Como os terraplanistas explicam eclipses lunares totais

luaEsses dias tivemos um eclipse lunar total – mais especificamente, o fenômeno aconteceu na madrugada no dia 21 de janeiro e coincidiu com uma Superlua, evento que ocorre quando o satélite se encontra mais próximo do nosso planeta durante a fase de Lua Cheia, o que significa que também se tratou de uma Lua de Sangue. Como você sabe, os eclipses lunares se dão quando a Terra, o Sol e a Lua se alinham e o nosso planeta se posiciona entre os dois astros, impedindo que os raios solares cheguem até o satélite. Quem estava acordado para acompanhar o último eclipse pôde ver como a fiel companheira da Terra foi se tornando gradualmente mais escura conforme o nosso mundo ia ocultando o brilho solar, até a Lua apresentar um tom avermelhado, resultado de como a luz emitida por ela se dispersa na atmosfera.

Não há nada de novo na breve explicação acima, e a verdade é que a humanidade vem acompanhando e compreende como os eclipses acontecem há milênios. Mas, para os defensores da Teoria da Terra Plana, aquele pessoal que está convencido de que o nosso planeta, em vez de esférico, parece uma panqueca, não acreditam nessa explicação, não – e inventaram uma explicação pra lá de criativa (e muito louca) para o fenômeno!

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Eclipse solar, obscurantismo e os raios da verdade

Captura de Tela 2019-07-02 às 19.09.45Neste dia 2 de julho, mais um eclipse solar chamou a atenção dos moradores do planeta Terra. No fim da tarde, ele pôde ser visto em 14 das 27 capitais brasileiras: Manaus, Porto Velho, Rio Branco, Palmas, Cuiabá, Goiânia, Brasília, Campo Grande, Curitiba, Porto Alegre, Florianópolis, São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Conforme explica o matemático e astrônomo Josué Cardoso dos Santos, “o evento popularmente conhecido como eclipse solar é um fenômeno que ocorre quando a Lua se interpõe entre a Terra e o Sol, ocultando total ou parcialmente sua luz numa estreita faixa terrestre. Se o disco inteiro do Sol está atrás da Lua, o eclipse solar é total. Caso contrário, é um eclipse solar parcial”. Uma descrição mais adequada desse fenômeno seria “ocultação do Sol pela Lua”, já que é a Terra que passa pela sombra produzida pela Lua.

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Mistério: O que causou o Dia Escuro?

Dia escuroO fenômeno aconteceu em 19 de maio de 1780 na Nova Inglaterra (EUA) e Canadá, e foi conhecido como o Dark Day ou Dia Escuro. Pelo nome, você já entendeu: foi um dia escuro. Nos últimos 232 anos, historiadores e cientistas têm discutido a origem do evento: seria um vulcão, uma nuvem de fumaça, um asteroide, ou algo mais sinistro? Com o pouco conhecimento da época, as pessoas estavam com medo, e alguns advogados de Connecticut (EUA) achavam que estava ocorrendo o Julgamento Final, principalmente porque nos dias anteriores, tanto o sol quanto a lua tiveram uma luz avermelhada. Mas o que poderia ter acontecido naquele dia de 1780?

O Departamento de Meteorologia apontou que uma nuvem espessa poderia baixar o suficiente para fazer as luzes das ruas acenderem e os carros terem que ligar os faróis. Mas é improvável que uma nuvem fosse capaz de causar todos os eventos do Dia Escuro. Um eclipse também foi descartado, por que esses eventos são previsíveis, e não há registro de um naquele dia. Além do mais, eclipses duram poucos minutos.

Outra possibilidade seria a erupção de um vulcão – a erupção do Eyjafjallajokull espalhou cinzas na atmosfera o suficiente para obrigar aeroportos a cancelarem pousos e decolagens por toda a Europa Setentrional. Além disso, as cinzas vulcânicas podem causar “dias amarelos”. Só que não há registro de atividade vulcânica naquele ano de 1780, o que faz com que uma nuvem vulcânica seja improvável. E a queda de um asteroide também é improvável, embora não possa ser descartada.

A resposta para esse enigma pode estar nas árvores, acreditam alguns cientistas. Acadêmicos do Departamento de Silvicultura da Universidade do Missouri (EUA) analisaram troncos de árvores da Nova Inglaterra, em uma região em que prevalecem os ventos vindos do oeste. Eles encontraram anéis com marcas de incêndio datando daquela época.

O professor associado de geografia William Blake, da Universidade de Plymouth (EUA), aponta que houve uma seca na região em 1780, fazendo com que um incêndio seja provável. Mas um incêndio florestal poderia causar um escurecimento como o relatado? O professor Blake conta que testemunhou incêndios na Austrália e que, quanto maior o incêndio, mais ele escurece o céu. E a combinação de fuligem e neblina pode fazer cair uma escuridão.

O relato de testemunhas oculares dá força à hipótese do incêndio florestal, já que alguns relatam que sentiram um cheiro estranho que parecia com o de uma casa de malte ou um forno a carvão.

O curioso é que dias escuros não são novidade. William Corliss, físico e cronista de eventos inexplicáveis, conseguiu reunir o relato de 46 dias escuros entre 1091 e 1971. Um deles assustou a população da mesma região em 1950, causado por um incêndio em Alberta (EUA). Algumas pessoas acharam que se tratava de um ataque nuclear ou um eclipse solar, pois a escuridão era tanta que parecia meia-noite para quem acordasse ao meio-dia.

E você, tem alguma outra explicação para o misterioso Dia Escuro?

(BBC, via Hypescience)

Nota: Já que a matéria acima termina com uma pergunta, leia o que Mervyn Maxwell escreveu em seu ótimo livro Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse: “O nascer do sol na sexta-feira, dia dezenove, foi visível na maior parte da Nova Inglaterra, mas – tal como a Lua na noite anterior – o Sol permaneceu vermelho à medida que se erguia. Uma grande nuvem negra assomou, agourenta, no sudoeste. […] A Assembleia Legislativa de Connecticut suspendeu a sessão às onze horas, pois os deputados não conseguiam ver os rostos uns dos outros.” E o livro prossegue a descrição desse dia curioso e assustador que compreende, na profecia, um dos sinais do início do tempo do fim. [MB]

Será o fim do terraplanismo e da negação de que o ser humano foi à Lua?

luaEm pleno século 21, há pessoas que defendem a ideia de que a Terra seria plana e coberta por um “domo” sólido. Assim, o Sol e a Lua seriam muito menores que o nosso planeta e estariam girando e flutuando dentro da atmosfera. Logo, como o domo representa uma barreira, é impossível enviar satélites e naves ao espaço e, claro, os norte-americanos não pisaram na Lua em 1969. Foi tudo armação. Aliás, a Nasa e outras agências espaciais investem bilhões de dólares todos os anos só para manter as pessoas enganadas, pensando que a Terra é um globo. Por mais que sejam apresentados argumentos bíblicos, científicos e com base em textos claríssimos de Ellen White, há pessoas que preferem acreditar em vídeos de YouTube e teorias da conspiração. Mesmo que se diga que a Coreia do Norte e a China comunistas já enviaram, respectivamente, um foguete (que fotografou a curvatura da Terra) e uma sonda ao lado escuro da Lua, e que os russos, os maiores interessados em negar a alunissagem, não duvidam do feito dos americanos, os terraplanistas insistem em suas ideias e nunca nos mostram uma foto sequer da borda do mundo.

Os próximos anos poderão representar o sepultamento definitivo dessa ideia. Em 2020 a Nasa enviará uma capsula que vai circundar a Lua. Em 2022, será enviada uma nave tripulada para orbitar nosso satélite. E em 2024 o plano é fazer com que um casal de seres humanos pise no solo lunar. O investimento total poderá chegar a 40 bilhões de dólares (confira aqui).

No próximo 15 de julho, será a vez de a Índia enviar sua segunda missão à Lua, a Chandrayaan-2, que vai explorar o polo sul da superfície lunar. A previsão é que a sonda faça o pouso entre os dias 6 e 7 de setembro. A intenção do país é lançar uma nova missão com três astronautas a bordo, durante sete dias, em dezembro de 2021 (confira).

A Nasa também informou, na sexta-feira, que permitirá a hospedagem de turistas na Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês) pelo período de um mês. O preço por noite ficaria por volta dos US$ 35 mil (R$ 135,5 mil). A mudança reverte uma proibição de longa data contra turistas e interesses privados no laboratório de pesquisa em órbita, e reflete um impulso mais amplo para expandir as atividades comerciais na ISS e no espaço em geral (confira).

Sugiro que os terraplanistas façam uma vaquinha e enviem um representante para passar uns dias na ISS e tirar umas fotos do planeta, assim estariam contribuindo para os programas espaciais e para revelar finalmente a verdade. Que tal? Talvez isso seja mais fácil do que filmar a borda de gelo aqui embaixo… [MB]

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Leia também: “O homem foi ou não à Lua”

“Tenho um ‘nó no estômago’ quando ouço que a Terra é plana”

pontesO ministro de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações afirma que sente “um nó no estômago” quando lê ou ouve que a Terra é plana. Para o tenente-coronel Marcos Pontes, primeiro astronauta sul-americano a ir para o espaço na Missão Centenário, em 2006, trata-se de mais uma consequência dos problemas da educação no país em todos os níveis. Em entrevista exclusiva à Rádio BandNews FM, o ministro diz que está entre os planos dele impedir a “fuga de cérebros” do Brasil por falta de apoio para universidades e fundações. Marcos Pontes falou também sobre incentivos a startups e uma melhora geral no sistema de telecomunicações.

(Band News)

Nota: Há dois anos, a comunista Coreia do Norte lançou um míssil a 560 km da superfície da Terra e tirou fotos do planeta a partir de lá (confira). Adivinhe qual o formato da Terra nas fotos… A igualmente comunista Rússia faz tempo que também vem tirando fotos da “bola azulada” e a China pousou uma sonda na Lua em janeiro deste ano. A NASA, então, nem se fala. Investe bilhões de dólares todos os anos em projetos que envolvem a exploração do espaço (estive há dois anos lá na base de lançamentos em Cabo Canaveral e é tudo muito impressionante; pode-se, inclusive, conversar com astronautas; confira). Duvida dessas agências aí e dos astronautas e cosmonautas? Então faça o seguinte: pergunte ao nosso astronauta e ministro Marcos Pontes. Ele também viu a Terra lá de cima. Situação ridícula é a dos terraplanistas que não conseguem sequer provar que a Terra teria uma borda e um domo sólidos, mesmo com navios, aviões, foguetes e satélites varando os mares e os ares. Por isso, nunca é demais repetir para deixar claro: criacionistas não são terraplanistas (leia nota da SCB) e adventistas terraplanistas também causam “nó no estômago”. [MB]

Leia também: “Não existe pôr do sol na Terra plana”

Não existe pôr do sol na Terra plana

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Hoje, ao sair do meu trabalho na Casa Publicadora Brasileira, deparei-me com esse espetáculo da natureza: um lindo pôr do sol. É impossível não pensar no Criador ao ver nossa estrela mais próxima desaparecer no horizonte terrestre pintando o céu com cores de fogo. Saindo do estado poético, pensei também em outra coisa…

Conforme meu amigo astrofísico Eduardo Lütz, não existe pôr do sol assim em modelos terraplanistas coerentes. Isso porque, geometricamente, é impossível que o Sol desapareça no horizonte se ele está apenas circulando sobre o disco. Mas ele não poderia simplesmente parecer tão próximo do horizonte que desapareceria, na prática? Depende da altura dele, do tamanho da Terra e do raio da trajetória do Sol. Temos dados sobre isso para usar no contexto terraplanista? Temos. E precisamos usar esses dados para verificar se o modelo terraplanista é coerente internamente e com o que se observa.

É comum que terraplanistas apresentem um modelo no qual vivemos sobre um disco com centro no polo norte e borda na Antártida. O Sol seria como um holofote que percorre uma trajetória aproximadamente circular sobre o disco (mas que estranhamente não assume formato de elipse nem diminui de tamanho à medida que se afasta de nós). Precisa ser um holofote, pois, se não fosse, seria dia o tempo todo em toda a Terra, por causa dos resultados que mostraremos a seguir.

Podemos estimar a que altura está o Sol? Isso pode ser estimado se levarmos em conta que o raio do disco da Terra é de aproximadamente 20 mil km (distância entre o polo norte e a Antártida) e que, nos Equinócios, o Sol encontra-se em uma posição tal que seus raios incidem verticalmente sobre a linha do Equador. Além disso, nesse momento, a luz solar incide com ângulo de aproximadamente zero em relação à horizontal no Polo Norte. Se a Terra é plana, isso significa que o Sol está tocando no solo nos Equinócios. Isso é uma incoerência do modelo.

Vamos tentar de novo com dados que não quebrem o modelo tão rapidamente. Podemos medir a diferença entre ângulos dos raios da luz do Sol em diferentes partes da Terra ao mesmo instante. Já foi medido que, quando a luz do Sol incide verticalmente sobre um ponto a Terra, a 800 km de distância ela incide em um ângulo de aproximadamente sete graus em relação à vertical. Se a superfície da Terra é plana, um simples cálculo trigonométrico nos permite estimar a altitude do Sol: 6.500 km.

Agora podemos calcular em que posição o Sol fica no céu quando está “do outro lado do mundo” do ponto de vista de alguém que esteja no Equador. A distância horizontal do Sol no Equinócio será de 20 mil km e a vertical continuará 6.500 km. Isso corresponde a uma altura mínima de 18 graus acima do horizonte. Em outras palavras, o Sol nunca chega mais perto do horizonte do que 18 graus para quem está na linha do Equador durante a época do Equinócio. Em outras épocas, o ângulo é um pouquinho maior (no inverno do Sul) ou um pouquinho menor, mas o Sol nunca chega muito perto do horizonte, apenas circula no céu.

Ah, mas e a refração da luz na atmosfera (que alguns preferem chamar de “efeito de lente”, que é exatamente a mesma coisa)? Bem, é fácil de medir e constatar que a pressão do ar diminui com a altitude. Isso significa que a densidade do ar é maior no solo do que onde estaria o Sol (6.500 km de altitude). Observa-se que, quanto maior a densidade de um meio, maior o índice de refração. Isso faz com que ocorra um “efeito de lente” semelhante ao que ocorre quando a luz passa do ar para a água em uma piscina. Ao descer e passar para o meio mais denso, a trajetória da luz se aproxima da vertical. Isso nos faz ver os objetos a uma altitude maior do que eles realmente estão. A consequência disso é que vemos o Sol mais alto do que ele realmente está. Ou seja, o “efeito de lente” apenas afasta a imagem do Sol do horizonte, complicando ainda mais a situação para o terraplanismo.

Em suma, não existe pôr do sol na Terra plana.

Nota 1: Se eu tivesse dúvida quanto a esse assunto, juntaria algum dinheiro, entraria em um site como o antartida.com.br, e compraria um pacote para uma expedição à Antártida (quem sabe até poderia tirar uma foto da borda do tal domo). Assim, poderia ver que lá na Antártida tem época em que o Sol não se põe; é “dia” o dia inteiro. Ou então iria para algum lugar bem perto do Polo Norte, como a Suécia e o Canadá. Lá, durante o ápice do verão, o Sol não se põe, e o contrário acontece no inverno. Ou ainda faria uma viagem de Sidney até Santiago (veja como essa viagem seria impossível numa Terra plana). Mas como não tenho dúvidas, vou deixar esse investimento e essa pesquisa para os terraplanistas.

Nota 2: Se tivéssemos uma abóbada sobre o planisfério do Mapa Múndi, como querem os terraplanistas, como explicar que um fenômeno como a aurora boreal ocorra na parede de gelo (Polo Sul) e ao mesmo tempo no centro do planisfério (Polo Norte)? Pela repetição dos fenômenos (frio, auroras, baixo azimute do Sol) podemos sugerir que ambos os polos compartilhem a mesma característica geométrica, ou ao menos parte dela. Isso pode ser representado por duas calotas opostas de uma esfera ou por dois aros de um tiroide, no mínimo.

A primeira imagem de um buraco negro

First Image of a Black HoleRadiotelescópios são grandes antenas parabólicas que captam ondas eletromagnéticas em frequências comparáveis com as ondas de rádio e TV. Essas ondas são da mesma natureza da luz (formadas por fótons), porém, possuem uma frequência muito menor (maior comprimento de onda). Um conjunto dessas antenas consegue coletar dados que podem ser usados para formar imagens do Universo com base nessas ondas eletromagnéticas, da mesma forma que o cérebro humano monta imagens a partir dos dados coletados pela retina, que detecta radiação eletromagnética na faixa perceptível ao olho humano. Quanto mais afastados estão os telescópios entre si, mais detalhadas são as imagens formadas. É como construir um olho gigante para observar o céu; quanto maior o olho, mais detalhadas ficam as imagens. O tamanho desse olho virtual é o da distância entre os telescópios mais afastados entre si.

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