Como está sua reputação online?

reputacaoA pergunta que dá título a este artigo requer uma resposta individual e é absolutamente relevante, estratégica e atual. E está ligada, inclusive, a valores espirituais. Reputação é uma palavra falada e estudada por muita gente. Teóricos como Fombrun dizem que a reputação de uma organização tem sempre a ver com o resultado dos julgamentos e juízos pessoais. William Benoit explica que a percepção de imagem é um bem considerado mais importante que a própria realidade. Indica que a responsabilidade atribuída a uma organização, por determinado fato, é o que vai contar na mente do público de interesse. Mario Rosa, especialista brasileiro em reputação, comenta que a reputação é um patrimônio a ser trabalhado de forma permanente e não uma conquista final, uma medalha, guardada em um local seguro longe de qualquer tipo de risco ou ameaça.

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Atriz de série revela que câncer anal foi causado por DST

marcia crossMarcia Cross lutou e derrotou um câncer anal menos de um ano atrás, e agora revelou que sua doença veio provavelmente da mesma doença sexualmente transmissível (DST) que causou um câncer na garganta do marido anos antes. A atriz de 57 anos está agora em fase de remissão e decidiu se abrir sobre os perigos da DST. A ex-estrela de “Desperate Housewives” apareceu no programa “This Morning”, do canal americano CBS, para promover a prevenção precoce contra HPV e incentivar as pessoas a obter a vacina. “Eu sei que há pessoas que ficam envergonhadas. Mas você tem câncer! Você também tem que se sentir envergonhado? Como se tivesse feito algo ruim porque [o vírus] se instalou no seu ânus? Quero dizer, vamos lá, realmente”, disse, segundo o portal Radar Online. “Mesmo para mim, demorou um pouco. Ânus, ânus, ânus! Há! Você só precisa se acostumar com isso.”

De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA, o HPV causa mais de 90% dos cânceres anais e pode ser transmitido de uma pessoa para outra através do sexo ou apenas pelo contato pele a pele [o HPV também causa câncer de colo de útero e nos genitais]. Em 2009, o marido de Marcia, Tom Mahoney, foi diagnosticado com câncer de garganta e foi submetido a tratamento. Mal sabia o casal que os cânceres estariam relacionados.

Em setembro de 2018, depois de uma exaustiva batalha, incluindo seis semanas de radiação e duas semanas de quimioterapia, Marcia Cross finalmente revelou que estava livre do câncer. “Eu estou pós-câncer. Tá tudo bem agora. Jornada difícil, mas estou saudável, feliz e mais presente e grata do que nunca”, ela compartilhou no Instagram. “Obrigada do fundo do meu coração por todo o seu amor”, completou.

Agora Marcia Cross recomenda a imunização precoce. Ela disse que suas filhas estão dispostas a tomar sua primeira dose da vacina no final do ano letivo. “Estou me sentindo normal, apesar de ser um novo normal”, disse ela. “Não vou dar como certo. Eu sou a garota que vai ao banheiro agora e digo ‘Sim!’ É ótimo o que meu corpo pode fazer! Eu estou tão grata.”

(Monet)

Nota: Que bom que a atriz se recuperou com o tratamento. Queira Deus que seja definitivo. O que tem preocupado as autoridades é que, a despeito da vacina, os casos de câncer causados pelo vírus HPV vêm aumentando (especialmente no Brasil, onde menos de 50% das meninas são imunizadas). Sem querer entrar no mérito (ou demérito) do assunto envolvendo o casal norte-americano, uma coisa parece certa: um infectou o outro. A maior parte das infecções por HPV se dá pelo contato sexual, e como as pessoas têm iniciado a vida sexual cada vez mais cedo e com múltiplos parceiros, as chances de chegarem ao casamento contaminadas são muito altas (ainda mais se levarmos em conta que cerca de 25% dos adolescentes hoje têm algum tipo de DST). A incidência de câncer de garganta também tem aumentado, por conta do sexo oral (confira aqui, aqui, aqui e aqui). Assim, práticas e carícias sexuais que não ofereceriam perigo para casados que se mantiveram virgens antes do matrimônio acabam sendo arriscadas devido à “liberdade sexual” promovida nas últimas décadas. Sem querer ser moralista, apenas analisando uma questão de causa e efeito, as orientações de Deus dadas nas páginas da Bíblia Sagrada sempre visam ao nosso bem-estar físico, mental e espiritual. Pesquisas mostram que os abstinentes sexuais têm vida sexual muito mais satisfatória no casamento, sem contar o fato de que não precisam ter medo do passado físico (comportamental) e emocional do parceiro. Num casamento segundo os planos de Deus (baseado na fidelidade anterior e posterior ao enlace matrimonial) não haverá riscos de comparações nem contaminações. Como sempre, a escolha é do ser humano, mas as consequências também são. [MB]

Leia também: “Sexo: a verdade nua e crua”

O Efeito Dunning-Kruger e a autoconfiança perigosa

Autoconfiança2Vivemos em uma época em que aparentemente as pessoas têm muita “certeza”. E é cada vez mais comum encontrar em redes sociais e em contato pessoal pessoas que conseguem dar opiniões cada vez mais incisivas sobre os mais diversos e complexos assuntos. As fontes virtuais, os mecanismos de busca fazem com que alguém sem formação necessária dê opiniões em situações tão diversas como política, tendência filosófica, indo a extremos como um tratamento médico ou até uma técnica de cirurgia.

O escritor americano Nicholas G. Carr descreveu em seu livro Geração Superficial: O que a internet está fazendo com os nossos cérebros os efeitos cognitivos da exposição contínua ao mundo digital. Entre várias descrições e deduções, destaca-se uma geração que tem certeza de tudo, ao acessar as informações disponíveis na net, sem uma postura reflexiva sobre o que acessam, e ao mesmo tempo com dificuldades para se aprofundar em um assunto ou até mesmo ler um livro. É paradoxal, mas encontramos cada vez mais a situação de pessoas expressarem suas “verdades” sem nenhum embasamento científico, mas “apoiadas” por outras pessoas com a mesma vertente ou jeito de pensar sobre assuntos aparentemente tão diversos quanto o uso de inhame para “curar” dengue, zika e chikungunya; os antivacinação, com as mais diversas teorias sobre vacinas e câncer, ou vacinas e autismo; e mesmo os terraplanistas, pensamento quase inacreditável na entrada do século 21.

O mais interessante ao interagir com tais pessoas é a absoluta certeza de que estejam com a razão. E para elas, muitas vezes, não adianta pedir referências ou provas das ideias apresentadas, para não dizer das credenciais ou experiência da pessoa no assunto. Ideias superficiais alimentadas emocionalmente por pessoas sem embasamento profundo geram certezas artificiais, muitas vezes associadas até a extremos de agressividade, ao serem colocadas diante de ideias opostas.

O suco mágico da invisibilidade

Piadas e perplexidade foi a reação dos detetives de Pittsburg, pelo feito de McArthur Wheeler. Ele, com 45 anos, 1,67 m e 122 kg, roubou dois bancos na manhã de 6 de janeiro de 1996. O ladrão novato, que assaltou essas duas instituições sem o uso de disfarces nem máscaras, foi facilmente identificado no circuito de vídeo do banco. Ao ser preso, de maneira atônita, repetiu aos policiais: “Mas eu usei o suco de limão! Eu usei o suco de limão!”

Aos policiais, que não estavam entendendo nada, Wheeler relatou que um conhecido tinha lhe dado a “dica” de esfregar suco de limão no rosto, pois isso o tornaria invisível para as câmeras de segurança. Depois descobriram que o desastrado ladrão havia feito um “pré-teste” do efeito do limão na face e não havia aparecido nada. Pelo jeito ele era tão versado em técnicas de fotografia quanto de roubo…

O tal experimento, que parecia ser verdade absoluta na mente de McArthur, foi finalmente posto em terra quando mostraram os vídeos do sistema interno dos bancos, os quais mostravam perfeitamente o desajeitado ladrão anunciando o assalto, enquanto fazia caretas pela sensação de ardência que sentia ao ter suco de limão nos olhos.

Ao ver esse relato, dois psicólogos, David Alan Dunning e seu orientando de doutorado, Justin Kruger, elaboraram em 1999 o Efeito Dunning-Kruger. Esse é o fenômeno pelo qual indivíduos que possuem pouco conhecimento sobre um assunto acreditam saber mais que outros mais bem preparados. Isso faz com que essas pessoas tomem decisões erradas e cheguem a resultados indevidos, mas sua própria incompetência, falta de experiência ou aprofundamento em um assunto acaba restringindo esses indivíduos da habilidade de reconhecer os próprios erros. Essas pessoas sofrem de superioridade ilusória. Em outras palavras, quanto mais incompetente você é em alguma área, menos você percebe sua incompetência – e mais confiante você se sente no seu (pouquíssimo) conhecimento.

Em contrapartida, a competência real pode enfraquecer a autoconfiança. Pessoas experientes acabam achando que não são tão capacitadas assim e subestimam as próprias habilidades. Isso não é uma doença, mas um fato a que as pessoas em menor ou maior grau podem estar sujeitas. Eu mesmo, ao me formar na faculdade de Medicina, no dia seguinte ao receber meu diploma, pensava: “Olha, realmente eu sei bastante!” Hoje, passados 20 anos de formado, posso dizer que sabia muito pouco naquela época, e que, por sinal, cada dia necessito aprender mais.

Confiança em que ou em Quem?

Muito antes de Dunning e Kruger, a Bíblia já relatava os perigos da autoconfiança exacerbada: “O que confia no seu próprio coração é insensato; mas o que anda sabiamente será livre” (Provérbios 28:26). Nossa confiança, mais que experiências pessoais ou certezas tiradas de nossa ideia própria de certo ou errado (ou das centenas de fontes duvidosas existentes na internet), deve estar embasada na eterna Palavra de Deus. “Confia no Senhor de todo o teu coração e não te apoies no teu próprio entendimento” (Provérbios 3:5).

 Em um mundo que parece ter tantas certezas, devemos buscar e permitir que somente convicções ajustadas pela comunhão espiritual verdadeira façam parte de nossas atitudes diárias.

A humildade é uma virtude cristã e nos permite contemplar os desafios da vida na certeza de que temos um guia maior. E teremos tanto mais tranquilidade quanto mais buscarmos essa verdadeira fonte da sabedoria. “Por fim, esforço-me para que eles sejam fortalecidos em seu coração, estejam unidos em amor e alcancem toda a riqueza do pleno entendimento, a fim de conhecerem plenamente o mistério de Deus, a saber, Cristo. NEle estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento” (Colossenses 2:2, 3).

Everton Padilha Gomes é médico cardiologista e doutor em Cardiologia pela USP

Referências

Carr, N. G. A Geração Superficial: o Que a Internet Está Fazendo Com Os Nossos Cérebros, WW Norton, 2010

Pittsburgh Post-Gazette, 21 mar. 1996, p. D-3

Kruger, J; Dunning D. Unskilled and Unaware of It: How Difficulties in Recognizing One’s Own Incompetence Lead to Inflated Self-Assessments. Journal of Personality and Social Psychology 77(6):1121-34

Série fez aumentar número de suicídios entre jovens nos EUA

13-reasons-whyUm novo estudo concluiu que a série “13 Reasons Why” está associada ao aumento de 28,9% nos índices de suicídio entre crianças e adolescentes nos Estados Unidos em abril de 2017, o mês seguinte à estreia do programa do Netflix. A pesquisa foi realizada em conjunto por diversas universidades e hospitais dos Estados Unidos e o Instituto Nacional de Saúde Mental (INSM) e levou em conta as tendências de variação nas taxas de suicídio no país. A INSM é uma das instituições que compõem a agência Institutos Nacionais de Saúde, ligada ao Departamento de Saúde e Serviços Humanos do governo americano e a principal responsável na administração federal por pesquisas nas áreas de saúde e biomedicina. O estudo, publicado no periódico científico Journal of the American Academy of Child and Adolescent Psychiatry, mostrou que o número de mortes por suicídio em abril de 2017 superou o registrado em qualquer outro mês durante o período de cinco anos analisado pelos pesquisadores.

Ao individualizar os índices de acordo com o sexo da vítima, foi notado um aumento significativo entre homens jovens no mês seguinte à estreia. Houve um crescimento entre o sexo feminino, mas ele foi considerado estatisticamente insignificante. “Os resultados devem servir de alerta de que os jovens são especialmente sensíveis ao que é exibido pela mídia”, disse Lisa Horowitz, cientista do INMS e autora do estudo. “Todos os profissionais, inclusive da mídia, devem se preocupar em ser construtivos e cuidadosos ao lidar com temas relacionados a crises de saúde pública.” […]

A primeira temporada de “13 Reasons Why” foi ao ar em 31 de março de 2017. Ela conta a história de uma adolescente que se mata e deixa 13 gravações que explicam os motivos pelos quais ela decidiu fazer isso. A segunda temporada foi lançada em maio de 2018, e uma terceira está em produção. […]

O suicídio é a terceira maior causa de morte entre jovens americanos com idades entre 10 e 24 anos. São registrados cerca de 4,6 mil casos por ano, de acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), principalmente entre vítima do sexo masculino. […]

A nova pesquisa reforça a percepção de organizações de saúde de que o comportamento de jovens pode ser afetado pela forma como o suicídio é retratado pela mídia, o que levou entidades como a ONG Aliança Nacional de Ação pela Prevenção de Suicídio e a Organização Mundial de Saúde a elaborarem recomendações de como filmes, séries e outros tipos de entretenimento devem lidar com o tema. […]

(G1 Notícias)

Nota: Trata-se de mais uma pesquisa que vai de encontro à opinião daqueles que adoram usar o famoso “nada a ver” quando alguém diz que os conteúdos midiáticos afetam, sim, o comportamento de quem os consome. Se uma série de TV consegue aumentar o número de suicídios entre jovens, do que será capaz a exibição constante de sexo casual, materialismo/consumismo, violência gratuita e vida sem Deus? (Tivemos uma amostra disso no passado.) As séries de TV e os filmes de Hollywood há anos têm ajudado a moldar o pensamento e o comportamento das pessoas. E não foi para melhor… [MB]

Comprovada relação entre disfunção erétil e consumo de pornografia

siteA quantidade de homens abaixo dos 40 anos com problemas sexuais como disfunção erétil cresceu de 2 a 3% para 35%, e a relação disso com o consumo de pornografia facilitado pela internet vem sendo provada com pesquisas. Muitos médicos prescrevem Viagra para esses casos, o que não está dando certo, pois o problema tem origem no comportamento sexual compulsivo estimulado pela pornografia. Devido a esse hábito viciante, muitos homens jovens têm tido problemas também para estabelecer relações românticas, uma vez que a “educação sexual” deles foi distorcida pela pornografia.

Segundo pesquisa realizada pela Universidade de Middlesex, na Inglaterra, 94% dos jovens de 14 anos (entre meninos e meninas) já viram pornografia on-line. Cerca de

60% deles acessaram o conteúdo pela primeira vez em casa. Outro estudo, publicado no periódico Porn Studies no ano passado, revelou que 52% dos entrevistados (homens) começaram a consumir pornografia com 13 anos.

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O dia em que juntaram o Tinder com a IASD

tinderNestes tempos bicudos de pós-modernidade, “AAA” já não mais significa Associação dos Alcoólicos Anônimos. Simplesmente junta a trinca Ávido + Acumulador + Agressivo (primado Yuppie – “YUP” quer dizer “Young Urban Professional”) com as bases existenciais da eterna adolescência mental: Autocomplacência + Autocondescendência + Autoindulgência. O Estado da Arte dessa danação se manifestou através do aplicativo Tinder: um algoritmo de checklist sobre desejos e idiossincrasias que ajuda a reunir pessoas superficialmente compatíveis a fim de conduzi-las para uma experiência de cruzo (“transar” já se tornou um termo hipossuficiente).

Quem leu o terceiro capítulo da segunda carta de Paulo a Timóteo não se surpreenderia se surgisse (se é que já não existe) um equivalente para o Tinder em questões de escolhas denominacionais (Pimper?). Ali o AAA poderia se cadastrar e preencher uma longa lista de preferências pessoais, depois escolher entre acionar a busca pelo “match” enquanto passeia pelas ruas ou acionar uma opção de interação com o Uber, que lhe oferecesse os templos mais próximos e convenientes.

O problema mais grave é quando essa mania de customizar opções invade aos poucos a nossa querida IASD e começa a criar tendências, embriões do sectarismo e da celeuma. E então toda unidade almejada por Jesus e batalhada diuturnamente pelo Santo Espírito vira somente uma recordação dos tempos de nossos pioneiros.

Adoração não é liturgia. É um estilo de vida fundado na revelação divina que terá consequências tanto no cumprimento da missão quanto no próprio processo individual de salvação. Fazer ou deixar de fazer isso ou aquilo nada tem a ver com meu coraçãozinho de Nadabe e Abiú (“Ãin… é que eu tenho personalidade forte!”). Nem com presunções supostamente perfeccionistas. É uma questão de bom senso e vergonha na cara. Pra quem duvida, basta combinar Juízes 21:25 (“Naqueles dias cada um fazia o que parecia bem aos seus olhos”) com Provérbios 16:25 (“Há caminho que parece direito ao homem, mas o seu fim são os caminhos da morte”).

Traduzindo: pra meio entendedor, boa palavra basta – quem quer procura um jeito, até mesmo a “comunhão com Deus”; quem não quer inventa desculpa. Não troquemos a Ellen pela Jênifer.

Marco Dourado

“Pois virá o tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, sentindo coceira nos ouvidos, segundo os seus próprios desejos juntarão mestres para si mesmos. Eles se recusarão a dar ouvidos à verdade, voltando-se para os mitos.” 2 Timóteo 4:3, 4

Cuidado! Somos todos viciados em distração

smartphoneCerta noite, no começo do último verão, eu abri um livro e me flagrei relendo o mesmo parágrafo de novo e de novo, uma meia dúzia de vezes, até me dar conta de que não adiantava continuar. Eu estava simplesmente incapaz de me concentrar o suficiente. Fiquei horrorizado. Ao longo de toda a minha vida, ler sempre foi uma fonte profunda e consistente de prazer, aprendizado e consolação. Agora os livros que eu comprava com regularidade tinham começado a se empilhar na minha mesinha de cabeceira e me encaravam com um olhar silencioso de reprovação. Eu vinha passando tempo demais online, em vez de ler, verificando o número de visualizações do site da minha empresa, comprando mais meias coloridas na Gilt e na Rue La La, por mais que eu já tivesse mais meias do que precisava. […]

No trabalho, eu olhava o e-mail com mais frequência do que eu admitia e passei tempo demais procurando ansiosamente por informações novas sobre a campanha presidencial, por mais que fosse demorar ainda mais um ano até virem as eleições. “A internet é feita para ser um sistema de interrupção, uma máquina configurada para dividir as nossas atenções”, explica Nicholas Carr em seu livro A Geração Superficial: O que a internet está fazendo com os nossos cérebros. “Aceitamos de bom grado a perda de concentração e foco, a divisão de nossa atenção e a fragmentação de nossos pensamentos, em troca de recebermos uma fortuna de informações interessantes ou, pelo menos, capazes de nos distrair.”

Um vício é a atração implacável a uma substância ou atividade, que se torna tão compulsiva que acaba interferindo com a vida cotidiana. Indo por essa definição, quase todo mundo que conheço tem algum grau de vício na internet. Pode-se dizer até que ela já substituiu o trabalho como o vício mais socialmente aceito hoje.

Segundo uma pesquisa recente, o empregado médio num escritório gasta cerca de seis horas por dia só com e-mail. Essa estatística não inclui o tempo online gasto com compras, buscas ou acompanhando redes sociais.

A fome do cérebro por novidades, estimulação constante e gratificação instantânea cria algo chamado de “ciclo da compulsão”. Como ratos de laboratório ou viciados em drogas, precisamos de doses cada vez mais fortes para obter o mesmo efeito. O problema é que nós humanos temos um reservatório bastante limitado de força de vontade e disciplina. Nossa chance de sucesso é muito maior se tentarmos mudar um comportamento só por vez, idealmente no mesmo horário todos os dias, de modo que ele se torne rotina, exigindo cada vez menos energia para manter.

O acesso infinito a novas informações também sobrecarrega com facilidade nossa memória de trabalho. Quando atingimos a sobrecarga cognitiva, nossa capacidade de transferir o aprendizado para a memória de longo prazo se deteriora significativamente. É como se o cérebro tivesse se tornado um copo cheio d’água e qualquer gota a mais o fizesse transbordar.

Faz muito tempo que estou ciente disso. Comecei a escrever sobre o assunto há mais de 20 anos já. Todos os dias explico isso para os meus clientes, só que eu mesmo nunca acreditei de verdade que uma coisa dessas pudesse valer para mim. A negação é a primeira defesa do viciado. Nenhum obstáculo para a recuperação é maior do que a capacidade infinita de racionalizarmos nossos comportamentos compulsivos. Após anos sentindo que eu estava me virando razoavelmente bem, no último inverno acabei caindo num período intenso de viagens enquanto tentava, ao mesmo tempo, gerenciar uma empresa de consultoria em crescimento. No começo do verão, de repente me dei conta de que eu não estava me virando tão bem assim, e tampouco me sentia bem com isso.

Além de passar muito tempo na internet e sentir minha atenção se dispersar, eu também não estava me alimentando direito. Eu bebia refrigerante diet em excesso e com muita frequência tomava um drinque a mais por noite. Também tinha parado de me exercitar diariamente, como tinha sido o meu costume a vida inteira.

Em resposta, criei um plano cuja ambição beirava o irracional. Durante os 30 dias que se seguiram, tentei corrigir esses comportamentos e muitos outros, tudo de uma vez. Era um surto de grandiosidade, o exato oposto do que recomendo para os meus clientes todos os dias. Mas eu tinha racionalizado que ninguém tem um maior comprometimento com o autoaperfeiçoamento do que eu. Esses comportamentos estão todos interligados. “Eu consigo”, eu pensava.

Pude obter algum sucesso naqueles 30 dias. Apesar das tentações, consegui parar totalmente de beber refrigerante diet e álcool (três meses depois, eu continuo sem beber refrigerante). Também abri mão de açúcar e carboidratos como macarrão e batata. Voltei a me exercitar com regularidade. Foi com um único comportamento que fracassei por completo: reduzir meu tempo na internet. Meu compromisso inicial era o de impor limites à minha vida online. Decidi que só iria olhar o e-mail três vezes por dia: quando acordasse, na hora do almoço e antes de ir para casa no fim do dia. No primeiro dia, aguentei firme até a metade da manhã, então entrei em crise. Eu era como um viciado em doces trabalhando numa confeitaria, tentando resistir à vontade de comer um cupcake.

O que derrotou a minha força de vontade naquela primeira manhã foi a sensação de que eu tinha a completa necessidade de mandar algum e-mail para alguém sobre um assunto urgente. Eu dizia a mim mesmo que, se eu só redigisse o e-mail e apertasse “enviar” rapidinho, isso não contaria como entrar na internet. O que não levei em consideração foi o fato de que novos e-mails chegavam na minha caixa de entrada enquanto eu escrevia. Nenhum deles precisava de resposta urgente, mas, mesmo assim, para mim era impossível resistir à tentação de dar uma espiadinha na primeira mensagem que tivesse algo interessante no assunto. Depois a segunda. E a terceira.

Em questão de momentos, eu estava de volta ao mesmo ciclo vicioso. No dia seguinte, desisti de tentar reduzir meu tempo online. Em vez disso, me concentrei na tarefa mais simples de resistir ao refrigerante diet, ao álcool e ao açúcar. Mesmo assim, eu estava determinado a tentar de novo o meu desafio com a internet. Várias semanas depois do fim do meu experimento de 30 dias, saí de casa para passar um mês de férias. Era uma oportunidade para concentrar a minha limitada força de vontade num único objetivo: me libertar da internet, numa tentativa de recuperar o controle sobre a minha atenção.

Eu já tinha dado o primeiro passo para a minha recuperação: admitir minha incapacidade de me desconectar. Agora era a hora da desintoxicação. O segundo passo tradicional – a crença de que só um poder superior poderia me ajudar a recuperar a sanidade – eu interpretei de um modo mais secular. O poder superior se tornou a minha filha, de 30 anos, que desconectou o meu celular e notebook do e-mail e da internet. Livre do fardo do conhecimento técnico, eu não fazia ideia de como proceder para reconectar qualquer um dos dois.

De fato, eu me sinto mais controlado agora. Minha atenção está mais dirigida e menos automática. Quando fico online, tento resistir à vontade de navegar até dizer chega. Sempre que possível, tento perguntar a mim mesmo: “É isso mesmo que eu queria estar fazendo?” Se a resposta for negativa, a minha segunda pergunta é: “O que eu poderia estar fazendo que eu acho que seria mais produtivo, mais satisfatório ou mais relaxante?”

Acabei deixando uma só brecha para contato, que foi a mensagem de texto. Em retrospecto, era como se eu estivesse agarrado a um bote salva-vidas digital. Pouquíssimas pessoas na minha vida se comunicam comigo por mensagem de texto. Como estava de férias, na maior parte essas pessoas eram familiares, e as mensagens só continham informações sobre onde nos encontraríamos em vários pontos ao longo do dia.

Nos primeiros dias, eu de fato sofri com a crise de abstinência, o pior sendo a vontade de abrir o Google para sanar alguma dúvida qualquer que surgisse. Mas, a cada dia que se passava offline, eu me sentia mais relaxado, menos ansioso, mais concentrado e com menos fome de estímulos breves e instantâneas. O que aconteceu com o meu cérebro é exatamente o que eu esperava que fosse acontecer: ele começou a sossegar.

Eu havia trazido comigo, nessas férias, mais de uma dúzia de livros, de tamanhos e níveis de dificuldade variados. Comecei com não-ficção breve, depois passei para a não-ficção longa, conforme fui me sentindo mais calmo e mais concentrado. […] Na medida em que as semanas foram passando, consegui abrir mão da minha necessidade de fatos como fonte de gratificação. Em vez disso, passei então para os romances. […]

Estou de volta ao trabalho agora, e, por isso, é claro, de volta à internet. Não é como se fosse possível abrir mão da internet, e ela ainda vai consumir muito da minha atenção. Meu objetivo no momento é encontrar o melhor equilíbrio possível entre o meu tempo online e offline.

Também faço questão agora de incluir atividades mais envolventes no meu dia a dia. Sobretudo, eu continuei minhas leituras, não só porque amo ler, mas também como parte da minha prática para melhorar a atenção. Outra coisa foi que eu mantive ainda meu ritual antigo de decidir na noite anterior qual será a coisa mais importante que devo fazer no dia seguinte. Seja o que for, ela acaba sendo a minha primeira atividade de trabalho, à qual dedico de 60 a 90 minutos ininterruptos de concentração. Depois, faço um intervalo de 10 a 15 minutos para a mente sossegar e recobrar as energias.

Se tiver mais trabalho ao longo do dia que exija concentração ininterrupta, eu saio completamente da internet durante períodos determinados, repetindo o meu ritual matutino. De noite, quando vou para o quarto, quase sempre deixo meus aparelhos digitais no andar de baixo.

Por fim, agora eu me sinto comprometido a tirar pelo menos um período de férias digitais por ano. Tenho o privilégio raro de poder tirar várias semanas de folga por vez, mas aprendi que até uma única semana offline já é capaz de ter profundos efeitos restauradores.

Por vezes, eu me flagro revendo mentalmente uma imagem assombrosa do meu último dia de férias. Eu estava sentado num restaurante com a família quando um homem com uns 40 e poucos anos chegou e sentou com a filha, que devia ter uns 4 ou 5 anos e era uma graça. Assim que o homem chegou, ele concentrou sua atenção quase de imediato no celular. Enquanto isso, sua filha era um redemoinho de energia e inquietude, subindo no assento, andando em cima da mesa, acenando e fazendo careta para chamar a atenção do pai. Exceto por brevíssimos momentos, porém, ela não conseguiu chamar sua atenção e acabou desistindo depois de um tempo, com tristeza. O silêncio era ensurdecedor.

(Gazeta do Povo)

Nota: Talvez, nestes tempos de imersão digital que rouba nossa atenção e nosso tempo para o que realmente vale a pena, um dos textos bíblicos mais oportunos seja este: “Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus” (Salmo 46:10). Que tal praticar o hábito de se desconectar de quando em quando para se relacionar, ler bons livros, meditar e estudar a Bíblia? Se não criarmos esses hábitos, pior do que o que aconteceu com o autor do texto acima, não perderemos apenas a capacidade de concentração, perderemos nossa espiritualidade e nossa comunhão com Deus. Pense nisso. [MB]