A intolerância e a censura nos campi universitários

censuraEm 2013, ativistas ateus na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) conseguiram convencer a reitoria a cancelar um evento intitulado “1° Fórum de Filosofia e Ciência das Origens”. Os doutores Rodrigo Silva, Marcos Eberlin e eu falaríamos, respectivamente, sobre arqueologia, química e mídia. Na época, escrevi a seguinte nota de esclarecimento em meu blog www.criacionismo.com.br: “Claramente conscientes de que a Unicamp se trata de uma instituição secular, nós, os palestrantes daquele que seria o 1º Fórum de Filosofia e Ciência das Origens, tínhamos a convicção de que deveríamos, cada um em sua respectiva palestra e área, tratar do tema sob uma perspectiva científico-filosófica. Nenhum de nós iria ao campus falar de religião, Bíblia nem mesmo criacionismo. Não somos pensadores mal-intencionados em busca de prosélitos. Todos nós – assim como penso que ocorre com muitos na academia – amamos a ciência e procuramos seguir as evidências, levem aonde levar. Não estamos engajados numa cruzada contra a ciência. Essa é a visão de uma oposição que vive à luz da falácia do espantalho, tenta nos desacreditar, nos ‘deformar’ e estereotipar sob a pecha de ‘fundamentalistas’, e, assim, impedir o livre debate de ideias num ambiente que deveria ser, acima de qualquer outro, local exatamente próprio para isso. Foi com profunda decepção que recebi a notícia do cancelamento do fórum, sem um motivo real que justificasse tal medida.”

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Há 150 anos nascia o pioneiro do criacionismo moderno

priceNo livro The Creationists, o acadêmico Ronald Numbers afirma que o criacionismo espalhou-se rapidamente durante o século 20, desde seu humilde começo “nos escritos de Ellen White”. Mark Noll também afirma que o criacionismo moderno emergiu dos esforços dos adventistas do sétimo dia. Outro estudioso que reconhece esse “DNA criacionista” adventista é o físico Eduardo R. da Cruz, organizador do livro Teologia e Ciências Naturais (Paulinas). Na página 239, é dito que “o criacionismo não consiste na sobrevivência de uma cosmovisão pré-científica; ao contrário, trata-se de um fenômeno moderno, ligado primariamente aos adventistas”. Mas se há um nome que pode ser considerado o pioneiro do criacionismo moderno é o do canadense George McCready Price (1870-1963), justamente por ter se aprofundado em áreas como biologia e geologia, relacionando suas pesquisas e descobertas à cosmovisão bíblica.

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Fundador da SCB completa 90 anos

RuyO Dr. Ruy Carlos de Camargo Vieira nasceu em 1930, é natural de São Carlos, SP, e é engenheiro mecânico e eletricista, formado pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Dedicou-se à carreira docente, lecionando Mecânica dos Fluidos, de 1954 a 1956, no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Em julho de 1956, foi lecionar Física Técnica (nome italiano dado à cadeira de Mecânica dos Fluidos, Transmissão de Calor e Aplicações Tecnológicas) na Universidade de São Paulo (USP), Campus de São Carlos, onde fez a livre docência e tornou-se catedrático. Em 1970, assumiu a chefia do departamento de Hidráulica e Saneamento naquela universidade, fundando a pós-graduação que é considerada a melhor na área no Brasil. Foi convidado, em 1972, a integrar a Comissão de Especialistas do Ensino de Engenharia do Ministério da Educação e Cultura, responsável pelas escolas de engenharia, currículos, formação de professores, reconhecimento de cursos, etc.

Segundo o Dr. Ruy Vieira, após a aposentadoria (em 1986) é que ele começou a trabalhar “de verdade”. Representou o MEC no Conselho da Agência Espacial Brasileira, participando de suas reuniões periódicas e empreendendo viagens por locais onde se desenvolvem atividades espaciais. De três em três meses participava, também, de reuniões na Sociedade Bíblica do Brasil (SBB), da qual foi diretor-tesoureiro.

Além dessas ocupações, durante meio período, o Dr. Ruy atuava como consultor do Plano das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUDE) junto à Secretaria de Educação Tecnológica do MEC. No outro meio período, dedicava-se a traduções de livros e editava a Revista Criacionista, publicação da Sociedade Criacionista Brasileira (SCB), da qual é presidente e fundador.

No vídeo abaixo, gravado em 2018, o jornalista Michelson Borges fala um pouco sobre a vida e a carreira desse grande pioneiro do criacionismo no Brasil.

Leia também: Empunhando a bandeira criacionista

Perguntas interativas da Lição: a criação: Gênesis como fundamento (parte 2)

genesisÉ evidente que Jesus e os escritores bíblicos consideravam o relato das origens em Gênesis de modo literal (ex.: Mt 24:38, 39; Jo 5:46; etc.). Isso nos revela algo a respeito das interpretações que se baseiam em métodos diferentes desse. Nesta semana, continuamos o estudo sobre as origens em Gênesis como fundamento para a correta interpretação da Bíblia, do passado e do futuro.

Perguntas para discussão em grupo:

Jó 26:7 diz que Deus “faz a Terra pairar sobre o nada”. O que isso quer dizer? Como Jó sabia disso?

Além disso, a Bíblia também afirma a “redondeza” da Terra (Jó 22:14; 26:10; Pv 8:27; Is 40:22). Por incrível que pareça, hoje há pessoas que creem no chamado “terraplanismo” (o qual defende que a Terra não é esférica, mas “achatada” e “plana”). Por que um cristão que defende essa ideia maluca se torna um empecilho à causa do Evangelho?

Apesar de alguns dizerem que crer na Terra plana “não influencia a sua fé nem sua relação com Deus”, por que é desastroso para o cristão ir contra a própria realidade observável? Como essa obsessão pode de alguma forma acabar afastando-o de Deus?

Obviamente os textos bíblicos que falam em “quatro cantos da Terra” e “quatro ventos” são figuras de linguagem. Que outros exemplos de linguagem figurada existem na Bíblia e também no nosso dia a dia? (R.: “Do coração procedem os maus desígnios” [Mt 15:19]; “janelas do céu” [Gn 7:11; 8:2; 2Rs 7:1, 2; Ml 3:10]; “ir pelo ralo”; “fulano mora no meu coração”; etc.). Em sua opinião, por que os textos bíblicos também fazem uso de figura de linguagem em várias ocasiões? Como podemos saber quando a linguagem é figurada?

Foram descobertos textos contendo mitos de criação que datam de antes de Moisés ter escrito o Gênesis. Alguns dos mais importantes são a “Epopeia de Gilgamesh”, da Mesopotâmia; o “Enuma Elish”, da Babilônia; e a “Epopeia de Atra-hasis”, da Suméria. Nesses contos mitológicos existem várias semelhanças com o relato de Gênesis. Apesar disso, como sabemos que o Gênesis não é apenas mais um “mito de criação” nem uma “adaptação” de nenhum deles? Por outro lado, o que as diferenças entre esses mitos e o Gênesis nos revelam? (Leia Colossenses 2:8 e 1 Timóteo 4:7.)

(R.: Semelhanças: a criação dos seres humanos; o barro como um dos elementos; o dilúvio. Diferenças: os “deuses” criam os humanos para trabalhar por eles; os deuses se odeiam, traem e matam; a morte é “natural” nos mitos, ao passo que na Bíblia ela é uma tragédia que resultou do pecado.)

As semelhanças entre os diferentes registros mitológicos encontrados e o Gênesis indicam que existe uma “versão original” dessas histórias, a qual tem que ser muito mais antiga, e que os povos pagãos a distorceram ao longo dos séculos conforme suas próprias crendices e superstições. Por que é ilógico supor que Moisés teria simplesmente copiado e “adaptado” os mitos (Êx 17:14; 34:27)? Que evidências você pode apontar que comprovam a veracidade de Gênesis mas não a dos mitos mais antigos?

Leia Atos 14:11-15, 18, 19. Assim como foi no passado, a crença na Criação bíblica (em uma semana literal) está em desacordo com a cultura predominante. Por que não devemos nos surpreender disso?

Leia Gênesis 1:14-16. Por que o relato bíblico da criação não menciona o nome do Sol nem da Lua? Como isso nos ajuda a perceber que, em vez de ser uma “cópia” ou “adaptação” dos antigos mitos de criação, o Gênesis é um corretivo desses mitos?

Como o conhecimento científico verdadeiro (que não nega o sobrenatural, cf. 1Tm 6:20, 21) nos ajuda a apreciar mais ainda o caráter de Deus e Sua revelação na Bíblia e na natureza?

Leia Gênesis 1:26. Em que sentido o ser humano é “a coroa da criação”? Que profundo significado reside no fato de que Deus criou os seres humanos com as próprias “mãos”, enquanto todas as outras coisas simplesmente surgiram por Sua palavra?

A árvore da vida é mencionada unicamente nos primeiros três capítulos da Bíblia e nos dois últimos. Por que a menção dela no Apocalipse não faria sentido se a que foi mencionada em Gênesis fosse apenas uma metáfora? Qual seria o sentido de Deus nos prometer um Éden restaurado se o primeiro não tivesse sido literal?

(Natal Gardino é doutor em Ministério pela Andrews University e pastor distrital em Londrina, PR)

Perguntas interativas da Lição: a criação: Gênesis como fundamento (parte 1)

God-creationOs primeiros capítulos da Bíblia são fundamentais para compreendermos nossas origens e muitos porquês. Além disso, toda a Escritura Sagrada é construída em cima desses alicerces. Por isso as narrativas contidas nesses capítulos são tão atacadas hoje, ou interpretadas apenas como “alegorias”. Nesta semana estudamos a importância do Gênesis como base para compreendermos corretamente a Bíblia. As perguntas a seguir servirão para reflexão, discussão e aprofundamento no conteúdo estudado.

Leia Gênesis 1:1. Que verdades profundas são reveladas no primeiro versículo da Bíblia? Assim como o primeiro versículo, por que os primeiros capítulos do Gênesis são fundamentais para a compreensão de todas as Sagradas Escrituras? Por que eles só fazem sentido se forem interpretados de maneira literal? (R.: Jesus e todos os profetas os consideravam assim, como vemos em Mateus 19:6 e outras passagens; e não faria sentido “escolhermos” arbitrariamente quais partes da Bíblia são literais ou alegóricas. Além disso, muitas doutrinas – tais como a origem da humanidade, do pecado, da morte, do sábado, etc. – não fariam sentido se essas narrativas não fossem literais.)

Que diferença faz saber que fomos criados por Deus, e não “evoluídos ao acaso”? Por que também é absurda a ideia de uma “evolução teísta”, ou seja, a ideia de que Deus mesmo teria criado tudo (e a nós) por meio do processo da evolução?

Como sabemos que os dias da criação são sete dias literais de 24 horas cada? Qual seria o sentido do mandamento para guardarmos o sábado se não tivesse sido assim? Se tudo já estava pronto no sexto dia da Criação, por que Deus ainda esperou passar mais 24 horas para criar mais um dia? O que isso nos diz sobre a importância desse dia?

Compare Gênesis 2:3 com Êxodo 20:11. Por que o quarto mandamento repete os mesmos três verbos que foram usados na narrativa da Criação em relação ao sábado? O que isso nos diz sobre o motivo de observarmos o sábado como dia de guarda?

Por que os adventistas do sétimo dia devem ser firmes em defender a criação em sete dias literais, ainda que todos virtualmente a rejeitassem? Em sua opinião, por que há cristãos aceitando as teorias de evolução teístas? (R.: O fato de guardarem o domingo – ou nenhum dia – pode fazer com que percam de vista facilmente o significado da Criação literal.)

Leia João 1:1-3 e Hebreus 1:2. Em que sentido Jesus é o Agente da Criação? O que isso nos ensina a respeito de Seu papel em nossa Redenção e na Re-criação do mundo?

Desde 1844 os adventistas do sétimo dia creem que estão incumbidos de pregar as mensagens angélicas de Apocalipse 14:6-12. Como as verdades sobre a Criação e sobre o sábado estão incluídas na primeira mensagem, no verso 7? (R.: No trecho “adorai Aquele que fez os céus, a Terra, o mar e as fontes das águas” – comparar com Êxodo 20:11.)

Leia Genesis 1:27, 28; 2:24; Mateus 19:4-6. Como essas verdades fundamentais descartam a prática da homossexualidade do plano original de Deus? Ao mesmo tempo, por que também são estranhos ao plano de Deus o adultério e a fornicação heterossexuais? (Veja Hebreus 13:4.) Por outro lado, como devemos demonstrar amor para todos os que têm práticas sexuais que divergem das Escrituras (tais como homossexualidade, adultério, fornicação, etc.)? (Veja 1 Coríntios 6:9-11, 18.)

Leia Romanos 5:12; 6:23; 1 Coríntios 15:45. De que forma a teoria da evolução neutraliza toda a doutrina do Grande Conflito entre o bem e o mal e do Plano da Redenção? (R.: Na teoria da Evolução a morte não é um intruso, um resultado do pecado, mas “faz parte do processo” para que a vida evolua e progrida. Se a narrativa de Adão e Eva é apenas uma alegoria, como dizem, e se a morte não é o resultado do pecado, então não existe pecado. E se não existe o pecado, não precisamos de um Salvador.)

Apesar de os criacionistas serem acusados de terem a “mente fechada”, por que na verdade eles têm a mente muito mais aberta do que os evolucionistas naturalistas, que não aceitam um Deus criador?

(Natal Gardino é doutor em Ministério pela Andrews University e pastor distrital em Londrina, PR)

Programa História da Vida: Darwin e seu tempo

Evolucionistas são nazistas e creem que viemos do macaco?

darwin

Você sabia que Adolf Hitler era “fã” de Charles Darwin, e que usou a ideia de seleção natural para levar avante seus planos eugenistas? Quem afirma isso é a secretária pessoal do führer, Traudl Junge, no livro Até o Fim (Ediouro). A obra foi escrita com base nos diários de Traudl, cujo objetivo foi alertar as pessoas para o fato de que jamais pode ser subestimado o poder sedutor de líderes fanáticos. Na página 140, a autora registrou a filosofia de vida do ditador e o que ele pensava sobre religião: “[Hitler] não tinha qualquer ligação religiosa; achava que as religiões cristãs eram mecanismos hipócritas e ardilosos para apanhar incautos. Sua religião eram as leis da natureza. Conseguia subordinar seu violento dogma mais facilmente a elas do que aos ensinamentos cristãos de amor ao próximo e ao inimigo. ‘A ciência ainda não chegou a uma conclusão sobre a raiz que determina a espécie humana. Somos provavelmente o estágio mais desenvolvido de algum mamífero, que se desenvolveu do réptil a mamífero, talvez do macaco ao homem. Somos um membro da criação e filhos da natureza, e para nós valem as mesmas leis que para todos os seres vivos. Na natureza a lei da guerra vale desde o começo. Todo aquele que não consegue viver, e que é fraco, é exterminado. Só o ser humano e, principalmente, a igreja têm por objetivo manter vivos artificialmente o fraco, o que não tem condições de viver e aquele que não tem valor.”

Assim, fica claro que o conceito de luta e de sobrevivência do mais apto moldou o pensamento do genocida, servindo de justificativa “moral” para suas decisões e ações. Hitler se julgava apto a decidir quem tinha valor e quem não tinha. Ele quis dar uma “mãozinha” para a seleção natural eliminando logo aqueles que ele considerava inferiores, como os judeus, os negros e os homossexuais.

Segundo o ditador, “somos provavelmente o estágio mais desenvolvido de algum mamífero, que se desenvolveu do réptil a mamífero, talvez do macaco ao homem”. Portanto, podemos concluir que, assim como Hitler, os evolucionistas creem que o homem veio do macaco e, pior: creem que o nazismo está correto, que a religião não presta e que devemos exterminar os fracos.

Antes que você proteste veementemente (e com razão), deixe-me dizer-lhe que obviamente eu não concordo com a conclusão acima. Obviamente entendo que não se pode julgar o todo pela parte, e que não se podem tirar conclusões gerais com base no que um ou outro pense a respeito do assunto – mesmo que esse um ou outro seja uma figura histórica famosa.

Não, evolucionistas não são nazistas, e afirmar isso com base no que um evolucionista pensa seria leviandade e mesmo maldade da minha parte. Nem todos os evolucionistas abominam a religião, e evolucionistas bem informados jamais diriam que o homem veio do macaco. O que eles dizem é que seres humanos e macacos tiveram um ancestral comum (desconhecido, é verdade).

Então por que resolvi escrever este texto? Porque tem gente fazendo com os criacionistas exatamente o que eu poderia ter feito com os evolucionistas, se eu fosse um canalha (para dizer o pior) ou simplesmente mal informado (para dizer o mínimo).

Recentemente, o criacionismo vem ocupando espaço nos noticiários e tendo suas premissas totalmente distorcidas. Há repórteres levianamente associando o criacionismo com a ideia absurda da Terra plana e a defesa assassina da não vacinação. Existem criacionistas mal informados que defendem essas bandeiras? Sim, existem; assim como há evolucionistas que fazem o mesmo (aliás, o fundador da Flat Earth Society é evolucionista). Mas vamos julgar todos os criacionistas por causa daqueles? Se o fizéssemos, estaríamos cometendo o mesmo erro de chamar os evolucionistas de nazistas.

A Sociedade Criacionista Brasileira (SCB) já se manifestou a respeito do terraplanismo por meio de uma nota de repúdio (veja aqui). Por que repórteres e formadores de opinião não mencionam isso? Desconhecem o fato? Preferem convenientemente ignorá-lo? A SCB está há quase 50 anos atuando no Brasil. Tem site e CNPJ. É fácil chegar até ela. Em meus blogs e em minhas redes sociais tenho denunciado a irresponsabilidade dos antivacinas. Não conheço uma entidade criacionista ou divulgador sério do criacionismo que defenda essa insanidade criminosa. Então por que a associação? Para denegrir os criacionistas e blindar Darwin? Para embarcar na onda e “lacrar”?

Uma das charges mais infelizes sobre esse assunto foi publicada no jornal gaúcho Zero Hora:

De um lado da ilustração há a tal associação de conceitos superficial e tendenciosa por meio de personagens caricatos; do outro está um senhor de jaleco branco (representante da ciência) acompanhado de uma moça e da frase “a burrice é ousada”. Sim, é mesmo ousada, e às vezes injusta.

Evolucionistas não são nazistas, tanto quanto criacionistas não são terraplanistas nem fixistas inimigos do bom conhecimento. Os pioneiros da ciência, como Isaac Newton, Galileu Galilei, Blaise Pascal e outros, criam na literalidade de Gênesis, mas nem por isso deixaram de legar à humanidade um patrimônio científico gigantesco.

O assunto é mais sério e profundo do que a maioria pensa, e vem sendo tratado de maneira superficial, enviesada e politizada por pessoas que não têm compromisso com a verdade. Por causa disso, estamos assistindo à criação de novos campos de concentração ideológicos para os ditos fundamentalistas retrógrados, e a uma nova matança – de carreiras e reputações.

Michelson Borges 

O que há de ciência e de preconceito de classe por trás do criacionismo

criacaoHoje em dia predomina a ideia de que ciência e religião não têm nada a ver uma com a outra. E, entre os mais esclarecidos, não é difícil encontrar quem tome o ateísmo como sinal de superioridade intelectual. Com o ativismo do cientista Richard Dawkins, somos levados a tomar a crença em Deus por mera demência ou puro delírio, decerto um demérito. Essa mentalidade que separa teístas atrasados de ateus científicos é recente e só prosperou no século 19. Seu primeiro expoente foi Auguste Comte, para quem a crença em Deus era uma fase da Humanidade a ser superada pela ciência. Tendo o amor como base, a ordem como meio e o progresso como fim, a Humanidade deixaria a crença em Deus para trás e adotaria a religião laica que cultua a Humanidade.

No mesmo século apareceu Marx, que também enxergava um futuro tecnológico e ateu para o homem. Para ele, a religião é ópio e a chave da história é a posse dos meios de produção, que são inventados e aprimorados por técnicos.

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Criacionismo é racista?! Ok, vamos falar de racismo

Neste texto, vou comentar brevemente o artigo “As relações estreitas entre criacionismo, escravidão e racismo”, da historiadora Luciana Brito. Ela é professora da Universidade Federal do Recôncavo e também integra uma organização de mulheres chamada Rede de Mulheres Negras da Bahia. Luciana começa falando sobre o mito da criação na cultura do candomblé. Fala do papel de Yemanjá (deusa das águas), Obalatá (céu) e Oduduá (terra). E então afirma: “Esse é um mito, um dos vários que explicam a ‘criação’ e servem unicamente para explicar a origem do mundo sob uma determinada perspectiva religiosa. Mas e o criacionismo? Por que essa mitologia cristã que explica a criação do mundo tem, cada vez mais, se deslocado do lugar de metáfora para ser uma ideologia norteadora de governos conservadores, orientando políticas públicas, sobretudo na área da educação?”

Deixando de lado o aspecto político da coisa, é bom, antes de mais nada, lembrar uma das definições de criacionismo: estrutura/modelo conceitual que adota para o estudo da natureza a possibilidade da existência de um Criador. A vida teria sido criada inicialmente complexa, completa e funcional, em tipos básicos de seres vivos dotados do aporte necessário para sofrer diversificação limitada ao longo do tempo. Existem três principais ramificações distintas dentro do criacionismo: a religiosa, a bíblica e a científica. O criacionismo científico parte da pesquisa científica, no sentido de identificar evidências de design intencional na natureza – mais ou menos como fazem os investigadores criminais, que lidam com pistas em busca do culpado. Portanto, criacionismo nada tem que ver com mitos de criação ancestrais.

A Dra. Luciana Brito sustenta em seu artigo que “teorias como o criacionismo desde sempre foram utilizadas para justificar projetos políticos de organização da sociedade. Nos Estados Unidos do início do século 19, por exemplo, teorias criacionistas estavam de ‘mãos dadas’ com as teses que defendiam a escravidão e a segregação racial”. Então ela cita algumas pessoas que, de fato, defendiam ideias escravagistas, como Thomas R. Dew, professor universitário da Virginia que acreditava que “negros tinham hábitos e sentimentos de escravos, enquanto os brancos carregavam em si, naturalmente, o comportamento de senhores”.

Segundo ela, “teses baseadas no Antigo Testamento foram amplamente utilizadas para justificar a escravidão”. E cita outro historiador: George Fredrickson, autor do livro The Black Image in the White Mind (A Imagem Negra na Mente Branca, em tradução livre), que se vale da história de Cam (filho de Noé) para discorrer sobre a maldição usada para justificar “o eterno estágio de submissão e servidão à qual estariam submetidas as raças africanas”. (Neste texto há uma explicação do porquê essa associação é falsa.)

Logo, a Bíblia e o criacionismo nada têm que ver com as ideias defendidas por Dew nem por Fredrickson.

Luciana diz também que “foi na década de 1850 que um grupo de cientistas percebeu que havia outro caminho para justificar a escravidão que não ferisse as escrituras bíblicas: o poligenismo”. E lembra que o cientista Louis Agassiz “acreditava que existiam ‘zonas de criação’, que haviam produzido, em partes do mundo distintas, quase ao mesmo tempo, diferentes espécies. A raça branca, por exemplo, seria aquela mais avançada, única que descendia de Adão e Eva. Agassiz afirmava que os negros, por sua vez, haviam surgido de uma outra criação, que produziu uma raça inferior, oriunda das regiões tropicais”.

Mais uma vez pergunto: O que a Bíblia e o criacionismo têm que ver com essa insanidade racista?

Então Luciana conclui dizendo que “Agassiz e sua teoria criacionista/poligenista só caíram em descrédito quando confrontadas com a teoria da evolução de Charles Darwin, que acabou ofuscando o suíço”.

Ok. Já que ela mencionou Darwin, que tal averiguar quais eram as ideias do naturalista inglês a respeito dos negros?

Vala a pena dar uma olhada no que ele escreveu em seu livro pouco conhecido e muito constrangedor The Descent of Man (A Descendência do Homem). Nessa obra de 1871 (portanto, posterior ao aclamado Origem das Espécies), Darwin afirma que a lacuna atual entre antropóides e humanos se encontra entre o gorila, do lado do macaco, e o negro ou aborígene australiano, do lado humano: “A ruptura entre homem e seus mais próximos aliados será então ampliada, pois irá intervir entre o homem em um estado mais civilizado, como podemos esperar, mesmo que o caucasiano e alguns macacos tão baixos quanto um babuíno, ao invés de como agora entre o negro ou australiano e o gorila” (capítulo 6, “On the affinities and genealogy of man”).

E aí? Deixou Agassiz no chinelo no que diz respeito a racismo, hein!

E já que estamos falando em preconceito, que tal uma olhadinha também no que Darwin escreveu sobre homens e mulheres?

“A distinção principal nos poderes mentais dos dois sexos reside no fato de que o homem chega antes que a mulher em toda ação que empreenda, requeira ela um pensamento profundo ou então razão, imaginação, ou simplesmente o uso das mãos e dos sentidos. Se houvesse dois grupos de homens e mulheres que mais sobressaíssem na poesia, na pintura, na escultura, na música (trate-se da composição ou da execução), na história, nas ciências e filosofia, não poderia haver termos de comparação. […] podemos também concluir que, se em muitas disciplinas os homens são decididamente superiores às mulheres, o poder mental médio do homem é superior àquele destas últimas” (A Origem do Homem e a Seleção Sexual, p. 649).

De arrepiar os pelos da axila, né?

No início dos anos 2000, houve uma grande discussão sobre a devolução de cadáveres de africanos e aborígenes “empalhados” e expostos em diversos museus da Europa. Hoje, pouco se fala que o motivo de empalharem essas pessoas e as exibirem em museus era o fato de os evolucionistas as considerarem como estando mais abaixo na cadeia evolutiva (confira).

“Há cinco anos, a mídia mundial concentrou sua atenção em Gaborone, no Botsuana, para assistir ao repatriamento de um cadáver. O corpo empalhado de um africano do século 19, que estava em exibição havia mais de um século em museus europeus, foi devolvido ao seu solo nativo. Populações indígenas fora da Europa, desde os ‘hotentotes’ do sul da África até os maori da Nova Zelândia, foram durante muito tempo objeto de investigação científica e antropológica europeia. Museus em todo o continente mantêm crânios, peles e órgãos dos povos que os impérios europeus dominavam. Grupos de aborígines na Austrália afirmam que pelo menos 8.000 conjuntos de aborígines permanecem sozinhos em instituições no exterior” (fonte).

“Está registrado na história de Mackay, Queensland, que um colecionador estrangeiro fez um pedido a um soldado para que ele matasse um menino nativo para fornecer um exemplar completo com esqueleto, pele e crânio de um aborígene australiano” (The Sydney Morning Herald, 31 de janeiro de 1955, p. 2).

Viu só como ideias têm consequências? E essas aí não vieram da Bíblia nem do criacionismo.

No livro The Creationists, o pesquisador Ronald Numbers afirma que o criacionismo espalhou-se rapidamente durante o século 20, desde seu humilde começo “nos escritos de Ellen White”. Mark Noll também afirma que o criacionismo moderno emergiu dos esforços dos adventistas do sétimo dia. Portanto, um exercício interessante é o de comparar com as ideias de Darwin o que escreveu a contemporânea dele Ellen White, que, como sustentam Numbers e Noll, é uma das precursoras do criacionismo.

Sobre negros e brancos ela escreveu: “O nome do homem de cor é escrito no livro da vida, ao lado do nome do homem branco. Todos são um em Cristo. Nascimento, posição, nacionalidade ou cor não podem elevar nem degradar os homens” (Mensagens Escolhidas, v. 2, p. 342).

“Todos são um em Cristo.” Aqui Ellen ecoa as palavras do apóstolo Paulo, que escreveu: “Não há judeu nem grego; não há escravo nem livre; não há homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus” (Gálatas 3:28). Essa é a verdadeira visão antropológica criacionista bíblica.

E sobre mulheres e homens, Ellen escreveu: “Ao criar Eva, Deus pretendia que ela não fosse nem inferior nem superior ao homem, mas em todas as coisas lhe fosse igual. O santo par não devia ter nenhum interesse independente um do outro; e não obstante cada um possuía individualidade de pensamento e de ação” (Testemunhos Seletos, v. 1, p. 412).

Portanto, culpar o criacionismo pelas ideias e atitudes equivocadas de pretensos defensores do modelo é como culpar o cristianismo pela Inquisição católica, por exemplo. Para um criacionista, homens e mulheres têm o mesmo valor diante de Deus, pois foram criados assim por Ele, sendo ambos Sua imagem e semelhança. Para um criacionista, negros e brancos são uma só raça, a raça humana, pois descendem ambos do mesmo casal, Adão e Eva (que não eram brancos nem negros, pelo que se percebe no texto bíblico).

É lamentável quando o viés político se sobrepõe aos fatos criando distorções e aumentando o preconceito sobre algo que se desconhece.

Michelson Borges

Leia também: “Fermento racista” e “Humanidade sem raças”

Fundador da Sociedade Criacionista Brasileira foi diretor da Fapesp

Rui-Carlos-Camargo-VieiraCom a indicação do criacionista e defensor da Teoria do Design Inteligente Benedito Guimarães de Aguiar Neto para a direção da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), grande polêmica foi criada nos meios de comunicação brasileiros e até do exterior. Benedito é engenheiro eletricista (1977) e mestre em engenharia (1982) pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Cursou o doutorado (1987) na Technische Universität Berlin, na Alemanha, e o pós-doutorado (2008) na University of Washington, nos Estados Unidos; além disso, foi reitor da prestigiada Universidade Mackenzie, de São Paulo. Mesmo com esse currículo respeitável e com uma carteira de grandes contribuições para o avanço do conhecimento e da cultura, ele está sendo alvo de críticas injustas e precipitadas. Por quê? Porque em lugar de pensar que a vida teria contrariado os fatos e surgido por acaso, Benedito acredita que vida proveio de vida, ou seja, um Criador a trouxe à existência. E isso foi suficiente para a “geração espontânea” de várias notas de repúdio.

Neste momento de ânimos alterados, é bom lembrar que alguns anos atrás outro criacionista dirigiu uma agência de fomento à pesquisa, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Veja o que diz o site da instituição:

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