Comprovada relação entre disfunção erétil e consumo de pornografia

siteA quantidade de homens abaixo dos 40 anos com problemas sexuais como disfunção erétil cresceu de 2 a 3% para 35%, e a relação disso com o consumo de pornografia facilitado pela internet vem sendo provada com pesquisas. Muitos médicos prescrevem Viagra para esses casos, o que não está dando certo, pois o problema tem origem no comportamento sexual compulsivo estimulado pela pornografia. Devido a esse hábito viciante, muitos homens jovens têm tido problemas também para estabelecer relações românticas, uma vez que a “educação sexual” deles foi distorcida pela pornografia.

Segundo pesquisa realizada pela Universidade de Middlesex, na Inglaterra, 94% dos jovens de 14 anos (entre meninos e meninas) já viram pornografia on-line. Cerca de

60% deles acessaram o conteúdo pela primeira vez em casa. Outro estudo, publicado no periódico Porn Studies no ano passado, revelou que 52% dos entrevistados (homens) começaram a consumir pornografia com 13 anos.

[Continue lendo e tome sua decisão.]

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O dia em que juntaram o Tinder com a IASD

tinderNestes tempos bicudos de pós-modernidade, “AAA” já não mais significa Associação dos Alcoólicos Anônimos. Simplesmente junta a trinca Ávido + Acumulador + Agressivo (primado Yuppie – “YUP” quer dizer “Young Urban Professional”) com as bases existenciais da eterna adolescência mental: Autocomplacência + Autocondescendência + Autoindulgência. O Estado da Arte dessa danação se manifestou através do aplicativo Tinder: um algoritmo de checklist sobre desejos e idiossincrasias que ajuda a reunir pessoas superficialmente compatíveis a fim de conduzi-las para uma experiência de cruzo (“transar” já se tornou um termo hipossuficiente).

Quem leu o terceiro capítulo da segunda carta de Paulo a Timóteo não se surpreenderia se surgisse (se é que já não existe) um equivalente para o Tinder em questões de escolhas denominacionais (Pimper?). Ali o AAA poderia se cadastrar e preencher uma longa lista de preferências pessoais, depois escolher entre acionar a busca pelo “match” enquanto passeia pelas ruas ou acionar uma opção de interação com o Uber, que lhe oferecesse os templos mais próximos e convenientes.

O problema mais grave é quando essa mania de customizar opções invade aos poucos a nossa querida IASD e começa a criar tendências, embriões do sectarismo e da celeuma. E então toda unidade almejada por Jesus e batalhada diuturnamente pelo Santo Espírito vira somente uma recordação dos tempos de nossos pioneiros.

Adoração não é liturgia. É um estilo de vida fundado na revelação divina que terá consequências tanto no cumprimento da missão quanto no próprio processo individual de salvação. Fazer ou deixar de fazer isso ou aquilo nada tem a ver com meu coraçãozinho de Nadabe e Abiú (“Ãin… é que eu tenho personalidade forte!”). Nem com presunções supostamente perfeccionistas. É uma questão de bom senso e vergonha na cara. Pra quem duvida, basta combinar Juízes 21:25 (“Naqueles dias cada um fazia o que parecia bem aos seus olhos”) com Provérbios 16:25 (“Há caminho que parece direito ao homem, mas o seu fim são os caminhos da morte”).

Traduzindo: pra meio entendedor, boa palavra basta – quem quer procura um jeito, até mesmo a “comunhão com Deus”; quem não quer inventa desculpa. Não troquemos a Ellen pela Jênifer.

Marco Dourado

“Pois virá o tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, sentindo coceira nos ouvidos, segundo os seus próprios desejos juntarão mestres para si mesmos. Eles se recusarão a dar ouvidos à verdade, voltando-se para os mitos.” 2 Timóteo 4:3, 4

Cuidado! Somos todos viciados em distração

smartphoneCerta noite, no começo do último verão, eu abri um livro e me flagrei relendo o mesmo parágrafo de novo e de novo, uma meia dúzia de vezes, até me dar conta de que não adiantava continuar. Eu estava simplesmente incapaz de me concentrar o suficiente. Fiquei horrorizado. Ao longo de toda a minha vida, ler sempre foi uma fonte profunda e consistente de prazer, aprendizado e consolação. Agora os livros que eu comprava com regularidade tinham começado a se empilhar na minha mesinha de cabeceira e me encaravam com um olhar silencioso de reprovação. Eu vinha passando tempo demais online, em vez de ler, verificando o número de visualizações do site da minha empresa, comprando mais meias coloridas na Gilt e na Rue La La, por mais que eu já tivesse mais meias do que precisava. […]

No trabalho, eu olhava o e-mail com mais frequência do que eu admitia e passei tempo demais procurando ansiosamente por informações novas sobre a campanha presidencial, por mais que fosse demorar ainda mais um ano até virem as eleições. “A internet é feita para ser um sistema de interrupção, uma máquina configurada para dividir as nossas atenções”, explica Nicholas Carr em seu livro A Geração Superficial: O que a internet está fazendo com os nossos cérebros. “Aceitamos de bom grado a perda de concentração e foco, a divisão de nossa atenção e a fragmentação de nossos pensamentos, em troca de recebermos uma fortuna de informações interessantes ou, pelo menos, capazes de nos distrair.”

Um vício é a atração implacável a uma substância ou atividade, que se torna tão compulsiva que acaba interferindo com a vida cotidiana. Indo por essa definição, quase todo mundo que conheço tem algum grau de vício na internet. Pode-se dizer até que ela já substituiu o trabalho como o vício mais socialmente aceito hoje.

Segundo uma pesquisa recente, o empregado médio num escritório gasta cerca de seis horas por dia só com e-mail. Essa estatística não inclui o tempo online gasto com compras, buscas ou acompanhando redes sociais.

A fome do cérebro por novidades, estimulação constante e gratificação instantânea cria algo chamado de “ciclo da compulsão”. Como ratos de laboratório ou viciados em drogas, precisamos de doses cada vez mais fortes para obter o mesmo efeito. O problema é que nós humanos temos um reservatório bastante limitado de força de vontade e disciplina. Nossa chance de sucesso é muito maior se tentarmos mudar um comportamento só por vez, idealmente no mesmo horário todos os dias, de modo que ele se torne rotina, exigindo cada vez menos energia para manter.

O acesso infinito a novas informações também sobrecarrega com facilidade nossa memória de trabalho. Quando atingimos a sobrecarga cognitiva, nossa capacidade de transferir o aprendizado para a memória de longo prazo se deteriora significativamente. É como se o cérebro tivesse se tornado um copo cheio d’água e qualquer gota a mais o fizesse transbordar.

Faz muito tempo que estou ciente disso. Comecei a escrever sobre o assunto há mais de 20 anos já. Todos os dias explico isso para os meus clientes, só que eu mesmo nunca acreditei de verdade que uma coisa dessas pudesse valer para mim. A negação é a primeira defesa do viciado. Nenhum obstáculo para a recuperação é maior do que a capacidade infinita de racionalizarmos nossos comportamentos compulsivos. Após anos sentindo que eu estava me virando razoavelmente bem, no último inverno acabei caindo num período intenso de viagens enquanto tentava, ao mesmo tempo, gerenciar uma empresa de consultoria em crescimento. No começo do verão, de repente me dei conta de que eu não estava me virando tão bem assim, e tampouco me sentia bem com isso.

Além de passar muito tempo na internet e sentir minha atenção se dispersar, eu também não estava me alimentando direito. Eu bebia refrigerante diet em excesso e com muita frequência tomava um drinque a mais por noite. Também tinha parado de me exercitar diariamente, como tinha sido o meu costume a vida inteira.

Em resposta, criei um plano cuja ambição beirava o irracional. Durante os 30 dias que se seguiram, tentei corrigir esses comportamentos e muitos outros, tudo de uma vez. Era um surto de grandiosidade, o exato oposto do que recomendo para os meus clientes todos os dias. Mas eu tinha racionalizado que ninguém tem um maior comprometimento com o autoaperfeiçoamento do que eu. Esses comportamentos estão todos interligados. “Eu consigo”, eu pensava.

Pude obter algum sucesso naqueles 30 dias. Apesar das tentações, consegui parar totalmente de beber refrigerante diet e álcool (três meses depois, eu continuo sem beber refrigerante). Também abri mão de açúcar e carboidratos como macarrão e batata. Voltei a me exercitar com regularidade. Foi com um único comportamento que fracassei por completo: reduzir meu tempo na internet. Meu compromisso inicial era o de impor limites à minha vida online. Decidi que só iria olhar o e-mail três vezes por dia: quando acordasse, na hora do almoço e antes de ir para casa no fim do dia. No primeiro dia, aguentei firme até a metade da manhã, então entrei em crise. Eu era como um viciado em doces trabalhando numa confeitaria, tentando resistir à vontade de comer um cupcake.

O que derrotou a minha força de vontade naquela primeira manhã foi a sensação de que eu tinha a completa necessidade de mandar algum e-mail para alguém sobre um assunto urgente. Eu dizia a mim mesmo que, se eu só redigisse o e-mail e apertasse “enviar” rapidinho, isso não contaria como entrar na internet. O que não levei em consideração foi o fato de que novos e-mails chegavam na minha caixa de entrada enquanto eu escrevia. Nenhum deles precisava de resposta urgente, mas, mesmo assim, para mim era impossível resistir à tentação de dar uma espiadinha na primeira mensagem que tivesse algo interessante no assunto. Depois a segunda. E a terceira.

Em questão de momentos, eu estava de volta ao mesmo ciclo vicioso. No dia seguinte, desisti de tentar reduzir meu tempo online. Em vez disso, me concentrei na tarefa mais simples de resistir ao refrigerante diet, ao álcool e ao açúcar. Mesmo assim, eu estava determinado a tentar de novo o meu desafio com a internet. Várias semanas depois do fim do meu experimento de 30 dias, saí de casa para passar um mês de férias. Era uma oportunidade para concentrar a minha limitada força de vontade num único objetivo: me libertar da internet, numa tentativa de recuperar o controle sobre a minha atenção.

Eu já tinha dado o primeiro passo para a minha recuperação: admitir minha incapacidade de me desconectar. Agora era a hora da desintoxicação. O segundo passo tradicional – a crença de que só um poder superior poderia me ajudar a recuperar a sanidade – eu interpretei de um modo mais secular. O poder superior se tornou a minha filha, de 30 anos, que desconectou o meu celular e notebook do e-mail e da internet. Livre do fardo do conhecimento técnico, eu não fazia ideia de como proceder para reconectar qualquer um dos dois.

De fato, eu me sinto mais controlado agora. Minha atenção está mais dirigida e menos automática. Quando fico online, tento resistir à vontade de navegar até dizer chega. Sempre que possível, tento perguntar a mim mesmo: “É isso mesmo que eu queria estar fazendo?” Se a resposta for negativa, a minha segunda pergunta é: “O que eu poderia estar fazendo que eu acho que seria mais produtivo, mais satisfatório ou mais relaxante?”

Acabei deixando uma só brecha para contato, que foi a mensagem de texto. Em retrospecto, era como se eu estivesse agarrado a um bote salva-vidas digital. Pouquíssimas pessoas na minha vida se comunicam comigo por mensagem de texto. Como estava de férias, na maior parte essas pessoas eram familiares, e as mensagens só continham informações sobre onde nos encontraríamos em vários pontos ao longo do dia.

Nos primeiros dias, eu de fato sofri com a crise de abstinência, o pior sendo a vontade de abrir o Google para sanar alguma dúvida qualquer que surgisse. Mas, a cada dia que se passava offline, eu me sentia mais relaxado, menos ansioso, mais concentrado e com menos fome de estímulos breves e instantâneas. O que aconteceu com o meu cérebro é exatamente o que eu esperava que fosse acontecer: ele começou a sossegar.

Eu havia trazido comigo, nessas férias, mais de uma dúzia de livros, de tamanhos e níveis de dificuldade variados. Comecei com não-ficção breve, depois passei para a não-ficção longa, conforme fui me sentindo mais calmo e mais concentrado. […] Na medida em que as semanas foram passando, consegui abrir mão da minha necessidade de fatos como fonte de gratificação. Em vez disso, passei então para os romances. […]

Estou de volta ao trabalho agora, e, por isso, é claro, de volta à internet. Não é como se fosse possível abrir mão da internet, e ela ainda vai consumir muito da minha atenção. Meu objetivo no momento é encontrar o melhor equilíbrio possível entre o meu tempo online e offline.

Também faço questão agora de incluir atividades mais envolventes no meu dia a dia. Sobretudo, eu continuei minhas leituras, não só porque amo ler, mas também como parte da minha prática para melhorar a atenção. Outra coisa foi que eu mantive ainda meu ritual antigo de decidir na noite anterior qual será a coisa mais importante que devo fazer no dia seguinte. Seja o que for, ela acaba sendo a minha primeira atividade de trabalho, à qual dedico de 60 a 90 minutos ininterruptos de concentração. Depois, faço um intervalo de 10 a 15 minutos para a mente sossegar e recobrar as energias.

Se tiver mais trabalho ao longo do dia que exija concentração ininterrupta, eu saio completamente da internet durante períodos determinados, repetindo o meu ritual matutino. De noite, quando vou para o quarto, quase sempre deixo meus aparelhos digitais no andar de baixo.

Por fim, agora eu me sinto comprometido a tirar pelo menos um período de férias digitais por ano. Tenho o privilégio raro de poder tirar várias semanas de folga por vez, mas aprendi que até uma única semana offline já é capaz de ter profundos efeitos restauradores.

Por vezes, eu me flagro revendo mentalmente uma imagem assombrosa do meu último dia de férias. Eu estava sentado num restaurante com a família quando um homem com uns 40 e poucos anos chegou e sentou com a filha, que devia ter uns 4 ou 5 anos e era uma graça. Assim que o homem chegou, ele concentrou sua atenção quase de imediato no celular. Enquanto isso, sua filha era um redemoinho de energia e inquietude, subindo no assento, andando em cima da mesa, acenando e fazendo careta para chamar a atenção do pai. Exceto por brevíssimos momentos, porém, ela não conseguiu chamar sua atenção e acabou desistindo depois de um tempo, com tristeza. O silêncio era ensurdecedor.

(Gazeta do Povo)

Nota: Talvez, nestes tempos de imersão digital que rouba nossa atenção e nosso tempo para o que realmente vale a pena, um dos textos bíblicos mais oportunos seja este: “Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus” (Salmo 46:10). Que tal praticar o hábito de se desconectar de quando em quando para se relacionar, ler bons livros, meditar e estudar a Bíblia? Se não criarmos esses hábitos, pior do que o que aconteceu com o autor do texto acima, não perderemos apenas a capacidade de concentração, perderemos nossa espiritualidade e nossa comunhão com Deus. Pense nisso. [MB]

Jogar videogames violentos é pecado?

gtaOs recentes massacres ocorridos no Brasil e em Nova Zelândia trouxeram à tona novamente discussões a respeito dos videogames violentos. Obviamente que existe uma multifatorialidade envolvida em cada caso. Os rapazes que assassinaram dezenas de pessoas em Suzano tinham relações familiares conturbadas, sofreram bullying e frequentavam comunidades virtuais de incentivo à violência. O matador de Nova Zelândia é alinhado a grupos extremistas de direita, tem ideias racistas e xenofóbicas. O que todos eles têm em comum é o hábito de jogar videogames violentos, os quais eles reproduzem de alguma forma na vida real, em atitudes e até indumentária. Claro que vozes se levantaram para atacar e defender os gamers. E só trago o assunto novamente para cá porque, na condição de jornalista e estudioso do fenômeno (sou autor do livro Nos Bastidores da Mídia, que tem um capítulo sobre o tema), isso é algo que me interessa, tanto quanto me interessa (e choca) o esforço de alguns cristãos no sentido de defender os tais jogos sanguinários.

Li vários artigos e assisti a uma entrevista na Jovem Pan com um empresário do ramo de videogames, um jogador e um psicólogo. O psicólogo não me pareceu ter muito conteúdo, e quem dominou a conversa foram os dois que, obviamente, defenderam o passatempo. Seria praticamente a mesma coisa que convidar o dono de uma vinícola para falar sobre as características do vinho. Mas cristãos defenderem videogames violentos me parece algo bem contraditório! E há os tais.

É como dizer que pornografia não é traição, pois só ocorre na mente. Todos os cristãos sabem (ou deveriam saber) que, segundo Jesus, o adultério começa na cabeça, quando uma pessoa casada deseja sexualmente outra pessoa. O mandamento bíblico diz “não adulterarás”, o que envolve conjunção física, mas, ao ampliar o princípio por trás da lei, o Mestre deixou claro que na “virtualidade” da mente também se pode quebrar o mandamento. A mesma lei diz: “Não matarás”, e Jesus igualmente ampliou o sentido do mandamento ao dizer que desejar o mal a alguém também é matar. Jogar videogame pode não ser necessariamente pecado (embora as muitas horas desperdiçadas já sejam um mal em si), mas o que dizer de jogos que apresentam um cenário de matança em que o protagonista é o jogador armado, com o corpo inundado de adrenalina e se deleitando em cada “alvo” abatido? Evidentemente que a imensa maioria desses jogadores não sairá por aí atirando em alvos de carne e osso (embora alguns vão), mas será que os sentimentos envolvidos nesse tipo de jogo seriam aprovados por Jesus, para quem a cidadela da mente é tão importante? Aliás, seria possível imaginar Jesus Cristo sentado no sofá, divertindo-Se ao estourar os miolos de personagens na tela da TV ou massacrando e mutilando oponentes com golpes de artes marciais?

Com certeza, os sentimentos despertados por esse tipo de jogo (e incluam-se aí filmes, séries e mesmo “esportes” como o UFC) não condizem com textos como este: “O fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio” (Gálatas 5:22, 23) ou este: “Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai” (Filipenses 4:8). Muito menos com este: “Temos uma obra a fazer a fim de resistir à tentação. Aqueles que não querem ser presa dos ardis de Satanás devem bem guardar as entradas da alma; devem evitar ler, ver, ou ouvir aquilo que sugira pensamentos impuros. A mente não deve ser deixada a divagar ao acaso em todo o assunto que o adversário das almas possa sugerir. […] Devemos ser auxiliados pela influência permanente do Espírito Santo, que atrairá a mente para cima, e habitua-la-á a ocupar-se com coisas puras e santas” (Ellen White, Patriarcas e Profetas, p. 337); e este: “É lei, tanto da natureza intelectual quanto da espiritual, que, pela contemplação, nos transformamos. O espírito gradualmente se adapta aos assuntos com os quais lhe é permitido ocupar-se. Identifica-se com aquilo que está acostumado a amar e reverenciar” (Ellen White, Mente, Caráter e Personalidade, p. 331).

A decisão quanto a consumir esse tipo de conteúdos é sua, pois Deus sempre respeita nosso livre-arbítrio, mas nunca se esqueça de que o principal palco do grande conflito é a mente. Aquilo com que escolhemos alimentá-la vai determinar de que lado da guerra estaremos.

Michelson Borges

A triste geração que tudo idealiza e nada realiza

cellphoneDemorei sete anos (desde que saí da casa dos meus pais) para ler o saquinho do arroz que diz quanto tempo ele deve ficar na panela. Comi muito arroz duro fingindo estar “al dente”, muito arroz empapado dizendo que “foi de propósito”. Na minha panela esteve por todos esses anos a prova de que somos uma geração que compartilha sem ler, defende sem conhecer, idolatra sem porquê. Sou da geração que sabe o que fazer, mas erra por preguiça de ler o manual de instruções ou simplesmente não faz. Sabemos como tornar o mundo mais justo, o planeta mais sustentável, as mulheres mais representativas, o corpo mais saudável. Fazemos cada vez menos política na vida (e mais no Facebook), lotamos a internet de selfies em academias e esquecemos de comentar que na última festa todos os nossos amigos tomaram bala para curtir mais a noite. Ao contrário do que defendemos compartilhando o post da cerveja artesanal do momento, bebemos mais e bebemos pior.

Entendemos que as bicicletas podem salvar o mundo da poluição e a nossa rotina do estresse. Mas vamos de carro ao trabalho porque sua, porque chove, porque sim. Vimos todos os vídeos que mostram que os fast-foods acabam com a nossa saúde – dizem até que tem minhoca na receita de uns. E mesmo assim lotamos as filas do drive-thru porque temos preguiça de ir até a esquina comprar pão. Somos a geração que tem preguiça até de tirar a margarina da geladeira.

Preferimos escrever no computador, mesmo com a letra que lembra a velha Olivetti, porque aqui é fácil de apagar. Somos uma geração que erra sem medo porque conta com a tecla apagar, com o botão excluir. Postar é tão fácil (e apagar também) que opinamos sobre tudo sem o peso de gastar papel, borracha, tinta ou credibilidade.

Somos aqueles que acham que empreender é simples, que todo mundo pode viver do que ama fazer. Acreditamos que o sucesso é fruto das ideias, não do suor. Somos craques em planejamento Canvas e medíocres em perder uma noite de sono trabalhando para realizar.

Acreditamos piamente na co-criação, no crowdfunding e no CouchSurfing. Sabemos que existe gente bem-intencionada querendo nos ajudar a crescer no mundo todo, mas ignoramos os conselhos dos nossos pais, fechamos a janela do carro na cara do mendigo e nunca oferecemos o nosso sofá que compramos pela internet para os filhos dos nossos amigos pularem.

Nos dedicamos a escrever declarações de amor públicas para amigos no seu aniversário que nem lembraríamos não fosse o aviso da rede social. Não nos ligamos mais, não nos vemos mais, não nos abraçamos mais. Não conhecemos mais a casa um do outro, o colo um do outro, temos vergonha de chorar.

Somos a geração que se mostra feliz no Instagram e soma pageviews em sites sobre as frustrações e expectativas de não saber lidar com o tempo, de não ter certeza sobre nada. Somos aqueles que escondem os aplicativos de meditação numa pasta do celular porque o chefe quer mesmo é saber de produtividade.

Sou de uma geração cheia de ideais e de ideias que vai deixar para o mundo o plano perfeito de como ele deve funcionar. Mas não vai ter feito muita coisa porque estava com fome e não sabia como fazer arroz.

(Marina Melz, revista Pazes)

Os filhos do quarto: antes eles também morriam, mas hoje é diferente

quartoEstou para escrever desde o dia que me peguei chorando por aquele garoto de 13 anos em São Vicente que, por uma brincadeira, veio a falecer. Não sejamos exageradas para dizer que só agora com o advento da www temos perdido filhos. Eles faleciam também antes disso. Mas antes perdíamos filhos nos rios, nos matos, nos mares; hoje os temos perdido dentro do quarto! Quando brincavam nos quintais ouvíamos suas vozes, escutávamos suas fantasias, e ao ouvi-los, mesmo à distância, sabíamos o que se passava em suas mentes. Quando entravam em casa não existia uma TV em cada quarto, nem dispositivos eletrônicos em suas mãos. Quero deixar bem claro que não sou contra e nem capetizo tudo isso. Mas, queridos, precisamos ser sinceros: temos perdido o equilíbrio. Hoje não escutamos suas vozes, não ouvimos seus pensamentos e fantasias; as crianças estão ali, dentro de seus quartos, e por isso pensamos estarem em segurança. Quanta imaturidade a nossa. Agora ficam com seus fones de ouvido, trancados em seus mundos, construindo seus saberes sem que saibamos o que é…

Alguns, como o garoto de São Vicente, perdem literalmente a vida, mas tantos outros aí, ainda vivos em corpos, mas mortos em seus relacionamentos com os pais, fechados num mundo global de tanta informação e estímulos, de ídolos de YouTube, de modismos passageiros, que em nada contribuem para a formação de crianças seguras e fortes para tomar decisões moralmente corretas e de acordo com seus valores familiares. Dentro de seus quartos perdemos os filhos, pois não sabem nem mais quem são ou o que pensam suas famílias, já estão mortos de sua identidade familiar… Se tornam uma mistura de tudo aquilo pelo qual têm sido influenciados e os pais nem sempre sabem o que seus filhos são.

Você hoje pode ler este texto, amar, marcar os amigos. Pode enxergar nele verdades e refletir. Tudo isso será excelente. Mas como psicopedagoga tenho visto tantas famílias doentes com filhos mortos dentro do quarto, então faço a você um convite e, por favor, aceite! Convido você a tirar seu filho do quarto, do tablet, do fone de ouvido; convido você a comprar jogos de mesa, tabuleiros e ter filhos na sala, ao seu lado por no mínimo dois dias estabelecidos na sua semana à noite (além do sábado e do domingo). E jogue, divirta-se com eles, escute as vozes, as falas, os pensamentos e tenha a grande oportunidades de tê-los vivos, “dando trabalho”, e que eles aprendem a viver em família e se sintam pertencentes ao lar, para que não precisem se aventurar nessas brincadeiras malucas para se sentirem alguém ou terem um pouco de adrenalina que antes tinham com as brincadeiras no quintal.

(Cassiana Tardivo, Conti Outra)

Por que abandonei os videogames violentos

videogameMinhas primeiras experiências com videogames datam da década de 1980. Já nos tempos do Atari, existiam jogos como Outlaw ou Combat; eram garantia de diversão por horas a fio. Nos anos 1990, entre o segundo grau e a época universitária, era famoso o jogo Castle Wolfenstein. Depois apareceram Doom e Hexen. Como cristão, eu dizia para mim mesmo que jogar esses jogos não passava de um divertimento inocente, sem maiores consequências. Na verdade, racionalizava com pensamentos associados à melhora dos reflexos, ou relaxar matando nazistas e depois monstros. É lógico, para quem conhece esses jogos, tive que começar a racionalizar um pouco mais com alguns videogames que usavam imagens de aparente magia ou monstros, que embora fossem chamados de alienígenas, eram seres muito semelhantes a demônios.

Logicamente que nunca me considerei um aficionado. Perdi muitas levas de jogos FPS, os First Person Shooter, ou jogos de Tiro em Primeira Pessoa. Também já tinha ouvido falar de matérias sobre o efeito dos jogos sobre a violência em crianças e adolescentes. Mas, para ser sincero, em muitos momentos achei até mesmo um exagero. “Sou um adulto normal, com empatia. Nunca pensei em matar ninguém. Isto não me afeta.”

Já casado, chegou um nova série chamada Bioshock. Um primor de jogo com crítica social ao trabalho de Ayn Rand. Mas uma bela desculpa para um jogo de tiro e esquartejamento. Até aí tudo aparentemente bem. Mas tinha um detalhe…

Meu filho Erick, na época com quatro anos, com a curiosidade que é peculiar a uma criança nessa idade, veio me perguntar justamente em um dia em que eu estava com um personagem principal, em um escafandro, com uma broca enorme, esquartejando inimigos que eram como se fossem semi-zumbis. “Papai, o que o senhor está fazendo com esse homem?” “Nada filho” – tentei despistá-lo… mas ao mesmo tempo comecei a sentir um estranhíssimo incômodo em fazer algo que sempre achei muito tranquilo e normal. “O senhor está fazendo um curativo nele?”

Até então, no imaginário do meu filho, ele só via o pai como um agente de saúde e cura. Sangue seria algo para ajudar a tratar ou curar alguém. Tentei ainda uma saída. “Filho, você não quer brincar no seu quarto?”, eu disse quase em um apelo. “O senhor está tirando sangue dele.” “Não, meu filho”, falei em voz baixa e encabulada, e dado por vencido. “Papai está saindo desse jogo aqui.” E assim foi a última vez que joguei um jogo de tiro.

A verdade é que ver a simplicidade das perguntas do meu filho me fez refletir que violência pode ser conteporizada, e até mesmo justificada. Mas a mente de uma criança trabalha de maneira muito direta com estímulos positivos de afeto ou negativos de violência. Ver a reação dele diante daquelas imagens que eu achava banais me fez enxergar o real impacto de tudo aquilo com que eu estava lidando e, principalmente, do exemplo que, como pai, eu tinha diante dele. O estímulo à violência em tenra idade, mesmo de forma lúdica, pode ter consequências para toda a vida.

Uma vida com videogames

Dados de Lenhart et.al., em 2008, e do NPD Group, em 2011, dão conta de que mais de 90% das crianças nos Estados Unidos brincam com algum tipo de videogame. Esse número aumenta para 97% na faixa etária entre 12-17 anos. Trabalho de 2013 (Rideout) dá conta de que uma criança de oito anos usa em média 69 minutos de console portátil, 57 minutos de jogos em computador e 45 minutos de jogos em celulares e tablets. Considerando esses números, fica clara a influência dos videogames na formação psicológica da criança. Logicamente uma das perguntas que surge é: Existe relação entre o surgimento de um comportamento violento na criança/adolescente e a exposição continuada a videogames de conteúdo violento?

A palavra dos especialistas

A American Psychological Association, em diretriz de agosto de 2015, declarou que as pesquisas demonstraram uma ligação “entre o uso violento de videogames e o aumento do comportamento agressivo […] e a diminuição do comportamento pró-social, da empatia e do comprometimento moral”.

Em sua diretriz de julho de 2016 sobre a violência na mídia, a Academia Americana de Pediatria alertou que a mídia violenta é um mau exemplo para as crianças. Os videogames – observou a academia – “não devem usar alvos humanos ou outros alvos vivos ou pontos de premiação para matar, porque isso ensina as crianças a associar prazer e sucesso à sua capacidade de causar dor e sofrimento aos outros”.

No geral, o resumo da academia dos resultados de mais de 400 estudos revelou uma ligação “significativa” entre a exposição à mídia violenta (em geral) e comportamento agressivo, pensamentos agressivos e sentimentos de raiva.

O exemplo da mídia

Temos uma “evolução” de conceitos do inimigo a ser subjugado em jogos ou aniquilado em filmes. Se antigamente o jogador enfrentava inimigos destituídos da forma humana, jogos como Grand Theft Auto, Manhunt, FreeFire ainda glamourizam um comportamento moralmente discutível. Alguns deles, com o intuito de atingir crianças com menor idade, substituem o sangue por rajadas de flores, glamourizando a morte, sem mostrar suas consequências.

Não são somente os games

Temos uma sociedade consumista na qual se descarta com facilidade o ser humano. O exemplo dado por filmes e séries de TV nutre e glamouriza a figura do “anti-herói”, aquela pessoa que antes de mais nada apresenta traços de narcisismo e egoísmo, ou que adota comportamentos moralmente deploráveis como aquele de matar ou ter um comportamento sacrílego ou abertamente do lado oculto (como vemos em séries como Constantine, Sabrina ou Lúcifer).

Somente o exemplo externo?

Temos que admitir que cada vez mais nossa sociedade contribui para os exemplos de disfuncionalidade ao os pais desistirem da educação dos filhos. Quando entregamos nossos filhos para que redes sociais, bandas de rock, séries de TV e videogames sejam os tutores morais de nossas crianças, resultados sombrios podem ocorrer, como aqueles que já têm se espalhado por aí.

Permanece como válido o conselho bíblico: “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e mesmo quando for idoso não se desviará dele!” (Provérbios 22:6).

Everton Padilha Gomes é médico cardiologista e diretor do Estudo Advento

Referências

Lenhart, A., Kahne, J., Middaugh, E., MacGill, A., Evans, C., & Vitak, J. (2008). Teens, videogames and civics.Washington, DC: Pew Internet & American Life Project. http://www.pewinternet.org/files/old-media//Files/Reports/2008/PIP_Teens_Games_and_Civics_Report_FINAL.pdf.pdf.

NPD Group (2011). Kids and gaming, 2011. Port Washington, NY: The NPD Group, Inc.

Rideout, V. (2013). Zero to eight: Children’s media use in America 2013. San Francisco, CA: Common Sense Media.

American Psychological Association Resolution on Violent Games, Agosto 2015, pode ser acessado em https://www.apa.org/about/policy/violent-video-games

AAP Council on Communications and Media. Virtual Violence. Pediatrics. 2016;138(1):e20161298