Homossexualidade: não devemos olhar só para os genes

dnaNovas pesquisas sobre homossexualidade e genética precisam ser analisadas a partir de um olhar técnico. O que realmente há de sólido neste assunto?

Sempre que surge um novo estudo sobre o tema da homossexualidade associado à genética, muita especulação e notícias sensacionalistas são veiculadas. Muitas delas adotam, por vezes, um claro viés ideológico. Não foi diferente com o estudo Large-scale GWAS reveals insights into the genetic architecture of same-sex sexual behavior. O material foi publicado no prestigiado periódico Science no dia 29 de agosto desse ano. O estudo foi liderado pela cientista Andrea Ganna, e contou com a colaboração de pesquisadores das principais universidades do mundo (por exemplo Harvard, MIT e Cambridge). É uma pesquisa que demonstra metodologia robusta e um grupo amostral respeitável de quase 500 mil pessoas. É considerado, ainda, o maior estudo já realizado que se propôs a investigar a base genética da sexualidade humana.

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Depoimento de uma ex-viciada em café

coffeeCresci sabendo que cafeína é ruim. Em casa minha mãe nunca passou café no filtro, deixando aquele aroma típico no ar. Mas a família toda bebia Coca-Cola. Com três anos de idade eu também bebia refrigerante cafeinado. Lembro-me de com 17 anos decidir parar com os refrigerantes, após ler vários artigos que alertam para os perigos relacionados tanto com a cafeína quando com as altas doses de açúcar. Nunca tive que lidar com alguém me oferecendo café, até que comecei a colportar. Foi aí que entendi o tanto que o café faz parte da vida da maioria dos brasileiros. O café coado de manhã, na garrafa térmica, que fica até cremoso com tanto açúcar, era oferecido na maioria das casas que eu visitava. Eu não gostava de café, porque não era acostumada a ele, mas comecei a me acostumar depois de aceitar por educação. Não percebi muita diferença no princípio.

No meu trabalho, o único item servido era café. Então, para descansar da rotina, eu ia tomar um cafezinho. Virou um hábito diário e, à medida que eu me estressava, compensava com a dopamina do café.

A cafeína é a droga mais popular do mundo. Faz parte de várias culturas, por meio do chá, energético, refrigerante e café. A cafeína se conecta aos receptores de adenosina, “cegando-os” e impedindo você de ficar cansado, disparando adrenalina (leia aqui, aqui e aqui).

Por isso que você tem um “barato”. Aquele pico de energia; somado com o açúcar, você tem dopamina e vasodilatação – maior oxigenação e até maior capacidade cognitiva.

O café, para mim, tem todas essas cordas me puxando – o aspecto cultural, os efeitos psicólogos e físicos, e também o medo de falhar em minhas responsabilidades (veja isto).

Racionalizo o uso dessa droga considerando um meio injusto, para um final justo: estou tomando café para meu exercício físico ser mais produtivo, para ter energia enquanto desenvolvo um programa para a igreja ou atendo algum compromisso social, além da minha já intensa jornada de trabalho.

Infelizmente, posso afirmar por experiência própria que estimulantes mais fortes e até cocaína não são tão fortes quanto a cafeína. Os efeitos são comparáveis e existem diversos estudos sobre o assunto (confira). O efeito é muito mais nítido, o acesso mais fácil, mas os sintomas da abstinência são absolutamente comparáveis.

Como adventista do sétimo dia, acredito que temos uma mensagem de saúde que diretamente condena o uso de cafeina, e Ellen White identifica isso como pecado, já que o café atua diretamente onde nos comunicando com Deus: a mente. Eu não ousaria classificar esse hábito de maneira diferente de pecado. O capítulo 16 de Conselhos para a Igreja é direto e enfático no tema. Recomendo a leitura.

Quando leio esses testemunhos, sinto grande aperto no coração e medo. Porque percebo quão eficiente o inimigo tem sido em colocar essa armadilha que diminui nossa capacidade física e mental, prometendo justamente o contrário.

O café cria tolerância, e logo uma xícara se torna um copo, uma garrafa térmica. O café cria dependência, e sem café você tem os efeitos de retirada. São tão intensos que se não for para ter uma vida de equilíbrio e com a ajuda divina, serão muito difíceis. Quando olho para o café, só por Deus e através do poder de Deus para não tomar.

Se você está lendo até aqui, provavelmente se identificou com a minha história. Então convido você a passar pela experiência de se “limpar” como se limpa de uma droga – porque, sem eufemismos ou sensacionalismo, essa é a experiência.

As dores de cabeça são para mim muito intensas, com fotossensibilidade e até náusea. Em resumo: uma dor tão forte que, se não estou deitada com a luz apagada, é insuportável. Não é fácil dormir com a dor, mas é a única maneira de aliviar esse sintoma (leia isto).

Outro sintoma são a ansiedade e a depressão. Costumo dizer que tenho uma “personalidade do café”. Quando bebo, sinto que consigo me expressar melhor, sorrir mais. Mas, quando paro com o café, tenho pensamentos de autodepreciação, desespero e angústia. Apenas orando eu consigo atravessar esses sentimentos sem apelar para outros meios de alívio (leia isto).

O café promove expectativas irreais, desequilibradas e destrutivas. Sinto o café me deixar mais alerta e agressiva (leia isto). E é um exercício de fé acreditar que não pelo café, mas pelo poder de Deus vou ter energia e capacidade de exercer minha missão diária.

O Espírito Santo, que habita em mim e exige um templo santo, é muito mais eficiente e confiável do que essa substância. É por meio dEle, que é justo, que eu pretendo alcançar os fins justos que Ele tem para mim.

Às vezes, querendo assumir coisas boas além da minha capacidade, eu me nego uma bênção concedida pelo meu Pai Celestial, que me criou, de descansar. Tiro também a oportunidade de outras pessoas aprenderem e exercerem as habilidades delas. Crio espaço para meu orgulho. Quando me exercito ou penso em alimentação desintoxicante, estou procurando vaidade ou de verdade cuidar do templo sagrado que é meu corpo? Quando apresento uma simpatia afetada, estou sendo usada por Deus para trazer alívio ou estou apenas procurando aprovação humana?

Termino este depoimento dizendo que, sim, consumir café é algo muito mais espiritual do que parece. Ele deixa clara a estratégia do inimigo e a minha dependência de Deus para fugir, fé na providência divina e, finalmente, só por Deus para derrotar essa armadilha.

(Uma professora ex-viciada em café)

Leia também: “Confessions of a caffeine addict”

Leia mais sobre café aqui.

Desabafo de uma brasileira na Espanha

bandeiraEstava lendo sua postagem “A moça de vestido curto e nossa imagem ‘lá fora’”. Moro na Espanha há quase 15 anos, onde trabalho e estudo. Como aqui é um país em que existem muitos imigrantes de todas as partes, temos contato com várias culturas e gosto de saber a opinião dessas pessoas sobre o Brasil e o que conhecem do nosso país. A grande maioria só fala em samba, futebol, pobreza, favelas, e alguns homens quando sabem que sou brasileira, pensam que já podem chegar “atacando” porque “somos mulheres fáceis”. Fico indignada com isso! Quando veem que sou diferente, então mudam o discurso e me tratam com respeito. São poucas as pessoas que destacam o que o Brasil tem de bom, como os lugares, as regiões, a cultura, etc., pois não conhecem muito além do que citei acima. Os que falam bem são aqueles que de alguma forma tiveram contato com um brasileiro ou estiveram como turista no país, porque o marketing do Brasil é pobre, sob meu ponto de vista.

Não gosto de generalizar, pois sempre há exceções, mas o que se nota quando está aqui é que o conceito de muitos a respeito das brasileiras (me refiro não apenas à Espanha, mas à Europa) é de que a maioria é prostituta. O mal disso é que até provar que não somos objetos de prazer, que temos conteúdo, que somos pessoas que também têm pudor, custa bastante e sofremos às vezes com preconceitos. Algumas pessoas nos julgam antes de nos conhecer, generalizam.

Quem estuda e não o faz em tempo integral, pode trabalhar algumas horas, se quiser, só que muitas vezes não consegue atuar na área. Então alguns buscam trabalhos do tipo cuidar de crianças ou cuidar de pessoas idosas (que é o meu caso). Lembro-me da primeira vez que me ofereci para cuidar de uma criança e praticamente fiz toda a entrevista com a mãe do bebê por telefone. Ela simpatizou muito comigo; queria me conhecer pessoalmente e talvez perguntar mais algumas coisas. Disse que seguramente me contrataria. Sou adventista desde pequena, fui bem vestida, mas quando, ao conversar com a mulher, ela descobriu que sou brasileira, ela inventou uma desculpa esfarrapada e disse que não ia precisar mais.

Outra amiga passou pela mesma situação e explicou à atual chefe dela o que havia passado, e a senhora lhe disse: “É porque ninguém gosta de contratar brasileira, porque ela tem fama de ser mulher fácil, insinuante, e ninguém quer perder o marido pra uma dessas, já que os homens europeus têm principalmente as brasileiras como referência quando querem apenas ‘curtir’ e ter uns momentos de prazer.” Isso é lamentável.

Infelizmente, a culpa é nossa mesmo, pelo que você comentou na sua postagem: “Esse é o cartão-postal que apresentamos aos turistas”, corpos semi-desnudos, futebol e favelas. Estou há bastante tempo aqui e é muito raro passar uma notícia do Brasil nos telejornais, e quando passa algo é sobre as matanças descontroladas nas favelas do Rio e São Paulo, guerras entre os policiais e traficantes, inundações, miséria, etc.

Quando fazem festas brasileiras aqui, além do samba, também ensinam danças “superculturais”. Outro dia um espanhol me mostrou vídeos no YouTube com mulheres brasileiras dançando funk. Essa é uma das imagens deprimentes que esse espanhol vai ter do Brasil e passar às demais pessoas que perguntarem alguma coisa a respeito.

Enquanto muitas mulheres aderem a esse tipo de comportamento ou danças e enchem o peito pensando que são as “boas”, que isso é algo positivo e motivo de orgulho, no fundo não passam de um simples pedaço de carne que serve para saciar o prazer de alguns e depois serem descartadas como nada.

Hoje vendo essas coisas de fora do Brasil, confesso que às vezes tenho vergonha desse comportamento de muitas compatriotas, e a mídia abusa disso: “mulher melancia”, mulher sei-lá-o-quê – enquanto as pessoas de fora estão dizendo: “Que insignificância!” E, claro, essa também é a opinião dos homens que as usam como objeto, pois nunca levariam uma mulher dessa a sério para se relacionarem, salvo se ele estiverem no mesmo nível.

Eliana Freitas, da Espanha

Estudo científico mostra que não existe “gene gay”

gene gayUm estudo do genoma de quase meio milhão de pessoas divulgado na revista científica Science concluiu que não há um gene específico para a orientação sexual, ou mesmo um conjunto de genes específicos. A predisposição para a atração por pessoas do mesmo sexo ou do oposto parece assim resultar de uma complexa associação entre fatores genéticos e ambientais – como a maioria das características humanas. “É impossível determinar o comportamento sexual de alguém a partir do seu genoma.” É a conclusão de um estudo efetuado a partir do material genético de 493 mil voluntários britânicos, americanos e suecos e divulgado esta quinta-feira na revista científica Science, sumarizada por um dos autores, o geneticista estatístico americano Benjamin Neale.

Apresentado na mídia como o estudo que prova a inexistência de um “gene homossexual”, as suas conclusões não implicam no entanto que não haja qualquer predisposição genética ou biológica para o comportamento sexual, que se trataria então de uma opção individual. “Isso está errado”, diz outro dos autores do estudo, o também geneticista Brendan Zietsch, da Universidade de Queensland, Austrália, ao site LiveScience. “O que apuramos é que há muitos genes que determinam o comportamento sexual e, no caso específico deste estudo, a atração por pessoas do mesmo sexo. Cada um desses genes tem individualmente pouco efeito, mas juntos têm um efeito substancial.”

“Outra possível interpretação errada é de que se a preferência por parceiros sexuais do mesmo sexo é influenciada geneticamente, então é geneticamente determinada”, esclarece Zietsch. “Isso não é verdade. Indivíduos geneticamente idênticos – gêmeos – muitas vezes têm orientações sexuais distintas. Sabemos que há fatores não genéticos também, mas não os conhecemos bem e o nosso estudo não diz nada sobre eles.”

Ainda assim, o estudo parece concluir que existe uma coincidência entre a predisposição genética para atração pelo mesmo sexo e a disponibilidade para novas experiências, assim como a predisposição para problemas de saúde mental. Uma possibilidade de explicação para tal é, de acordo com Zietsch, que o estigma associado a relações com pessoas do mesmo sexo cause ou exacerbe problemas desses. O que pode criar uma correlação genética.”

Mas talvez o achado mais interessante do estudo seja de que a sexualidade humana é ainda mais complexa do que se esperava. “Parece haver genes relacionados com a atração por pessoas do mesmo sexo e outros relacionados com a atração por pessoas do sexo oposto. E não estão sequer relacionados”, diz Zietsch. “Esses resultados sugerem que não deveríamos pensar em medir as preferências sexuais num simples continuum, de ‘hetero’ para ‘gay’, mas sim em duas dimensões separadas: atração pelo mesmo sexo e atração pelo sexo oposto.”

Este é o maior estudo desse tipo já feito, mas suas conclusões devem, advertem os autores, ser encaradas com precaução. É que a amostra corresponde a populações de origem europeia e de países ocidentais, e sobretudo adultos de uma certa idade, que viveram grande parte da vida sob normas sociais, sexuais e legais mais estritas e rígidas que as atualmente existentes. É possível, pois, que pessoas mais jovens, que terão em grande parte crescido numa sociedade mais permissiva, se sintam mais à vontade [ou até sejam estimuladas] para ter relações sexuais com pessoas do mesmo sexo que indivíduos mais velhos com o mesmo perfil genético.

Outra questão que se pode colocar é que o estudo define como tendo “comportamento sexual homossexual” alguém que alguma vez teve uma relação sexual com alguém do mesmo sexo, usando para essas pessoas o termo “não heterossexual”, enquanto para os que nunca tiveram uma relação sexual com alguém do mesmo sexo usa o termo “heterossexual”.

(DN Life)

Nota: Esse é um estudo que deve ser analisado com muita cautela, pois lida com muitas variáveis e tem o potencial de aumentar preconceitos do tipo: “Se não existe ‘gene gay’, então é tudo uma questão de sem-vergonhice.” Não é tão simples assim. Aliás, tudo o que se relaciona com o ser humano e seus comportamentos trata-se sempre de algo muito, mas muito complexo. Comportamentos e preferências sexuais derivam de um coquetel de fatores que envolvem genética, epigenética, influências pré-natais, ambiente, formação cultural, etc., etc., etc. Por isso, não se pode tratar do assunto da homossexualidade como algo tipo preto e branco, ignorando todos os matizes envolvidos. E por isso devemos tratar com respeito as pessoas que não se enquadram na chamada “heteronormatividade”, afinal, precisamos levar em conta aquilo que Ellen White chama de “tendências herdadas” (genética e epigenética) e “tendências cultivadas” (ambiente).

Todos os seres humanos, independentemente de sua orientação sexual, herdam e cultivam traços de caráter e comportamentais que não se ajustam aos padrões ideais de Deus expressos na Bíblia Sagrada. Na verdade, todos nós nascemos e vivemos em um mundo não ideal e todos nós temos nossas “lutas internas” que frequentemente nos acompanham por toda a vida. Que bom que Deus vê tudo isso, nos conhece e sabe de nossas motivações, nossas batalhas e nossa vontade (ou não) de viver o mais próximo possível do ideal que Ele nos apresenta. Que bom que Ele disponibiliza o Espírito Santo para nos ajudar nessa guerra e nos concede a vitória tanto sobre o que herdamos quanto sobre o que cultivamos.

Como as lutas são diferentes e é bastante difícil (na verdade, impossível) calçar os chinelos dos outros, o que nos resta é a solidariedade e a compreensão de que somos todos vítimas de um mal, de um vírus chamado pecado, que nos afeta de maneiras diferentes, mas afeta. O que para mim é uma tentação quase irresistível, para outro não é. E vice-versa.

Posso não concordar com o estilo de vida de outras pessoas, mas tenho que reconhecer que há muita complexidade envolvida nas escolhas que elas fazem e que tenho, sim, que respeitá-las como filhas e filhos de Deus. A mesma compaixão que espero receber por causa das minhas fraquezas devo oferecer ao outro.

Agora, o que realmente é objetável e condenável são ideologias, movimentos e grupos que instrumentalizam a luta alheia, fazendo de pessoas mera massa de manobra para alcançar seus objetivos espúrios. Mas essa é outra conversa…

Deus tenha piedade de todos nós. [MB]

Leia também: “Gays nascem gays?”

Como está sua reputação online?

reputacaoA pergunta que dá título a este artigo requer uma resposta individual e é absolutamente relevante, estratégica e atual. E está ligada, inclusive, a valores espirituais. Reputação é uma palavra falada e estudada por muita gente. Teóricos como Fombrun dizem que a reputação de uma organização tem sempre a ver com o resultado dos julgamentos e juízos pessoais. William Benoit explica que a percepção de imagem é um bem considerado mais importante que a própria realidade. Indica que a responsabilidade atribuída a uma organização, por determinado fato, é o que vai contar na mente do público de interesse. Mario Rosa, especialista brasileiro em reputação, comenta que a reputação é um patrimônio a ser trabalhado de forma permanente e não uma conquista final, uma medalha, guardada em um local seguro longe de qualquer tipo de risco ou ameaça.

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Atriz de série revela que câncer anal foi causado por DST

marcia crossMarcia Cross lutou e derrotou um câncer anal menos de um ano atrás, e agora revelou que sua doença veio provavelmente da mesma doença sexualmente transmissível (DST) que causou um câncer na garganta do marido anos antes. A atriz de 57 anos está agora em fase de remissão e decidiu se abrir sobre os perigos da DST. A ex-estrela de “Desperate Housewives” apareceu no programa “This Morning”, do canal americano CBS, para promover a prevenção precoce contra HPV e incentivar as pessoas a obter a vacina. “Eu sei que há pessoas que ficam envergonhadas. Mas você tem câncer! Você também tem que se sentir envergonhado? Como se tivesse feito algo ruim porque [o vírus] se instalou no seu ânus? Quero dizer, vamos lá, realmente”, disse, segundo o portal Radar Online. “Mesmo para mim, demorou um pouco. Ânus, ânus, ânus! Há! Você só precisa se acostumar com isso.”

De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA, o HPV causa mais de 90% dos cânceres anais e pode ser transmitido de uma pessoa para outra através do sexo ou apenas pelo contato pele a pele [o HPV também causa câncer de colo de útero e nos genitais]. Em 2009, o marido de Marcia, Tom Mahoney, foi diagnosticado com câncer de garganta e foi submetido a tratamento. Mal sabia o casal que os cânceres estariam relacionados.

Em setembro de 2018, depois de uma exaustiva batalha, incluindo seis semanas de radiação e duas semanas de quimioterapia, Marcia Cross finalmente revelou que estava livre do câncer. “Eu estou pós-câncer. Tá tudo bem agora. Jornada difícil, mas estou saudável, feliz e mais presente e grata do que nunca”, ela compartilhou no Instagram. “Obrigada do fundo do meu coração por todo o seu amor”, completou.

Agora Marcia Cross recomenda a imunização precoce. Ela disse que suas filhas estão dispostas a tomar sua primeira dose da vacina no final do ano letivo. “Estou me sentindo normal, apesar de ser um novo normal”, disse ela. “Não vou dar como certo. Eu sou a garota que vai ao banheiro agora e digo ‘Sim!’ É ótimo o que meu corpo pode fazer! Eu estou tão grata.”

(Monet)

Nota: Que bom que a atriz se recuperou com o tratamento. Queira Deus que seja definitivo. O que tem preocupado as autoridades é que, a despeito da vacina, os casos de câncer causados pelo vírus HPV vêm aumentando (especialmente no Brasil, onde menos de 50% das meninas são imunizadas). Sem querer entrar no mérito (ou demérito) do assunto envolvendo o casal norte-americano, uma coisa parece certa: um infectou o outro. A maior parte das infecções por HPV se dá pelo contato sexual, e como as pessoas têm iniciado a vida sexual cada vez mais cedo e com múltiplos parceiros, as chances de chegarem ao casamento contaminadas são muito altas (ainda mais se levarmos em conta que cerca de 25% dos adolescentes hoje têm algum tipo de DST). A incidência de câncer de garganta também tem aumentado, por conta do sexo oral (confira aqui, aqui, aqui e aqui). Assim, práticas e carícias sexuais que não ofereceriam perigo para casados que se mantiveram virgens antes do matrimônio acabam sendo arriscadas devido à “liberdade sexual” promovida nas últimas décadas. Sem querer ser moralista, apenas analisando uma questão de causa e efeito, as orientações de Deus dadas nas páginas da Bíblia Sagrada sempre visam ao nosso bem-estar físico, mental e espiritual. Pesquisas mostram que os abstinentes sexuais têm vida sexual muito mais satisfatória no casamento, sem contar o fato de que não precisam ter medo do passado físico (comportamental) e emocional do parceiro. Num casamento segundo os planos de Deus (baseado na fidelidade anterior e posterior ao enlace matrimonial) não haverá riscos de comparações nem contaminações. Como sempre, a escolha é do ser humano, mas as consequências também são. [MB]

Leia também: “Sexo: a verdade nua e crua”

O Efeito Dunning-Kruger e a autoconfiança perigosa

Autoconfiança2Vivemos em uma época em que aparentemente as pessoas têm muita “certeza”. E é cada vez mais comum encontrar em redes sociais e em contato pessoal pessoas que conseguem dar opiniões cada vez mais incisivas sobre os mais diversos e complexos assuntos. As fontes virtuais, os mecanismos de busca fazem com que alguém sem formação necessária dê opiniões em situações tão diversas como política, tendência filosófica, indo a extremos como um tratamento médico ou até uma técnica de cirurgia.

O escritor americano Nicholas G. Carr descreveu em seu livro Geração Superficial: O que a internet está fazendo com os nossos cérebros os efeitos cognitivos da exposição contínua ao mundo digital. Entre várias descrições e deduções, destaca-se uma geração que tem certeza de tudo, ao acessar as informações disponíveis na net, sem uma postura reflexiva sobre o que acessam, e ao mesmo tempo com dificuldades para se aprofundar em um assunto ou até mesmo ler um livro. É paradoxal, mas encontramos cada vez mais a situação de pessoas expressarem suas “verdades” sem nenhum embasamento científico, mas “apoiadas” por outras pessoas com a mesma vertente ou jeito de pensar sobre assuntos aparentemente tão diversos quanto o uso de inhame para “curar” dengue, zika e chikungunya; os antivacinação, com as mais diversas teorias sobre vacinas e câncer, ou vacinas e autismo; e mesmo os terraplanistas, pensamento quase inacreditável na entrada do século 21.

O mais interessante ao interagir com tais pessoas é a absoluta certeza de que estejam com a razão. E para elas, muitas vezes, não adianta pedir referências ou provas das ideias apresentadas, para não dizer das credenciais ou experiência da pessoa no assunto. Ideias superficiais alimentadas emocionalmente por pessoas sem embasamento profundo geram certezas artificiais, muitas vezes associadas até a extremos de agressividade, ao serem colocadas diante de ideias opostas.

O suco mágico da invisibilidade

Piadas e perplexidade foi a reação dos detetives de Pittsburg, pelo feito de McArthur Wheeler. Ele, com 45 anos, 1,67 m e 122 kg, roubou dois bancos na manhã de 6 de janeiro de 1996. O ladrão novato, que assaltou essas duas instituições sem o uso de disfarces nem máscaras, foi facilmente identificado no circuito de vídeo do banco. Ao ser preso, de maneira atônita, repetiu aos policiais: “Mas eu usei o suco de limão! Eu usei o suco de limão!”

Aos policiais, que não estavam entendendo nada, Wheeler relatou que um conhecido tinha lhe dado a “dica” de esfregar suco de limão no rosto, pois isso o tornaria invisível para as câmeras de segurança. Depois descobriram que o desastrado ladrão havia feito um “pré-teste” do efeito do limão na face e não havia aparecido nada. Pelo jeito ele era tão versado em técnicas de fotografia quanto de roubo…

O tal experimento, que parecia ser verdade absoluta na mente de McArthur, foi finalmente posto em terra quando mostraram os vídeos do sistema interno dos bancos, os quais mostravam perfeitamente o desajeitado ladrão anunciando o assalto, enquanto fazia caretas pela sensação de ardência que sentia ao ter suco de limão nos olhos.

Ao ver esse relato, dois psicólogos, David Alan Dunning e seu orientando de doutorado, Justin Kruger, elaboraram em 1999 o Efeito Dunning-Kruger. Esse é o fenômeno pelo qual indivíduos que possuem pouco conhecimento sobre um assunto acreditam saber mais que outros mais bem preparados. Isso faz com que essas pessoas tomem decisões erradas e cheguem a resultados indevidos, mas sua própria incompetência, falta de experiência ou aprofundamento em um assunto acaba restringindo esses indivíduos da habilidade de reconhecer os próprios erros. Essas pessoas sofrem de superioridade ilusória. Em outras palavras, quanto mais incompetente você é em alguma área, menos você percebe sua incompetência – e mais confiante você se sente no seu (pouquíssimo) conhecimento.

Em contrapartida, a competência real pode enfraquecer a autoconfiança. Pessoas experientes acabam achando que não são tão capacitadas assim e subestimam as próprias habilidades. Isso não é uma doença, mas um fato a que as pessoas em menor ou maior grau podem estar sujeitas. Eu mesmo, ao me formar na faculdade de Medicina, no dia seguinte ao receber meu diploma, pensava: “Olha, realmente eu sei bastante!” Hoje, passados 20 anos de formado, posso dizer que sabia muito pouco naquela época, e que, por sinal, cada dia necessito aprender mais.

Confiança em que ou em Quem?

Muito antes de Dunning e Kruger, a Bíblia já relatava os perigos da autoconfiança exacerbada: “O que confia no seu próprio coração é insensato; mas o que anda sabiamente será livre” (Provérbios 28:26). Nossa confiança, mais que experiências pessoais ou certezas tiradas de nossa ideia própria de certo ou errado (ou das centenas de fontes duvidosas existentes na internet), deve estar embasada na eterna Palavra de Deus. “Confia no Senhor de todo o teu coração e não te apoies no teu próprio entendimento” (Provérbios 3:5).

 Em um mundo que parece ter tantas certezas, devemos buscar e permitir que somente convicções ajustadas pela comunhão espiritual verdadeira façam parte de nossas atitudes diárias.

A humildade é uma virtude cristã e nos permite contemplar os desafios da vida na certeza de que temos um guia maior. E teremos tanto mais tranquilidade quanto mais buscarmos essa verdadeira fonte da sabedoria. “Por fim, esforço-me para que eles sejam fortalecidos em seu coração, estejam unidos em amor e alcancem toda a riqueza do pleno entendimento, a fim de conhecerem plenamente o mistério de Deus, a saber, Cristo. NEle estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento” (Colossenses 2:2, 3).

Everton Padilha Gomes é médico cardiologista e doutor em Cardiologia pela USP

Referências

Carr, N. G. A Geração Superficial: o Que a Internet Está Fazendo Com Os Nossos Cérebros, WW Norton, 2010

Pittsburgh Post-Gazette, 21 mar. 1996, p. D-3

Kruger, J; Dunning D. Unskilled and Unaware of It: How Difficulties in Recognizing One’s Own Incompetence Lead to Inflated Self-Assessments. Journal of Personality and Social Psychology 77(6):1121-34