Como detectar e lidar com o risco de suicídio entre adolescentes

suicideA nova série do Netflix “13 Reasons Why” segue uma estudante colegial que acaba com a própria vida, através do suicídio, após uma série de eventos adolescentes traumáticos, mas comuns. O personagem principal, uma jovem de 17 anos, libera uma série de gravações de áudio que detalham as circunstâncias que antecederam sua morte. A série de ficção, baseada em um romance adulto jovem de 2007, foi amplamente criticada e discutida nos meios de comunicação, entre pais e profissionais de saúde mental e pelos jovens. Alguns dizem que o programa glorifica o suicídio. A cantora e atriz Selena Gomez, produtora executiva do show, que tem ela própria lutado contra a depressão, diz que a série era mesmo para provocar uma discussão realista. Ainda assim, “é difícil evitar o sensacionalismo sobre o suicídio”, diz Meg Jennings, da Universidade de Michigan (EUA), que é especialista em suicídios de adolescentes. Ela explicou alguns dos sinais de alerta para que os pais e amigos fiquem atentos.

Sentimentos de desesperança podem surgir em conversas, então considere que o adolescente possa estar falando sobre sua vida. Se perceber que o jovem está se sentindo sobrecarregado só de pensar em viver, é hora de buscar ajuda, diz Jennings. Outro sinal sugestivo é o pensamento polarizado ou distorcido – em outras palavras, a crença de que as coisas são apenas preto ou branco, bom ou ruim, tudo ou nada. O interesse em atividades favoritas pode desaparecer. Esses adolescentes também passam a sofrer de insônia, bem como ansiedade ou pânico.

Outros sinais incluem comportamento imprudente, agressividade, aumento do uso de álcool ou drogas, visitas a entes queridos para se despedir, ou dar fim em objetos pessoais de valor. “Ao avaliar o risco, é importante saber quão impulsiva essa pessoa é. Ela está se comportando irresponsavelmente? Por exemplo, alguém chateado com os pais pode abrir a porta do carro e tentar sair do veículo, enquanto está em movimento”, diz Jennings.

Alguém que é potencialmente suicida vai falar sobre a morte e sobre não ter razões para viver. O indivíduo pode se ver como um fardo enorme, fazendo comentários como: “Quando eu me for, as coisas vão melhorar para todo mundo.” A pessoa pode ter uma dor tão insuportável, que não vê esperança para o futuro. Muitas vezes, aqueles que pensam em suicídio sentem que continuar a viver é uma realidade esmagadora ou insuportável. Mas essa perspectiva também pode mudar.

“Às vezes, se alguém com esse perfil está de bom humor pode ser porque já decidiu se suicidar”, alerta Jennings. “É uma boa ideia ficar atento se você interagiu com alguém que estava se sentindo profundamente inútil apenas alguns dias antes.” É preciso agir imediatamente se a pessoa está falando sobre um plano específico para acabar com a própria vida, acrescenta Jennings.

Não ignore os sinais. Isso não é o comportamento normal de um adolescente, diz Jennings. Coloque a pessoa em contato com um profissional de saúde mental e, sendo da família, agende uma avaliação. Fale para esse adolescente que você se importa com ele e deseja obter suporte. Não dê sermões.

A necessidade de orientação profissional funciona dos dois lados, diz a especialista: “Os pais precisam lembrar que eles provavelmente vão precisar de apoio também. É muito estressante conviver com um adolescente suicida. Procure ajuda para si mesmo, assim que for possível.”

Enquanto isso, crie um espaço seguro para o adolescente conversar sobre essas questões. É normal para os adolescentes sentirem medo ou até mesmo ficarem zangados. É importante apoiar esse adolescente e dizer que você entende o quão sem esperança ele ou ela está se sentindo, finaliza Jennings.

 (Diário da Saúde)

Nota: Um detalhe muito importante e não salientado na matéria acima é a prática da verdadeira religião. Pesquisas têm mostrado que uma religiosidade prática, não apenas declarada, pode ajudar e muito na saúde física e emocional. Viver para servir adiciona sentido à vida. O senso de comunidade também é um fator positivo. E poder conversar com Deus em oração e deixar sobre Ele nossos fardos e nossas culpas acaba sendo uma verdadeira terapia. Dentro de alguns meses será conhecido em todo o Brasil e em alguns outros países um material muito útil para a manutenção da saúde emocional e espiritual. Aguarde! [MB]

Reações à série “13 Reasons Why”

13No dia 31 de março, a Netflix lançou “13 Reasons Why”. A série gira em torno de Clay Jensen, um estudante do ensino médio que encontra na porta de sua casa uma caixa com 13 fitas cassete gravadas por Hannah Baker, uma colega que cometeu suicídio recentemente. Cada um dos lados das fitas relata um motivo – e uma pessoa – que motivou Hannah ao suicídio. Naturalmente, a série despertou as mais variadas reações, que vão de elogios entusiastas a críticas incisivas. Depois de assistir à série completa (o que é bastante raro), selecionei alguns materiais que, a meu ver, apresentam análises esclarecedoras e embasadas sobre o conteúdo dessa produção.

“Psiquiatra faz 13 alertas sobre a série 13 Reasons Why, da Netflix” (goo.gl/9mvdcp).

“13 Reasons Why – Por que NÃO assistir” (goo.gl/xEwP1h).

“6 motivos para não ver 13 Reasons Why” (goo.gl/MY2BPu).

“13 motivos para não ver ‘13 Reasons Why’, a polêmica série sobre suicídio da Netflix” (goo.gl/d03qlQ).

“‘Se uma obra pode influenciar o suicídio, temos de questioná-la’, diz psiquiatra sobre série de TV [sic]” (goo.gl/0iU73S).

“Todos os problemas de 13 Reasons Why” (goo.gl/yvnIYt).

“‘13 Reasons Why’ is Deceptive and Destructive” (goo.gl/kk8GqQ).

(Matheus Cardoso)

Como prevenir o suicídio entre os jovens

suicideRecentemente, a plataforma de vídeos Netflix estreou uma série de produção própria intitulada “13 Reasons Why” (Treze Porquês, em tradução livre), na qual um dos protagonistas, uma adolescente norte-americana, comete suicídio e deixa treze fitas cassetes gravadas, explicando, contando e fazendo referências aos motivos e às pessoas que a levaram a tirar a própria vida. Sem contar o final ou dar spoilers, a série causou grande discussão mundial nas mídias e nas redes sociais: Como falar sobre suicídio de jovens? Em “13 Reasons Why”, o bullying, o machismo, a violência, o assédio sexual e a falta de diálogo com os pais são alguns dos temas trabalhados e todos sabemos que o suicídio é ainda considerado um tabu pela maioria da sociedade; inclusive, há quem diga que os grandes veículos de comunicação não publicam mais casos de suicídio para evitar uma exposição maior do tema, como se ao abordá-lo aumentassem as chances de alguém tirar a própria vida, e é disso que algumas pessoas reclamam da abordagem da série, como se ela pudesse atuar como um gatilho.

Nesse sentido, assistindo à série (em menos de uma semana), lendo críticas de psicólogos, cineastas e críticos de TV, positivas e negativas, e pesquisando sobre bullying e suicídio juvenil, já que sou professora e, assim, atuo em sala de aula, pensei ser pertinente abordar neste espaço a questão do suicídio entre os jovens no Brasil e como preveni-lo, não só pensando em um tema possível para a prova de redação do Enem 2017, mas, mais do que isso, falando sobre o assunto e tentando desconstruir o tabu ao seu redor.

Em todo o mundo, o suicídio mata mais jovens do que o vírus HIV e, em nosso país, os índices de casos entre jovens estão crescendo de maneira constante ao longo dos anos. De 2002 a 2012, houve um aumento de 15,3% de jovens brasileiros que tiraram a própria vida; em todas as faixas etárias, homens se matam mais do que mulheres.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a depressão e o bullying são dois dos principais motivos que levam um jovem a cometer suicídio, justamente o contexto que “13 Reasons Why” mostra ao público. Experiências de vida consideradas humilhantes, falta de perspectivas para o futuro, insegurança com o próprio corpo e com a sexualidade podem levar um adolescente à depressão e a começar a ter pensamentos suicidas.

Um outro fato também apontado pela OMS é o modo de ver as coisas e de levar a vida do adolescente: nessa fase, tudo é muito intenso e a impulsividade parece tomar conta do dia a dia dos jovens de todo o mundo. O que pode ser tido como apenas uma fase difícil pode ser uma depressão muito séria que deve ser tratada com acompanhamento psiquiátrico e psicológico juntamente com o apoio da família, dos amigos e da escola.

bullying e o cyberbullying (bullying virtual) estão, infelizmente, cada vez mais frequentes nas escolas brasileiras e nas redes sociais, levando jovens a praticarem atos contínuos de violência verbal e física que atingem outros jovens, os alvos, por serem diferentes em algum aspecto, eventos que podem ser assistidos por todos os demais estudantes que, em contrapartida, nada fazem. Jogos como Baleia Azul estão tomando conta da internet, levando jovens a se matarem a fim de finalizar o jogo.

Nesse sentido, podemos notar que todos nós devemos ser responsáveis em poder e em dever ajudar e orientar alguém que está pensando em suicídio e, especialmente no caso dos adolescentes, as escolas devem estar muito atentas ao bullying, ao cyberbullying e ao que se passa com seus alunos, mantendo uma relação de parceria com a família dos estudantes que, por sua vez, também devem estar sempre em contato com a escola de seus filhos.

Os adolescentes devem ser orientados no sentido de entenderem que podem enfrentar e vencer os problemas da vida e todos devem ser alertados dos sinais para ajudar os amigos. A OMS lançou, em 2016, um guia de prevenção ao suicídio online que pode ser acessado e lido por todos. Já o Centro de Valorização da Vida (CVV) criou a campanha Setembro Amarelo: um mês especial de conscientização sobre a prevenção ao suicídio.

(Camila Dalla Pozza Pereira, Informe Enem)

Leia mais sobre suicídio aqui.

O que fazer com a Baleia Azul?

Leia também: Cinco dicas para prevenção

Bronze e saúde: combinação impossível

camara3Pele bronzeada é sinônimo de pele queimada pelo sol, ou seja, danificada pela exposição solar e suscetível a envelhecimento precoce, manchas e, até mesmo, câncer. O sol estimula a produção de enzimas destruidoras do colágeno, o que acelera o processo de envelhecimento. Além disso, os raios levam também à mutação do DNA, o que pode causar câncer de pele. Sendo assim, bronzear-se é totalmente contraindicado, mesmo que seja usando protetor solar. Não é possível “pegar uma cor” usando filtro solar adequadamente. Se a pele ficar morena, isso significa que houve queimadura, ou seja, a proteção não foi efetiva e a pessoa está suscetível a todos os riscos que a exposição solar sem proteção traz – tanto para o momento quanto para o futuro. Por mais que nossa cultura valorize o bronzeado, é preciso priorizar a saúde. Não é possível proteger a pele dos danos causados pelos raios solares e, ao mesmo tempo, ficar com a pele morena. Levando em consideração os riscos que o sol representa, minha recomendação é que cada um a mantenha em seu próprio tom de pele. Além do envelhecimento precoce e do risco do câncer de pele, a exposição ao sol sem proteção pode provocar manchas em todo o corpo.

Há alguns anos, a Anvisa proibiu o uso de camas de bronzeamento artificial devido aos riscos de câncer de pele. Elas podem ser ainda mais prejudiciais à pele do que a própria exposição ao sol sem proteção. Elas aumentam – e muito – os riscos do desenvolvimento de câncer de pele. […]

Acima de tudo, o mais importante é cuidar da saúde da pele. Desejar ter uma cor sem pensar nos riscos para o futuro é imprudente. A Organização Mundial de Saúde estima que em 2030 existirão 27 milhões de novos casos de câncer. Não faça parte dessa estatística.

(Annia Cordeiro é médica dermatologista e diretora da Clínica da Pele Annia Cordeiro, de Curitiba, PR).

Nota: É lamentável que, por causa da vaidade e da busca pela beleza a qualquer custo, muitas pessoas (principalmente mulheres) sacrifiquem a saúde. Já falei sobre o problema do uso de roupas apertadas (confira), do uso de salto alto (confira) e mesmo das câmaras de bronzeamento (confira). É natural que a pessoa queira parecer bela e se sentir bem consigo mesma, mas isso não deve jamais ser feito à custa da saúde. O corpo humano é, segundo a Bíblia, templo do Espírito Santo, não um mostruário para todos os olhares. Tudo o que sacrifica a saúde e o bem-estar vai de encontro à orientação divina quanto ao cuidado que devemos ter com o corpo. Em relação à cor da pele, todas têm a sua beleza, e isso mostra que Deus Se agrada da diversidade. Goste de si mesmo exatamente como você é. [MB]

O jogo da baleia azul é sintoma de uma era

yulia-blue-whaleSintomática de uma era, vem causando espanto e muita preocupação uma onda de suicídios na Rússia, motivados por um jogo intitulado Blue Whale (Baleia Azul, alusão ao cetáceo que está em extinção). Os participantes seguem uma série de instruções que os deixam fragilizados e motivados a tirar a própria vida. O jogo é viral e está se espalhando pela internet, chegando aos poucos ao Brasil. A pessoa que comanda o jogo se chama “curador” e envia pequenos desafios aos jogadores todas as madrugadas, justamente quando os pais desavisados estão alheios às atividades virtuais dos filhos. Com duração de cinquenta dias, o jogo termina com o desafio final: o suicídio. As russas Yulia Konstantinova e Veronika Volkova (foto acima) estão entre as primeiras vítimas do jogo; jovens que, como muitos outros, precisavam apenas de um “empurrão” para levar a cabo a trágica decisão. Centenas de jovens já foram empurrados para a morte motivados pelo diabólico Baleia Azul.

Entre as “missões”, as mais fáceis consistem em acordar em horários específicos da noite, assistir a filmes de terror e ouvir sem parar músicas que deixam a pessoa triste. Isso predispõe o jogador para as próximas tarefas, criando nele um estado depressivo. Os passos seguintes incluem automutilação, arriscar-se em lugares altos e perigosos, etc. Autoridades russas creem que os curadores sejam pessoas mais velhas e persuasivas, pois convencem os jovens de que eles não podem sair do jogo. “Temos certeza de que são adultos aliciando crianças”, afirmou um representante do FSB Secret Service ao jornal Novaya Gazeta.

O jogo Baleia Azul realmente é sintomático de uma era em que a vida tem sido banalizada, as relações humanas reais têm dado lugar a relações impessoais e virtuais, os pais se distanciam dos filhos e o alvo de muita gente se constitui numa vida de conforto e estabilidade financeira. Na busca dessas coisas, muitas família acabam desenvolvendo relacionamentos disfuncionais e carências emocionais que alguns buscam satisfazer de forma errada – ou mesmo se livrar delas de um jeito ou de outro, sendo o “outro” o mais extremo: o suicídio.

No ano passado, realizei uma série de pregações e palestras em três cidades da Suíça: Genebra, Zurique e Neuchatel. Pense num país organizado, com ótimas escolas, povo educado, segurança e conforto… Esse é a Suíça. Até por isso fica difícil pregar o evangelho lá, porque a sensação de muitos suíços é de que eles de nada têm falta. Alguns, por fim, acabam percebendo que quem tem Deus tem tudo, mas que os que não tem Deus, ainda que tenham “tudo”, não têm nada. A constatação disso lá me veio por meio de uma realidade que eu desconhecia: os índices de suicídio na Suíça são alarmantes, embora pouco divulgados. Então, parece que conforto, prosperidade financeira, segurança e boa educação não são tudo na vida…

Mas taxas de suicídio altas não são “privilégio” dos suíços. No Japão, outro país bastante desenvolvido, ocorrem mais de trinta mil suicídios por ano – número cinco vezes maior que o de acidentes rodoviários. Mas é interessante notar que, depois do trágico terremoto e do tsunami que causaram muita destruição e ceifaram milhares de vidas na ilha, em 2011, o número de suicídios caiu significativamente, o que levou alguns analistas a associar essa diminuição ao aumento da solidariedade e da união no país. Houve também mais reflexão sobre o sentido da vida e até um afluxo maior de pessoas às igrejas, na época.

Pensando na tragédia chamada Baleia Azul e nos tristes índices de suicídios em países desenvolvidos, podemos listar algumas reflexões e advertências:

1. Pais devem ficar atentos e não permitir aos filhos liberdade irrestrita à internet. Psicólogos e estudiosos do comportamento aconselham os pais a não permitir que os filhos tenham aparelhos de TV nem computadores no quarto de dormir. E o uso de smartphones também deve ser regulado.

2. Privação de sono, filmes de terror e músicas que induzem a tristeza funcionam como fatores depressivos. Obviamente que nem todo mundo terá pensamentos suicidas ou chegará às vias de fato por manter práticas como essas, mas fica demonstrado que essas coisas alteram o estado de ânimo das pessoas. Então, para que assistir a esse tipo de filmes, ouvir esse tipo de música e dormir pouco? Cuidar da saúde física é igualmente cuidar da saúde mental.

3. É preciso ficar atento ao comportamento das pessoas, especialmente dos jovens. Se você perceber que algum amigo ou parente anda postando mensagens estranhas nas redes sociais, tipo pedidos de ajuda ou conteúdos relacionados com suicídio, fique atento.

4. Lembre-se de que depressão é uma doença e que as pessoas acometidas por esse problema precisam de ajuda e, se preciso, de atendimento profissional. Tudo o que elas menos precisam é de condenação ou de associações indevidas e injustas com sua situação espiritual, como se o depressivo estivesse com “falta de Deus na vida”.

5. A fé e a prática da religião podem ajudar e muito no equilíbrio emocional e na busca de sentido para a vida. Viktor Frankl é um dos estudiosos que pesquisou a importância da religião (ou espiritualidade) como fator integrativo da natureza humana e percebeu por meio de pesquisas in loco que a esperança e a dimensão espiritual fazem grande diferença na vida das pessoas.

Assim como a baleia azul está em extinção, também estão a real conexão com Deus (fé), os valores que deveriam nortear a vida, os bons e construtivos relacionamentos, e muito mais coisas boas. E é justamente por isso que, para muita gente, dar fim à existência é uma opção aparentemente melhor do que enfrentar a vida com seus desafios, suas lutas e incertezas. Façamos tudo o que pudermos para levar ao mundo a mensagem alentadora de Mateus 11:28.

Michelson Borges