Materiais de estudo do Apocalipse recomendados pela IASD

esEstudar a palavra de Deus é um privilégio. Hoje em dia temos muitos recursos para estudar a Bíblia de forma sistemática e séria. Lição da Escola Sabatina; Reavivados por sua Palavra; estudos bíblicos, etc. Além disso, na internet você encontra diversos recursos que potencializam o uso dessas ferramentas. Infelizmente, nem tudo que está disponível é recomendado para um estudo sério, cristão e verdadeiramente bíblico. A seguir você encontra uma lista de alguns recursos que são materiais oficiais, sérios e confiáveis. Eles foram produzidos pela Igreja Adventista para auxiliar em seu estudo da Lição da Escola Sabatina (guia de estudos oficial da igreja). Recomenda-se que você faça uso desses materiais conforme sua preferência, mas que evite materiais “semelhantes” e não oficiais, que misturam interpretações pessoais, ideias particulares e muitas vezes doutrinas perigosas. 

Apocalipse: Revelação do Rei

Esse material foi produzido pelo pastor Ranko Stefanovic, autor da Lição da Escola Sabatina deste trimestre e doutor em Teologia. Ele é especialista no livro do Apocalipse e professor de Novo Testamento na Andrews University. Esse material do Dr. Ranko traz uma abordagem séria acerca da interpretação adventista do livro do Apocalipse

Lições da Bíblia (Novo Tempo)

Material produzido pela TV Novo Tempo, com pastores que estão na ativa e compartilham a Lição por meio de um bate-papo, sempre respeitando a proposta original da Lição.

Escola Sabatina Oficial (DSA)

Canal oficial da Divisão Sul-Americana que traz recursos e subsídios para o professor da Escola Sabatina por meio de vídeos semanais. Esse material auxilia os professores com dicas didáticas e um panorama geral da Lição.

Comentários do pastor Natal Gardino

Publicados semanalmente neste blog, com a proposta de oferecer/propor perguntas para promover maior interatividade nas unidades da Escola Sabatina.

Por outro lado, não são recomendados vídeos e publicações daqueles que não seguem o método adventista (herdado da Reforma Protestante) de interpretação da Bíblia (gramático-histórico) e que substituem o método de interpretação profética historicista por abordagens futuristas, o que resulta em uma teologia com conclusões perigosas e cheias de riscos.

O próprio Manual da Igreja adverte que, “embora todos os membros tenham direitos iguais dentro da igreja, nenhum membro, individualmente ou em grupo, deve iniciar um movimento, formar uma organização ou buscar motivar adeptos a fim de alcançar qualquer objetivo, ou para o ensino de qualquer doutrina ou mensagem que não esteja em harmonia com os objetivos e ensinamentos religiosos fundamentais da igreja. Tal curso de coisas resultaria no desenvolvimento de um espírito de divisão, na fragmentação do bom testemunho da igreja, e, portanto, no impedimento do desempenho de suas obrigações para com o Senhor e com o mundo” (p. 61).

Além dos recursos indicados acima, você pode encontrar muita informação boa nos livros e nas publicações sobre o assunto disponibilizados pela editora oficial da IASD no Brasil, a Casa Publicadora Brasileira (CPB), e também nos livros teológicos da Unaspress (editora do Unasp).

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Jornalismo ou telefone sem fio perverso?

fofocaPostei ontem a notícia de que o advogado adventista Maurício Carlos Braga foi chamado para assumir a função de secretário de Direitos Autorais do Ministério da Cidadania (confira). No texto, eu falei da moral ilibada e da competência do senhor Braga (pois o conheço pessoalmente), aspectos de sua pessoa e carreira ainda não mencionados pela imprensa e que certamente motivaram o convite para que ele assumisse a pasta, já que nunca esteve envolvido com política. O que o colunista Guilherme Amado, da revista Época (da Globo), fez foi destacar o fato de que Braga guarda o sábado e não trabalha depois das 18 horas de sexta-feira, tempo em que, segundo Amado, ele se dedicaria ao jejum.

O site Brasil Dois Pontos fez ainda pior: pegou a informação da Época, não apurou nem conferiu nada e adicionou “pimenta”: “Secretário adventista do sétimo dia tem seu motivo para não trabalhar às sextas depois das 18h: ordens superiores para jejuar.” Esse foi o título enviesado. Agora a nota: “É bom que o presidente Jair Bolsonaro saiba: não conte com o secretário de Direitos Autorais do Ministério da Cidadania, Maurício Carlos Braga, nem um minuto depois das 18h, às sextas-feiras. O motivo é religioso, o que deve servir. Adventista de [sic] sétimo dia, Braga entra em regime de jejum – do trabalho e de alimentos –, pontualmente no horário marcado. Na semana passada, conta o colunista Guilherme Amado, da revista Época, um subordinado precisou dele um pouco depois do horário e soube da regra. Religião acima de tudo!”

Cadê o bom e velho jornalismo? A regra agora é praticar o telefone sem fio e espalhar inverdades? Primeiro, adventistas (assim como judeus praticantes) não guardam o sábado “pontualmente” a partir da 18h de sexta-feira, mas, sim, depois do pôr do sol, conforme orienta a Bíblia (que certamente esses repórteres também desconhecem). Segundo, quem disse que adventistas jejuam todos os sábados, como a matéria dá a entender? Até podem fazer isso, se quiserem, mas não se trata de uma regra. Terceiro, para um adventista, religião (na verdade, Deus) está, sim, acima de tudo, mas, diferentemente do que alguns possam pensar, isso faz deles melhores cidadãos, pessoas leais à pátria, à família e ao semelhante. São atitudes naturais de um verdadeiro cristão. Portanto, o governo e os brasileiros podem esperar do Dr. Maurício uma postura ética, competente e muito trabalho sério, afinal, isso faz parte da história dele e da fé dele.

Apuração, meus amigos jornalistas, como a gente aprende na faculdade. [MB]

O secretário que não trabalha depois das 18h de sexta-feira (sic)

mauricioUm funcionário do Ministério da Cidadania telefonou para o novo secretário de Direitos Autorais, Maurício Carlos Braga, na sexta-feira, pouco depois das 18h. Queria fazer uma entrevista para escrever o perfil do secretário e publicar no site do ministério. Mas Braga disse que não podia mais trabalhar. Por ser adventista do sétimo dia, não poderia mais fazer qualquer coisa após as 18h. Teria que jejuar. A propósito, Braga tem um livro publicado sobre como é ser espírita e se tornar adventista, Por Que Não Sou Mais Espírita.

(Revista Época)

Nota: Conheço pessoalmente o Dr. Maurício há vários anos, e se tem alguém que trabalha incansavelmente e de forma ética e honesta, é ele. Um homem de Deus e um advogado competente, atuando há mais de 30 anos na área de direitos autorais. Ele foi convidado para assumir a pasta como secretário do governo federal justamente por causa dessa experiência, da competência e da honestidade que o caracterizam, sendo mais um nome do governo que não foi chamado por causa de conchavos políticos ou dívidas eleitorais. Maurício nunca se envolveu com política. Pena que o repórter da revista não fez direitinho o dever de casa é só destacou o lado religioso do secretário, querendo, talvez, pintá-lo como alguém um tanto “exótico”, e não um profissional qualificado. Além disso, faltou apurar a informação de que os adventistas não guardam o sábado depois das 18h, mas, sim, após o pôr do sol de sexta-feira. Além disso, Braga não disse que “não poderia mais fazer qualquer coisa após as 18h”, afinal, os adventistas fazem muitas coisas nas horas do sábado, como trabalhos voluntários, visitação de pessoas doentes, reuniões em família e com amigos, etc. O que não fazem é o trabalho comum da semana. Era só ter perguntado… [MB]

O livro de Braga pode ser adquirido aqui.

Carta inédita de Ellen White é descoberta nos EUA

pucSegundo matéria publicada no site do Pacific Union College (PUC, instituição de ensino adventista localizada nos Estados Unidos), uma carta inédita (não documentada nem catalogada) de Ellen G. White foi descoberta nos arquivos do colégio e confirmada como sendo autêntica. Trata-se de uma carta pessoal endereçada ao evangelista e missionário John Orr Corliss, e o conteúdo traz um desabafo da autora com respeito à incredulidade em relação aos testemunhos, principalmente por parte de alguns líderes.

Ao longo de seu profícuo ministério, Ellen White escreveu mais de cem mil páginas manuscritas. Muito desse material se constitui de cartas pessoais, enviadas a diversas pessoas. Tudo o que havia de conhecido escrito por ela foi sendo publicado ao longo do tempo pelos depositários do patrimônio literário White. Mas é possível que, como aconteceu no caso da carta descoberta no PUC, haja uma ou outra coisa da pena de Ellen White que tenha se perdido (mais ou menos como aconteceu também com uma das cartas do apóstolo Paulo).

E antes que algum adepto de teorias conspiratórias se levante para afirmar que a Igreja Adventista teria escondido algum material escrito por Ellen White, é bom repetir para frisar: todos os textos conhecidos da Sra. White estão disponíveis e acessíveis, quer na forma digital, quer na forma física, guardados em uma caixa-forte na sede mundial da igreja, em Maryland, nos Estados Unidos.

A carta a Corliss, datada de 9 de maio de 1882, estava em um pequeno armário de metal usado para guardar mapas e não tinha a assinatura da autora, o que fez com que não tenha atraído muita atenção. Mas no começo deste ano especialistas a analisaram e atestaram a autenticidade do documento.

Na carta, White diz que nosso trabalho consiste em falar bastante sobre a piedade prática, e que o povo de Deus corre perigo ao não apreciar a grande luz e os grandes privilégios que tem. Especialmente a bênção de termos os testemunhos como uma luz na escuridão. Ela diz que os líderes devem estar à frente do povo dando exemplo e importância ao que Deus tem revelado por meio de Seus profetas. Alguns desses homens têm orgulhosamente dado prioridade a suas ideias em detrimento da luz que Deus lhes deu, prejudicando e influenciando para o mal aqueles a quem eles lideram. Grave coisa é espalhar sementes de incredulidade, diz a autora. Outros minimizam a importância dos testemunhos a fim de continuar nos erros que esses escritos condenam. Segundo ela, se a confiança das pessoas nos testemunhos do Espírito de Deus for destruída, presenciaremos uma situação grandemente desmoralizante.

Que esses apelos da Sra. White (também presentes em outras obras dela, já conhecidas) encontrem corações e mentes receptivos à voz do Senhor. [MB]

Fanáticos e liberais são pedra de tropeço

pedraDevemos orar por iluminação divina e, ao mesmo tempo, ser cuidadosos quanto a receber qualquer coisa denominada nova luz. […] Foi-me mostrado que é ardil do inimigo desviar a mente para algum ponto obscuro ou não importante, algo que não foi plenamente revelado ou que não é essencial para a salvação. […] Devemos permitir que os princípios da mensagem do terceiro anjo sobressaiam, claros e distintos. Os grandes pilares de nossa fé suportarão todo o peso que sobre eles for colocado (Ellen G. White, Manuscrito 82, 1894; Review and Herald, 4 de novembro de 1965).

Nossos pastores devem cessar de demorar-se sobre ideias singulares, com o sentimento: “Você precisa ver a questão como eu; caso contrário, não se salvará.” Fora com essa pretensão! A grande obra a ser feita em cada caso é ganhar pessoas para Cristo. […]

Virá sobre o povo de Deus um tempo de angústia, mas não devemos manter isso constantemente diante do povo para promover um tempo de angústia antecipado. Deve haver uma sacudidura entre o povo de Deus, mas esta não é a verdade presente a ser levada às igrejas; ela será o resultado da rejeição da verdade apresentada.

Os pastores não devem achar que têm algumas ideias avançadas, maravilhosas; que, a menos que todos as recebam, serão sacudidos fora e surgirá um povo para avançar para frente e para cima, rumo à vitória. O objetivo de Satanás é tão certamente cumprido quando as pessoas correm adiante de Cristo e fazem uma obra que Ele nunca confiou às suas mãos, como quando permanecem no estado laodiceano, mornas, julgando-se ricas e abastadas, sem precisar de coisa alguma. As duas classes são igualmente pedras de tropeço.

Alguns zelosos que canalizam e reúnem todas as energias com vistas à originalidade, têm cometido um grave erro ao tentar manter algo sensacionalista, maravilhoso, arrebatador diante do povo, algo que, segundo lhes parece, os outros não compreendem. Mas frequentemente nem mesmo eles sabem do que estão falando. […]

Alguns são naturalmente combativos. […] Gostariam de entrar em debates, gostariam de pelejar por suas ideias particulares; mas devem pôr tais coisas de lado, pois isso não é desenvolver as graças cristãs. Trabalhem com todas as suas forças no sentido de responder à oração de Cristo, para que Seus discípulos sejam um assim como Ele é um com o Pai (Ellen G. White, Manuscrito 82, 1894; Review and Herald, 11 de novembro de 1965).

Não consegui dormir depois de uma e meia da madrugada. Eu estava levando ao irmão T uma mensagem que o Senhor me dera para ele. Os pontos de vista particulares que ele mantém são uma mistura de verdade e de erro. Caso ele houvesse passado pelas experiências do povo de Deus ao dirigi-los Ele pelos quarenta anos passados, estaria mais bem preparado para fazer a correta aplicação da Escritura. Os grandes sinais demarcadores da verdade, mostrando-nos a direção na história profética, devem ser cuidadosamente observados, para que não sejam derribados, e substituídos por teorias que trariam confusão em vez de genuíno esclarecimento. Foram-me citadas as próprias teorias errôneas que têm sido repetidamente apresentadas. Os que defendem essas teorias apresentaram citações escriturísticas, mas aplicaram-nas mal e as deturparam. As teorias julgadas corretas eram incorretas, e todavia muitos pensaram que fossem justamente as teorias a serem apresentadas ao povo. As profecias de Daniel e de João devem ser diligentemente estudadas (Ellen G. White, ME2 101.2).

Existem pessoas, ainda vivas, que ao estudarem as profecias de Daniel e de João, receberam grande luz de Deus ao examinarem a base onde profecias especiais estavam em processo de cumprimento, por sua ordem. Eles levaram a mensagem do tempo ao povo. A verdade brilhou claramente como Sol ao meio-dia. Acontecimentos históricos, mostrando o direto cumprimento da profecia, foram expostos ao povo, e viu-se que ela era um esboço figurado de acontecimentos conducentes ao encerramento da história terrestre. As cenas relacionadas com a obra do homem do pecado são os últimos aspectos claramente revelados na história terrestre. O povo tem agora uma mensagem especial para dar ao mundo – a terceira mensagem angélica. Aqueles que em sua experiência examinaram o fundamento, e desempenharam uma parte na proclamação da primeira, segunda e terceira mensagens angélicas, não estão tão susceptíveis a ser induzidos a falsos caminhos como os que não tiveram conhecimento experimental do povo de Deus (Ellen G. White, ME2 102.1).

Tem havido uns e outros que, estudando a Bíblia, julgaram descobrir grande luz, e teorias novas, mas não têm sido corretas. As Escrituras são todas verdade, mas, por aplicarem-nas mal, homens chegam a erradas conclusões. Achamo-nos empenhados em grande conflito, e ele se tornará mais rigoroso e decidido ao nos aproximarmos da luta final. Temos um inimigo vigilante, e está em constante atividade na mente humana que não teve experiência pessoal nos ensinos do povo de Deus pelos cinquenta anos passados. Alguns tomarão a verdade aplicável a seu tempo, e pô-la-ão no futuro. Acontecimentos, na sequência da profecia, que tiveram seu cumprimento no distante passado, são considerados futuros, e assim, por essas teorias, a fé de alguns é solapada (Ellen G. White, ME2 102.2).

Segundo a luz que o Senhor houve por bem conceder-me, estais em risco de fazer a mesma obra, apresentando perante outros verdades que tiveram seu lugar e fizeram sua obra específica para o tempo, na história da fé do povo de Deus. Reconheceis como verdadeiros esses fatos na história bíblica, mas os aplicais ao futuro. Eles têm sua força ainda em seu devido lugar, na cadeia dos acontecimentos que nos tornaram, como um povo, o que somos hoje, e como tal, eles devem ser apresentados àqueles que se encontram nas trevas do erro. Os fiéis obreiros de Jesus Cristo devem cooperar com seus irmãos que tiveram experiência na obra desde o próprio surgimento da mensagem do terceiro anjo. Esses seguiram passo a passo, recebendo luz e verdade ao avançarem, suportando prova após prova, erguendo a cruz que lhes jazia diretamente na trilha, e esforçando-se por avançar em conhecer o Senhor, cujas saídas são preparadas qual a manhã. Vós e outros de nossos irmãos precisais aceitar a verdade tal como Deus a deu aos estudiosos de Suas profecias, à medida que eles foram conduzidos por viva e genuína experiência, avançando ponto por ponto, testados, provados e experimentados, até que a verdade é para eles uma realidade. Por sua palavra e pena, tem ido a todas as partes do mundo a verdade em raios brilhantes e cálidos, e aquilo que lhes era verdade-teste, segundo era trazida pelos mensageiros delegados do Senhor, é verdade que prova a todos a quem esta mensagem é proclamada (Ellen G. White, ME2 102.3).

Expressões e vícios igrejeiros

igrejaÉ interessante notar como, com o tempo, certas expressões de linguagem e “vícios” de comportamento acabam sendo incorporados e cristalizados no meio religioso (no que diz respeito às expressões, isso é até normal, em qualquer língua falada). A lista abaixo é apenas uma sugestão para ajudar especialmente os líderes e comunicadores das igrejas a aprimorar o trabalho que desempenham e que é muito importante para Deus e para a comunidade:

1. “Vamos cantar o hino ……. para a entrada da plataforma.” A plataforma, sobre a qual ficam o púlpito e as cadeiras do pregador e dos oficiantes, nunca entra, a menos que tenha rodinhas e seja móvel. A plataforma sempre está lá. Quem entra são os oficiantes do culto ou componentes da plataforma. Alguns podem alegar que em “entrada da plataforma” há elipse e metonímia. Correto. Outros podem argumentar que o uso consagrou a expressão, apesar da incorreção. Igualmente correto. Então, para evitar maiores discussões, poderíamos simplesmente cantar para que entrem os oficiantes que compõem a plataforma, sem precisar chamá-los. Que tal?

2. Já que mencionamos a música, é bom lembrar que o ideal é anunciar os hinos pelo nome e depois informar o número deles. Assim, fica melhor: “Vamos cantar o hino ‘Jubilosos Te adoramos’, nº 14.” E nada de dizer “Vamos cantar o hino três, quatro, dois.” O correto é “trezentos e quarenta e dois”.

3. “Senhor, abençoa os que não puderam vir por motivo justo.” Esse tipo de súplica é comum em cultos de oração (às quartas-feiras), quando geralmente há menos pessoas na igreja. Infelizmente, é um tipo de oração legalista que procura excluir das bênçãos de Deus certas pessoas. Se alguém deixou de ir à igreja por “motivo injusto”, aí, sim, é que devemos orar por essa pessoa. O melhor mesmo é ser inclusivo e orar: “Senhor, abençoa aqueles que não puderam vir. Que Teu Espírito esteja com eles neste momento.” Outro detalhe: tem gente que parece ter fixação pelos que não vieram à igreja. O dirigente começa a reunião e já dispara: “Apesar de termos muitos bancos vazios…” ou “Mesmo sendo poucos…” Vamos valorizar os que estão presentes. Pra que ficar falando toda hora de quem não veio? Nenhum apresentador de TV fala sobre os que não estão assistindo ao seu programa… Quem não veio que ore em casa por si mesmo e vá à reunião seguinte, se for possível.

4. “Aqueles que puderem, vamos nos ajoelhar para orar.” Essa também já virou “vício”. É evidente que somente se ajoelharão aqueles que puderem. E os que não puderem por certo serão tão poucos que nem é preciso mencionar. Essa frase é dispensável.

5. Às vezes, quando alguém vai apresentar os oficiantes do culto, na plataforma, diz algo do tipo: “À minha direita, à esquerda dos irmãos…” Isso é quase como chamar a congregação de espacialmente desorientada. Que tal simplesmente dizer: “À direita do pregador…”, ou algo assim?

6. “Senhor, que Tuas bênçãos venham de encontro às nossas necessidades.” Tenho certeza de que quem ora dessa maneira não quer esbarrar nas bênçãos de Deus nem ser atingido por elas. Vir de encontro é se chocar contra. O correto, então, é pedir que as bênçãos de Deus venham ao encontro das nossas necessidades, ou seja, estejam de acordo com o que precisamos.

7. “Viemos aqui para celebrar…” Viemos é pretérito perfeito de “vir”. Talvez o mais adequado seja dizer “vimos”, presente do indicativo de “vir”. Mas dizer “Vimos aqui” fica muito formal, não é? Então, que tal mudar para algo do tipo: “Estamos aqui para celebrar…”? Na dúvida, saia pela tangente e busque sempre a maneira mais simples (porém correta) de falar.

8. “Senhor, abençoa esta semana que para nós é desconhecida”; “Não temos mérito algum, mas confiamos nos méritos do Teu filho Jesus Cristo”; etc. Não há nada de gramaticalmente errado nessas frases, mas será que quem as usa está pensando no que diz? Aqui quero chamar atenção para as “frases feitas” que povoam nossas orações. Oração, como bem definiu Ellen White, é abrir o coração a Deus como se faz com um amigo. Portanto, as orações, mesmo as feitas em público, deveriam ser dirigidas a Deus com palavras simples e sem modismos ou tradicionalismos ditos automaticamente.

9. “Quando a porta da graça for fechada”; “Depois do tempo da sacudidura”; “O povo remanescente da profecia”; “A pena inspirada registra que…”; “O povo laodiceano”; “Segunda hora”; “Vamos para o lava-pés”; “O departamento de Mordomia”, “Fazer o pôr do sol” (não precisa fazer, ele é automático!); “Devolução do pacto”; etc. Novamente, nada há de errado com essas frases e expressões. Mas imagine que você não é adventista ou não é cristão e está visitando uma igreja adventista pela primeira vez. Como interpretaria essas expressões? Entenderia alguma coisa? Portanto, os pregadores devem tanto quanto possível evitar o “adventistês”. Se tiverem que usar termos do jargão adventista, o melhor é explicá-los em seguida. Nossa mensagem tem que ser clara, simples e universal.

10. Devemos evitar também termos denominacionais (esse é um deles) que se referem à estrutura da igreja e que não têm muito sentido para quem não os conhece. Imagine a cena: alguém anuncia que naquela manhã de sábado falarão o pastor da União e o pastor da Divisão. Alguém pode pensar que um é bom, pois promove a união, e o outro é mau. Assim, o ideal é explicar os termos ou simplesmente dizer: “Hoje falarão o pastor fulano, diretor de Educação da Igreja no Estado de São Paulo, e o pastor cicrano, líder de Jovens para a América do Sul.” Por que “diretor” e “líder”? Porque é mais claro que “departamental”.

11. Que tal promover o culto jovem? Nos dois sentidos: promover a frequência ao culto e o nome dele desse jeito. “Culto JA” não tem sentido (no meu Estado de origem, JA é Jornal do Almoço). E “programa dos jovens” soa ainda pior. Culto jovem é mais bonito.

12. As pessoas oram, cantam alguns hinos e depois o dirigente diz: “Para começarmos o culto, cantemos o hino …….” A oração e os hinos anteriores não eram parte do culto? Eram o que, então?

13. Outro “vício” envolve a palavra “possa” (e suas variantes) e até lança dúvida sobre o poder de Deus. Quer um exemplo? “Senhor, que Tu possas nos perdoar os pecados. Que Tu possas conceder a cura ao irmão fulano e que nós possamos ser fieis a Ti.” Além de ficar sonoramente feio, quando repetido, o “possa” aplicado a Deus relativiza o poder dEle. É claro que Deus pode! Talvez Ele não queira algumas coisas, mas que pode, pode. Assim, melhor seria orar: “Senhor, perdoa nossos pecados. Se Tu quiseres, cura o irmão fulano e ajuda-nos a ser fieis a Ti.”

14. Imperativos são outro problema. Errado: “Senhor, cure”, “Senhor, ouça”, “Senhor, atenda”, “Senhor, faça”. Correto: “Senhor, cura”, “Senhor, ouve”, “Senhor, atende”, “Senhor, faze”. Ok, essa é um pouco mais complicada, mas, com o tempo, um pouco de estudo e atenção, é possível orar direitinho sem perder a espontaneidade. Devemos sempre oferecer o melhor a Deus, inclusive nosso melhor português possível.

15. Como mais ninguém (a não ser os mais antigos e alguns preciosistas) usa a palavra “genuflexos”, basta dizer “ajoelhados”. Sim, porque “de joelhos” (desde que tenhamos pernas completas) sempre estaremos, mesmo quando ajoelhados. O mesmo vale para “de pé”. O certo é “em pé”. (Porém, fica aqui o registro de que o Dicionário Houaiss já aceita a expressão “de joelhos”.)

16. Devemos evitar o uso abusivo da palavra “alma”. Exemplos: “Foram batizadas mais de quinhentas almas”; “Sair para a conquista de almas”; “Ganhador de almas”; etc. Para os que entendem “alma” como uma entidade separada do corpo e que sai dele quando a pessoa morre, falar em “conquista de almas” talvez possa configurar a intenção de proceder a essa separação, ou seja, praticar assassinato! Melhor substituir a palavra “alma” por “pessoa”, que é exatamente o sentido bíblico.

17. Para encerrar esta lista (mas não o assunto e a preocupação que ele levanta), não poderíamos deixar de fora expressões exclusivistas, como, por exemplo, “não adventistas”. Você conhece alguém que gosta de ser chamado “não”? “Apresento-lhes este meu não parente.” Horrível, né? Então, evitemos termos que dão a impressão de que somos um clube fechado, exclusivo. Nada de “não adventista”, “mundanos”, etc. Podemos nos referir a “amigos visitantes”, “irmãos evangélicos”, etc. É mais simpático.

Resumindo: temos que descomplicar nossa linguagem e liturgia a fim de que não criemos barreiras para a compreensão da mensagem que é simples e clara: Deus nos ama e quer nos salvar.

Michelson Borges

Quando o adventista prega o que não deve e dá um tiro no pé

tiroCerta vez, depois de eu apresentar uma palestra, um garoto de cerca de 15 ou 16 anos se aproximou de mim e disse: “Você sabia que o homem não foi à Lua?” Respirei fundo e perguntei: “Ah, é? Onde você viu isso?” “Em alguns vídeos na internet”, foi a resposta dele. Convidei-o para nos sentarmos e conversar um pouco mais. Expus-lhe os argumentos contidos neste post e concluí: “Tive o privilégio de batizar uma moça que estuda Engenharia Aeroespacial na Rússia. A Roscosmos [agência espacial russa] fica perto da universidade em que ela estuda, e de vez em quando cosmonautas vão até lá fazer palestras ou dar aulas. Numa dessas palestras um aluno perguntou se os norte-americanos realmente haviam ido à Lua, ao que o cosmonauta respondeu: ‘Gostaríamos que não tivessem ido.’” Disse para o garoto que se há pessoas que queriam muito que o pouso humano em nosso satélite natural fosse mentira, essas são os russos, mas eles admitem o feito dos norte-americanos. Ou seja: se eles acreditam, será um brasileiro, com base em vídeos conspiracionistas e fontes duvidosas, que vai duvidar?!

Outro tema constrangedor que tem conquistado adeptos mesmo no meio adventista é o tal modelo da Terra plana. Pessoas que valorizam a verdadeira ciência, a correta interpretação da Bíblia e o bom senso não têm como ser terraplanistas, e adventistas defenderem essa ideia é um absurdo maior ainda. Isso porque Ellen White menciona o globo terrestre em vários de seus escritos (confira aqui). Convido você a assistir com atenção ao vídeo abaixo, no qual exponho com certo detalhamento esse assunto no mínimo bizarro:

Para mencionar apenas mais um dos tiros que certos adventistas dão no pé, cito a nova “revolta da vacina”. Fazendo coro com outros adeptos de teorias da conspiração oriundas de sites obscuros, fake news e vídeos no YouTube (sempre eles), alguns crentes têm defendido a ideia de que nos bastam os chamados oito remédios naturais, que as vacinas são desnecessárias e que fariam parte de um plano malévolo das autoridades mundiais de reduzir a população global. Com isso, esses adeptos da campanha antivacinação têm dado sua contribuição para o ressurgimento de doenças que já haviam sido erradicadas. Uma tremenda irresponsabilidade! Convido você a assistir ao vídeo abaixo e ler os textos indicados na descrição dele.

Depois de ter lido o que eu escrevi até aqui, conferido os links que eu indiquei e assistido aos vídeos acima, você ainda quiser acreditar que o homem não foi à Lua, a Terra é plana e as vacinas não devem ser tomadas, só me resta lhe pedir um favor: não pregue, não escreva e não fale sobre isso em público. Já é difícil ser adventista pelo fato de guardarmos o sábado, crermos na volta de Jesus e não utilizarmos certos tipos de alimentos. Para que adicionar elementos de escárnio e deboche totalmente desnecessários? Se for para ser perseguidos, que seja por razões legítimas e verdadeiras, não por causa de teorias de conspiração que definitivamente não constituem a mensagem que devemos dar ao mundo. (Pior que alguns passam a pregar essas coisas com o entusiasmo que não dedicavam à pregação legítima.)

Nossa pregação essencial são as três mensagens angélicas do Apocalipse, diz Ellen White (3TS, p. 288); e a ordem de Cristo é que preguemos o evangelho da salvação a todas as pessoas (Mt 28:19, 20). Que construamos pontes, não muros. Que nos destaquemos por nossa coerência e bom senso, e não pela defesa de bandeiras que, além de não serem nossas, são falsas, polêmicas e inúteis.

Michelson Borges é pastor, jornalista e editor da revista Vida e Saúde