O silêncio engajado num mundo barulhento

rock in rio“Houve um tempo” em que o rock era considerado um estilo musical satânico. Raul Seixas afirmava que o diabo é pai do rock. Data venia. Alguém dirá que ele exagerou ou, talvez, tenha dito isso só mesmo para zoar, devido a seu sarcasmo e bom-humor, não como uma “verdade teológica” (tem gente que tem resposta para tudo!). No último Rock in Rio foi encontrada uma Bíblia entre os achados e perdidos, o que – se não foi mera coincidência (cabe essa possibilidade) – revela um possível uso do Livro sagrado como amuleto ou, talvez, seja um indício de que ao menos um cristão confesso tenha estado no festival (mundano). Cogita-se, inclusive, a eventual presença de cantoras e cantores cristãos naquele evento…

Tudo isso poderia (e pode!) nos levar a uma reflexão (pertinente) sobre testemunho, coerência, santidade e normatividade. Minha intenção aqui, porém, é outra. Suponhamos que não houvesse câmeras para me flagrar no show, nem pessoas a quem eu devesse prestar contas, nem uma placa de igreja à qual honrar, nem família cristã a envergonhar, nem anjos a me observarem e nem mesmo um Deus para me julgar (afinal, só Deus mesmo está autorizado a fazer isso, certo?). Então, nesse caso hipotético (e bote hipotético nisso!) ainda assim minha decisão de ir lá faria sentido? “Sim” – alguém diria prontamente. “Por que não?” (Tem gente que tem resposta para tudo mesmo!) Entendo. Captei a mensagem. Data venia. Permita-me discordar (com todo respeito!).

Se a única coisa que importa quando tomo “minhas” decisões é o que eu penso e sinto, então eu jamais deveria esperar ou desejar, por exemplo, fazer sexo com ninguém; afinal, isso me obrigaria a pensar “um pouquinho” no que o(a) outro(a) sente e pensa a respeito. Ou não? Se a resposta é “não”, então isso não é sexo; é estupro (sexo sem consentimento) ou pedofilia/zoofilia, ou seja, uma relação desigual e entre desiguais (dependendo, é claro, do que você entenda por igualdade!). Perdoe-me por apresentar esse exemplo tão grotesco e libidinoso, mas eu poderia dar outros, talvez mais adequados. Creio, porém, que nem é necessário. Você já captou a mensagem. A busca legítima pelo prazer, satisfação e autorrealização não precisa ser destrutiva, atrevida, anárquica nem polêmica, a menos que você queira que seja assim.

Se a única coisa que importa é quem sou e o que sinto, a vida em comunidade desaparece. Família, amigos, relacionamentos, instituições de todo tipo, tudo vai por água abaixo. Fico só eu, sozinho e solitário. É até difícil de imaginar! Se, por um lado, a vida coletiva tem vocação para oprimir e até apagar as individualidades das pessoas, o extremo oposto é igualmente problemático, pois o resultado é o solipsismo, a solidão, o egocentrismo, o inevitável aniquilamento (ou envilecimento) do eu.

Onde está o equilíbrio? Não sei. Nem mesmo sei se existe e se é desejável. Deixo as questões e dilemas mais difíceis para aqueles que sejam talvez mais sábios que eu. Contudo, não posso deixar de questionar o óbvio. Somos realmente o umbigo do mundo? O homem é, de fato, a medida de todas as coisas, como disse Protágoras? Como indivíduo, sou perfeito e infalível? Sou realmente a pessoa mais indicada para decidir se o rock é ou não do diabo ou se a igreja e os cristãos deveriam usá-lo como hino em seus cultos de adoração a Deus? Devo ter uma (velha/nova) opinião formada sobre tudo? Sou a pessoa mais preparada, preocupada e comprometida com o bem-estar daqueles a quem pretendo ensinar/mostrar o que quer que seja? A autoridade ou autorização que me permite fazer o que eu faço e dizer o que eu digo vem de alguém ou algo além de mim mesmo, ou o que sou/tenho/penso, para mim, é o bastante? Responda, se puder. E, se for honesto consigo mesmo, vai concluir que há mais coisas entre o céu e a terra do que supõe a nossa vã filosofia.

(Júlio Leal é pastor, doutor em Educação e editor da Casa Publicadora Brasileira)

Anúncios

Você vai querer saber o que este médico tem a dizer sobre ideologia de gênero

generoA identificação com o sexo oposto e o eventual desejo de uma pessoa em assumir uma nova identidade de gênero é uma questão ainda sem consenso. A ciência, porém, diz que embora cultura e ambiente tenham importância nessa discussão, a determinação é biológica. “Sexo é estabelecido, é a biologia propriamente dita”, diz Marcelo Lemos Ribeiro, médico brasileiro radicado nos Estados Unidos há dez anos. “Diria que o gênero é, principalmente, uma construção política”, completa. Em entrevista à Gazeta do Povo, Ribeiro fala sobre o papel da ciência e da comunidade científica nesse debate, além de sua relação com a sociedade. Confira:

Gênero é uma construção social ou é uma definição biológica? 

Sexo é estabelecido, é a biologia propriamente dita. Enquanto gênero é a forma como o indivíduo se comporta. É algo mais subjetivo, não é como o estereótipo homem e mulher, mas sim como a pessoa se enxerga. Diria que o gênero é, principalmente, uma construção política; o termo começou a ser usado no meio do século passado justamente por pessoas que tinham como intenção criar uma confusão entre gênero e sexo. E hoje em dia realmente conseguiram criar essa confusão.

O transtorno de disforia de gênero ainda é uma classificação correta? A medicina ainda a usa? 

Sim, essa é a classificação utilizada pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. A disforia de gênero ou o distúrbio de identidade de gênero são termos usados cientificamente tanto pela psiquiatria como pela psicologia.

É normal que crianças com 4, 5 ou mesmo 6 anos já estejam se identificando com o sexo oposto? 

É uma controvérsia que ainda é alvo de discussão em parte da comunidade cientifica; alguns setores corroboram, outros criticam. Não há um consenso, mas reitero que, na minha visão, isso é uma abordagem mais política e ideológica do que realmente cientifica, porque você está assumindo que uma criança de quatro ou cinco anos de idade teria a capacidade cognitiva ou desenvolvimento mental suficiente para tomar um tipo de decisão que, na verdade, ela não tem. Quando uma criança de quatro ou cinco anos se identifica com um cachorro ou com um super-herói, ninguém em sã consciência leva isso a sério.

Existe um limite etário para que a criança não possa ser exposta a nenhum tipo de injeção hormonal? 

Cientificamente, também não há consenso; esse tipo de tratamento de afirmação de gênero é algo novo e não existem estudos longos o suficiente e com a qualidade necessária para você fazer um tratamento baseado em evidências concretas. O que tem sido feito é dependente da legislação local: nos EUA, por exemplo, crianças começam a usar hormônio por volta dos 11 anos de idade, antes da adolescência, para prevenir que características secundárias dela se desenvolvam.

Por volta dos 11, quando começam a aparecer essas características – pelos pubianos, mamas –, elas começam a aplicar hormônios para atrasar esse desenvolvimento. Já por volta dos 16 anos, quando já se tornaram adolescentes, começam a tomar hormônios do sexo oposto. Dos 16 aos 18 anos, o indivíduo desenvolve características secundárias do sexo oposto e então, quando ele atinge a maioridade, tem a permissão para fazer a cirurgia de realinhamento de sexo no mesmo dia.

Em congressos é comum a troca de acusações de ambos os lados, que vão de “transfobia” a “homofobia”. Nesses encontros a comunidade científica tem um receio de ser mal interpretada ou sofrer algum tipo de represália, e por isso evita de se pronunciar de uma forma mais contundente contra a ideologia de gênero? 

Quando você começa a observar da parte de quem defende a ideologia de gênero um ataque pessoal contra o caráter daqueles que discordam, em todos os pontos e setores da sociedade, é inevitável que isso também atinja a parte científica. Você vê muitas pessoas ignorando evidências científicas e passando a se posicionar de uma forma que agrade determinado lado ou ainda que possa prevenir problemas. Existem exemplos de médicos famosos e especialistas no assunto que perderam seus empregos porque discordaram de determinada abordagem de tratamento.

Quais seriam essas abordagens? 

Basicamente, são duas: uma é de reafirmação, quando o médico e a sociedade passam a tratar o paciente como se ele fosse realmente do sexo oposto, enquanto a outra busca entender e tratar a causa; você vê o porquê de esse indivíduo estar tendo o problema de reconhecer o sexo que ele tem, e então tenta encontrar respostas.

Dentro de toda essa questão, como devemos abordar os banheiros transgêneros? 

Creio que se trata de uma questão extremamente pessoal, mas de minha parte não acho viável mesclar homens e mulheres no mesmo banheiro; você não troca de sexo, você continua sendo um homem que se identifica como mulher, mas não deixa em nenhum momento de ser homem biologicamente. Entendo as pessoas que têm preocupação de suas filhas ou esposas não serem expostas no vestiário ou no banheiro a pessoas de outro sexo biológico.

(Gazeta do Povo)

Maratonas de seriados fazem mal à mente e ao corpo

maratona-seriado-zumbiAs “maratonas de seriados” são muito comuns nos canais de TV por assinatura, onde uma temporada inteira de um seriado é apresentada em sequência, ao longo do mesmo dia/noite. Isso pode ser uma ótima forma para colocar a agenda em dia, mas essa imersão total pode ter um custo elevado. Segundo pesquisadores da Universidade de Michigan (EUA) e da Escola de Pesquisas de Leuven (Bélgica), acompanhar uma maratona de seriados pode piorar a qualidade do sono, provocar fadiga e aumentar a insônia – algo que não ocorre quando se assiste TV de forma “normal”. Jan Van den Bulck e seus colegas acompanharam 423 adultos, com idades entre 18 e 25 anos, monitorando não apenas suas maratonas de seriados na TV, mas também o uso do computador.

A maior parte da amostra (81%) relatou que tinha assistido seriados. Desse grupo, cerca de 40%, fizeram uma maratona no mês anterior ao estudo, enquanto 28% disseram ter feito duas. Cerca de 7% tinham feito maratonas quase todos os dias durante o mês anterior. Os homens fizeram com menos frequência que as mulheres, mas cada maratona teve duração duas vezes mais longa que as delas. Os entrevistados, que dormiam em média 7 horas e 37 minutos por noite, relataram mais fadiga e má qualidade do sono do que aqueles que não fizeram nenhuma maratona.

O estudo mostrou que o aumento da estimulação cognitiva antes de dormir – ou seja, estar mentalmente alerta – é o mecanismo que explica os efeitos negativos sobre a qualidade do sono.

“As maratonas de seriados apresentam uma trama que mantém o espectador preso”, disse a pesquisadora Liese Exelmans. “Acreditamos que aqueles que veem esses programas se envolvem muito no conteúdo e podem continuar pensando sobre o assunto quando querem dormir.”

A aceleração do batimento cardíaco, ou sua irregularidade, e estar mentalmente alerta podem criar uma agitação quando a pessoa tenta dormir. Isso pode levar à má qualidade do sono após uma maratona de seriados. “Isso retarda o início do sono ou, em outras palavras, requer um longo tempo de desaceleração antes de ir dormir, afetando assim o período total de sono”, disse Exelmans.

Os pesquisadores observam que o consumo excessivo de televisão muitas vezes acontece de forma automática, com as pessoas sendo absorvidas pelos seus seriados, deixando de ir para a cama na hora mais adequada. “Pode ser que não tenhamos a intenção de assistir por muito tempo, mas acabamos fazendo isso de qualquer maneira”, disse Exelmans.

O sono insuficiente está ligado a consequências negativas para a saúde física e mental, incluindo a redução da memória e da capacidade de aprendizagem, e à obesidade, hipertensão e doenças cardiovasculares. “Basicamente, o sono é o combustível que seu corpo precisa para se manter funcionando corretamente”, disse Exelmans. “É muito importante documentar os fatores de risco para a falta de sono. Nossa pesquisa sugere que o consumo compulsivo da televisão pode ser um desses fatores de risco.”

Os resultados foram publicados no Journal of Clinical Sleep Medicine.

(Diário da Saúde)

Videogames podem até ajudar em algumas coisas, mas viciam

video-gameExistem milhares de estudos sobre como os videogames podem afetar nosso comportamento e, eventualmente, nosso cérebro, por meio da plasticidade cerebral. Para tentar resumir esse corpo de conhecimento, já que os diversos estudos nem sempre são diretamente comparáveis, uma equipe da Universidade Aberta da Catalunha (Espanha) decidiu fazer uma meta-análise, buscando similares e selecionando os estudos de melhor qualidade. Eles se concentraram nas pesquisas que estudaram as regiões cerebrais responsáveis pela atenção e pelas habilidades visuoespaciais, bem como aquelas associadas ao sistema de recompensas e como elas estão relacionadas ao vício de videogames. “Os jogos eletrônicos têm sido elogiados ou demonizados, muitas vezes sem dados reais apoiando essas alegações. Além disso, jogar é uma atividade popular, então todos parecem ter opiniões fortes sobre o tema”, ponderou o professor Marc Palaus, coordenador da análise.

Para checar se existe realmente alguma tendência sobre como os videogames afetam a estrutura e a atividade do cérebro humano, a equipe selecionou 116 estudos científicos, 22 dos quais analisaram as mudanças estruturais no cérebro e 100 dos quais analisaram mudanças na funcionalidade cerebral e/ou no comportamento. A conclusão geral é que jogar videogame pode de fato mudar nosso comportamento, a forma como nosso cérebro funciona e até mesmo sua estrutura.

Por exemplo, jogar videogame afeta nossa atenção, e alguns estudos constataram que os jogadores apresentam melhorias em vários tipos de atenção, como a atenção sustentada ou a atenção seletiva. As regiões cerebrais envolvidas na atenção também se tornam mais eficientes nos jogadores e exigem menos ativação para manter a atenção em tarefas mais exigentes.

Também há evidências de que os videogames podem aumentar o tamanho e a eficiência das regiões cerebrais relacionadas às habilidades visuoespaciais. Por exemplo, o hipocampo direito mostrou-se ampliado entre os gamers e voluntários que seguiram um programa de treinamento em videogames de longo prazo.

Por outro lado, os videojogos também podem ser viciantes. Os pesquisadores encontraram mudanças funcionais e estruturais no sistema neural de recompensas das pessoas viciados em jogos. Essas mudanças neurais são basicamente as mesmas que as observadas em outros transtornos de vícios.

“Nós nos concentramos em como o cérebro reage à exposição aos videogames, mas esses efeitos nem sempre se traduzem em mudanças na vida real”, analisou Palaus. “É provável que os videojogos tenham tanto efeitos positivos (na atenção e habilidades visuais e motoras) quanto aspectos negativos (risco de dependência), e é essencial que assimilemos essa complexidade.”

Os resultados da meta-análise foram publicados na revista Frontiers in Human Neuroscience.

(Diário da Saúde)

Nota: É como o café e o vinho: ambos contêm elementos que fazem bem à saúde, como os flavonoides, por exemplo. Mas os malefícios (sendo o pior deles o vício devido ao álcool e à cafeína) não compensam os eventuais benefícios. Além disso, é possível obter esses benefícios em outras bebidas e outras atividades que não ofereçam riscos para a saúde. As substâncias benéficas do vinho, por exemplo, podem ser encontradas no suco puro da uva. E a capacidade de concentração também pode ser exercitada de outras formas. É tudo uma questão de escolha. [MB]

O testemunho de um jovem cristão viciado em pornografia

vicioBoa tarde, pastor Michelson. Não sei se você vai chegar a ler este meu e-mail, mas gostaria de contar um pouco da minha experiência com música e séries. Para começar, me chamo ……………, tenho 24 anos e sou adventista do sétimo dia desde os três anos de idade. Minha família é toda adventista, exceto minha irmã que se afastou. Desde pequeno sempre gostei muito de ver televisão, pois antigamente o acesso à internet no Brasil era coisa bastante rara. Via filmes e desenhos de todos os tipos. Daí, quando cheguei à fase da adolescência, as coisas pioraram. Como eu havia adquirido o hábito de ver muita TV na infância, na adolescência isso passou a ser uma coisa normal. Mas nem tudo era ruim nessa fase, pois gostava muito de ler; porém, lia livros que são contra os princípios de Deus. E as músicas eram sempre pop rock, rock não tão pesado, etc. As músicas da igreja não faziam sentido para mim, mesmo estando na igreja nos fins de semana.

Por essa época, tive acesso a DVDs e sites pornográficos. No primeiro momento, queria repudiar aquilo que estava vendo, mas como fui “domesticado” com filmes, desenhos e novelas, achava que um site pornográfico não faria tão mal assim à minha vida cristã. Só que, com o passar do tempo, isso foi se intensificando e virou um hábito muito forte, a ponto de eu praticar a masturbação. Daí, “a essa altura do campeonato”, já tinha mais dois vícios: pornografia e masturbação. Ao mesmo tempo continuava vendo filmes (sem conteúdo pornográfico, porém, em sua essência, tinham), ouvia todo tipo de música, e achava que esses dois passatempos não estavam me influenciando em nada.

Com o passar dos anos isso se tornou um vício enorme em todos os sentidos. Quando estava com 19 anos, queria largar todos esses vícios, mas era muito mais forte do que eu, principalmente a pornografia e a masturbação, pois eu via sexo em tudo. Sempre pensava em sexo, seja na igreja ou em qualquer outro ambiente. Tentei me apegar a Cristo, fazia muitas orações, bloqueava os sites pornográficos, mas sempre era vencido por esses meus vícios. Meu computador ficava no meu quarto. Tinha acesso à internet por mais de 12 horas, vendo séries e sites pornográficos todos os dias sem parar. Eu achava que era impossível vencer isso. Parecia que Deus não estava nem aí para minhas orações.

Como eu lia muito, comecei a comprar livros e DVDs do Harry Potter, comecei a fazer coleções de livros de ficção de várias histórias (vampirismo, lobisomem e espiritismo), coleções de CDs de bandas que admirava. Isso era a minha vida. Era mais forte do que eu, mesmo pedindo forças a Deus para abandonar.

Cheguei ao ponto de ter princípio de depressão. Ficava trancado no meu quarto sem comer nem beber. Perdi quase 8 kg devido ao começo de depressão e a esses vícios horríveis. Pensei várias vezes em tirar a vida, pois estava muito sufocado com essas coisas. Parecia que Deus havia me abandonado. Chorava muito. E para aumentar minha tristeza ainda ouvia músicas melancólicas. Parei de ir à igreja nesse período. Sempre ficava irritado com qualquer coisa que meus familiares perguntavam. Tinha semanas que eu só os via três vezes por semana, mesmo estando dentro da mesma casa.

Depois de alguns meses, não sei o que deu em mim, mas tive vontade de sair do quarto, me alimentar corretamente, sair de casa um pouco e ir à casa de uns amigos. Quero acreditar que foi o Espírito de Deus que me deu forças para isso (escrevo esta linha em lágrimas, pois fico impressionando com o poder de Deus na vida do ser humano). No mesmo dia que tomei essa atitude, quando cheguei da casa dos meus amigos – fazia meses que eu não os via –, entrei em meu quarto e rasguei todos os livros diabólicos que tinha, como também destruí todos os DVDs de mesmo conteúdo e os pornográficos. Joguei fora mais de mil reais desses conteúdos. Não estava me reconhecendo ao fazer isso. Depois me pus a chorar, pois sabia que ia ser difícil vencer os vícios, mesmo jogando tudo fora. Isso porque minha mente estava muito contaminada com pornografia, músicas inadequadas, etc. Mas estava disposto a vencer! Depois de alguns meses, entrei no curso preparatório para o vestibular, e depois de três anos tentando o vestibular, passei para o curso que tanto queria: Odontologia.

Quando entrei na faculdade, comecei a andar com pessoas que não eram cristãs, e aos poucos fui voltando a ser o que era antes. Minha mente ainda continuava afetada pelos hábitos que eu tinha, e isso aumentou com o convívio com pessoas que não compartilhavam dos mesmos princípios que os meus. Eu não estava percebendo como isso me conduzia aos poucos a fazer praticamente as mesmas coisas que fazia antes.

Comecei a ouvir músicas dos anos 80, voltei a navegar em sites pornográficos, praticava com mais intensidade a masturbação, voltei a assistir a muitas séries, minhas notas na faculdade estavam caindo, comecei a faltar às aulas e chorava muito no meu quarto, querendo um sentido para a vida. Até que decidi procurar ajuda. Na própria faculdade em que estudo me dirigi ao bloco do curso de psicologia em busca de socorro. Chegando lá fiz a triagem para o atendimento e me derramei em lágrimas para a psicóloga que estava ali. Queria uma solução para a minha vida, não estava mais enxergando Deus, não fazia mais sentido continuar vivendo.

Depois desse dia continuei a terapia. Foram várias sessões que me ajudaram muito. Os primeiros dias foram difíceis, mas continuei o tratamento. Cheguei a fazer cinco provas finais em um só período devido às consequências de faltar às aulas e tirar notas baixas. Mas pedi forças a Deus, para que Ele me ajudasse a recuperar as notas e passasse nas provas finais. E Ele atendeu minha oração. Passei nas provas finais. Ao final daquele período fui convidado para participar da Missão Calebe em outra cidade. Aceitei o convite e fui. Iria passar um mês fora de casa. Iria fazer algo de útil para o meu Deus – como também iria ficar longe das coisas que estavam me fazendo mal.

Nessa Missão Calebe tive acesso a uma série de palestras que um amigo me recomendou assistir, de um palestrante adventista dos Estados Unidos, intituladas “O dilema da distração”. São dez episódios. Assisti tudo em dois dias e vi com riqueza de detalhes o poder da música na mente do ser humano e como isso está ligado à pornografia e à nossa adoração a Deus. Essas palestras me abriram os olhos, e quando cheguei em casa depois de um mês queria fazer diferente. Ser diferente. Não queria voltar a fazer as mesmas coisas.

Logo comecei a excluir as séries que ainda tinha no meu PC, mesmo aquelas “inofensivas”. Excluí as músicas mundanas que ainda tinha no celular, migrei o PC do meu quarto para a sala, decidi fazer jejum por três meses das redes sociais (excluí definitivamente o Facebook, Instagram e WhatsApp); nesses três meses de jejum lia um capítulo por dia do livro O Desejado de todas as Nações (87 capítulos) e meditava na vida de Cristo. Além disso, comecei a estudar alguns assuntos da Bíblia que antes considerava chatos, por exemplo: o santuário, a Trindade, etc. São temas muito importantes que todos, jovens e adultos, precisam conhecer, pois o inimigo de Deus tem desviado pessoas de nosso povo usando e distorcendo esses assuntos.

Passei a orar mais. Meus amigos não entendiam essas minhas atitudes, mas como estava viciado nas redes sociais, precisei dar um tempo. Só tinha acesso ao e-mail por conta da faculdade e das programações da igreja. Foi um período enriquecedor para mim e ainda continua sendo. Minha vida melhorou muito. Estou dando estudos bíblicos para o meu cunhado e para a irmã que estava afastada da igreja. Meu gosto musical não mais é o mesmo, pois comecei a gostar dos Arautos do Rei (principalmente as músicas antigas deles), retirei das minhas preferências toda música muito ritmada, que, infelizmente, tem também em nossa igreja. Logo, basta ser seletivos em tudo o que ouvimos.

Adotei a reforma de saúde para a qual antes não dava muita importância. Era de um tempo assim que eu estava precisando. Depois que acabaram os três meses de jejum não voltei para as minhas redes sociais, pois sabia das minhas limitações. Hoje estou só acessível ou por ligações no celular ou por e-mail. Alguns podem achar que é         extremismo da minha parte, mas, para mim, não, pois conheço minhas limitações. O diabo não precisa de uma porta escancarada, ele só quer uma pequena brecha. E para não abrir essa brecha prefiro não arriscar.

Minhas notas na faculdade voltaram a subir. Nunca precisei trancar a faculdade desde que comecei a cursá-la, e nunca reprovei em uma disciplina, pois até aqui o Senhor tem me ajudado. Faltam dois de cinco anos para eu concluir o curso, e pretendo usar minha profissão a serviço do Mestre com projetos, por exemplo, de um ano em missão, ações sociais, etc. Tenho tempo para sair com meus amigos da igreja, tempo para ir à igreja, tempo para estudar, tempo para orar, etc. E o fato de gostar de ler muito me ajudou bastante a ler muitos livros do espírito de profecia e outros da CPB. Desde que começou o ano de 2017 já li quase 20 livros. E quanto mais aprendo de Jesus, mais vejo o quanto sou imperfeito e preciso de Sua graça.

Ainda está sendo uma luta para mim, pois estou nesse mundo, mas as práticas de antes não mais chegam até mim, pois vigio e oro, e procuro sempre olhar para a cruz de Cristo, e essa luta só irá acabar quando Ele voltar.

Deixo aqui o meu versículo preferido da Bíblia que me ajudou e ainda tem me ajudado, e espero que ajude a muitos jovens e adultos que passam pelo mesmo problema que o meu ou por algo semelhante: “Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo” (Filipenses 1:6).

(Nome preservado a pedido do autor.)

Como detectar e lidar com o risco de suicídio entre adolescentes

suicideA nova série do Netflix “13 Reasons Why” segue uma estudante colegial que acaba com a própria vida, através do suicídio, após uma série de eventos adolescentes traumáticos, mas comuns. O personagem principal, uma jovem de 17 anos, libera uma série de gravações de áudio que detalham as circunstâncias que antecederam sua morte. A série de ficção, baseada em um romance adulto jovem de 2007, foi amplamente criticada e discutida nos meios de comunicação, entre pais e profissionais de saúde mental e pelos jovens. Alguns dizem que o programa glorifica o suicídio. A cantora e atriz Selena Gomez, produtora executiva do show, que tem ela própria lutado contra a depressão, diz que a série era mesmo para provocar uma discussão realista. Ainda assim, “é difícil evitar o sensacionalismo sobre o suicídio”, diz Meg Jennings, da Universidade de Michigan (EUA), que é especialista em suicídios de adolescentes. Ela explicou alguns dos sinais de alerta para que os pais e amigos fiquem atentos.

Sentimentos de desesperança podem surgir em conversas, então considere que o adolescente possa estar falando sobre sua vida. Se perceber que o jovem está se sentindo sobrecarregado só de pensar em viver, é hora de buscar ajuda, diz Jennings. Outro sinal sugestivo é o pensamento polarizado ou distorcido – em outras palavras, a crença de que as coisas são apenas preto ou branco, bom ou ruim, tudo ou nada. O interesse em atividades favoritas pode desaparecer. Esses adolescentes também passam a sofrer de insônia, bem como ansiedade ou pânico.

Outros sinais incluem comportamento imprudente, agressividade, aumento do uso de álcool ou drogas, visitas a entes queridos para se despedir, ou dar fim em objetos pessoais de valor. “Ao avaliar o risco, é importante saber quão impulsiva essa pessoa é. Ela está se comportando irresponsavelmente? Por exemplo, alguém chateado com os pais pode abrir a porta do carro e tentar sair do veículo, enquanto está em movimento”, diz Jennings.

Alguém que é potencialmente suicida vai falar sobre a morte e sobre não ter razões para viver. O indivíduo pode se ver como um fardo enorme, fazendo comentários como: “Quando eu me for, as coisas vão melhorar para todo mundo.” A pessoa pode ter uma dor tão insuportável, que não vê esperança para o futuro. Muitas vezes, aqueles que pensam em suicídio sentem que continuar a viver é uma realidade esmagadora ou insuportável. Mas essa perspectiva também pode mudar.

“Às vezes, se alguém com esse perfil está de bom humor pode ser porque já decidiu se suicidar”, alerta Jennings. “É uma boa ideia ficar atento se você interagiu com alguém que estava se sentindo profundamente inútil apenas alguns dias antes.” É preciso agir imediatamente se a pessoa está falando sobre um plano específico para acabar com a própria vida, acrescenta Jennings.

Não ignore os sinais. Isso não é o comportamento normal de um adolescente, diz Jennings. Coloque a pessoa em contato com um profissional de saúde mental e, sendo da família, agende uma avaliação. Fale para esse adolescente que você se importa com ele e deseja obter suporte. Não dê sermões.

A necessidade de orientação profissional funciona dos dois lados, diz a especialista: “Os pais precisam lembrar que eles provavelmente vão precisar de apoio também. É muito estressante conviver com um adolescente suicida. Procure ajuda para si mesmo, assim que for possível.”

Enquanto isso, crie um espaço seguro para o adolescente conversar sobre essas questões. É normal para os adolescentes sentirem medo ou até mesmo ficarem zangados. É importante apoiar esse adolescente e dizer que você entende o quão sem esperança ele ou ela está se sentindo, finaliza Jennings.

 (Diário da Saúde)

Nota: Um detalhe muito importante e não salientado na matéria acima é a prática da verdadeira religião. Pesquisas têm mostrado que uma religiosidade prática, não apenas declarada, pode ajudar e muito na saúde física e emocional. Viver para servir adiciona sentido à vida. O senso de comunidade também é um fator positivo. E poder conversar com Deus em oração e deixar sobre Ele nossos fardos e nossas culpas acaba sendo uma verdadeira terapia. Dentro de alguns meses será conhecido em todo o Brasil e em alguns outros países um material muito útil para a manutenção da saúde emocional e espiritual. Aguarde! [MB]

Reações à série “13 Reasons Why”

13No dia 31 de março, a Netflix lançou “13 Reasons Why”. A série gira em torno de Clay Jensen, um estudante do ensino médio que encontra na porta de sua casa uma caixa com 13 fitas cassete gravadas por Hannah Baker, uma colega que cometeu suicídio recentemente. Cada um dos lados das fitas relata um motivo – e uma pessoa – que motivou Hannah ao suicídio. Naturalmente, a série despertou as mais variadas reações, que vão de elogios entusiastas a críticas incisivas. Depois de assistir à série completa (o que é bastante raro), selecionei alguns materiais que, a meu ver, apresentam análises esclarecedoras e embasadas sobre o conteúdo dessa produção.

“Psiquiatra faz 13 alertas sobre a série 13 Reasons Why, da Netflix” (goo.gl/9mvdcp).

“13 Reasons Why – Por que NÃO assistir” (goo.gl/xEwP1h).

“6 motivos para não ver 13 Reasons Why” (goo.gl/MY2BPu).

“13 motivos para não ver ‘13 Reasons Why’, a polêmica série sobre suicídio da Netflix” (goo.gl/d03qlQ).

“‘Se uma obra pode influenciar o suicídio, temos de questioná-la’, diz psiquiatra sobre série de TV [sic]” (goo.gl/0iU73S).

“Todos os problemas de 13 Reasons Why” (goo.gl/yvnIYt).

“‘13 Reasons Why’ is Deceptive and Destructive” (goo.gl/kk8GqQ).

(Matheus Cardoso)