Ellen costumava levantar às 3h ou às 4h para escrever. Em 1915, com 88 anos de idade, ela caiu, quebrou o quadril e seu estado de saúde foi piorando. Até que, em 16 de julho, ela faleceu, antes tendo feito seus amigos garantirem que venderiam a propriedade para ajudar a pagar a compra de duas instituições da igreja. O horário da morte de Ellen (3h40) foi registrado no momento exato por Sarah no relógio que havia sido de Uriah Smith e doado pela viúva dele. O relógio está lá até hoje marcando o mesmo horário. Ao filho ela disse as últimas palavras: “Eu sei em quem eu creio.” 

Em 1927, dois adventistas compraram a casa e a doaram para a igreja. Hoje ela recebe mais de sete mil visitas por ano e continua sendo um monumento mais do que histórico; é a marca de uma vida que causou profundo impacto no coração e na mente de tantas pessoas, efeito que continua se multiplicando por meio da dezena de livros que ela escreveu. 

No quarto em que Ellen costumava receber a visita de anjos (o que foi confirmado por pessoas que viviam no sanatório não muito longe dali e que viram uma luz intensa saindo pelas janelas do cômodo), fizemos uma oração dedicando nossa vida mais uma vez ao Deus a quem Ellen White serviu com tanta dedicação por mais de sete décadas. 

Michelson Borges

Conheça mais
 sobre a vida dessa mulher extraordinária lendo a minibiografia escrita pelo neto dela (clique aqui).

A resenha que me emocionou

capa chegada2O livro que com muita alegria apresento a você agora já é um velho conhecido meu, com quem tive uma relação de amor e quase ódio (calma, pois o uso da palavra “ódio” aqui é só uma licença poética).

Era início de 2005 quando tive acesso ao livro de Michelson Borges. Até aquele momento não tínhamos um livro sobre a história de nossa igreja especificamente no Brasil, tendo, portanto, que me contentar com relatos esparsos nas histórias e biografias de nossos pioneiros. Achei o relato muito interessante, mas algo me deprimiu profundamente. Vou explicar…

No ano anterior, 2004, como líder de Jovens da Igreja Adventista do Sudoeste, em Brasília, fui o organizador de uma excursão da igreja ao Catre de Santa Catarina, na praia de Palmas. Fizemos alguns passeios pela região, passando por Brusque. Para minha surpresa, em minha leitura (três ou quatro meses após a viagem a Santa Catarina), descobri que havia passado perto de Gaspar Alto, onde se encontra a primeira IASD do Brasil.

Ah se eu soubesse…

Naquele momento, fiquei com a sensação de ter comido um livro que me foi doce ao paladar e amargo no ventre. Nossa viagem a Santa Catarina seria, com certeza, muito mais enriquecedora se… se eu conhecesse a história da minha igreja naquele momento e tivéssemos ido até a igreja em Gaspar Alto. Mas, choradeira à parte, vamos ao livro.

Quem pode conhecer o caminho da águia no céu, ou o caminho da serpente na rocha? Quão insondáveis são os desígnios de Deus, que escreve os roteiros mais surpreendentemente inimagináveis. Duvida? Quem imaginaria que a menina dos olhos de Deus (no Brasil) surgiria por meio de livros enviados em alemão, com a ajuda de um assassino foragido? E se eu te disser que o primeiro vendedor de nossa literatura por aqui só o fazia para sustentar (por anos) o vício do álcool? E o primeiro guardador do sábado por aqui foi o “conhecido” Wilhelm (sim, você já ouviu falar dele), nascido em 1835 na cidade de Erndtbrück (não tente pronunciar), na Pomerânia, país que não existe mais, engolido por Alemanha e Polônia após a Primeira Guerra (a propósito, se ainda estivesse vivo, Wilhelm teria completado 185 anos no dia 15/8).

São muitas as histórias, algumas trágicas, outras cômicas e divertidas, que mostram a direção de um “Deus do improvável” conduzindo Seu povo. Um relato único, inspirador, capaz de renovar nossa fé e fortalecer a esperança.

Mas eu te disse que o livro está sendo relançado, lembra? Pois é… Blaise Pascal disse que “o coração tem razões que a própria razão desconhece”. Confesso que durante anos, em minha conhecida maldade, pensei o mesmo quanto aos editores da Casa Publicadora Brasileira (CPB), pois não conseguia entender as razões para esse livro deixar de ser reimpresso. Minha frustração aumentou com o tempo, quando meu exemplar do livro desapareceu. Sim, eu disse que tinha uma dose de ódio em minha relação com este livro (kkkk).

Mas, para minha surpresa, soube alguns dias atrás que o livro voltou ao prelo. Provavelmente fui o primeiro a adquiri-lo na loja da CPB em Brasília, e logo no início da releitura minhas dúvidas de anos foram respondidas. Ocorre que o texto da primeira edição foi produzido pelo autor como sua monografia de conclusão do curso de Jornalismo na UFSC. O texto que temos agora é fruto de novas pesquisas, viagens e todo um trabalho de revisão da obra. O resultado é uma obra mais enriquecida, com novos detalhes, mais aprofundada. Eis o motivo para o livro ter ficado fora do catálogo da CPB por alguns anos.

Diante dessa apresentação nada convencional do livro, faço um desafio igualmente incomum a você. Todo muçulmano que se preza faz ao menos uma vez na vida a peregrinação até Meca. Católicos e protestantes costumam fazer o caminho de Santiago de Compostela, uma rota cheia de belezas naturais, onde muitos buscam uma forma meio mística de “iluminação”.

Após rever o texto de Michelson Borges, creio que não faria mal a nós adventistas do sétimo dia uma viagem a Gaspar Alto. Lá estão as raízes de nossa igreja, e creio que duas coisas podem acontecer:

1. Ao conhecer mais sobre o início da igreja no Brasil, poderemos conhecer mais sobre nós mesmos, pois é em Gaspar Alto que a minha e a sua história se cruzam. De lá partiu uma semente que, de alguma forma maravilhosa, chegou até a você e a mim.

2. Esse conhecimento não é o tão falado autoconhecimento, mas o conhecimento do Alto. Se você confia e aguarda a segunda vinda de Cristo, creio que conhecer Gaspar Alto renovará nosso senso de gratidão a Deus.

Eu gostaria de pegar a estrada agora mesmo, se me fosse possível, mas, alguns minutos atrás minha esposa me informou de que o momento não é o melhor. Parece que há uma pandemia por aí… Alguém ouviu falar disso?

Brincadeiras à parte, não sei se terei a oportunidade de realizar esse sonho, mas te convido a fazer essa viagem pelo relato de Michelson Borges (eu mesmo estou fazendo esse caminho pela segunda vez). Desejo desde já um ótimo passeio a todos!

(Mateus Castanho é diretor de Publicações na Igreja Adventista Central de Brasília)

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Adventistas e a Trindade: mentiras que te contaram

CPB relança livro que resgata história do adventismo no Brasil

resgate-da-nossa-historia5Em sua segunda edição, livro A Chegada do Adventismo ao Brasil ressalta o papel dos pioneiros no desenvolvimento da Igreja no País a partir do fim do século 19

Durante décadas, os primeiros episódios sobre o desembarque e a difusão da mensagem da Igreja Adventista no território nacional ficaram restritos aos núcleos de famílias diretamente ligadas a eles, e aos poucos “historiadores” que preservaram detalhes transmitidos de geração em geração. Algumas dessas particularidades foram “imortalizadas”, também, graças aos relatórios enviados por missionários à Associação Geral (sede mundial da denominação) e às publicações oficiais em língua portuguesa, como a Revista Adventista. Mas foi somente no fim da década de 1990 que tudo foi reunido, sistematizado e narrado de forma cronológica e detalhada pelo então estudante Michelson Borges. O que era apenas um requisito acadêmico para se obter o diploma universitário tornou-se uma radiografia do desenvolvimento da Igreja no País. [CONTINUE LENDO.]

O papel ignorado da igreja no “empoderamento” e na justiça social

womanGostaria de compartilhar alguns dados para ajudar os irmãos que estão apelando por uma autocrítica da igreja evangélica em relação ao machismo, racismo e outras opressões sociais supostamente perpetuadas pela igreja.

A igreja evangélica é composta majoritariamente por mulheres e negros. A visão de mundo e os valores das mulheres evangélicas encontra eco nas igrejas, e vice-versa. Elas se identificam com o cristianismo evangélico. Encontram ali respostas e apoio para superarem suas angústias e aflições.

As igrejas evangélicas empoderam mulheres elevando sua autoestima, promovendo inserção e ascensão social, estimulando o empreendedorismo feminino e a “domesticação” dos homens (confira aqui e aqui). É inegável que para as mulheres o “processo de empoderamento e autonomia está muito atrelado à igreja” (confira aqui e aqui). Os dados mostram que as mulheres são a maioria dos empreendedores do Brasil, e a igreja favorece formação de capital social e propicia motivação econômica (confira aqui e aqui), e “o papel mais ativo/inclusivo é desempenhado pelos evangélicos” (aqui e aqui).

O doutor em sociologia Roberto Dutra afirma que “a participação em comunidades religiosas é a maior experiência de empoderamento individual e coletivo que as classes populares das periferias de médias e grandes cidades tiveram nas últimas três décadas no Brasil” (aqui e aqui).

A maior receptividade das mulheres em relação à religião evangélica (especialmente o pentecostalismo) é explicada pelos espaços alternativos criados pelas igrejas para a discussão dos problemas femininos e familiares, o que possibilita a construção de redes sociais que ajudam as mulheres a recuperar a autoestima, a diferenciarem-se de seus familiares e a entrarem no mercado de trabalho (MACHADO, Maria das Dores Campos; MARIZ, Cecília. “Mulheres e práticas religiosas nas classes populares: uma comparação entre as igrejas pentecostais, as Comunidades Eclesiais de Base e os grupos carismáticos”, 1997).

Na verdade, a igreja evangélica está alinhada aos anseios da população mais vulnerável. Pesquisa da Fundação Perseu Abramo (aqui e aqui) indica que pobres da periferia valorizam a organização da vida pelo trabalho, a família e a religião. Além disso, os valores da periferia incluem o papel do empreendedorismo na redução da pobreza, além de adotar uma postura favorável ao conservadorismo comportamental. Ou seja, a igreja evangélica oferece exatamente o que as mulheres e os pobres precisam (e querem).

A pesquisa indica que o crescimento evangélico nas periferias é explicado pelo “papel acolhedor e comunitário” das igrejas. De acordo com Vilma Dokany, socióloga e coordenadora do Núcleo de Estudos e Opinião Pública da Fundação Perseu Abramo, as igrejas oferecem um ambiente estruturado, com a existência de creches, por exemplo, e possuem uma rede de pastores e obreiros que dão apoio aos fiéis. Para a pesquisadora, “a igreja acaba, de certa forma, cumprindo o papel do Estado”.

Para Marcelo Neri, coordenador do Centro de Políticas Sociais da FGV, “[a igreja] é vista como uma forma de ascensão social”, e as igrejas evangélicas “cumprem um papel fundamental como rede de proteção social” (aqui e aqui).

Maria das Dores Campos Machado, pesquisadora da UFRJ, afirma que “as igrejas evangélicas buscam seus pastores diretamente nas populações mais carentes. Há vários pastores negros e também mulheres pastoras e bispas. As igrejas evangélicas criaram um caminho de inclusão e ascensão social” (aqui e aqui).

Historicamente, o protestantismo teve participação fundamental na Primeira Onda do feminismo (aqui e aqui). Na verdade, o protestantismo radical já era igualitarista de gênero séculos antes do surgimento do feminismo, e a Primeira Onda tem uma “dívida histórica” com o cristianismo (e muitas mulheres evangélicas e feministas parecem desconhecer esse legado histórico (aqui e aqui).

A influência de grupos protestantes como os quakers no processo histórico de emancipação feminina tem sido inexplicavelmente subestimada em pesquisas (poucas meninas feministas sequer ouviram falar nos quakers), enquanto outros grupos são supervalorizados na bibliografia feminista (aqui e aqui). Tudo isso antes e à margem de qualquer movimento feminista organizado. Mas hoje, desprezando tudo isso, é comum encontrar um jovem crente chamando, de maneira generalizada, esse povo de “promotor da cultura do estupro”, “ignorante”, “preconceituoso”, “câncer do Brasil”, etc.

Uma boa parte das críticas feitas aos evangélicos é baseada em preconceito e desconhecimento da realidade mais ampla, como muitos pesquisadores já constataram. William Nozaki, da Fesp-SP, por exemplo, critica a tendência de se construir uma visão pejorativa de evangélicos e tratá-los como se fossem um “rebanho acéfalo que sofre de lavagem cerebral” (aqui e aqui).

Carlos Gutierrez, antropólogo da Unicamp, questiona o discurso daqueles que continuam vendo as igrejas evangélicas como agentes de alienação e de atraso, pois a atuação das igrejas evangélicas estimula a ascensão social: “Na religião, os fiéis encontram incentivo e apoio, desenvolvem a autoestima e encaram as agruras da vida com mais esperança” (aqui e aqui).

O estudo “Retrato das Religiões do Brasil” (FGV) mostrou que as igrejas evangélicas crescem entre os “grupos mais desprotegidos da população”: a presença evangélica é maior do que a média em favelas, periferias de regiões metropolitanas, entre desempregados e migrantes recentes (aqui e aqui).

Juliano Spyer, pesquisador, doutor em antropologia, afirma que “os maiores promotores da escolaridade no chamado “Brasil profundo” hoje não são as escolas e os professores, mas a internet e as igrejas evangélicas”. A igreja evangélica “representa uma espécie de estado de bem-estar social alternativo que ajuda quem atravessa momentos difíceis – doença, desemprego, violência doméstica, casos de dependência química na família, etc.” (aqui e aqui).

Esses são os fatos, são os dados, o que aparece em pesquisas. Qualquer crítica feita à igreja como um todo, para ser justa, deveria estar baseada em dados, não apenas em impressões subjetivas ou experiências pessoais negativas ou positivas.

A igreja tem muitos problemas, certamente. Mas muitas propostas de autocrítica à igreja têm sido meros ecos do ativismo secular, usando categorias estranhas à Palavra (como os conceitos de gênero, sexo, casamento e família, uma visão do ser humano distante da antropologia bíblica; e uma confusão entre o conceito feminista contemporâneo de “patriarcado” com a sociedade patriarcal descrita na Bíblia Hebraica). Frequentemente, tais apelos à autocrítica repercutem críticas direcionadas ao catolicismo e as aplicam irrefletidamente ao protestantismo radical (o que não faz o menor sentido!).

Nem tudo são flores na igreja evangélica, claro. A violência familiar está presente em lares evangélicos (aqui e aqui), mas é injusto dizer que a igreja “promove” uma cultura de violência e estupro. Ao contrário, ciente do problema, a igreja tem procurado combater essa cultura em seus ministérios voltados à mulher, família, educação e crianças (por ex.: aqui, aqui, aqui e aqui).

Muito mais pode ser feito. Provavelmente há mulheres sofrendo silenciosamente em nossas congregações, e nosso esforço deveria ser em fortalecer o potencial de promoção da justiça que a igreja já provou historicamente. Movimentos sociais que surgiram “ontem” historicamente deveriam ser cautelosos na crítica àqueles com mais horas de voo e um enorme currículo de benefícios sociais, e buscar somar esforços, pois os objetivos são comuns.

(Pastor Isaac Malheiros é professor no Instituto Adventista Paranaense)

A igreja e a “cultura do estupro”

qsUm dos marcos da minha trajetória profissional foi apresentar o “Sem Tabus” durante sete anos. Tudo sobre sexo. E sabe quantas vezes a direção da igreja ou da Novo Tempo me disse o que falar ou deixar de falar? Zero vezes. Sabe quantas vezes nos meus quinze anos apresentando o “Consultório de Família” me deram a pauta ou sugeriram eu dizer que mulheres são obrigadas a fazer sexo com o marido contra a própria vontade? NUNCA!

Assistam às participações do pastor Alacy Barbosa, líder do Ministério da Família da Igreja Adventista na América do Sul, inclusive uma bem recente, nos meus programas, e suas palestras no YouTube. Procurem uma vírgula de opressão contra a mulher nas falas dele.

Tenho 27 anos de casada, sou mãe, sou profissional, sou livre e muito feliz em todos os meus papéis. Sou uma adventista do sétimo dia, mas jamais estaria numa igreja que incentivasse violência, estupro, machismo ou feminismo.

Só para registrar: as mesmas pessoas que se escandalizam com um texto que sugere que o marido deve dizer sempre que ama a esposa, e que ela faça um jantar romântico, são a mesma patrulha que “cancela” os apóstolos Paulo e Pedro por terem dito “mulheres, sejam submissas”. Pronto! Queimem esse livro!

Amados, a redação do Manual de Noivos da igreja está ruim mesmo. [E a igreja já informou que vai melhorar isso.] Mas já estão pedindo para reescrever a Bíblia!

Tem machista na igreja? Tem. Tem até feminista. Mas daí dizer que a igreja incentiva o estupro?! Pelo amor de Deus!

Quem está escrevendo aqui é uma mulher que não se intimida de falar com chefes, pastores, diretores, presidentes… pessoalmente ou por telefone, por e-mail. Falar o que não concorda; pode e deve! Mas vamos fazer da forma correta.

Há muita gente errada na igreja. Sempre teve. Mesmo entre os discípulos de Jesus tinha Judas. Há muitos Judas hoje também. Mas acusar a igreja de um crime dessa magnitude é um crime contra a honra.

“A Igreja de Cristo, por mais débil e defeituosa que seja, é o único objeto sobre a Terra a quem Ele confere Sua suprema atenção”, escreveu Ellen White, a mulher de maior destaque profético na IASD.

(Darleide Alves é apresentadora da TV Novo Tempo; via Instagram)

Nota: Desde 2002 a Igreja Adventista realiza o projeto “Quebrando o Silêncio”, uma iniciativa educativa e de prevenção contra o abuso e a violência doméstica na América do Sul. Neste ano, o tema é a violência doméstica contra a mulher, no contexto do casamento (capa acima). Baixe a revista e dê uma olhada (clique aqui).

Recordação de quando estive no “Sem Tabus”, seis anos atrás:

Larissa Manoela posta foto em colégio adventista

larissaLarissa Manoela fez parte de um colégio religioso quando era criança e a revelação pegou os fãs de surpresa. Em seu perfil no Instagram, ela publicou uma foto ao lado de seus ex-colegas de turma. Na legenda, ela falou sobre o assunto pela primeira vez e disse que a escola era adventista: “Bom dia com esse baita #tbt. RELÍQUIAS!” Em seguida, disse que voltou a manter contado com os ex-colegas de classe: “13 anos depois a gente voltou a se falar e eu nem sei dizer o tamanho da minha alegria.” “Colégio Adventista de Guarapuava – 2007 – 1° série”, finalizou a atriz, que arrancou elogios dos fãs. Larissa Manoela, vale lembrar, está na espera para começar a gravar sua nova novela [na TV Globo]. […] (RDI)

larissa2Nota: Quando me enviaram a notícia acima, imediatamente me lembrei do lindo testemunho que a atriz Luana Piovani postou em seu Instagram alguns anos atrás (veja este vídeo), e mais uma vez pensei na responsabilidade que nossas instituições e nossas igrejas têm de representar bem o caráter de Deus e os valores expressos na Bíblia Sagrada. Na verdade, é de pensar no testemunho que cada um de nós tem dado a respeito do cristianismo. Será que aqueles que conviveram conosco, foram nossas vizinhos ou colegas de trabalho, que passaram por nossas escolas e nossos hospitais, daqui a alguns anos, ainda terão boas recordações? E mais: Quando os adventistas passarem a ser execrados pela imprensa e pelo público em geral, essas pessoas engrossarão o coro acusatório ou sairão em nossa defesa? Deus nos ajude a viver o verdadeiro evangelho que atrai pessoas a Jesus e deixa marcas positivas na memória. [MB]

Da autoajuda para a escatologia: o retorno da pregação adventista

pregacaoO apóstolo Paulo escreveu: “Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus” (Romanos 8:28). Ele tem razão. Totalmente.

Há 30 anos acompanho os púlpitos adventistas brasileiros, e um padrão se revela de modo geral: sermões de autoajuda e teologia superficial. Mas eis que a crise dos dias em que vivemos alterou isso de modo radical, e o que eu não vi em 30 anos agora vejo nos últimos três meses: a autoajuda e a teologia superficial foram substituídas por sermões escatológicos, bíblicos. Estou muito impressionado!

Poucos minutos no YouTube ou Facebook não deixam dúvidas: dezenas de sermões foram apresentados nesta época de igreja virtual, focando nos eventos finais, no preparo para a volta de Jesus. Nada de papinha, nada de fast-food. É alimento de “gente grande”. Vitaminado mesmo. E pasmem: há sermões com 50 mil, 80 mil, 200 mil, 500 mil visualizações. Espetacular!

Tenho a impressão de que nos últimos três meses de pregação se falou mais de escatologia do que nos últimos 30 anos. Glória a Deus! E também tenho a impressão de que o número de visualizações dos sermões destes últimos três meses soma muito mais do que o total de gente que assistiu aos sermões pregados nos últimos 30 anos de modo presencial. Algo a se pensar…

O apóstolo Paulo tem razão: todas as coisas cooperam para o bem. A igreja está enfrentando desafios devido à crise da Covid-19, mas o púlpito está voltando a fazer o que nunca deveria ter deixado de fazer: orientar, alimentar, advertir, conclamar, desafiar, interpelar, preparar (e não massagear, entreter, fazer sorrir, distrair). E, como resultado disso, as pessoas estão fortalecendo sua fé, pois a fé vem pelo ouvir a Palavra.

Os pregadores que se cuidem! Agora as pessoas sabem o que é ouvir um sermão que alimenta, que desafia, que ensina com profundidade. Daqui em diante, elas não vão aceitar menos do que isso. Que assim seja!

Minha conclusão: prefiro o púlpito sólido da crise ao púlpito soft da bonança.

Deus, obrigado pelas crises, que nos permitem voltar aos trilhos de Tua vontade!

(Pastor Adolfo Suárez é reitor do Seminário Adventista Latino-Americano de Teologia)

Racismo é pecado hediondo; difamação também

ellen_whiteTem sido compartilhada nas redes sociais mais uma das muitas fake news que circulam por aí. Pior, representa uma verdadeira difamação tremendamente caluniosa de uma escritora muito importante e admirada, a co-fundadora da Igreja Adventista do Sétimo Dia Ellen G. White (1827-1915). O texto falsamente atribuído a Ellen diz: “No paraíso não entrarão pessoas de pele negra, porque a pele negra representa o pecado. Todos serão brancos como senhor Jesus.” E a suposta fonte: “Ellen White – profetisa e fundadora [sic] da Igreja Adventista do Sétimo Dia (livro O Arauto do Evangelho, 1º de março de 1901).” Quem explica o mal-entendido é o pastor e editor da Casa Publicadora Brasileira Fernando Dias:

O trecho controverso é creditado a um artigo publicado na revista The Gospel Herald, de março de 1901. Ellen White foi uma grande incentivadora da evangelização das populações negras dos Estados Unidos. Em 21 de março de 1891, ela fez um longo apelo a 30 líderes adventistas do sétimo dia para que trabalho missionário fosse feito entre os afro-americanos. Em resposta a esse apelo, seu próprio filho James Edson White começou atividades assistenciais, educativas e religiosas entre negros em Vicksburg, Mississipi, em janeiro de 1895. Esse texto se trata da publicação de um sermão feito por Ellen Gould White no sábado, dia 16 de março de 1901, numa igreja composta de pessoas negras, fundada por seu filho em Vicksburg. O texto original, intitulado “Trust in God” [Confiança em Deus], pode ser lido na íntegra, em inglês, aqui.

Em sua fala, Ellen G. White se referiu ao Céu e ao amor ao próximo como característica dos que estão se preparando para habitá-lo. Em determinado trecho, ela escreveu: “Vocês são filhos de Deus. Ele adotou vocês e deseja que desenvolvam aqui um caráter que lhes garantirá entrada na família celestial. Ao se lembrarem disso, vocês deverão suportar as provações que encontrarem aqui. No Céu não haverá segregação racial, pois todos serão brancos como o próprio Cristo. Agradecemos a Deus por podermos ser membros da família real” (“Trust in God”, The Gospel Herald, março de 1901)

Esse é o trecho mais próximo ao da postagem polêmica. Não há, no texto citado, ou em outro escrito de Ellen White, qualquer coisa como “no paraíso não estrarão pessoas de pele negra, porque a pele negra representa o pecado”. Essa declaração é espúria e não combina com a atitude de Ellen White, documentada em seus escritos, em seus diários, em suas biografias e no depoimento escrito de dezenas de pessoas que conviveram com ela.

O próprio contexto da declaração afasta qualquer intenção racista da parte de Ellen White. Ela falava, quando disse isso em 1901, para uma plateia de cristãos negros no Sul dos Estados Unidos. Essa região vivera a realidade da escravidão de afrodescendentes até poucas décadas antes, e experimentaria a segregação racial ainda por muitas décadas. O tema dominante do discurso é o amor a todas as pessoas como característica dos que irão ao Céu. Ela anuncia o Céu como um lugar livre de segregação de pessoas por conta da cor da pele. Ao dizer que, no Céu, os salvos “serão brancos como o próprio Cristo”, ela muito possivelmente se referia ao que a Bíblia informa sobre a aparência que Cristo assumiu após Sua ascensão ao Céu. Ele é descrito como tendo rosto e cabelos “brancos como a alva lã, como neve” (Apocalipse 1:14).

A Bíblia ensina que os salvos terão no Céu um corpo celestial e glorioso. Esse corpo será semelhante ao corpo que o próprio Jesus passou a ter no Céu (1 Coríntios 15:35-58). A descrição do Cristo glorificado em Apocalipse 1:13-20 se refere ao Seu aspecto radiante, resplandecente e luminoso, não à cor da pele. Ou seja, todos os remidos, independentemente de suas características físicas, serão transformados e terão um aspecto semelhante ao de Jesus Cristo em Sua glória.

Convém relembrar que Ellen White não assumiu o título de profetisa, conforme ela explica em Mensagens Escolhidas (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1985), v. 1, p. 32. Também ela não é a fundadora da Igreja Adventista do Sétimo Dia, mas fez parte de um grupo de diversas pessoas que estabeleceram essa denominação cristã entre 1860 e 1863.

Nota: Se você quiser saber mais sobre Ellen White e o assunto do racismo, assista à entrevista abaixo.

Bíblia, adventismo e racismo