Adventistas têm escolas em todo o país, mesmo sendo só 3% dos brasileiros

adventista-542504Os adventistas do sétimo dia respondem por 3% dos evangélicos no Brasil hoje, de acordo com a pesquisa “Perfil e opinião dos evangélicos no Brasil”, divulgada pelo Datafolha em dezembro de 2016. No mundo inteiro, são 20 milhões de pessoas – a título de comparação, os anglicanos são cerca de 80 milhões, bem como os luteranos. Mas mesmo relativamente diminutos, os adventistas respondem por uma das maiores redes educacionais do mundo, atendendo dois milhões de alunos em 7,8 mil escolas localizadas em 165 países. É a preocupação com o ser humano de forma integral que faz com que os adventistas estejam presentes em diversas áreas da sociedade, como a educação. Além da área de educação, a igreja atua na área da saúde, dirigindo cerca de 700 hospitais e clínicas, e na indústria de alimentos, com 18 empresas que fabricam produtos com características que contribuem para o bem-estar físico.

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Adventistas do sétimo dia e a MP da liberdade econômica (considerações)

Liberdade-Economica[O que você vai ler a seguir não se trata de um posicionamento oficial da IASD, mas de considerações do autor do texto.]

Dentre as 28 crenças fundamentais da Igreja Adventista do Sétimo Dia (IASD), uma das que mais se destaca é aquela que diz respeito à vigência do sábado entre os cristãos. Segundo nossa convicção, o dia de sábado deve ser observado pelos seguidores de Cristo ainda hoje. Na prática, isso significa que o trabalho que visa ao autossustento deve ser suspenso nesse dia, como prescreve o quarto mandamento do decálogo (Êx 20:8-11), para que nele sejam feitas atividades de culto e de auxílio aos mais necessitados, exatamente como Cristo fez (Mt 12:12; Mc 2:27; Lc 6:9). Ou seja, nesse dia, devemos descansar de nossas próprias atividades para promover descanso aos outros, aos que mais precisam. Isso condiz exatamente com a santidade desse dia de bênçãos.

Entretanto, um ponto de uma Medida Provisória (MP) de 2019 e de número 881, de autoria da presidência da república, mais conhecida como MP da Liberdade Econômica, tem começado a suscitar dúvidas, anseios, expectativas e até espírito de revolta e indignação entre alguns guardadores do sábado, como os adventistas do sétimo dia. Esse sentimento de apreensão é justificado porque essa MP, de certa forma, fará com que os trabalhadores brasileiros, que em sua maioria gozam de descanso aos domingos (e adventistas aos sábados), agora se vejam no dever de trabalhar nesse dia. Atualmente, a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) determina que o descanso semanal deve coincidir com o domingo, no todo ou em parte, além de proibir o trabalho nesse dia e nos feriados, exceto em casos de “conveniência pública ou necessidade imperiosa do serviço” mediante permissão do governo que precisa especificar tais atividades.

No dia a dia das relações trabalhistas até o presente momento, os empregadores não podem exigir trabalho aos domingos de seus funcionários, a menos, é claro, como já dito, que a função ou profissão exercida exija atividades trabalhistas nesse dia. Em casos em que a natureza da atividade não requeira trabalhos dominicais e ainda assim o empregador deseje que seus funcionários trabalhem nesse dia ou em feriados, a remuneração dever ser paga em dobro. O que muitos não sabem, inclusive guardadores do sábado, é que essa regra, em sua essência, não mudou. O que a MP está trazendo de novidade é que os empregadores poderão agora compensar esse pagamento em dobro do trabalho dominical, ou de um feriado, transferindo o descanso semanal do domingo para outro dia da semana. Na prática, essa MP ajudará, e muito, alguns patrões porque ao invés de se verem obrigados a pagar a mais e em dinheiro para que seus funcionários trabalhem aos domingos e feriados (há muitos no Brasil), eles poderão fazer esse pagamento com a oferta de um descanso em qualquer outro dia da semana. Ademais, essa MP também prescreve que a cada três domingos trabalhados, um descanso será obrigatoriamente no domingo.

Com base nisso, pergunto: No que essa MP afeta a vida de guardadores do sábado? Em termos práticos, em absolutamente nada. Aliás, muito pelo contrário, essa MP favorece a observância do sábado porque ela enfraquece o poder de “descanso” do domingo e transfere para qualquer outro dia. Antes dela, por determinação da CLT, ou os patrões pagavam em dobro pelo trabalho dominical de seus funcionários ou não poderiam convocar seus empregados para trabalho nesse dia. Tal realidade levava os patrões a serem rígidos, inflexíveis quanto à liberação do trabalho sabático, porque não tinham opção senão oferecer descanso dominical aos guardadores do sábado, o que do ponto de vista bíblico é irrelevante, já que a Bíblia prescreve o descanso aos sábados e não aos domingos. Com essa nova medida, agora empregadores podem compensar a ausência do trabalho sabático oferecendo trabalho aos domingos sem nenhuma sanção legal ou oneração.

Instituições adventistas nas quais muitas vezes trabalhos aos domingos eram necessários – escolas, por exemplo – por meio de pagamento em dobro pela atividade ou de compensação com certas folgas no calendário, deverão, em tese, funcionar da mesma forma. Escolas adventistas que convocarem trabalhos aos domingos continuarão a enfrentar a mesma dificuldade porque não poderão oferecer como descanso o sábado a seus professores, por exemplo, e, por motivos óbvios, nem nos demais dias da semana que já são, por natureza, dias de trabalho comum. Será difícil imaginar um professor ou pedagogo deixando de trabalhar na segunda-feira numa escola adventista porque foi convocado para trabalhar num domingo para comemorar o dia das mães, digamos.

Só gostaria de terminar ressaltado uma verdade bíblica. Estamos impregnados de uma cultura ocidental cuja base é cristã e na qual o domingo é um dia de descanso em que, normalmente, curtimos a família, seja isso de um prisma religioso ou meramente civil, social. Porém, do ponto de vista da Bíblia, o domingo é só mais um dia de trabalho como todos os outros cinco. Essa alegria que desfrutamos da liberdade do trabalho e do prazer de estar com a família aos domingos, na realidade, pertence ao sábado. O mandamento é claro como a luz do Sol ao meio-dia: “Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus” (Êx 20:9, 10).

Encerro fazendo um apelo a você: não forme sua opinião política, seja ela qual for, com a leitura de apenas uma única fonte jornalística. Leia ou assista a várias que falem do mesmo assunto e que, de preferência, se alinhem a ideologias antagônicas e conflitantes, porque isso ajudará você a ter uma opinião mais embasada e consistente. Se o seu compromisso for com o que é verdadeiro, então se esforce e busque a verdade de qualquer coisa e em tudo na vida, o que inclui política. E já posso lhe adiantar: dificilmente a verdade será encontrada nas camadas superficiais. A busca por ela demandará escavação, e isso requer esforço. Contudo, portanto, por mais esforço que isso signifique, corra atrás da verdade. O resultado será mais recompensador no final.

Por favor, compartilhe esse texto com todos os sabatistas que ainda não entenderam completamente o assunto. Esse povo precisa ser informado ao invés de formar opinião com base em memes nas redes social.

(Elton Queiroz é formado em Teologia e Filosofia e tem um mestrado em Teologia)

Mais mentiras do líder do Congresso MV

Hypocritical man lying expressively[Eu tinha dado o assunto por encerrado e estava me limitando a orar a respeito e a responder a todos os e-mails que estavam chegando à minha caixa postal por causa da petição pública criada pelo líder do chamado Congresso MV. Mostrei claramente neste post que as informações a acusações dele são falsas e educadamente pedi que ele retirasse do ar a petição e fizesse uma retratação igualmente pública. Ele não atendeu à minha solicitação e se limitou a reescrever partes da petição, seguidas de um discreto pedido de desculpa a seus leitores. Como disse, eu havia decidido não mais tocar no assunto, pois esse não é o meu desejo nem o do Gabriel Estêvão, trazido involuntária e desnecessariamente para o centro de uma polêmica. No entanto, o irmão Berg Albuquerque publicou em seu Facebook um comentário com o título acima, que ajuda a explicar a atitude do líder do Congresso MV. Republico aqui o texto do Berg em nome da verdade e da transparência, e na esperança de que o líder do Congresso MV realmente se arrependa do que fez e perceba o caminho perigoso que está trilhando. – MB]

“Daniel Silveira, o líder do chamado Congresso MV, promoveu um abaixo-assinado público com mentiras e acusações infundadas, expondo a pessoa do pastor e jornalista Michelson Borges e inclusive divulgando indevidamente o e-mail dele. O pastor Michelson decidiu se manifestar, escreveu uma refutação e mostrou claramente a mentira do Silveira, inclusive com o desmentido do próprio personagem citado no abaixo-assinado, o irmão Gabriel, de Angola (confira aqui). Não contente com isso e ignorando o pedido do pastor Michelson para que apagasse a petição e se retratasse, o Silveira escreveu o seguinte em seu site:

“Nesse momento está sendo editado pela CPB o manuscrito do ex-satanista Gabriel (também conhecido como Roger Morneau de Angola), depoimento em vídeo já superou os dois milhões de visualizações.

“Há o perigo de que a editora faça supressões substanciais de informações melindrosas, o que seria uma pena. Queremos pedir ao Michelson e à comissão de avaliação de livros, que não façam cortes ou supressões, mas somente correções ortográficas e de sintaxe (construção de frase, formulação).

“Obs.: Pedimos perdão por ter mencionado uma notícia que não podemos comprovar, de que Gabriel a certa altura esteve decepcionado por supressões e pela demora. Aparentemente esse não é o caso, e nossa petição passa a ser somente preventivo.”

“O fato é que em nenhum momento em seu texto o pastor Michelson menciona a Casa Publicadora Brasileira. Ele deixou claro que está ajudando o Gabriel nos trâmites para que seja enviado o original do livro dele para alguma editora. Disse também que jamais faria cortes no livro do Gabriel e que os dois estão conversando [há] pouco mais de um ano. Portanto, o líder do Congresso MV mentiu novamente ao dizer que a CPB está ‘editando’ o livro do irmão Gabriel. Para que isso estivesse sendo feito o livro teria que já ter sido recebido, avaliado e aprovado pela editora. Fica clara a intenção do Silveira de colocar a CPB no rolo e acusar de novo sem fatos.

“Silveira mais uma vez levanta suspeitas e tenta criar um clima de guerra ao dizer que ‘há perigo de que a editora faça supressões substanciais’ na obra de Gabriel. Michelson explicou em seu texto que fazer cortes e supressões em um original sem o consentimento do autor é uma atitude antiética. Que ‘perigo’ é esse? Só na mente imaginativa e conspiratória do Silveira.

“Silveira fala de ‘informações melindrosas’ e em um áudio chegou a sugerir que o livro teria informações que comprometem a igreja. Será que ele leu o livro para saber disso? Não me parece que o irmão Gabriel seria capaz de fazer uma coisa desses e o pastor Michelson certamente não estaria ajudando nosso irmão africano caso ele agisse como o pessoal do MV, falando de coisas que ‘comprometem’ a igreja e espalhando desconfiança.

“No terceiro parágrafo de sua tentativa de reparação Silveira admite a fake news, até porque não poderia fazer outra coisa diante do desmentido feito pelo próprio Grabriel, mas acrescenta um ‘aparentemente’. Como assim ‘aparentemente’? Não ficou claro ainda que uma inverdade e falsas suspeitas foram espalhadas? O próprio Gabriel se manifestou. Então por que o ‘aparentemente’. O que será preciso para convencer Silveira de que ele claramente e não aparentemente mentiu?

“Por fim, note a falta de coerência no que Silveira escreveu. Ele termina pedindo perdão ‘por ter mencionado uma notícia que não podemos comprovar, de que Gabriel a certa altura esteve decepcionado por supressões e pela demora’. Mas antes Silveira disse que ‘há o perigo de que a editora faça supressões substanciais de informações melindrosas’ no livro. Com base em que ele pode afirmar que há esse ‘perigo’? Se o livro ainda não está sendo editado, se o pastor Michelson disse que jamais um editor faria cortes numa obra sem consultar o autor, se o irmão Gabriel afirmou que não está triste nem preocupado coisa nenhuma, quem novamente está espalhando mentiras e suspeitas contra pessoas e contra a igreja de Deus?

“Lamentável essa atitude do líder de um grupo que diz buscar a perfeição de Cristo.”

Berg Albuquerque

Nota: Uma das pessoas que assinou a petição e para quem enviei uma explicação, respondeu-me o seguinte:

“Bom dia. Que o Senhor Deus nos proteja e nos ilumine diante de tantas informações incompletas e incorretas. Graças a Deus podemos tomar conhecimento de ambos os lados através da internet. No momento em que assinei a petição é claro que não sabia dessas duas versões da história. […] Concordo plenamente com o irmão Gabriel: o mundo não precisa saber que há discordância e contendas entre os da mesma fé no advento. Serviu de lição pra mim; antes de assinar qualquer petição precisamos saber se de fato as coisas procedem. Não tenho o costume de compartilhar essas petições, então o estrago de minha parte foi menor. Desejo que Deus continue lhe abençoando e também ao irmão Gabriel. Um abraço.”

Essa pessoa teve a humildade e a coragem de responder ao meu e-mail, e por isso a parabenizo. As demais, para quem também enviei explicações, talvez tenham ficado muito sem graça por ter inocente ou ignorantemente participado de uma calúnia em forma de petição. Realmente que fique a lição. [MB]

“O que confessar a Cristo, tem de O possuir em si. Não pode comunicar aquilo que não recebeu. Os discípulos poderiam discorrer fluentemente acerca de doutrinas, poderiam repetir as palavras do próprio Cristo; mas a menos que possuíssem mansidão e amor cristãos, não O estariam confessando. Um espírito contrário ao de Cristo o negaria, fosse qual fosse a profissão de fé. Os homens podem negar a Cristo pela maledicência, por conversas destituídas de senso, por palavras inverídicas ou descorteses. Podem negá-Lo esquivando-se às responsabilidades da a vida, pela busca dos prazeres pecaminosos. Podem negá-Lo conformando-se com o mundo, por uma conduta indelicada, pelo amor das próprias opiniões, pela justificação própria, por nutrir dúvidas, por ansiedades desnecessárias, e por deixar-se estar em sombras. Por todas essas coisas declaram não ter consigo a Cristo. E ‘qualquer que Me negar diante dos homens’, diz Ele, ‘Eu o negarei também diante de Meu Pai, que está nos Céus” (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 249)

Congresso MV: mentiras e acusações

dedo apontadoDepois que eu postei um texto do meu amigo jornalista Davi Boechat com uma análise crítica da chamada “Bíblia White” (leia aqui a nota oficial da Divisão Sul-Americana ) e mostrei a falta de ética de seus organizadores (MV e IAGE) ao publicar um material dessa natureza sem o aval dos Depositários do Patrimônio White (encarregados pela própria autora de zelar por seus escritos), o líder do Congresso MV* passou a dirigir críticas e acusações à minha pessoa. Vinha ignorando esses comentários dele (até porque repudio o ad hominem e não gosto de alimentar controvérsias), só que desta vez ele se superou.

O líder do Congresso MV está promovendo uma campanha pública exigindo algo que não está em meu poder e propagando mentiras e acusações injustas. Ele afirma que eu estaria impedindo ou retardando a publicação de um livro escrito pelo ex-satanista e hoje adventista Gabriel Guilherme Estêvão, de Angola. Leia o texto acusatório:

“Michelson Borges está, há anos, na posse de um manuscrito elaborado pelo ex-satanista Gabriel (também conhecido como Roger Morneau de Angola), cujo depoimento em vídeo já superou os dois milhões de visualizações. Porém nos alcançou a notícia de que Gabriel está decepcionado porque seu manuscrito não só está sofrendo alterações substanciais, como também está demorando para avançar para o prelo. Queremos pedir ao Michelson e à comissão de avaliação de livros, que não façam cortes ou supressões, mas somente correções ortográficas e de sintaxe (construção de frase, formulação).”

Vamos aos verdadeiros fatos:

1. Não estou “há anos” com o manuscrito do Gabriel. Eu o conheci e publiquei seu testemunho em meu canal há menos de dois anos (veja o vídeo abaixo). De lá para cá, venho mantendo um diálogo construtivo e amigável com o Gabriel, orando por ele e apoiando-o no preparo desse material. O texto já passou por duas atualizações feitas pelo autor. Eu lhe expliquei como são os trâmites para submeter um original para a avaliação de uma editora, e ele está seguindo esse caminho.

2. Como assim o “manuscrito está sofrendo alterações substanciais”?! Eu jamais faria uma coisa dessas sem autorização do autor, nem me compete isso. Nenhuma editora poderia alterar o texto de um autor sem o consentimento e a aprovação dele. O líder do Congresso MV ou desconhece os caminhos para a publicação de um livro por uma editora séria (o que inclui a assinatura de contrato e outras formalidades), ou simplesmente quis adicionar “veneno” ao seu texto acusatório, o que é realmente lamentável.

3. Tenho registrada toda a conversa que mantive com o Gabriel neste um ano e pouco. Em abril deste ano, o Gabriel me enviou a última versão (atualizada) do original do livro dele, e eu o orientei a encaminhá-lo para avaliação editorial. Menos de uma semana depois, Gabriel recebeu resposta de uma editora com a orientação de que ele preenchesse um cadastro no site próprio para isso, a fim de submeter o livro à avaliação de uma comissão. Os trâmites estão seguindo, ninguém está atrasando nada, muito menos cortando partes do texto original.

4. Conversei no dia 11 de agosto com o Gabriel e coloquei-o a par da petição pública criada pelo líder do Congresso MV. Gabriel ficou chocado e me disse que em Angola isso seria considerado crime.

5. Em um áudio ao qual tive acesso (postado em um grupo de Telegram), o líder do Congresso MV fala de um “informante” que lhe disse que Gabriel estaria triste pela demora na publicação do livro (não foi isso o que Gabriel me disse). Alimentando um clima de conspiração e de suspeita, o editor da “Bíblia White” se diz temeroso de que os cortes no livro possam suprimir coisas importantes, e pede “que não se façam supressões que poderiam comprometer a instituição”. Isso é um absurdo! Em nenhum momento Gabriel fala contra a “instituição”, sendo membro fiel e atuante na Igreja Adventista em Angola.

Imagino que o líder do Congresso MV deva ter colocado meu e-mail profissional na petição, pois já recebi uma dezena de mensagens de pessoas que assinaram o tal abaixo-assinado. Pessoas que nada sabem dos bastidores dessa mentira e que agora estão enchendo minha caixa postal de maneira indevida e injusta, pensando mal a meu respeito, quando, na verdade, tenho procurado ajudar o Gabriel como posso.

A Bíblia nos diz que o pai da mentira e o acusador dos irmãos é Satanás. E toda pessoa que lhe segue os passos e imita a conduta, por mais que pregue sobre reavivamento, reforma de vida, perfeição cristã, etc., está muito longe disso. Depois, quando a igreja passa a desaprovar as atitudes de líderes e simpatizantes do Congresso MV, eles se fazem de vítimas e alimentam ainda mais o clima de discórdia e desconfiança.

A história de conversão do irmão Gabriel, arrancado por Deus das garras de Satanás, é uma inspiração e um poderoso testemunho. Era de se esperar que o inimigo não “deixaria barato” e fizesse de tudo para atrapalhar a vida dele e, também, o trabalho da igreja remanescente, alvo do ódio do dragão.

Como desta vez o líder do Congresso MV extrapolou os limites do bom senso e do cristianismo, expondo indevidamente a minha pessoa, o irmão Gabriel e a igreja, faço também o meu pedido: que ele apague a petição pública e mentirosa e que publique um texto se retratando. Se ele realmente se pauta pela verdade e pelos princípios cristãos (como afirma), fará isso o mais rapidamente possível.

Michelson Borges

NOTA DO GABRIEL GUILHERME ESTÊVÃO, DE ANGOLA:

“Graça e paz da parte do nosso bom Deus e Pai Eterno. Eu sou Gabriel Estêvão, o jovem angolano que foi resgatado pela maravilhosa graça de nosso Senhor Jesus Cristo das mãos de Satanás e dos seus demônios. Venho por este meio esclarecer a informação incorreta do meu amado irmão Daniel Silveira. Meu amado irmão Daniel, nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo nos diz que devemos nos amar uns aos outros e perdoar uns aos outros. Na verdade, eu não disse nada a qualquer pessoa a respeito do preparo do meu livro envolvendo o amado irmão pastor Michelson Borges. Eu não disse a ninguém que meu livro estaria a sofrer alterações.

“1. O amado pastor Michelson não tem editora para editar meu livro, mas ele está me ajudando a entrar em contato com editoras no Brasil.

“2. O livro ainda está em minha posse e estou entrando em contato com uma editora para que passe pelo processo seletivo, e estou esperando que seja feita a vontade de Deus, o nosso bom Pai.

“3. O segundo grupo dos anjos caídos, chamados “guerreiros”, é especialista em criar difamações, dissensões, calúnias, conflitos, inimizades entre famílias, irmãos, amigos, sociedades, e colocar nação contra nação. Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo não quer que sejamos presas deles. Meu amado irmão Daniel Silveira, eu amo você como amo o meu amado irmão pastor Michelson Borges. O mundo não precisa saber que os que dizem ser filhos de Deus estão em conflito. A melhor forma de tratar um assunto é chamar a pessoa e conversar.

“Estou a pedir um grande favor ao meu amado irmão Daniel: que apague a informação incorreta das redes sociais. Lembre-se de que o Céu é para os humildes e mansos de coração. A difamação é um crime jurídico e um pecado diante de um Deus Santo (Êxodo 20:16).”

(*) A sigla MV vem de “Missionários Voluntários”, o antigo nome oficial dado ao Departamento dos Jovens Adventistas da IASD; portanto, ao adotar esse nome, o Congresso MV se apropriou de algo que pertence à IASD e à sua história.

Mudanças litúrgicas para alcançar os secularizados

celebrationO que acontece quando uma congregação adventista deseja mudar para alcançar pessoas seculares? E se o padrão de mudanças inclui alterações litúrgicas e a adoção de métodos e práticas das igrejas evangélicas? Quais as consequências para a identidade profética? Para responder a essas e outras perguntas, aqui serão analisados brevemente os primórdios do movimento Celebration, suas implicações e reações (assista ao vídeo que completa o texto).

Breves apontamentos históricos

O pastor Dan Simpson estudou as técnicas de crescimento de igreja propostas por Peter Wagner, um dos gurus do movimento, e as compartilhou com a congregação adventista que ele pastoreava, a Calimesa Church.[1] Sem resultados, Simpson assumiu a congregação adventista Azure Hills, localizada em Grand Terrace, California, no fim do ano de 1986, onde contou com a assessoria de Carl F. George, um consultor de igrejas associado ao Charles E. Fuller Institute of Evangelism and Church Growth.[2]

Em abril de 1989, a Associação da qual Simpson fazia parte votou que ele estabelecesse a congregação que ficaria conhecida como Colton Celebration Center, em um edifício alugado da denominação Assembleia de Deus.[3] A proposta logo ganhou adesão de outras congregações adventistas, recebendo especial destaque as congregações Milwaukie church, em Oregon e Buffalo church, em New York.[4] Nascia o movimento Celebration, que representou “uma ruptura decisiva com a liturgia adventista tradicional”,[5] o qual atingiu muitas congregações adventistas nos Estados Unidos durante a década de 1990 e ainda influencia a discussão sobre liturgia em muitos contextos. O que podemos aprender desse movimento?

Nos bastidores do estilo celebracionista

Hasel, analisando o estilo “celebracionista” de culto, constatou a ocorrência de pelo menos três mudanças: (a) quanto à estrutura congregacional, sendo que as congregações tornaram-se mais independentes, abandonando o uso do Hinário Adventista e agindo administrativamente como se fossem “mini-denominações”; (b) quanto à liturgia, que agregou elementos como dança, teatro, inovações hinódicas, etc.; (c) quanto às doutrinas: ao invés das doutrinas tradicionais adventistas, a ênfase recaiu sobre amor, perdão e aceitação.[6] A conclusão de Hasel traz um alerta muito expressivo: “Em nossa fome espiritual, em nossa ânsia por reavivamento e poder do alto, fixemos nossos olhos na direção da Palavra de Deus. Na Escritura nós encontraremos força renovada e poder divino para descobrir e redescobrir a vontade de Deus para Seu povo no tempo do fim. Os adventistas são o povo do Livro; e o Espírito que fala através do Livro nos renovará.”[7]

Por que o estilo de adoração celebracionista se oporia ao estudo das Escrituras? Segundo Bacchiochi, deve-se reconhecer que, em muitos casos, “aqueles que suplicam por música eclesiástica que ofereça satisfação pessoal ignoram que isso implica buscar uma estimulação física egocêntrica em vez de uma celebração espiritual teocêntrica das atividades criativas e redentivas da divindade”.[8] Essa aproximação da cultura secular remete a modelos mais bem observados na fenomenologia de cultos pagãos. Dorneles afirma que a “relação direta entre espírito (mundo sagrado) e o homem e a natureza (mundo profano), quer seja pela gênese dos espíritos como descendentes dos humanos, quer seja pelo fenômeno de possessão, influencia a aproximação, senão a integração entre o sagrado e o profano”.[9]

Sem dúvida, isso representa um desvio do propósito da adoração autêntica, conforme asseverou Ted Wilson, presidente da Associação Geral da Igreja Adventista do Sétimo Dia: “O diabo está tentando neutralizar a igreja de Deus por meio da tendência de aceitar a música e a adoração carismáticas e pentecostais, abordagens que focam nos membros da igreja e naqueles que lideram a liturgia, em lugar de focar no Deus verdadeiramente adorado. Um falso entendimento da adoração nos leva ao cerne das três mensagens angélicas, uma vez que tais mensagens são para que o povo volte à verdadeira adoração a Deus e não à falsa, experiência eufórica, mas, ao contrário, à genuína conexão espiritual com Deus por meio do estudo da Bíblia e da oração.”[10]

Como deveríamos celebrar?

Segundo Klingbeil, diante dos riscos da adoração mal orientada, precisa-se tratar do assunto do culto de um ponto de vista bíblico.[11] Rodríguez reforça a ideia, enfatizando que “mudanças na liturgia necessitam ser precedidas de uma análise séria sobre a natureza da adoração cristã que auxiliará no enriquecimento da experiência de culto dos fiéis”.[12] Os adventistas do sétimo dia possuem um entendimento bastante claro sobre adoração. Entretanto, como assinala Fortin, em “anos recentes, uma hermenêutica pós-moderna de preferências pessoais e culturais tem dominado qualquer discussão sobre adoração”.[13] O autor segue dizendo que muitos estudos que pretendem descobrir princípios de adoração são de natureza revisionista e influenciados pela hermenêutica que ele denuncia. Como resultado, “todo formato e entendimento sobre adoração são impostos sobre todo o povo, e que todo estilo de adoração é um objeto de preferências congregacionais e culturais”.[14] Oliveira advoga uma consciência crítica fundamentada no significado intrínseco à música: “Se realmente tivéssemos a devida seriedade e sobriedade que o assunto do uso de música na Igreja requer, iríamos no mínimo ter a curiosidade de tentar descobrir como a música é capaz de nos afetar e comunicar ideias e sentimentos.”[15]

Em qualquer grupo de adoradores o culto em geral e o tipo de música em especial são conduzidos de acordo com a visão que se tem da divindade.[16] Gordon pondera que por dezenove séculos diversas tradições cristãs, nas mais variadas culturas, admitiram a convivência de música antiga e contemporânea, sendo a última selecionada e incorporada ao repertório da igreja. A mudança nesse padrão aponta uma mudança profunda.[17] A salvaguarda seria propor mudanças no culto somente a partir do entendimento bíblico, uma vez que, ao introduzir metodologias e práticas sob a influência da cultura secular, corre-se o risco de comprometer o sistema bíblico-doutrinário adventista. Conforme Becerra argumenta: “Alguém pode falhar em perceber como a prática de adoração gradualmente modifica a doutrina. A introdução de práticas de adoração não enraizadas nas Escrituras poderia ser perigosa. A Igreja Adventista deveria ser cautelosa em definir teologia e prática de adoração bíblica. A sociedade contemporânea é caracterizada pelo desejo pela experiência e sentimentos acima da doutrina, como se vê na adoração carismática contemporânea. Qualquer adoção de novas formas de adoração deveria ser avaliada pela sua fidelidade às Escrituras.”[18]

Para Plenc, com base na teologia bíblica, o “culto deve ser caracterizado pela reverência, ordem e solenidade em equilíbrio com comunhão, espontaneidade e alegria”.[19] Tanto na Bíblia quanto nos testemunhos de Ellen G. White, a adoração se fundamenta “em virtude dos atributos absolutos de Deus, como a infinitude, a eternidade, a grandeza e perfeição”.[20] Rodríguez acrescenta que o chamado para a adoração exclusiva que aparece nas Escrituras ocorre no contexto do grande conflito, sendo a resposta a esse chamado – e consequente envolvimento na adoração – uma tomada de posicionamento, traduzida em “expressão de lealdade a Ele [Deus] e um reconhecimento de Seu amor”, o que tem estreita relação com o coração da mensagem adventista (Ap 14:6-12).[21]

Conselhos finais

Os adventistas foram agraciados por Deus com orientações adicionais, provenientes dos testemunhos de Ellen G. White. Nos seus escritos, encontramos a seguinte repreensão a um grupo de crentes nos seguintes termos: “Sua religião parece ser mais da natureza de um estimulante do que uma permanente fé em Cristo.”[22] Para a pioneira adventista, os “verdadeiros [cristãos] conhecem o valor da obra interior do Espírito Santo sobre o coração humano. Satisfazem-se com a simplicidade nos cultos”.[23]

Desde o início, o adventismo parece ter lutado contra o excesso de emocionalismo; por isso, nota-se a recomendação: “A verdade deve ser apresentada à mente o mais isenta possível do elemento emocional.”[24] Por outro lado, não se defende um formalismo mecânico; pelo contrário: “Seu culto deve ser interessante e atraente, não se permitindo que degenere em formalidade insípida. Devemos dia a dia, hora a hora, minuto a minuto viver para Cristo; então Ele habitará em nosso coração e, ao nos reunirmos, seu amor em nós será como uma fonte no deserto, que a todos refrigera, incutindo nas almas esmorecidas um desejo ardente de sorver da água da vida.”[25]

E se no passado o movimento Celebration procurou efetuar a evangelização de forma contextualizada à sociedade norte-americana, é justo que se avalie a iniciativa a partir da contundente declaração inspirada: “Muitos supõem que, para se aproximar das classes mais altas, é preciso adotar uma maneira de vida e um método de trabalho que se harmonizem com seus fastidiosos gostos. Uma aparência de riqueza, custosos edifícios, caros vestidos, equipamentos e ambiente, conformidade com os costumes do mundo, o artificial polimento da sociedade da moda, cultura clássica, as graças da oratória, são considerados essenciais. Isso é um erro. O caminho dos métodos do mundo não é o caminho de Deus para alcançar as classes mais elevadas. O que na verdade os tocará é uma apresentação do evangelho de Cristo feita de modo coerente e isento de egoísmo.”[26]

(Douglas Reis é mestre em Teologia, doutorando em Teologia [PhD] pela Universidade Adventista del Plata e autor de livros e artigos acadêmicos sobre identidade adventista, desenvolvimento da doutrina adventista e pós-modernidade)

Referências:

[1] Viviane Haenni, “The Colton Celebration Congregation: A Case Study in American Adventist Worship Renewal 1986-1991” (Tese doutoral: Andrews University, 1996), 64.

[2] Ibid., 65.

[3] Ibid., 68.

[4] J. David Newman e Kenneth R. Wade, “Is It Safe to Celebrate?,” Ministry Magazine, 1990, acesso: 29 de Janeiro de 2017, https://www.ministrymagazine.org/archive/1990/06/is-it-safe-to-celebrate.

[5] John S. Nixon, “Towards a Theology of Worship: An Application at the Oakwood College Seventh-Day Adventist Church” (Tese doutoral, Andrews University, 2003), 21.

[6] Gerard F. Hasel, “The ‘third Wave’ Roots of Celebrationism”, in Samuel Koranteng-Pipim, Here We Stand: Evaluating New Trends in the Church (Berrien Springs, MI: Adventism Affirm, 2005), 395.

[7] Ibid., 396–397.

[8] Samuele Bacchiocchi, “Una Teología Adventista de La Música Eclesiástica”, Kerigma (Col. Moderna, México, 2001), no 2, 23.

[9] Vanderlei Dorneles, Cristãos em Busca do Êxtase: Para compreender a nova liturgia e o papel da música na adoração contemporânea (Engenheiro Coelho, SP: Unaspress, 2006), 9.

[10] Ted Wilson, “God’s Prophetic Movement, Message, and Mission and Their Attempted Neutralization by the Devil”, sermão durante o concílio anual, realizado em Silver Spring, em 11 de outubro de 2014, acesso: 15 de Outubro de 2014, http://www.adventistreview.org/church-news/%E2%80%98god%E2%80%99s-prophetic-movement,-message,-and-mission-and-their-attempted-neutralization-by-the-devil%E2%80%99.

[11] Gerald A. Klingbeil, “Una Teologia de La Musica Sacra”, Theologika (Lima, Peru, 1997), ano 12, no 2, 191.

[12] Ángel Manuel Rodriguez (org), Teologia Do Remanescente: Uma Perspectiva Eclesiológica Adventista (Tatuí, São Paulo: Casa Publicadora Brasileira, 2012), 18.

[13] Denis Fortin, “Ellen G. White’ Theology of Worship and Liturgy.” In Ángel Manuel Rodriguez (org), Worship, Ministry, and the Authority of the Church; Studies in Adventist Ecclesiology – 3. (Silver Spring, MD: Biblical Research Institute, 2016), 84.

[14] Ibid.

[15] Jetro Oliveira, “Além Da Estética: Um Ensaio Sobe a Música Sacra E Seu Significado”, Kerigma (Engenheiro Coelho, SP, 2006), ano 2, no 1, 28.

[16] Ver especialmente Wolfgang H. M. Stefani, Música Sacra, Cultura E Adoração (Engenheiro Coelho, SP: Unaspress, 2002).

[17] T. David Gordon, Why Johnny Can’t Sing Hymns: How Pop Culture Rewrote the Hymnal (Phillipsburg, N.J.: P & R Pub., 2010), 42-43.

[18] Sergio E. Becerra, “Worship and the Magisterial Reformers.” In Ángel Manuel Rodriguez (org), Worship, Ministry, and the Authority of the Church; Studies in Adventist Ecclesiology – 3 (Silver Spring, MD: Biblical Research Institute, 2016), 29.

[19] Daniel Plenc, “Toward an Adventist Theology on Worship”, In Ángel Manuel Rodriguez (org), Ministry, and the Authority of the Church; Studies in Adventist Ecclesiology – 3 (Silver Spring, MD: Biblical Research Institute, 2016), 131.

[20] Daniel Plenc, “Elena G. de White Y La Adoración”, In Hector O. Martín e Daniel A. Mora (ed.), Elena G. de White: Manteniendo Viva La Visión: Documentos Del I Simpósio Bíblico-Teológico Del Seminário Teológico Adventista de Venezuela (Yaracuy, Venezuela: Seminário Teológico Adventista de Venezuela, 2015), 245–246.

[21] Rodriguez, Ángel Manuel. “Elements of Adventist Worship: Their Theology.” In Worship, Ministry, and the Authority of the Church, 133–147; Studies in Adventist Ecclesiology – 3 (Silver Spring, MD: Biblical Research Institute, 2016), 133.

[22] Ellen G. White, Evangelismo (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2008), 502.

[23] Ibid.

[24] Ibid., 611.

[25] Ellen G. White, Testemunhos Seletos (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1996), v. 2, 252.

[26] Ellen G. White, A Ciência Do Bom Viver (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2004), 213.

O dia em que o marxismo cultural serviu para algo de bom

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A Ariane (de vestido verde), na época das eleições presidenciais, estava pesquisando sobre marxismo cultural e encontrou uma palestra minha, em meu canal no YouTube. Gostou, começou a assistir a outros conteúdos e se interessou pela mensagem adventista. Ela mora em uma cidade vizinha, mas ontem estava em Tatuí e resolveu visitar a Igreja Adventista do Sétimo Dia das Mangueiras. Quem estava pregando lá? Sim, eu! A moça de casaco branco, a Fabiana, é adventista, mora na mesma cidade da Ariane e vai começar um estudo bíblico com ela. Os caminhos de Deus são impressionantes! E foi a primeira vez que vi o marxismo cultural servir para algo bom. [MB]

Relações perigosas: cultura pop, evangelho e contextualização

showPara iniciar a reflexão, quero mencionar um vídeo do pastor Cláudio Duarte sobre o Rei Leão. O pregador, conhecido por sua veia humorística, desta vez protagoniza uma reflexão minimalista calcada na história do desenho de 1994, que ganhou uma recente versão live action. O vídeo chegou ao meu WhattApp. Respondi ao remetente que entendia perfeitamente por que muitos evangélicos produzem esse tipo de conteúdo, procurando pelo espiritual em ovo cinematográfico. Entretanto, propor aplicações espirituais a partir de mídias seculares é incabível para adventistas. Entenda o porquê.

Quando se fala de interpretar um texto, a ciência que trata disso é a hermenêutica. Grupos cristãos diferentes chegam a interpretações divergentes da Bíblia porque adotam princípios hermenêuticos diferentes. Para os pioneiros adventistas, um dos princípios hermenêuticos mais sólidos era o sola Scriptura. Isso significa que somente as Escrituras seriam a autoridade final na vida do crente. Note o que escreveu O. R. L. Crosier, em seu artigo “The Law of Moses” (1846): “Enquanto perguntamos para a Bíblia o que o santuário é, deixe todo o preconceito educacional ser excluído da mente.” Segundo o teólogo P. G. Damsteegt, em seu clássico Foundations of the Seventh Day Message and Mission, os pioneiros adventistas interpretavam a Bíblia utilizando o princípio sola Scriptura e a auto-autentificação das Escrituras. Se você quiser saber mais detalhes sobre o sola Scriptura, sugiro que assista a este vídeo e leia este artigo.

Logo, só existe aplicação espiritual das Escrituras, não de produtos da cultura, descobertas da ciência, experiências humanas (mesmo as espirituais) ou tradições culturais e religiosas. A Bíblia é a autoridade final na vida do cristão e, para aplicá-la à vida, necessita-se interpretá-la corretamente. Por isso se busca o conhecimento das ferramentas adequadas para se chegar ao sentido do texto bíblico, fazendo-o dialogar com passagens escriturísticas que tratem do mesmo assunto. Extrair a mensagem do texto garante poder para uma aplicação à vida do cristão.

Pode-se articular o conteúdo bíblico por meio da cultura. Isso acontece quando se usa, por exemplo, uma prática cultural para ilustrar um conceito bíblico – ao tratar de João 12, quando Jesus repreende Simão por não trata-Lo de forma hospitaleira segundo os critérios da época, mencionei hábitos modernos de hospitalidade (convidar a pessoa a entrar, sentar-se no sofá, servir-lhe um copo com água, etc.) durante uma meditação dirigida a funcionários da instituição em que trabalho. Outro exemplo de articulação: a Bíblia não usa o termo “cultura”, embora forneça diversos exemplos de como era a cultura do período em que foi escrita. Igualmente, quando se fala de cosmovisão cristã, não se encontram esses termos nas páginas das Escrituras; contudo, certamente há muito sobre isso na Bíblia que preenche a grade que forma uma cosmovisão (quem é Deus, quem é o homem, o que é real, etc.).

Embora a cultura e mesmo algumas ciências (como filosofia, sociologia, filologia, etc.) forneçam articulações úteis para ilustrar ou ajudar a compreender o sentido do texto, nenhum desses elementos constitui a mensagem per se. A mensagem a ser aplicada deve provir da única fonte: as Santas Escrituras.

Contextualização e suas distorções

Agora preciso passar a outro conceito importante: a contextualização. Para envolver pessoas de outra cultura no processo de evangelização, os missiólogos criaram o termo “contextualização”. Basicamente, contextualizar é criar uma estrutura que funcione como ponte entre duas culturas, baseada em aspectos comuns que tais culturas possuam. Dessa maneira, o evangelho pode soar relevante para uma cultura que o desconhece. Como a cultura ocidental contemporânea perde suas características cristãs que a moldaram, cada vez mais a contextualização é aplicada a iniciativas evangelizadoras contemporâneas. O problema é que, quando se trata de contextualização nesse segundo sentido, o sola Scriptura entra na teoria, porque, na prática, o que se vê é o sola experientia ou sola cultura.

O que quero dizer com isso? Que muitas iniciativas evangelizadoras partem da cultura para atingir a cultura. Ironicamente, não se percebe o contrassenso: ou se segue a cultura ou as Escrituras. Afinal, não se pode servir a dois senhores.

Adventistas mais liberais como Reinder Bruinsma propõem que a igreja se adapte à pós-modernidade, o que envolve uma nova liturgia, um novo estilo de pregação e, certamente, uma nova forma de vivenciar a espiritualidade. É fácil vender uma religião que soe palatável – o difícil é fazer as pessoas comprarem a fé bíblica, que faz a mente secular engasgar com sua verdade intragável para este século (mas que permanece tão necessariamente nutritiva!). Se alguém decidiu unir-se a uma denominação cristã apenas porque foi-lhe prometido tocar o tipo de música que lhe agradasse, foi vítima de clientelismo, não fruto de evangelização. E uma igreja séria não pratica clientelismo, porque reconhece a santidade de Deus.

Ademais, atender às demandas da pós-modernidade em matéria de culto e liturgia é incorrer na adoração carismática que já permeia as igrejas evangélicas desde a década de 1970. Nos anos 1980, surgiu o movimento Celebration dentro do adventismo, que gerou polêmicas discussões, sem, porém, trazer contribuições positivas nem um legado de crescimento espiritual. Hoje os worships evangélicos são novamente os hits do momento e já se infiltraram em cultos adventistas. Porém, é necessário entender o real propósito da adoração bíblica para não se curvar a uma cultura que nivela o conceito de Deus por baixo. (Recomendo o excelente livro Música na Igreja, da CPB.)

Adorar não é equivalente a produzir um show. No show, o artista está em evidência. Na adoração, Deus é o centro de toda atenção. Quando os adoradores são o foco, ironicamente, eles deixam de ser adoradores, correndo o risco de se tornar objeto de adoração.

Voltando à pós-modernidade: não se pode cometer o mesmo equívoco de Bruinsma em pintar o período que estamos vivendo como algo neutro. Em meu texto “Desafios evangelizadores da pós-modernidade para o adventismo”, eu mostro a impossibilidade de criar igrejas para pessoas pós-modernas. Afinal, não existe algo como identidade pós-moderna, uma vez que a pós-modernidade é a quebra dos rótulos, o estar sempre em mudança de identidade. (Leia o texto aqui.) Além disso, movimentos cristãos voltados à pós-modernidade abandonaram o cristianismo tradicional, embarcando em uma jornada espiritual subjetiva e mística. É o caso das igrejas emergentes. (Assista a esta série de vídeos: parte 1, parte 2, parte 3.)

Em suma, é um momento de encruzilhada para o adventismo. Deseja-se uma nova geração de adventistas fiéis, mas eles são alimentados com música pop evangélica, ensinados que o mais importante na missão é a ajuda humanitária (e não orientação bíblica) e têm recebido pouca instrução das Escrituras e dos Testemunhos. Qual será o resultado? (Assista a este vídeo.)

É perturbador saber que músicas carismáticas são tocadas por bandas adventistas, vinhetas de seriados globais tocam em vídeos sobre família e outras coisas semelhantes acontecem em nome da contextualização. Contudo, se você está cansado de ver gente dançando na igreja e dizendo que a Bíblia não proíbe o rock, além daqueles que promovem festas vestidos de super-heróis, tranquilize-se: essas coisas apenas mostram que estamos no fim e que Jesus está voltando!

A solução para crescer saudavelmente

A solução? Reavivamento e reforma! E confiar que os textos inspirados não fornecem somente o incentivo para a missão, bem como as diretrizes. Note este exemplo:

“Muitos supõem que, para se aproximar das classes mais altas, é preciso adotar uma maneira de vida e um método de trabalho que se harmonizem com seus fastidiosos gostos. Uma aparência de riqueza, custosos edifícios, caros vestidos, equipamentos e ambiente, conformidade com os costumes do mundo, o artificial polimento da sociedade da moda, cultura clássica, as graças da oratória, são considerados essenciais [elementos que estavam de acordo com a cultura do tempo de Ellen G. White]. Isso é um erro. O caminho dos métodos do mundo não é o caminho de Deus para alcançar as classes mais elevadas. O que na verdade os tocará é uma apresentação do evangelho de Cristo feita de modo coerente e isento de egoísmo” (Ellen G. White, A Ciência Do Bom Viver, p. 213).

É hora de viver o evangelho em sua pureza, buscando intencionalmente trabalhar pela evangelização de pessoas em nível pessoal, de forma coerente e por meio da atuação do Espírito. Quando há a necessidade de se valer de recursos como associação com filmes, séries e ícones da cultura pop para atrair a atenção, está-se negando que o Espírito Santo, por si só, tem o poder de atrair os jovens (ou seja quem for). Assim, busque fazer o trabalho de Deus por meio dos recursos e instrumentos que Ele disponibilizou. Será o bastante.

(Douglas Reis é mestre em Teologia, doutorando em Teologia [PhD] pela Universidade Adventista del Plata e autor de livros e artigos acadêmicos sobre identidade adventista, desenvolvimento da doutrina adventista e pós-modernidade)