Está provado: mesmo um drink por dia pode encurtar a vida

alcoolUma nova pesquisa de colaboração internacional descobriu que beber mesmo um único drink por dia pode diminuir sua expectativa de vida. No geral, os cientistas chegaram à conclusão que tomar mais de 100 gramas de álcool por semana, o que equivale a cerca de sete copos de bebida padrão nos Estados Unidos, ou cinco a seis copos de vinho no Reino Unido, aumenta o risco de morte por todas as causas. Um artigo sobre o estudo foi publicado na revista The Lancet. Os pesquisadores estudaram os hábitos de consumo de álcool de quase 600.000 indivíduos que participaram de 83 estudos em 19 países. Dos participantes, cerca de 50% relataram beber mais de 100 gramas de álcool por semana e 8,4% mais do que 350 gramas por semana. Dados sobre idade, sexo, diabetes, tabagismo e outros fatores relacionados a doenças cardiovasculares também foram analisados.

Comparado a beber menos de 100 gramas de álcool por semana, estima-se que beber de 100 a 200 gramas encurte o tempo de vida de uma pessoa com 40 anos em seis meses. Beber de 200 a 350 gramas por semana pode tirar de um a dois anos de sua vida, e beber mais de 350 gramas por semana pode reduzir sua expectativa em quatro a cinco anos. “A principal mensagem desta pesquisa é que, se você já bebe álcool, beber menos pode ajudá-lo a viver mais e reduzir o risco de várias doenças cardiovasculares”, disse a bioestatística Angela Wood, da Universidade de Cambridge (Reino Unido).

Os cientistas também exploraram a ligação entre a quantidade de álcool consumida e o risco de diferentes tipos de doenças. As pessoas que bebiam mais tinham um risco maior de derrame, insuficiência cardíaca, doença hipertensiva fatal e aneurisma aórtico fatal. No entanto, níveis mais elevados de álcool também foram associados a um menor risco de ataque cardíaco, também chamado de infarto do miocárdio. “O consumo de álcool está associado a um risco ligeiramente menor de ataques cardíacos não fatais, mas isso deve ser equilibrado com o maior risco associado de outras doenças cardiovasculares graves – e potencialmente fatais”, colocou em perspectiva Wood.

Os pesquisadores sugerem que o risco variável de diferentes formas de doença cardiovascular pode estar relacionado ao impacto do álcool sobre a pressão sanguínea e outros fatores ligados aos níveis de HDL, o colesterol “bom”. […]

É difícil estimar com precisão os riscos do álcool para a saúde, mas a grande amostra e o método utilizado na nova análise fazem com que suas descobertas sejam confiáveis e aplicáveis aos países ao redor do mundo, concluiu Tim Chico, professor de medicina cardiovascular e consultor de cardiologia da Universidade de Sheffield.

(CNN, via Hypescience)

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Os cuidados que os pais devem ter com jogos virtuais

video-game-kidCrianças e adolescentes estão cada vez mais interessados em jogos virtuais. Diversos desafios aparecem diariamente na internet, aguçando o interesse dos jovens. Recentemente, uma menina de sete anos morreu após participar de um jogo virtual, no qual o objetivo era inalar o máximo possível de desodorante aerossol. A comoção com o caso fez com que os pais ficassem mais atentos aos desafios publicados na web. De acordo com Maria Lucia Marques, especialista em psicologia escolar, psicopedagogia, jogos, educação e professora do curso de Psicologia da Universidade Univeritas/UNG, “os responsáveis devem acompanhar de perto, não apenas os jogos virtuais, mas todas as atividades que estão envolvidas no “mundo virtual”, pois as mensagens subjetivas na construção do universo psicológico transcendem os espaços virtuais para a percepção do que é real e do que deve ser mantido apenas na esfera da imaginação”, comenta. Diante disso, a especialista explica como perceber e agir frente ao problema.

Como perceber que algo está acontecendo? 

Hoje em dia, é muito comum observar os jovens entretidos com seus celulares, tablets, computadores e outras “ferramentas” de tecnologia. Os pais devem acompanhar de maneira mais próxima essas influências; é importante estarem atentos não apenas às “ferramentas”, mas, sim, aos níveis de mudanças de comportamento e atitudes que esses jovens podem apresentar.

De que forma eles podem procurar ajuda? 

A primeira ajuda deve ser dada pelos próprios pais, no sentido de proporcionarem a conscientização sobre o uso e o alcance dessas tecnologias. Caso tenham dificuldades, é importante buscar profissionais que possam contribuir com esse processo, como psicólogos, orientadores pedagógicos das escolas, entre outros.

Limitar o acesso à internet e rastrear sites acessados seria uma alternativa? 

Este tipo de ação mostra-se como uma das ações que os pais podem utilizar, porém, se estabelece mais como uma ação coercitiva de controle do que a real conscientização do próprio usuário. Dependendo da faixa etária, essa é uma conduta que pode trazer alguns resultados, mas para jovens e adolescentes não representa uma alternativa com grande probabilidade de êxito, pois existem meios de “burlarem” esses controles.

Por que cada vez mais os adolescentes estão se envolvendo em jogos perigosos? 

Exatamente pela dificuldade de entenderem o que é o mundo real e o que é o universo tecnológico. Essa distinção é fundamental na concepção e preparação do sujeito para o “mundo adulto”, e estas novas gerações estão tendo cada vez mais dificuldades para discernir essas relações.

Você acredita que os adolescentes estão cada vez mais tomando decisões negativas em razão da pressão de amigos/colegas? 

Os jovens sempre se mostraram muito vulneráveis às influências de seus “amigos/colegas”, pois ainda estão em processo de formação de identidade e é o exercício com este mundo externo que contribui para a formação de seu mundo interno. Dessa forma, existem muitas variáveis que devem ser consideradas antes de falar que eles estão tomando decisões negativas. Acredito que são decisões imaturas e típicas de quem ainda não consegue diferenciar aquilo que chamamos, anteriormente, de mundo real e mundo virtual, pois ainda estão em processo de formação.

Engolidos pela cultura pop

Garotos idiotas de uma geração desnorteada

foolSei que vai parecer papo de velho, mas não posso me calar diante do que tenho visto. Quando eu era adolescente (uns 30 anos atrás), a gente arrotava, falava besteiras e se comportava, às vezes, como verdadeiros idiotas. Nada muito estranho para um adolescente. Infelizmente, até palavrão de vez em quando a gente usava, com os mais variados propósitos. Minha família não era adventista, mal conhecia a Bíblia, mas uma coisa minha mãe me ensinou: “Respeite as meninas, e se falar palavrão aqui em casa levará um tapa na boca.” Bastou. E, de fato, embora fôssemos ogros uns com os outros, quando era com elas a gente mudava de comportamento. Via de regra, tratávamos as meninas com cavalheirismo. Eu jamais diria um palavrão ou arrotaria perto de uma delas. Bastava uma bela representante do sexo feminino se aproximar que muitos ogros se tornavam príncipes na hora. Um verdadeiro milagre de transformação.

Mas o tempo passou. Os costumes mudaram. Os comportamentos deterioraram. Hoje os rapazes (felizmente há raríssimas exceções, ainda) são ogros o tempo todo e em todos os lugares. Falam e escrevem palavrões como se as palavras vulgares fizessem normalmente parte do vocabulário já pobre que eles utilizam. E falam na frente de adultos e de meninas. Esses desnorteados, quando abordam as meninas nas redes sociais, parecem estar conversando com outros meninos, com a única diferença de que só sabem “atacar”, “dar em cima”, falar em “pegar”, “beijar muito”, e por aí vai. Muitas dessas meninas caem nessa conversa tosca e acham que isso é o normal; tão normal que os raros cavalheiros que ainda tentam colocar em prática os conselhos de pais conscienciosos são tratados como tolos.

As meninas colocam em seus perfis nas redes sociais fotos com caras e bocas, sensualizando, como se diz hoje. E os garotos sem noção acabam criando a noção de que todas elas estão “disponíveis”, estão pedindo para ser tratadas como o objeto que apresentam e representam nas fotos. Assim se juntam a fome e a vontade de comer. No fundo, nenhum deles quer exatamente isso – ser vistos e tratados como objeto a ser consumido –, mas o mundo lhes ensinou que deve ser assim. Os Pablos Vitttares e as Anittas lhes ensinaram que tem que ser assim. O funk que eles ouvem lhes ensina que tem que ser assim. Enquanto elas postam fotos com boca de pato e decotes baixos, eles fazem cara de mau, clicam-se narcisisticamente na frente do espelho, sem camisa, fazendo algum sinal com os dedos e com parte da cueca aparecendo. Idiotas.

Resultado? Os rapazes confusos cada vez mais se assemelham a ogros predadores e as meninas com o tempo começam a cansar disso, e partem em busca de carinho, do carinho que está faltando. Algumas delas acabam encontrando isso nos braços de outras meninas igualmente confusas. E os ogros ficam chupando o dedo.

Certa vez, uma cena em um ponto de ônibus me deixou realmente aborrecido. Havia um grupo de rapazes, algumas meninas e uma senhora. Quando o ônibus chegou, os rapazes correram e entraram na frente de todos. Pensei: aí está o resultado de toda a doutrinação feminista, dos novos antivalores, da sociedade que se esqueceu do que é respeito e cavalheirismo. Da geração ogra. Eu jamais faria isso! Aprendi desde cedo a dar preferência aos mais velhos e às mulheres. E não se trata de machismo, não. É só respeito mesmo. Consideração.

A palavra “idiota” tem alguns significados: diz-se da pessoa que carece de inteligência, de discernimento, tolo, estúpido. Vem do grego idiótes, que significa “pessoa leiga”, “sem habilidade”, o sujeito que nada enxerga além dele mesmo, que julga tudo pela sua própria pequenez. Infelizmente, a palavra descreve bem muitos rapazes desta geração – tolos, sem habilidade para ser homens de verdade e para tratar as mulheres como elas devem ser tratadas. Trata-se de uma perversa armadilha circular: eles, em lugar de as proteger (porque isso é coisa do passado, do patriarcalismo), querem consumir. Elas, em busca de atenção, se exibem como mercadoria a ser consumida.

Quando sobram ogros idiotas, as donzelas vão procurar princesas. E todo mundo sai perdendo.

Michelson Borges

Brasil, um país de orgias e contradições

biolorgiaEnquanto dirigia para São Paulo a fim de participar do lançamento do livro Fomos Planejados, do cientista Marcos Eberlin (aguarde notícia para breve), ouvia uma rádio de notícias e fiquei mais uma vez estarrecido com o número sempre crescente de adolescentes grávidas no Brasil (somos os “vencedores” na América do Sul). Algumas autoridades entrevistadas falaram em educação sexual para crianças e em maior conscientização quanto aos riscos de gravidez e de doenças sexualmente transmissíveis. Só isso. Nada falaram sobre abstinência sexual nem mesmo sobre a baixaria que tomou conta das músicas e dos programas de TV. Lembrei-me de um dia em que tive que levar minha filha a uma consulta e ficamos aguardando na salinha, onde havia uma TV ligada em um canal aberto e na mesa de centro uma pilha de revistas de fofoca. O que estava passando no programa da tarde? Uma reportagem sobre funk, com direito a coreografias sensuais protagonizadas por adultos e crianças. Tivemos que sair dali.

No que este país se transformou? Banalizaram o sexo e glamorizaram a perversão. Vivemos em uma cultura verdadeiramente pornográfica, com reality shows chegando ao ponto de explorar o incesto. Nos campi das universidades federais, veem-se cartazes divulgando festas como a “Biolorgia”, como este aí acima, que me foi enviado por um amigo professor universitário que ainda luta bravamente para oferecer uma educação de qualidade, consistente e calcada em princípios, para alunos que não mais parecem preocupados com esses “detalhes” e, em consequência disso, estão despreparados para a vida e muitos sequer conseguem escrever um texto com coerência (isso quem me disse foi uma doutora que lecionou 13 anos em universidades). Querem é curtir a liberdade da vida acadêmica e se acabam no sexo, nas bebedeiras e nas drogas (no meu tempo de UFSC a droga já “rolava solta”, imagine hoje…).

Curiosidade adicional: logo ao lado do cartaz da festa orgiástica havia outro promovendo um curso de astrologia. Isso mesmo! Num mural de um centro de saber, divulgação de orgia, darwinismo e astrologia. Que tal? E uma coisa tem tudo a ver com a outra, não é mesmo? Se a evolução é real, como apregoa o cartaz, Deus é dispensável. Se Deus é dispensado, “tudo é permitido”, como dizia Dostoievski, e abre-se caminho para a adoração da criação e da criatura, como no caso dos astros que fazem a “festa” dos seguidores do zodíaco. É a exaltação do prazer pelo prazer, sem compromisso nem peso de consciência. Diga-me se não vivemos em uma sociedade neopagã…

E para fechar a lista das insanidades pervertidas (pelo menos neste texto, pois o repertório é vasto), em vídeo que circula pela internet, o padre Luiz Augusto denuncia um evento chamado “Sexo Surubão 2018”. Durante os dias 17 e 18 de março, espera-se que centenas de pessoas compareçam a uma chácara em Goiânia para o evento de sexo livre. O material de divulgação afirma que mais de 300 mulheres já estão inscritas. Segundo o padre, a ideia é promover relações sexuais “de todos os tipos”, incluindo as homoafetivas e as grupais.

Diante de toda essa avalanche de pornografia, vêm as autoridades (in)competentes dizer que a solução para a gravidez precoce é a prevenção e a educação sexual?! Põem um prato delicioso na frente de um faminto e dizem para ele não comer… Estão destruindo uma geração, querendo estancar uma hemorragia com band-aid, convenientemente deixando de ver o problema e de atacar-lhe a raiz.

O mundo está torto, e continuam cavando o fundo do poço.

Michelson Borges

O sexo das telas que destrói o da cama

computerO consumo crescente de pornografia tem trazido sérios problemas para a saúde sexual, emocional e física de homens e mulheres

Quando as pedras começam a gritar é porque passou da hora de dar atenção ao assunto. Por algum tempo, a mídia secular e terapeutas, digamos, mais liberais diziam que consumir pornografia não faz mal e poderia até ajudar a “apimentar” relacionamentos. Mas nada como um dia depois do outro e uma pesquisa depois da outra. Bem, para um cristão seria chover no molhado dizer que é pecado contemplar outras pessoas fazendo sexo, afinal, Jesus disse que é possível adulterar mesmo em pensamento. Mas, quando revistas que não se pautam pela moralidade ou que se caracterizam apenas pelo jornalismo começam a tratar dos malefícios do consumo do “sexo das telas”, isso significa que realmente as pedras estão gritando.

Uma dessas matérias foi publicada pela revista VIP, em julho de 2017, com o título “Pornografia: quando o hábito acaba prejudicando o sexo real”. Uma das entrevistadas, a terapeuta sexual Margareth dos Reis, diz que, “ao ver filmes com cenas explícitas de sexo, as pessoas podem ter a ilusão de que não serão afetadas por tantos estímulos. Mas não há dúvida de que as representações irrealistas em pornografia podem alterar as expectativas sexuais dos homens e causar problemas no sexo real”.

A outra matéria, com o título “O cérebro pornô: estamos diante de um novo vício?”, foi publicada pela revista Veja em 9 de outubro de 2017. A semanal explica que “as imagens [pornográficas] causam descargas de dopamina […]. Como um cérebro saudável não está habituado a tamanha saraivada de estímulos, sua reação é eliminar alguns receptores de dopamina […] e a pornografia que antes excitava torna-se sem graça. Há, portanto, a necessidade do aumento exponencial de dopamina para que se atinja o mesmo patamar de prazer experimentado anteriormente. […] Tem início um círculo vicioso, de compulsão e desespero, de picos e de insatisfação e insensibilidade.”

Levando em conta todo esse potencial viciante e destruidor da sexualidade sadia, os números se tornam ainda mais alarmantes. Em 1985, 92% dos garotos de 15 anos tinham acesso a conteúdo erótico pela primeira vez com a revista Playboy. Em 2008, 74% dos rapazes da mesma idade acessavam sites com sexo explícito (dados da Universidade de Arkansas, EUA). Os rendimentos anuais da indústria pornográfica chegam perto dos 15 bilhões de dólares, nos Estados Unidos, e quase 100 bilhões ao redor do mundo. Essa indústria é maior do que Microsoft, Google, Amazon, eBay, Yahoo!, Apple, Netflix e EarthLink juntas. Perto de 50 milhões de norte-americanos adultos visitam regularmente sites de sexo virtual. De acordo com o National Council on Sexual Addiction and Compulsivity (Conselho Nacional sobre o Vício e a Compulsividade Sexuais), existem mais de 20 milhões de viciados em sexo nos Estados Unidos, 70% dos quais afirmam ter problemas de comportamento sexual virtual.

De acordo com pesquisas do Barna Group, quase 40% dos adultos acreditam não haver qualquer imoralidade em ver material de sexo explícito. Além disso, aproximadamente um a cada quatro acredita que não deveria haver restrições quanto à pornografia ou ao seu acesso. “Infelizmente, 28% dos cristãos acreditam que, mesmo com o que está escrito em Mateus 5:28, não há nada de errado em ver pornografia”, diz Regis Nicholl, colunista do site BreakPoint. “O mais triste é descobrir que por volta de 50% dos cristãos e 40% de seus pastores admitem ter problemas com a pornografia”, revela.

Ilusão – A ex-atriz pornô Shelley Lubben, em seu livro Truth Behind the Fantasy of Porn (A Verdade por Trás da Fantasia da Pornografia), afirma que a pornografia é “a maior ilusão do mundo”. Segundo ela, muitas mulheres desse universo bebem e usam drogas para poder fingir que gostam do que fazem. Embora a indústria do sexo tente pintar outra realidade, Shelley revela que “as mulheres estão com uma dor indizível por ser espancadas, cuspidas e xingadas. […] Pornografia é nada mais do que sexo falso, contusões e mentiras em vídeo. Confie em mim, eu sei”. No livro, Shelley traz testemunhos de outras ex-atrizes, como o de Michelle Avanti, que em sua primeira cena tentou voltar atrás: “Um ator disse que eu não poderia voltar atrás porque havia assinado um contrato”, disse Michelle. “Fui ameaçada de que se não fizesse a cena seria processada em uma enorme quantia em dinheiro. Acabei tomando doses de vodca para fazer a cena. Como eu fazia mais e mais cenas, abusei da prescrição de pílulas que me eram dadas a qualquer momento por diversos médicos em San Fernando Valley.”

Shelley diz que muitas mulheres acabam nesse mundo por culpa da extrema erotização da sociedade. “Onde mais poderia uma criança que foi hipersexualizada ter tanta atenção? Os olheiros da pornografia ficam à espreita pesquisando online por anos os perfis e predando as desavisadas fêmeas sexualizadas. Fingindo ser adolescentes ou admiradores do sexo masculino, postam palavras lisonjeiras […] e as adolescentes emocionalmente carentes rapidamente caem na armadilha.”

Jennifer Case é outra atriz que deixou a indústria do sexo, segundo ela, “pela graça de Deus”. Hoje ela também milita contra a pornografia e diz aos homens: “Há uma pessoa real do outro lado das imagens que você está vendo, e você está destruindo a vida dela e a vida dos filhos dela.” Numa entrevista para o site The Porn Effect, Case testemunha de sua própria experiência sobre os malefícios que a indústria pornográfica provoca nas mulheres envolvidas. Ela diz que ficou traumatizada, oprimida e se sentindo abusada. Assim como outras atrizes desse segmento, ela também se tornou viciada em drogas e precisava do dinheiro da pornografia para continuar alimentando o vício. Além disso, ela teve que lidar com doenças sexualmente transmissíveis. “Tive muitas infecções diferentes o tempo inteiro. Deixei Hollywood porque fiquei muito doente por causa da clamídia. Meu abdome doía tanto que tive que voltar para casa”, disse ela.

Pornography Addiction CG

Efeitos – Grande número de jovens consumidores de pornografia na internet está sofrendo de ejaculação precoce, ereções poucos consistentes e dificuldades de sentir desejo com parceiras reais, é o que afirma reportagem publicada na revista Psychology Today. Pesquisa feita pela Universidade de Pádua, na Itália, indicou que 70% dos homens jovens que procuravam neurologistas por ter um desempenho sexual ruim admitiam o consumo frequente de pornografia na internet.

Outros estudos de comportamento sugerem que a perda da libido acontece porque esses grandes consumidores de pornografia estão abafando a reposta natural do cérebro ao prazer. Anos substituindo os limites naturais da libido por uma intensa estimulação acabariam prejudicando a resposta desses homens à dopamina. Esse neurotransmissor está por trás do desejo, da motivação – e dos vícios. Ele rege a busca por recompensas. Uma vez que o prazer está fortemente ligado à pornografia, o sexo real parece não oferecer recompensa. Então essa seria a causa da falta de desejo em muitos homens.

William Struthers, da Faculdade Wheaton, explica que “os homens parecem ter sido feitos de tal maneira que a pornografia sequestra o funcionamento adequado de seu cérebro e tem efeito de longo prazo em seus pensamentos e vida”. Struthers é psicólogo com formação em neurociência e especialidade de ensino nas bases biológicas da conduta humana. No livro Wired for Intimacy: How Pornography Hijacks the Male Brain (Programado Para a Intimidade: Como a pornografia sequestra o cérebro masculino), ele se vale da neurociência para explicar por que a pornografia é uma grande tentação para a mente masculina. “A explicação mais simples da razão por que os homens veem pornografia (ou procuram prostitutas) é que eles são levados a procurar intimidade”, explica ele. O impulso para obter intimidade sexual foi dado por Deus e é essencial para os homens, reconhece ele, mas é facilmente mal direcionado. Os homens são tentados a buscar “um atalho para o prazer sexual por meio da pornografia” e acham que dá para se acessar esse atalho com facilidade.

Num mundo de pecado, a pornografia se torna mais do que uma distração e uma distorção da intenção de Deus para a sexualidade humana. Torna-se um veneno viciante. Struthers explica: “Ver pornografia não é uma experiência emocional ou fisiologicamente neutra. É fundamentalmente diferente de olhar para fotos em preto e branco do Memorial Lincoln ou olhar um mapa colorido das províncias do Canadá. Os homens são reflexivamente atraídos para o conteúdo de material pornográfico. Como tal, a pornografia tem efeitos de grande repercussão para estimular um homem à intimidade. Não é um estímulo natural. Atrai-nos para dentro. A pornografia é indireta e voyeurística em sua essência, mas é também algo mais. A pornografia é uma promessa sussurrada. Promete mais sexo, melhor sexo, infinito sexo, sexo conforme os desejos, orgasmos mais intensos, experiências de transcendência. […] [A pornografia] atua como uma combinação de múltiplas drogas.”

Segundo Struthers, quando o homem vê imagens pornográficas, essa experiência cria novos padrões na programação do cérebro, e experiências repetidas formalizam a programação. “Se eu tomo a mesma dose de uma droga repetidas vezes e meu corpo começa a tolerá-la, precisarei tomar uma dose mais elevada da droga a fim de que tenha o mesmo efeito que tinha com uma dose mais baixa, na primeira vez”, explica o psicólogo.

Mas o problema não se restringe aos homens. Pesquisadores da Universidade da Califórnia e do Tennessee, nos Estados Unidos, recrutaram 308 universitárias heterossexuais, entre 18 e 29 anos, para completarem um questionário online. Elas responderam questões sobre a qualidade do namoro, satisfação sexual e autoestima. Segundo matéria publicada no site da revista Superinteressante, “o resultado mostrou uma relação entre felicidade, autoestima e filmes pornôs. Quanto mais pornografia os namorados ou maridos viam, maior era a chance de ter um relacionamento infeliz. Quem reclamou sobre o vício exagerado do namorado em assistir a vídeos pornôs mostrou autoestima mais baixa e insatisfação com o namoro e com a vida sexual. De tanto se compararem (ou serem comparadas) às moças dos filmes, elas ficam mais inseguras com o desempenho na cama ou com o próprio corpo”.

A verdade é que a pornografia traz um estresse enorme para o relacionamento, principalmente no casamento. “É comum que a esposa do usuário expresse sentimentos de traição, desconfiança e perda de autoestima. Com frequência, tais sentimentos levam à depressão clínica com feridas psicológicas e emocionais duradouras. Com o surgimento da desconfiança e da ferida, muitas mulheres decidem pelo divórcio”, diz Nicholl.

Para ter uma dimensão do problema em números: dois terços dos advogados presentes na reunião de 2003 da Academia Americana de Advogados Matrimoniais disseram que a pornografia virtual estava envolvida na metade dos casos que representaram. “Considerando as consequências negativas do divórcio, sentido principalmente pelas mulheres e crianças, a pornografia, contrariando o movimento do livre-arbítrio, é uma doença social grave”, compara Nicholl.

A socióloga americana Gail Dines é uma das fundadoras do movimento Stop Porn Culture, dá aulas de sociologia e gênero na Faculdade Wheelock, em Boston, e é uma grande crítica da indústria pornográfica. Em seu livro Pornland (Terra do Pornô), ela diz que a pornografia relaciona sexualidade ao menosprezo pelas mulheres. “É uma combinação muito ruim, especialmente quando pensamos que os meninos veem pornografia pela primeira vez por volta dos 13 anos. O que significa para um menino que ainda está desenvolvendo sua sexualidade ver esse tipo de pornografia? Quanto mais erotizamos essas imagens, mais dizemos aos homens que é dessa maneira que eles devem tratar as mulheres, que eles devem achar isso excitante. E os garotos vão construir sua identidade sexual em torno dessas imagens.”

Apelo de quem sabe o que diz – A ex-atriz Jennifer Case admite que os consumidores de pornografia têm parte da culpa pelas mazelas sofridas pelos envolvidos com esse mundo, mas ela diz que compreende que só com a ajuda de Deus os homens conseguem sair do vício, assim como foi com a ajuda de Deus que ela deixou essa indústria. “Homens, Deus ama vocês! Eu amo vocês também e sempre orarei por todos vocês, para que as cadeias sejam quebradas”, diz ela. “Você é escravo da pornografia tanto quanto qualquer atriz pornô. Se você está vendo pornografia ou está viciado em pornografia, você está tentando encher um vazio dentro de você que só Deus pode preencher. Toda vez que você vê pornografia, você está aumentando o vazio, e você destruirá sua vida.”

Ela diz ainda que a pornografia é “maligna” e “é uma droga, veneno e mentira”. “Se você pensa que poderá guardá-la no escuro, Deus a tirará para fora, para a luz, para deter você e curar você.”

Num apelo muito franco, Case diz que “essas mulheres [do mundo pornográfico] são preciosas e merecem ser amadas exatamente como vocês [homens] merecem. Há uma pessoa real do outro lado das imagens que você está vendo, e você está destruindo a vida dela e a vida dos filhos dela. Em toda pornografia existe a filha de alguém. E se fosse a sua filhinha? Você pode realmente estar ajudando na morte de alguém! Atores e atrizes pornôs morrem o tempo todo de aids, overdose de drogas, suicídio, etc. Por favor, parem de olhar pornografia.”

Impressionam os apelos sinceros de mulheres como Shelley Lubben e Jennifer Case. Elas sabem que, como qualquer vício, o da pornografia geralmente começa com o descuido e a curiosidade e vai se aprofundando, até que a pessoa se dá conta de estar escravizada pelo hábito destrutivo. O alcoólico deve ficar longe do álcool. O toxicômano deve passar longe das drogas. E o viciado em pornografia também deve tomar medidas preventivas. Se o problema é a internet, deve-se acessá-la sempre acompanhado de outras pessoas, limitar o tempo de navegação, ser muito focado e específico no uso (evitando navegar a esmo por aí) e colocar filtros no computador.

Finalmente, e mais importante: como disse Jennifer, só com a ajuda de Deus se pode conseguir a libertação do vício. Portanto, se você vive esse drama, intensifique sua comunhão com Deus por meio da oração sincera, do estudo devocional diário da Bíblia, das boas companhias e da frequência regular à igreja. Quando Jesus controla nossa mente, os pensamentos e desejos se tornam puros e corretos.

Michelson Borges é jornalista e mestre em Teologia

“Nos trens, fotografias de mulheres nuas são frequentemente oferecidas à venda. Esses quadros repugnantes são encontrados também em estúdios fotográficos, e são dependurados nas paredes dos que trabalham com gravuras em relevo. É esta uma época em que a corrupção prolifera por toda parte. A concupiscência dos olhos e as paixões corruptas são despertadas pela contemplação e a leitura. […] A mente tem prazer [dopamina] em contemplar cenas que despertam as paixões baixas, vis. Essas imagens depravadas, vistas por olhos de uma imaginação viciada, corrompem a moral e predispõem os iludidos e obcecados seres humanos a darem rédea solta às paixões libidinosas. Seguem-se então pecados e crimes que arrastam para baixo seres formados à imagem de Deus, nivelando-os aos irracionais, afundando-os afinal na perdição. Evitem ler e ver coisas que sugiram pensamentos impuros. Cultivem as capacidades morais e intelectuais” (Ellen G. White, Mente, Caráter e Personalidade, v. 1, p. 229).

 

 

A ligação entre a poligamia e a guerra

Mohamamd Inaamulillah Bin Ashaari centre, Rohaiza Esa, Ummu Habibah Raihaw , Nurul Azwa Mohd Ani,  Ummu Ammarah Asmis[Artigo interessante publicado no The Economist e que ajuda a ilustrar os problemas, as distorções e o sofrimentos ocasionados pela desobediência à vontade de Deus. O casamento bíblico passa longe de tudo isso. – MB]

É uma verdade universalmente reconhecida, ou ao menos largamente aceita no Sudão do Sul, que um homem de posse de uma grande fortuna deve estar interessado em muitas esposas. Paul Malong, o ex-chefe de gabinete do Sudão do Sul, tem mais de 100 – ninguém sabe o número exato. Um site de notícias afirmou serem 112 em fevereiro, após uma das mais jovens fugir para se casar com um professor. Afirmou-se que o casal estava escondido. Para adaptar Jane Austen [romancista inglesa], somos todos tolos no amor, mas especialmente se trairmos um senhor da guerra em um dos países mais violentos do mundo.

Os homens no Sudão do Sul tipicamente se casam tão frequentemente quanto sua fortuna – geralmente medida em gado – permite. Talvez 40% dos casamentos sejam poligâmicos. “Em [nossa] cultura, quanto mais família você tem, mais as pessoas o respeitam”, afirma William, um jovem especialista de TI à procura de sua segunda esposa (seu nome, assim como outros neste artigo, foi mudado). Tendo estudado nos Estados Unidos e retornado a seu vilarejo natal, ele descobriu ser rico comparado aos padrões locais. Então por que se contentar com apenas uma noiva?

Poucos Sudaneses do Sul veem a conexão entre esses costumes matrimoniais e a assustadora guerra civil do país. Se forem questionados quanto ao motivo da violência, os residentes locais culparão o tribalismo, políticos gananciosos, instituições fracas e talvez a riqueza do petróleo, que dá aos senhores da guerra motivo para lutarem. Tudo verdade, mas não é a estória completa.

Onde quer que seja extensamente praticada, a poligamia (especificamente poliginia, a união de múltiplas esposas) desestabiliza a sociedade, por ser uma forma de desigualdade que cria uma imediata necessidade nos corações, e entranhas, de jovens homens. Se um homem rico tem uma Lamborghini, isso não significa que um homem pobre tenha que andar, já que a oferta de carros não é fixa. Em contraste, cada vez que um homem rico toma uma nova esposa, outro homem pobre deve permanecer solteiro. Se os 10% mais ricos e poderosos homens têm, digamos, quatro esposas cada, os 30% mais pobres não podem se casar. Homens pobres tomarão medidas desesperadas para evitar essa condição.

Essa é uma das razões pela qual a Primavera Árabe eclodiu, porque os jihadistas de Boko Haram e o Estado Islâmico foram capazes de conquistar faixas da Nigéria, Iraque e Síria, e porque as regiões poligâmicas da Indonésia e Haiti são tão turbulentas. Sociedades poligâmicas são mais sangrentas, mais propensas a invadirem seus vizinhos e mais fadadas a colapsar do que outras. Tomar múltiplas esposas é parte do cotidiano em todos os 20 países mais instáveis da Lista dos Estados Frágeis, compilado pela ONG Fundo para a Paz.

Uma vez que a poligamia é ilegal na maioria dos países ricos, muitos ocidentais subestimam o quão comum ela é. Mais de um terço das mulheres na África Ocidental são casadas com um homem que tem mais de uma esposa. Casamentos plurais são comuns no mundo Árabe, e não raros no Sudeste da Ásia e em algumas partes do Caribe. As culturas envolvidas são geralmente patrilineares, ou seja, a família é definida pela linhagem masculina. São também patrilocais: esposas se unem à família do marido e abandonam sua própria. Casamentos são geralmente selados pelo pagamento de um dote da família do noivo à família da noiva. Isso deve supostamente compensar a família da noiva pelo custo de sua criação.

Alguns homens atraem múltiplas esposas por serem excepcionalmente carismáticos, ou persuadindo outras de que eles são santos. “Deve haver exemplos de homens líderes de cultos que não fazem uso de suas posições para incrementar sua própria poliginia, mas eu não consigo pensar em nenhum”, diz David Barash, da Universidade de Washington em Fora do Eden: As Consequências Surpreendentes da Poligamia. No entanto, o mais importante facilitador da prática não é a distribuição desigual de charme, mas a distribuição desigual de riqueza. Sociedades baseadas em dotes, onde a riqueza é distribuída de forma irregular as leva à poligamia – que por sua vez inflaciona o preço das noivas, algumas vezes a níveis destruidores. No terrivelmente pobre Afeganistão, o custo de um casamento para um jovem homem gira entre 12 a 20 mil dólares.

Ao aumentar o preço das noivas, a poligamia tende a aumentar a idade na qual jovens homens se casam; leva um longo tempo para se guardar dinheiro suficiente. Ao mesmo tempo, diminui a idade na qual as mulheres se casam. Todos menos as famílias mais ricas precisam “vender” suas filhas antes que eles tenham condições de “comprar” esposas para seus filhos; eles também querem que as esposas que eles vendem sejam jovens e férteis. No Sudão do Sul, “uma garota é considerada uma velha senhora na idade de 20 anos porque ela não pode ter muitos filhos após isso”, disse um homem local a Marc Sommers, da Universidade de Boston, e Stephanie Schwartz, da Universidade de Columbia. Um ancião tribal descreveu a matemática da situação. “Quando você tem 10 filhas, cada uma lhe dará 30 vacas, e todas são destinadas [ao pai]. Então você tem 300 vacas.” Se um patriarca vende suas filhas aos 15 anos e não deixa seus filhos se casarem até que tenham 30 anos, ele tem 15 anos para desfrutar do retorno dos bens recebidos dos dotes. Há muito leite.

Valerie Hudson, da Universidade A&M do Texas, e Hilary Matfess, de Yale, descobriram que um dote inflacionado é um fator “crítico” “predispondo jovens homens a se envolverem em grupos organizados de violência por motivos políticos”. Grupos terroristas sabem disso, também. Muhammad Kasab, um terrorista Paquistanês enforcado por sua atuação nos ataques em Mumbai em 2008, afirmou ter-se juntado a Lashkar-e-Taiba, o agressor jihadista, por lhe ter sido prometido pagamento a seus irmãos para se casarem. Na Nigéria, Boko Haram organiza casamentos para seus recrutas. O chamado Estado Islâmico costumava oferecer a recrutas estrangeiros 1.500 dólares para uma moradia inicial e uma lua de mel grátis em Raqqa. Grupos radicais islâmicos no Egito também organizaram casamentos baratos para membros. Não é apenas na próxima vida que são prometidas virgens aos jihadistas.

A mais profunda depravação

No Sudão do Sul, dotes podem variar de 30 a 300 vacas. “Para jovens homens, a aquisição de tanto gado de formas legítimas é praticamente impossível”, escreve a Srta. Hudson e a Srta. Matfess. A alternativa é roubar um rebanho da tribo vizinha. Em um país inundado de armas, tais roubos de gado são tão sangrentos quanto são frequentes. “Sete mortos, outros 10 feridos em roubo de gado em Eastern Lakes”, diz uma típica notícia no This Day, um jornal Sudanês do Sul. O artigo descreve como que “jovens armados de comunidades vizinhas” roubaram 58 vacas, deixando sete pessoas – e 38 vacas – mortas a tiro “num trágico fogo cruzado”.

Milhares de sudaneses do Sul são mortos em roubos de gado todo ano. “Quando você tem vacas, a primeira coisa a fazer é adquirir uma arma. Se você não tem uma arma, pessoas tomarão suas vacas”, afirma Jok, um vaqueiro de 30 anos de idade em Wau, uma cidade sudanesa do Sul. Ele carrega apenas um facão, mas afirma que seus irmãos têm armas.

Jok ama vacas. “Elas te dão leite, você pode se casar com elas”, ele sorri. Ele afirma que irá se casar neste ano, apesar de não ter vacas suficientes e, a julgar por suas roupas rasgadas, ele não tem dinheiro para comprá-las também. Ele é vago em dizer como irá adquirir as ruminantes necessárias. Mas qualquer um pode notar que ele está pastando seu rebanho numa terra que foi recentemente limpada etnicamente. Os Dinkas, assim como Jok, andam livremente em Wau. Membros de outras tribos que costumavam viver na região agruparam-se em acampamentos para deslocados, guardados por tropas de paz das Nações Unidas.

Todas as pessoas nos acampamentos contam histórias similares. Os Dinkas vieram, vestidos de azul, e atacaram suas casas, matando os homens e roubando tudo que podiam carregar, incluindo gado e jovens mulheres. “Muitos da minha família foram mortos ou estuprados”, afirma Saida, uma comerciante do vilarejo. “Os atacantes cortam a cabeça das pessoas. Todos os jovens homens desapareceram de nosso vilarejo agora. Alguns se juntaram aos rebeldes. Alguns fugiram para o Sudão.” O marido de Saida escapou e está agora com sua outra esposa em Khartoum, a capital Sudanesa. Saida foi deixada cuidando de cinco filhos. Questionada do porquê tudo isso estar acontecendo, ela desaba em lágrimas.

“Se você tem uma arma, você consegue tudo o que quiser”, diz Abdullah, um fazendeiro expulso de sua terra para que saqueadores Dinka pudessem levar seu gado para pastar ali. “Se um homem com uma arma diz ‘Quero me casar com você’, você não pode dizer não”, diz Akech, uma ajudante. Por isso que garotos adolescentes andam ao redor de batalhas no Sudão do Sul. Quando um combatente é morto, eles correm e roubam sua arma para que possam se tornar combatentes também.

De forma geral, a poligamia está recuando. No entanto, seus apoiadores estão lutando para preservá-la e até mesmo estendê-la. Dois quintos dos cazaques querem relegalizar a prática (foi banida pelos bolcheviques). Em 2008 eles foram impedidos, ao menos temporariamente, quando uma parlamentar propôs um projeto de lei sugerindo que a poliandria – a tomada de múltiplos maridos – seria autorizada também; anciãos muçulmanos rejeitaram a proposta.

No Ocidente a poligamia é muito rara para ser socialmente desestabilizadora. Até certo ponto é porque é feito em série. Homens ricos e poderosos regularmente trocam esposas velhas por outras mais jovens, dessa forma monopolizando os primeiros anos reprodutivos de várias mulheres. Mas isso é feito com algumas mulheres, não algumas dezenas. Os enclaves poligâmicos nos Estados Unidos dirigidos por seitas mórmons dissidentes são altamente instáveis – os homens mais velhos no comando expulsam grandes quantidades de jovens homens por ofensas triviais para que eles possam se casar com várias jovens mulheres. No entanto, alguns candidatos argumentam que a poligamia paralela deveria se tornar legal. Se a constituição determina que o casamento gay é permitido (como o Supremo Tribunal aprovou em 2015), então certamente é inconstitucional proibir o casamento plural, eles argumentam. “Casamento em grupo é o próximo horizonte do liberalismo social”, escreve Fredrik deBoer, um acadêmico, no Politico, com base em que relacionamentos poliamorosos de longo prazo merecem tanta proteção legal quanto quaisquer outras uniões livres.

Proponentes de poligamia oferecem dois principais argumentos além da preferência pessoal. Um é que é abençoado no Alcorão, o que é verdade. O outro é que ela dá a mulheres uma melhor chance de evitar se tornarem velhas solteironas. Rania Hashem, uma candidata pró-poligamia no Egito, afirma que há uma quantidade reduzida de homens em seu país. (Não há, mas essa é uma concepção errônea entre os poligamistas.) Se mais egípcios ricos e educados tomarem múltiplas esposas, diz ela, isso tornará mais fácil para as mulheres exercitarem seu “direito de terem um marido”. Mona Abu Shanab, outra egípcia defensora da poligamia, argumenta que a poligamia é uma forma sensível de mitigar a frustração sexual masculina, causa comum de divórcio. “Mulheres após o casamento desprezam seus maridos [e] focam em seus filhos. Elas… sempre têm uma desculpa para não se envolverem em relações íntimas; elas estão sempre ‘cansadas’ ou ‘doentes’. Isso deixa os homens desconfortáveis e os leva a… terem uma namorada.”

Alguns homens veem a poligamia como uma resposta pragmática à infertilidade feminina. “Minha primeira esposa era estéril”, afirma Gurmeet, um senhor de terras de 65 anos em Lahore, Paquistão. Em certo momento “ela disse que nossa incapacidade de ter filhos era por causa de minha condição médica, não dela. Eu fiquei furioso. Eu me voltei para a religião e fui guiado [por Deus] a tomar uma segunda mulher”. Ele estava planejando tentar fertilização in vitro, mas o aviso de Deus pareceu um melhor investimento. Inicialmente, sua primeira esposa estava “indisposta a dividir minhas afeições com outra mulher”. Mas, com o passar do tempo, ela aceitou a situação, diz Gurmeet. Ele dividiu a casa em duas partes, assim suas esposas poderiam viver separadamente. Ele dividiu seu tempo igualmente entre elas. “Funcionou”, ele diz. A segunda esposa teve seis filhos. Mas Gurmeet resmunga que ela se vestia menos elegantemente do que sua esposa sem filhos e não mantinha seus cômodos tão organizados.

Poligenia é algo difícil para os homens, mas bom para as mulheres, diz Gurmeet, porque é “indesejável” para uma mulher ser solteira. Questionado sobre poliandria, Gurmeet diz: “Eu desaprovo veementemente. É contra a natureza uma mulher ter múltiplos parceiros.” Ele elabora: “Quando jovem eu tinha galinhas. O galo tem muitas galinhas, mas ele não permite às fêmeas acasalarem com mais de um parceiro. Então é contra a lei natural.”

Ruim para as noivas

 A poligamia “pode funcionar, desde que se faça justiça a [todas as esposas] igualmente”, diz Amar, um juiz Paquistanês com duas esposas. “Se você não der preferência a uma acima das outras, nenhum problema surge.” Ele admite que se duas esposas vivem juntas na mesma casa, “uma rivalidade natural” surge. Dividir uma propriedade também pode se tornar complicado e leva a muito litígio.

Mas Amar acha que ele fez dar certo. “Minha rotina é: eu passo uma noite com uma esposa e uma noite com a outra. Dessa forma, ninguém se sente maltratada. E eu dou a elas exatamente a mesma quantidade de dinheiro para gastar: cada uma tem um cartão de crédito. Como juiz, é [minha] obrigação primária promover justiça.” Uma de suas esposas entra na sala e oferece dar seu lado da história. Seu marido a expulsa, com irritação visível, antes que o correspondente possa fazer qualquer pergunta.

Apesar de as mulheres numa sociedade poligâmica acharem ser relativamente fácil se casar, a qualidade de seus casamentos talvez não seja alta. Como tais noivas são geralmente muito mais novas, sem mencionar o baixo índice de escolaridade, se torna difícil para elas confrontar seus maridos. E o dote não é favorável a um relacionamento de iguais.

No Sudão do Sul, aproximadamente 80% dos habitantes acham aceitável para um marido bater em sua esposa por coisas como recusar sexo, queimar o jantar e por aí vai. O divórcio requer que a família da noiva devolva o dote; eles insistem então que a mulher abusada fique com seu marido não importa o quão mau ele a trate.

A poligamia é também ruim para as crianças. Um estudo com 240 mil crianças em 29 países africanos identificou que, após eliminar outros fatores, aquelas em famílias poligâmicas eram mais propensas a morrer jovens. Um estudo entre os Dogon de Mali identificou que uma criança em uma família poligênica era sete a onze vezes mais propensa a morrer cedo que uma criança em uma família monogâmica. O pai gasta mais seu tempo procriando do que cuidando dos filhos que já possui, o Sr. Barash explica. Além disso, de acordo com os próprios Dogon, coesposas ciumentas muitas vezes envenenam os filhos das outras, assim seus filhos herdam mais.

Para Akech, a ajudante sul-sudanesa, crescer em uma família poligâmica “não foi fácil”. Seu pai, um antigo comandante rebelde, teve oito esposas e numerosas concubinas. Ela tem 41 irmãos, que ela tem conhecimento. Quando tinha seis anos, ela costumava ir buscar 20 litros de água todos os dias para sua mãe fazer siko, um tipo de bebida alcoólica. Algumas vezes seu pai chegava bêbado, batia na porta e pegava o dinheiro da sua mãe para gastar com outra mulher. Akech se lembra de seus pais discutindo muito. Isso posto, a família estendida podia se juntar em uma emergência. Quando seu pai foi baleado na perna, suas esposas se juntaram para limpá-lo, leva-lo ao hospital e pagar por suas despesas médicas.

Um dia, quando Akech estava na universidade, seu pai pediu a ela que viesse vê-lo. “Nós nunca tivemos uma relação de pai e filha, então eu fiquei animada”, ela se lembra. Quando ela chegou, ele apresentou a ela um amigo oficial e mandou ela se casar com ele. Ela ficou horrorizada. O amigo de seu pai tinha 65 anos. Akech tinha 19. Ela fingiu aceitar a proposta e disse que queria apenas retornar a sua faculdade, que ficava em um país vizinho, para pegar suas coisas. Seu pai concordou. Ela voltou à faculdade e ficou lá.

Isso foi há mais de uma década. Akech voltou para completar a universidade e encontrar um bom emprego. Ela recentemente comprou para seu agora idoso pai uma casa, em parte para mostrar a ele o valor de sua educação, mas também por um sentimento residual de culpa por tê-lo outrora desafiado. “Em minha cultura, nossos pais não nossos deuses terrenos. Eu tentei não desapontá-lo”, ela diz. Ele nunca pediu desculpas por tentar vendê-la.

(The Economist, com tradução de Leonardo Serafim)