O que não é um perfeccionista

praying-manO perfeccionista “clássico” é aquele que acredita que pode “marcar pontos no Céu” por meio de suas boas obras. No extremo dessa crença, está a ideia de que a própria salvação pode ser alcançada por mérito. O perfeccionista geralmente pensa em Jesus mais como modelo do que como redentor. Por isso, ele minimiza a gravidade do pecado, encarando-o antes como uma escolha do que como uma condição (embora ambas as coisas coexistam). Acha que pode igualar o Modelo, mais do que assemelhar-se a Ele. Assim, o perfeccionista, por minimizar a doença, acaba minimizando também a importância do remédio. Perfeccionistas são críticos e verdadeiros vigias dos deslizes alheios. Geralmente, condenam nos outros aquilo contra o que eles mesmos lutam. Essas pessoas são infelizes, já que, em seu íntimo, sabem que não conseguem viver à altura do padrão que elas mesmas estabeleceram. Ou, então, são orgulhosas, pois, por rebaixar o padrão, vivem na ilusão de havê-lo alcançado e, por causa disso, acabam olhando de cima para baixo seus irmãos “imperfeitos”. Há quem diga que esse tipo de perfeccionista não existe. Tenho minhas dúvidas…

Tratei do tema do perfeccionismo aqui, aqui e aqui. Mas tem algo mais que precisa ser dito a respeito desse assunto: há pessoas zelosas e sinceras sendo consideradas perfeccionistas pelo simples fato de desejarem viver de acordo com a luz que receberam. Assim, creio que é importante listar algumas características daqueles que não são perfeccionistas, mas que, às vezes, são tidos por:

1. Dedicam tempo para se familiarizar com a Bíblia, seus princípios, suas verdades, suas orientações e seus temas. Dão atenção especial às profecias para este tempo, como as de Daniel e Apocalipse, pois amam Jesus e querem muito saber em que momento da história vivemos e quanto tempo ainda falta para o grande encontro com o Salvador – muito embora saibam que nossa preocupação não deve ser quanto a datas e esquemas proféticos sensacionalistas e sem fundamento.

2. Valorizam o grande presente que Deus concedeu à Sua igreja remanescente: os escritos inspirados de Ellen White. Por lerem e estudarem esses textos que estão em pleno acordo com a luz maior, a Bíblia Sagrada, esses filhos de Deus percebem que há muita coisa em nossa vida que precisa ser mudada com a ajuda de Deus. Percebem, também, que, com a Bíblia e os escritos da Sra. White, não temos porque errar o caminho, já que o Senhor nos deu orientações mais do que suficientes para vencermos a batalha da vida.

3. Por reconhecer que, por meio dos escritos inspirados, Deus fala ao Seu povo, essas pessoas evitam perder tempo com as futilidades e distrações que o inimigo coloca no caminho daqueles que desejam chegar à vida eterna. Essas pessoas se abstêm de conteúdos midiáticos levianos, blasfemos, ideologicamente contrários ao cristianismo, que não se adequam aos valores expostos em Filipenses 4:8 – enfim, evitam todo e qualquer conteúdo que possa macular seus pensamentos e afastar Jesus do coração.

4. Por entender que o corpo é o templo do Espírito Santo e que aquilo que fazem com o corpo afeta a mente, esses cristãos procuram seguir o estilo de vida orientado por Deus por meio dos escritos inspirados dados à igreja. Exercício físico, repouso adequado, dieta o mais natural possível (de preferência, vegetariana) e a observância dos demais “remédios naturais” fazem parte desse estilo de vida, e essas pessoas procuram colocar tudo isso em prática sem fanatismo e extremismo, e sem julgar os outros. Fazem isso porque reconhecem que é o melhor para a vida delas e porque amam Aquele que deu essas instruções. Fazem isso, sobretudo, porque querem ser instrumentos úteis nas mãos de Deus no sentido de abençoar outras pessoas (missão). Por meio de um exemplo tranquilo e sábio, procuram motivar seus semelhantes a colocar em prática esses princípios de saúde e respeitam o livre-arbítrio daqueles que ainda não se sentiram motivados a fazê-lo. Cuidar da saúde é uma ótima forma de exercitar o domínio próprio, afinal, como controlar o que sai da nossa boca, se nem conseguimos controlar o que entra por ela?

5. Esses cristãos creem que os servos de Deus devem ser a luz do mundo e que são verdadeiros “mostruários” dos valores do reino eterno. Assim, procuram exibir em sua vida os princípios da modéstia, do bom gosto e da decência. O objetivo deles é chamar a atenção para o Mestre e não para si. Por isso são discretos e se vestem de maneira honrosa, digna e simples. Por outro lado, evitam modas antiquadas ou retrógradas e esquisitas, que acabam, igualmente, chamando a atenção para si, só que por outro motivo – pelo ridículo.

6. Cristãos como esses procuram em Deus o amor com devem amar uns aos outros. Na comunhão com o Eterno recebem sabedoria, equilíbrio e mansidão para viver em família e em comunidade. Eles amam o cônjuge e os filhos, e essa relação amorosa faz do lar deles um pedacinho do Céu na Terra e um elemento forte de atração para o cristianismo. O culto familiar é, para eles, uma prioridade. Outras pessoas vão querer ser como eles e ter o que ele têm. E se em algum momento houver atritos nessas relações (porque são imperfeitos), esses cristãos de carne e osso pedirão perdão a Deus e ao semelhante e vão orar para ser pessoas melhores.

7. Porque amam a igreja, essas pessoas não são críticas e não fazem comentários destrutivos, mas procuram, com amor e no espírito de Mateus 18:15, chamar a atenção dos que vivem em erro, mostrando interesse genuíno na salvação deles e não posando de modelo de santidade. Pessoas assim até chamam o pecado pelo nome, mas não chamam o nome do pecador, a fim de não expô-lo indevidamente.

8. Cristãos imperfeitos procuram andar no caminho da perfeição bíblica, ou seja, do crescimento em maturidade e amor (que é exatamente o conceito bíblico de perfeição). Entendem que antes da glorificação por ocasião da volta de Jesus não haverá uma condição de impecabilidade, e farão de tudo, com suas capacidades e seus recursos, para resgatar outras pessoas imperfeitas e mostrar-lhes o caminho da salvação. Assim, esses servos do Altíssimo terão um espírito missionário bem aguçado e serão verdadeiros mordomos de Deus, aproveitando cada oportunidade para falar de Seu amor, jamais utilizando o dízimo, por exemplo, de maneira indevida, em desarmonia com os propósitos da igreja. Cristãos “perfeitos” entendem que todas as bênçãos que Deus nos dá (saúde, prosperidade material e outras) devem ser usadas não apenas em proveito próprio, mas, sobretudo, para abençoar o semelhante.

Vários outros itens poderiam ser acrescentados à lista, mas creio que esses são suficientes para mostrar que muita gente na igreja não deveria ser considerada “perfeccionista” pelo simples fato de que, na verdade, são simplesmente cristãos.

Michelson Borges

A Igreja Adventista e seus críticos

criticoParece ser cada vez mais frequente haver entre nós uma estranha propensão para a crítica à Igreja Adventista do Sétimo Dia como organização e entidade. Qualquer pequeno ou grande motivo é logo razão para o início de uma cruzada, individual ou coletiva, contra aquela que sempre soubemos ser e reconhecemos como a Igreja de Deus para este tempo. Antes de mais nada, devemos compreender a diferença entre duas críticas diferentes: (a) a primeira será perceber que certamente existem membros que assumem um comportamento errado diante de determinadas circunstâncias ou fatores (neste caso, entenda-se crítica como avaliação); (b) a outra será criticar a Igreja Adventista em si, questionando suas doutrinas, seus princípios e até mesmo sua importância escatológica. O que importa aqui nesta reflexão é a crítica à instituição e não ao comportamento particular dos membros.

Tentando exemplificar um pouco, as acusações que se levantam contra a Igreja podem ser de âmbitos diferentes: (a) genericamente, somos acusados de ter jesuítas infiltrados (confira aqui), de fazer pactos secretos com a Igreja Católica, de participar dos movimentos ecumênicos e do Concílio Mundial de Igrejas, etc.; (b) em casos específicos, a queixa é sobre doutrinas ou escritos de Ellen White que foram propositadamente alterados, pastores que estão em apostasia, o uso do dízimo, a natureza do Espírito Santo, etc.

Regra geral, quem são os críticos à instituição Igreja Adventista do Sétimo Dia? Se estivermos minimamente atentos, vamos perceber que eles assumem caraterísticas normalmente muito semelhantes e repetitivas, que nos permitem identificar um padrão:

  1. Membros insatisfeitos com o estado da Igreja (o que, por si só, não é mau) ou com as lideranças.
  2. Membros que não são capazes de discernir entre o que é a Igreja como corpo e o comportamento individual das pessoas como membros.
  3. Membros que mantêm e não resolvem conflitos internos.
  4. Membros que, mesmo inconscientemente, pretendem justificar seu próprio mau proceder com os erros da Igreja.
  5. Membros que se julgam portadores de uma importante revelação que entendem como fundamental e imprescindível para reformar e reavivar a Igreja.
  6. Membros mais atentos aos problemas do que às soluções – gastam muito tempo na crítica e pouco ou nada em estudos bíblicos, distribuição de literatura ou até mesmo em colaborar nas funções da Igreja.

Infelizmente, as pessoas que assumem uma postura deste tipo – apontar erros e fazer nada mais do que isso, sugerir corrupção em tudo o que veem, declarar apostasia por tudo e por nada – geralmente acabam por se afastar da fé e/ou da comunidade de crentes, ficando a pairar sobre si mesmos sem saber ao certo o que mais fazer e para onde ir. Temos observado que em todos os casos aqueles cujo “ministério” consiste em criticar a Igreja, normalmente de forma gratuita e sem intenção de construir ou corrigir positivamente, quase sempre se perdem pelo caminho – de críticos experientes, rapidamente se tornam em apóstatas intransigentes.

Ellen White avisou acerca do que esse procedimento provoca ao próprio Deus: “Coisa alguma neste mundo é tão preciosa para Deus quanto Sua igreja. Coisa alguma é por Ele guardada com tão cioso cuidado. Coisa alguma ofende tanto ao Senhor quanto um ato que prejudique os que Lhe estão fazendo o serviço. Ele chamará a contas todos quantos ajudam Satanás em sua obra de criticar e desanimar” (Conselhos Para a Igreja, p. 253).

E se olharmos um pouco mais para trás em nossa história até aos dias de hoje, vamos verificar que, em todos os casos, no meio da crítica e por vezes ataque severo à Igreja Adventista, não conseguimos discernir uma pessoa ou grupo que, lançado nessa empreitada contra a Igreja, tenha prevalecido seriamente e tenha mostrado provas concretas da direção de Deus.

Por outro lado – ainda que alguns de seus integrantes, incluindo membros e líderes, já pareçam ter caído até às portas do inferno –, criticada e acusada, a Igreja como entidade, mantém-se firme, seguindo em frente e para cima. Pode ser que tenha – e certamente tem – muitos percalços pelo caminho; mas não é por isso que ela deixa de avançar.

Quero com isso dizer que a Igreja é inatacável e está numa espécie de condição papal, acima de qualquer crítica? Bom, devemos perceber melhor o que entendemos como Igreja: (a) se estivermos falando de Igreja como sendo o conjunto de crentes, temos muitas razões para parar e rever comportamentos, como sugeri antes; (b) se estivermos falando de Igreja como sendo o conjunto das suas doutrinas, princípios, valores, mensagem e missão, podemos ter certeza de que criticar a Igreja é lutar contra o próprio Deus.

Aliás, a Bíblia faz menção a isso por meio da afirmação de Gamaliel: “E agora digo-vos: Dai de mão a estes homens, e deixai-os, porque, se este conselho ou esta obra é de homens, se desfará. Mas, se é de Deus, não podereis desfazê-la; para que não aconteça serdes também achados combatendo contra Deus” (Atos 5:38, 39).

Ainda assim, se houver motivo de reparo e retificação na Igreja, faça-o imediatamente para advertir, recuperar, construir, até mesmo repreender; mas nunca para condenar, ferir e prejudicar a Igreja que Deus mantém sobre a terra.

Veja a advertência que temos de Ellen White a esse respeito: “Sejam todos cuidadosos para não clamarem contra o único povo que está cumprindo a descrição dada do povo remanescente, que guarda os mandamentos de Deus e tem a fé em Jesus” (Testemunhos para Ministros e Obreiros Evangélicos, p. 50, 58).

Todos reconhecemos que há problemas na Igreja, disso não temos a mínima dúvida; mas, quando se começa a atacar a Igreja em si, aquilo que de mais basilar a Igreja comporta, seus mais nucleares fundamentos, confesso que, se Deus me der vida e capacidade, defenderei esta Igreja até ao limite de todas as minhas forças.

Conclusão, nas palavras de Ellen White: “Deus tem uma igreja, um povo escolhido; e pudessem todos ver como eu tenho visto, quão intimamente Cristo Se identifica com Seu povo, não se ouviria uma mensagem como essa que denuncia a igreja como Babilônia. Deus tem um povo que é Seu coobreiro e este tem avançado em frente, tendo em vista a Sua glória. Ouvi a oração de nosso representante nos Céus: ‘Pai, aqueles que Me deste, quero que, onde Eu estiver, também eles estejam comigo, para que vejam a Minha glória.’ Como o Chefe divino almejava ter Sua igreja consigo! Com Ele haviam comungado em Seus sofrimentos e humilhação, e é a Sua mais elevada alegria tê-los consigo, para serem participantes de Sua glória. Cristo reclama o privilégio de ter Sua igreja consigo. ‘Quero que, onde Eu estiver, também eles estejam comigo.’ Tê-los consigo, está de acordo com o concerto da promessa e o pacto feito com Seu Pai. Reverentemente, apresenta Ele, no trono da graça, a consumada redenção para Seu povo. O arco da promessa circunda nosso Substituto e Penhor ao lançar Sua amorável petição: ‘Pai, aqueles que Me deste quero que, onde Eu estiver, também eles estejam comigo, para que vejam a Minha glória.’ Contemplaremos o Rei em Sua beleza e a igreja será glorificada” (A Igreja Remanescente, p. 16).

(Filipe Reis é evangelista leigo no Ministério Fé & Evidências, em Portugal: www.fe.pt)

Teatro na igreja e a condenação de Jesus

rico lazaroRecebi alguns e-mails em reação ao post sobre o uso de dramatizações na Igreja Adventista do Sétimo Dia. Respeito a opinião de cada um e tenho a minha, que está alinhada com a posição do Dr. Alberto Timm, diretor associado do White Estate, e com a da organização adventista. Em que sentido? No de que Ellen White mesma incentiva a igreja a utilizar todos os recursos lícitos para pregar o evangelho: “Devemos utilizar todos os meios possíveis para levar a luz diante do povo. Utilize-se a imprensa e rodo meio de propaganda para chamar a atenção para o trabalho” (Testemunhos Para a Igreja, v. 6, p. 36). “Descobrir-se-ão meios para alcançar os corações. Alguns dos métodos usados nesta obra serão diferentes dos que foram usados na mesma no passado” (Evangelismo, p. 105). “As invenções da mente humana parecem proceder da humanidade, mas Deus está atrás de tudo isso. Ele fez com que fossem inventados os rápidos meios de comunicação para o grande dia de Sua preparação” (Fundamentos da Educação cristã, p. 409). Você consegue ver a internet prevista aí? Aliás, falando em internet, será que alguém hoje teria dúvida de que a web é um tremendo recurso para alcançar as pessoas onde elas estão? Mas trata-se de uma tecnologia criada para fins militares e que hoje dissemina conteúdos que são um lixo, para dizer o mínimo… E o que dizer do rádio? Quando o pastor H. M. S. Richards, criador da Voz da Profecia, começou a usar esse meio de comunicação para pregar, teve que ouvir muitas críticas. O mesmo aconteceu com o pastor Roberto Rabelo. Onde já se viu usar o rádio para pregar! Televisão? A mesma coisa. O “diabo de chifres” (no tempo em que os aparelhos tinham aquelas duas anteninhas) é profano! Hoje alguém tem dúvidas de que TV Novo Tempo é uma grande bênção? As novas gerações já quase não ouvem rádio nem assistem à TV. Onde estão essas pessoas? Na internet. E o que elas fazem lá para se entreter? Entre outras coisas, assistem a vídeos no YouTube. Então vamos fazer vídeos para o YouTube a fim de pregar o evangelho a toda criatura, incluindo essas criaturas.

Há pessoas que têm utilizado textos de Ellen White relacionados ao teatro e às encenações teatrais com o objetivo de criticar essas produções cinematográficas que têm potencial para alcançar milhões de pessoas em pouco tempo (uso a palavra “cinematográfica” aqui no sentido de produção de filmes, não para me referir ao ambiente cinema). Quando analisada em seu devido contexto, a maioria desses textos têm que ver com a condenação que a Sra. White faz de pregadores que falavam com teatralidade, ou seja, de maneira “forçada”, não natural, fingida. Os textos restantes também devem ser analisados com cautela, levando em conta o contexto cultural, a ocasião e os destinatários da mensagem, e o conjunto da obra da autora. Exatamente como se faz com a boa exegese bíblica. Ou alguém atualmente proibiria uma mulher de pregar a Palavra usando como argumento a ordem paulina lá em Corinto?

Evidentemente que muitas dramatizações feitas na igreja ou em eventos da igreja chegam ao ponto de ser ridículas e entrariam facilmente na condenação dos textos que falam de “sabor teatral”. Quando os figurantes fazem gracejos, falam ou fazem o que é inapropriado, se vestem de modo impróprio, e por aí vai. Nesse caso, vamos condenar todas as encenações por causa de alguns desvios? Vamos condenar o meio (como já foi feito com o rádio, a TV e a internet) ou a forma como o meio é usado? Vamos jogar o bebê fora com a água suja do banho? (Perdoe-me a comparação “manjada”.) Seria como dizer que devemos abandonar o uso da música por causa dos desvios que vêm sendo praticados nessa área.

Uma boa comparação é com o uso de ficção em nossa literatura. Ellen White também escreveu sobre isso e, numa primeira leitura, parece que ela condena todo tipo de ficção. Até que a gente descobre que ela elogiou a obra de ficção clássica intitulada O Peregrino e que ela também colecionava contos (fictícios) para lê-los aos netos. Estaria a Sra. White se contradizendo? Claro que não. E isso fica claro quando analisamos o tipo de ficção que ela não recomendava. (Sobre esse assunto, indico o artigo “Ellen White e a ficção literária”, do Dr. Milton Torres, e a apresentação em Prezi “Literatura como recurso evangelístico e didático”.)

Levando em conta a atitude de algumas pessoas, Jesus seria condenado por ter contado a parábola do rico e Lázaro. Como Ele pôde usar uma história pagã antibíblica para dar Seu ensinamento? Convenhamos, trata-se de um conto bastante “dramático”. E que história é aquela de árvores falantes, na parábola do antigo testamento? Deus é criativo em Sua maneira de alcançar os seres humanos.

Muita confusão se deve à (in)compreensão do que seja “dramatização”. Seria apenas uma peça teatral, ou haveria outras formas de “drama”? Ou a representação limitada e real de algo muito maior poderia também ser classificada como “drama”? Não seriam – como aponta o Dr. Timm – as cerimônias do santuário uma “dramatização” de algo infinitamente maior, ou seja, do sacrifício de Cristo? Há quem pense que sim, há quem pense que não. Mas aí é uma questão de opinião. E opiniões não devem ser impostas como a vontade de Deus e em dissonância com o entendimento da igreja. Isso só causa divisão no corpo de Cristo, originando uma situação muito pior do que o mal que se critica.

E o que dizer do fato de haver atores não adventistas em produções “cinematográficas” da igreja? Como fazer um filme verossímil e convincente sem empregar atores? Vamos dispensar os pedreiros que constroem nossos templos? A maioria deles não é adventista… Vamos rejeitar o capítulo 4 do livro de Daniel por ter sido escrito por um rei pagão recém-convertido? O que dizer de uma jumenta que falou? E de um alcoólatra usado por Deus para espalhar literatura adventista, no começo de nossa obra no Brasil (confira)? (Aliás, foi graças ao filme “Como Tudo Começou” que uma pessoa para quem dei estudos bíblico se convenceu de que Ellen White foi usada por Deus como profetisa.)

Neste, como em vários outros temas, é preciso muito bom senso, respeito, preocupação com a igreja e devida análise de contexto bíblico e dos escritos de Ellen White. Curiosamente, assim como o Dr. Timm, os depositários do patrimônio literário Ellen White que o precederam em anos recentes mantiveram a mesma opinião sobre o assunto: a Sra. White não condena de forma indiscriminada o uso de dramatizações. Estariam errados esses homens que devotaram a vida ao estudo e à divulgação do Espírito de Profecia?

Há desvios em nossas produções? Há aspectos que podem ser melhorados? Há coisas que devem ser rejeitadas? Possivelmente. Mas não avancemos o sinal em nossa crítica a ponto de condenar o que não precisa ser condenado (neste caso, o meio, não a forma). Oremos pelas pessoas que, de coração e com toda a sinceridade, querem usar seus talentos na pregação do evangelho. E que Deus nos ajude a utilizar com sabedoria e bom senso todos os meios lícitos a fim de alcançar esta geração que se perde na escuridão.

Michelson Borges

O uso de dramatizações na Igreja Adventista

dramatizaçãoDe quando em quando se levanta alguém na igreja com algum tipo de “nova luz” ou com uma ênfase um tanto exagerada ou desequilibrada sobre certos assuntos. Essas pessoas se valem de textos bíblicos ou de citações de livros de Ellen White fora do seu contexto ou com aplicação indevida e criam, assim, situações que mais promovem desunião e agitação nas igrejas do que o desejo de um reavivamento e uma reforma genuínos, promovidos pelos Espírito Santo, com mansidão e sem comprometer a tão preciosa unidade pela qual Jesus orou em João 17. Essas pessoas deveriam compreender (já que usam tanto os escritos de Ellen White) que Deus está guiando Sua igreja e tem pessoas sábias e consagradas, colocadas no lugar certo e fazendo o trabalho dEle. Uma dessas pessoas a quem conheço pessoalmente, de quem fui aluno e sou admirador, é o pastor Alberto Timm, PhD em Teologia e diretor associado do White Estate, na sede mundial da Igreja Adventista, nos Estados Unidos. Em setembro de 1996, a Revista Adventista (órgão informativo oficial da igreja no Brasil) publicou um artigo dele sobre o uso de dramatizações em nossas programações. Como esse tema é recorrente e a polêmica às vezes se instala, resolvi postar aqui o artigo, que é bastante elucidativo. Logo após, coloquei um link para outro documento, do Centro de Pesquisas Ellen White, localizado no Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp, campus Engenheiro Coelho), e adicionei uma nota sobre “ficção” e o que Ellen White escreveu sobre isso, tema que se assemelha, de certa forma, à questão das dramatizações, pois ocorre que alguns também polemizam o assunto usando igualmente textos fora de contexto. Espero que o material a seguir lhe seja útil e que as pessoas entendam que Deus está guiando Sua igreja, um povo, não vozes dissonantes e inconsequentes. [MB]

O uso de dramatizações na igreja

Especialistas na área de comunicação têm afirmado que aprendemos 83% das informações do mundo exterior por meio da visão; 11% por meio da audição; e 6% distribuídos entre o tato, o olfato e o paladar. Isso significa que nos lembramos muito mais daquilo que vemos do que daquilo que meramente ouvimos. Se a visão é tão eficaz no processo da comunicação, deveria a Igreja Adventista do Sétimo Dia valer-se apenas de recursos auditivos na proclamação do “evangelho eterno” (Ap 14:6)? Até que ponto poderia essa denominação incorporar recursos visuais e dramatizações em seus serviços religiosos, sem com isso infringir princípios expostos na Bíblia e nos escritos de Ellen White?

A fim de respondermos a essas questões, consideraremos, inicialmente, alguns antecedentes do uso de dramatizações na literatura bíblica e nos escritos da Sra. White. Procuraremos, então, identificar alguns princípios básicos que poderão nos ajudar a estabelecer parâmetros seguros sobre o assunto.

No Antigo Testamento – A liturgia do Antigo Testamento centralizava-se nos rituais simbólicos, primeiro, dos altares patriarcais; depois, do tabernáculo mosaico; e, por último, do templo de Jerusalém. Esses serviços, ministrados por sacerdotes (cf. Êx 28 e 29; Lv 8), constituíam uma prefiguração dramática da salvação que haveria de se concretizar por meio do sacrifício e do sacerdócio de Cristo. Animais representavam a Cristo; a imolação desses animais simbolizava a morte de Cristo; e o sangue deles prefigurava o sangue de Cristo. Também as festas de Israel eram marcadas por inúmeras dramatizações (ver Êx 12:1-27; Lv 16 e 23). Ellen White denomina todo esse sistema centralizado no santuário de “o evangelho em figura”.

Outro ato religioso dramático do Antigo Testamento era a cerimônia da circuncisão. Esse ato foi ordenado por Deus como um símbolo exterior do concerto entre Ele e Seu povo.

Em Números 21:4-9, Deus ordenou que Moisés preparasse e levantasse uma “serpente de bronze”, como um símbolo de Cristo. Todos aqueles que olhassem com fé para aquela serpente viveriam.

Dramatizações são encontradas também nos livros proféticos do Antigo Testamento. O próprio Deus usou recursos pictóricos para descrever realidades sociopolíticas e religiosas nas visões proféticas registradas em tais livros, como Ezequiel, Daniel e Zacarias. Por exemplo, no capítulo 2 do livro de Daniel, a segunda vinda de Cristo é representada pela grande pedra que feriu os pés da estátua. Já no capítulo 1 de Oseias, encontramos Deus ordenando que o próprio profeta (Oseias) dramatizasse a apostasia espiritual de Israel, casando-se com uma prostituta.

Portanto, o uso de recursos visuais (incluindo dramatizações) permeava o culto do Antigo Testamento. Tais recursos eram parte do serviço do santuário, da cerimônia da circuncisão e dos ensinos proféticos. Mas o emprego de tais recursos visuais não se limita apenas ao Antigo Testamento.

No Novo Testamento – Os quatro Evangelhos apresentam inúmeras ocasiões em que Cristo usou ilustrações vívidas da natureza e da vida diária para ensinar lições espirituais. Ele não apenas Se valeu do recurso didático das parábolas, mas até comparou-Se a Si mesmo com tais figuras como a água (Jo 4:10), o pão (6:41 e 48), a luz (8:12), a porta (10:9), o pastor (10:14) e a videira (15:1-5).

A própria cerimônia do Batismo é uma dramatização simbólica, instituída por Cristo para marcar o início de uma vida de consagração a Deus. Cristo não apenas Se submeteu a essa cerimônia (Mt 3:13-17), mas também ordenou que ela fosse ministrada a todos quantos aceitassem o evangelho (28:18-20).

Até mesmo Sua morte dramática sobre a cruz tinha propósitos didáticos. Ellen White declara que “a cruz é uma revelação, aos nossos sentidos embotados, da dor que o pecado, desde o seu início, acarretou ao coração de Deus”. Ela acrescenta que “o Calvário aí está como um monumento do estupendo sacrifício exigido para expiar a transgressão da lei divina”.

Esse evento dramático ocorreu sobre uma cruz com o objetivo de tocar os “nossos sentidos embotados”. Ele é relembrado simbolicamente por meio da cerimônia da Santa Ceia (ver Mt 26:17-30; Jo 13:1-20), que é, por sua vez, uma dramatização litúrgica ordenada por Cristo para ser repetida periodicamente por Seus seguidores (cf. Jo 13:13-17; 1Co 11:23-26).

À semelhança de alguns livros proféticos do Antigo Testamento, o conteúdo do Apocalipse de João é caracterizado por dramatizações simbólicas, que descrevem pictoricamente o desenvolvimento do plano da salvação no contexto do grande conflito entre as forças do bem e os poderes do mal.

Por conseguinte, o Antigo e o Novo Testamentos estão permeados de dramatizações simbólicas. Especialmente o Batismo e a Santa Ceia são dramatizações do plano de salvação, instituídas pelo próprio Cristo como parte da liturgia de Sua igreja.

Nos Escritos de Ellen White – Analisando-se os escritos de Ellen White, percebe-se, por um lado, que ela: (1) endossa reiteradas vezes as dramatizações litúrgicas do Antigo Testamento (o cerimonial do santuário, etc.); (2) enaltece as dramatizações litúrgicas do Novo Testamento (o Batismo, o Lava-pés, a Santa Ceia, etc.); (3) engrandece o ritual sacerdotal de Cristo no Céu; (4) não criticou a dramatização a que assistiu na Escola Sabatina de Battle Creek, em 1888; (5) não condenou a encenação do Natal de 1888, em Battle Creek, mas simplesmente expressou sua aprovação aos pontos positivos do programa e sua desaprovação aos pontos negativos; e (6) não condenou o uso das bestas de Daniel e do Apocalipse como ilustrações evangelísticas.

Por outro lado, várias citações de Ellen White desaprovam o uso de qualquer tipo de exibicionismo teatral. Estariam essas citações condenando indistintamente todo tipo de dramatização? Eu creio que não, pois, se assim fosse, teríamos que eliminar até mesmo o Batismo e a Santa Ceia de nossas igrejas.

É interessante notarmos que as próprias citações de Ellen White que desaprovam o uso de exibições teatrais identificam também as características negativas básicas que a levaram a se opor a tais exibições. Dentre essas características destacamos as seguintes: (1) afastam de Deus; (2) levam a perder de vista os interesses eternos; (3) alimentam o orgulho; (4) excitam a paixão; (5) glorificam o vício; (6) estimulam o sensualismo; e (7) depravam a imaginação.

Disso inferimos que dramatizações são aceitáveis, em contrapartida, quando: (1) aproximam de Deus; (2) chamam a atenção para os interesses eternos; (3) não alimentam o orgulho; (4) não excitam a paixão; (5) desaprovam o vício; (6) não estimulam o sensualismo; e (7) elevam a imaginação.

Na Igreja Adventista – Grupos de dramatização têm participado frequentemente em vários programas de TV mantidos pela Igreja Adventista do Sétimo Dia, ao redor do mundo. Elencos especiais de dramatização foram necessários também para a produção dos filmes e/ou vídeos “Um em Vinte Mil” (EUA), “O Grande Conflito” (Argentina), “Heróis da Fé” (Austrália), “O Barquinho Azul” (Brasil) e muitos outros [como “Tell the World”, “Opostos” e “O Resgate”]. Evangelistas adventistas usam um número significativo de filmes em suas séries de conferências públicas.

Dramatizações fazem parte ainda da vida da grande maioria dos internatos mantidos pela denominação. Elas são usadas também em nível de igrejas locais, tanto em programas alusivos ao Dia das Mães e ao Natal, quanto nos departamentos infantis da Escola Sabatina.

Várias dessas dramatizações têm elevado espiritualmente tanto os apresentadores quanto os que a elas assistem. Existem, no entanto, aqueles que pensam que os fins justificam os meios e que boas intenções são o único critério determinante para a aceitação de um determinado programa. Mas se restringíssemos os critérios apenas ao nível das intenções, certamente incorreríamos no grave erro de abrirmos as portas a todo e qualquer tipo de programação “culturalmente” aceitável.

Critérios básicos – Cuidadosa consideração deve ser dada, não apenas para as intenções, mas também para a própria natureza do programa, e escolha dos participantes, bem como ao tempo e o local adequados tanto para o ensaio quanto para a apresentação da cena.

As dramatizações devem: (1) evitar o elemento jocoso e vulgar; (2) evitar o uso de fantoches (animais e árvores que falam, etc.); (3) ser bíblica e historicamente leais aos fatos, como estes realmente ocorreram; e, acima de tudo, (4) exaltar a Deus e Sua Palavra (e não os apresentadores da programação).

Já os apresentadores devem ser pessoas cuja vida espiritual e conduta estejam em plena conformidade com os princípios adventistas, e que estejam dispostos a acatar as orientações da liderança da congregação local e das organizações superiores da denominação. Prudente seria que todos os participantes de um elenco de dramatização fossem escolhidos com base nas diretrizes sugeridas pelo Manual da Igreja Adventista do Sétimo Dia para a seleção dos “membros do coro da igreja”.

A liderança da igreja, por sua vez, é responsável por prover orientações adequadas aos apresentadores de dramatizações. A ela compete exercer uma função equilibradora, para que as programações sejam um meio (e não um fim) de melhor glorificar a Deus e de mais efetivamente comunicar o evangelho ao mundo. Jamais deve permitir que dramatizações venham obliterar a centralidade da pregação da Palavra na liturgia adventista.

Conclusão – Portanto, dramatizações permeiam a liturgia tanto do Antigo quanto do Novo Testamentos. Ellen White, por sua vez, não condena todo tipo de dramatização, mas apenas as exibições teatrais que afastam de Deus, levam a perder de vista os interesses eternos, alimentam o orgulho, excitam a paixão, glorificam o vício, estimulam o sensualismo e depravam a imaginação.

Se alegarmos que toda e qualquer dramatização é inapropriada, teremos, consequentemente, que suspender: (1) o uso de filmes, que são o produto de dramatizações; (2) a maior parte das programações dos departamentos infantis da Escola Sabatina (colocar coroas na cabeça das crianças, cenas do Céu, etc.); (3) todas as “cantatas” e grande parte das apresentações musicais de nossas igrejas; e, até mesmo (4) a celebração das cerimônias do Batismo e da Santa Ceia.

Por outro lado, devemos ser cuidadosos tanto na avaliação da natureza do programa, quanto na escolha dos apresentadores e do tempo e do local dos ensaios e da apresentação. O uso adequado de dramatizações implica não meramente agirmos em conformidade com nossa própria consciência (sendo ela santificada), mas também com base nos princípios bíblicos e dos escritos de Ellen White. Toda cena deve glorificar a Deus e não os apresentadores.

Referências:

  1. Fundamentos da Educação Cristã, p. 238.
  2. Educação, p. 263.
  3. Caminho a Cristo, p. 33.
  4. Educação, p. 263.
  5. Para um estudo mais detido das declarações de Ellen White sobre dramatizações, ver Arthur L. White, “Representações Dramáticas em Instituições Adventistas” (Documento disponível no Centro de Pesquisas Ellen G. White [link abaixo]). Tais declarações podem ser mais bem compreendidas através da leitura do artigo intitulado “Divertindo as Massas”, de Benjamin McArthur, em: Gary Land, ed., The World of Ellen G. White (Washington, DC: Review and Herald, 1987), p. 177-191.
  6. A. L. White, “Representações Dramáticas em Instituições Adventistas”, p. 1.
  7. Idem, p. 5, 6.
  8. As principais citações de Ellen White nas quais ela expressa sua desaprovação ao uso de exibições teatrais encontram-se no livro Evangelismo, p. 136-140.
  9. Ver A. L. White, “Representações Dramáticas em Instituições Adventistas”.
  10. Ver Manual da Igreja Adventista do Sétimo Dia, 8ª ed. (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1992), p. 111

Leia também: “Representações Dramáticas em Instituições Adventistas” e “Ellen White, dramatizações e filmes”

Nota: Quando o assunto é “ficção”, em uma leitura descuidada, igualmente pode-se ter a impressão de que Ellen White condena todo e qualquer livro com esse tipo de conteúdo. Mas não é o caso, já que ela mesma falou em tons elogiosos de uma obra de ficção. Esta apresentação em Prezi ajuda a esclarecer esse assunto igualmente polêmico (quando mal compreendido ou descontextualizado). [MB]

O Resgate: salvação ao extremo

A Igreja Adventista, a Nasa e a Terra plana

nasa andrewsO portal de notícias da Igreja Adventista do Sétimo Dia na América do Sul noticiou hoje que “Jay Johnson, professor de Engenharia da Universidade Andrews, instituição administrada pela Igreja Adventista do Sétimo Dia nos Estados Unidos, foi notificado recentemente de que duas propostas de subsídios para um estudo no qual ele é pesquisador foram selecionadas pela agência espacial norte-americana (Nasa). O aporte de aproximadamente 1,5 milhão de dólares financiará dois projetos de pesquisas diferentes, porém relacionados. A primeira subvenção será usada para estudar como os eventos de rápido fluxo trazem a energia armazenada na cauda da magnetosfera para a Terra e como o fluxo de energia, por fim, acelera os elétrons e os íons próximos ao planeta. ‘Esse projeto investigará como o fluxo rápido estimula as ondas cinéticas ou de pequena escala que transportam energia ao longo das linhas de campo para a ionosfera’, esclarece Johnson. ‘Essas ondas podem levar à precipitação do elétron (responsável pela Aurora Boreal/Austral) e o fluxo de íons da ionosfera.’

“O segundo subsídio é para um projeto de pesquisa que estuda o vazamento das partículas do vento solar através do perímetro magnetosférico para a magnetosfera. Esse vazamento é provocado pela colisão entre as partículas e ondas de pequena escala. ‘A magnetosfera ao redor da Terra cria um tipo de ‘rocha’ na corrente do vento solar’, explica o pesquisador. ‘Ela não está de fato se movendo se comparada com o vento solar, e assim você tem uma instabilidade que se desenvolve no perímetro, que começa a receber uma onda e desenvolve ondulações.’”

Segundo a matéria, o professor está trabalhando para compreender a natureza dessa interação entre o vento solar e o perímetro da magnetosfera. Esse trabalho é importante porque determina como a energia é transferida do vento solar para a magnetosfera, conduzindo a dinâmica da última. Finalmente, a energia transferida afeta os cintos de radiação dentro da magnetosfera que, por sua vez, pode prejudicar quaisquer satélites na vizinhança”.

“E por que a Nasa tem interesse nisso? Devido ao fato de que as flutuações no cinto de radiação exterior podem ser um perigo para os satélites. Entre a Terra e o Sol se encontra um satélite gerenciado pela Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA), usado pelos cientistas para monitorar a atividade no Sol. Isso permite uma alerta, com 30 minutos de antecedência, se algo estiver vindo para a Terra. Pesquisadores como Johnson estão tentando encontrar uma forma de predizer eventos além desses 30 minutos, a fim de que as medidas necessárias possam ser tomadas para mitigar danos em quaisquer recursos nas proximidades.

“Em 2012, relembra o pesquisador, ocorreu um grande evento no Sol e que atingiu satélites que monitoravam esses tipos de fenômeno. ‘Se esse evento tivesse se dirigido para a Terra em vez de na direção dos satélites, teríamos muitos problemas’, avalia. ‘Poderia ter atingido as principais redes de energia e as comunicações por satélite, entre outras coisas. A ideia é ter maior compreensão do que ocorre lá e como isso afeta nossa magnetosfera, a fim de podermos prever a probabilidade de que incidentes como esse venham em nossa direção.’ Johnson tem uma longa história de recebimento de fundos da Nasa. Atualmente, ele é o principal investigador de dois outros projetos de pesquisa subsidiados pela agência e copesquisador em vários outros.”

(Notícias Adventistas)

Nota: É muito bom ver um professor de uma instituição adventista sendo reconhecido pelo seu mérito científico e podendo colaborar no avanço de tecnologias úteis para a humanidade além do que, a pesquisa dele tem relação com a barreira protetora contra radiação solar, que Deus criou em volta da Terra, sem a qual a vida seria inviável aqui. Sei que alguns “do contra” já vão falar que agora a Nasa se aliou à Igreja Adventista para enganar as pessoas, promover a “mentira” da Terra redonda e blá, blá, blá. Por que cargas d’água a Nasa investiria milhões de dólares no desenvolvimento de tecnologias que levam obviamente em conta a esfericidade da Terra? Será que a grande preocupação dessa instituição é mesmo refutar a Bíblia, indo contra um ilusório dogma terraplanista? Será que eles não têm mais o que fazer? Será que não haveria uma forma mais barata e menos complicada de atacar a religião? E por que a Nasa estaria investindo em um projeto de um pesquisador de uma instituição que tem a Bíblia como livro-guia? Não seria um tiro no pé e uma atitude contraditória para uma instituição cujo propósito fosse justamente desacreditar a religião? E por que gastar dinheiro para pesquisar uma barreira inexistente (caso o Sol estivesse dentro da atmosfera, como sustenta a absurda tese terraplanista)? Como se pode ver, isso tudo não faz sentido algum.

Leia a seguir o comentário do físico e mestre em Astrofísica Nuclear Eduardo Lütz:

“A tecnologia que usamos hoje depende de que os modelos matemáticos usados por físicos e matemáticos estejam corretos. Mesmo a manutenção dessas tecnologias, como satélites em órbita, por exemplo, depende de entendermos com muita exatidão não apenas as leis físicas relevantes, mas também as condições do ambiente que afetam os equipamentos. Essas tecnologias não apenas têm salvado vidas, mas também têm ajudado no estudo da natureza com profundidade cada vez maior. Esse aumento de conhecimento, por sua vez, tem proporcionado novas descobertas e aprofundamento significativo nos conhecimentos já adquiridos pela humanidade. É uma nobre tarefa colaborar com esse desenvolvimento.

“Enquanto isso, a maioria das pessoas, mesmo sem entender a origem dessas coisas, se beneficia delas, seja por meio de alimentos (seria quase impossível sustentar uma população humana tão grande sem técnicas e equipamentos especiais), remédios, tratamentos, aparelhos, serviços, soluções e até entretenimento.

“Hoje em dia, quase todos usam GPS em seus celulares ou veículos, por exemplo. Esse sistema cometeria erros enormes, inaceitáveis, se a Relatividade estivesse errada, por exemplo. Apesar de usar essas coisas diariamente, muitos tentam combater os conhecimentos indispensáveis para que todas essas tecnologias funcionem, sistemas esses testados diariamente por bilhões de pessoas que usufruem de seus resultados, mesmo sem saber em que se baseia tudo aquilo de que desfrutam.

“Continuando com o exemplo do GPS, esse sistema não funcionaria se tentássemos usar um modelo de Terra plana no software. Aliás, como se manteriam satélites em órbita em um modelo de Terra plana, se o planeta fosse um disco em constante aceleração para ‘cima’?

“Mas o ponto é que, quando não se tem a responsabilidade de fazer as coisas funcionarem, sejam modelos que precisam reproduzir milimetricamente tudo o que se observa em determinada área, sejam equipamentos que precisam funcionar em integração entre si e com o ambiente, quando não se trabalha diretamente com essas coisas é muito fácil tomar uns poucos fatos isolados e imaginar explicações (ad hoc) alternativas para eles. No caso específico da Terra plana, o problema adquiriu proporções tão grandes que são mencionados fenômenos físicos reais, mas aplicados ao contrário, fazendo os argumentos parecerem sólidos para quem não confere. Um exemplo é o ‘efeito de lente’ da atmosfera, isto é, o efeito da refração da luz na atmosfera. A atmosfera é mais densa a altitudes menores, o que faz com que o índice de refração seja maior nessas regiões. Como consequência, ao olharmos para um pouco acima do horizonte, veremos os objetos (Sol, Lua, montanhas, ilhas) um pouco acima de sua posição real (sim, acima e não abaixo, como dizem os terraplanistas). É o mesmo efeito de estarmos debaixo da água em uma piscina e olharmos para alguém que está à beira da água. Veremos a pessoa em uma posição mais acima (não mais abaixo) da posição verdadeira. Qualquer um pode conferir isso.

“Mas, enfim, o importante é que enquanto alguns fazem pesquisas sérias, de cuja exatidão muita coisa importante depende, outros perdem tempo com especulações e distorções de evidências cujo efeito é simplesmente confundir a si mesmos e a outros e ainda lançar ridículo sobre qualquer que seja a causa que defendem, seja ela boa ou não. Nessas horas, vemos a diferença que faz o nível de conhecimento que as pessoas têm sobre as leis que regem todos os detalhes do mundo ao seu redor, leis essas cuja ação pode ser facilmente observada e que deveriam ser conhecidas por todos, mas parecem ser ignoradas pela maioria esmagadora das pessoas, que se tornam presas fáceis de todo tipo de engano.”

Para concluir: o mito da Terra plana, infelizmente, depõe contra o cristianismo, embora os cristãos que o defendem pensem estar defendendo a Bíblia. É o tipo de ideia que lança opróbrio sobre a causa criacionista, pois passa a falsa impressão de que os criacionistas seriam defensores de coisas absurdas como o terraplanismo. Se for para ser criticados, que sejamos pelos motivos certos: por crer em Deus, na Bíblia Sagrada, na criação de Adão e Eva e na semana literal de seis dias seguidos do dia de descanso, no dilúvio de Gênesis, na morte e ressurreição de Jesus e na volta dEle. A diferença entre essas coisas e a Terra plana é que para as primeiras há muitos argumentos lógicos e convincentes, ao passo que, para a segunda, só invencionices de quem ou não entende de ciência ou está muito perturbado, à cata de distrações para perder seu precioso tempo em uma época em que nosso foco deve ser outro. Note que Johnson menciona, além da aurora boreal, a austral. Isso mesmo, aurora “boreal” no Polo Sul, uma ideia que entra no pacote de argumentos contra o terraplanismo. Cristãos defenderem esse disparate já é um absurdo, mas o que dizer de alguns adventistas que têm feito o mesmo? Se são mesmo adventistas do sétimo dia, devem crer que Deus inspirou Ellen White a escrever suas obras, e ela foi muito clara a respeito da esfericidade do nosso planeta (confira aqui). Graças a Deus, a Igreja Adventista, seus fundadores e seus líderes sempre se pautaram pela boa ciência. Que seja sempre assim. [MB]

Ellen White acreditava na Trindade?

E. G. White portrait (Dames, 911 Broadway, Oakland, Cal.)Os seguintes textos, todos publicados durante a vida de Ellen White por ela própria, respondem à pergunta:

“Há três pessoas vivas pertencentes ao trio celeste; em nome destes três grandes poderes – o Pai, o Filho e o Espírito Santo –, os que recebem a Cristo por fé viva são batizados, e esses poderes cooperarão com os súditos obedientes do Céu em seus esforços para viver a nova vida em Cristo” (Special Testimonies, Série B, nº 7, p. 62-63 [publicado em 1906]; Bible Training School, 1° de março de 1906).

A Divindade moveu-Se de compaixão pela raça, e o Pai, o Filho e o Espírito Santo deram-Se a Si mesmos ao estabelecerem o plano da redenção. A fim de levarem a cabo plenamente esse plano, foi decidido que Cristo, o unigênito Filho de Deus, Se desse a Si mesmo em oferta pelo pecado” (Australasian Union Conference Record, 1° de abril de 1901; A Systematic Offering for the Sydney Sanitarium, p. 36 [publicado em 1901]; Review and Herald, 2 de maio de 1912).

“O mal vinha se acumulando por séculos e só poderia ser contido pelo inigualável poder do Espírito Santo, a terceira pessoa da Divindade, que viria sem restrições em Sua eficácia, mas em plenitude do divino poder” (Carta 8, 1896; Special Testimonies for Ministers and Workers, n° 10, p. 25 [publicada em 1897]).

“O príncipe da potestade do mal só pode ser mantido em sujeição pelo poder de Deus na terceira pessoa da Divindade, o Espírito Santo” (Special Testimonies, Série A, nº 10, p. 37 [publicado em 1897]).

“Ao pecado só se poderia resistir e vencer por meio da poderosa operação da terceira pessoa da Divindade, a qual viria, não com energia modificada, mas na plenitude do divino poder. É o Espírito que torna eficaz o que foi realizado pelo Redentor do mundo” (O Desejado de Todas as Nações, p. 671 [1898]; Review and Herald, 19 de maio de 1904; [Australian] Signs of the Times, 4 de dezembro de 1911).

“Cristo enviou Seu representante, a terceira pessoa da Divindade, o Espírito Santo. Nada podia superar esse dom” (Signs of the Times, 1° de dezembro de 1898; Southern Watchman, 28 de novembro de 1905).

Como entender as declarações em que Ellen White afirma que a natureza do Espírito Santo é um mistério?

Os adventistas que negam a personalidade do Espírito Santo costumam citar alguns textos em que Ellen White declara que a natureza do Espírito Santo é um mistério. As declarações mais frequentemente citadas encontram-se em Manuscript Releases, v. 14, p. 179; Atos dos Apóstolos, p. 51 e 52. Essas pessoas argumentam que, se o assunto é um mistério, ele não pode ser definido ou compreendido. Portanto, seria incorreto e mesmo especulativo ensinar que o Espírito Santo é uma Pessoa da Divindade.

É interessante, entretanto, que as mesmas pessoas que utilizam esse argumento, na prática, contradizem a si mesmas. Frequentemente, elas definem o Espírito Santo como algo impessoal, a saber, “um atributo que não pode ser separado de Deus”, a mente de Deus e de Cristo e o fôlego ou respiração compartilhado por ambos. Em outras ocasiões, o Espírito Santo é compreendido como um ser pessoal: Deus, o Pai; Cristo; o anjo Gabriel; ou os anjos em geral. Portanto, é evidente que essas pessoas têm definições bastante específicas, embora conflitantes, sobre a natureza do Espírito Santo.

Antes de analisar os textos em que Ellen White declara que a natureza do Espírito Santo é um mistério, devemos ter uma compreensão geral sobre o que ela ensinou a respeito do assunto. Em diversos textos ela claramente define o Espírito Santo como uma das “três pessoas vivas pertencentes ao trio celestial” ([Special] Testimonies, série B, nº 7, p. 63; Bible Training School, 1° de março de 1906) e “a terceira pessoa da Divindade” (Carta 8, 1896; Special Testimonies for Ministers and Workers, n° 10, p. 25; Special Testimonies, Série A, nº 10, p. 37; O Desejado de Todas as Nações, p. 671; Signs of the Times, 1° de dezembro de 1898; Review and Herald, 19 de maio de 1904; Southern Watchman, 28 de novembro de 1905). Portanto, é evidente que, para Ellen White, o fato de que a natureza do Espírito Santo seja um mistério não significa uma ausência de revelação sobre o assunto. Concluídas essas observações introdutórias, devemos analisar os dois textos de Ellen White mencionados no início.

A carta ao “irmão Chapman”. Uma das declarações frequentemente citadas por aqueles que negam a personalidade do Espírito Santo encontra-se em Manuscript Releases, v. 14, p. 179. Originalmente, esse texto era parte da Carta 7, 1891, escrita “ao irmão Chapman” em 11 de junho de 1891. Ellen White declara: “A natureza do Espírito Santo é um mistério não claramente revelado, e você jamais será capaz de explicá-lo a outros porque o Senhor não o revelou a você. Você pode reunir passagens da Escritura e impor sua própria construção sobre elas, mas a aplicação não é correta. […] Não é essencial para você saber e ser capaz de definir exatamente o que seja o Espírito Santo. Cristo nos diz que o Espírito Santo é o Consolador, e o Consolador é o Espírito Santo. […] Existem muitos mistérios que eu não busco compreender ou explicar; eles são muito elevados para mim e muito elevados para você. Sobre alguns desses pontos, o silêncio é ouro.”

A própria carta escrita por Ellen White esclarece que o equívoco mantido pelo “irmão Chapman” era crer que o Espírito Santo é “o anjo Gabriel” (p. 175). O problema essencial de Chapman consistia em ser demasiadamente específico em sua definição. Ellen White responde a isso ao declarar que não se deve “definir exatamente o que seja o Espírito Santo”, pois esse é “um mistério não claramente revelado”. Além disso, Chapman chegou a uma conclusão especulativa, pois está além de qualquer declaração presente na Bíblia ou no Espírito de Profecia. Ellen White menciona esse aspecto do problema ao condenar o uso de uma “construção” artificial de “passagens da Escritura” para provar uma teoria.

Em torno de 1891, os adventistas estavam convencidos da plena divindade do Espírito Santo (J. H. Waggoner, The Gifts of the Spirit, p. 23; Review and Herald, 3 de julho de 1883, p.  421), mas, ao contrário de Chapman, rejeitavam a teoria de que Ele é um ser criado, um anjo ou grupo de anjos (Signs of the Times, 15 de julho de 1889, p. 422; idem, 4 de novembro de 1889, p. 663). Apesar disso, nessa época poucos adventistas compreendiam o Espírito Santo como uma das três Pessoas da Divindade. Em um contexto “não trinitariano”, é compreensível que a definição dada por Chapman não estivesse ligada à Divindade. É provável que ele tenha observado que Gabriel ocupa uma posição singular no Céu, pois, além de Deus e de Cristo, é o único ser celestial mencionado por nome na Bíblia. Chapman deve ter observado também que Ellen White atribui a Gabriel a posição imediatamente abaixo de Cristo. Seja como for, o certo é que Chapman identificou a posição singular de Gabriel com o Espírito Santo.

A declaração de Atos dos Apóstolos. Outro texto frequentemente citado encontra-se em Atos dos Apóstolos, p. 51 e 52, onde Ellen White declara: “Não é essencial que sejamos capazes de definir exatamente o que seja o Espírito Santo. Cristo nos diz que o Espírito é o Consolador, o ‘Espírito de verdade, que procede do Pai’ (Jo 15:26). Declara-se positivamente, a respeito do Espírito Santo, que, em Sua obra de guiar os homens em toda a verdade ‘não falará de Si mesmo’ (Jo 16:13). A natureza do Espírito Santo é um mistério. Os homens não a podem explicar, porque o Senhor não lho revelou. Com fantasiosos pontos de vista, podem-se reunir passagens da Escritura e dar-lhes um significado humano; mas a aceitação desses pontos de vista não fortalecerá a igreja. Com relação a tais mistérios – demasiado profundos para o entendimento humano – o silêncio é ouro.”

É evidente a semelhança entre esse texto e o da carta “ao irmão Chapman”. Ambos declaram que “a natureza do Espírito Santo é um mistério”, mas, sobre esse assunto tão profundo, “o silêncio é ouro”. É possível “reunir passagens da Escritura” para construir uma teoria humana, mas o resultado será desastroso. Novamente, Ellen White condena qualquer tipo de especulação sobre o assunto. O erro consistiria em “definir exatamente o que seja o Espírito Santo”, indo além da revelação. Além disso, Cristo já trouxe luz sobre o assunto, ao ensinar que Ele é “o Consolador”. Em Atos dos Apóstolos, entretanto, Ellen White apresenta um motivo adicional contra a especulação, não presente na carta a Chapman. “Em Sua obra”, o Espírito Santo “não falará de Si mesmo”. Isso parece indicar que não há tanta revelação sobre o Espírito, pois, como Ele é o agente da revelação e inspiração, Sua obra não estaria centralizada em Si mesmo, mas em Cristo.

O livro Atos dos Apóstolos foi publicado originalmente em 1911. Uma análise da literatura mostra que, nessa época, os adventistas consideravam o Espírito Santo como uma das três Pessoas da Divindade/Trindade. Em um período anterior, seria natural que o Espírito Santo fosse identificado com um anjo, o que foi realizado por Chapman. Agora, o natural seria identificá-Lo com um ser que possui características mais claramente divinas. Já em 1898, R. A. Underwood, influenciado pelas declarações de Ellen White sobre “a terceira pessoa da Divindade”, parece sugerir que o Espírito Santo é um ser corpóreo como o Pai e o Filho. Segundo ele, assim como Satanás “está presente em todos os lugares deste mundo por seus representantes, os anjos caídos”, o Espírito Santo é onipresente apenas por meio dos anjos bons (Review and Herald, 17 de maio de 1898, p. 310-311).

Seguindo uma linha semelhante de raciocínio, em 1905, S. N. Haskell argumentou que o Espírito Santo é Melquisedeque. O Espírito não poderia ser “o anjo Gabriel”, “porque os anjos são seres criados e, portanto, têm início de dias”. O Espírito Santo, entretanto, “é a ‘terceira pessoa da Divindade’ e, portanto, não possui mais ‘início de dias nem fim de existência’ [Hb 7:3] que o próprio Deus”. Haskell conclui: “O Espírito vem ao mundo como um representante de Cristo e é semelhante a Cristo. […] A Abraão Ele apareceu como Rei e Sacerdote” ([Australian] Signs of the Times, 18 de fevereiro de 1905, p. 81). Embora Ellen White não tenha especificado as teorias que condenava, sem dúvida incluíam as ideias de Underwood e Haskell.

Sumário e reflexões finais. As declarações em que Ellen White afirma que a natureza do Espírito Santo é um mistério encontram-se em dois contextos distintos da história da Igreja Adventista. No período de ênfase “não trinitariana” (1844-1897), ela advertiu contra a teoria especulativa de que o Espírito Santo é Gabriel. Em um período posterior, “trinitariano” (1897 em diante), ela condenou teorias que definiam a personalidade do Espírito Santo sob uma perspectiva antropocêntrica.

Em ambos os períodos, a ênfase de Ellen White estava em advertir contra uma definição demasiadamente precisa e minuciosa a respeito do assunto, que vá além da revelação. As advertências de Ellen White são bastante relevantes ainda para o nosso tempo, em que existem teorias especulativas sobre o Espírito Santo.

(Matheus Cardoso é formado em Teologia pelo Unasp)

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