Caixinha de luz: a maior lição que meu pai me ensinou

A grande lição que o Sr. Francisco Borges me deixou foi: escolha sempre o melhor

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Fabriquei a caixinha de luz da foto ao lado quando eu tinha 14 anos. No ano anterior, minha turminha se sentava no fundo da sala de aula para conversar e desenhar. Éramos conhecidos como a “Turma do Automan”, sendo eu o Automan (pessoal dos anos 1980 vai se lembrar do personagem). Não dávamos muita atenção às aulas (exceto às de Ciências e Língua Portuguesa, das quais eu gostava mais). Não deu outra: no fim do ano, alguns dos desenhistas distraídos e eu reprovamos. No meu caso, em Matemática. Foi uma decepção. Meu grande temor foi ter que dar a notícia para meu pai. Surpreendentemente, ele ficou calmo e me disse que as coisas iriam mudar no ano seguinte. E mudaram.

Em 1986 meu pai alugava as máquinas da metalúrgica de um amigo. Com a crise econômica dos anos 1980, ele acabou falindo e tendo que vender a própria metalúrgica. Naquele espaço alugado, fabricávamos peças para minas de carvão, carrinhos de mão e caixinhas de luz. Meu pai havia feito o curso técnico de caldeireiro e era um exímio soldador. Com ele aprendi a soldar, esmerilhar, cortar, prensar e outras tarefas típicas do trabalho com metais. Foi um ano difícil. Eu ajudava meu pai todos os dias à tarde, depois de voltar da escola. À noite, fazia as tarefas escolares. Trabalhávamos inclusive aos fins de semana, quando precisávamos dar conta de uma encomenda maior.

Para mim, foi um exercício de disciplina e persistência. Muitas vezes, quando estava concluindo um lote de milhares de caixinhas de luz (que eu cortava na guilhotina, moldava na prensa, soldava na ponteadeira e pintava em enormes tanques cheios de tinta), lá vinha meu pai com caixas contendo outras milhares. Aquilo parecia nunca ter fim, mas ai de mim se reclamasse!

Quando certa ocasião meu pai me mandou ir à padaria comprar pão e leite no fim do expediente, eu argumentei que estava com a roupa suja, ao que ele respondeu: “É sujeira do trabalho. Você tem que se orgulhar disso.” Que lição! Mas a maior lição viria tempos depois.

Certo dia, depois de uma tarde cansativa de trabalho, quando havíamos embalado milhares de caixinhas de luz, meu pai me olhou nos olhos, pegou uma das caixinhas e me disse: “Viu como é duro trabalhar aqui? Trata-se de um trabalho honrado como qualquer outro, mas você pode conquistar algo melhor. Prefere trabalhar aqui ou levar a sério os estudos?” Nem precisei responder. A lição havia sido mais do que clara. Minhas notas melhoraram muito no ano seguinte e nunca mais parei de estudar.

A grande lição que o Sr. Francisco Borges me deixou foi: escolha sempre o melhor. Não se contente com voos baixos. Olhe sempre para a frente e para o alto. Anos depois, eu conheceria o evangelho e entregaria minha vida a Cristo. Meu pai não era religioso, mas, sem querer, acabou me levando a uma reflexão espiritual com a lição da caixinha: escolha sempre o melhor, e o melhor dos melhores é Deus. Não se contente em viver dentro de uma caixinha quando há um universo fora. Saia da caixinha da mediocridade, dos sonhos pequenos, do aqui e agora. Olhe para a frente e para o alto!

Michelson Borges

O Dia do Pastor mais triste, porém mais cheio de esperança da minha vida

Neste momento, minha ovelha especial está sendo o meu pai querido

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No Dia do Pastor, costumeiramente estamos pregando nas igrejas e recebendo os cumprimentos de irmãos queridos. Ovelhas carinhosas que reconhecem o trabalho e a dedicação de homens que decidiram entregar a vida ao santo ministério, em resposta ao chamado de Deus. Hoje é 24 de outubro, dois dias após relembrarmos o inesquecível 22 de outubro de 1844. Dia de pensarmos que fomos chamados para proclamar as três mensagens angélicas de Apocalipse 14; que fazemos parte da igreja remanescente, com um dever e uma missão bem definidos para este tempo especial que antecede a volta de Jesus. Momento de pensar emocionados que poderemos fazer parte da última geração de pastores que, com suas ovelhas, olharão nos olhos do Supremos Pastor e receberão um abraço apertado dEle (1 Pedro 5:4). Porém, este Dia do Pastor está sendo bem diferente para mim.

Estou em minha terra natal, Criciúma, SC. Os dias aqui têm transcorrido relativamente bem, apesar de tudo. Deus tem nos confortado e fortalecido. Fiquei pouco em casa de quinta-feira para cá. Passei a tarde de anteontem e o dia de ontem todo no hospital com meu pai. Ele está em coma há quase dois meses, vitimado por Covid e uma encefalite grave. Visitei-o na UTI três vezes um mês atrás. Agora voltei para, com minhas duas irmãs guerreiras, cuidar do meu pai num quarto comum, já que os médicos pouco podem fazer por ele agora. Hoje passarei o dia todo aqui de novo, pois quero dar um pouco de descanso para minhas irmãs, que há uma semana vêm revezando nos cuidados dele.

Tenho experimentado situações emocionalmente difíceis, como ajudar a dar banho em meu pai inerte e com o corpo já cheio de feridas (escaras). De vez em quando tenho que chamar uma enfermeira para aspirar secreções da traqueostomia, momento em que ele faz expressões de extremo desconforto (reflexo, dizem), ao ser enfiado pela garganta um tubo plástico para sucção. É tão difícil ver nesse estado aquele homem antes tão forte, atlético, determinado e cheio de vida… As pernas musculosas de jogador estão finas e debilitadas. O corpo está usando toda a proteína disponível na luta pela vida, mas os recursos estão se acabando…

Quando faço pequenos exercícios nos braços e nas pernas para tentar minimizar os efeitos da atrofia, ele também expressa dor, e eu choro por dentro (não quero que ele me ouça chorando). Quando não suporto mais, vou ao banheiro. Clamo a Deus para que, se o milagre da cura não estiver nos planos dEle, que Ele permita que meu pai descanse enquanto estou aqui para confortar minha mãe e irmãs. Assim têm sido meus dias. Assim está sendo meu Dia do Pastor.

Ontem gravei o resumo da lição da Escola Sabatina para que minha família assista em casa – um jeito de eu “estar” lá com eles (você também pode assistir aqui). Cuidar do meu pai agora é o mínimo do mínimo que eu poderia fazer pelo homem que me deu a vida e me educou em meus primeiros anos; que me ensinou a ser trabalhador, honesto, corajoso, homem de verdade. Que gostava de fazer longas caminhadas comigo, quando eu vinha para cá de férias. Momentos em que colocávamos a conversa em dia. Francisco Borges, o craque do futebol, ex-jogador do Figueirense, time da Capital, de quem não herdei o gosto pelo esporte, mas de quem gostava de ouvir as inúmeras histórias de peripécias futebolísticas.

O goleador está ali, no leito, inerte, mas lutando pela vida, como o campeão que sempre foi. Vivia dizendo que a morte teria trabalho com ele, e está tendo, pois ele é um batalhador.

Sim, este está sendo o Dia do Pastor mais triste, porém mais cheio de esperança da minha vida. Por que esperança? Porque eu tenho uma esperança que vai além desta vida! Porque minha família e eu oramos por quase três décadas para que meu pai aceitasse Jesus como seu Salvador e Senhor, e temos evidências de isso ter acontecido pouco antes de ele entrar em coma (clique aqui e saiba por quê). Essa e outras demonstrações do amor e do cuidado de Deus nos fazem sentir a alegria irromper em meio à dor.

Visitei e orei com outro doente aqui no hospital, ontem. Tenho entregado livros missionários para quem posso. Mas, neste momento, minha ovelha está sendo o Sr. Francisco Borges. Daqui a pouco, depois do banho, vou pregar para ele e orar com ele, na esperança de que Deus faça chegar alguma coisa à mente dele; na esperança de que ele esteja em paz e tranquilo, como o rosto tem demonstrado.

Obrigado, meu Pastor Jesus, por cuidar de nós e fazer de tudo para nos salvar! Que o Senhor volte logo para nos levar para o aprisco celestial! Feliz Dia do Pastor para o Senhor também!

Pastor Michelson Borges

As vezes em que preguei para meu pai

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Meu pai raramente aceitava nossos convites para ir à igreja conosco. Quando vinha a Tatuí, às vezes nos acompanhava aos cultos. Nessas ocasiões, quando eu estava escalado para pregar, aproveitava a oportunidade para apelar à mente e ao coração dele. Mas Francisco Borges era durão. Resistiu por três décadas às nossas orações intercessórias e aos apelos do Espírito Santo.

Em anos mais recentes, tive novamente a oportunidade de pregar do púlpito para meu pai (já que em conversas privadas ele sempre se esquivava de assuntos religiosos), e ele teve a oportunidade de ouvir novamente a Palavra de Deus. Em 2016, ele veio a Tatuí para minha ordenação pastoral. A cerimônia foi linda e o sermão do pastor Erton Köhler foi inspirado por Deus. Pude ver de longe os olhos marejados do meu pai e foi difícil segurar minhas próprias lágrimas. No dia seguinte. tivemos um agradável passeio e um piquenique em família.

Dois anos depois, tive a alegria de batizar na Igreja Central de Criciúma (onde fui batizado em dezembro de 1991) minha filha Marcella e minha sobrinha Letícia. Meu pai estava lá; creio que foi a primeira vez que ele entrou naquela igreja. Orei a Deus para que Ele me usasse uma vez mais para alcançar a mente e o coração do pai. Mas Francisco Borges era durão, e não se levantou no apelo. Estava visivelmente emocionado, mas se conteve o quanto pôde. Resistiu uma vez mais.

A última vez em que preguei publicamente para meu pai foi na celebração das bodas de ouro dele e da minha mãe, lá em Criciúma (veja o vídeo abaixo). Foi um momento feliz em família. Momento de recordar as bênçãos de Deus. Boa parte dos parentes e alguns amigos do meu pai estavam lá. Foi uma grande oportunidade que Deus me deu de apresentar uma mensagem de esperança para todos. De convidá-los a dedicar a vida a Deus e de dizer que em breve estaremos todos juntos no Céu, quando Jesus voltar. Que meu irmãozinho Marcelo, falecido aos quatro meses de idade (dois anos antes de eu nascer) estará conosco e seremos uma família completa novamente. Espero que meu pai tenha entendido o “recado” que dei com a palavra “completa”…

Nove meses depois, o homem durão entrou em coma, vitimado pela Covid e por uma encefalite. Temos clamado todos os dias a Deus para que um milagre seja feito – do jeito dEle e no tempo dEle. Tenho enviado todos os dias áudios que os enfermeiros bondosamente colocam para meu pai ouvir, na esperança de que Deus esteja fazendo com que minhas palavras cheguem aos mais íntimos pensamentos dele. Tenho procurado fazer com que ele se lembre de tudo o que já lhe preguei ao longo destas últimas três décadas.

Deus nos permitiu saber que, de alguma forma, falou com meu pai. Quando já estava em confusão mental, pouco antes de entrar em coma, ele disse três vezes para minha irmã Emanuela: “É o Todo-Poderoso.” Nunca o vimos usar essa expressão para se referir a Deus. Depois, em uma noite, já no leito hospitalar, ele disse também três vezes para a enfermeira: “Só Deus!” Pouco depois, foi entubado e perdeu a consciência. Quero crer que o durão Francisco Borges finalmente teve um encontro com Deus.

Querido amigo, querida amiga, entenda que a vida é frágil e incerta. Não sabemos o que poderá acontecer conosco dentro de algumas horas, alguns dias. Por isso, não retarde sua entrega a Deus. Aceite a salvação que Jesus lhe oferece e entregue sua vida a Ele.

Agradeço às muitas pessoas que têm orado pelo meu pai e por minha família. Peço que continuem orando. Cremos que Deus fará um milagre – no tempo dEle e do jeito dEle.

Michelson Borges

A triste e trágica história de Zé Apóstata

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Zé Interessado era um jovem curioso em busca da verdade. Estava cansado de sua vida vazia e de pecados. Certo dia, no ônibus, recebeu de presente um livro missionário da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Ele leu atentamente o conteúdo e comparou tudo com a Bíblia que tinha em casa. Ficou surpreso com as verdades que descobriu e procurou a igreja adventista mais próxima da residência dele, a fim de tirar algumas dúvidas. O ancião da igreja gentilmente se ofereceu para aprofundar os estudos bíblicos com Zé Interessado. Depois de vários meses de estudos com o líder da igreja, Zé Interessado tomou a decisão de aceitar Jesus como seu Salvador e Senhor e alinhou a vida aos princípios bíblicos ensinados pelos adventistas.

Zé Interessado se tornou Zé Fiel.

Grato pelo que a igreja havia feito por ele, Zé Fiel decidiu fazer sua parte para que outros como ele pudessem ter acesso à mensagem de esperança que lhe transformou a vida. Tornou-se fiel dizimista, contribuía sistematicamente com ofertas, distribuía livros, estava envolvido com os trabalhos sociais de sua igreja e ministrava estudos bíblicos, a fim de passar adiante a bênção que havia recebido. Zé Fiel ajudou a levar muitas pessoas ao batismo e se sentia feliz por fazer parte do povo remanescente da profecia. Quanto mais estudava a Bíblia, mais convicto se sentia em relação ao caminho que trilhava e mais cheio de paz seu coração ficava.

Zé Fiel tornou-se Zé Missionário, e foi uma bênção para a igreja e para muitas pessoas.

Mas um dia Zé Missionário recebeu pelo WhatsApp um vídeo que começou a mudar a trajetória de sua história de fé. Na tela do celular, um jovem levantava dúvidas sobre os líderes da igreja e fazia acusações. Zé Missionário já havia lido declarações inspiradas como estas:

“A igreja, débil e defeituosa, precisando ser repreendida, advertida e aconselhada, é o único objeto na terra ao qual Cristo confere Sua suprema consideração” (Testemunhos Seletos, v. 2, p. 355).

“Deus tem na Terra uma igreja que é Seu povo escolhido, que guarda os Seus mandamentos. Ele está guiando, não ramificações transviadas, não um aqui e outro ali, mas um povo” (Testemunhos Seletos, v. 2, p. 362).

“Não necessitamos duvidar nem temer de que a obra não avançará. Deus está à frente […] e porá tudo em ordem. […] Tenhamos fé de que o Senhor guiará com segurança ao porto a nobre embarcação que conduz Seu povo” (Review and Herald, 20 de setembro de 1892).

“Embora existam males na igreja e tenham de existir até o fim do mundo, a igreja destes últimos dias há de ser a luz do mundo poluído e desmoralizado pelo pecado” (Testemunhos Seletos, v. 2, p. 355).

Zé Missionário possuía maturidade suficiente para entender que, como é composta e liderada por seres humanos falhos (como ele mesmo), a igreja tem, sim, seus problemas. Mas é a menina dos olhos de Deus, e Ele a está aperfeiçoando e conduzindo. Sim, Zé sabia disso e fazia a parte dele para ajudar a igreja “débil e defeituosa” em sua missão, e clamava ao Céu todos os dias pela chuva serôdia e pelo reavivamento do povo de Deus; pelo seu próprio reavivamento, como parte desse povo especial. Mas o vídeo do Jovem Trombeteiro da Montanha o havia deixado com uma “pulga atrás da orelha”. Teria razão aquele jovem que havia se mudado para o campo, mas levado consigo a cidade virtual da internet, em cujas ruas e vielas vivia em busca de polêmicas? Será que o trombeteiro que do alto da montanha lançava sobre a igreja seus dardos em forma de vídeos e críticas teria alguma razão no que dizia?

Zé Missionário passou a assistir a mais e mais vídeos como aquele; e se tornou o Zé Desconfiado.

Como uma heresia leva a outra, Zé Desconfiado acabou encontrando na internet outros vídeos, desta vez do Idoso Escatologista. À semelhança do que fazia o Jovem Trombeteiro da Montanha, o Idoso Escatologista ensinava coisas que estavam em desacordo com os ensinos historicamente defendidos pela Igreja Adventista. Por exemplo, enquanto em livros oficiais a igreja defende o historicismo profético, esse pregador virtual apregoa o futurismo, chegando mesmo a contrariar Ellen White, afirmando que os 1.260 anos proféticos compreendidos entre 538 e 1798 teriam um cumprimento literal de três anos e meio no futuro, após o fechamento da porta da graça, marcando, assim, de certa forma, uma data para a volta de Jesus.

Zé Desconfiado sabia que essas ideias não fazem sentido, mas como já estava com desconfianças em relação aos líderes da igreja, chegou a pensar – reproduzindo uma ideia sugerida tanto pelo Trombeteiro quanto pelo Escatologista – que os teólogos da igreja estariam a serviço de seus próprios interesses e, pior, dos interesses do maligno! Quanto aos textos claros de Ellen White, será que não teriam sido manipulados pelos editores? Pior ainda: Será que os responsáveis pelos escritos dela nos Estados Unidos não estariam sonegando e distorcendo informações? As desconfianças do Zé só aumentavam.

Aos poucos, Zé Desconfiado deixou de dar estudos bíblicos. Praticamente todo o tempo dele passou a ser dedicado ao estudo de “documentos extraoficiais” e vídeos de internet. Materiais que só fizeram aprofundar suas falsas suspeitas em relação à igreja. Zé Desconfiado já não frequentava mais tão assiduamente os cultos e deixou de dar ofertas, pois pensava que elas poderiam estar sendo mal aplicadas.

Como uma heresia leva a outra, Zé Desconfiado acabou tendo contado com um grupo virtual liderado por um ex-pastor antitrinitariano igualmente crítico da igreja, mas que tinha a pretensão reformá-la, de “curar Laodiceia”. Zé Desconfiado pensou estar no caminho certo e decidiu doar seus dízimos ao ex-pastor que ensinava a suas ovelhas que Jesus não é eterno como o Pai (portanto, menos Deus que Deus) e que o Espírito Santo não é pessoal, muito menos divino. Assim, Zé Desconfiado passou a crer num engano satânico que rebaixa Cristo e nega o Consolador que pode nos conduzir a toda a verdade e nos convencer do pecado, da justiça e do juízo. Ironicamente, Zé, orientado pelo Lobo Antitrinitariano, estava dando as costas para a verdadeira cura de Laodiceia. E Zé passou a arrebanhar mais e mais ovelhas para a toca do Lobo.

O apelido do moço poderia até ser “Zé Picuinha”, pois começou a disseminar pequenas dúvidas em sua antiga comunidade religiosa, fazendo com outros irmãos aquilo de que ele mesmo estava sendo vítima.

Zé Desconfiado foi ficando cada vez mais cego e obstinado. Esqueceu-se de que, “quando alguém se afasta do corpo organizado do povo que observa os mandamentos de Deus, quando começa a pesar a igreja em suas balanças humanas e a acusá-la, [podemos] saber que Deus não o está dirigindo. Ele se encontra no caminho errado” (Ellen White, Mensagens Escolhidas, v. 3, pág. 18). Quando o bondoso ancião que lhe havia dado estudos bíblicos e lhe dedicado muito tempo e orações tentou mostrar o caminho perigoso em que estava, Zé Desconfiado desprezou os conselhos daquele que realmente o amava. “Esse irmãozinho foi enganado pelo ‘sistema’”, pensou Zé.

Zé Desconfiado se tornou Zé Herege. E isso foi uma lástima.

Totalmente imerso na desconfiança, na acidez das críticas e com os pensamentos envolvidos por heresias, Zé Herege passou a ver também os defeitos daqueles que apontam o dedo contra a igreja – os mesmos que antes lhe pareciam tão santos e zelosos. Desentendeu-se com seus mentores, e em lugar de reconhecer seus erros e voltar à comunhão da igreja, fechou-se nos ferrolhos do orgulho. O fardo dessa religião acusatória e falsa lhe pesou nos ombros, e Zé Herege começou a duvidar de tudo, até da confiabilidade do Espírito de Profecia e da Bíblia Sagrada. A essa altura ele não mais frequentava os cultos adventistas e era uma tristeza seu relacionamento com a linda moça da igreja com quem havia se casado e feito promessas no altar. Ela não suportava o azedume do marido e não acreditava em suas ideias. Com o coração partido, decidiu deixá-lo.

Inquieto e desorientado, Zé Herege colocou uma pá de cal sobre os últimos resquícios de sua fé, ao passar a acompanhar pregadores moderninhos das redes sociais que relativizavam até o relativismo. “Deixe essas bobagens doutrinárias e abrace o Cristo revolucionário e subversivo!” Zé não encontrou esse Cristo repaginado. Na verdade, Zé Herege acabou por se perder mais ainda, ficando sem rumo e mergulhado no vazio escuro que cresceu dentro de si.

De interessado, fiel, missionário, desconfiado e herege, ele se tornou Zé Apóstata. E isso foi uma tragédia. Uma triste tragédia.

Michelson Borges

Nota: Sim, os nomes acima são fictícios, mas a história, infelizmente, tem sido a realidade de muita gente. Em nome de Jesus, não permita que isso aconteça com você! (Leia e medite em Apocalipse 12:17.)

Leia também: Há esperança para a igreja?

Confie no Senhor Jesus: Ele sempre sabe o que é melhor para nós

filha de jairo

Ontem, no culto de pôr do sol (quando entramos nas horas do santo sábado), refleti com minha família sobre a cura/ressurreição da filha de Jairo (Marcos 5:21-43). Lembrei a todos que Jesus “demorou” de propósito, pois tinha um plano muito maior para a vida daquela família e de todos os que conheceriam essa história. Depois de curar no caminho a mulher que havia 12 anos sofria de hemorragia, Jesus finalmente conseguiu seguir adiante para a casa de Jairo, sendo este informado de que a menina já havia morrido. Jesus, sereno e dono da situação como sempre, disse para Jairo não se preocupar, pois a filha dele estava apenas dormindo (como estão todos os mortos até a ressurreição final). Ao chegar à casa daquele homem arrasado pela dor da perda, Jesus entrou no quarto, tomou carinhosamente a mão da menina e ordenou que ela despertasse do sono da morte.

Cristo é o Senhor da vida! Um dia, em breve, em Sua segunda vinda, Ele despertará todos aqueles que aceitaram Seu plano de salvação e hoje descansam no pó da terra; que O aceitaram como Salvador e Senhor (você já aceitou?).

Essa história me mostra que o Senhor Jesus é bom e soberano. Nada acontece por acaso na vida daqueles que O amam. Se Ele está “demorando” para nos conceder alguma bênção ou nos concede uma bênção diferente daquele pela qual clamamos, é porque Ele sabe exatamente o que precisamos e o que vai contribuir para nossa salvação. Jairo queria uma cura, ganhou uma ressurreição; e com certeza a fé dele no Messias (e a nossa também) foi agigantada.

Nesta madrugada, sonhei que estava ao lado do meu pai na UTI. Estava segurando a mão dele, ele abriu os olhos e disse meu nome. Acordei emocionado e mais uma vez orei por ele.

Hoje tentarei visitar meu pai na condição de pastor. Não sei se isso me será permitido, mas confio no Deus soberano. Se Ele me deixar entrar naquele lugar, Ele sabe por que. Se não deixar, também sabe. E eu apenas confiarei no Senhor que cura e ressuscita. No Senhor que nos manda aquietar, porque Ele é Deus (Salmo 46:10). No Senhor que, muito mais do que nós, os parentes, quer o bem eterno do meu pai.

Continuamos orando e confiando. Convido você a fazer o mesmo e entregar sua vida ao maravilhoso e amoroso Senhor Jesus Cristo.

Michelson Borges

Mais que médico, ajudante do Pastor

1– O senhor é pastor?

De repente, todos nós, que estávamos naquele momento compenetrados, paramos para olhar para o leito 2 da UTI. Lá estava o seu Roberto, de 49 anos, com a voz ainda rouca e embargada pelos dez dias que passou entubado na UTI do Hospital Adventista de São Paulo.

São dias estranhos e diferentes os que vivemos. Estava comigo o Dr. Elson, diretor clínico do CEVISA, que naquele momento de luta contra a pandemia mundial de coronavírus, acostumado a aplicar diariamente seus conhecimentos em Medicina do Estilo de Vida, estava, assim como eu, a enfermeira e a fisioterapeuta, revisando e pensando em tantos fatores diferentes, como dose de drogas vasoativas, critérios de ventilação mecânica, antibióticos e todas as questões relativas ao tratamento de pacientes graves.

– O senhor é pastor? – repetiu Roberto, desta vez com a voz um pouco mais forte, como tentando vencer a máscara de oxigênio que estava usando.

Naquele momento, algo mexeu dentro de mim. Médico? Coordenador da UTI? Cardiologista? Intensivista? Não. Não me pareceu o correto. Falei então:

– Não, seu Roberto. Não sou pastor. Sou ajudante do Pastor. Por quê?

– Eu ouço todos os dias… você orar… pelos pacientes… Poderia orar por mim?

A observação do Roberto me deixou impressionado. Todos os dias, antes de passar visita multiprofissional, fazemos uma oração pedindo a Deus pelos pacientes, e que Ele nos dê orientação e sabedoria ao tomarmos as decisões que melhorem a saúde deles. Mas confesso que me surpreendi pela observação do Sr. Roberto. Ele passou vários dias em sedação, o que chamamos de “coma induzido”, respirando por auxílio de aparelhos.

– Claro, Roberto, já vamos aí orar com você!

Terminamos as observações que tínhamos naquele instante. E, naquele momento, nos achegamos, médicos, enfermagem e fisioterapia. Éramos ajudantes do Pastor Jesus Cristo, intercedendo em oração por uma pessoa que tinha visivelmente mais sede de Deus do que do próprio ar de que tanto necessitava para respirar. Pedimos a Deus mais uma vez pelo Roberto, para que a Luz de Deus iluminasse sua vida e por todos os pacientes, não só deste hospital, mas de todos que estão em luta nas UTIs e enfermarias.

Em todo o mundo, várias homenagens estão sendo feitas aos trabalhadores da saúde e da segurança que estão arriscando a vida para atender a população. Neste momento, em que é lembrada a importância desses profissionais, podemos achar que somos o centro da solução para a saúde. Contudo, me permito relembrar de que nosso trabalho, por mais importante e essencial que seja, tem um propósito maior: ajudar as pessoas a enxergar a misericórdia e o amor do nosso Deus.

Diz Ellen White, no livro Evangelismo, página 513: “Coisa alguma abrirá portas à verdade como a obra missionária médico-evangelista. Esta achará acesso aos corações e espíritos, e será um meio de converter muitos à verdade. […] A obra médico-missionária é a mão direita, a mão auxiliadora do evangelho, para abrir as portas à proclamação da mensagem. […] Portas que foram fechadas para aquele que simplesmente prega o evangelho, abrir-se-ão ao inteligente missionário médico. Deus alcança os corações por meio do alívio ao sofrimento físico.”

Saí naquele momento profundamente emocionado, por mais uma vez lembrar que nossas atitudes profissionais têm um propósito maior que salvar o corpo. E me senti muito feliz e honrado em dizer que minha função, assim como a de tantos colegas da área de saúde, é a de ajudante do Pastor.

(Everton Padilha Gomes é médico cardiologista e doutor em Cardiologia pela USP)

O coronavírus é o de menos

O coronavírus tem se espalhado pelo mundo e não se fala de outra coisa nas últimas semanas. De fato, embora a mortalidade direta em decorrência da infecção não seja tão alta, a sobrecarga do sistema de saúde causa grandes preocupações; por isso todo cuidado é pouco. É melhor “pecar” pelo excesso de cautela a baixar a guarda e sofrer as consequências. Então é só seguir o que as autoridades têm recomendado e pedir a Deus que esse flagelo anunciado passe logo. Depois virão outros e outros e outros, como bem sabemos. Temos que levar a vida conscientes de que, antes de melhorar definitivamente (com a volta de Jesus), a situação deste mundo apenas piorará. É sobre isso que quero falar nesta breve reflexão.

Ontem minha esposa e eu fomos levar nosso filhinho a um parque aqui na cidade, a fim de que pudéssemos brincar um pouco. Infelizmente, havia som alto no local e foi inevitável ouvir aquelas músicas que tornaram bem desagradável um momento que deveria ser alegre. Percebemos uma coisa: as músicas sertanejas românticas do passado deram lugar a letras que falam de traição, vingança, glamourização da solteirice promíscua, menção desrespeitosa a partes íntimas do corpo, e coisas do tipo. As pessoas estão tão acostumadas com esses conteúdos musicais que parecem nem mais se importar com a degradação.

Minha esposa fez uma pesquisa alguns dias atrás. Verificou a quantas anda a produção de filmes românticos. Ficou surpresa ao perceber que romances entre homens e mulheres quase sempre envolvem traição ou então algum grau de desprezo ao casamento e à família tradicionais (bíblicos). Assim como vem acontecendo nas músicas, o romantismo deu lugar a um erotismo exacerbado, animalesco e mecânico. Curiosamente, os romances homossexuais (e há vários filmes desse tipo atualmente) são os que mais vêm valorizando o amor romântico…

Esse estado de coisas me fez lembrar o ótimo livro Nossa Cultura ou o Que Restou Dela, do psiquiatra inglês Theodore Dalrymple (pseudônimo de Anthony Daniels), autor mais do que necessário para entender o tempo em que vivemos. No livro, ele fala sobre a imundície moral, espiritual e emocional que tomou o mundo e engendrou prazeres passageiros e sofrimentos prolongados. Nas páginas 281 e 282, lemos: “A revolução sexual provocou, acima de tudo, uma alteração na sensibilidade moral, na direção de um consistente embrutecimento dos sentimentos, pensamento e comportamento.”

Dalrymple não é um homem religioso, por isso suas análises e seus ótimos livros tratam os temas da perspectiva de um intelectual conservador e realista (que infelizmente só fui conhecer anos depois de meu tempo de universidade), sem o viés bíblico que o ajudaria a reconhecer a origem de toda essa desgraça.

Assim como o coronavírus se espalha rapidamente entre as pessoas, com consequências devastadoras para a vida em sociedade, para a economia e outras áreas, o vírus do pecado, quando começou a ser espalhado neste planeta há cerca de seis milênios, também causou e vem causando estragos na vida dos seres humanos e nos reinos animal e vegetal. Morte, dor e sofrimento mancharam o plano original do Criador. O remédio? Álcool 70%? Máscaras? Confinamento? Nada disso resolve, evidentemente. O único remédio para o vírus do pecado é o sangue de Cristo, derramado na cruz do Calvário por amor aos “infectados”. Unicamente esse sangue purifica a mente, o coração, o ser todo.

Estamos num mundo que afunda; que cava o fundo do poço cada vez mais. Precisamos estar aqui um pouco mais, mas não podemos ser daqui. Somos cidadãos da pátria celestial; embaixadores do reino de Deus. Assim como os profissionais de saúde têm se desdobrado e até se arriscado para ajudar as pessoas afetadas pela epidemia atual, temos que ajudar aqueles que sofrem sob o fardo do pecado. Temos que ser luz do mundo e sal da terra, como comparou nosso Mestre. Mas como viver no meio da sujeira sem nos sujarmos? Como viver em meio ao que sobrou da nossa cultura? Acatando as recomendações bíblicas do apóstolo Paulo, por exemplo. Cito três textos (extraídos da Nova Versão Transformadora):

“Concentrem-se em tudo o que é verdadeiro, tudo o que é nobre, tudo o que é correto, tudo o que é puro, tudo o que é amável e tudo o que é admirável. Pensem no que é excelente e digno de louvor” (Filipenses 4:8).

“Vistam toda a armadura de Deus, para que possam permanecer firmes contra as estratégias do diabo [e] resistir ao inimigo no tempo do mal” (Efésios 6:11, 13).

“Não imitem o comportamento e os costumes deste mundo, mas deixem que Deus os transforme por meio de uma mudança em seu modo de pensar, a fim de que experimentem a boa, agradável e perfeita vontade de Deus para vocês” (Romanos 12:2).

Assim como temos tomado precauções para minimizar os riscos de contágio pelo coronavírus e seguido conselhos de saúde a fim de que possamos fortalecer o sistema de defesa do corpo (os “oito remédios naturais” são ótimos para isso), sigamos os conselhos de Deus para ter uma vida santificada e oremos para que Ele nos inunde do amor com que devemos trabalhar pelos doentes deste mundo “infectado” pelo pecado.

Vem logo, Jesus!

Michelson Borges

O erro tira sua vida da verdade

mask“Satanás tem operado com poder enganador, introduzindo uma multiplicidade de erros que obscurecem a verdade. O erro não pode subsistir por si mesmo, e se extinguiria de pronto, não se apegasse como parasita à árvore da verdade. O erro tira sua vida da verdade de Deus. As tradições dos homens, como germes que pairam no ar, agarram-se à verdade de Deus, e os homens as consideram como parte da verdade. Mediante falsas doutrinas, Satanás consegue terreno onde firmar-se, e cativa a mente dos homens, fazendo com que se apeguem a teorias que não têm fundamento na verdade”(Ellen White, Evangelismo, p. 589).

Há pessoas que depois de descobrir problemas em algo começam a duvidar de tudo. Sabe o motivo? Sua base de entendimento da verdade está enfraquecida; algumas vezes quase nem existindo.

Muitos erros se espalham pelo mundo. Para existir devem estar misturados com pedaços da verdade, pois ficariam mais evidentes os enganos e as loucuras dessas ideias. Ganham espaço na mente das pessoas ao se apropriar da credibilidade que existe nos pedaços de verdade com os quais estão misturados. A melhor maneira de enganar é se parecendo amigo de alguém, pois assim não desconfiarão dessa pessoa.

Somente o estudo adequado da Palavra de Deus e da boa Ciência (que mostra Deus na criação), sob a guia do Espírito Santo, pode nos ajudar a discernir a verdade e o erro.

Pense nisso.

(Josué Cardoso dos Santos é doutor em Física e especialista no estudo do movimento de corpos celestes do Instituto de Tecnologia de Israel)

Imitando a cultura

uzaNum instante, Davi se transformou num assassino, quando Uzá foi fulminado por sua ousadia em tocar a Arca (1 Crônicas 13). E tudo começou com uma aparentemente ingênua ação: colocar a Arca num carro, em vez dos ombros dos levitas. O entusiasmo e o pragmatismo de Davi o levaram ao erro e ao pecado. Mas a ação de Davi não foi original; os filisteus transportaram a Arca num carro (1 Samuel 6:7, 8). Portanto, ao imitar a cultura, Davi fracassou!

Esse episódio nos lembra que a obediência à Palavra é muito mais importante que o entusiasmo, o pragmatismo e a cultura.

“Mas eles estão fazendo assim!” “As igrejas estão fazendo desse jeito.” “As pessoas gostam disso!” “Os estudos mostram que…!”

Esqueçamos a cultura! Esqueçamos as tendências sociológicas e antropológicas! Esqueçamos o pensamento dominante! Esqueçamos o que dizem os especialistas! Se eles disserem e praticarem diferente da Palavra, esqueçamos!

O conselho das pessoas, as pesquisas dos especialistas e os ditames da cultura jamais devem substituir as prescrições da Palavra de Deus.

Pastor Adolfo Suárez

Janela para o Céu

familyprayerQuando tinha nove anos, fui convidada pelo vizinho para participar dos cultos que ele fazia com a família dele. Pedi autorização aos meus pais e toda noite me unia àquela família para orar e ler trechos da Bíblia. Especialmente as histórias do Gênesis me deixavam impressionada. Comecei a mudar minhas atitudes em casa e meus pais ficaram preocupados, achando que eu estava ficando “fanática”. Proibiram-me de participar dos cultos e resolveram rezar o terço em casa. Para o meu irmão e para mim, aqueles eram momentos muito desagradáveis. “Tudo bem que a gente reze, mas não precisam ficar com essa cara de tristes”, pedia ele. Aqueles eram momentos realmente maçantes e, com o tempo, meus pais acabaram desistindo da idéia e tudo voltou a ser como antes. Que pena. Perdemos uma grande chance de conhecer melhor a Deus, antes mesmo de nos tornarmos adventistas.

O tempo passou. Cresci, me casei e tenho três filhos pequenos. Quando me lembro dessa experiência da minha infância, fico me perguntando o que tenho feito para tornar a religião algo agradável e relevante na vida das minhas meninas.

Alguns pais se sentem orgulhosos e felizes por verem seus filhos prosperarem intectual e materialmente. Isso é bom, mas se o coração deles está vazio, longe de Deus e em busca apenas das honras deste mundo, é tudo vão. E quando Jesus voltar e perguntar por esses filhos? Eles são um presente emprestado. Um dia teremos que devolvê-los a Deus. Infelizmente, muitos se esquecem disso e criam filhos apenas para este mundo.

Você tem buscado a Deus a fim de ensinar seus filhos a dependerem dEle também? Ou tem colocado outras coisas no topo de sua lista de prioridades – novelas, filmes, esportes, propriedades? Os filhos observam tudo e aprendem com nosso exemplo.

Se deseja a ajuda de Jesus para salvar, abençoar e livrar seus filhos das más influências, há um braço poderoso estendido para você. Deus é tão bom que deixou orientações claras e específicas para que os pais ajudem os filhos: “Toda família deve construir seu altar de oração, reconhecendo que o temor do Senhor é o princípio da sabedoria” (Ellen G. White, Orientação da Criança, p. 517). E Ele diz mais: “Acheguemo-nos confiadamente junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna” (Hebreus 4:16).

Assim como os patriarcas, devemos também construir no lar um altar de oração – o culto familiar. Mas como deve ser esse culto? Ellen White dá algumas dicas:

“O pai, como sacerdote da casa, deponha sobre o altar de Deus o sacrifício da manhã e da tarde” (Orientação da Criança, p. 519).

O culto não deve ser de forma insípida e com monótona repetição de frases. Deus é desonrado quando o culto é seco e tedioso.

Deve conter a expressão de nossas necessidades e homenagem de grato amor ao Criador.

As orações devem ser curtas e ao ponto, com palavras simples. “Quando um capítulo comprido é lido e explicado e se faz uma longa oração, esse precioso culto se torna enfadonho e é um alívio quando passa” (Ibidem, p. 521).

Escolha um trecho interessante e fácil da Bíblia – e todos devem ler. Alguns versos são suficientes para dar uma lição que será praticada todo o dia.

A criança também pode ajudar a preparar o culto e escolher o que vai ser lido.

Depois deve-se perguntar a ela sobre o que foi lido e fazer aplicações na vida diária.

O ideal é que os cultos sejam feitos antes do desjejum e à tarde, antes de que venha o cansaço e o sono. “É o dever dos pais cristãos, de manhã e à tarde, pela fervente oração e fé perseverante, porem um muro em torno de seus filhos” (Serviço Cristão, p. 210).

Não se deixe levar pelas circunstâncias: mesmo quando estiver muito atarefado ou quando houver visitas em casa, não negligencie o culto. Assim, as crianças aprenderão a importância da religião na vida da família.

Aproveite o poder da música. Ela é um ato de adoração como a oração, e é “um dos meios mais eficazes para impressionar o coração com as verdades espirituais. Quantas vezes, ao coração oprimido duramente e pronto a desesperar, vêm à memória algumas das palavras de Deus – as de um estribilho, há muito esquecido, de um hino da infância – e as tentações perdem o seu poder, a vida assume nova significação e novo propósito, e o ânimo e a alegria se comunicam a outras pessoas!” (Orientação da Criança, p. 523).

Tenho experimentado o poder do culto familiar em meu próprio lar. Minha filha Giovanna, quando tinha quatro anos, “compunha” um hino todos os dias e tinha prazer em apresentá-lo no momento do culto. Eram (e continuam sendo) momentos especiais de união e paz. E sempre que oro por minha família e peço a Deus forças para cumprir minha missão de mãe, me vem à mente a promessa: “Ele não Se desviará de vossas petições, deixando a vós e aos vossos como brinquedo de Satanás, no grande dia do conflito final. É vossa parte trabalhar com simplicidade e fidelidade, e Deus estabelecerá a obra de vossas mãos” (Ibidem, 526).

Quero ter meus filhos no Céu, por isso preciso apresentá-los ao Céu. É como se nós, pais, na hora do culto familiar, convidássemos: “Filhinho(a), venha aqui. Dê uma espiada nesse lugar. Que tal morarmos lá?”

Abra essa “janela para o Céu” em sua casa também.

(Débora Borges é pedagoga e pós-graduada em Aconselhamento Familiar)