Varinha de condão – parte 1

Qual o inconveniente em supor que os corpos dos primeiros seres humanos tenham procedido de antropoides evoluídos, se a Deus Lhe aprouvesse criar assim?

condao

Durante boa parte da minha vida fui um sincero adepto da Teologia Alegórica (TA), que tem em Agostinho de Hipona (354-430) um de seus principais expoentes. De forma bem resumida, a TA interpreta as Escrituras buscando supostamente ir além do que o texto afirma. Um claro exemplo está relacionado ao relato da criação em Gênesis. Nunca me causou estranheza a visão de que Adão e Eva não seriam necessariamente a personificação literal dos primeiros homem/mulher criados por Deus, mas apenas uma alegoria poética do autor inspirado a fim de identificar o surgimento da humanidade em algum momento da história. Naturalmente, todo o restante das Escrituras, nessa visão, torna-se condicionado ao contexto de Gênesis, especialmente em seus primeiros capítulos.

Se Adão e Eva não são literais, logo, os dias da criação também não o são, assim como o descanso do sétimo dia. Nessa mesma linha de pensamento, relatos como o conflito Davi/Golias, a rebeldia de Jonas e até mesmo as descrições escatológicas são vistas como alegorias, dos termos gregos allos (outro) e agoreyo (falar), literalmente “dizer uma coisa que significa outra”. Resumindo, metáforas que visam a responder às inquietações e aos desafios da vida. Certamente você já ouviu pregadores bradando a plenos pulmões: “Deus também irá derrubar os gigantes que te afligem!” Ou: “Cristo irá te fazer caminhar por sobre as águas tempestuosas da vida.” Qual o problema disso? A princípio, nenhum.

Como ferramenta, por vezes a analogia é um recurso válido no sentido de levar a audiência a uma experiência mais pessoal com Jesus. Mas o grande equívoco ocorre quando esse tipo de visão é estabelecido como um método de interpretação bíblica. Muitas vezes, na ânsia de encontrar “espiritualidade” em cada versículo ou verso, o contexto histórico é perdido de vista e mutilado, além de desviar a intenção original do autor e relativizar a exegese. Um dos princípios básicos de uma boa interpretação é o entendimento literal do texto em questão, exceto onde o simbolismo é evidente.

Enfim, depois de tudo isso, retorno ao relato da criação e deixo bem claro: até aquele momento eu era um evolucionista teísta convicto. Nunca me pareceu incoerente a ideia de um Deus que em Sua soberania fez uso de um processo evolutivo ou lançou mão de uma massa informe de matéria como matéria-prima construtiva. Nela, pensava eu, Ele imprimira potencialidades naturais que então se desenvolveriam ao longo de bilhões de anos.

Qual o inconveniente em supor que os corpos dos primeiros seres humanos tenham procedido de antropoides evoluídos, se a Deus Lhe aprouvesse criar assim?

Toda teoria precisa em algum ponto do percurso ser questionada a fim de firmemente ser estabelecida ou descartada. Nesse caso, especificamente, as Escrituras teriam de cumprir seu papel, e é a partir daqui que meus supostos alicerces começaram a desmoronar…

(Matheus Amaral é formado em Logística e licenciado em Filosofia)

Primeiro episódio de “Gênesis” expõe “teoria do intervalo”

Que tal aproveitar o momento para abrir e estudar sua Bíblia a fim de conhecer a história verdadeira e original?

genesis

Se levar as pessoas a conferir na própria Bíblia aquilo que está sendo exibido na tela, a novela “Gênesis”, da TV Record, terá produzido um efeito colateral positivo. Mas, como a maioria das pessoas não fará isso, infelizmente, em muitas mentes ficará a impressão de que Adão era um troglodita machista agressor e de que os dinossauros teriam sido extintos pela queda de Lúcifer e seus anjos rebeldes, ideia conhecida como “teoria do intervalo”, “teoria do caos e restauração” ou mesmo “teoria do Éden luciferiano”. Obviamente, uma interpretação muito equivocada do relato de Gênesis.

Segundo Moisés (autor inspirado dos cinco primeiros livros da Bíblia), antes de ser preparada para abrigar vida (terraformada), a Terra era sem forma e vazia. Quando Deus pronunciou as palavras “haja luz”, teve início a semana da criação, com seis dias literais e ininterruptos de 24 horas cada (veja o vídeo abaixo). No sexto dia foram criados os animais terrestres e o primeiro casal humano. Portanto, os dinossauros foram criados nesse dia e não muito tempo antes, numa tentativa de acomodar o relato bíblico com a visão evolucionista.

[Continue lendo.]

A intolerância e a censura nos campi universitários

censuraEm 2013, ativistas ateus na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) conseguiram convencer a reitoria a cancelar um evento intitulado “1° Fórum de Filosofia e Ciência das Origens”. Os doutores Rodrigo Silva, Marcos Eberlin e eu falaríamos, respectivamente, sobre arqueologia, química e mídia. Na época, escrevi a seguinte nota de esclarecimento em meu blog www.criacionismo.com.br: “Claramente conscientes de que a Unicamp se trata de uma instituição secular, nós, os palestrantes daquele que seria o 1º Fórum de Filosofia e Ciência das Origens, tínhamos a convicção de que deveríamos, cada um em sua respectiva palestra e área, tratar do tema sob uma perspectiva científico-filosófica. Nenhum de nós iria ao campus falar de religião, Bíblia nem mesmo criacionismo. Não somos pensadores mal-intencionados em busca de prosélitos. Todos nós – assim como penso que ocorre com muitos na academia – amamos a ciência e procuramos seguir as evidências, levem aonde levar. Não estamos engajados numa cruzada contra a ciência. Essa é a visão de uma oposição que vive à luz da falácia do espantalho, tenta nos desacreditar, nos ‘deformar’ e estereotipar sob a pecha de ‘fundamentalistas’, e, assim, impedir o livre debate de ideias num ambiente que deveria ser, acima de qualquer outro, local exatamente próprio para isso. Foi com profunda decepção que recebi a notícia do cancelamento do fórum, sem um motivo real que justificasse tal medida.”

[Continue lendo.]

Há 150 anos nascia o pioneiro do criacionismo moderno

priceNo livro The Creationists, o acadêmico Ronald Numbers afirma que o criacionismo espalhou-se rapidamente durante o século 20, desde seu humilde começo “nos escritos de Ellen White”. Mark Noll também afirma que o criacionismo moderno emergiu dos esforços dos adventistas do sétimo dia. Outro estudioso que reconhece esse “DNA criacionista” adventista é o físico Eduardo R. da Cruz, organizador do livro Teologia e Ciências Naturais (Paulinas). Na página 239, é dito que “o criacionismo não consiste na sobrevivência de uma cosmovisão pré-científica; ao contrário, trata-se de um fenômeno moderno, ligado primariamente aos adventistas”. Mas se há um nome que pode ser considerado o pioneiro do criacionismo moderno é o do canadense George McCready Price (1870-1963), justamente por ter se aprofundado em áreas como biologia e geologia, relacionando suas pesquisas e descobertas à cosmovisão bíblica.

[Continue lendo.]

Fundador da SCB completa 90 anos

RuyO Dr. Ruy Carlos de Camargo Vieira nasceu em 1930, é natural de São Carlos, SP, e é engenheiro mecânico e eletricista, formado pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Dedicou-se à carreira docente, lecionando Mecânica dos Fluidos, de 1954 a 1956, no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Em julho de 1956, foi lecionar Física Técnica (nome italiano dado à cadeira de Mecânica dos Fluidos, Transmissão de Calor e Aplicações Tecnológicas) na Universidade de São Paulo (USP), Campus de São Carlos, onde fez a livre docência e tornou-se catedrático. Em 1970, assumiu a chefia do departamento de Hidráulica e Saneamento naquela universidade, fundando a pós-graduação que é considerada a melhor na área no Brasil. Foi convidado, em 1972, a integrar a Comissão de Especialistas do Ensino de Engenharia do Ministério da Educação e Cultura, responsável pelas escolas de engenharia, currículos, formação de professores, reconhecimento de cursos, etc.

Segundo o Dr. Ruy Vieira, após a aposentadoria (em 1986) é que ele começou a trabalhar “de verdade”. Representou o MEC no Conselho da Agência Espacial Brasileira, participando de suas reuniões periódicas e empreendendo viagens por locais onde se desenvolvem atividades espaciais. De três em três meses participava, também, de reuniões na Sociedade Bíblica do Brasil (SBB), da qual foi diretor-tesoureiro.

Além dessas ocupações, durante meio período, o Dr. Ruy atuava como consultor do Plano das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUDE) junto à Secretaria de Educação Tecnológica do MEC. No outro meio período, dedicava-se a traduções de livros e editava a Revista Criacionista, publicação da Sociedade Criacionista Brasileira (SCB), da qual é presidente e fundador.

No vídeo abaixo, gravado em 2018, o jornalista Michelson Borges fala um pouco sobre a vida e a carreira desse grande pioneiro do criacionismo no Brasil.

Leia também: Empunhando a bandeira criacionista

Perguntas interativas da Lição: a criação: Gênesis como fundamento (parte 2)

genesisÉ evidente que Jesus e os escritores bíblicos consideravam o relato das origens em Gênesis de modo literal (ex.: Mt 24:38, 39; Jo 5:46; etc.). Isso nos revela algo a respeito das interpretações que se baseiam em métodos diferentes desse. Nesta semana, continuamos o estudo sobre as origens em Gênesis como fundamento para a correta interpretação da Bíblia, do passado e do futuro.

Perguntas para discussão em grupo:

Jó 26:7 diz que Deus “faz a Terra pairar sobre o nada”. O que isso quer dizer? Como Jó sabia disso?

Além disso, a Bíblia também afirma a “redondeza” da Terra (Jó 22:14; 26:10; Pv 8:27; Is 40:22). Por incrível que pareça, hoje há pessoas que creem no chamado “terraplanismo” (o qual defende que a Terra não é esférica, mas “achatada” e “plana”). Por que um cristão que defende essa ideia maluca se torna um empecilho à causa do Evangelho?

Apesar de alguns dizerem que crer na Terra plana “não influencia a sua fé nem sua relação com Deus”, por que é desastroso para o cristão ir contra a própria realidade observável? Como essa obsessão pode de alguma forma acabar afastando-o de Deus?

Obviamente os textos bíblicos que falam em “quatro cantos da Terra” e “quatro ventos” são figuras de linguagem. Que outros exemplos de linguagem figurada existem na Bíblia e também no nosso dia a dia? (R.: “Do coração procedem os maus desígnios” [Mt 15:19]; “janelas do céu” [Gn 7:11; 8:2; 2Rs 7:1, 2; Ml 3:10]; “ir pelo ralo”; “fulano mora no meu coração”; etc.). Em sua opinião, por que os textos bíblicos também fazem uso de figura de linguagem em várias ocasiões? Como podemos saber quando a linguagem é figurada?

Foram descobertos textos contendo mitos de criação que datam de antes de Moisés ter escrito o Gênesis. Alguns dos mais importantes são a “Epopeia de Gilgamesh”, da Mesopotâmia; o “Enuma Elish”, da Babilônia; e a “Epopeia de Atra-hasis”, da Suméria. Nesses contos mitológicos existem várias semelhanças com o relato de Gênesis. Apesar disso, como sabemos que o Gênesis não é apenas mais um “mito de criação” nem uma “adaptação” de nenhum deles? Por outro lado, o que as diferenças entre esses mitos e o Gênesis nos revelam? (Leia Colossenses 2:8 e 1 Timóteo 4:7.)

(R.: Semelhanças: a criação dos seres humanos; o barro como um dos elementos; o dilúvio. Diferenças: os “deuses” criam os humanos para trabalhar por eles; os deuses se odeiam, traem e matam; a morte é “natural” nos mitos, ao passo que na Bíblia ela é uma tragédia que resultou do pecado.)

As semelhanças entre os diferentes registros mitológicos encontrados e o Gênesis indicam que existe uma “versão original” dessas histórias, a qual tem que ser muito mais antiga, e que os povos pagãos a distorceram ao longo dos séculos conforme suas próprias crendices e superstições. Por que é ilógico supor que Moisés teria simplesmente copiado e “adaptado” os mitos (Êx 17:14; 34:27)? Que evidências você pode apontar que comprovam a veracidade de Gênesis mas não a dos mitos mais antigos?

Leia Atos 14:11-15, 18, 19. Assim como foi no passado, a crença na Criação bíblica (em uma semana literal) está em desacordo com a cultura predominante. Por que não devemos nos surpreender disso?

Leia Gênesis 1:14-16. Por que o relato bíblico da criação não menciona o nome do Sol nem da Lua? Como isso nos ajuda a perceber que, em vez de ser uma “cópia” ou “adaptação” dos antigos mitos de criação, o Gênesis é um corretivo desses mitos?

Como o conhecimento científico verdadeiro (que não nega o sobrenatural, cf. 1Tm 6:20, 21) nos ajuda a apreciar mais ainda o caráter de Deus e Sua revelação na Bíblia e na natureza?

Leia Gênesis 1:26. Em que sentido o ser humano é “a coroa da criação”? Que profundo significado reside no fato de que Deus criou os seres humanos com as próprias “mãos”, enquanto todas as outras coisas simplesmente surgiram por Sua palavra?

A árvore da vida é mencionada unicamente nos primeiros três capítulos da Bíblia e nos dois últimos. Por que a menção dela no Apocalipse não faria sentido se a que foi mencionada em Gênesis fosse apenas uma metáfora? Qual seria o sentido de Deus nos prometer um Éden restaurado se o primeiro não tivesse sido literal?

(Natal Gardino é doutor em Ministério pela Andrews University e pastor distrital em Londrina, PR)

Perguntas interativas da Lição: a criação: Gênesis como fundamento (parte 1)

God-creationOs primeiros capítulos da Bíblia são fundamentais para compreendermos nossas origens e muitos porquês. Além disso, toda a Escritura Sagrada é construída em cima desses alicerces. Por isso as narrativas contidas nesses capítulos são tão atacadas hoje, ou interpretadas apenas como “alegorias”. Nesta semana estudamos a importância do Gênesis como base para compreendermos corretamente a Bíblia. As perguntas a seguir servirão para reflexão, discussão e aprofundamento no conteúdo estudado.

Leia Gênesis 1:1. Que verdades profundas são reveladas no primeiro versículo da Bíblia? Assim como o primeiro versículo, por que os primeiros capítulos do Gênesis são fundamentais para a compreensão de todas as Sagradas Escrituras? Por que eles só fazem sentido se forem interpretados de maneira literal? (R.: Jesus e todos os profetas os consideravam assim, como vemos em Mateus 19:6 e outras passagens; e não faria sentido “escolhermos” arbitrariamente quais partes da Bíblia são literais ou alegóricas. Além disso, muitas doutrinas – tais como a origem da humanidade, do pecado, da morte, do sábado, etc. – não fariam sentido se essas narrativas não fossem literais.)

Que diferença faz saber que fomos criados por Deus, e não “evoluídos ao acaso”? Por que também é absurda a ideia de uma “evolução teísta”, ou seja, a ideia de que Deus mesmo teria criado tudo (e a nós) por meio do processo da evolução?

Como sabemos que os dias da criação são sete dias literais de 24 horas cada? Qual seria o sentido do mandamento para guardarmos o sábado se não tivesse sido assim? Se tudo já estava pronto no sexto dia da Criação, por que Deus ainda esperou passar mais 24 horas para criar mais um dia? O que isso nos diz sobre a importância desse dia?

Compare Gênesis 2:3 com Êxodo 20:11. Por que o quarto mandamento repete os mesmos três verbos que foram usados na narrativa da Criação em relação ao sábado? O que isso nos diz sobre o motivo de observarmos o sábado como dia de guarda?

Por que os adventistas do sétimo dia devem ser firmes em defender a criação em sete dias literais, ainda que todos virtualmente a rejeitassem? Em sua opinião, por que há cristãos aceitando as teorias de evolução teístas? (R.: O fato de guardarem o domingo – ou nenhum dia – pode fazer com que percam de vista facilmente o significado da Criação literal.)

Leia João 1:1-3 e Hebreus 1:2. Em que sentido Jesus é o Agente da Criação? O que isso nos ensina a respeito de Seu papel em nossa Redenção e na Re-criação do mundo?

Desde 1844 os adventistas do sétimo dia creem que estão incumbidos de pregar as mensagens angélicas de Apocalipse 14:6-12. Como as verdades sobre a Criação e sobre o sábado estão incluídas na primeira mensagem, no verso 7? (R.: No trecho “adorai Aquele que fez os céus, a Terra, o mar e as fontes das águas” – comparar com Êxodo 20:11.)

Leia Genesis 1:27, 28; 2:24; Mateus 19:4-6. Como essas verdades fundamentais descartam a prática da homossexualidade do plano original de Deus? Ao mesmo tempo, por que também são estranhos ao plano de Deus o adultério e a fornicação heterossexuais? (Veja Hebreus 13:4.) Por outro lado, como devemos demonstrar amor para todos os que têm práticas sexuais que divergem das Escrituras (tais como homossexualidade, adultério, fornicação, etc.)? (Veja 1 Coríntios 6:9-11, 18.)

Leia Romanos 5:12; 6:23; 1 Coríntios 15:45. De que forma a teoria da evolução neutraliza toda a doutrina do Grande Conflito entre o bem e o mal e do Plano da Redenção? (R.: Na teoria da Evolução a morte não é um intruso, um resultado do pecado, mas “faz parte do processo” para que a vida evolua e progrida. Se a narrativa de Adão e Eva é apenas uma alegoria, como dizem, e se a morte não é o resultado do pecado, então não existe pecado. E se não existe o pecado, não precisamos de um Salvador.)

Apesar de os criacionistas serem acusados de terem a “mente fechada”, por que na verdade eles têm a mente muito mais aberta do que os evolucionistas naturalistas, que não aceitam um Deus criador?

(Natal Gardino é doutor em Ministério pela Andrews University e pastor distrital em Londrina, PR)

Programa História da Vida: Darwin e seu tempo

Evolucionistas são nazistas e creem que viemos do macaco?

darwin

Você sabia que Adolf Hitler era “fã” de Charles Darwin, e que usou a ideia de seleção natural para levar avante seus planos eugenistas? Quem afirma isso é a secretária pessoal do führer, Traudl Junge, no livro Até o Fim (Ediouro). A obra foi escrita com base nos diários de Traudl, cujo objetivo foi alertar as pessoas para o fato de que jamais pode ser subestimado o poder sedutor de líderes fanáticos. Na página 140, a autora registrou a filosofia de vida do ditador e o que ele pensava sobre religião: “[Hitler] não tinha qualquer ligação religiosa; achava que as religiões cristãs eram mecanismos hipócritas e ardilosos para apanhar incautos. Sua religião eram as leis da natureza. Conseguia subordinar seu violento dogma mais facilmente a elas do que aos ensinamentos cristãos de amor ao próximo e ao inimigo. ‘A ciência ainda não chegou a uma conclusão sobre a raiz que determina a espécie humana. Somos provavelmente o estágio mais desenvolvido de algum mamífero, que se desenvolveu do réptil a mamífero, talvez do macaco ao homem. Somos um membro da criação e filhos da natureza, e para nós valem as mesmas leis que para todos os seres vivos. Na natureza a lei da guerra vale desde o começo. Todo aquele que não consegue viver, e que é fraco, é exterminado. Só o ser humano e, principalmente, a igreja têm por objetivo manter vivos artificialmente o fraco, o que não tem condições de viver e aquele que não tem valor.”

Assim, fica claro que o conceito de luta e de sobrevivência do mais apto moldou o pensamento do genocida, servindo de justificativa “moral” para suas decisões e ações. Hitler se julgava apto a decidir quem tinha valor e quem não tinha. Ele quis dar uma “mãozinha” para a seleção natural eliminando logo aqueles que ele considerava inferiores, como os judeus, os negros e os homossexuais.

Segundo o ditador, “somos provavelmente o estágio mais desenvolvido de algum mamífero, que se desenvolveu do réptil a mamífero, talvez do macaco ao homem”. Portanto, podemos concluir que, assim como Hitler, os evolucionistas creem que o homem veio do macaco e, pior: creem que o nazismo está correto, que a religião não presta e que devemos exterminar os fracos.

Antes que você proteste veementemente (e com razão), deixe-me dizer-lhe que obviamente eu não concordo com a conclusão acima. Obviamente entendo que não se pode julgar o todo pela parte, e que não se podem tirar conclusões gerais com base no que um ou outro pense a respeito do assunto – mesmo que esse um ou outro seja uma figura histórica famosa.

Não, evolucionistas não são nazistas, e afirmar isso com base no que um evolucionista pensa seria leviandade e mesmo maldade da minha parte. Nem todos os evolucionistas abominam a religião, e evolucionistas bem informados jamais diriam que o homem veio do macaco. O que eles dizem é que seres humanos e macacos tiveram um ancestral comum (desconhecido, é verdade).

Então por que resolvi escrever este texto? Porque tem gente fazendo com os criacionistas exatamente o que eu poderia ter feito com os evolucionistas, se eu fosse um canalha (para dizer o pior) ou simplesmente mal informado (para dizer o mínimo).

Recentemente, o criacionismo vem ocupando espaço nos noticiários e tendo suas premissas totalmente distorcidas. Há repórteres levianamente associando o criacionismo com a ideia absurda da Terra plana e a defesa assassina da não vacinação. Existem criacionistas mal informados que defendem essas bandeiras? Sim, existem; assim como há evolucionistas que fazem o mesmo (aliás, o fundador da Flat Earth Society é evolucionista). Mas vamos julgar todos os criacionistas por causa daqueles? Se o fizéssemos, estaríamos cometendo o mesmo erro de chamar os evolucionistas de nazistas.

A Sociedade Criacionista Brasileira (SCB) já se manifestou a respeito do terraplanismo por meio de uma nota de repúdio (veja aqui). Por que repórteres e formadores de opinião não mencionam isso? Desconhecem o fato? Preferem convenientemente ignorá-lo? A SCB está há quase 50 anos atuando no Brasil. Tem site e CNPJ. É fácil chegar até ela. Em meus blogs e em minhas redes sociais tenho denunciado a irresponsabilidade dos antivacinas. Não conheço uma entidade criacionista ou divulgador sério do criacionismo que defenda essa insanidade criminosa. Então por que a associação? Para denegrir os criacionistas e blindar Darwin? Para embarcar na onda e “lacrar”?

Uma das charges mais infelizes sobre esse assunto foi publicada no jornal gaúcho Zero Hora:

De um lado da ilustração há a tal associação de conceitos superficial e tendenciosa por meio de personagens caricatos; do outro está um senhor de jaleco branco (representante da ciência) acompanhado de uma moça e da frase “a burrice é ousada”. Sim, é mesmo ousada, e às vezes injusta.

Evolucionistas não são nazistas, tanto quanto criacionistas não são terraplanistas nem fixistas inimigos do bom conhecimento. Os pioneiros da ciência, como Isaac Newton, Galileu Galilei, Blaise Pascal e outros, criam na literalidade de Gênesis, mas nem por isso deixaram de legar à humanidade um patrimônio científico gigantesco.

O assunto é mais sério e profundo do que a maioria pensa, e vem sendo tratado de maneira superficial, enviesada e politizada por pessoas que não têm compromisso com a verdade. Por causa disso, estamos assistindo à criação de novos campos de concentração ideológicos para os ditos fundamentalistas retrógrados, e a uma nova matança – de carreiras e reputações.

Michelson Borges 

O que há de ciência e de preconceito de classe por trás do criacionismo

criacaoHoje em dia predomina a ideia de que ciência e religião não têm nada a ver uma com a outra. E, entre os mais esclarecidos, não é difícil encontrar quem tome o ateísmo como sinal de superioridade intelectual. Com o ativismo do cientista Richard Dawkins, somos levados a tomar a crença em Deus por mera demência ou puro delírio, decerto um demérito. Essa mentalidade que separa teístas atrasados de ateus científicos é recente e só prosperou no século 19. Seu primeiro expoente foi Auguste Comte, para quem a crença em Deus era uma fase da Humanidade a ser superada pela ciência. Tendo o amor como base, a ordem como meio e o progresso como fim, a Humanidade deixaria a crença em Deus para trás e adotaria a religião laica que cultua a Humanidade.

No mesmo século apareceu Marx, que também enxergava um futuro tecnológico e ateu para o homem. Para ele, a religião é ópio e a chave da história é a posse dos meios de produção, que são inventados e aprimorados por técnicos.

[Continue lendo.]