Ela buscou e encontrou a “maravilhosa esperança”

jemima1Com toda certeza, assumir um compromisso com Cristo foi a melhor decisão que tomei em minha vida! Nasci em um lar evangélico, porém, quase não tive contato com a Bíblia, e com o passar do tempo, mesmo sem perceber, comecei a me afastar dos caminhos do Senhor, chegando a não mais acreditar nas Escrituras Sagradas, nem frequentar alguma igreja. Depois de três anos afastada, certo dia, em 2016, uma pessoa me fez uma pergunta sobre a Bíblia que eu não soube responder. Sinceramente, não me lembro exatamente qual era a pergunta e muito menos quem era a pessoa, só sei que com certeza foi o Espírito Santo que a usou, pois naquele momento tive uma enorme vontade de aprender o que está escrito na Palavra de Deus, e foi então que resolvi procurar algum estudo no YouTube, e o primeiro que apareceu foi da Igreja Adventista. Porém, assisti desconfiada, já que pensava se tratar de uma seita, mas o conteúdo que vi me interessou tanto que não mais parei de estudar, e todos os meus questionamentos sobre a criação, sobre a veracidade histórica da Bíblia Sagrada e meus preconceitos sobre a igreja deixaram de existir, pois conheci a verdade e também entendi que uma boa ciência e uma boa teologia se harmonizam perfeitamente.

Quando estamos na escola ou assistimos a documentários, na maioria das vezes nos é apresentada a teoria da evolução, como se o evolucionismo fosse a mais pura ciência e o criacionismo fosse uma crendice de pessoas que não têm estudo e têm uma fé cega. Então, quando eu conheci verdadeiramente o que é criacionismo e design inteligente, percebi que não era nada daquilo que eu havia aprendido e que é perfeitamente possível acreditar que temos um Criador. Aprendi a observar as digitais de Deus em tudo, e aí, sim, consegui crer na semana literal da criação, entendi sobre os dinossauros, o dilúvio e tantas outras coisas descritas na Bíblia, que antes não conseguia entender por não ter conhecimento; não conseguia fundamentar minha fé.

Em março de 2017, tive o privilégio de ter alguns estudos bíblicos com o pastor Milton Andrade, ex-Arautos do Rei. Em abril fui pela primeira vez a uma igreja adventista, e em junho, quando vendi minha loja, comecei a frequentar a igreja todos os sábados. No fim do ano de 2017, em uma semana de oração que o pastor Milton fez dirigiu minha cidade, demonstrei publicamente o desejo de ser batizada. Em 2018 completei meus estudos bíblicos com o pastor Michelson Borges (cujo canal no YouTube acompanho desde 2016) e fui batizada por ele, no mês de abril, na Igreja Adventista do Jardim América, em Jacareí, SP.

jemima2Meu coração arde de alegria por saber que eu tenho um Criador que me ama, que morreu por mim para me dar a salvação e que voltará para me buscar e enfim poderei vê-Lo face a face e viver a eternidade ao lado dEle. Ó, maravilhosa esperança que hoje consigo compartilhar com as pessoas, pois sei em quem creio e sei qual a minha missão aqui na Terra!

Hoje meu foco principal são os estudos bíblicos. Comecei uma classe bíblica em minha igreja e estou trabalhando com crianças em um bairro no qual há um grupo adventista.

Jemima Zandonadi Fernandes, 26 anos

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A polêmica “Bíblia White”

BibliaWhite[Muitas pessoas têm perguntado nas redes sociais se a recém-lançada “Bíblia White” se trata de uma produção oficial da Igreja Adventista do Sétimo Dia, uma espécie de tradução particular como a Novo Mundo, das Testemunhas de Jeová. A resposta é “não”, e quem explica tudo aqui é o jornalista e estudante de Direito Davi Boechat, que investigou o assunto. Esta é uma análise meramente editorial e acadêmica, feita por um estudioso, como se poderia fazer com qualquer outra publicação, e nada tem que ver com a vida pessoal das pessoas citadas. O próprio organizador da “Bíblia White” fez críticas à “Bíblia de Estudos Andrews”, essa, sim, distribuída oficialmente pela Igreja Adventista.]

Meses atrás, uma parceria entre movimentos dissidentes da Igreja Adventista do Sétimo Dia resultou no lançamento de um projeto audacioso: a publicação de uma Bíblia de estudos com notas de Ellen G. White, algo inédito em língua portuguesa. A obra foi nomeada de “Bíblia White” e é resultado de uma parceria firmada entre o Instituto Bíblico de Capitólio (IBC) e do Instituto de Agricultura de Evangelismo (IAGE), ambos sediados no interior de Minas Gerais. As entidades, que andam de mãos dadas também em outros projetos, têm em comum a defesa enfática da Teologia da Última Geração (TUG), que sustenta ideias heterodoxas sobre os conceitos de pecado, salvação e perfeição cristã, dentre outros temas teológicos de pouca flexibilidade para discussão.

A “Bíblia White” é um similar nacional da “Remnant Study Bible”, editada por norte-americanos alinhados com a TUG e vendida nos Estados Unidos com edições em inglês e espanhol desde 2012. Como Bíblias de estudo, ambas reúnem breves textos explicativos (nesse caso, citações de EGW) que correspondem a versos bíblicos presentes na mesma página. O projeto brasileiro, entretanto, conta com uma considerável distinção. Além das notas de White, a obra traz ainda uma tradução inédita da Bíblia em língua portuguesa.[1] Nomeada Almeida Antiga (AA), a versão também foi preparada pela coalização IAGE/MV, algo pouco comum quando o assunto são Bíblias de estudo.[2]

O lançamento da “Bíblia White” aconteceu em 2018, durante o Congresso MV, evento itinerante que reúne seguidores da TUG no Brasil. A apresentação da novidade, que levou dois anos para ser preparada, foi feita por Daniel Silveira, organizador do MV, fundador do IBC e um dos responsáveis pela preparação da “Bíblia White”.

O processo de impressão, realizado em uma gráfica no Paraná, foi narrado ao vivo através das redes sociais por Silveira. No vídeo, ele chegou a afirmar: “Aulas de homilética, hermenêutica, exegese […] toda essa sabedoria humana nos impede de encontrar as preciosas gemas da verdade”, uma indiscutível demonstração de desprezo para com alguns dos conhecimentos envolvidos na tradução de uma Bíblia.

Com essa frase, Silveira fez uma declaração preocupante para alguém que encabeçou uma equipe editorial. Em certo sentido, ele parece crer que a ignorância impulsiona a busca pela verdade. Talvez por essa razão sinta-se habilitado para tal serviço. Para Silveira, o chamado para a reforma não acontece apesar da incapacidade, mas por causa dela. A falta de conhecimento, para Silveira, é vantagem. Seguindo essa lógica, o que diríamos de Lutero, um doutor em línguas bíblicas? Assim, proponho um bom lema para a Almeida Antiga: “E não conhecereis as técnicas, a ignorância os libertará.”

A citação de Silveira, transcrita acima, me parece suficiente para que sejam levantadas dúvidas a respeito da lisura e precisão da tradução Almeida Recebida, bem como de toda a “Bíblia White”. E é pela análise de tal tradução que começo minhas avaliações dessa obra.

TRADUÇÃO PRECÁRIA. O maior problema da “Bíblia White” está na tradução, produto de um trabalho extremamente amador. Como visto acima, Silveira, um dos responsáveis pela obra, desdenha de métodos e conhecimentos acadêmicos necessários para a tradução de uma Bíblia. Silverino Kull, diretor do IAGE, segue a mesma linha do parceiro e rejeita também a validade dos estudos, especialmente os da área de crítica textual, ciência que visa a reconstruir com o ajuntamento de evidências textos antigos que tiveram os originais perdidos, caso da Bíblia. Em resposta às objeções levantadas na primeira versão deste texto – que, para minha surpresa, circulou por todo o Brasil, apesar de inicialmente ter sido publicado em um grupo fechado –, disse Kull: “Não importa o que a alta crítica ou os estudiosos e linguistas falem, o que prevalece é a inspiração, e Ellen White disse que a King James foi sim a melhor tradução.”[3]

A afirmação de Kull, entretanto, encontra conflitos com uma declaração do Centro White a respeito das traduções bíblicas utilizadas por Ellen: “Mesmo sendo costume de Ellen White usar a King James Version, ela fez uso ocasional de outras traduções inglesas que estavam se tornando disponíveis em seus dias. Contudo, ela não comenta diretamente sobre os méritos dessa ou daquela versão, mas fica claro pela sua prática que ela achava desejável que se fizesse uso da melhor versão disponível da Bíblia. Por exemplo, em seu livro A Ciência do Bom Viver, Ellen White empregou oito textos da English Revised Version (ERV), 55 da American Revised Version (ARV), dois da tradução de Leeser, e quatro de Noyes, além de sete variantes marginais. Entretanto, em suas pregações, Ellen White preferia usar a linguagem da King James Version porque era a mais familiar para os seus ouvintes.”[4] Cabe dizer que a ERV e ARV não são baseadas no Textus Receptus, ardorosamente defendido por Kull e Silveira, e foram, sim, utilizados por Ellen White. Mais do que isso, diz o Centro White, a preferência de Ellen pela KJV seria por conta da familiaridade do público, não de sua superioridade.

Kull e Silveira, que admitem não ter domínio ou familiaridade com as línguas bíblicas – e talvez por isso desdenhem dos conhecimentos técnicos –, exaltam a suposta superioridade de sua Almeida Antiga (AA) defendendo uma pretensa fidelidade superior, baseada no Textus Receptus, em detrimento das demais traduções atualmente disponíveis em português. Silveira, aliás, citou nominalmente em vídeo as versões publicadas pela Sociedade Bíblica do Brasil (SBB) como não sendo confiáveis. Se considerado o Textus Receptus como balizador para a qualidade, dentro do catálogo de versões disponibilizadas pela SBB, a Almeida Revista e Corrigida, seria a mais próxima do ideal. Entretanto, mesmo tendo sido baseada no Textus Receptus, utiliza-se de outros manuscritos em alguns trechos. Apesar disso, outras opções em língua portuguesa preenchem tais requisitos. Feita inteira e exclusivamente a partir do Textus Receptus, a Almeida Corrigida Fiel, da Sociedade Bíblica Trinitariana, seria uma boa opção. Outra possibilidade seria a tradução King James 1611, da BV Books. Ambas são traduções em nosso idioma que prezam pelo uso exclusivo do Textus Receptus. Se esse fosse o critério, elas deveriam ser consideradas opções válidas para a “Bíblia White”. Entretanto, em nenhuma delas poderia haver qualquer modificação, por mínima que fosse. Assim, as “correções” criativas de Silveira (como em João 5:32) não seriam admitidas no texto. O uso irrestrito do Textus Receptus, conforme exposto, não pode ser colocado como uma novidade trazida pela Almeida Antiga.

Cabe dizer ainda que a AA é resultado de uma comparação entre a tradução de Almeida (1848) e a King James Version (1611), conforme dito pelo próprio Silveira na apresentação da Bíblia White, com algumas correções ortográficas e mudanças realizadas por conveniência teológica, conforme será exposto mais adiante. É possível dizer que a AA se trata de uma paráfrase, um arremedo de traduções. Não se trata de uma versão proveniente do tão exaltado Textus Receptus, mas de traduções dele derivadas.

Outra afirmação questionável é a de que o Textus Receptus é o mais confiável de todos os manuscritos disponíveis. Essa informação contraria eruditos da área. Michael J. Gorman, por exemplo, avalia que a KJV foi baseada em manuscritos sabidamente menos confiáveis nos dias de hoje: “Desde 1611, muitos manuscritos mais antigos e melhores da Bíblia foram descobertos, e a pesquisa moderna na área de crítica textual […] nos deu uma base diferente de textos originais para traduzir do que a usada pelos tradutores da KJV. Isso significa que uma exegese baseada nessa versão poderá, por vezes, analisar uma ou mais palavras, frases ou versículos que não aparecem no texto original bíblico.”[5]

O erudito adventista Johannes Kovar, em artigo para o Instituto de Pesquisas Bíblicas da Associação Geral, destaca a história do Textus Receptus para questionar o valor superestimado que lhe é atribuído. “Para a publicação de seu texto, Erasmo [de Roterdã (1467-1536)] confiou em [apenas] seis manuscritos datados dentre os séculos XI e XV [ou seja, cópias com afastamento superior a mil anos desde que o texto foi escrito], estando bem ciente de sua qualidade inferior. Nenhum desses manuscritos era completo, e Erasmo mudou o texto grego aqui e ali, frequentemente de acordo com a Vulgata Latina. Os manuscritos que Erasmo usou, incluindo as anotações que fez neles, ainda existem, de forma que seu trabalho pode ser analisado de maneira relativamente fácil.”[6]

Também adventista, o brasileiro Wilson Paroschi afirma que com a descoberta de manuscritos mais antigos, o trabalho de Erasmo em seu Textus Receptus perdeu espaço: “Apesar de os críticos ainda divergirem com relação a algumas das teorias textuais, todos buscavam um texto que estivesse o mais próximo possível do original e, nesse novo período, sob os mais violentos protestos, romperam definitivamente com o Texto Recebido.”[7]

Em seu livro, Paroshi desmonta ainda algumas das argumentações de Silveira a respeito das diferenças entre o texto da Almeida Antiga e traduções contemporâneas, tecnicamente chamadas de variantes textuais. Silveira afirma que as novas traduções estão retirando trechos bíblicos inteiros e reage dizendo, também em vídeo: “Nós queremos a Bíblia inteira, não adulterada, não cropada.” Ele dá Mateus 6:13 como exemplo de texto bíblico “depenado” em versões modernas, mas que se encontra intacto na Almeida Antiga, dizendo que o trecho “Porque Teu é o reino e o poder, e a glória, para sempre, Amém” desapareceu.

Sobre o verso, entretanto, crítico textual afirma: “Na tradição protestante, a oração termina com a doxologia ‘pois Teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém’, que está ausente na tradição católica. E parece que esta é a que está correta, tanto que as modernas edições evangélicas da Bíblia já estão omitindo essa leitura. […] As evidências documentais, portanto, sugerem que a doxologia do Pai-nosso consiste num acréscimo posterior.[8] Em outras palavras, o trecho que Silveira reivindica, na realidade, não estava presente nos originais bíblicos. A retirada consiste, portanto, em um texto mais fiel, e não menos, como defendido por ele.

INTERPRETAÇÕES DENOMINACIONAIS. Outro problema sério da tradução são os trechos editados de modo a facilitar a utilização de textos-prova.[9] João 5:39 é um bom exemplo da criatividade mostrada na AA. Nesse verso, houve uma mudança arbitrária no tempo verbal para favorecer a interpretação de que Jesus teria recomendado o estudo da Bíblia, quando, na verdade, condenava a deturpação que era feita por intérpretes que, mesmo estudando, não encontravam a Cristo. Na AA é grafado: “Examinai as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna; e são elas que dão testemunho de Mim.” No vídeo de apresentação da Bíblia, Silveira chama atenção para a mudança que fez no texto dizendo que sua mudança discorda até mesmo das edições que ele usou como prova. Entretanto, mais uma vez Silveira errou. No grego, o verbo se encontra na segunda pessoa do plural do presente do indicativo, não no imperativo. Jesus chamou Seus ouvintes a constatar seus estudos nEle e não para que eles se aprofundassem em seus estudos. A fala de Jesus tem que ver com a cegueira e não com a falta de conhecimento.

Outra mudança lamentável é a de Mateus 28:19. A ordem de Jesus com “Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações” (NVI) é traduzida por “Ide, portanto, ensinai todas as nações”. Silveira justifica tal mudança dizendo que discipulado “tem a ver com coaching”, e que a tradução correta é “ensinai”, uma vez que é assim que está na KJV. Mais uma vez Silveira pisa no Textus Receptus, no qual o verbo grego encontrado aponta para o equivalente em português a “discípulos” e não “ensino”.

Com os exemplos supramencionados, pode-se ver que tais adaptações de conveniência adotadas nos textos lembram muito a tradução Novo Mundo, das Testemunhas de Jeová. Temos, portanto, elementos abundantes para reprovar essa tradução da “Bíblia White” com veemência.

PODERIA SER DIFERENTE. Acredito que uma alternativa que daria algum ar de legitimidade ao trabalho do IAGE/MV com a “Bíblia White” seria a publicação de um volume de comentários separados dessa tradução trágica, como já foi feito no passado pela extinta Review and Herald (se bem que a publicação de textos de Ellen White em novos volumes deve contar sempre com a aprovação dos Depositários do Patrimônio Literário White). Ainda hoje esse material é vendido nos Estados Unidos.[10] Isso não daria margem para interpretações incorretas no que diz respeito à falsa equidade entre os escritos de White e a Bíblia.

Por fim, a Bíblia White apresenta-se com falhas graves provenientes de um trabalho editorial ineficaz. Lamentavelmente, essa obra será recebida com tapete vermelho por alguns adventistas desavisados. Mal sabem que se trata de um “cavalo de Troia”. Se não podemos confiar na tradução, o que dizer da compilação dos Testemunhos realizada? Mas isso é assunto para outra oportunidade.

Davi Boechat trabalhou no Correio da Lavoura, Jornal de Hoje e Conecta Baixada, veículos da Baixada Fluminense, na região metropolitana do Rio de Janeiro; atualmente cursa Direito na Universidade Iguaçu (UNIG)

Referências:

  1. “Daniel Silveira, agricultor em Capitólio MG, começou seus trabalhos na “Bíblia White” em 2016, partindo da versão Almeida Recebida, de domínio público. […] Em seguida foi feito um trabalho de comparação e igualação à versão em inglês King James (KJV) de 1611 em grandes extensões do texto bíblico, especialmente nos profetas do Antigo Testamento, por Daniel Silveira. Onde EGW lança luz sobre um texto em que mesmo na King James de 1611 está errado, também foi efetuada a correção.” Disponível em: http://bibliawhite.org/sobre
  1. Em geral, editoras que lançam Bíblias para estudo optam por traduções consagradas e conhecidas no mercado editorial, geralmente com o reconhecimento de sociedades bíblicas. A “Bíblia de Estudos Andrews”, publicada pela Casa Publicadora Brasileira, por exemplo, utiliza a versão Almeida Revista e Atualizada, da Sociedade Bíblica do Brasil. A própria “Remnant Study Bible” é disponibilizada em duas versões: além da clássica King James Version, que está em domínio público, conta ainda com uma edição que utiliza a New King James Version, licenciada pela Thomas Nelson Publishers.
  1. Esse texto é parte de uma mensagem enviada por Kull a Reginaldo Castro.
  1. Centro White. “Ellen White usou outras traduções de Bíblia além da King James Version?” <disponível em: http://www.centrowhite.org.br/perguntas/perguntas-sobre-ellen-g-white/os-ensinos-de-ellen-g-white/>
  1. Introdução à Exegese Bíblica, p. 71, Thomas Nelson Brasil.
  1. “O ‘Textus Receptus’ e as traduções modernas da Bíblia.” <Disponível em: https://adventistbiblicalresearch.org/pt-br/materials/bible-canon-and-versions/o-%E2%80%9Ctextus-receptus%E2%80%9D-e-tradu%C3%A7%C3%B5es-modernas-da-b%C3%ADblia>
  1. Crítica Textual do Novo Testamento, p. 123, 124, Edições Vida Nova.
  1. Para uma definição de hermenêutica texto-prova e sua influência no meio adventista, consulte o artigo de Isaac Malheiros “Dicta Probantia: Uma Reflexão sobre o uso de ‘textos-prova’ na hermenêutica adventista” <Disponível em: http://www.seer-adventista.com.br/ojs/index.php/hermeneutica/article/view/495>
  1. Ellen G. White Comments from the Seventh-day Adventist Bible Commentary <Disponível em: https://www.adventistbookcenter.com/ellen-g-white-comments-from-the-seventh-day-adventist-bible-commentary.html>
  2. https://www.adventistbookcenter.com/ellen-g-white-comments-from-the-seventh-day-adventist-bible-commentary.html 

Descansa um pioneiro da comunicação adventista

Anísio-Chagas-001Conheci o pastor Anísio Chagas quando eu ainda estudava jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, em Florianópolis. Na época, ele era líder do Departamento de Comunicação e da Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (Adra) para Santa Catarina. De vez em quando eu ia até a Associação Catarinense para comprar algum livro e para conseguir alguns folhetos missionários que sempre gostei de distribuir. Quando o pastor Anísio me via por lá, ele sempre me chamava à sua sala para conversar e orar comigo. Comunicador nato, escritor e apresentador de TV, ele vibrava quando o assunto era jornalismo e comunicação. Lembro-me bem dos bons conselhos que ele me dava, com sorriso no rosto e voz de locutor.

Quando estava prestes a me formar, ele passou a se preocupar com minha colocação profissional. Certo dia, de novo na sala dele, ele me perguntou: “Michelson, você já tem emprego?” Eu disse que não e então ele pegou uma pastinha repleta de cartões de visitas e passou a fazer ligações e me indicar para assessorias, jornais e até para um possível cargo no governo do estado! Ele sempre se preocupava com as pessoas.

Homem humilde, criado na roça em Santa Maria do Salto, MG, Anísio foi analfabeto até os 12 anos de idade. Sua conversão e despertamento para a importância da cultura e das letras se deram graças à leitura de livros e revistas da Casa Publicadora Brasileira (CPB) distribuídos em sua região por colportores adventistas. Dali em diante, Anísio se tornou leitor voraz, hábito que manteve até poucos dias antes de falecer (além de literatura religiosa, lia todos os dias o Diário Catarinense e outros jornais, por exemplo). Dedicado à obra de Deus e às relações públicas, ele mantinha contato com pessoas importantes do meio jornalístico e político, e sempre usou sua influência para ajudar quem precisava, como quando prestou grande auxílio às vítimas da enchente de 1983, no Vale do Itajaí.

Em janeiro de 1999, o então governador de Santa Catarina, Esperidião Amin, convidou o pastor Anísio para fazer uma oração em seu escritório. Na ocasião, o pastor apresentou um breve estudo da Bíblia sobre administração e a atitude adequada dos governantes. Os dois se tornaram grandes amigos.

Anísio foi pastor da Igreja Central de Recife e de Brasília, entre outras. Foi professor de religião no Instituto Adventista Cruzeiro do Sul (IACS) e trabalhou nas áreas de publicações, comunicação, família e assistência social em sedes administrativas de Pernambuco, Rio de Janeiro e Santa Catarina. Depois de aposentado, dedicou-se intensamente ao ministério voltado para os idosos e chegou a fazer parte da Associação Nacional de Gerontologia.

Em 1998, fui chamado para trabalhar como editor na Casa Publicadora Brasileira. Eu havia enviado meu currículo e ocasionalmente escrevia artigos e enviava ao então chefe de Redação, pastor Rubens Lessa. Depois de algum tempo já trabalhando na CPB, fiquei sabendo por meio do então diretor geral, pastor Wilson Sarli, que o pastor Anísio havia ligado para ele e me recomendado. Sempre preocupado com o bem-estar das pessoas!

Anísio Chagas descansou em Cristo nesta manhã. No dia 17 deste mês completaria 91 anos. Em breve ele se levantará da sepultura para presenciar a maior de todas as notícias, sobre a qual ele tantas vezes falou, escreveu e pregou: a volta de Jesus.

Michelson Borges

“O pastor Anísio Chagas foi um homem de visão e ação. A Associação Catarinense se sente honrada por ter o nome dele na galeria de pastores que ministraram neste campo por onde a mensagem adventista entrou no Brasil. Ele sempre foi acessível, inteligente, dinâmico, bem humorado, motivador. Seu amor às pessoas simples e seus relacionamentos com autoridades de todas os níveis abriu portas para o crescimento da igreja, especialmente na área de comunicação. Santa Catarina foi privilegiada por receber diversos anos de seu ministério, nos quais suas pregações alimentaram as igrejas, seus artigos foram impressos em jornais, sua voz ecoou pelas rádios e sua pessoa se apresentou em TVs importantes em todo o estado. Pioneiros deixam marcas profundas. Temos certeza de que sua influência continuará sendo sentida e seu legado permanecerá evangelizando até Jesus voltar.” Pastor Apolo Abrascio, presidente da Associação Catarinense

“Descansou um homem de Deus, fiel conselheiro, amoroso pai e colega dos pastores mais novos como eu (novo quando o conheci…). Fui discipulado por ele de diversos modos. Sua visão de cidadania, de comunicação dentro e fora da igreja, de saúde e respeito pelo próprio corpo, de ministério junto aos idosos, de ajuda aos necessitados, de respeito à igreja, sua integridade, fizeram dele quem foi. Convivi com o pastor Anísio bem de perto por pelo menos seis anos, em Santa Catarina, viajando com ele inúmeras vezes, e nunca o vi pronunciar, nem por uma vez, palavras de crítica a líderes ou à organização da igreja. Foi um homem completamente dedicado a ajudar os outros, dando a eles o que ele mesmo recebia de Cima. Se Deus quiser, vamos encontrar muito logo esse mineiro que descansou sendo mais que catarinense – um cidadão do Céu. Pastor Marcos Bomfim, diretor de Mordomia da Associação Geral da IASD

Pedido de ajuda de Moçambique

Através de comunicação com a Associação Geral foi feito um protocolo para que as doações para a reconstrução da Universidade Adventista de Moçambique (Beira) sejam contabilizadas e processadas pela Associação Geral, por meio do Departamento de Missão Global (Missão Adventista). Ajuda especial (em dinheiro) pode ser enviada por meio das seguintes opções:

1) Envio de cheque pessoal e/ou cheque da sua igreja para o escritório da “Missão Adventista”, lembrando de marcá-lo com a seguinte mensagem:

“Mozambique Adventist University Storm Relief – Cyclone IDAI.”

Endereço: Global Mission – C/O: Mr. Jeff Scoggins General Conference – SDA Church 12501 Old Columbia Pike Silver Spring, MD 20904 USA

2) Doação direta online – siga as orientações abaixo: Acesse: https://gm.adventistmission.org/giving

Clique: Donate Preencha os campos com: “My donation is for *”: No menu, escolha: “Other – Put details in comments below””

E escreva mais abaixo (no Payment Information) em “Comments”: “Mozambique Adventist University Storm Relief – Cyclone IDAI.”

O dia em que juntaram o Tinder com a IASD

tinderNestes tempos bicudos de pós-modernidade, “AAA” já não mais significa Associação dos Alcoólicos Anônimos. Simplesmente junta a trinca Ávido + Acumulador + Agressivo (primado Yuppie – “YUP” quer dizer “Young Urban Professional”) com as bases existenciais da eterna adolescência mental: Autocomplacência + Autocondescendência + Autoindulgência. O Estado da Arte dessa danação se manifestou através do aplicativo Tinder: um algoritmo de checklist sobre desejos e idiossincrasias que ajuda a reunir pessoas superficialmente compatíveis a fim de conduzi-las para uma experiência de cruzo (“transar” já se tornou um termo hipossuficiente).

Quem leu o terceiro capítulo da segunda carta de Paulo a Timóteo não se surpreenderia se surgisse (se é que já não existe) um equivalente para o Tinder em questões de escolhas denominacionais (Pimper?). Ali o AAA poderia se cadastrar e preencher uma longa lista de preferências pessoais, depois escolher entre acionar a busca pelo “match” enquanto passeia pelas ruas ou acionar uma opção de interação com o Uber, que lhe oferecesse os templos mais próximos e convenientes.

O problema mais grave é quando essa mania de customizar opções invade aos poucos a nossa querida IASD e começa a criar tendências, embriões do sectarismo e da celeuma. E então toda unidade almejada por Jesus e batalhada diuturnamente pelo Santo Espírito vira somente uma recordação dos tempos de nossos pioneiros.

Adoração não é liturgia. É um estilo de vida fundado na revelação divina que terá consequências tanto no cumprimento da missão quanto no próprio processo individual de salvação. Fazer ou deixar de fazer isso ou aquilo nada tem a ver com meu coraçãozinho de Nadabe e Abiú (“Ãin… é que eu tenho personalidade forte!”). Nem com presunções supostamente perfeccionistas. É uma questão de bom senso e vergonha na cara. Pra quem duvida, basta combinar Juízes 21:25 (“Naqueles dias cada um fazia o que parecia bem aos seus olhos”) com Provérbios 16:25 (“Há caminho que parece direito ao homem, mas o seu fim são os caminhos da morte”).

Traduzindo: pra meio entendedor, boa palavra basta – quem quer procura um jeito, até mesmo a “comunhão com Deus”; quem não quer inventa desculpa. Não troquemos a Ellen pela Jênifer.

Marco Dourado

“Pois virá o tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, sentindo coceira nos ouvidos, segundo os seus próprios desejos juntarão mestres para si mesmos. Eles se recusarão a dar ouvidos à verdade, voltando-se para os mitos.” 2 Timóteo 4:3, 4

Saiba por que tomar café é pecado

cafeO jornalista brasileiro Andrei Netto, 42 anos, que vive e trabalha em Paris, começou a ter insônia por volta dos 36 anos. Como cobriu guerras e vivenciou experiências violentas ao longo de sua carreira, inicialmente atribuiu o sintoma a algum tipo de estresse pós-traumático e chegou a buscar terapia. “Ficava acordado, não conseguia dormir e tinha que levantar e fazer outra coisa. Esse problema do sono veio acompanhado de uma certa angústia e de uma dificuldade para respirar”, conta. Há cerca de dois anos, conversando sobre o assunto com sua sobrinha, a solução ao problema surgiu de maneira inesperada. “Ao me ver fazendo café, perguntou: Você já pensou em parar de tomar café? Pensei: é isso.” O jornalista passou a testar sua tolerância à bebida, tomando dia sim, dia não, ou intercalando com intervalos maiores, para ver se seus sintomas melhoravam.

“Toda vez que eu voltava a tomar regularmente, por três ou quatro dias seguidos, os efeitos reapareciam”, conta. O repórter decidiu então cortar o café e notou que seu sono e sua respiração voltaram ao normal. A angústia também desapareceu. “Por algum motivo, que desconheço, o café causava um certo grau de intoxicação”, deduziu.

Levamos o caso do jornalista a Xavier Laqueille, chefe do setor de Psiquiatria do hospital Sainte Anne, um dos mais renomados da capital francesa, especializado em dependência química. Ele confirmou a impressão do repórter: Andrei foi provavelmente vítima de uma intoxicação por café, um estimulante desaconselhado para quem tem sensibilidade à substância, geralmente perfis ansiosos. “Os efeitos do café são muito mais longos do que pensamos e, além disso, cumulativos. Quando tomamos café, podemos ter sintomas de ansiedade ou insônia até 15 horas depois”, explica. “Não é um problema grave, mas quando existe essa complicação, é bem desagradável, e é preciso lembrar do café e seus efeitos”, afirma.

O excesso da cafeina, diz, pode gerar também ataques de pânico, vertigens, diarreia e vontade frequente de urinar. “Habitualmente, quanto temos problemas induzidos por substâncias, existe uma sensibilização: quer dizer, podemos ter diferentes sensações com doses cada vez menores. É preciso prudência”, declara. O psiquiatra também lembra que, quando a pessoa interrompe o consumo e volta a tomar café, uma pequena xícara já é suficiente para provocar o reaparecimento dos sintomas.

A pesquisadora Julie Carrier é diretora científica da rede canadense sobre o sono e o ritmo biológico, da Universidade de Montreal. Estudos realizados em seu laboratório mostraram que o café afeta o sono, mesmo consumido em pequena quantidade. “As pessoas de um modo geral sabem que a cafeína pode gerar dificuldades para dormir ou fazê-las acordar à noite, mas poucas têm noção de que a substância diminui o chamado sono lento e profundo”, diz.

Essa fase, conhecida como REM, abreviação de “rapid eyes movement”, é essencial para o repouso e para a cognição. Os olhos se mexem, a atividade cerebral é intensa e os músculos ficam paralisados. É nesse momento da noite que sonhamos. Privar-se do chamado sono paradoxal aumenta o risco de ter doenças como o mal de Parkinson ou o Mal de Alzheimer, por exemplo, além de outros problemas de saúde.

Segundo a pesquisadora, mesmo entre as pessoas que se consideram “resistentes” ao café, há mudanças na estrutura do sono. A especialista e sua equipe estudaram os efeitos da cafeina no cérebro de adultos de mais de 40 anos – a partir da meia-idade, a qualidade do sono profundo tende a diminuir naturalmente. Os 75 participantes da pesquisa consumiam diariamente de dois a três cafés. O resultado mostrou que, independentemente da sensibilidade individual, o café atrapalhava a chamada “arquitetura cerebral do sono profundo”. “A questão real, penso eu, é: Por que precisamos consumir a cafeína? Deveríamos ser capazes de ter um nível de atenção e vigilância sem precisar de café para nos mantermos acordados”, afirma a pesquisadora, lembrando que, se for por uma questão de gosto, “existem ótimos descafeinados”. […]

(G1 Notícias)

Nota: No século 19, em conformidade com as pesquisas recentes, Ellen White escreveu: “Chá [estimulante], café e fumo são todos estimulantes, e contêm venenos. São não somente desnecessários, mas nocivos, e devem ser rejeitados, caso queiramos acrescentar ao conhecimento, temperança. […] Doenças de toda espécie e tipo têm sido trazidas sobre os seres humanos pelo uso de chá e café e os narcóticos, ópio e fumo. Essas condescendências prejudiciais devem ser renunciadas, não apenas uma, mas todas; pois todas são danosas e destruidoras das capacidades físicas, mentais e morais, devendo, do ponto de vista da saúde, ser abandonadas. […] O café é uma satisfação nociva. Estimula temporariamente o cérebro a uma ação desnecessária, mas o efeito posterior é exaustão, prostração, paralisia das capacidades mentais, morais e físicas. A mente fica enfraquecida, e a menos que, mediante esforço determinado seja o hábito vencido, a atividade do cérebro é permanentemente diminuída (Conselhos Sobre o Regime Alimentar, p. 419, 420).

“Quanto ao chá [estimulante], ao café, fumo e bebidas alcoólicas, a única atitude segura é não tocar, não provar, não manusear. A tendência do chá, café e bebidas semelhantes é no mesmo sentido que as bebidas alcoólicas e o fumo, e em alguns casos o hábito é tão difícil de vencer como é para um bêbado o abandonar os intoxicantes” (Ciência do Bom Viver, p. 335).

Por isso, “tomar chá [estimulante] e café é pecado, condescendência prejudicial, que, como outros males, causa dano à alma. Esses diletos ídolos criam excitação, ação mórbida do sistema nervoso; e depois que a influência imediata do estimulante passa, deixa abaixo do normal, na mesma proporção em que suas propriedades estimulantes elevaram acima do normal” (Conselhos Sobre o Regime Alimentar, p. 366).

Há pessoas que tentam racionalizar e relativizar o assunto. São livres para fazer isso e para comer e beber o que quiser, mas devem saber que não contam com o respaldo nem da ciência, nem da Revelação. Tudo o que prejudica nossa saúde física e mental atenta contra o “templo do Espírito Santo”, nosso corpo. Com o cérebro prejudicado, fica mais difícil ter pensamentos claros, resistir às tentações e ter comunhão com Deus. É matar-se aos poucos, e matar é pecado. A reforma de saúde é um assunto sério e importante, muitas vezes negligenciado por uns e exagerado e “fanatizado” por outros. Ambos os grupos atrapalham a obra que Deus deseja operar entre o Seu povo. Uns tratam o assunto com indiferença e até gracejos, dando a impressão de que seria algo irrelevante; outros fazem disso sua bandeira principal e apontam o dedo para quem não vive segundo sua ótica. Criam aversão a uma mensagem que deveria ser uma bênção. Portanto, ore a Deus e estude. Tome suas decisões com sabedoria, bom senso, tranquilidade e não force ninguém a fazer o mesmo. Você será grandemente abençoado se colocar em prática os chamados “oito remédios naturais”, e seu testemunho amoroso levará muitas pessoas a também pensar no assunto. Deus nos ajude a obedecer Suas instruções. É para o nosso bem e dos que nos rodeiam. [MB]

O desbravador Samuel e o balão que viajou quase 20 km

balaoO 13 de março deste ano nunca mais será esquecido. Na trágica manhã daquele dia, dois terroristas invadiram a escola Raul Brasil, em Suzano, SP, e atiraram contra funcionários e adolescentes, levando à morte oito pessoas. Entre as vítimas estava Samuel Melquíades de Oliveira, de 16 anos. Adventista do sétimo dia e desbravador, Samuel honrou a lei do clube do qual fazia parte, que diz: “Pela graça de Deus, serei puro, bondoso e leal; guardarei a lei do desbravador, serei servo de Deus e amigo de todos.” Segundo testemunhas, Samuel morreu enquanto protegia colegas. De fato, ele honrou os ideais do Clube de Desbravadores, e mais do que isso, os de um verdadeiro cristão, afinal, “ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos” (João 15:13).

A vida do garoto foi uma bênção. Talentoso desenhista, ele usava o dom para ilustrar voluntariamente materiais da igreja, como a Lição da Escola Sabatina, com a intenção de motivar outras pessoas a estudar a Bíblia, que ele tão bem conhecia, pois os pais sempre fizeram o melhor para levá-lo para perto de Deus. Era querido dos amigos e disse a uma confidente que o desejo dele era o de sempre fazer as pessoas felizes. O pai diz que ele vivia isso intensamente.

A história de Samuel continua impressionando, mesmo depois da morte dele. No dia 17 de março, um domingo, para homenagear o garoto e as outras vítimas, os jogadores do Corinthians entraram no estádio do Itaquerão, na Zona Leste de São Paulo, com 22 balões pretos com os nomes dos assassinados. A multidão estava em silêncio quando os balões foram soltos ao vento. Um deles, com o nome do Samuel, viajou para um lugar diferente dos demais: a cidade de Suzano! Sim, o balão percorreu quase vinte quilômetros e foi parar no caminho do senhor Arlindo, de 62 anos, que no dia seguinte ao jogo fazia sua costumeira corrida matinal. Ao avistar o balão ao lado da calçada, ainda cheio e intacto, ele imediatamente o reconheceu do jogo que havia assistido no dia anterior. Arlindo apanhou o objeto, levou-o para casa e entrou no site do Corinthians a fim de compará-lo com os balões que apareciam nas fotos da homenagem. Aí teve certeza de que se tratava mesmo do balão da cerimônia.

samuelEmocionado, Arlindo descobriu o endereço dos pais de Samuel e levou o balão para eles. O pai de Samuel disse que a homenagem no estádio foi para todas as vítimas, mas que o balão que chegou até ele foi uma homenagem muito especial para a família. O goleiro do Oeste, time que jogou contra o Corinthians naquele dia, Matheus Cavichioli, foi o responsável por soltar o balão antes do jogo. Ele disse em entrevista: “Fui o escolhido naquele momento para estar com aquele balão. E o balão foi até lá. Quem sabe, por que não, acreditar que o balão voltou para casa?”

Na verdade, quem um dia estará na casa do Pai é o garoto Samuel. O nome dele, em hebraico, significa “seu nome é Deus”. E ele viveu como um verdadeiro servo dAquele a quem amava e servia. Samuel honrou o nome de seu Criador. Que sua vida e sua morte inspirem não apenas os colegas desbravadores, mas todos os cristãos que continuam na marcha rumo ao Céu. Que em breve possamos abraçar o bravo e amável Samuel, um verdadeiro servo de Deus e amigo de todos.

Michelson Borges

Clique aqui para assistir à reportagem da Globo.

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Um dos muitos desenhos feitos pelo Samuel