Pular carnaval é como ir para a guerra

carnavalNos últimos dias recebi tantos releases de agências de notícias chamando atenção para os perigos relacionados ao Carnaval que me veio à mente o clima de guerra, mas, nesse caso, por um motivo bem banal e carnal, evidentemente. Ninguém está indo para as ruas e os salões para defender seu país ou uma causa; está indo unicamente para se divertir – e de uma forma bem perigosa, pelo que li nos releases. Veja algumas dicas dos especialistas (todas extraídas desses e-mails) e me diga se estou errado:

Nos dias de folia, as mulheres devem levar na bolsa um kit básico com camisinhas, lenços de papel, lenços umedecidos e álcool em gel a fim de evitar doenças e infecções

Mulheres, redobrem os cuidados nos dias de folia, principalmente em razão da vida sexual mais ativa e da necessidade, muitas vezes, de uso de banheiros públicos, além do calor típico desta época do ano. Tudo isso junto é uma bomba relógio. Como é quase impossível saber, com certeza, se o crush de carnaval pode te passar o vírus da aids ou outra DST; ou se naquele dia “x” você pode engravidar, a prevenção é essencial.

Se a pessoa – homem ou mulher – foi infectada antes desse encontro no Carnaval, você não tem como saber e talvez nem ele mesmo saiba que tem uma doença venérea. Então, não dá para abrir mão da prevenção. Além disso, existe o risco de uma gravidez indesejada. Os métodos mais comuns de prevenção são a camisinha e as pílulas anticoncepcionais. Mas vale ressaltar que o anticoncepcional não previne as DSTs [e mais: o HPV pode ser pego mesmo com camisinha. Sabia?].

A diversão do momento, embalada por festas, maior oportunidade de relacionamentos e uso de bebidas alcoólicas, faz com que homens e mulheres sejam menos cuidadosos durante as relações sexuais e, consequentemente, aumentem a disseminação de doenças e infecções sexualmente transmissíveis (IST).

A aids é uma das doenças que mais assusta, porém, outras DSTs também podem causar sérios danos à saúde, principalmente por serem assintomáticas e receberem diagnósticos tardios.

Causada pela bactéria Chlamydia trachomatis, a clamídia é a DST mais comum no mundo. Corrimento amarelado e espesso, dor abdominal e queimação ao urinar são alguns dos sinais. No entanto, a doença é assintomática para cerca de 80% das mulheres. O risco está na grande probabilidade de propagação e na possibilidade de parto prematuro, complicações e até morte do bebê durante a gestação.

Já a sífilis apresenta três estágios, com agravamento do risco conforme evolução. No início, costuma apresentar lesões como caroços rosados que geralmente desaparecem em algumas semanas. A infecção, no entanto, permanece latente e pode voltar a se manifestar e agravar a qualquer momento.

O herpes genital pode se tornar uma herança para a vida toda: não tem cura, apenas tratamento para as crises, geralmente desencadeadas por diminuição da imunidade ou estresse.

Também da família herpes e catapora, o citomegalovírus (CMV) é um vírus que pode ser contraído por meio da relação sexual. A doença apresenta grandes riscos para o feto cuja mãe foi infectada na gravidez, pacientes imunossuprimidos e transplantados.

A hepatite B também é uma DST porque o vírus está presente no sangue e no esperma. Afeta principalmente o fígado e os sintomas podem demorar até seis meses para aparecer.

O perigo também pode estar num simples beijo. O contato direto com saliva contaminada pode transmitir o vírus Epstein-Barr (EBV) e causar a mononucleose, também conhecida como a doença do beijo. Ela causa mal-estar, febre, dores de cabeça e garganta, ínguas e hepatite leve. Em pacientes imunossuprimidos ou transplantados, pode gerar graves complicações. Depois de curada, essa pessoa pode transmitir a bactéria por até seis meses. O beijo também pode causar doenças como sapinho e candidíase bucal (fissura no lábio), ocasionada pela Candida albicans.

A falta de higiene íntima, tanto para o homem quanto para mulher, pode acarretar inflamações e irritações na área genital, que vão desde coceiras até infecções graves por fungos e bactérias. Em casos ainda mais críticos, pode ocasionar o câncer de pênis. Segundo dados do comitê científico do Instituto Lado a Lado pela Vida, todos os anos cerca de 1.600 homens precisam amputá-lo parcial ou totalmente no Brasil por causa do câncer no membro.

Aids e as demais doenças sexualmente transmissíveis, como HPV, herpes genital, gonorreia, hepatite B e C e, sobretudo, sífilis, vêm apresentando aumento no número de ocorrências no Brasil, acompanhando uma tendência mundial.

No Carnaval é tanto som alto que é preciso ter cuidado com os ouvidos. O barulho em excesso nos blocos e trios elétricos pode prejudicar a audição, não só dos foliões, mas também dos músicos e percussionistas. Qualquer pessoa que permanecer próxima a sons muito altos está sujeita a sofrer um dano auditivo, que pode ser temporário ou permanente.

Para se ter uma ideia, quem fica a 50 metros de um trio elétrico está exposto a um ruído de 96 decibéis, e quem fica logo atrás do trio enfrenta um barulho ainda maior, que pode chegar a 120 decibéis, intensidade próxima a de uma turbina de avião. Os integrantes da bateria de uma escola de samba não têm noção, mas também estão às voltas com ruídos de até 110 decibéis; lembrando que o ouvido humano suporta bem sons de até 85 decibéis.

Além de todos esses perigos, há também os riscos de se dirigir nessa época, por causa dos motoristas irresponsáveis que consomem álcool e depois vão dirigir. Portanto, cuidado redobrado!

Eu não participo das festividades de Carnaval por motivos religiosos e morais, obviamente. Mas, mesmo que não fosse por isso, considerando todos os riscos envolvidos, ainda seria sábio ficar longe dessa pausa imoral em nosso calendário, quando as obscenidades e a baixaria são liberadas. O sexo criado por Deus e que deve ser praticado com a pessoa certa e no contexto certo (matrimonial) não tem contraindicações e é saudável. A diversão/recreação orientada pelos princípios bíblicos não tem contraindicações e é saudável. Por isso, em lugar de “cair na folia”, de ir para essa guerra e ser atingido por uma bala perdida, prefiro pegar minha família e ir para um retiro espiritual, alimentar-me espiritualmente e me divertir de forma pura. [MB]

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Beijar várias bocas no carnaval pode trazer doenças

beijoO beijo na boca pode transmitir desde uma simples gripe ou resfriado, até doenças mais graves como hepatite B e tuberculose. O alerta para o período do carnaval, época em que as pessoas beijam vários parceiros desconhecidos, é do clínico geral e professor do departamento de medicina da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) Bernardino Geraldo Alves Souto. “Se estiver com sangramento, o risco aumenta ainda mais”, afirmou. Segundo Souto, as doenças podem ser transmitidas pela cavidade oral ou nasal. “As viroses respiratórias podem ser transmitidas pelo beijo na boca. Gripe, meningite, tuberculose, herpes são muito frequentes e também a mononucleose, uma doença que começa com febre, ínguas pelo corpo, e pode evoluir para hepatite ou inflamação no baço”, explicou o professor.

O ambiente escuro e úmido é propício para o desenvolvimento de várias bactérias. De acordo com o cirurgião dentista Silvio Segnini, só na boca há mil bactérias diferentes. “Sem contar as que são desconhecidas. E o mau hálito pode ser um indicativo dessas bactérias ou de alguma afecção na garganta”, falou Segnini. A má conservação dentária é outro fator que amplia a probabilidade de transmissão.

Entretanto, observar o aspecto da pessoa a ser beijada nem sempre é suficiente para evitar o risco. “Isso porque algumas doenças podem ser transmitidas mesmo se não estiverem na fase aguda. Claro que se for na fase aguda, a transmissibilidade é maior, mas, por exemplo, se o vírus da gripe estiver na pessoa um dia antes do beijo, ela não vai ter sintoma e pode transmiti-lo”, afirmou.

Assim também é com o herpes e com a mononucleose, conhecida popularmente como doença do beijo. “A pessoa que transmite essas doenças pode não estar com sintoma naquele momento. A mononucleose pode levar de uma semana a seis meses para ser curada, a resposta ao tratamento é variável”, disse Souto.

Para o professor da UFSCar, o ideal é evitar locais fechados. “Se a aglomeração tiver que acontecer, é bom que seja em lugares ventilados, porque quanto mais fechado o local,  maior é o risco de transmissão de doenças”, orientou Souto.

Outra atitude que pode ajudar a evitar a transmissão de doenças é fugir dos excessos. “Beijar qualquer um o tempo todo facilita a transmissão, há que se evitar o excesso”, recomendou. “Aliás, qualquer tipo dele, inclusive o de bebida, até porque o fator agravante do carnaval é que com muita bebida ou droga a pessoa perde a capacidade de administrar o próprio comportamento e extrapola, então isso deve ser evitado”, completou o professor.

Entre as doenças que podem ser transmitidas pelo beijo na boca estão gripe, resfriado, faringite, amigdalite, hepatite B, mononucleose, herpes labial, tuberculose e meningite.

(G1 Notícias)

Nota: Melhor mesmo é ir acampar com a família e beijar muito seu cônjuge. [MB]

Leia também: “Sexo, a verdade nua e crua”“Beijar o mesmo homem protege contra doença”“Curiosidades sobre o beijo”

Quando o futebol vira religião

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Exercício físico e esportes são bons hábitos e ninguém nega isso. Mas, quando se tornam uma obsessão (como outras coisa mais), o problema se instala. Há quem frequente academias apenas para postar selfies do corpo bombado, ficando a saúde física e o bem-estar emocional em segundo ou terceiro planos, em detrimento da vaidade. Há também aqueles que vivem para o futebol, por exemplo. Não apenas jogam por diversão ou acompanham um time como forma de entretenimento. Não. Para esses, o tema futebol absorve a maior parte do tempo e das atenções. Vivem falando sobre isso. Fazem do esporte uma verdadeira religião. Sabedores disso, os dirigentes do Corinthians resolveram escancarar o que já se sabia… Veja só a notícia veiculada no site do SportTV:

“O Corinthians lançou na noite desta segunda-feira, no programa ‘Bem, Amigos’, do SporTV, sua nova campanha de marketing, batizada de ‘Corinthianismo – Fiel até o fim’. Com a ação, o Corinthians pretende reforçar e resgatar alguns de seus valores, como o lado sofredor da torcida, que encara o clube como uma religião. […] Além do vídeo, ‘Corinthianismo – Fiel até o fim’ conta com dez mandamentos cravados em pedra instalada na Arena Corinthians, santinhos entregues à torcida, terço próprio e ações nas redes sociais. O Timão também lançará um site com uma vela que o torcedor pode acender para mandar energia positiva ao clube, um confessionário digital, no qual o fiel pode revelar o que já fez pelo Timão em texto, áudio ou vídeo, e um livro com a doutrina e história do corinthianismo (com milagres, peregrinações e cânticos).”

Veja o vídeo e constate a blasfêmia:

Vou deixar claro: não gosto de futebol. Quando muito, assisto às partidas da Seleção Brasileira em final de Copa do Mundo. Creio que esse desinteresse venha lá da infância. Meu pai foi jogador profissional. Jogou no Figueirense de Florianópolis e em outros times. Mesmo com mais de 70 anos, ainda joga com amigos e é considerado craque. O filho não. É um verdadeiro perna-de-pau. Mas reconheço que o futebol, como brincadeira, tem lá suas vantagens, tanto que muita gente acha que meu pai tem menos de 60. Acontece que minha mãe, minhas irmãs e eu sempre vimos a bola como uma concorrente, disputando conosco a atenção e o tempo do marido/pai. Será que reside nisso minha desmotivação pelo esporte que caracteriza meu país? Os psicólogos que me expliquem…

Bem, o que me levou a essas reflexões anos atrás (revividas agora pelo Corinthianismo) foi a reportagem que eu havia ouvido na rádio Band News, quando retornava de Florianópolis para Tatuí. Passando por Curitiba, sintonizei a emissora e ouvi o jogador Roberto Carlos dando entrevista sobre sua então recente contratação pelo Corinthians. O discurso foi o mesmo de sempre: promessas de amor eterno à camisa, etc., etc. Então, um dos dirigentes do time soltou a pérola: “Agora Roberto Carlos vai vestir o manto sagrado branco e preto.” Manto sagrado?! É essa devoção que me tira do sério e não o meu “trauma de infância”. Pode acreditar.

Fico triste quando ouço jovens cristãos falando com empolgação das conquistas do time para o qual torcem, mas sem entusiasmo pela missão da igreja. Podem mencionar a escalação completa da equipe esportiva, inclusive de anos passados, mas mal sabem o nome dos doze apóstolos. Gastam somas consideráveis em dinheiro na compra de camisetas oficiais e outros souvenires, mas relutam em dar ofertas. Parece que se esqueceram do que significa ser cristão; que cremos numa verdade capaz de abalar o mundo – afinal, nosso Mestre é Deus que Se fez homem, morreu numa cruz para nos salvar e prometeu voltar!

É como diz o texto de C. S. Lewis, que li no Devocionário de Bolso Um Ano Com C. S. Lewis, da Editora Ultimato, página 11: “Acreditar em um ‘Deus impessoal’ – tudo bem. Em um Deus subjetivo, fonte de toda a beleza, verdade e bondade, que vive na mente das pessoas – melhor ainda. Em alguma energia gerada pela interação entre as pessoas, em algum poder avassalador que podemos deixar fluir – o ideal. Mas sentir o próprio Deus, vivo, puxando do outro lado da corda, aproximando-se em uma velocidade infinita, o caçador, rei, marido – é outra coisa.”

Se os cristãos mantivessem comunhão com esse Deus real, que fala, guia, ilumina e ama, não teriam mais tempo nem disposição para se envolver com futilidades e, pior, idolatrias. Enquanto a Verdade liberta (João 8:32), o vício (de qualquer espécie) escraviza.

Marx dizia que a religião é o ópio do povo. Discordo, pois a verdadeira religião tem a capacidade de libertar. Mas que há muitos opiáceos disfarçados por aí, isso há. E o “futebolópio” pode muito bem ser um desses. E olha que narcotiza multidões!

O manto sagrado é a justiça que Cristo quer colocar sobre nós, não a alienação promovida por um esporte que poderia ser saudável, se não tivesse sido transformado em pão, circo e culto religioso.

Michelson Borges

Leia também: “Para CBF, futebol serve à ‘desinformação do povo’” e “Diga não ao futebol, sim à família”

Cuidado! Seu filho pode estar viciado em Fortnite

fortnite-1O vício é um problema sério que pode afetar pessoas e famílias inteiras. Mas ele não aparece só em situações mais óbvias, como no caso do uso de drogas (lícitas ou ilícitas) – alguns pais estão precisando enviar seus filhos para clínicas de reabilitação para que consigam se livrar da necessidade extrema de jogar, o tempo todo, o game Fortnite. Conforme contou a publicação Bloomberg, aumentou vertiginosamente a quantidade de pessoas buscando terapia ou outros métodos para tentar acabar com o vício de seus filhos no game, que é um sucesso absoluto incontestável. Alguns até enviam seus pequenos para clínicas mais isoladas para que fiquem um tempo se desintoxicando não só do Fortnite, mas de tecnologia como um todo.

Um experiente conselheiro de clínicas para crianças, que já trabalhou nos estados da Califórnia e da Carolina do Norte, afirmou que metade dos pacientes com os quais lidou nessas ocasiões estavam lá pelo mesmo motivo: vício em Fortnite. Uma das mães que precisou levar o filho para tratamento afirmou que nunca havia visto um jogo que tivesse tanto controle sobre a mente das crianças. […]

(Tecmundo)

Nota: O assunto é sério e os pais precisam estar atentos. Os videogames viciam e estão tomando cada vez mais o tempo que poderia e deveria ser dedicado à leitura e a outras atividades edificantes. No caso do Fortnite, em menos de um ano o game faturou mais de 1,3 bilhão de dólares e ganhou versões em todas as plataformas, inclusive para celular. Em junho do ano passado, a Epic Games, a empresa desenvolvedora, informou que o jogo havia ultrapassado a marca de 125 milhões de jogadores. O design estilo cartoon ajuda a atrair a atenção de um público mais novo, apesar de também ser popular entre adolescentes e jovens adultos. O vício em videogames já é considerado pela Organização Mundial da Saúde como um distúrbio mental que pode originar várias consequências, como a exaustão gerada pela falta de sono, agressividade, depressão e isolamento. Em meu livro Nos Bastidores da Mídia dedico um capítulo ao estudo do fenômeno dos videogames. [MB]

Leia mais sobre videogames aqui.

Os jovens e a crise de identidade cristã

baladaDiversos motivos podem justificar a evasão de jovens das igrejas. Algumas situações evidentes seriam o desinteresse que pode surgir com o tempo, a falta de amigos na comunidade religiosa que frequentam, conflitos pessoais, estilos diversos de vida que confrontam valores cristãos, a desconexão da fé com a ciência, a falta de preparo dos líderes para tirar suas dúvidas e, em especial, a superficialidade cognitiva da fé bíblica. Em se tratando de superficialidade da fé, refiro-me ao conhecimento que faz transbordar confiança, entrega e encanto pela verdade de Deus. Aquele entendimento cognitivo que promove fé genuína, ao invés de fideísmo; poder moral, ao invés de religião sentimental; inteligência e saber racionais, ao invés de mera informação frívola; compromisso e fidelidade espirituais, ao invés de sincretismo místico; e, também, amor como princípio, ao invés de impulsos emotivos de momentos.

Por causa da secularização nos grandes centros do saber, alguns têm-se inclinado a acreditar que o conhecimento é inimigo da fé (Bíblia). Na verdade, o conhecimento pode ser tanto amigo da fé quanto inimigo dela. Explico: o conhecimento convencional se torna inimigo da fé quando a fé se torna fraca em conhecimento de si mesma. Em outras palavras, quando o jovem conhece pouco da verdade, como poderia ele sobreviver em meio ao tsunami de informações que contrapõem sua fé?

Uma pesquisa realizada pelo American Culture & Faith Institute[1] (ACFI, na sigla em inglês) com seis mil pessoas nos Estados Unidos descobriu que apenas 14% dos cristãos conhecem questões básicas ligadas à fé que professam. A pesquisa apenas veio ao encontro do que temos presenciado todos os anos: apostasia quase generalizada, especialmente entre jovens que ingressam nas universidades.

Nancy Pearcey, cristã, mestre em Ciências Sociais e Filosofia, pontua que “a religião perdeu sua reivindicação à universalidade e seu poder de interpretação”[2], e oferece como resposta ou razão a perda do espaço como verdade absoluta. Ou seja, o conhecimento que constrói a identidade cristã tem sido minguado, escasso e superficial. À medida que o conhecimento profundo, que tem por pressuposto as reivindicações da Reforma Protestante do Sola e Tota Scriptura, foi se evaporando dos pequenos ou grandes programas espirituais, especialmente os que são direcionados aos jovens cristãos. No lugar deles foi sendo acrescentado o entretenimento vazio, o show e os contos cômicos.

A Bíblia, de um livro sério que apela para conversão, arrependimento, contrição de consciência, renúncias, sacrifícios e lutas, passou lentamente a ser, nas variadas igrejas cristãs, o livro dos gracejos, das anedotas humorizadas e o livro dos pastores bacanas e descolados. Por exemplo, basta ler uma narrativa da Bíblia de forma superficial e enchê-la exaustivamente de gestos, historinhas e, claro, não podem faltar anedotas engraçadas, estimulantes e excitantes com muita música ruidosa e dançante. Isso tem transformado tais programações em grandes shows de excitamento e exaltação emocional, e os pastores em heróis do gracejo, ídolos ou fetiches do espiritualismo cristão.

Até mesmo o falecido filósofo Allan Bloom, que alguns acreditam ter sido ateu, pontuou que “a falta de cultura leva simplesmente os estudantes [jovens] a procurar informações onde elas estejam disponíveis, sem capacidade para distinguir entre o sublime e o reles, o conhecimento profundo e a propaganda”.[3] Ou melhor, no contexto do tema aqui tratado, a falta de conhecimento profundo, infelizmente promovido por muitas igrejas cristãs, leva os jovens a se aprofundarem no que simplesmente está disponível. Agora, o que está disponível? O que as igrejas têm oferecido para os jovens cristãos da atualidade? Alimento que mexe com os estímulos da carne ou com os estímulos da consciência?

Uma vez que todo e qualquer desafio para a fé está diretamente ligado ao conhecimento do “bem e do mal” (Gn 2:17), é por esse motivo que a igreja também precisa ter um ministério voltado para o cognitivo. Do que essa juventude mais precisa? Conhecimento bíblico embasado, profundo e comovente. Aquele conhecimento que unifica a ciência e a revelação – que faz a ciência ser aliada da verdade revelada de forma racionalmente absoluta e inquestionável. Mas, infelizmente, o que muitos líderes religiosos mais têm se preocupado em dar para a juventude é entretenimento vazio. Resultado: apostasia generalizada quando se deparam com o antagonismo filosófico/científico e provações diversas.

Ellen White afirma que não “devemos perder a oportunidade de nos preparar intelectualmente”.[4] Também esclarece que o conhecimento da ciência verdadeira abre a mente para vastos campos de pensamento e informação,[5] abre o espírito para a ampliação das ideias, habilitando-nos a ver Deus em Sua criação, com provas de Seu poder,[6] e que, além de enobrecer, estabelece perfeita harmonia entre a ciência e Sua Palavra.[7] Ela também escreveu que foi Deus quem inundou o mundo com descobertas científicas e artísticas, mas que esse dilúvio de informação precisa ser guiado pela sabedoria da Sua Palavra.[8] Portanto, é aqui que começa o ministério da igreja, especialmente para a juventude universitária de nossa geração.

É exatamente o que procuro fazer no meu ministério para os jovens em suas reuniões de pequenos grupos, em pregações nas igrejas, reuniões de jovens e em simpósios criacionistas/científicos/filosóficos, ou qualquer outro encontro que me possibilite expor a Palavra diante deles. Acredite, quando isso é oferecido, eles se apaixonam mais ainda pela verdade. Mas, ao contrário disso, alguns, equivocadamente, acreditam que para segurar os jovens cristãos na igreja é necessário ser um líder espalhafatoso, ser #PastorShow, criar programas bíblicos humorísticos e oferecer coisas baseadas em filmes hollywoodianos e culturalmente populares.

A justificativa que alguns apresentam é que os jovens não lidam muito bem com as coisas difíceis e profundas da Bíblia. Também argumentam que eles serão mais facilmente alcançados e fortalecidos se usarmos uma linguagem mais simples e dinâmica. O problema é que, para alguns líderes, tornar a linguagem da Bíblia mais simples e apetitosa aos jovens significa associá-la com o que é mais comum na cultura e no entretenimento populares. A exemplo do mito do cavalo de Tróia, tais práticas não têm fortalecido os jovens para serem oposição ao mundo, mas, sim, simpatizantes dele. Ellen White advertiu: “A conformidade aos costumes mundanos converte a igreja ao mundo; jamais converte o mundo a Cristo.”[9]

Uma pergunta: Por que esses mesmos jovens que estudam equações de 1º e 2º grau, trigonometria, línguas, física quântica, termofísica, química, álgebra, engenharias diversas seriam incapazes de aprender coisas profundas e sérias da Bíblia? Alguma coisa me parece estranha nisso. Prova? Como no dito popular, o tiro tem saído pela culatra – evasão de jovens pela tangente.

A verdade bíblica e o verdadeiro conhecimento científico/filosófico devem fazer parte da vida da igreja deste século. A igreja moderna ou atualizada, na verdade, não é aquela que se torna relevante meramente nos costumes ou em práticas secularizadas, mas a igreja que tem respostas para as indagações que mais desafiam a verdade bíblica. A igreja verdadeiramente relevante é a que torna o conhecimento e o saber verdadeiramente mais relevantes do que o pseudoconhecimento que contrapõe a verdade. Foi assim que Jesus definiu o conhecimento consistente, minucioso e profundo da verdade como sendo o agente libertador (Jo 8:32), e este é o principal ministério da igreja: encher a mente e o coração das pessoas do conhecimento libertador e que possibilita claro discernimento da linha que separa o “conhecimento do bem” do que se define como “conhecimento do mal” (Gn 2:17) tão bem amalgamados hoje em dia. Quanto mais o “conhecimento do mal” se tornar robusto e convincente, maior será o desafio da igreja, pois é seu dever manter o “conhecimento do bem” sempre mais elevado, persuasivo e apaixonante.

Quando os nossos jovens, com a ajuda da própria igreja, mergulharem nos conhecimentos bíblicos/científicos/filosóficos verdadeiros, os feitiços, especialmente do marxismo e do darwinismo, perderão forças na consciência e no coração da nossa juventude. Quando o “conhecimento do bem” for mais vigoroso na mente dos membros da igreja, o “conhecimento do mal” será mais facilmente desmascarado e, consequentemente, teremos jovens cristãos mais perseverantes e comprometidos com a verdade.

Em síntese, precisamos humildemente buscar uma reforma em nossas ações ministeriais em prol da juventude cristã. Como bem proclamou o teólogo James Boice: “Convocamos a Igreja, em meio à nossa cultura agonizante, para se arrepender de seu mundanismo e confessar a verdade da Palavra de Deus como fizeram os reformadores, e para ver essa verdade em sua doutrina, sua adoração e sua vida.”[10] Acredito que o apelo de Boice, para uma reforma urgente deve começar pelos que ministram como sacerdotes, guias espirituais, líderes religiosos ou pastores. Uma vez que o campo de guerra é a mente humana, essa reforma exige, especialmente de nós pastores, preparação intelectual/cognitiva capaz de confrontar a “ciência do mal” para alimentar e proteger as ovelhas que o Senhor colocou em nossas mãos – a igreja.

Pensando nisso é que Ellen White, por exemplo, escreveu aos ministros: “Nossos pastores terão de prestar contas a Deus por enferrujarem os talentos que Ele lhes entregou para melhorar pelo exercício. Podiam ter feito, inteligentemente, trabalho dez vezes maior, se se tivessem preocupado em tornar-se gigantes intelectuais. Toda a experiência deles em sua elevada vocação é diminuída porque se contentam em permanecer onde estão. Seus esforços para adquirir conhecimentos não embaraçarão no mínimo seu crescimento espiritual se estudarem com motivos corretos e objetivos apropriados.”[11]

Eu, como pastor adventista do sétimo dia, farei a minha parte, e você? Por fim, lembre-se sempre de que esse Deus que foi expulso por Karl Marx do Céu, retirado do inconsciente por Freud, banido da ciência por Darwin, assassinado por Nietzsche, transformado em um delírio por Richard Dawkins, secularizado e relativizado por cristãos pós-modernos em breve virá gloriosamente nas nuvens do céu, para espanto, terror e decepção dos incrédulos (Ap 1:7; At 17:31).

Gilberto Theiss é graduado em Filosofia e Teologia, pós-graduado (especialização) em Ensino de Filosofia, Ciência da Religião, História e Antropologia e mestrando em Interpretação Bíblica; atualmente atua como pastor adventista no Estado do Ceará.

 

  1. Disponível em https://www.gospelprime.com.br/maioria-cristaos-nao-conhece-biblia-pesquisa/ Acesso em 30/1/2019.
  2. PEARCEY, Nancy. Verdade Absoluta, p. 78.
  3. BLOOM, Allan. O Declínio da Cultura Ocidental, p. 80.
  4. WHITE, Ellen G. Serviço Cristão, p. 47.
  5. Idem. Mensagens Escolhidas, v. 3, p. 308.
  6. Idem. Special Testimonies on Education, p. 52-57.
  7. Idem. Signs of the Times, 13/2/1884.
  8. Idem. O Grande Conflito, p. 522.
  9. Idem. O Grande Conflito, p. 509.
  10. BOICE, James (cf. Capitulo “Lutar pela verdade numa era de antiverdade”).
  11. WHITE, Ellen G. Testemunhos para Ministros, p. 194.

Ioga, meditação transcendental e cristais são compatíveis com a fé cristã?

ioga“No panteísmo, o grande dilema da existência humana não é o pecado. […] O dilema humano é que não sabemos que fazemos parte de deus. Pensamos que somos indivíduos, com existência e identidade distintas. É o que gera a ganância e o egoísmo, conflitos e guerras. […] A meta dos exercícios espirituais é livrar a mente da ilusão da individualidade. A meta dos exercícios religiosos é nossa reunião ao deus que está dentro de nós, a fim de recuperarmos o senso de que todos somos deus. Com esta análise entendemos a razão da proliferação desnorteante de técnicas do movimento Nova Era: ioga, meditação transcendental, cristais, centralização, tarô, dietas, visualização e todo o resto. Apesar da grande variedade, o propósito de todas essas técnicas é dissolver os limites do eu e recuperar um senso de unidade universal” (Nancy Pearcey, Verdade Absoluta, p. 166),

Quando não se compreende que ser cristão é permitir que a Bíblia afete toda a vida (religiosa, social, política, econômica, estética, afetiva, emocional, profissional, física, etc.), a identidade cristã torna-se fluída e passa a ser moldada pelos modismos de cada época. Cuidado! “Não vos conformeis com este mundo” (Rm 12:2).

Jefferson Araujo

Nota: Antes de me tornar adventista, por ter lido muitos livros científicos e ter desenvolvido uma mentalidade relativamente cética (algo que ainda procuro cultivar), pseudociências como a astrologia (horóscopo) e as tais terapias alternativas (como a iridologia e a homeopatia, por exemplo) já me deixavam desconfiado. Depois que estudei a fundo a Bíblia Sagrada, tornei-me adventista e procurei desenvolver uma sólida cosmovisão cristã, pude perceber que minha desconfiança anterior era realmente válida. Antes da minha conversão, cheguei a me interessar pela parapsicologia, pois me pareceu “científica”. Ledo engano. Graças a Deus, a verdade me libertou (João 8:32) e a mensagem bíblico-adventista me satisfez plenamente. Faz vinte anos que medito, mas não para esvaziar a mente e buscar algo dentro de mim. Faço isso para, ao contrário, encher minha mente com as verdades bíblicas. A oração do tipo abrir o coração a Deus como se faz com um amigo é terapêutica e libertadora. E me traz uma satisfação indescritível o serviço pelo semelhante, ajudando as pessoas em suas necessidades e, principalmente, compartilhando com elas a mensagem do meu amigo Jesus – só entende quem faz isso.

Hoje percebo que algumas pessoas têm feito uma espécie de caminho contrário. Talvez por terem nascido em um contexto adventista tenham se acostumado com uma mensagem que é impactante e transformadora para os que a encontram ou são encontrados por ela. Alguns acabam buscando no “canto da serpente” algum tipo de satisfação que não conseguem encontrar naquilo que veem como banal e comum devido à familiaridade. Partem em peregrinações, em “buscas interiores”, tentam sincretizar a fé com ideias e ideologias perigosas. Embora sejam “aqui de dentro”, como muitos lá fora poderão descobrir que essas “alternativas” de fato não satisfazem, pois os afastam de Deus e os aproximam do nada. Que o Espírito Santo os liberte e faça com que sintam a verdadeira paz e satisfação que vêm da comunhão com o Criador. [MB]

Recomendo o livro Medicina Alternativa: A armadilha dourada, da CPB.

Leia também: “Buscando a paz no lugar errado”, “Ioga é destaque na imprensa” e “SUS libera mais terapias sem base científica”

Resistir à tentação fortalece o caráter

temptationDepois de esbarrar com uma pessoa atraente as mulheres tendem a ficar ainda mais comprometidas, ao reforçarem sua relação atual com o amor de suas vidas. Mas os homens têm mais chances de verem suas namoradas de uma maneira mais negativa depois de um acidental e indesejável encontro com a tentação. Felizmente um homem comprometido pode resistir à sedução com um pouco de planejamento prévio, ao imaginar anteriormente como resistir à tentação de outra mulher. O psicólogo John Lydon, da Universidade McGill em Montreal, oferece esses resultados em um estudo publicado [há dez anos na] revista científica Journal of Personality and Social Psychology. Um dos experimentos de John sobre a tentação descobriu que, depois de encontrar um homem atraente e disponível, as mulheres tinham mais 18% de chance de perdoar seu “parceiro romântico” que hipoteticamente teria revelado um traço embaraçoso ou mentido sobre o porquê teria recentemente cancelado um encontro. E os homens, depois de haverem conhecido uma mulher atraente disponível, tinham 12% menor chance de perdoar gafes comparáveis das suas parceiras.

Os homens podem parecer incapazes de resistir ao estrogênio extra, possivelmente porque eles interpretam suas interações com mulheres de maneira diferente do que as mulheres. Mas se os homens adotavam o ponto de vista feminino da tentação, eles poderiam desenvolver essa característica mais defensiva.

“Nós pensamos que se o homem pensa que uma mulher atraente e disponível é uma ameaça a sua relação atual, ele pode tentar proteger essa relação”, disse John.

Usando cenários de realidade virtual em outro experimento, os pesquisadores descobriram que o comprometimento dos homens pode não solucionar tudo. Mas se os homens imaginam uma reação conservadora, na próxima vez que se confrontarem com uma “outra” mulher atraente, eles podem estar mais bem preparados para superar tentações futuras – assumindo que seja isso que eles realmente desejam.

“Mesmo que o homem seja comprometido com a sua relação”, disse John, “ele ainda pode necessitar formular estratégias para proteger sua relação ao evitar aquela mulher disponível e atraente.”

(Hypescience)

Nota: A melhor estratégia contra a tentação e a traição é alimentar o amor romântico no casamento e ter íntima comunhão com Deus, que é a fonte do amor verdadeiro. Essa pesquisa está de acordo com um conceito expresso há um século pela escritora Ellen White, segundo a qual a vitória sobre uma tentação torna o caráter mais forte e apto a resistir a uma segunda tentação. Um exemplo que logo vem à mente é o de José tentado pela esposa de Potifar, no Egito. Com certeza, o jovem não foi vitorioso sobre a tentação no momento em que foi assediado. Ele foi vitorioso na medida em que alimentava seu relacionamento com Deus diariamente. Fica a lição para todos nós. [MB]