Videogames podem até ajudar em algumas coisas, mas viciam

video-gameExistem milhares de estudos sobre como os videogames podem afetar nosso comportamento e, eventualmente, nosso cérebro, por meio da plasticidade cerebral. Para tentar resumir esse corpo de conhecimento, já que os diversos estudos nem sempre são diretamente comparáveis, uma equipe da Universidade Aberta da Catalunha (Espanha) decidiu fazer uma meta-análise, buscando similares e selecionando os estudos de melhor qualidade. Eles se concentraram nas pesquisas que estudaram as regiões cerebrais responsáveis pela atenção e pelas habilidades visuoespaciais, bem como aquelas associadas ao sistema de recompensas e como elas estão relacionadas ao vício de videogames. “Os jogos eletrônicos têm sido elogiados ou demonizados, muitas vezes sem dados reais apoiando essas alegações. Além disso, jogar é uma atividade popular, então todos parecem ter opiniões fortes sobre o tema”, ponderou o professor Marc Palaus, coordenador da análise.

Para checar se existe realmente alguma tendência sobre como os videogames afetam a estrutura e a atividade do cérebro humano, a equipe selecionou 116 estudos científicos, 22 dos quais analisaram as mudanças estruturais no cérebro e 100 dos quais analisaram mudanças na funcionalidade cerebral e/ou no comportamento. A conclusão geral é que jogar videogame pode de fato mudar nosso comportamento, a forma como nosso cérebro funciona e até mesmo sua estrutura.

Por exemplo, jogar videogame afeta nossa atenção, e alguns estudos constataram que os jogadores apresentam melhorias em vários tipos de atenção, como a atenção sustentada ou a atenção seletiva. As regiões cerebrais envolvidas na atenção também se tornam mais eficientes nos jogadores e exigem menos ativação para manter a atenção em tarefas mais exigentes.

Também há evidências de que os videogames podem aumentar o tamanho e a eficiência das regiões cerebrais relacionadas às habilidades visuoespaciais. Por exemplo, o hipocampo direito mostrou-se ampliado entre os gamers e voluntários que seguiram um programa de treinamento em videogames de longo prazo.

Por outro lado, os videojogos também podem ser viciantes. Os pesquisadores encontraram mudanças funcionais e estruturais no sistema neural de recompensas das pessoas viciados em jogos. Essas mudanças neurais são basicamente as mesmas que as observadas em outros transtornos de vícios.

“Nós nos concentramos em como o cérebro reage à exposição aos videogames, mas esses efeitos nem sempre se traduzem em mudanças na vida real”, analisou Palaus. “É provável que os videojogos tenham tanto efeitos positivos (na atenção e habilidades visuais e motoras) quanto aspectos negativos (risco de dependência), e é essencial que assimilemos essa complexidade.”

Os resultados da meta-análise foram publicados na revista Frontiers in Human Neuroscience.

(Diário da Saúde)

Nota: É como o café e o vinho: ambos contêm elementos que fazem bem à saúde, como os flavonoides, por exemplo. Mas os malefícios (sendo o pior deles o vício devido ao álcool e à cafeína) não compensam os eventuais benefícios. Além disso, é possível obter esses benefícios em outras bebidas e outras atividades que não ofereçam riscos para a saúde. As substâncias benéficas do vinho, por exemplo, podem ser encontradas no suco puro da uva. E a capacidade de concentração também pode ser exercitada de outras formas. É tudo uma questão de escolha. [MB]

O testemunho de um jovem cristão viciado em pornografia

vicioBoa tarde, pastor Michelson. Não sei se você vai chegar a ler este meu e-mail, mas gostaria de contar um pouco da minha experiência com música e séries. Para começar, me chamo ……………, tenho 24 anos e sou adventista do sétimo dia desde os três anos de idade. Minha família é toda adventista, exceto minha irmã que se afastou. Desde pequeno sempre gostei muito de ver televisão, pois antigamente o acesso à internet no Brasil era coisa bastante rara. Via filmes e desenhos de todos os tipos. Daí, quando cheguei à fase da adolescência, as coisas pioraram. Como eu havia adquirido o hábito de ver muita TV na infância, na adolescência isso passou a ser uma coisa normal. Mas nem tudo era ruim nessa fase, pois gostava muito de ler; porém, lia livros que são contra os princípios de Deus. E as músicas eram sempre pop rock, rock não tão pesado, etc. As músicas da igreja não faziam sentido para mim, mesmo estando na igreja nos fins de semana.

Por essa época, tive acesso a DVDs e sites pornográficos. No primeiro momento, queria repudiar aquilo que estava vendo, mas como fui “domesticado” com filmes, desenhos e novelas, achava que um site pornográfico não faria tão mal assim à minha vida cristã. Só que, com o passar do tempo, isso foi se intensificando e virou um hábito muito forte, a ponto de eu praticar a masturbação. Daí, “a essa altura do campeonato”, já tinha mais dois vícios: pornografia e masturbação. Ao mesmo tempo continuava vendo filmes (sem conteúdo pornográfico, porém, em sua essência, tinham), ouvia todo tipo de música, e achava que esses dois passatempos não estavam me influenciando em nada.

Com o passar dos anos isso se tornou um vício enorme em todos os sentidos. Quando estava com 19 anos, queria largar todos esses vícios, mas era muito mais forte do que eu, principalmente a pornografia e a masturbação, pois eu via sexo em tudo. Sempre pensava em sexo, seja na igreja ou em qualquer outro ambiente. Tentei me apegar a Cristo, fazia muitas orações, bloqueava os sites pornográficos, mas sempre era vencido por esses meus vícios. Meu computador ficava no meu quarto. Tinha acesso à internet por mais de 12 horas, vendo séries e sites pornográficos todos os dias sem parar. Eu achava que era impossível vencer isso. Parecia que Deus não estava nem aí para minhas orações.

Como eu lia muito, comecei a comprar livros e DVDs do Harry Potter, comecei a fazer coleções de livros de ficção de várias histórias (vampirismo, lobisomem e espiritismo), coleções de CDs de bandas que admirava. Isso era a minha vida. Era mais forte do que eu, mesmo pedindo forças a Deus para abandonar.

Cheguei ao ponto de ter princípio de depressão. Ficava trancado no meu quarto sem comer nem beber. Perdi quase 8 kg devido ao começo de depressão e a esses vícios horríveis. Pensei várias vezes em tirar a vida, pois estava muito sufocado com essas coisas. Parecia que Deus havia me abandonado. Chorava muito. E para aumentar minha tristeza ainda ouvia músicas melancólicas. Parei de ir à igreja nesse período. Sempre ficava irritado com qualquer coisa que meus familiares perguntavam. Tinha semanas que eu só os via três vezes por semana, mesmo estando dentro da mesma casa.

Depois de alguns meses, não sei o que deu em mim, mas tive vontade de sair do quarto, me alimentar corretamente, sair de casa um pouco e ir à casa de uns amigos. Quero acreditar que foi o Espírito de Deus que me deu forças para isso (escrevo esta linha em lágrimas, pois fico impressionando com o poder de Deus na vida do ser humano). No mesmo dia que tomei essa atitude, quando cheguei da casa dos meus amigos – fazia meses que eu não os via –, entrei em meu quarto e rasguei todos os livros diabólicos que tinha, como também destruí todos os DVDs de mesmo conteúdo e os pornográficos. Joguei fora mais de mil reais desses conteúdos. Não estava me reconhecendo ao fazer isso. Depois me pus a chorar, pois sabia que ia ser difícil vencer os vícios, mesmo jogando tudo fora. Isso porque minha mente estava muito contaminada com pornografia, músicas inadequadas, etc. Mas estava disposto a vencer! Depois de alguns meses, entrei no curso preparatório para o vestibular, e depois de três anos tentando o vestibular, passei para o curso que tanto queria: Odontologia.

Quando entrei na faculdade, comecei a andar com pessoas que não eram cristãs, e aos poucos fui voltando a ser o que era antes. Minha mente ainda continuava afetada pelos hábitos que eu tinha, e isso aumentou com o convívio com pessoas que não compartilhavam dos mesmos princípios que os meus. Eu não estava percebendo como isso me conduzia aos poucos a fazer praticamente as mesmas coisas que fazia antes.

Comecei a ouvir músicas dos anos 80, voltei a navegar em sites pornográficos, praticava com mais intensidade a masturbação, voltei a assistir a muitas séries, minhas notas na faculdade estavam caindo, comecei a faltar às aulas e chorava muito no meu quarto, querendo um sentido para a vida. Até que decidi procurar ajuda. Na própria faculdade em que estudo me dirigi ao bloco do curso de psicologia em busca de socorro. Chegando lá fiz a triagem para o atendimento e me derramei em lágrimas para a psicóloga que estava ali. Queria uma solução para a minha vida, não estava mais enxergando Deus, não fazia mais sentido continuar vivendo.

Depois desse dia continuei a terapia. Foram várias sessões que me ajudaram muito. Os primeiros dias foram difíceis, mas continuei o tratamento. Cheguei a fazer cinco provas finais em um só período devido às consequências de faltar às aulas e tirar notas baixas. Mas pedi forças a Deus, para que Ele me ajudasse a recuperar as notas e passasse nas provas finais. E Ele atendeu minha oração. Passei nas provas finais. Ao final daquele período fui convidado para participar da Missão Calebe em outra cidade. Aceitei o convite e fui. Iria passar um mês fora de casa. Iria fazer algo de útil para o meu Deus – como também iria ficar longe das coisas que estavam me fazendo mal.

Nessa Missão Calebe tive acesso a uma série de palestras que um amigo me recomendou assistir, de um palestrante adventista dos Estados Unidos, intituladas “O dilema da distração”. São dez episódios. Assisti tudo em dois dias e vi com riqueza de detalhes o poder da música na mente do ser humano e como isso está ligado à pornografia e à nossa adoração a Deus. Essas palestras me abriram os olhos, e quando cheguei em casa depois de um mês queria fazer diferente. Ser diferente. Não queria voltar a fazer as mesmas coisas.

Logo comecei a excluir as séries que ainda tinha no meu PC, mesmo aquelas “inofensivas”. Excluí as músicas mundanas que ainda tinha no celular, migrei o PC do meu quarto para a sala, decidi fazer jejum por três meses das redes sociais (excluí definitivamente o Facebook, Instagram e WhatsApp); nesses três meses de jejum lia um capítulo por dia do livro O Desejado de todas as Nações (87 capítulos) e meditava na vida de Cristo. Além disso, comecei a estudar alguns assuntos da Bíblia que antes considerava chatos, por exemplo: o santuário, a Trindade, etc. São temas muito importantes que todos, jovens e adultos, precisam conhecer, pois o inimigo de Deus tem desviado pessoas de nosso povo usando e distorcendo esses assuntos.

Passei a orar mais. Meus amigos não entendiam essas minhas atitudes, mas como estava viciado nas redes sociais, precisei dar um tempo. Só tinha acesso ao e-mail por conta da faculdade e das programações da igreja. Foi um período enriquecedor para mim e ainda continua sendo. Minha vida melhorou muito. Estou dando estudos bíblicos para o meu cunhado e para a irmã que estava afastada da igreja. Meu gosto musical não mais é o mesmo, pois comecei a gostar dos Arautos do Rei (principalmente as músicas antigas deles), retirei das minhas preferências toda música muito ritmada, que, infelizmente, tem também em nossa igreja. Logo, basta ser seletivos em tudo o que ouvimos.

Adotei a reforma de saúde para a qual antes não dava muita importância. Era de um tempo assim que eu estava precisando. Depois que acabaram os três meses de jejum não voltei para as minhas redes sociais, pois sabia das minhas limitações. Hoje estou só acessível ou por ligações no celular ou por e-mail. Alguns podem achar que é         extremismo da minha parte, mas, para mim, não, pois conheço minhas limitações. O diabo não precisa de uma porta escancarada, ele só quer uma pequena brecha. E para não abrir essa brecha prefiro não arriscar.

Minhas notas na faculdade voltaram a subir. Nunca precisei trancar a faculdade desde que comecei a cursá-la, e nunca reprovei em uma disciplina, pois até aqui o Senhor tem me ajudado. Faltam dois de cinco anos para eu concluir o curso, e pretendo usar minha profissão a serviço do Mestre com projetos, por exemplo, de um ano em missão, ações sociais, etc. Tenho tempo para sair com meus amigos da igreja, tempo para ir à igreja, tempo para estudar, tempo para orar, etc. E o fato de gostar de ler muito me ajudou bastante a ler muitos livros do espírito de profecia e outros da CPB. Desde que começou o ano de 2017 já li quase 20 livros. E quanto mais aprendo de Jesus, mais vejo o quanto sou imperfeito e preciso de Sua graça.

Ainda está sendo uma luta para mim, pois estou nesse mundo, mas as práticas de antes não mais chegam até mim, pois vigio e oro, e procuro sempre olhar para a cruz de Cristo, e essa luta só irá acabar quando Ele voltar.

Deixo aqui o meu versículo preferido da Bíblia que me ajudou e ainda tem me ajudado, e espero que ajude a muitos jovens e adultos que passam pelo mesmo problema que o meu ou por algo semelhante: “Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo” (Filipenses 1:6).

(Nome preservado a pedido do autor.)

Como detectar e lidar com o risco de suicídio entre adolescentes

suicideA nova série do Netflix “13 Reasons Why” segue uma estudante colegial que acaba com a própria vida, através do suicídio, após uma série de eventos adolescentes traumáticos, mas comuns. O personagem principal, uma jovem de 17 anos, libera uma série de gravações de áudio que detalham as circunstâncias que antecederam sua morte. A série de ficção, baseada em um romance adulto jovem de 2007, foi amplamente criticada e discutida nos meios de comunicação, entre pais e profissionais de saúde mental e pelos jovens. Alguns dizem que o programa glorifica o suicídio. A cantora e atriz Selena Gomez, produtora executiva do show, que tem ela própria lutado contra a depressão, diz que a série era mesmo para provocar uma discussão realista. Ainda assim, “é difícil evitar o sensacionalismo sobre o suicídio”, diz Meg Jennings, da Universidade de Michigan (EUA), que é especialista em suicídios de adolescentes. Ela explicou alguns dos sinais de alerta para que os pais e amigos fiquem atentos.

Sentimentos de desesperança podem surgir em conversas, então considere que o adolescente possa estar falando sobre sua vida. Se perceber que o jovem está se sentindo sobrecarregado só de pensar em viver, é hora de buscar ajuda, diz Jennings. Outro sinal sugestivo é o pensamento polarizado ou distorcido – em outras palavras, a crença de que as coisas são apenas preto ou branco, bom ou ruim, tudo ou nada. O interesse em atividades favoritas pode desaparecer. Esses adolescentes também passam a sofrer de insônia, bem como ansiedade ou pânico.

Outros sinais incluem comportamento imprudente, agressividade, aumento do uso de álcool ou drogas, visitas a entes queridos para se despedir, ou dar fim em objetos pessoais de valor. “Ao avaliar o risco, é importante saber quão impulsiva essa pessoa é. Ela está se comportando irresponsavelmente? Por exemplo, alguém chateado com os pais pode abrir a porta do carro e tentar sair do veículo, enquanto está em movimento”, diz Jennings.

Alguém que é potencialmente suicida vai falar sobre a morte e sobre não ter razões para viver. O indivíduo pode se ver como um fardo enorme, fazendo comentários como: “Quando eu me for, as coisas vão melhorar para todo mundo.” A pessoa pode ter uma dor tão insuportável, que não vê esperança para o futuro. Muitas vezes, aqueles que pensam em suicídio sentem que continuar a viver é uma realidade esmagadora ou insuportável. Mas essa perspectiva também pode mudar.

“Às vezes, se alguém com esse perfil está de bom humor pode ser porque já decidiu se suicidar”, alerta Jennings. “É uma boa ideia ficar atento se você interagiu com alguém que estava se sentindo profundamente inútil apenas alguns dias antes.” É preciso agir imediatamente se a pessoa está falando sobre um plano específico para acabar com a própria vida, acrescenta Jennings.

Não ignore os sinais. Isso não é o comportamento normal de um adolescente, diz Jennings. Coloque a pessoa em contato com um profissional de saúde mental e, sendo da família, agende uma avaliação. Fale para esse adolescente que você se importa com ele e deseja obter suporte. Não dê sermões.

A necessidade de orientação profissional funciona dos dois lados, diz a especialista: “Os pais precisam lembrar que eles provavelmente vão precisar de apoio também. É muito estressante conviver com um adolescente suicida. Procure ajuda para si mesmo, assim que for possível.”

Enquanto isso, crie um espaço seguro para o adolescente conversar sobre essas questões. É normal para os adolescentes sentirem medo ou até mesmo ficarem zangados. É importante apoiar esse adolescente e dizer que você entende o quão sem esperança ele ou ela está se sentindo, finaliza Jennings.

 (Diário da Saúde)

Nota: Um detalhe muito importante e não salientado na matéria acima é a prática da verdadeira religião. Pesquisas têm mostrado que uma religiosidade prática, não apenas declarada, pode ajudar e muito na saúde física e emocional. Viver para servir adiciona sentido à vida. O senso de comunidade também é um fator positivo. E poder conversar com Deus em oração e deixar sobre Ele nossos fardos e nossas culpas acaba sendo uma verdadeira terapia. Dentro de alguns meses será conhecido em todo o Brasil e em alguns outros países um material muito útil para a manutenção da saúde emocional e espiritual. Aguarde! [MB]

Reações à série “13 Reasons Why”

13No dia 31 de março, a Netflix lançou “13 Reasons Why”. A série gira em torno de Clay Jensen, um estudante do ensino médio que encontra na porta de sua casa uma caixa com 13 fitas cassete gravadas por Hannah Baker, uma colega que cometeu suicídio recentemente. Cada um dos lados das fitas relata um motivo – e uma pessoa – que motivou Hannah ao suicídio. Naturalmente, a série despertou as mais variadas reações, que vão de elogios entusiastas a críticas incisivas. Depois de assistir à série completa (o que é bastante raro), selecionei alguns materiais que, a meu ver, apresentam análises esclarecedoras e embasadas sobre o conteúdo dessa produção.

“Psiquiatra faz 13 alertas sobre a série 13 Reasons Why, da Netflix” (goo.gl/9mvdcp).

“13 Reasons Why – Por que NÃO assistir” (goo.gl/xEwP1h).

“6 motivos para não ver 13 Reasons Why” (goo.gl/MY2BPu).

“13 motivos para não ver ‘13 Reasons Why’, a polêmica série sobre suicídio da Netflix” (goo.gl/d03qlQ).

“‘Se uma obra pode influenciar o suicídio, temos de questioná-la’, diz psiquiatra sobre série de TV [sic]” (goo.gl/0iU73S).

“Todos os problemas de 13 Reasons Why” (goo.gl/yvnIYt).

“‘13 Reasons Why’ is Deceptive and Destructive” (goo.gl/kk8GqQ).

(Matheus Cardoso)

Como prevenir o suicídio entre os jovens

suicideRecentemente, a plataforma de vídeos Netflix estreou uma série de produção própria intitulada “13 Reasons Why” (Treze Porquês, em tradução livre), na qual um dos protagonistas, uma adolescente norte-americana, comete suicídio e deixa treze fitas cassetes gravadas, explicando, contando e fazendo referências aos motivos e às pessoas que a levaram a tirar a própria vida. Sem contar o final ou dar spoilers, a série causou grande discussão mundial nas mídias e nas redes sociais: Como falar sobre suicídio de jovens? Em “13 Reasons Why”, o bullying, o machismo, a violência, o assédio sexual e a falta de diálogo com os pais são alguns dos temas trabalhados e todos sabemos que o suicídio é ainda considerado um tabu pela maioria da sociedade; inclusive, há quem diga que os grandes veículos de comunicação não publicam mais casos de suicídio para evitar uma exposição maior do tema, como se ao abordá-lo aumentassem as chances de alguém tirar a própria vida, e é disso que algumas pessoas reclamam da abordagem da série, como se ela pudesse atuar como um gatilho.

Nesse sentido, assistindo à série (em menos de uma semana), lendo críticas de psicólogos, cineastas e críticos de TV, positivas e negativas, e pesquisando sobre bullying e suicídio juvenil, já que sou professora e, assim, atuo em sala de aula, pensei ser pertinente abordar neste espaço a questão do suicídio entre os jovens no Brasil e como preveni-lo, não só pensando em um tema possível para a prova de redação do Enem 2017, mas, mais do que isso, falando sobre o assunto e tentando desconstruir o tabu ao seu redor.

Em todo o mundo, o suicídio mata mais jovens do que o vírus HIV e, em nosso país, os índices de casos entre jovens estão crescendo de maneira constante ao longo dos anos. De 2002 a 2012, houve um aumento de 15,3% de jovens brasileiros que tiraram a própria vida; em todas as faixas etárias, homens se matam mais do que mulheres.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a depressão e o bullying são dois dos principais motivos que levam um jovem a cometer suicídio, justamente o contexto que “13 Reasons Why” mostra ao público. Experiências de vida consideradas humilhantes, falta de perspectivas para o futuro, insegurança com o próprio corpo e com a sexualidade podem levar um adolescente à depressão e a começar a ter pensamentos suicidas.

Um outro fato também apontado pela OMS é o modo de ver as coisas e de levar a vida do adolescente: nessa fase, tudo é muito intenso e a impulsividade parece tomar conta do dia a dia dos jovens de todo o mundo. O que pode ser tido como apenas uma fase difícil pode ser uma depressão muito séria que deve ser tratada com acompanhamento psiquiátrico e psicológico juntamente com o apoio da família, dos amigos e da escola.

bullying e o cyberbullying (bullying virtual) estão, infelizmente, cada vez mais frequentes nas escolas brasileiras e nas redes sociais, levando jovens a praticarem atos contínuos de violência verbal e física que atingem outros jovens, os alvos, por serem diferentes em algum aspecto, eventos que podem ser assistidos por todos os demais estudantes que, em contrapartida, nada fazem. Jogos como Baleia Azul estão tomando conta da internet, levando jovens a se matarem a fim de finalizar o jogo.

Nesse sentido, podemos notar que todos nós devemos ser responsáveis em poder e em dever ajudar e orientar alguém que está pensando em suicídio e, especialmente no caso dos adolescentes, as escolas devem estar muito atentas ao bullying, ao cyberbullying e ao que se passa com seus alunos, mantendo uma relação de parceria com a família dos estudantes que, por sua vez, também devem estar sempre em contato com a escola de seus filhos.

Os adolescentes devem ser orientados no sentido de entenderem que podem enfrentar e vencer os problemas da vida e todos devem ser alertados dos sinais para ajudar os amigos. A OMS lançou, em 2016, um guia de prevenção ao suicídio online que pode ser acessado e lido por todos. Já o Centro de Valorização da Vida (CVV) criou a campanha Setembro Amarelo: um mês especial de conscientização sobre a prevenção ao suicídio.

(Camila Dalla Pozza Pereira, Informe Enem)

Leia mais sobre suicídio aqui.

O que fazer com a Baleia Azul?

Leia também: Cinco dicas para prevenção

Bronze e saúde: combinação impossível

camara3Pele bronzeada é sinônimo de pele queimada pelo sol, ou seja, danificada pela exposição solar e suscetível a envelhecimento precoce, manchas e, até mesmo, câncer. O sol estimula a produção de enzimas destruidoras do colágeno, o que acelera o processo de envelhecimento. Além disso, os raios levam também à mutação do DNA, o que pode causar câncer de pele. Sendo assim, bronzear-se é totalmente contraindicado, mesmo que seja usando protetor solar. Não é possível “pegar uma cor” usando filtro solar adequadamente. Se a pele ficar morena, isso significa que houve queimadura, ou seja, a proteção não foi efetiva e a pessoa está suscetível a todos os riscos que a exposição solar sem proteção traz – tanto para o momento quanto para o futuro. Por mais que nossa cultura valorize o bronzeado, é preciso priorizar a saúde. Não é possível proteger a pele dos danos causados pelos raios solares e, ao mesmo tempo, ficar com a pele morena. Levando em consideração os riscos que o sol representa, minha recomendação é que cada um a mantenha em seu próprio tom de pele. Além do envelhecimento precoce e do risco do câncer de pele, a exposição ao sol sem proteção pode provocar manchas em todo o corpo.

Há alguns anos, a Anvisa proibiu o uso de camas de bronzeamento artificial devido aos riscos de câncer de pele. Elas podem ser ainda mais prejudiciais à pele do que a própria exposição ao sol sem proteção. Elas aumentam – e muito – os riscos do desenvolvimento de câncer de pele. […]

Acima de tudo, o mais importante é cuidar da saúde da pele. Desejar ter uma cor sem pensar nos riscos para o futuro é imprudente. A Organização Mundial de Saúde estima que em 2030 existirão 27 milhões de novos casos de câncer. Não faça parte dessa estatística.

(Annia Cordeiro é médica dermatologista e diretora da Clínica da Pele Annia Cordeiro, de Curitiba, PR).

Nota: É lamentável que, por causa da vaidade e da busca pela beleza a qualquer custo, muitas pessoas (principalmente mulheres) sacrifiquem a saúde. Já falei sobre o problema do uso de roupas apertadas (confira), do uso de salto alto (confira) e mesmo das câmaras de bronzeamento (confira). É natural que a pessoa queira parecer bela e se sentir bem consigo mesma, mas isso não deve jamais ser feito à custa da saúde. O corpo humano é, segundo a Bíblia, templo do Espírito Santo, não um mostruário para todos os olhares. Tudo o que sacrifica a saúde e o bem-estar vai de encontro à orientação divina quanto ao cuidado que devemos ter com o corpo. Em relação à cor da pele, todas têm a sua beleza, e isso mostra que Deus Se agrada da diversidade. Goste de si mesmo exatamente como você é. [MB]