Eles ainda têm coragem de nos chamar de seita!

O que podemos aprender com o desapontamento de 22 de outubro de 1844

Adventismo, marxismo cultural e feminismo

Deus nos ajude a refletir sobre as implicações da nossa fé sem depender das muletas intelectuais seculares tão fartamente disponíveis

gramsci

As discussões sobre marxismo cultural na religião e a conseguinte erosão da fé cristã em círculos liberais do cristianismo, debate que se iniciou com algum delay no adventismo, precisa ser mais do que reativa. A proposição de uma cosmovisão cristã bem fundamentada é urgente. Perspectivas sobre cultura, arte, educação, economia, desigualdades e discriminação, para citar alguns exemplos, podem ser extraídas da Palavra de Deus. Entretanto, muitas pessoas, movidas por uma ânsia de relevância do cristianismo em uma sociedade cada vez mais afetada pela dessacralização, insistem em um casamento entre cristianismo e perspectivas ideológicas seculares. Parecem insatisfeitas com o método teológico e suas implicações para a ética. São apressadas em dar resposta e erram no raciocínio. Assim, acabam promovendo o que o filósofo Herman Dooyeweerd identificou como síntese: a junção entre os valores cristãos e seculares em busca de objetivos comuns.

A obra Raízes da Cultura Ocidental surge na década de 1950, mas é gestada em um contexto de ebulição social com muitas similaridades em relação às enfrentadas por nós atualmente. À época, Dooyeweerd percebia um clima de excessiva disposição para o diálogo entre socialistas e cristãos na Holanda. Entretanto, ele percebeu que os pontos comuns não eram suficientes para uma junção.

A lição maior que extraí de Dooyeweerd foi a de avaliar cuidadosamente as origens, proposições e motivações dos movimentos. Muito mais importante do que fazer uma apressada coalizão pelo bem comum é distinguir as causas, pesando se a integridade da mensagem cristã pode ser posta em risco com tais relações dialógicas.

Antes de engajamento social, especialmente ao estimular a igreja na adesão de pautas controvertidas, necessitamos de uma reflexão mais acurada. Pular a etapa de pensamento e estudo nos deixa entregues ao que os alemães chamam de “zeitgeist”, o espírito do tempo, que em uma era cada vez menos cristã representa um risco.

Deus nos ajude a refletir sobre as implicações da nossa fé sem depender das muletas intelectuais seculares tão fartamente disponíveis.

(Davi Boechat é jornalista e estudante de Direito)

A visão feminista da Bíblia: uma análise sob a perspectiva adventista

feminismo

O objetivo deste artigo é fazer, por meio de uma pesquisa bibliográfica, uma avaliação da visão feminista da Bíblia sob a perspectiva adventista. A pesquisa avalia alguns textos representativos da teologia feminista, desde a primeira onda até a contemporaneidade, bem como declarações de ativistas e teólogas feministas a respeito da Bíblia. Através desta pesquisa, é possível concluir que há uma tensão significativa entre a visão feminista e a perspectiva adventista a respeito da Bíblia.

Como a história dos movimentos de emancipação das mulheres é cheia de fases e vertentes, seria um erro avaliar o feminismo de forma isolada; como um discurso uníssono. Assim, vamos nos referir aos movimentos de emancipação das mulheres como “feminismos” (no plural), e avaliar textos representativos das abordagens bíblicas feministas. Serão citadas fontes primárias, e as citações diretas serão mantidas para que a posição de cada autora feminista seja exposta em suas próprias palavras.

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Do crime à redenção, embaixador da juventude explica reviravolta

Ele foi resgatado por Deus e procura levar esperança a outras pessoas

Jeconias

Jeconias Neto tem 28 anos, nasceu na Bahia e foi criado na periferia do Distrito Federal. Desde muito novo acabou entrando para a criminalidade, passou a praticar roubos, e também se envolveu com o tráfico de drogas. O resultado é que Jeconias acabou sendo preso. Porém, quando ele teve incentivos de pessoas pagando os estudos e o apresentando à religião, Jeconias mudou de vida. Ele saiu do mundo da criminalidade de que fazia parte e é uma pessoa que tenta dar oportunidades para outras que só precisam desse mesmo incentivo para mudar de vida.

Embaixador da Juventude na Organização das Nações Unidas (ONU), ele realiza um projeto no Ministério Carcerário Adventista e está à frente de um projeto piloto, que tem como objetivo capacitar os imigrantes venezuelanos do DF para terem oportunidades de vida e emprego.

 O que te fez entrar para a vida do crime?

Bom, são vários fatores que fazem alguém avançar nesse mundo da conduta criminosa. A escolha é um deles, a gente sempre escolhe. Mas a gente precisa ter em vista que o fator da vulnerabilidade das comunidades em que somos criados, em que eu fui criado, contribuiu muito para que eu deixasse a escola, entrasse para o mundo da criminalidade muito cedo.

Então, a situação vulnerável do lugar colaborou, a família desestruturada que eu tinha também colaborou, porque meu pai deixou a gente. Então minha mãe teve que se virar para poder trabalhar, manter a casa e criar os filhos. A gente tinha muito tempo livre. É nesse tempo que o tráfico de drogas te abraça.

Também tem o fator do empoderamento, porque o crime empodera o jovem. A maneira de aliciamento da criminalidade é top, porque ela te tira de um status de que você não é nada, não tem voz, não é visto; de um status de invisível, e te dá visibilidade por meio da violência e de várias coisas que, infelizmente, te empoderam.

Você acha que crescer num ambiente com altos índices de criminalidade, como você cresceu, na periferia, é o principal fator para que alguém entre no mundo do crime? Ou a situação familiar é mais determinante nessas situações?

Eu acredito que crescer num ambiente em que há muita criminalidade, tráfico de drogas, problemáticas nesse sentido, colabora, mas não define. Não define, porque 90% da quebrada, da favela, não entrou para o tráfico de drogas nem para a criminalidade. Tem uma porcentagem pequena que não consegue se encaixar no modus operandi de trabalhador honesto, correria, e vai para o mundo do crime. Vou equilibrar as coisas: acho que as duas coisas colaboram. Só que você pode ver, na casa, a maioria dos caras que estão presos hoje são de famílias monoparentais. A maioria, a grande maioria esmagadora, ou foi criada só pela mãe ou só pelo pai, entendeu? Então, essas duas coisas contribuem, mas, na minha opinião, uma família desestruturada contribui muito mais do que uma quebrada influenciada pela criminalidade, porque você tem várias famílias fortes nas quebradas, e elas são essas que não passam por isso.

A seu ver, ter incentivos para mudar de vida e sair do mundo do crime faz a diferença?

Absolutamente. O problema é que nem o sistema penitenciário, nem as medidas socioeducativas, nem as políticas públicas que estão sendo hoje implementadas para essa questão da segurança pública, da inclusão social, da reeducação, são efetivas. Isso porque os incentivos que elas dão ainda não chegam nem perto dos incentivos que o crime dá para entrar no mundo da criminalidade. O crime consegue convencer mais porque, dentro dele, existe um esquema de empoderamento. No crime, a pessoa tem voz, tem o lugar dela. Então, ter incentivos, sim, é determinante. Agora, a forma que esses incentivos têm que ser, na minha opinião, tem que partir muito mais da questão existencial do que da questão material. Ou seja, mostrar para a pessoa que ela pode ser alguém e que pode ser um indivíduo de bem.

Como é a sensação de ser embaixador da juventude pela Organização das Nações Unidas (ONU), tão jovem e depois de todas as dificuldades que você já passou?

Você já ouviu falar no improvável? Então, a sensação é de que algo muito improvável aconteceu. Mas também é de muita alegria, porque a favela venceu, ponto. Você ocupou um espaço, você chegou para compor um corpo de pessoas que têm uma certa responsabilidade diante da sociedade, diante das Nações Unidas, que não vêm de onde você veio. Mas também tem o sentimento de responsabilidade, porque essa responsabilidade aí é o que realmente dá sentido. Não adianta você ser o presidente da República, se você não tem responsabilidade, se você não se sente responsável.

Em que ponto você acha que a sua vida mudou de vez?

Está mudando ainda. A vida começou a mudar quando eu tive acesso a algo muito importante para mim, que foi o contato com a igreja. Foi quando eu percebi que  poderia dar a volta por cima. Depois, foi um relacionamento com um professor.

Eu fui à Argentina, e chegando lá conheci um professor que me ajudou a ter uma perspectiva diferente da vida, foi muito paciente comigo. Ele me levou para a casa dele, falou para eu ir lá todos os dias às 15h que ele iria me ajudar. E ele foi o cara que foi me ajudando nas matérias, mas também me deu livros muito bacanas para ler, de George Orwell a Vitor Hugo. E a Dra. Lilian de Moura Andrade, ela foi a minha mentora política da coisa. Ela que me ajudou a me mover na sociedade de forma inteligente. Foi ela que pagou pelos meus estudos.

Até agora, nessa sua trajetória, qual a lição mais valiosa que você aprendeu? Quem te ensinou? Ou foi por experiência própria que você conseguiu chegar nessa lição que você leva para a vida toda, que você vai ensinar para os seus filhos?

Eu tive que apanhar tanto para poder conseguir consertar algumas coisas. A utilidade foi a maior lição que eu aprendi, porque ser útil para o bem, isso salvou a minha vida. Ser útil. Enquanto muitos falavam que eu era um inútil, que não valia nada, que não ia sair daquela situação, que era isso ou aquilo, enquanto minha própria família repetia isso, eu aprendi a ser útil. E isso eu aprendi com a educação, com a igreja e com amigos.

E você se arrepende de alguma coisa?

Eu me arrependo muito de muita coisa. Chega a ser quase desanimador. Às vezes, se você não tem Deus no seu coração você sucumbe, você para. Você não quer avançar. Me arrependo, principalmente, por ter trazido tanto sofrimento para a minha família, por ter influenciado meus primos. Meu irmão está preso hoje, é mais novo que eu e tem 40 anos para cumprir. Mas é a vida, eu aprendi isso aí. O que que eu vou fazer agora? Eu não vou ficar me martirizando pelo que passou, porque todo mundo já faz isso por mim.

Como é o trabalho que você faz à frente do Ministério Carcerário Adventista, e qual o impacto que esse trabalho tem em você?

 Hoje tem duas coisas que eu acho incríveis. A primeira é voltar àquele lugar e falar de uma outra perspectiva, e a segunda é ver gente que está aqui fora e pensa que bandido tem que se perder, tem que morrer, e quando entra num presídio fala “aquele ali parece o meu filho, tem o mesmo semblante do meu filho”. É gente como a gente, e que dificilmente terá oportunidades na vida. Essas são as duas coisas que me impactam.

Você está à frente de um projeto piloto, que tem como objetivo capacitar os imigrantes venezuelanos do DF. Quais são as suas expectativas para esse projeto? Você pode explicar um pouco mais desse trabalho?

 O projeto se chama Inclusão sem Fronteiras, e esse é um projeto piloto da Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (ADRA). A ADRA é uma entidade presente em mais de 130 países; é uma agência que executa a política de assistência social. A ADRA hoje está junto com o Governo Federal num projeto de interiorização dos imigrantes venezuelanos. Então, nós estamos tanto no processo de interiorizá-los em vários estados, quanto nesse agora de formar, certificar, qualificar e incluir no mundo do trabalho. É um projeto de curto prazo, mas que tem como expectativa principal dar a capacidade para o imigrante disputar vagas e ser inserido no mundo do trabalho de maneira mais digna.

Você considera que, depois de tudo que passou na vida, é o seu dever participar de um projeto como esse para abrir caminhos e portas para pessoas com pouca perspectiva?

Não só é o meu dever, como é o que me move. Eu encaro como um dever, mas também é o que me move. Porque, para mim, não existe nada mais gratificante do que ver alguém que não tinha oportunidade nenhuma, mas que está agora inserido num contexto completamente diferente.

Se você pudesse dar um conselho para cada uma das 200 pessoas que serão afetadas por esse projeto nos próximos quatro meses, qual seria?

Não desperdice uma oportunidade como essas. Aproveite essa oportunidade, porque muitas vezes a gente só precisa de uma oportunidade para fazer a coisa mudar. Então, se esforce, peça ajuda, seja o protagonista disso, seja o maior interessado nessa formação e não desista.

Desde que começou a lidar com esse projeto dos imigrantes venezuelanos no DF, você conseguiu ver alguma semelhança entre o que você passou, a sua história, e o que essas pessoas estão passando agora?

 Tem uma semelhança sim. É diferente, mas tem uma semelhança. Quando as vejo aqui, a comunidade de imigrantes tem medo. Você oferece o curso para ela e ela tem medo de se inscrever porque ela não sabe se aquilo ali é real, ou se alguém vai fazer alguma coisa contra ela. Então, ela não se sente parte da comunidade. Essa é a semelhança. Não se sentir parte da comunidade. Porque quem vive no submundo do crime também é considerado um imigrante. Alguém que vive em outro mundo. Então, tem essa semelhança, de buscar o senso de pertencimento.

(Agência de notícias UniCEUB)

Supremo julga casos de liberdade religiosa envolvendo adventistas

stf

Margarete da Silva Mateus Furquim, 56 anos, amargou a exoneração em uma escola pública municipal por conta de 90 faltas registradas nas sextas-feiras à noite. Já Geismario Silva dos Santos, 43, consumiu anos de preparo para realizar um concurso sem poder, no entanto, tomar posse no cargo para o qual foi aprovado em primeiro lugar. Os dois possuem algo em comum: de alguma forma, sentiram-se prejudicados profissionalmente por conta das suas crenças religiosas.

Seus casos foram para a Justiça e avançaram por todas as instâncias. Chegaram finalmente à apreciação da mais alta corte brasileira, o Supremo Tribunal Federal (STF). Está previsto para o próximo dia 14 de outubro, portanto, o julgamento, por parte dos ministros, do Recurso Extraordinário número 611.874 (que diz respeito ao caso de Geismario). E do Agravo em Recurso Extraordinário (ARE) de número 1099099 (referente ao caso de Margarete).

Em suma, os dois querem a mesma coisa: desejam reconhecimento de que foram prejudicados por conta de sua convicção religiosa, no caso, especificamente em relação à observância do sábado como dia sagrado.

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Inauguração do Santuário Celestial: como criam os pioneiros?

Algumas pessoas acreditam que a ida de Cristo ao lugar Santíssimo por ocasião de Sua ascensão para ungir/inaugurar o Santuário, inclusive o Santíssimo, é algo novo e, por desconhecimento, até associam às ideias de Desmond Ford. Mas seria isso mesmo? Seria um pensamento novo? Como criam nossos pioneiros? Como eles interpretavam Daniel 9:24?

Resposta a Daniel Silveira

Recentemente, o ex-adventista Daniel Silveira começou uma série de ataques à Igreja Adventista em suas crenças (falou contra o Nisto Cremos, por exemplo) e a alguns teólogos. Em face disso, o pastor Eleazar Domini gravou dois vídeos anteriores (um com o Dr. Wilson Paroschi e outro com o pastor e jornalista Michelson Borges), sendo este acima o terceiro. Assista, veja a verdade e compartilhe com seus amigos.

Clique aqui e aqui para assistir aos dois vídeos anteriores.

Já valeu a pena ter escrito esse livro

Histórias inspiradoras de fé, coragem e dedicação

chegada

Estimado pastor Michelson, em primeiro lugar, estou em oração pelo seu pai, como também pela sua família. Também é o meu desejo, se for da Vontade de Deus, que a saúde dele seja restabelecida e possa estar junto aos seus familiares. Também quero agradecer muito a você pelos materiais – palestras, sermões e publicações – que você compartilha. Esses materiais têm sido uma bênção de Deus na minha vida e na vida da minha família. Especialmente em relação ao seu livro A Chegada do Adventismo no Brasil; esse livro impactou – e muito – a minha visão sobre o que significa ser adventista, no contexto da dedicação da vida a Deus e o trabalho em prol do cumprimento da missão. 

De maneira muito sucinta, a mensagem do livro me remeteu ao meu tempo de criança e desbravador – e ao amor e à alegria em trabalhar para Jesus. Louvo a Deus porque Ele despertou novamente em mim essa motivação, esse desejo e essa alegria! E as histórias inspiradoras do seu livro proporcionaram nova perspectiva e motivação.

E senti o desejo em meu coração de compartilhar essas histórias abençoadas com os meus irmãos aqui do Jd. Gracinda, em Guarulhos, SP. É uma tarefa desafiadora para mim, leigo que sou; isso sem contar minha introversão e timidez, mas eu me coloco nas mãos de Deus!

Muito obrigado pelo seu tempo e atenção.

Fique com Deus.

Fábio Mendonça

A última casa de Ellen White

Patrimônio histórico da Igreja Adventista do Sétimo Dia e dos EUA

01

Segunda-feira, 27 de outubro de 2014. Foi impressionante a passagem pela famosa ponte Golden Gate, em San Francisco, e pelas vinhas de Napa Valley, mas nada se compara à emoção de entrar na casa em que Ellen White viveu os últimos anos de sua vida incrivelmente produtiva e inspiradora. A bela e bem conservada casa de madeira foi construída em 1885 por um homem muito rico que a usava nas férias. Na época, foram gastos 15 mil dólares na construção, mas Ellen pagou por ela apenas cinco mil. Ellen havia passado nove anos na Austrália e desejava encontrar um bom e barato lugar para morar. Ela orou a Deus e pediu que Ele mostrasse o melhor negócio. Foi então que encontrou a grande oportunidade em Santa Helena, na Califórnia. Detalhe: a casa estava toda mobiliada e tinha vários móveis com tampa de mármore branco, o preferido de Ellen. Deus havia lhe dado um presente, depois de uma vida inteira de tantas privações e lutas, como educadora, escritora, pregadora, líder e mensageira de Deus. 

Aliás, é bom lembrar que Ellen escreveu mais de cem mil páginas manuscritas, foi traduzida para mais de 140 idiomas e tem seu legado reconhecido até mesmo pelo governo dos Estados Unidos, tanto é que há uma placa na varanda inferior da casa em que se reconhece a residência como monumento histórico nacional.

02

No interior da casa que Ellen passou a chamar de Elmshaven (“refúgio dos olmeiros”), pode-se ter uma ideia da rotina de Ellen White e dos que moravam com ela. Na sala, eram realizados dois breves cultos por dia, um de manhã e outro à tarde. Eles cantavam, liam um texto bíblico e cada um dos presentes tomava parte nos momentos de oração. Na sexta-feira ao pôr do sol, o culto era mais longo, e Ellen lia partes do relato dos missionários além-mar. No sábado à noite, havia “pipocada”. 

Ellen utilizava o cômodo de cima para escrever, e sua secretária Sarah procurava evitar que visitas a atrapalhassem em sua missão. Mas os netinhos sabiam como “furar o bloqueio”: eles subiam sorrateiramente pela escada que chamavam de “passagem secreta”. Ellen e eles ficavam felizes por ter alguns momentos juntos.

Ellen costumava levantar às 3h ou às 4h para escrever. Em 1915, com 88 anos de idade, ela caiu, quebrou o quadril e seu estado de saúde foi piorando. Até que, em 16 de julho, ela faleceu, antes tendo feito seus amigos garantirem que venderiam a propriedade para ajudar a pagar a compra de duas instituições da igreja. O horário da morte de Ellen (3h40) foi registrado no momento exato por Sarah no relógio que havia sido de Uriah Smith e doado pela viúva dele. O relógio está lá até hoje marcando o mesmo horário. Ao filho ela disse as últimas palavras: “Eu sei em quem eu creio.” 

Em 1927, dois adventistas compraram a casa e a doaram para a igreja. Hoje ela recebe mais de sete mil visitas por ano e continua sendo um monumento mais do que histórico; é a marca de uma vida que causou profundo impacto no coração e na mente de tantas pessoas, efeito que continua se multiplicando por meio da dezena de livros que ela escreveu. 

No quarto em que Ellen costumava receber a visita de anjos (o que foi confirmado por pessoas que viviam no sanatório não muito longe dali e que viram uma luz intensa saindo pelas janelas do cômodo), fizemos uma oração dedicando nossa vida mais uma vez ao Deus a quem Ellen White serviu com tanta dedicação por mais de sete décadas. 

Michelson Borges

Conheça mais
 sobre a vida dessa mulher extraordinária lendo a minibiografia escrita pelo neto dela (clique aqui).