Apocalipse: “Faço novas todas as coisas”

nova jerusalemFinalmente, chegamos à conclusão do livro do Apocalipse: a Terra renovada ao seu status original sem a presença do pecado. Jesus é retratado como um grande conquistador, montado em um cavalo branco, assim também como o Seu exército de milhões de anjos que O seguem. O pecado e os pecadores impenitentes finalmente deixarão de existir. A Terra será renovada e será até mesmo melhor que no princípio, pois desta vez o próprio Deus habitará conosco ao transferir o próprio trono para a Terra (21:2, 3; 22:3).

Perguntas para discussão e aplicação

Compare Apocalipse 19:7, 8 com 7:13, 14; Isaías 61:10; 64:6. O que causa essa mudança de “vestes” espirituais ou de caráter? Apesar de não sermos salvos por nossas próprias obras, o que significam as “vestes de justiça” daqueles que serão salvos?

1. Apocalipse 19:11-16 retrata simbolicamente Jesus voltando com Seu exército de anjos, todos montados em “cavalos brancos”. Em sua opinião, qual é o significado dessa ilustração? O que significam os nomes de Jesus nesse texto para essa ocasião? O que significa a “espada” que sai de Sua boca (ver Efésios 6:16)? De acordo com 19:21, de que forma essa “espada” tem o poder de matar os homens?

2. Leia Apocalipse 14:19, 20 e 19:17-21, textos que tratam da ocasião da volta de Jesus. Por que esse evento tão aguardado pelos cristãos é retratado com imagens tão fortes quando se refere aos perdidos? Compare esse pensamento com Provérbios 8:35, 36; Ezequiel 33:11; João 3:16; Romanos 6:23 e responda: Por que o evangelho, ao fim, se resume em vida ou morte?

3. Note o que o texto diz sobre as aves em 19:17, 18, 21. Se essas palavras forem literais, isso significa que os animais continuarão vivos depois que os humanos ímpios morrerem e as aves se banquetearão com os seus cadáveres. Isso era considerado uma grande maldição na Antiguidade. Em sua opinião, por que os animais, diferentemente dos humanos impenitentes, não morrem diante da presença de Deus nessa ocasião?

4. Depois da volta de Jesus os salvos passarão mil anos no Céu com Jesus e com todos os salvos ressuscitados e trasladados de todas as épocas. Leia sobre a situação do planeta Terra nesse período em Apocalipse 20:1-3 e Jeremias 4:23-26. Só depois desses mil anos os ímpios finalmente deixarão de existir. Em que sentido Satanás estará “preso” durante esses mil anos? Por que Deus não o destrói de uma só vez na ocasião de Sua vinda em vez de esperar esse longo período? Leia Mateus 19:28; 1 Coríntios 6:2, 3; Apocalipse 20:4-6 e responda: Qual o propósito dos mil anos antes da eliminação final e total do mal?

5. De acordo com Apocalipse 20:7-9, o que acontecerá após o período do milênio? Por que tem que ser assim? O que isso nos diz sobre a gravidade do pecado? Como seria o Universo se o pecado não fosse jamais erradicado?

6, Compare Isaías 65:17; 66:22; 2 Pedro 3:13 e Apocalipse 21:1. Por que precisamos de um “novo céu” e uma “nova Terra”? De que forma o pecado estragou o nosso céu atmosférico e a Terra? Por que Jesus Se preocupa até com o nosso futuro habitat? E por que Ele mesmo vai morar conosco dessa vez?

7. Leia Apocalipse 21:21-22:5. Imagine a cidade santa inteirinha descendo de algum lugar do vasto espaço sideral, com o trono de Deus no meio dela! Isso significa que essa cidade será a capital do Universo! Significa que Deus morará conosco! Significa que este planetinha, daí em diante, passará a ser o “Céu”, porque o Céu é onde está o trono de Deus! O que isso tudo diz ao seu coração? Como esses fatos maravilhosos o estimulam a ser fiel até o fim?

Este é o fim do nosso estudo sobre o livro do Apocalipse. Mas devemos continuar estudando sempre. Como este estudo impressionou você? O que mais lhe impactou? Quanto você realmente gostaria de passar pelas provas finais e estar entre os salvos? Como esse desejo deve se refletir em sua vida diária?

Natal Gardino é doutor em Ministério pela Andrews University e pastor distrital em Jardim Iguaçu, Maringá, PR

Materiais de estudo do Apocalipse recomendados pela IASD

esEstudar a palavra de Deus é um privilégio. Hoje em dia temos muitos recursos para estudar a Bíblia de forma sistemática e séria. Lição da Escola Sabatina; Reavivados por sua Palavra; estudos bíblicos, etc. Além disso, na internet você encontra diversos recursos que potencializam o uso dessas ferramentas. Infelizmente, nem tudo que está disponível é recomendado para um estudo sério, cristão e verdadeiramente bíblico. A seguir você encontra uma lista de alguns recursos que são materiais oficiais, sérios e confiáveis. Eles foram produzidos pela Igreja Adventista para auxiliar em seu estudo da Lição da Escola Sabatina (guia de estudos oficial da igreja). Recomenda-se que você faça uso desses materiais conforme sua preferência, mas que evite materiais “semelhantes” e não oficiais, que misturam interpretações pessoais, ideias particulares e muitas vezes doutrinas perigosas. 

Apocalipse: Revelação do Rei

Esse material foi produzido pelo pastor Ranko Stefanovic, autor da Lição da Escola Sabatina deste trimestre e doutor em Teologia. Ele é especialista no livro do Apocalipse e professor de Novo Testamento na Andrews University. Esse material do Dr. Ranko traz uma abordagem séria acerca da interpretação adventista do livro do Apocalipse

Lições da Bíblia (Novo Tempo)

Material produzido pela TV Novo Tempo, com pastores que estão na ativa e compartilham a Lição por meio de um bate-papo, sempre respeitando a proposta original da Lição.

Escola Sabatina Oficial (DSA)

Canal oficial da Divisão Sul-Americana que traz recursos e subsídios para o professor da Escola Sabatina por meio de vídeos semanais. Esse material auxilia os professores com dicas didáticas e um panorama geral da Lição.

Comentários do pastor Natal Gardino

Publicados semanalmente neste blog, com a proposta de oferecer/propor perguntas para promover maior interatividade nas unidades da Escola Sabatina.

Por outro lado, não são recomendados vídeos e publicações daqueles que não seguem o método adventista (herdado da Reforma Protestante) de interpretação da Bíblia (gramático-histórico) e que substituem o método de interpretação profética historicista por abordagens futuristas, o que resulta em uma teologia com conclusões perigosas e cheias de riscos.

O próprio Manual da Igreja adverte que, “embora todos os membros tenham direitos iguais dentro da igreja, nenhum membro, individualmente ou em grupo, deve iniciar um movimento, formar uma organização ou buscar motivar adeptos a fim de alcançar qualquer objetivo, ou para o ensino de qualquer doutrina ou mensagem que não esteja em harmonia com os objetivos e ensinamentos religiosos fundamentais da igreja. Tal curso de coisas resultaria no desenvolvimento de um espírito de divisão, na fragmentação do bom testemunho da igreja, e, portanto, no impedimento do desempenho de suas obrigações para com o Senhor e com o mundo” (p. 61).

Além dos recursos indicados acima, você pode encontrar muita informação boa nos livros e nas publicações sobre o assunto disponibilizados pela editora oficial da IASD no Brasil, a Casa Publicadora Brasileira (CPB), e também nos livros teológicos da Unaspress (editora do Unasp).

A besta que sobe do abismo e a batalha ideológica

Apocalipse: juízo sobre Babilônia

ap 17Os capítulo 17 do Apocalipse apresenta as características de Babilônia, um falso sistema religioso que surgirá no fim dos tempos para enganar as pessoas. Esse sistema é representado “assentado sobre a besta”, que é o sistema romano político e religioso (Dn 7:7, 19-26; Ap 13:1-8; 17:3). Os capítulos 18 e 19 apontam para a destruição de Babilônia e sua condenação. Mas antes que isso aconteça o próprio Deus clama ao Seu povo que saia de lá enquanto há tempo (Ap 18:1-4).

Perguntas para discussão e aplicação  

1. Conforme 2 Coríntios 11:2, qual é o significado de “mulher” em profecias simbólicas? Sendo assim, qual é o significado da “mulher pura” do capítulo 12 do Apocalipse e da “prostituta” do capítulo 17? Quais são as semelhanças e diferenças entre elas? Pense no fato de que a “prostituta” já foi “pura”. O que isso deve nos ensinar ao refletirmos sobre “Babilônia”?

2. Leia a descrição da prostituta Babilônia em Apocalipse 17:4-6 e compare com Êxodo 28:4-6 e Jeremias 4:30. O que significam as vestes usadas por ela? (R.: ela se veste como uma prostituta [daquela época] e ao mesmo tempo emprega os mesmos tecidos e cores das vestes do sumo sacerdote levítico! Ou seja, apesar de haver se prostituído doutrinariamente, ela faz uma contrafação do sacerdócio de Cristo no santuário celestial, O qual era representado pelo sumo sacerdote no santuário terrestre.)

3. Procurando ao máximo não magoar, insultar ou afastar as pessoas, qual é a melhor maneira de lhes comunicar a verdade bíblica de que a igreja, quando se tornou romana, se corrompeu definitivamente? De acordo com Apocalipse 17:5, quem serão nessa ocasião as outras “prostitutas da terra”, que terão Babilônia como “mãe”? Em sua opinião, por que Deus usa essas ilustrações tão “pesadas” ao considerar a infidelidade doutrinária e espiritual?

4. Leia Apocalipse 17:1, 2; 18:3. De que forma Babilônia “embebeda” a todas as nações com o seu “vinho”? (R.: com doutrinas falsas que enganam e tranquilizam as pessoas a respeito de seus deveres morais para com Deus e o próximo.)

5. Compare a “besta do mar” (Ap 13:1) com a “besta” em que a prostituta Babilônia está montada (Ap 17:3). O que significa o fato de que Babilônia, esse falso sistema religioso futuro, estará “montada” sobre o sistema romano papal?

6. Compare a segunda mensagem angélica em Apocalipse 14:8 (que a igreja remanescente já está pregando há muitos anos) com a mensagem do “Anjo” em 18:2, 3. (Detalhe: esse “anjo” simbólico é o próprio Espírito Santo de Deus na ocasião da “chuva serôdia”, pois nenhuma criatura poderia iluminar a Terra toda com sua glória, como é dito em 18:1.) Por que a segunda mensagem angélica, que já estamos pregando, será repetida (ou reforçada) pelo Espírito Santo nos últimos tempos?

7. Por que Deus clamará ao “Seu povo” para sair de Babilônia? Qual é o grande perigo da ideia que diz que “todos os caminhos levam a Deus”?

8. Apocalipse 19:1-9 demonstra que muitas pessoas atenderão ao convite de Deus para sair de Babilônia e serão salvas. E nós poderemos ser os instrumentos usados pelo Espírito Santo para apelar a essas pessoas! Como deve ser a nossa vida hoje, para que possamos ser usados por Deus nos dias finais ao convidar Seu povo a sair de Babilônia?

9. Ao sabermos que há “povo de Deus” ainda em Babilônia, como deve ser o nosso relacionamento com as pessoas de outras denominações religiosas? Quais são as evidências de que somos, efetivamente, “povo de Deus”?

Notas importantes

A mulher de Apocalipse 17. Este símbolo representa um sistema religioso corrompido por ser baseado em um cristianismo romanizado e que tem influência para que o mundo inteiro seja intoxicado com o vinho de suas doutrinas. Além disso, ela também é chamada de “cidade” em Apocalipse 17:15. Isso significa que, ao mesmo tempo em que ela é um sistema religioso cristão (“mulher”), é também um poder político governamental (“cidade”). Como já vimos aqui, o nome Babilônia era um codinome usado pelos cristãos para se referir a Roma sem levantar suspeitas dos romanos (1Pe 5:13).

A “besta escarlate” sobre a qual a prostituta Babilônia está assentada (17:3). Esta besta tem características muito parecidas com a “besta que saiu do mar” (13:1). Já vimos aqui que esta besta é a mesma quarta besta de Daniel 7, que representa Roma, tanto em sua fase pagã quanto papal. O fato de a mulher estar “montada” nesse sistema pode indicar tanto que ela o “dirige” quanto também que ela é “carregada” ou “conduzida” por ele – o que parece ser o mais provável (Ap 17:7).

Os dez chifres de Apocalipse 17:12-14, 16, 17. Esta figura ainda não é bem clara em seus detalhes para os intérpretes do Apocalipse. Pode ser uma referência aos dez reinos divididos da Europa (representados por “dez dedos” em Daniel 2 e por “dez chifres” em Daniel 7:7, 8), os quais tentarão novamente se unir no futuro para a batalha do Armagedom. De acordo com Daniel, Jesus voltará “nos dias destes reis” (2:44). Como o papado saiu de um dos dez reinos/chifres da Europa medieval (7:8), talvez essa seja uma indicação de que as nações da Europa terão grande influência no futuro ao apoiar novamente um sistema papal renovado. Porém, essa atividade não durará muito tempo, pois logo esses mesmos poderes governamentais se voltarão contra o próprio sistema que apoiavam (17:16). Pode ser que essa retirada estratégica das dez nações seja o que provoque o simbólico “secamento do Eufrates” (Ap 16:12).

Os sete montes e o “oitavo rei” (Ap 17:9-11). Esta é uma das passagens mais polêmicas do Apocalipse. Há muitas teorias especulativas e sensacionalistas que consideram os sete montes como sete papas (e em cada nova interpretação, cada novo papa é sempre “o último” ou o “penúltimo”). Porém, as profecias simbólicas a respeito de “reis” não se referem a indivíduos, mas a sistemas de governo (Dn 7:17). Portanto, não podemos considerar sete pessoas individuais (sete papas) como sendo os sete “reis” de Apocalipse 17. Se considerarmos essa profecia a partir da perspectiva temporal do profeta e dos grandes sistemas de governo que oprimiram sucessivamente o povo de Deus temos o seguinte:

“As sete cabeças são sete montes, nos quais a mulher está sentada. São também sete reis [ou, reinos; cf. Daniel 7:17], dos quais caíram cinco [Egito, Assíria, Babilônia, Medo-Pérsia e Grécia], um existe [este era o período da Roma pagã, sob a qual João vivia ao receber a visão], e o outro ainda não chegou; e quando chegar, tem de durar pouco [ou seja, o período de Roma cristã, que surgiria poucos séculos após esta visão]. E a besta que era, e não é, também é ele, o oitavo rei, e procede dos sete, e caminha para a destruição” [esta é uma referência ao período em que Roma papal foi “ferida de morte” em 1798, e ficou um longo tempo sem expressão mundial até quando ela retomar novamente o poder com vigor redobrado]. Quando chegar, tem que durar “pouco” (Ap 17:10). A palavra “pouco” vem do grego oligos. Apesar dos quase dois mil anos desde que surgiu o sistema de governo opressor de Roma cristã, o tempo é “pouco” se for comparado com a eternidade ou com a história deste mundo. Essa é a mesma palavra usada em Apocalipse 12:12 ao dizer que Satanás, ao ser expulso definitivamente do Céu por ocasião da morte de Cristo, ficou irado “sabendo que pouco [oligos] tempo lhe resta” – e já se passaram quase dois mil anos desde esse evento também. No entanto, em Apocalipse 20:3, a palavra é diferente ao se referir ao “pouco” tempo que restará a Satanás logo após o fim do milênio: mikros. Em outras palavras, esse tempo final será “micro” perto dos dois mil anos que eram “pouco” [oligos] em relação à eternidade.

A destruição de Babilônia em Apocalipse 18 e 19. O quadro representado nesses capítulos é baseado em várias passagens do Antigo Testamento que profetizaram a destruição da antiga Babilônia literal (por exemplo, Isaías 13 e 47; Jeremias 50 e 51). Portanto, esse falso sistema religioso que se formará no futuro já tem sua ruína anunciada por Deus, a qual será tão certa quanto foi a da Babilônia da antiguidade.

O “Anjo” que ilumina a terra toda com Sua glória (Ap 18:1). Esta é uma figura para representar o Espírito Santo em Sua grande manifestação de poder conhecida como a “chuva serôdia” (Os 6:3; Tg 5:7). Como já visto aqui, a palavra traduzida como “anjo” na Bíblia também pode ser vertida como “mensageiro”. Ela é usada nesse sentido para seres humanos (Mt 11:10; Lc 7:24; 9:52; Fp 2:25; Tg 2:25, etc.); foi usada para Jesus (Gn 16:7, 9, 10, 11; 21:17; 22:11, 15; 31:11-13; Êx 3:2-6; Jz 2:1-4; 6:11-23; 13:3-22; Zc 3:1-4); e é usada também para representar o Espírito Santo como o grande mensageiro do Céu. Ele mesmo ajudará o povo de Deus a concluir a proclamação do Evangelho (Fp 1:6). No contexto do fim, contudo, a nota tônica para despertar as pessoas será: “Caiu Babilônia” – o mesmo tema da segunda mensagem angélica que a igreja remanescente tem pregado há tantos anos (Ap 14:8). Nessa ocasião da chuva serôdia, o Espírito Santo irá “amplificar” o poder dessa mesma mensagem, fazendo-a soar através de Seus servos “com potente voz” (18:2). Somente então a mensagem alcançará toda a Terra, a qual será dessa forma iluminada com a Sua glória, e então virá o fim (Mt 24:14).

Natal Gardino é doutor em Ministério pela Andrews University e pastor distrital em Jardim Iguaçu, Maringá, PR

Apocalipse: as sete últimas pragas

pragasAs sete últimas pragas relembram as pragas do Egito em alguns detalhes, mas são diferentes daquelas em seu propósito: as do Egito serviram como advertência, e por isso muitos egípcios se converteram ao Deus verdadeiro (Êx 9:20). As últimas, porém, acontecerão logo após o término do período de graça, quando não mais haverá conversões (Ap 16:9,11). Portanto, o propósito destas será punitivo ao permitir que os seres humanos colham os resultados de suas próprias escolhas.

Perguntas para discussão e aplicação

1. Leia Êxodo 7:13, 14; 12:12; 1 Samuel 6:6. Por que Deus enviou as dez pragas contra os egípcios? O que significa “endurecer o coração”, e como podemos nos proteger contra esse tipo de atitude? Por que Deus enviará pragas novamente no fim dos tempos? Em sua opinião, quais são as semelhanças e diferenças entre as dez pragas que caíram sobre o Egito e as sete que cairão sobre a Terra nos últimos dias?

2. Leia Apocalipse 7:1; 9:14, 15. Ao percebermos que o mundo está cada vez pior e que as pragas estão sendo adiadas, que lições podemos aprender sobre a misericórdia e a paciência de Deus? Sendo que Deus é amor, por que chegará o momento em que Ele finalmente permitirá que as pragas aconteçam (Gl 6:7)?

3. Veja quais serão as quatro primeiras pragas em Apocalipse 16:1-9. Considere também esta citação da lição de segunda-feira: as primeiras quatro pragas “não são universais; caso contrário, os habitantes da Terra seriam inteiramente exterminados” (Ellen White, O Grande Conflito, p. 628). Como esses quatro eventos poderão ser locais e ainda assim chamar a atenção do mundo inteiro? Como você imagina que será a reação das mídias e dos cientistas secularizados em resposta a esses fenômenos? Que tipo de pensamentos você terá quando vir essas coisas começando a acontecer?

4. Leia sobre a quinta praga em Apocalipse 16:10, 11. O que ou onde seria esse “trono da besta”? Em sua opinião, por que a espessa escuridão nesse local específico será definida como uma praga?

5. Leia Apocalipse 16:12. A sexta praga causa o secamento simbólico do Eufrates, rio sobre o qual estava “assentada” a Babilônia literal e sobre o qual também estará a Babilônia mística (Jr 51:13; Ap 17:1, 15). Ao considerarmos o significado de “águas” na profecia bíblica (Ap 17:15), o que significaria então o “secamento do rio Eufrates”? Por que a massiva retirada de apoio das nações ao falso sistema religioso será considerado como uma “praga”? De que forma esse evento “prepara o caminho” para a volta de Jesus?

6. Logo após o “secamento do Eufrates” (ou seja, após a desistência das multidões em apoiar a Babilônia mística), as forças do mal reagirão imediatamente com outras estratégias para enganar (veja 16:13, 14). Nessa reação desesperada, o que significa o fato de que os “espíritos imundos” saem justamente “da boca” dos agentes de Satanás? Leia 1 João 4:1. De que forma esses espíritos demoníacos conseguem enganar o mundo inteiro? (R.: por meio da boca, ou seja, com mentiras e doutrinas falsas, passando-se por Espírito de Deus.) Qual é a nossa única proteção para não sermos enganados também? (R.: o conhecimento das Escrituras.)

7. O “Armagedom”, em resumo, significa o monte Carmelo. Leia 1 Reis 18:19-21 e responda: Em que sentido a batalha religiosa ocorrida naquele monte é um tipo da última batalha da Terra entre os que servem a Deus e os que não O servem?

8. Leia sobre a sétima e última praga em Apocalipse 16:17-21. Afinal, o que é a sétima “praga”? (R.: são os eventos cataclísmicos da natureza resultantes da própria vinda de Jesus; cf. 2 Pd 3:10-12). Por que a volta de Jesus é considerada como uma “praga” para os ímpios? Como deve ser nossa vida hoje e cada dia para que a volta de Jesus não seja para nós uma “praga”, mas a concretização de uma bem-aventurada e desejada esperança?

Notas importantes

Um Deus que castiga? As pessoas que não conhecem o contexto do Grande Conflito entre o bem e o mal costumam questionar como um Deus de amor pode enviar pragas. Porém, o Deus de amor é também um Deus de justiça. As sete pragas são as consequências naturais das escolhas da humanidade que tem preferido uma vida sem Deus. Em Sua misericórdia, Deus tem segurado essas consequências por muito tempo (Ap 7:1). Chegará o momento, porém, em que Ele ordenará que esses “ventos” sejam soltos (9:13-15), e o mundo finalmente colherá os frutos do que tem plantado (Rm 1:26-28; Gl 5:19-21). Não se zomba de Deus para sempre (Gl 6:7). Esses “ventos” só serão “soltos” quando os servos de Deus estiverem selados (Ap 7:2, 3).

As pragas no Egito serviram como uma grande advertência, e por isso muitos egípcios se converteram (Êx 9:20; 12:38). As últimas pragas, porém, acontecerão quando o período de graça estiver encerrado e não houver mais arrependimento de pecados, mesmo durante o grande sofrimento causado por elas (Ap 16:9, 11, 21).

O “secamento do rio Eufrates” (Ap 16:12), causado pela sexta praga, é uma referência ao que aconteceu no ano 539/538 a.C., quando Ciro e seu exército invadiram Babilônia pelo leito do rio e libertaram o povo de Deus. Os babilônios se sentiam seguros dentro de sua cidade fortemente murada e com as águas fortes do rio Eufrates passando pelo meio da cidade. Por isso é dito em Jeremias que Babilônia estava “assentada” sobre muitas águas (51:13). Usando pás em vez de armas, milhares de soldados cavaram um desvio para o rio Eufrates por fora, o qual “secou” em seu percurso através de Babilônia, e o exército de Ciro pôde invadir a cidade tranquilamente pelo leito vazio do rio. Essa estratégia incrível havia sido profetizada muito antes (Is 44:27, 28; Jr 50:35-38; 51:36, 37).

Da mesma forma que a Babilônia literal estava “assentada sobre muitas águas” (Jr 51:13), assim também é representada a Babilônia simbólica (Ap 17:1, 15). O profeta nos dá uma chave para a correta interpretação ao informar que as “águas onde se assenta a prostituta [Babilônia] são povos, multidões, nações e línguas” (17:15). Esses são os povos e as nações que sustentarão esse falso sistema religioso dando-lhe todo o apoio e credibilidade. Portanto, o “secar” das “águas” significa uma retirada repentina e em massa de todo o suporte dessas nações para esse sistema. Não sabemos como isso acontecerá, mas essa será uma indicação clara de que o caminho para a volta de Jesus estará aberto e que isso ocorrerá muito em breve (Ap 16:12).

“Os reis que vêm do Oriente” (16:12). Essa é mais uma referência à vitória de Ciro sobre Babilônia após o “secamento” do rio Eufrates. Ciro foi um “tipo” de Jesus. Ciro veio pelo Oriente, o lado do nascimento do Sol (Is 41:2, 25; 46:11). Jesus é retratado como tendo vindo do Oriente (Lc 1:78), e assim também será em Sua segunda vinda (Mt 24:27), assim como a “estrela da manhã” (Ap 22:16).

“Reis.” Um detalhe intrigante ao ser mencionada a volta de Jesus é o plural “reis” em vez de “rei”. É possível que essa seja uma referência a Jesus Cristo e aos Seus santos anjos, considerando o caráter real deles. É possível também que o plural seja uma indicação de que o próprio Deus Pai aparecerá no céu junto com Jesus Cristo em Sua vinda, conforme as seguintes passagens parecem sugerir: Mateus 26:64; Lucas 9:26; Tito 2:13; Apocalipse 6:16, 17. Estando preparados ou não, só saberemos como será quando esse grande dia chegar.

Três espíritos imundos semelhantes a rãs (16:13). Ao perceber a perda de apoio popular e civil (o “secamento do rio”), Satanás faz com que três espíritos imundos “semelhantes a rãs” saiam a enganar o mundo. A figura das rãs traz algumas lições importantes. Uma delas é que o último milagre que pôde ser imitado pelos magos do Egito foi o das rãs (Êx 8:6, 7). A Bíblia também nos adverte que, apesar de parecerem inofensivas, as rãs quase destruíram o Egito (Sl 78:45). Além disso, é importante lembrar que o meio letal pelo qual a rã ataca a sua presa é por meio da língua. Sabemos que a melhor arma usada pelo inimigo de Deus é a mentira e o engano; é por isso que os espíritos imundos simbolicamente saem da boca dos agentes de Satanás (16:13). Assim, para combater a influência da mensagem verdadeira que estará sendo pregada pelos três anjos (Ap 14:6-12), os três espíritos imundos pregam um falso evangelho. E ambos os “evangelhos” serão pregados no mundo inteiro (Ap 14:6; 16:14). Mas a essa altura da História, quando os livros do tribunal celestial tiverem sido fechados, cada pessoa já terá escolhido a quem seguir.

“Local que em hebraico se chama Armagedom” (Ap 16:16). No texto original, o nome é Harmagedom, mas em português se convencionou escrevê-lo sem o “H”. Não existe um lugar chamado (H)Armagedom. A dica de que se trata de um nome hebraico é muito importante para que ninguém desenvolva suas próprias ideias a respeito desse símbolo. Se é um nome hebraico, então significa “monte de Megido” (Har = “monte”; Magedon = Megido [na forma transliterada do hebraico ao grego]). A cidade de Megido é reconhecida por se tratar de um lugar onde grandes batalhas importantes foram travadas e decididas (Jz 5:19-21; 2Rs 9:27; 2Rs 23:29, 30; provavelmente também Zc 12:11 e 1Sm 31:1-7). Porém, Megido é uma planície e não um “monte”. Contudo, há um único monte na região de Megido, e ele é reconhecido por outra batalha muito especial que ocorreu ali: o Monte Carmelo. Acabe e Jezabel convocaram todo o povo para esse monte a fim de ver quem era o Deus verdadeiro (1Rs 18:19-21, 38, 39). Naquela ocasião os falsos profetas não puderam fazer descer fogo do Céu, mas as artimanhas do mal têm sido aprimoradas para o grande engano final (Ap 13:13). Portanto, o Armagedom (ou Harmagedom) não se trata de um local literal, mas de um evento que ocorrerá imediatamente antes da volta de Jesus: uma grande convocação de fidelidade de abrangência mundial que causará uma polarização final entre os que servem a Deus fielmente e os que O rejeitam.

Natal Gardino é doutor em Ministério pela Andrews University e pastor distrital em Jardim Iguaçu, Maringá, PR

Apocalipse: o evangelho eterno de Deus

ThreeAngelsMessageO capítulo 14 apresenta o caráter, a missão e a vitória do povo remanescente de Deus no tempo do fim. Ele se inicia com uma visão dos salvos no Céu e uma descrição do caráter deles (1-5); logo depois ele retrocede no tempo em um flashback para apresentar esses mesmos salvos pregando o evangelho a todo o mundo na figura de três anjos (6-12); em seguida é usado um símbolo frequente nas Escrituras: o próprio Senhor fazendo a colheita final das searas da Terra, tanto dos salvos quanto dos perdidos (14-20).

Perguntas para discussão e aplicação

1. Que relação existe entre a promessa de Jesus em Mateus 24:14 e a visão de João em Apocalipse 14:6?

2. Por que essa cena dos três anjos (gr. angelos, “mensageiros”) pregando o “evangelho eterno” não pode estar se referindo a anjos literais? (R.: Anjos não pregam o evangelho; essa é uma tarefa que foi confiada aos humanos). Se são seres humanos, por que os três “anjos” são representados “voando pelo meio do céu” enquanto proclamam o evangelho ao mundo?

3. Por que a mensagem de Salvação por meio de Jesus Cristo é chamada de “Evangelho Eterno”? Leia Mateus 25:34; Efésios 1:4; Apocalipse 13:8; 17:8. Tendo isso em mente, em que sentido Jesus foi morto “antes da fundação do mundo”?

Sobre a mensagem do primeiro anjo

Compare Apocalipse 14:7 com Eclesiastes 12:13, 14. Que pontos semelhantes aparecem nessas duas passagens? (R.: Temer a Deus; dar-Lhe glória por meio da obediência; e a certeza de um juízo). Se esses dois textos estão dizendo essencialmente a mesma coisa, o que significa “dar glória a Deus” nesse contexto? (R.: guardar os Seus mandamentos). Ao se considerar o dever de todo ser humano no Antigo e no Novo Testamentos, de acordo com essas passagens, o que mudou? Por quê?

Diferentemente de “ter medo”, o que significa “temer” a Deus, no contexto do evangelho?

Por que o primeiro anjo/mensageiro diz que já “chegou a hora do juízo”? Desde quando essa mensagem está sendo pregada? Pense nisto: apenas uma igreja está pregando ao mundo essa mensagem (de que o juízo já começou). O que isso lhe diz?

Em sua opinião, por que várias religiões do mundo evangélico ridicularizam o conceito de um juízo investigativo ocorrendo antes da segunda vinda de Cristo? (R.: porque desconhecem que, quando Jesus voltar, todas as pessoas na Terra já terão sido julgadas, pois elas receberão sua salvação ou condenação segundo as obras que tiverem praticado antes, conforme Mateus 16:27; Romanos 2:6; Apocalipse 20:12; 22:12, etc.)

Por que os cristãos devem ficar felizes com o fato de que Deus trará o mundo a juízo?

Que palavras da primeira mensagem angélica (v. 7) indicam que a santidade do sábado faz parte do evangelho eterno? (R.: “Aquele que fez”; “o céu, e a Terra, e o mar”; cf. Êxodo 20:11.)

Sobre a mensagem do segundo anjo (14:8)

Apesar de o verbo estar no passado (“caiu, caiu”), quando a “Babilônia” simbólica do fim dos tempos realmente cairá? (R.: quando ela se unir ao Estado para impor suas próprias leis ferindo a consciência dos que querem ser fiéis a Deus, cf. 13:16-18.)

Veja Apocalipse 17:2. O que significa a afirmação de que a mística Babilônia tem embebedado a todas as nações com seu “vinho” intoxicante? Como podemos estar livres de beber esse vinho, mesmo “sem perceber”?

Sobre a mensagem do terceiro anjo (14:9-12)

Leia atentamente Apocalipse 14:9, 10. Por que a mensagem do terceiro anjo (que será muito mais forte após a imposição do sinal da besta) parece tão “severa”?

Apesar de o texto dizer “a fumaça do seu tormento sobe pelos séculos dos séculos”, como sabemos que essa punição não será eterna? Que argumentos e versículos você pode usar para defender o conceito bíblico? (R.: exemplos: Malaquias 4:3; João 3:16; Romanos 6:23; 2 Tessalonicenses 1:9; 2 Pedro 2:12, etc.)

O “anjo”/“mensageiro” identifica o grupo ao qual pertence no verso 12. Quem é esse grupo? O que significa a afirmação “aqui está a paciência [ou perseverança] dos santos”? Como podemos fazer parte desse grupo de remanescentes dos últimos tempos?

Notas importantes

Os três anjos simbolicamente voando pelo meio do céu com a mensagem final do evangelho ao mundo não significam anjos literais. São seres humanos que permanecem fiéis à Palavra de Deus no fim dos tempos. Isso pode ser confirmado por pelo menos dois motivos.

Em primeiro lugar, anjos não pregam o evangelho. Eles podem cooperar com o avanço dele, mas não podem efetivamente pregá-lo, pois essa é uma tarefa que Deus outorgou aos seres humanos apenas (Mt 28:19, 20; At 8:26; 11:13,14; 2Co 4:7; 1Tm 1:15, 16; Hb 1:14; 1Pe 1:12; etc.). Portanto, Apocalipse 14 não se refere a anjos, mas a seres humanos que proclamam as três mensagens de Apocalipse 14:6-12. A ilustração de “voarem pelo meio do Céu” pode significar a velocidade com que a mensagem é proclamada a todo o mundo e o seu alcance.

Em segundo lugar, a palavra grega “angelos” significa tanto “anjo” quanto “mensageiro”. Por isso, no texto bíblico original, ela é também muitas vezes usada para designar seres humanos como “mensageiros” (ver Mt 11:10; Lc 7:24; 9:52; Fp 2:25; Tg 2:25; etc.). Jesus também é chamado de Mensageiro (“angelos”) do Senhor em várias ocasiões (Gn 16:7, 9, 10, 11; 21:17; 22:11, 15; 31:11-13; Êx 3:2-6; Nm 22:22-35; Jz 2:1-4; 6:11-23; 13:3-22; Zc 3:1-4). Curiosamente, em Apocalipse 18:1, até mesmo o Espírito Santo é chamado de “angelos” (Mensageiro) pouco antes da volta de Jesus. Nessa ocasião (conhecida como a “chuva serôdia”; cf. Os 6:3; Tg 5:7; etc.), o Espírito Santo será o grande “Mensageiro” de Deus para fortalecer Seu povo com poder para proclamar a mensagem final ao mundo todo, “iluminando a Terra com a Sua glória”.

As três mensagens angélicas de Apocalipse 14 contêm em seu bojo as doutrinas distintivas da Igreja Adventista do Sétimo Dia, as quais são parte integrante do evangelho eterno: o juízo investigativo a partir de 1844 (“é chegada a hora do Seu juízo”); a criação literal (“adorai aquele que fez”); a guarda do sábado (“fez o céu, a Terra, o mar…”, cf. Êx 20:11); o juízo final (“o vinho da fúria de Deus”).

O “evangelho eterno”, pregado por esses remanescentes, é dirigido “aos que habitam sobre a Terra”. No Apocalipse, essa é uma expressão para se referir apenas aos ímpios, pois o objetivo de vida deles se resume apenas a este mundo (cf. 3:10; 6:10; 8:13; 11:10; 13:8, 14; 17:2).

Na expressão “seguiu-se outro anjo” (Ap 14:8, 9), o verbo “seguir” (gr. akoloutheo) não significa “vir depois” ou consecutivamente, mas “seguir junto” (veja estes exemplos em que a mesma palavra é usada nos textos originais: Mt 8:19, 22; 16:24; Ap 19:14; etc.). Ou seja, “as mensagens do primeiro, do segundo e do terceiro anjos estão todas unidas” (Ellen White, Eventos Finais, p. 60). Porém, à medida que o fim vai se aproximando, essas mensagens vão se “avolumando” até se transformar em um alto clamor (ibid., p. 173; Evangelismo, p. 701).

A expressão “caiu, caiu Babilônia!” é retirada especialmente de Isaías 21:9.

A figura de linguagem “beber do vinho da ira” ou “da taça da ira” de Deus (cf. Ap 14:10) é muito comum no Antigo Testamento; ver, por exemplo, Jó 21:20; Sl 60:3; Is 51:17, 22, 23; Jr 25:15-17, 28, 29; 49:12; 51:7; Ez 23:32-34; Ob 16. O “vinho” intoxicante que Babilônia oferece e que embebeda todas as nações é um evangelho fermentado e corrompido que aprova o erro (coisas como a teoria da evolução, tradições teológicas contrárias à Bíblia, conceito de alma imortal, tormento eterno, padrões impuros para o casamento e para a sexualidade, etc.). O vinho da ira oferecido por Deus significa deixar o pecador colher as consequências naturais de rejeitar o evangelho. A “ira” de Deus, diferente da humana, não tem que ver com sentimento, mas com juízo. Por isso, o “vinho da ira” de Deus será servido na mesma proporção em que a pessoa tiver bebido do “vinho” de Babilônia (Ap 18:6). Conforme vemos em Salmo 75:8, os juízos de Deus antes do fim dos tempos eram oferecidos “com mistura”, ou seja, eram diluídos com misericórdia; porém, de acordo com Apocalipse 14:10, após o fechamento da porta da graça, o juízo de Deus será finalmente oferecido “sem mistura” (ou “não misturado”), em sua força total.

Apocalipse 14:12 – A palavra hypomonê é traduzida como “paciência” em algumas versões (ARC, NTLH) e como “perseverança” em outras (ARA, NVI). Seu significado envolve uma perseverança que suporta pacientemente as provações e a demora. Uma tradução bem fiel seria algo como uma “perseverança paciente” ou “paciência perseverante”. Essa palavra é a mesma usada em Mateus 8:15; Lucas 21:19; Romanos 2:7, e também ao se referir à “paciência”/“perseverança” de Jó em Tiago 5:11. Essa tem que ser a fé dos remanescentes no tempo do fim!

Natal Gardino é doutor em Ministério pela Andrews University e pastor distrital em Jardim Iguaçu, Maringá, PR

Apocalipse: Satanás e seus aliados

bestaO capítulo 13 do Apocalipse apresenta os instrumentos de Satanás para enganar o mundo em sua rebelião contra Deus: a “besta que saiu do mar” (Roma) e a “besta que saiu da terra” (Estados Unidos da América).

Perguntas para discussão e aplicação

1. Compare Apocalipse 13:1 com Daniel 7:3, 17. Por que João se aproveita de figuras que já haviam sido usadas antes, como bestas/animais saindo do mar, em vez de usar algo “novo”? Que dicas existem em Apocalipse 13 para indicar que a besta (reino) que João viu é a mesma quarta besta de Daniel 7 (Roma)? (R.: No verso 3, a besta foi “ferida de morte” [como em Daniel 7:11]; nos versos 5 e 6 é dito que a besta tinha uma boca que proferia blasfêmias [como em Daniel 7:11, 20, 25]; no verso 5 é dito que a besta perseguiu o povo de Deus durante um período profético que vai do ano 538 a 1798 [como em Daniel 7:25]; no verso 7 é dito que a besta fez guerra contra o povo de Deus “e os venceu” [como em Daniel 7:21].)

2. De acordo com Apocalipse 17:15, qual é o significado de muitas águas ou “mar”, em profecias bíblicas? O que significa a ilustração das “bestas” (reinos, governos) terem saído do “mar”? Sendo assim, o que significaria, então, a figura da segunda besta saindo da “terra”? (R.: Em contraste com o significado de “mar”, seria então um lugar sem muitas pessoas, em ascendência, para cumprir esse papel no futuro. Os Estados Unidos eram o único lugar com esse perfil em 1798, logo após o fim dos 1.260 anos de perseguição, quando a igreja romana foi “ferida de morte”.)

3. O que significa o fato de que a “besta que sai da terra” se parece com um “cordeiro”, e como depois “falará como um dragão”?

4. Veja o que Bíblia diz sobre a lei de Deus em Deuteronômio 6:6-8 e 11:18. O que significa o símbolo de que a lei de Deus deve ser “como um sinal” na testa (frontal) e na mão? Sendo assim, o que significa o símbolo de que a marca da besta será imposta na testa ou na mão? Por que a ideia de que a marca da besta será um chip de computador é absurda, ainda que exista essa tecnologia e já existam pessoas que a usem?

5. Leia Daniel 7:25 e discuta por que a guarda do domingo como dia santo se tornou “a marca” da besta, que é Roma. Por que a guarda do verdadeiro dia sagrado é tão importante?

6. Como será que a segunda besta (EUA) vai enaltecer a primeira, que havia saído do mar? Em sua opinião, quais tendências mundiais estão levando ao cumprimento da profecia de Apocalipse 13?

7. Como devemos nos portar em relação às pessoas de outras religiões que guardam o domingo de forma a não magoá-las com essa mensagem ou não as afastarmos de nós? Como seria a melhor maneira de dividir essa profecia com quem crê que o domingo é o dia de guarda?

Notas importantes

O Apocalipse faz o emprego de figuras que já haviam sido utilizadas nas Escrituras Sagradas pois, como é dito na introdução do livro, ele foi escrito “para os Servos de Deus” (1:1). Os servos de Deus, por lerem a Bíblia com atenção, conhecem suas palavras, símbolos e ilustrações para poderem entender esse último livro adereçado apenas a eles, e não a todos.

Assim como as bestas em Daniel representam os poderes desde sua época em diante a partir de Babilônia, as visões no Apocalipse representam os poderes desde sua própria época em diante, a partir de Roma. Assim, a primeira “besta” de Apocalipse 13 é a mesma quarta besta de Daniel 7, uma continuação da mesma profecia.

Satanás e seus agentes tentam criar uma contrafação da Trindade. O dragão procura imitar a Deus, o Pai. Como tal, ele dá a sua autoridade à besta do mar, a qual é uma contrafação de Jesus Cristo em Seu ministério intercessor. Por sua vez, a besta da Terra cria uma contrafação do Espírito Santo, exaltando o poder e a autoridade da besta do mar, para que todos a adorem e também ao dragão (Ap 13:4, 8, 12).

Sobre o misterioso número 666

O título do papa na Idade Média (VICARIVS FILII DEI). Apesar de a soma dos números romanos de um dos supostos títulos papais resultar em 666, esse argumento, mesmo tendo sido muito utilizado no passado por grandes pregadores, é muito fraco, pois outros nomes também podem dar esse resultado. Além disso, as bestas no Apocalipse não se referem a pessoas individuais, mas a instituições. Se fosse essa a explicação, os primeiros cristãos não teriam entendido esse símbolo até que o papado propriamente dito surgisse muitos séculos depois. Outro fator importante é que a gematria (princípio de valor numérico aplicado aos nomes) não é usada na Bíblia. É importante observar que as edições mais antigas do livro O Grande Conflito contêm uma página com essa explicação e a soma dos números romanos do título papal; mas isso era uma adição dos editores da época, não da pena de Ellen White, a qual nunca usou tal interpretação. Por isso os livros atuais não trazem esse adendo editorial.

O número do ouro pesado anualmente no reinado de Salomão (1Rs 10:14; 2Cr 9:13). Para alguns intérpretes, o número 666 seria uma referência ao início da apostasia de Salomão devido à sua riqueza. Porém, apesar da coincidência numérica, esse texto relata uma época em que Salomão ainda era fiel a Deus. Isso não parece condizer com o contexto de Apocalipse 13.

Os números da estátua de Daniel (60 por 6). O número 6 era o número místico sagrado dos babilônios – por isso os registros referentes ao tempo, aos astros e aos ângulos, que tiveram muita contribuição deles, até hoje são baseados no número 6 e não no 10 (ex.: 60 segundos, 60 minutos, 24 horas, ângulos retos de 90º, etc.). A figura da besta obrigando a todos a receber seu número é baseada nesse episódio de Daniel 3, em que todos têm que adorar a estátua babilônica que mede 6 côvados por 60.

O valor místico pagão do número 6 para os babilônios. Como dito acima, o número 6 era sagrado para os babilônios. Foi descoberta uma antiga tabuinha mística que representa numericamente os principais deuses babilônicos. Ela consiste de uma tabela com 36 números diferentes dispostos em 6 linhas e 6 colunas, e cuja soma das linhas ou das colunas dava 666 (veja as figuras abaixo). Assim, o emprego do número 666 nesse trecho do Apocalipse deveria trazer à memória de seus leitores o paganismo de Babilônia como um modelo de Roma no futuro. Esse amuleto místico é uma grande evidência da importância do número 6 na medida da estátua babilônica (6 x 60 côvados) que deveria ser adorada por todos (Dn 3:1).

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A marca sobre a testa e a mão direita é apenas simbólica. Não faz sentido algum a interpretação de que se trata de uma marca visível ou de um chip de computador implantado sob a pele. Se assim fosse, qualquer ateu ou ímpio que não quisesse receber essas coisas automaticamente estaria livre do sinal da besta! Além disso, só os últimos cristãos da história poderiam entender esse símbolo (chip), pois ele não existia antes. Ao contrário disso, os símbolos empregados foram retirados das Escrituras Sagradas de tal forma que os primeiros cristãos que lessem o Apocalipse no primeiro século já pudessem entender seu significado. Eles sabiam que a quarta besta de Daniel 7 (que é a primeira besta de Apocalipse 13) iria “mudar a lei” de Deus (Dn 7:25). E a lei de Deus, devidamente entendida (mente) e obedecida (ações), é um sinal de Deus “na testa e na mão” (Êx 13:9; Dt 6:6-8; 11:18). Portanto, os primeiros cristãos entendiam perfeitamente que a lei de Deus, que deve estar em nossa mente (testa) e em nossas ações (mãos), seria modificada por Roma (Dn 7:25) e depois imposta sobre todo o mundo como seu sinal de autoridade contra Deus. Essa alteração da lei de Deus se deu oficialmente no dia 7 de março do ano 321, quando o imperador romano Constantino fez o primeiro decreto para que o povo guardasse o domingo como dia sagrado, em vez do sábado da lei de Deus (Êx 20). Assim, sabemos que essa é a “marca” de Roma e que ela será novamente obrigatória no fim dos tempos. É hoje que devemos escolher obedecer à lei de Deus ou à dos homens, para poder permanecer firmes quando essa imposição acontecer novamente em âmbito mundial, a partir dos Estados Unidos (segunda besta de Apocalipse 13, que exaltará o poder de Roma, a primeira besta).

É muito importante notar que, apesar de que a santificação do domingo como dia sagrado é uma “marca” do poder de Roma, não se pode dizer automaticamente que quem guarda o domingo tem a “marca da besta”. Essa profecia só se cumpre quando a igreja se unir ao Estado e obrigar a todos que guardem o domingo por força da lei. A partir daí, apenas, é que a observância do domingo se tornará “a marca” da besta romana. A partir daí, os últimos acontecimentos serão rápidos, e logo Jesus aparecerá nas nuvens do Céu com todos os Seus anjos!

Natal Gardino é doutor em Ministério pela Andrews University e pastor distrital em Jardim Iguaçu, Maringá, PR