O coronavírus é o de menos

fundo-do-poçoO coronavírus tem se espalhado pelo mundo e não se fala de outra coisa nas últimas semanas. De fato, embora a mortalidade direta em decorrência da infecção não seja tão alta, a sobrecarga do sistema de saúde causa grandes preocupações; por isso todo cuidado é pouco. É melhor “pecar” pelo excesso de cautela a baixar a guarda e sofrer as consequências. Então é só seguir o que as autoridades têm recomendado e pedir a Deus que esse flagelo anunciado passe logo. Depois virão outros e outros e outros, como bem sabemos. Temos que levar a vida conscientes de que, antes de melhorar definitivamente (com a volta de Jesus), a situação deste mundo apenas piorará. É sobre isso que quero falar nesta breve reflexão.

Ontem minha esposa e eu fomos levar nosso filhinho a um parque aqui na cidade, a fim de que pudéssemos brincar um pouco. Infelizmente, havia som alto no local e foi inevitável ouvir aquelas músicas que tornaram bem desagradável um momento que deveria ser alegre. Percebemos uma coisa: as músicas sertanejas românticas do passado deram lugar a letras que falam de traição, vingança, glamourização da solteirice promíscua, menção desrespeitosa a partes íntimas do corpo, e coisas do tipo. As pessoas estão tão acostumadas com esses conteúdos musicais que parecem nem mais se importar com a degradação.

Minha esposa fez uma pesquisa alguns dias atrás. Verificou a quantas anda a produção de filmes românticos. Ficou surpresa ao perceber que romances entre homens e mulheres quase sempre envolvem traição ou então algum grau de desprezo ao casamento e à família tradicionais (bíblicos). Assim como vem acontecendo nas músicas, o romantismo deu lugar a um erotismo exacerbado, animalesco e mecânico. Curiosamente, os romances homossexuais (e há vários filmes desse tipo atualmente) são os que mais vêm valorizando o amor romântico…

Esse estado de coisas me fez lembrar o ótimo livro Nossa Cultura ou o Que Restou Dela, do psiquiatra inglês Theodore Dalrymple (pseudônimo de Anthony Daniels), autor mais do que necessário para entender o tempo em que vivemos. No livro, ele fala sobre a imundície moral, espiritual e emocional que tomou o mundo e engendrou prazeres passageiros e sofrimentos prolongados. Nas páginas 281 e 282, lemos: “A revolução sexual provocou, acima de tudo, uma alteração na sensibilidade moral, na direção de um consistente embrutecimento dos sentimentos, pensamento e comportamento.”

Dalrymple não é um homem religioso, por isso suas análises e seus ótimos livros tratam os temas da perspectiva de um intelectual conservador e realista (que infelizmente só fui conhecer anos depois de meu tempo de universidade), sem o viés bíblico que o ajudaria a reconhecer a origem de toda essa desgraça.

Assim como o coronavírus se espalha rapidamente entre as pessoas, com consequências devastadoras para a vida em sociedade, para a economia e outras áreas, o vírus do pecado, quando começou a ser espalhado neste planeta há cerca de seis milênios, também causou e vem causando estragos na vida dos seres humanos e nos reinos animal e vegetal. Morte, dor e sofrimento mancharam o plano original do Criador. O remédio? Álcool 70%? Máscaras? Confinamento? Nada disso resolve, evidentemente. O único remédio para o vírus do pecado é o sangue de Cristo, derramado na cruz do Calvário por amor aos “infectados”. Unicamente esse sangue purifica a mente, o coração, o ser todo.

Estamos num mundo que afunda; que cava o fundo do poço cada vez mais. Precisamos estar aqui um pouco mais, mas não podemos ser daqui. Somos cidadãos da pátria celestial; embaixadores do reino de Deus. Assim como os profissionais de saúde têm se desdobrado e até se arriscado para ajudar as pessoas afetadas pela epidemia atual, temos que ajudar aqueles que sofrem sob o fardo do pecado. Temos que ser luz do mundo e sal da terra, como comparou nosso Mestre. Mas como viver no meio da sujeira sem nos sujarmos? Como viver em meio ao que sobrou da nossa cultura? Acatando as recomendações bíblicas do apóstolo Paulo, por exemplo. Cito três textos (extraídos da Nova Versão Transformadora):

“Concentrem-se em tudo o que é verdadeiro, tudo o que é nobre, tudo o que é correto, tudo o que é puro, tudo o que é amável e tudo o que é admirável. Pensem no que é excelente e digno de louvor” (Filipenses 4:8).

“Vistam toda a armadura de Deus, para que possam permanecer firmes contra as estratégias do diabo [e] resistir ao inimigo no tempo do mal” (Efésios 6:11, 13).

“Não imitem o comportamento e os costumes deste mundo, mas deixem que Deus os transforme por meio de uma mudança em seu modo de pensar, a fim de que experimentem a boa, agradável e perfeita vontade de Deus para vocês” (Romanos 12:2).

Assim como temos tomado precauções para minimizar os riscos de contágio pelo coronavírus e seguido conselhos de saúde a fim de que possamos fortalecer o sistema de defesa do corpo (os “oito remédios naturais” são ótimos para isso), sigamos os conselhos de Deus para ter uma vida santificada e oremos para que Ele nos inunde do amor com que devemos trabalhar pelos doentes deste mundo “infectado” pelo pecado.

Vem logo, Jesus!

Michelson Borges

O erro tira sua vida da verdade

mask“Satanás tem operado com poder enganador, introduzindo uma multiplicidade de erros que obscurecem a verdade. O erro não pode subsistir por si mesmo, e se extinguiria de pronto, não se apegasse como parasita à árvore da verdade. O erro tira sua vida da verdade de Deus. As tradições dos homens, como germes que pairam no ar, agarram-se à verdade de Deus, e os homens as consideram como parte da verdade. Mediante falsas doutrinas, Satanás consegue terreno onde firmar-se, e cativa a mente dos homens, fazendo com que se apeguem a teorias que não têm fundamento na verdade”(Ellen White, Evangelismo, p. 589).

Há pessoas que depois de descobrir problemas em algo começam a duvidar de tudo. Sabe o motivo? Sua base de entendimento da verdade está enfraquecida; algumas vezes quase nem existindo.

Muitos erros se espalham pelo mundo. Para existir devem estar misturados com pedaços da verdade, pois ficariam mais evidentes os enganos e as loucuras dessas ideias. Ganham espaço na mente das pessoas ao se apropriar da credibilidade que existe nos pedaços de verdade com os quais estão misturados. A melhor maneira de enganar é se parecendo amigo de alguém, pois assim não desconfiarão dessa pessoa.

Somente o estudo adequado da Palavra de Deus e da boa Ciência (que mostra Deus na criação), sob a guia do Espírito Santo, pode nos ajudar a discernir a verdade e o erro.

Pense nisso.

(Josué Cardoso dos Santos é doutor em Física e especialista no estudo do movimento de corpos celestes do Instituto de Tecnologia de Israel)

Imitando a cultura

uzaNum instante, Davi se transformou num assassino, quando Uzá foi fulminado por sua ousadia em tocar a Arca (1 Crônicas 13). E tudo começou com uma aparentemente ingênua ação: colocar a Arca num carro, em vez dos ombros dos levitas. O entusiasmo e o pragmatismo de Davi o levaram ao erro e ao pecado. Mas a ação de Davi não foi original; os filisteus transportaram a Arca num carro (1 Samuel 6:7, 8). Portanto, ao imitar a cultura, Davi fracassou!

Esse episódio nos lembra que a obediência à Palavra é muito mais importante que o entusiasmo, o pragmatismo e a cultura.

“Mas eles estão fazendo assim!” “As igrejas estão fazendo desse jeito.” “As pessoas gostam disso!” “Os estudos mostram que…!”

Esqueçamos a cultura! Esqueçamos as tendências sociológicas e antropológicas! Esqueçamos o pensamento dominante! Esqueçamos o que dizem os especialistas! Se eles disserem e praticarem diferente da Palavra, esqueçamos!

O conselho das pessoas, as pesquisas dos especialistas e os ditames da cultura jamais devem substituir as prescrições da Palavra de Deus.

Pastor Adolfo Suárez

Janela para o Céu

familyprayerQuando tinha nove anos, fui convidada pelo vizinho para participar dos cultos que ele fazia com a família dele. Pedi autorização aos meus pais e toda noite me unia àquela família para orar e ler trechos da Bíblia. Especialmente as histórias do Gênesis me deixavam impressionada. Comecei a mudar minhas atitudes em casa e meus pais ficaram preocupados, achando que eu estava ficando “fanática”. Proibiram-me de participar dos cultos e resolveram rezar o terço em casa. Para o meu irmão e para mim, aqueles eram momentos muito desagradáveis. “Tudo bem que a gente reze, mas não precisam ficar com essa cara de tristes”, pedia ele. Aqueles eram momentos realmente maçantes e, com o tempo, meus pais acabaram desistindo da idéia e tudo voltou a ser como antes. Que pena. Perdemos uma grande chance de conhecer melhor a Deus, antes mesmo de nos tornarmos adventistas.

O tempo passou. Cresci, me casei e tenho três filhos pequenos. Quando me lembro dessa experiência da minha infância, fico me perguntando o que tenho feito para tornar a religião algo agradável e relevante na vida das minhas meninas.

Alguns pais se sentem orgulhosos e felizes por verem seus filhos prosperarem intectual e materialmente. Isso é bom, mas se o coração deles está vazio, longe de Deus e em busca apenas das honras deste mundo, é tudo vão. E quando Jesus voltar e perguntar por esses filhos? Eles são um presente emprestado. Um dia teremos que devolvê-los a Deus. Infelizmente, muitos se esquecem disso e criam filhos apenas para este mundo.

Você tem buscado a Deus a fim de ensinar seus filhos a dependerem dEle também? Ou tem colocado outras coisas no topo de sua lista de prioridades – novelas, filmes, esportes, propriedades? Os filhos observam tudo e aprendem com nosso exemplo.

Se deseja a ajuda de Jesus para salvar, abençoar e livrar seus filhos das más influências, há um braço poderoso estendido para você. Deus é tão bom que deixou orientações claras e específicas para que os pais ajudem os filhos: “Toda família deve construir seu altar de oração, reconhecendo que o temor do Senhor é o princípio da sabedoria” (Ellen G. White, Orientação da Criança, p. 517). E Ele diz mais: “Acheguemo-nos confiadamente junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna” (Hebreus 4:16).

Assim como os patriarcas, devemos também construir no lar um altar de oração – o culto familiar. Mas como deve ser esse culto? Ellen White dá algumas dicas:

“O pai, como sacerdote da casa, deponha sobre o altar de Deus o sacrifício da manhã e da tarde” (Orientação da Criança, p. 519).

O culto não deve ser de forma insípida e com monótona repetição de frases. Deus é desonrado quando o culto é seco e tedioso.

Deve conter a expressão de nossas necessidades e homenagem de grato amor ao Criador.

As orações devem ser curtas e ao ponto, com palavras simples. “Quando um capítulo comprido é lido e explicado e se faz uma longa oração, esse precioso culto se torna enfadonho e é um alívio quando passa” (Ibidem, p. 521).

Escolha um trecho interessante e fácil da Bíblia – e todos devem ler. Alguns versos são suficientes para dar uma lição que será praticada todo o dia.

A criança também pode ajudar a preparar o culto e escolher o que vai ser lido.

Depois deve-se perguntar a ela sobre o que foi lido e fazer aplicações na vida diária.

O ideal é que os cultos sejam feitos antes do desjejum e à tarde, antes de que venha o cansaço e o sono. “É o dever dos pais cristãos, de manhã e à tarde, pela fervente oração e fé perseverante, porem um muro em torno de seus filhos” (Serviço Cristão, p. 210).

Não se deixe levar pelas circunstâncias: mesmo quando estiver muito atarefado ou quando houver visitas em casa, não negligencie o culto. Assim, as crianças aprenderão a importância da religião na vida da família.

Aproveite o poder da música. Ela é um ato de adoração como a oração, e é “um dos meios mais eficazes para impressionar o coração com as verdades espirituais. Quantas vezes, ao coração oprimido duramente e pronto a desesperar, vêm à memória algumas das palavras de Deus – as de um estribilho, há muito esquecido, de um hino da infância – e as tentações perdem o seu poder, a vida assume nova significação e novo propósito, e o ânimo e a alegria se comunicam a outras pessoas!” (Orientação da Criança, p. 523).

Tenho experimentado o poder do culto familiar em meu próprio lar. Minha filha Giovanna, quando tinha quatro anos, “compunha” um hino todos os dias e tinha prazer em apresentá-lo no momento do culto. Eram (e continuam sendo) momentos especiais de união e paz. E sempre que oro por minha família e peço a Deus forças para cumprir minha missão de mãe, me vem à mente a promessa: “Ele não Se desviará de vossas petições, deixando a vós e aos vossos como brinquedo de Satanás, no grande dia do conflito final. É vossa parte trabalhar com simplicidade e fidelidade, e Deus estabelecerá a obra de vossas mãos” (Ibidem, 526).

Quero ter meus filhos no Céu, por isso preciso apresentá-los ao Céu. É como se nós, pais, na hora do culto familiar, convidássemos: “Filhinho(a), venha aqui. Dê uma espiada nesse lugar. Que tal morarmos lá?”

Abra essa “janela para o Céu” em sua casa também.

(Débora Borges é pedagoga e pós-graduada em Aconselhamento Familiar)

Não vamos idolatrar pessoas; elas são falhas

tristeAo longo da história bíblica e do cristianismo houve grandes naufrágios espirituais e morais. Homens e mulheres de Deus sucumbiram às mais diversas tentações e deixaram um rastro de vergonha e dor. Com seus deslizes, mancharam o bom nome cristão e levaram outros à derrota ou à autojustificação. Louvado seja Deus pelo fato de Ele ser misericordioso e restaurador, mas, mesmo com o bálsamo do perdão, nem sempre é possível escapar das consequências de certas escolhas. Algumas dessas consequências nos acompanham por toda a vida.

Recentemente, o escritor evangélico Jushua Harris, autor do livro Eu Disse Adeus ao Namoro, declarou não mais ser cristão. Joshua e a esposa, Shannon, anunciaram a separação depois de 19 anos de casados. Harris era conhecido por seu conservadorismo, mas no ano passado escreveu um comunicado oficial pedindo perdão por seus livros conservadores e renunciou ao cargo de pastor principal da Covenant Life Church. Ele disse que lamenta e até se arrepende de suas posturas conservadoras, inclusive com relação ao homossexualismo.

Quando esses naufrágios acontecem, somos lembrados uma vez mais de que nosso olhar deve estar fixo unicamente nAquele que é perfeito: Jesus Cristo. Se um líder de igreja, um pastor, um administrador começa a negar tudo o que ensinou e pregou; começa e espalhar heresias e inverdades, isso não significa que o evangelho perdeu seu valou e seu poder. Significa apenas que não devemos ancorar nossa fé em seres humanos, nem promover o culto à personalidade. Em tempos de expansão da TV e das redes sociais, certas figuras podem se destacar e passar a ser tratadas até com certa idolatria. Isso não é correto. É preciso atentar para a mensagem, não para o mensageiro, e sempre agir com a atitude dos bereanos, que submetiam todos os ensinos à Palavra de Deus (Atos 17:11).

O apóstolo Paulo é claro quando diz que “aquele que julga estar firme, cuide-se para que não caia!” (1 Coríntios 10:12). A firmeza do cristão não vem dele, vem da Rocha. Devemos sempre desconfiar de nós mesmos e confiar unicamente em Jesus.

Ellen White escreveu que “muitas estrelas que temos admirado por seu brilho tornar-se-ão trevas” (Profetas e Reis, p. 188), e que “nas cenas finais da história terrestre, homens a quem Ele honrou grandemente seguirão o exemplo do antigo Israel. […] O afastamento dos grandes princípios que Cristo estabeleceu em Seus ensinos, a elaboração de projetos humanos, usando as Escrituras para justificar a errônea maneira de proceder sob a perversa influência de Lúcifer, confirmarão os homens no engano, e a verdade de que necessitam para serem livrados de práticas incorretas se escoa da alma como água de um recipiente que vaza” (Manuscript Releases, v. 13, p. 379, 381). “Muitos demonstrarão que não são um com Cristo, que não estão mortos para o mundo, para que possam viver com Ele; e as apostasias de homens que ocuparam posições de responsabilidade serão frequentes” (Review and Herald, 11 de setembro de 1888).

Apostasia de homens que ocuparam posições de responsabilidade… Se você for um fã dessas pessoas em detrimento da mensagem que elas anunciam, poderá confundir a mensagem com a pessoa e acatar inadvertidamente tudo o que seu ídolo disser.

Fomos devidamente advertidos, portanto, fiquemos atentos. Oremos pelos homens e pelas mulheres que ocupam cargos de responsabilidade; oremos para que nós nunca nos esqueçamos de que podemos ser um testemunho para o bem ou para o mal; e sobretudo olhemos sempre para Jesus, “o autor e consumador da nossa fé” (Hebreus 12:2).

Somos ovelhas de Jesus, não rebanho de seres humanos falhos. É verdade que Ele usa poderosamente homens e mulheres que se colocam sob Sua direção e se submetem à Sua vontade, mas a mão que move o leme é a Dele.

Concluo este texto com uma reflexão que recebi por e-mail:

“Igreja não tem palco, tem altar: no palco há performance, no altar há sacrifício.
“Igreja não tem show, tem culto: no show há exibição, no culto há rendição.
“Igreja não tem estrelas, tem servos: estrelas aparecem, servos obedecem.
“Igreja não tem fãs, tem discípulos: fãs aplaudem e bajulam, discípulos aprendem e seguem.
“Igreja não tem artistas, tem ministros: artistas atuam, ministros servem.
“Igreja não tem plateia, tem adoradores: plateia assiste e reage, adoradores prostram-se e entregam-se.
“Quando a igreja passa a ter palco, show, estrelas, fãs, artistas e plateia, faz jus à citação de Warren W. Wiersbe, em seu livro Crise de Integridade: ‘A igreja é semelhante à arca de Noé. Se não fosse o juízo de Deus para os que estão fora, seria impossível suportar o mau cheiro dos que estão dentro.’ Mas quando a igreja opta pela trilha do altar, do culto, dos servos, dos discípulos, dos ministros e dos adoradores, encontra sua identidade resumida nas palavras de Paulo: ‘família de Deus, que é a igreja do Deus vivo, a qual é a coluna e o alicerce da verdade’ (1 Timóteo 3:15, NTLH).”

Michelson Borges

O aplicativo do envelhecimento e uma reflexão a respeito

velhoFebre total! Nas últimas horas, não existe uma alma vivente no Planeta Instagram que não tenha visto no feed alguma imagem de um conhecido envelhecido. O FaceApp varreu a Terra invadindo nossa imaginação aos extremos da bizarrice humorística. Ou você também não deu alguma gargalhada ao ver seus amigos “velhos, enrugados e castigados pelo tempo”? E quando você se viu? Ninguém escapou. De influenciadores digitais a líderes religiosos, todos se petrificaram ao espiar no espelho pseudo-profético sua própria face décadas adiante. ⠀

Agora, lá no fundo mesmo, não dá uma sensação estranha e incômoda? “Gente, vou ficar assim?”, você deve ter se perguntado, como eu. Ou “eita, o tempo será implacável!”, nossa mente acabou processando. Junto com as risadas, certamente veio algo inevitável: a sensação imbatível de que A VIDA PASSA. ⠀

Quando me vi, senti duas coisas: gratidão por estar assim como estou “ainda”, e apreensão por me perguntar quem serei eu com “aquela” cara. Além de beliscar com unhas bem compridas a minha autoestima, isso me fez refletir por instantes: se Cristo não voltar até lá, como viverei quando tiver vivido minha maior parte? ⠀

E você? Rugas não denunciam velhice, desanimo sim. Cabelos ralos ou branquinhos não são punição sumária, mas frustração por uma vida desperdiçada, sem dúvida. Ei! Que idoso você está se tornando “hoje”? Tem aproveitado ao máximo cada milésimo presenteado por Deus? Fortalecido relacionamentos impagáveis? Beijado seus queridos e falado o que sente para quem não ouve algo seu faz tempo?

Esse APP me impactou tanto quanto me divertiu. Todos chegaremos lá, se Jesus não chegar antes. E a Bíblia já alertava disso muito antes da internet: “Ensina-nos a contar os nossos dias para que o nosso coração alcance sabedoria” (Sl.90:12). Gostei do que o @carloscampitellioficial me falou: “Não existe juventude eterna que não esteja voltada pro Céu!” Ou seja, não desperdice seu tempo que pode ir além do tempo.

Que tal? Você velho será ainda mais jovem?

(Odailson; Instagram)⠀

Leia também: “Finalmente, meu olhar 43” (isso há quatro anos)

Mãe não pode chorar

womanMãe não pode chorar. Filho é quem chora. Quando era pequena, sempre que me machucava ou alguma coisa saía do meu controle, eu chorava. E cada vez que isso acontecia, corria pro colo certeiro – o lugar mais seguro do mundo. Minhas lágrimas sempre foram cuidadas por ela. Pra minha mãe, cada uma delas tinha valor. Mas minha mãe, a leoa do lar, nunca chorava. Eu ia crescendo, já não chorava tanto, mas caso isso acontecesse, minha mãe secaria minhas lágrimas. Eu nunca vi minha mãe chorar, até que um dia, sucumbindo à pressão covarde do mundo, sem poder esconder mais o sofrimento, minha mãe chorou. Nesse momento, entendi por que as mães não podem chorar. Porque, quando uma mãe chora, o mundo é abalado – pelo menos o mundo que existe dentro do filho. Como curar a dor, como entrar nos recônditos da alma onde habita o mais puro amor?

Quando minha mãe chorou, toda a segurança que eu tinha se foi. Queria colocá-la no colo e lhe dar a certeza de que tudo ficaria bem, mas jamais seria capaz de desempenhar o papel que cabia a ela, e só ela executava tão bem.

Quando minha mãe chorou, senti-me a pessoa mais impotente e incapaz do mundo. Profundamente entendi por que mães não podem chorar. Porque elas são donas do amor supremo e não há amor no mundo que possa preencher o vazio no peito ferido. Por isso a ordem normal da vida é essa: os filhos choram a perda das mães. Quando o contrário acontece – os filhos se vão primeiro – as mães choram, e o peito que abrigava o maior amor do mundo passa a abrigar a maior tristeza do mundo.

É, definitivamente, mães não podem chorar. Não foram feitas pra isso. Foram criadas só pra amar. Por isso, se o seu mundo nunca foi estremecido pelo choro de sua mãe, faça de tudo pra que não seja. Creio que Deus não escolhe os filhos que teremos; em Sua sabedoria, Ele escolhe as mães que precisamos ter. E é por isso que cada mãe é a melhor do mundo. E cada filho também precisa ser o melhor, pra nunca, nunca permitir o chorar de sua mãe.

(Danivia da Cunha Mattozo Wolff é doutora em Linguística)

“Existe um Deus em cima no Céu, e a luz e a glória do Seu trono repousam sobre a fiel mãe enquanto ela se esforça por educar os filhos para resistirem à influência do mal. Nenhuma outra obra pode se comparar à dela em importância. Ela não tem, como o artista, de pintar na tela uma bela forma, nem, como o escultor, de cinzelá-la no mármore. Não tem, como o escritor, de expressar um nobre pensamento em eloquentes palavras, nem, como o músico, de exprimir em melodia um belo sentimento. Com o auxílio divino, ela deve gravar na alma humana a imagem de Deus. Seu nome pode não ser ouvido no mundo, acha-se, porém, escrito no livro da vida do Cordeiro” (Ellen White, A Ciência do Bom Viver, p. 376).

Feliz Dia das Mães!