A Chegada do Adventismo ao Brasil | LIVE

Estamos vivendo uma sacudidura

Tem havido intencionalmente uma releitura do adventismo de acordo com uma visão liberal e progressista/subversiva. Há quem queira “atualizar” o adventismo. Estas são algumas estratégias usadas:

1. Rotular de “legalistas” os vegetarianos e defensores da santa lei de Deus.

2. Rotular de “fanáticos” aqueles que se preocupam com os conteúdos midiáticos que consomem, já que, na ótica dos liberais, nada nos afeta e tudo é lícito.

3. Feminilizar os homens e masculinizar as mulheres, distorcendo o plano original de Deus deixado claro, por exemplo e primeiramente, em Gênesis 1 e 2, capítulos que apresentam a base criacionista e teológica dos adventistas do sétimo dia.

4. “Cristianizar” as músicas colocando letras religiosas em qualquer estilo e desprezar as diretrizes da IASD expressas em livros como Música (de Ellen White), o Manual da Igreja e Documentos da Igreja.

5. Ensinar que não tem nada a ver qualquer sintoma ou sinal de mundanismo/secularismo.

6. Ellen White foi profetisa e mensageira inspirada para o tempo dela, bem como suas mensagens, hoje carentes de “atualização” (como alguns têm feito com a Bíblia). Ela deve ser apresentada como “escritora”, nada mais.

7. Preterismo e futurismo, inclusive para os escritos de Ellen White que tratam de temas atuais. Ex.: decreto dominical é coisa do passado, do século 19, ou seja, já ocorreu.

8. Estilo de vida: café, bebidas alcoólicas, mate, Coca-Cola, bailes, sexo antes do casamento e sexo fora dos padrões bíblicos, rock, samba, pagode, funk, etc. – nada disso é errado nem pecado.

9. Hollywood não quer doutrinar ninguém – a maldade está em quem vê algo errado em suas produções.

10. Nada de ministérios independentes – aprenderam com o erro dos legalistas que não devem criar nada fora, mas ficar dentro e, a la Gramsci, infiltrar os seus como influenciadores em áreas estratégicas.

11. Combater os legalistas dissidentes para criar confiança e, assim, infiltrar suas ideias e seus influenciadores.

12. Tratar pautas sociais e teologias identitárias (feminista, negra, queer, da libertação) como mais importantes que a pregação das três mensagens angélicas, e apresentar Jesus como uma espécie de revolucionário político.

13. A IASD não é a igreja remanescente. O remanescente está no futuro. Suas congregações devem ser apenas comunidades.

14. Pastores, líderes e membros que enfatizam obediência e fidelidade à Palavra de Deus e respeito aos livros de Ellen White devem ser “cancelados”.

15. A Bíblia não é a Palavra de Deus, como afirma a Crença Fundamental adventista número 1. Ela é apenas uma visão humana sobre Deus que precisa ser atualizada conforme as circunstâncias. No máximo, ela “contém” a Palavra de Deus.

Levando em conta essa realidade, cabe aqui uma advertência bíblica: “Cuidado que ninguém vos venha a enredar com sua filosofia e vãs sutilezas, conforme a tradição dos homens, conforme os rudimentos do mundo e não segundo Cristo” (Colossenses‬ ‭2:8).

(Dr. Heraldo Lopes é reitor da Universidade Adventista de Moçambique; sua tese doutoral, orientada pelo Dr. Alberto Timm, teve como tema a sacudidura)

Leia também: “Há esperança para a igreja?”

ADRA socorre vítimas de calamidades na Bahia

Agência humanitária adventista tem dado uma resposta rápida a uma situação bastante complexa no estado nordestino.

adra

Desde a última terça-feira, 7, chuvas torrenciais e o rompimento de uma barragem no interior de Minas Gerais contribuíram para problemas generalizados no sul baiano. Um ciclone extratropical ocorrido na quinta-feira, 9, ampliou as consequências do mau tempo, levando o Governo a decretar estado de calamidade pública no território.

Com o apoio da Igreja Adventista do Sétimo Dia, representantes da ADRA (Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais) chegaram ao sul da Bahia na sexta-feira, 10, para avaliar os danos provocados pela enchente, que tomou conta de pelo menos 30 municípios da região, bem como iniciar as primeiras medidas de resposta emergencial. 

O diretor regional da ADRA para o Estado da Bahia, Leonardo Mendes, anunciou que a primeira medida será a distribuição de água potável para os moradores, em decisão conjunta com a prefeitura de Jucuruçu, um dos municípios mais afetados, devido ao transbordamento dos rios Gado Bravo e Jucuruçu, deixando famílias desabrigadas. 

Como resultado dessa primeira ação, a agência humanitária adventista vai destinar R$ 50 mil para a doação de água potável. Enquanto isso, a ADRA Internacional está mobilizando recursos que serão destinados às necessidades mais imediatas das famílias afetadas pela calamidade. 

Uma campanha vai mobilizar doadores interessados em ajudar a socorrer as famílias de municípios como Medeiros Neto, Guaratinga, Itamarajú, Jucuruçú, Vereda, Prado, Teixeira de Freitas e Eunápolis. Juntas, tais cidades registram uma população total de aproximadamente 430 mil habitantes.

Se você deseja contribuir, a ADRA disponibiliza dois meios para receber doações:

Através da Conta Corrente da ADRA Brasil

Banco Santander – 033

Ag 1181

C/C 13.001729-4

CNPJ 01.467.063/0001-15

Ou através do PIX Chave: sos@adra.org.br

Leia também: “ADRA leva 43 mil litros de água potável para vítimas das chuvas na Bahia”

Identidade adventista

Abertas inscrições para evento pioneiro sobre pessoas com deficiência

Iniciativa deve promover maior educação a respeito do contexto em que vivem as pessoas com deficiência.

cadeirante

O universo de pessoas com deficiência (PcD) chega, hoje, a cerca de 8,4% da população brasileira (acima de dois anos de idade). Ou, em números absolutos, algo como 17,3 milhões de indivíduos. Os dados, que são parte da Pesquisa Nacional de Saúde divulgada em agosto de 2021, apenas mostram a realidade estatística. Mas a discussão sobre o contexto que envolve a vida de pessoas com deficiência será objeto de evento pioneiro online e gratuito. As inscrições estão abertas para a primeira edição do Encontro de Pessoas com Deficiência Física e Mobilidade Reduzida.

A iniciativa é do Ministério das Possibilidades, departamento ligado à Igreja Adventista do Sétimo Dia. Para este evento, houve a parceria entre a sede sul-americana adventista (Divisão Sul-Americana), a sede adventista de São Paulo (União Central Brasileira), a Associação Paulista Central da Igreja Adventista e o Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp). Segundo o organizador, pastor Julio Cesar Ribeiro, a transmissão será realizada em dois idiomas (português e espanhol). No caso do português, com interpretação em Língua Brasileira de Sinais (Libras). O evento começa na sexta-feira, dia 3, das 20 às 22 horas. E ocorrerá, também, no sábado, das 14 às 18 horas (horário de Brasília).

Conteúdo

O evento é voltado para pessoas que possuem deficiência física e mobilidade reduzida, porém aberto a pessoas com todos os tipos de deficiência. Os dados da Pesquisa Nacional de Saúde apontam que, entre o número total de pessoas com deficiência, 7,8 milhões, ou 3,8% da população acima de dois anos, apresentam deficiência física nos membros inferiores. Um percentual de 2,7% das pessoas tem nos membros superiores. Já 3,4% dos brasileiros possuem deficiência visual; e 1,1%, deficiência auditiva.

Entre os palestrantes confirmados estão a secretária dos direitos da pessoa com deficiência do Estado de São Paulo, Célia Leão. Além dela, deve expor assuntos relevantes à discussão a nadadora e medalhista da seleção brasileira de natação paradesportiva, Fernanda Lima. Especialistas na área também farão apresentações: a doutora em neuropsicologia Naomi Vidal Ferreira, e a doutora em educação especial e inclusão Betania Lopes.

Criando uma rede de apoio

Segundo Ribeiro, o grande objetivo do evento despertar na sociedade a consciência de que as pessoas com deficiência (física e mobilidade reduzida) merecem respeito. “Essas pessoas precisam ter os mesmos direitos e deveres, e os mesmos privilégios e responsabilidades das pessoas sem deficiência”, comenta. “Ao mesmo tempo, queremos capacitar este público e suas famílias para lidar com sua realidade de vida. Uma experiência que, apesar de limitações, pode ser de movimento e crescimento”, ressalta.

Para ele, as igrejas podem e devem liderar este tipo de diálogo com a sociedade sobre a realidade das pessoas com deficiência. De acordo com o organizador, nos ambientes religiosos ainda existe muito desconhecimento e preconceito, o que pode ser desfeito com seminários educacionais.

Como se envolver com evento

Mais informações sobre o evento, palestrantes e inscrições por meio do site possibilidades.org

Onde assistir?

Transmissão gratuita e aberta pelos canais youtube.com/AdventistasOficial e facebook.com/adventistasbrasiloficial

Todos os inscritos receberão um certificado de curso de extensão do Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp).

(Notícias Adventistas)

USB elege primeira diretora de Comunicação do Brasil

A jornalista e mestre em Comunicação é a primeira mulher a ocupar esse cargo na IASD brasileira.

Betina

Na quarta-feira, dia 17 de novembro, durante o Concílio Anual da Igreja Adventista no Sul do Brasil, foi escolhida Betina Bordin Pinto como a nova líder de Comunicação para a região. Betina é natural de Carazinho, RS. É jornalista e mestre em Comunicação. No início de sua carreira foi repórter e apresentadora de telejornal no Sistema Brasileiro de Televisão (SBT) em Santa Catarina, e, posteriormente, na Rede Brasil Sul (RBS), afiliada da Globo no Sul do Brasil. Além do telejornalismo, também tem experiências profissionais com jornal impresso e assessoria de imprensa. Ingressou na Rede Novo Tempo de Comunicação em 2009, como apresentadora do programa Sempre Mulher. Nesse mesmo ano, foi responsável pela criação do núcleo de Jornalismo da Rede, tornando-se  diretora do departamento.

Também já atuou como professora universitária e coordenadora do curso de Comunicação Social, na Uniplac, em Lages, SC. Posteriormente, exerceu funções semelhantes no Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp), campus Engenheiro Coelho.

Em 2019 assumiu a gerência de comunicação da União Sul-Brasileira (USB), liderando tecnicamente a equipe da mídia no escritório e dando suporte às equipes do mesmo setor nas sedes administrativas e instituições no Sul do Brasil.

É casada com Guilherme, tem dois filhos, Bruna e João Henrique, e duas netas, Maitê e Nicole, que está a caminho.

A partir de agora, Betina passa a liderar todo o departamento de Comunicação da Igreja Adventista no Sul do Brasil, tanto a parte técnica quanto eclesiástica.

(Notícias Adventistas)

Nota 1: Conheço a Betina há vários anos e sou testemunha da competência técnica e do compromisso dela com a missão e com a IASD. Parabenizo a liderança e os membros da USB pela escolha dela como líder de Comunicação para a região Sul. A USB tem se destacado na defesa da ortodoxia adventista, e levou ao ar recentemente lives com temas muito importantes e que vêm trazendo preocupação por seu potencial de relativização da Bíblia Sagrada, como teologias identitárias, feminismo, homossexualidade e outros. Betina esteve ativamente envolvida na organização de todas essas pautas. Veja aqui a playlist. Deus a abençoe e use nesse novo desafio. [MB]

Nota 2: Em 2011, participei de um programa na TV Novo Tempo coordenado pela Betina, sobre os atentados de 11 de Setembro. Veja aqui e aqui.

22 de Outubro: lições do desapontamento

Quando a oposição vem de dentro

Não se deixe abater quando se assustar com algumas coisas que vamos testemunhando.

Desde há algumas décadas, tem-se fortalecido dentro da Igreja Adventista uma visão contrária àquela que poderemos chamar de tradicional e histórica. Seguindo a inquestionável tendência da sociedade rumo ao liberalismo e progressismo, com forte reflexo nos costumes e estilo de vida, a Igreja (conceito lato) não conseguiu ficar imune nem estanque; copiando, em nível comportamental, algumas dessas caraterísticas, transportou-as para a nossa religião, revestiu-as de uma capa bíblica e, por fim, tentou normalizá-las e padronizá-las como não apenas aceitáveis, mas também desejáveis. Esta mesma semana, assistimos a mais uma triste evidência de que essa tendência é mais forte do que muitos pensariam.

Resumidamente, tivemos destacados líderes da Igreja em nível mundial que, de forma educada e respeitosa, mas não menos firme e determinada, produziram algumas declarações que não são mais do que a reafirmação daquilo que nós somos e acreditamos, entre as quais:

a) A Palavra de Deus tem autoridade.

b) O Espírito de Profecia manifestado em Ellen White é totalmente confiável e deve ser crido em sua totalidade.

c) Vivemos tempos urgentes, na iminência da segunda vinda de Jesus.

d) As filosofias humanistas não se sobrepõem à inspiração divina.

e) A Igreja Adventista deve se manter afastada do ecumenismo.

f) O congregacionalismo não deve prevalecer sobre a Igreja remanescente mundial.

g) Evolução e evolução teísta estão em oposição ao relato bíblico literal da criação.

h) Práticas homossexuais, transgenerismo e estilo de vida LGBT+ estão em desacordo com o plano de Deus para a sexualidade humana.

Isso deveria ter agradado e confirmado nos irmãos a certeza de que há uma identidade histórica, doutrinária, até missiológica na qual estamos firmes e convencidos em seguir, representando aquilo que é o nosso claro e indiscutível entendimento bíblico.

É verdade que muitos, tal como seria de esperar, se manifestaram favoravelmente quanto a essas posições. Alegremente, percebemos que, ao contrário do que apregoam os críticos profissionais da Igreja Adventista, existe, sim, um rumo, uma trajetória definida, e também uma barreira delimitadora entre o certo e o errado, entre o que cremos e o que rejeitamos, e que não temos medo nem vergonha de o declarar.

Contudo, tivemos também alguns, que se chamam de adventistas, que não esperaram muito para dizer que aquelas declarações foram uma “retórica inflamada” que “deixou muitos em fúria”, uma arrogante atitude de “nós estamos certos e vocês todos errados”, o que configura uma “abominação que deve terminar”.

Na mesma linha, e referindo-se ao incentivo dos líderes para que cada membro foque a sua ação na proclamação das mensagens dos três anjos, um obreiro da igreja fez uma lista daquilo que, ele entende, devem ser as prioridades atuais do movimento adventista, entre as quais: “Injustiça, preconceito, racismo, homofobia, misoginia, ódio e abuso.” Por um momento, pensei tratar-se de um ativista qualquer de causas fraturantes que atualmente se identificam como os novos “messias” que pretendem salvar a sociedade da sua História judaico-cristã; mas não, era mesmo um professor de uma escola adventista.

Não menos relevante, e quando surgem renovadas intenções para um projeto de distribuir mundialmente um bilhão de cópias de O Grande Conflito nos próximos tempos, surge o comentário de outro obreiro, este aposentado, que classifica essa obra de Ellen White como mera “tradição adventista do século 19”, em que o objetivo de a espalhar como folhas de outono resulta de “analfabetismo escatológico”.

Já sabíamos que o adventismo está há muito sob ataque; agora, temos a certeza de que não é só de fora.

Quando nos apercebemos de dificuldades internas, alguns têm a tendência de desanimar, fraquejar, duvidar e até desistir. Não aguentam perceber que, tal como no passado, infelizmente a casa de Israel vai tendo aqueles que preferem erguer bezerros de ouro ou adorar Baal, enquanto isso apenas deveria renovar e reforçar nossos esforços de lealdade e fidelidade para com Deus, Sua causa e Sua Igreja. Então, o que fazer?

Deixemos que seja a pena inspirada a responder:

“A maior necessidade do mundo é a de homens – homens que se não comprem nem se vendam; homens que no íntimo da alma sejam verdadeiros e honestos; homens que não temam chamar o pecado pelo seu nome exato; homens, cuja consciência seja tão fiel ao dever como a bússola o é ao polo; homens que permaneçam firmes pelo que é reto, ainda que caiam os céus” (Educação, p. 57).

“Quando a religião de Cristo for mais desprezada, quando Sua lei mais desprezada for, então deve nosso zelo ser mais ardoroso e nosso ânimo e firmeza mais inabaláveis. Permanecer em defesa da verdade e justiça quando a maioria nos abandona, ferir as batalhas do Senhor quando são poucos os campeões – essa será nossa prova. Naquele tempo devemos tirar calor da frieza dos outros, coragem de sua covardia, e lealdade de sua traição” (Testemunhos Seletos, v. 2, p. 31).

Em todo o tempo, temos os Moisés, que podem até partir as tábuas, mas não se curvam diante do bezerro; temos os Josués e Calebes, que não se acovardam diante do medo dos outros; temos os Neemias, que estão demasiado ocupados na obra para perder tempo com os insidiosos opositores; temos os quatro homens em Babilônia, que preferem enfrentar as ameaças de morte a ceder no princípio; temos os Jeremias, que até podem ser espancados e lançados num poço, mas preferem continuar servindo a Deus; e temos tantos outros, desde antigamente até aos dias de hoje, cuja dedicação e retidão nos inspiram a ficar ao lado do que é correto, aconteça o que acontecer, quer no mundo, quer na Igreja.

Não se deixe abater quando se assustar com algumas coisas que vamos testemunhando; aliás, se Ezequiel estivesse aqui, ele iria nos lembrar de que, em meio do seu espanto para com as abominações que via no templo, o Senhor o avisou: “Ainda verás coisas piores.” Por isso, renove as suas forças, cresça a sua coragem, confie e espere no Senhor.

“Se vos puserdes a trabalhar como Cristo determina que Seus discípulos o façam, e conquistar almas para Ele, sentireis a necessidade de uma experiência mais profunda e um maior conhecimento das coisas divinas, e tereis fome e sede de justiça. Instareis com Deus, e vossa fé se fortalecerá e vossa alma beberá livremente da fonte da salvação. As oposições e provações que encontrardes vos impelirão para a Bíblia e para a oração. Crescereis na graça e no conhecimento de Cristo e desenvolvereis uma rica experiência” (Aos Pés de Cristo, p. 80).

(Filipe Reis é ancião na Igreja Adventista de Avintes, em Portugal, e diretor do projeto O Tempo Final)

História da IASD no Planalto Central

A doutrina na Igreja Apostólica e na Igreja Adventista

Assim como a Igreja Apostólica, a Igreja Adventista do Sétimo Dia valoriza as doutrinas, e elas são o fundamento de sua fé e prática.

Atos 2:42-47 apresenta um quadro impressionante e vívido da igreja apostólica; um raio x da primeira igreja: “E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações. Em cada alma havia temor; e muitos prodígios e sinais eram feitos por meio dos apóstolos. Todos os que criam estavam juntos e tinham tudo em comum. Vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade. Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso, o Senhor lhes acrescentava, dia a dia, os que iam sendo salvos.”

Uma leitura atenta revela pelo menos 14 aspectos distintivos ou marcas dessa comunidade. Chamo sua atenção para o primeiro desses aspectos: doutrina (verso 42). A palavra original é didache, e se refere ao ensino. Esse vocábulo aponta para o fervor e a dedicação dos primeiros convertidos ao cristianismo em relação à Palavra. Eles se voltavam para os apóstolos constantemente a fim de receberem instrução sobre o evangelho de Cristo, pois Jesus havia nomeado Seus seguidores imediatos para que fossem professores desses aprendizes (ver Mateus 28:20).

Por que era importante perseverar na doutrina? A igreja apostólica praticava uma evangelização poderosa e eficaz; como resultado, muitas pessoas se juntavam à nova comunidade e isso levava a mudanças práticas, pois, embora as pessoas se tornassem propriedade de Jesus, sabiam pouco a respeito Dele! Para isso, os apóstolos não cultivavam pensamentos teológicos e dogmáticos, mas relatavam “todas as coisas que Jesus começou a fazer e a ensinar” (At 1:1); os discípulos narravam o que haviam vivenciado com Jesus e transmitiam o que aprenderam com Ele: ensinos, discursos, parábolas e milagres. E os ouvintes assimilavam tudo.

Assim como a Igreja Apostólica, a Igreja Adventista do Sétimo Dia (IASD) valoriza as doutrinas, e elas são o fundamento de sua fé e prática. A IASD formula suas doutrinas a partir de sólido estudo da Bíblia, e faz isso mediante longas pesquisas, trabalhando em comissões e contando com eruditos de todas as áreas da teologia. Por isso, precisamos prestar atenção quando uma pessoa se levanta em atitude crítica diante das doutrinas da IASD, que foram sistematizadas e aprovadas por diversas comissões. Não estou querendo dizer que, necessariamente, uma comissão esteja certa e, necessariamente, uma pessoa esteja equivocada. Mas estou sugerindo que é muito provável que uma comissão tenha mais acertos que uma única pessoa.

E por falar em comissões, o livro Nisto Cremos foi aprovado por uma comissão, assim como o Tratado de Teologia Adventista do Sétimo Dia. Por outro lado, o Biblical Research Institute Committee (Bricom) é uma comissão que analisa publicações oficiais do Instituto de Pesquisas Bíblicas ou da Igreja Adventista mundial, e é um órgão oficial da Associação Geral da IASD.

Tudo isso mostra que a IASD leva a sério as doutrinas, a exemplo da Igreja Apostólica. Afinal, as doutrinas são a base de uma vida correta e de ensinamentos corretos. E nunca é demais afirmar que a igreja cristã deve ser conhecida pela correção de sua prática e pela retidão de suas crenças.

(Adolfo Suarez é reitor do Seminário Adventista Latino-Americano de Teologia)