Direito à vingança

jose-mariaAntigamente roupa suja era lavada em casa. Esse tempo (saudoso!) passou. Hoje há lavanderias públicas que, à semelhança da internet, permitem terceirizar (e publicizar) a lavagem daquelas partes de nossas vidas que não costumam ser as mais limpas. Os reality shows, que há duas décadas arrancavam suspiros de horror de quem achava baixaria expor na TV certos dramas familiares, são fichinha diante dos absurdos que circulam atualmente nas redes sociais, sem pudor, limite ou censura. Já não nos importamos tanto, exceto quando é a reputação de alguém próximo a nós que está em jogo. Às vezes nem assim.

Como se estivéssemos numa grande aldeia sem cacique nem pajé, ou seja, sem ter que prestar contas a nenhuma autoridade civil ou religiosa, com frequência levamos à praça pública, instintivamente, nossas querelas e desafetos. Ali acabamos com nossos inimigos à queima-roupa, ainda que isso, de alguma forma, represente também nossa própria destruição moral. A “ágora digital” é rápida no gatilho e sumária em seus julgamentos. Ela, alegando transparência e democracia, limita-se a “expor os fatos” (será?), deixando que cada um julgue por si mesmo, que junte as peças do quebra-cabeça, se for capaz. Lembro-me, por exemplo, do caso da adolescente que detonou o ex, publicando o impublicável na internet. Ela ainda gostava dele e só fez isso quando soube que havia “outra” no pedaço (bem, essa parte da história não foi divulgada, claro). Também me recordo dos artistas e desportistas cujos excessos do fim de semana não costumam escapar ao olhar atento dos paparazzi de plantão nem ao instinto de CSI dos fãs casualmente munidos de celulares inteligentes que, “ingenuamente”, gravam áudios e vídeos que vão parar na web.

Bisbilhotice à parte, há algo bem mais importante aqui. Fazer justiça e se vingar: duas coisas difíceis de distinguir e nas quais não gostamos de pensar. Quando você está ferido e casualmente está com a razão, por que ficar calado? Por que não veicular sua própria versão dos acontecimentos? Por que levar fama sem proveito? Por que não se defender e limpar sua barra? Por que deixar que um(a) espertinho(a) ou um poderosão acabe com você assim, “na boa”? Afinal, passividade, sangue de barata, silêncio, resignação… são “virtudes cristãs”? Certamente parte dessas questões, para lá de complexas, passou pela cabeça daquele provável marido traído chamado José. Coberto de razão, protegido por uma cultura que prezava pela honra e que, de certa forma, favorecia o homem, ele poderia ter invocado a lei que previa para sua noiva grávida uma dura penalidade. O “problema” é que ele a amava, algo que nem sequer as evidências de uma traição puderam desfazer. O segundo, digamos, “problema” é que ele tinha princípios dos quais não quis se desvencilhar, nem mesmo sob a forte pressão do ressentimento, da decepção e da iminência dos boatos maldosos de que ele certamente seria alvo. O texto bíblico diz que José, noivo de Maria, “como era justo, e a não queria infamar, intentou deixá-la secretamente” (Mt 1:19).

Em alguns casos, o segredo é um item obrigatório da ética profissional. No caso específico de José, porém, o segredo – que não haveria de durar muito, dada a gestação de Maria – era, para ele, uma questão de princípio moral; não visava apenas à proteção de um ofício, comunidade ou círculo profissional. Era parte de sua identidade, de suas convicções e de sua fé. Ele preferia lavar a roupa suja em casa mesmo, não na lavanderia da esquina. Holofotes e outdoors ficariam só para coisas que valessem a pena! Devido à sua hombridade, ele decidiu que não a exporia. Recusou-se a ser portador e difusor de más notícias, muito embora fosse um dos principais envolvidos e, certamente, o maior afetado. Mesmo ferido, ele ainda era capaz de manifestar ternura, compaixão, simpatia (creia!), coisas que normalmente sentimos apenas pelos pecadores que nos feriram pouco ou que não nos ameaçam nem nos enfrentam abertamente. Se formos bem sinceros, veremos que nossos reclamos de justiça muitas vezes não passam de boas escusas para extravasar nossa necessidade de autodefesa. José preferiu não se defender, não se explicar nem acusar Maria, uma atitude que nos deixa… simplesmente sem palavras!

Seria certo ele agir diferente? Talvez. Há situações diante das quais não podemos nos omitir; perguntas que não podem ser devidamente respondidas com o silêncio. Dar de ombros pode ser às vezes um ato de covardia, dos mais cruéis. Por isso, a ressalva que Ellen White faz é bastante oportuna:

“É verdade que há uma indignação justificável, mesmo nos seguidores de Cristo. Quando veem que Deus é desonrado e Seu serviço, exposto ao descrédito; quando veem o inocente opresso, uma justa indignação agita a alma. Tal ira, nascida da sensibilidade moral, não é pecado. Mas os que, ante qualquer suposta provocação, se sentem em liberdade de condescender com a zanga ou o ressentimento estão abrindo o coração a Satanás. Amargura e animosidade devem ser banidas da alma, se quisermos estar em harmonia com o Céu” (O Desejado de Todas as Nações, p. 213).

Note aí as duas faces dessa moeda: justa indignação de um lado e amargura do outro. Sensibilidade moral de um lado e ressentimento do outro. Defesa da honra de um lado e animosidade do outro. Quando estamos nessa saia justa, andando pelo fio da navalha, sangrando e sofrendo, há um risco real de perdermos a harmonia com o Céu. No calor da emoção, podemos não ser capazes de tomar as melhores decisões. A passividade não é uma virtude, a paciência sim, e é preciso não confundi-las. A linha tênue e cinzenta que separa a justiça da vingança não justifica uma atitude impulsiva ou displicente, muito menos se coisas importantes estão em jogo. Cirurgias delicadas não se fazem com um facão, mas com um bisturi. É preciso clamar por sabedoria quando falta clarividência.

Abrir mão de direitos adquiridos não é uma obrigação. Perdoar também não é. É dom. É dádiva. É sinal de generosidade, de bondade. Crer que essa forma “abobalhada”, pacifista e aparentemente passiva de agir favorece a justiça, num mundo cheio de pecado e corrupção, é um ato de fé. E fé do tipo incomum. Ninguém garante que terá o efeito desejado. Talvez não tenha. Não dá para saber. José não sabia. A ética que se baseia no cálculo de probabilidades não é a ética dos princípios bíblicos, e sim a das contingências, a ética situacional. Uma vive pela fé; a outra, pela vista. E nós todos, em nossos dilemas, caímos numa dessas duas redes e assim vamos. José fez a escolha dele. Todos nós, sempre que nos decepcionarmos ou formos injustiçados, teremos que decidir também. O pano de fundo é esse. O que fizermos dirá não só daquilo que cremos, mas também de quem somos.

(Júlio Leal é editor na Casa Publicadora Brasileira)

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Há esperança para a igreja?

woman“Não carregue nas costas o peso da igreja, que não é sua, pois ela pertence a Cristo”

Há mais de vinte anos, quando eu era um jovem diretor de grupo em Santa Catarina, fui visitar nosso pastor distrital para pedir alguns conselhos relacionados com a comunidade adventista que eu liderava. Ademar Paim é um homem de Deus que, inclusive, realizou meu casamento. Contei-lhe das dificuldades que eu estava enfrentando na igreja e ele me disse algo de que nunca me esqueci: “Já me angustiei muito com os problemas e os desafios da igreja, e olhe que, como distrital, cuido de dez congregações. Perdi noites de sono, fiquei estressado, chorei, quase adoeci. Um dia abri o coração para Deus e disse que a carga estava pesada demais. Então Ele me disse que eu não precisava carregar nas costas uma igreja que é Dele. Entendi o recado. Ainda me sinto responsável pelas igrejas das quais sou pastor? Claro. Ainda sofro com algumas situações? Sim, é inevitável. Mas compreendi que não sou dono da igreja. Que o dono dela é Jesus, e Ele tem ombros infinitamente mais fortes que os meus.”

Abracei o adventismo no início dos anos 1990, quando era um estudante pré-universitário, evolucionista e adepto da Teologia da Libertação. Foram dois anos e meio de estudos bíblicos para me convencer de que a Igreja Adventista do Sétimo Dia realmente tem suas doutrinas embasadas nas Sagradas Escrituras e tem cumprido um papel profético especial no mundo. Dois anos e meio para purificar minha mente das ideologias antibíblicas que a dominavam. De lá para cá, tenho feito o que posso para ajudar a propagar a mensagem da volta de Jesus e edificar a igreja Dele na Terra. Prometi ao meu Deus que usaria tudo o que tenho e sou nessa missão. Procurei florescer onde fosse plantado: como estudante, professor, depois como editor da Casa Publicadora Brasileira (CPB) e, finalmente, como pastor adventista, ordenação que recebi há três anos com muita alegria e reverência – sempre levando em conta as palavras do pastor Paim: a igreja é Dele, você é apenas uma pequena engrenagem no todo.

Como repórter da CPB, tive o privilégio de conhecer histórias maravilhosas de conversão e missão. Histórias que me fazem acreditar que o Espírito Santo está agindo entre nós. Mas também acompanhei histórias tristes de intrigas, casamentos desfeitos, naufrágios espirituais, etc. Exatamente como acontecia entre o povo de Deus nos tempos bíblicos, afinal, eles e nós somos apenas seres humanos. Mas há um jeito de não ser dominado pelos maus sentimentos que essas coisas nos trazem.

Minha esposa e eu somos uma dupla missionária desde quando ainda éramos namorados. Entendi desde cedo que, como diz Ellen White, o verdadeiro converso nasce para o reino de Deus como missionário. É levando a Palavra às pessoas que nossa fé se fortalece. Por causa disso, precisamos estar sempre conectados à Fonte, porque ninguém dá o que não tem. Ver pessoas sendo convertidas pelo poder do Espírito Santo reafirma em nós a convicção de que a Palavra de Deus tem poder, e de que o Deus da Palavra guia Sua igreja. Ao ver o que o Senhor tem feito por meio de vasos de barro como nós encho-me de esperança.

Como diz um provérbio popular, ninguém joga pedra em cachorro morto. O diabo está irado contra a igreja, contra o povo que guarda os mandamentos de Deus e tem o Espírito de Profecia. O inimigo está atacando ferozmente esse povo, levantando heresias, mentiras, trazendo sofrimento e perdas, e tentando até às últimas consequências os soldados do evangelho. De vez em quando alguns desses soldados são atingidos e caem. Nessas horas, especialmente, merecem nossas orações e nossa compaixão, afinal, estamos todos na mesma guerra e um verdadeiro exército nunca abandona os seus feridos. Esse cenário de lutas e dor me mostra que o fim está próximo; que logo a sacudidura se intensificará (se não sabe o que é isso, estude) e me faz pensar uma vez mais que quem pensa estar em pé deve cuidar para não cair. E se cair deve olhar para cima e ver as mãos estendidas em sua direção.

Seguremos firmemente as mãos de Jesus e sigamos sempre o exemplo Dele, o autor e consumador da nossa fé. Só assim venceremos com Sua amada igreja, hoje militante, amanhã triunfante.

De vez em quando releio os textos abaixo, de Ellen White. Eles me trazem alento:

“A igreja, débil e defeituosa, precisando ser repreendida, advertida e aconselhada, é o único objeto na terra ao qual Cristo confere Sua suprema consideração” (Testemunhos Seletos, v. 2, p. 355).

“Deus tem na Terra uma igreja que é Seu povo escolhido, que guarda os Seus mandamentos. Ele está guiando, não ramificações transviadas, não um aqui e outro ali, mas um povo” (Testemunhos Seletos, v. 2, p. 362).

“Jesus amou a igreja, e por ela Se deu a Si próprio, e Ele a há de aperfeiçoar, refinar, enobrecer e elevar, de maneira que fique firme em meio das corruptoras influências deste mundo” (Testemunhos Seletos, v. 2, p. 356).

“Como o Capitão do exército do Senhor derribou os muros de Jericó, assim triunfará o povo que guarda os mandamentos do Senhor e serão derrotados todos os elementos oponentes” (Eventos Finais, p. 47).

“Não necessitamos duvidar nem temer de que a obra não avançará. Deus está à frente […] e porá tudo em ordem. […] Tenhamos fé de que o Senhor guiará com segurança ao porto a nobre embarcação que conduz Seu povo” (Review and Herald, 20 de setembro de 1892).

“Embora existam males na igreja e tenham de existir até o fim do mundo, a igreja destes últimos dias há de ser a luz do mundo poluído e desmoralizado pelo pecado” (Testemunhos Seletos, v. 2, p. 355).

“Quando alguém se afasta do corpo organizado do povo que observa os mandamentos de Deus, quando começa a pesar a Igreja em suas balanças humanas e a acusá-la, podeis saber que Deus não o está dirigindo. Ele se encontra no caminho errado” (Mensagens Escolhidas, vol. 3, pág. 18).

Em momentos de crise, gosto de pensar também na atitude de Josué e Calebe, de Moisés e dos profetas. Josué e Calebe foram espias fieis, mereciam entrar na terra prometida, mas decidiram permanecer com a “igreja” e sofrer com ela no deserto. Moisés teve a chance de ser o pai de uma nova nação e se livrar da “igreja” murmuradora e complicada, mas preferiu ficar com ela até o fim. Os profetas denunciaram os erros da “igreja”, muitas vezes foram perseguidos por aqueles a quem procuravam salvar, mas, mesmo assim, não abandonaram o povo de Deus. Quero estar com esse povo até o fim, dentro desse barco que levará a igreja até o porto seguro, e fazer o meu melhor para tornar essa viagem a melhor possível, apesar dos muitos obstáculos pelo caminho.

Vamos nos unir, orar e trabalhar. Navegar é preciso, e quem está remando não tem tempo para o que não é prioritário.

Michelson Borges

Leia também: “Atitude correta: três opções seguras para lidar com os escândalos”

O que Meghan teve que deixar para trás ao se casar com um príncipe

meghanRecentemente, fiz uma série de palestras e pregações na cidade de Londres. Entre uma tarefa e outra, aproveitei para conhecer alguns lugares significativos, como a casa em que Isaac Newton nasceu, a Abadia de Westminster (onde estão sepultados Newton, Darwin e outras figuras importantes), o Museu Britânico, o de Ciências e o de História Natural, além de outros pontos turísticos. O que eu não sabia é que havia três coincidências interessantes reservadas para mim nessa passagem pela Inglaterra.

No alto da famosa roda-gigante London Eye, me dei conta de que estava sendo realizado um verdadeiro desfile de aviões militares. Aeronaves de vários tamanhos riscaram o céu azul daquela manhã de terça-feira. Uma esquadrilha formou o número 100 (o que me fez desconfiar de alguma efeméride) e outra deixou um rastro de fumaça com as cores da bandeira britânica. Um verdadeiro show! E eu ali, assistindo a tudo bem de perto, como se tivesse programado.

Depois de visitar a Abadia de Westminster, naquela mesma manhã, fui em direção ao Palácio de Buckingham. No caminho, me deparei com uma avenida decorada com bandeiras e fechada com um cordão de isolamento. Era certo que alguma coisa especial estava mesmo acontecendo – e que eu estava bem desinformado. Juntei-me à multidão e perguntei a uma moça com uniforme militar de gala: “Quem está vindo aí?” A resposta dela foi breve e com expressão de estranheza no rosto: “The queem of England!” Não consegui ver a rainha, mas recebi um tchauzinho da Duquesa de Cambridge, Kate Middleton. Mais uma vez fiquei feliz em estar no lugar certo, na hora certa, mesmo sem saber do que se passava.

A outra coincidência ocorreu dois dias depois, na cidade de Windsor. O plano era conhecer o famoso castelo, mas não foi possível entrar nele. Por quê? Porque o presidente norte-americano Donald Trump estava lá, em visita à rainha. E ali mais uma vez me vi cercado por uma pequena multidão, que dessa vez protestava contra o visitante. Mas vou deixar essa terceira coincidência de lado e me concentrar nas duas primeiras.

De fato, aquela terça-feira foi um dia de festa. Os ingleses estavam celebrando os cem anos da RAF, a famosa Força Aérea Real. A nobreza toda estava no local reservado para o evento, onde havia alguns aviões e helicópteros militares em exibição. A partir de certo ponto o povo não podia avançar. Podíamos apenas ver à distância milhares de militares fardados e mulheres elegantemente vestidas, entre elas a recém-casada Duquesa de Sussex. Dei toda essa volta para falar exatamente dela, pois acho que a moça ainda não se acostumou a toda essa pompa real. Na verdade, a vida dela mudou radicalmente a partir do momento que se uniu em matrimônio ao príncipe Harry.

Ao se casar com Henry Charles Albert David, mais conhecido como Harry, a atriz norte-americana Meghan Markle recebeu o título de Duquesa de Sussex e, de certa forma, passou a viver um conto de fadas desejado por muitas mulheres em todo o planeta. O que talvez muitas não saibam é que, pelo fato de agora fazer parte da realeza britânica, Meghan terá que abrir mão de muitas coisas – o que, ao que tudo indica, ela fez com muita satisfação. Veja algumas dessas coisas que a moça terá que deixar para trás e como essa escolha dela nos faz pensar em nossa cidadania celestial.

1. Casada com o príncipe Harry, Meghan terá os holofotes sempre voltados para sua família. Ela estará constantemente sujeita a críticas ou elogios, dependendo de suas atitudes. Assim também é a vida de quem decide servir ao Rei Jesus e fazer parte de Seu reino. Torna-se vitrine, tanto real quanto virtual. Espetáculo ao mundo, tanto a anjos quanto a homens (1 Coríntios 4:9). Não vive mais para si mesmo, mas torna-se representante do reino que abraçou, mais ou menos como Meghan, que agora também representa a realeza britânica. E, pelo que se pode perceber nas fotos e nas entrevistas, ela não se arrepende nem um pouquinho disso. Você considera um privilégio pertencer ao reino de Deus e aceitar as responsabilidades naturais disso, ou encara isso como um fardo?

2. Logo após anunciar seu noivado com o príncipe, Meghan também confirmou sua saída da série “Suits”. A Duquesa de Sussex parece ter encarado sua aposentadoria precoce numa boa. Em entrevista ao Hello Magazine, ela comentou essa nova fase: “Vejo isso como uma mudança… Um novo capítulo, entende?” Vale lembrar que ninguém da família real tem um emprego remunerado, o que tornaria impossível sua carreira de atriz. A partir de agora, Meghan vai se dedicar às causas humanitárias. Quando alguém aceita Jesus como Salvador e Senhor, inevitavelmente acaba tendo que deixar muitas coisas para trás. Às vezes, até uma carreira, um emprego. E faz isso por amor a Deus e para se dedicar a tarefas que não contrariem a vontade dEle.

3. Os membros da família real são representados nas redes sociais através do perfil oficial do Palácio de Kensington. Por conta disso, Meghan excluiu sua conta no Instagram e seu blog, The Tig. Além disso, a Duquesa de Sussex deve evitar selfies, pois a rainha Elizabeth II não aprova esse estilo de fotografia. De maneira semelhante, os filhos de Deus somente postam fotos e conteúdos aprovados por seu Rei. Cristãos devem ser modestos, discretos e focados, evitando divulgar ou curtir/compartilhar qualquer conteúdo que não edifique, que deixe uma impressão ruim a seu respeito e que não contribua em nada para o bem. Como acontece com a família real, cristãos devem se preocupar com seu bom nome e com o nome de seu Rei. Pergunte sempre: Será que meu Rei aprovaria esse tipo de conduta de minha parte? Será que Ele aprovaria esse conteúdo que estou consumindo e/ou que desejo partilhar?

MEGHAN-WEDDING4. Há diretrizes rígidas sobre o que é aceitável para alguém da realeza usar e o que não deve vestir. Algumas cores devem ser evitadas e calças estão fora de questão. Apesar de ter uma personalidade forte, Meghan dificilmente terá como fugir das regras mais tradicionais. A Duquesa de Sussex vai precisar adotar roupas mais conservadoras, como saias e vestidos abaixo dos joelhos. Por respeito à sua função e, principalmente, à realeza, Meghan terá que mudar seu guarda-roupa e adotar roupas decentes e distintas. Que tremenda lição para aqueles e aquelas que pertencem ao reino de Deus! Cada vez que vai a uma loja ou ao guarda-roupa escolher uma peça você se pergunta se esse traje vai honrar o nome do seu Deus? Será que o que visto faz com que as pessoas tenham bons pensamentos a meu respeito e a respeito dAquele a quem afirmo servir? Se Meghan terá que mudar ser guarda-roupa por respeito à sua função, quanto mais deveriam levar a sério esse tipo de coisa aqueles que se consideram embaixadores de Jesus e de Seus reino.

5. Agora que já disse “sim”, Meghan entrará com o processo para obter a cidadania britânica. Apesar da influência da família real, o procedimento deve durar alguns anos. É possível que a atriz renuncie à cidadania americana quando for declarada cidadã britânica. Algo semelhante ocorre com aqueles que abraçam o reino de Deus: renunciam ao mundo e às suas paixões (1 João 2:16) e passam a ser cidadãos do reino do Céu, com seus privilégios e suas responsabilidades. Pertencer a Deus e à Sua igreja é a coisa mais importante para eles, acima de qualquer outra filiação ou bandeira.

6. No passado, Meghan costumava se posicionar quando o assunto era política. Durante as últimas eleições dos Estados Unidos, ela chegou a postar uma foto de Hillary Clinton no Instagram, com a legenda: “Estou com ela.” Ela também se opôs ao Brexit, a saída do Reino Unido da União Europeia. Porém, agora, ela terá que ser muito mais discreta e prudente, pois os membros da realeza não têm permissão para expressar opiniões políticas em público. O cristão também procura ser prudente quando o assunto é política e outros temas delicados e polarizantes, afinal, o maior propósito de um filho de Deus é pregar o evangelho e alcançar todas as pessoas, de todos os credos e de todas as posições políticas. Se for partidarista, o cristão poderá fechar muitas portas. Por isso, ele imita seu Rei que, quando esteve aqui, não Se envolveu em questões políticas, pois Seu reino não é deste mundo. Cumpriu Suas obrigações de cidadão, mas deixou com César os assuntos que pertenciam a César.

7. Meghan terá que se despedir de seu nome de batismo junto com todos os outros apelidos que adquiriu ao longo dos anos. Após o casamento, ela passou a ser conhecida como Sua Alteza Real Duquesa de Sussex. Além do ducado, o casal também recebeu os títulos de Conde e Condessa de Dumbarton e Barão e Baronesa de Kilkeel. Quando se converte e é batizado, o cristão também passa a ser uma nova pessoa, uma nova criatura. Seu passado não mais importa. Seus pecados ficam para trás e ele passa a viver em novidade de vida com Jesus, aguardando o dia em que igualmente receberá um novo nome.

8. As mulheres da família real não podem ficar com as pernas cruzadas, como Meghan costumava fazer antes do casamento. Existe um manual de etiqueta para evitar fotos constrangedoras. O estilo Duchess Slant é o modo encontrado por mulheres para evitar que partes íntimas corram o risco de ser expostas. Em vez de cruzar as pernas, elas sentam com os joelhos juntos e os tornozelos cruzados. Os cristãos também devem se preocupar com esse importante aspecto comportamental: a decência. Assim como ocorre com as mulheres da realeza, as mulheres cristãs farão de tudo para preservar sua dignidade, feminilidade e discrição.

9. Meghan não poderá mais pintar as unhas de qualquer cor. As mulheres da realeza devem optar por tons claros, com aspecto mais natural. Não à toa, Meghan é vista com cores neutras nas unhas desde que passou a namorar Harry. Em seu casamento, ela escolheu a cor favorita da rainha Elizabeth II. Mais uma atitude digna de imitação. Qual a cor favorita de Jesus? Qual atitude Ele aprova? Como devo me comportar para ser visto como um servo dEle?

Prince_Harry_and_Meghan_Markle10. Assim como os demais membros da realeza britânica, Meghan é orientada a nunca comer lagostas, mexilhões e camarões. O motivo? O alto risco de doenças que podem ser transmitidas por esses alimentos. Além dos frutos do mar, eles também são aconselhados a evitar carnes raras e água da torneira, enquanto viajam para o exterior. Os cristãos que levam a sério os conselhos de saúde dados por Deus na Bíblia curiosamente também não comem esse tipo de alimento, além de não ingerir bebidas alcoólicas, não fumar nem fazer uso de drogas. E fazem isso não apenas para evitar doenças, mas para ter uma mente clara a fim de se manterem conectados com seu Rei.

11. Meghan também precisou seguir a tradição na hora de montar seu buquê de casamento. Ela teve que incluir a flor de murta, símbolo do amor, que é usada desde o casamento da filha da rainha Vitória. Ela também usou algumas das flores colhidas pelo próprio príncipe Harry. A espécie escolhida por ele foi a miosótis, conhecida como não-me-esqueças, a favorita da princesa Diana, sua mãe. Filhos de Deus igualmente respeitam as boas tradições e amam seus pais. Linda essa atitude de Harry!

12. Sempre que a rainha se levanta todos os membros da realeza devem ficar de pé ao mesmo tempo e só podem voltar aos seus lugares depois dela. Meghan também deve fazer uma reverência sempre que cumprimentar a monarca. Se uma autoridade humana merece todo esse respeito, quanto mais o Rei do Universo! Deus é nosso amigo, nosso Pai, mas também é nosso Senhor e Criador. Portanto, devemos sempre ser reverentes diante dEle e na casa dEle.

13. A partir de agora Meghan até pode usar roupas de couro e pele, mas apenas de animais que não foram sacrificados. A regra também existe porque o guarda-roupa real não deve ser muito luxuoso. A ideia é não chamar atenção. Outra lição para os cristãos súditos do reino de Deus. Nada de luxo. Vida simples, amor às criaturas de Deus e atenção atraída não para si mesmos, mas para o Rei.

É bonito ver como os britânicos respeitam sua rainha e seus nobres. Também é interessante notar como Maghan Markle abriu mão de tanta coisa por amor a seu marido e por respeito à “instituição” da qual ele faz parte. Por amor, ela não considera suas obrigações um fardo. Na verdade, sente-se honrada e feliz. Esta também deveria ser a atitude de todo cristão: sentir-se honrado por pertencer ao reino de Deus e feliz por poder fazer a vontade de seu Rei.

Michelson Borges

A mala extraviada e o cuidado de Deus

malasDepois de três semanas fora do Brasil, minha família e eu voltamos de nossa viagem de férias e evangelismo. Como tenho três filhos, a logística para levá-los comigo sempre é bastante complicada (mas é algo que sempre que possível eu me esforço por fazer). Um dos grandes problemas é o espaço insuficiente em nosso carro para acomodar as malas (no mínimo quatro ou cinco, em viagens com essa duração). Desta vez, antes de retornar, tivemos que comprar uma mala a mais, pois ganhamos alguns presentes especiais e não queríamos deixá-los lá. Estávamos preocupados em como transportar todas aquelas malas do aeroporto até nossa casa. Minha esposa orou a respeito disso e deixamos o assunto com Deus. Quando fizemos conexão antes do último voo para nosso país, soubemos que uma das nossas malas havia sido despachada por engano para outro lugar, e já no Brasil fomos informados de que ela chegaria no dia seguinte e seria enviada de graça para o nosso endereço. No mesmo momento olhei para minha esposa e disse: “Nosso problema foi resolvido!” Aquela era a maior das malas e a que traria maior dificuldade para ser acomodada no porta-malas. Deus tinha uma solução com a qual jamais havíamos contado! Ele sempre cuida de nós.

Essa experiência me fez lembrar do texto de Romanos 8:28: “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o Seu propósito.” O extravio da mala que inicialmente poderia parecer um problema se transformou na solução de um problema maior e real. Quantas vezes isso acontece em nossa vida? Quantas vezes orações não respondidas ou mesmo atendidas de um modo estranho para nós são, na verdade, bênçãos “disfarçadas”?

Nunca podemos nos esquecer de que Deus tem sempre em vista nosso bem-estar e nossa vida eterna. É verdade que existem tragédias muito mais complexas que o extravio de uma mala e bem difíceis de compreender no contexto do “todas as coisas”, mas um dia tudo será esclarecido. Nas situações incompreensíveis devemos confiar no Deus que já Se mostrou digno de nossa confiança nas situações compreensíveis. Apenas confie.

Se em sua vida alguma mala se extraviar, lembre-se de que Deus está mais emprenhado em lhe garantir uma chegada certa e definitiva.

Michelson Borges

Vidas desperdiçadas

A dor e a noite passarão

hospitalPosso dizer que boa parte do que me coube escrever do livro O Poder da Esperança: Segredos do bem-estar emocional foi redigida em um leito de hospital e enquanto me recuperava da cirurgia, já em casa. Nem meu colega autor, o psicólogo Dr. Julián Melgosa, soube disso na época, pois mantive a informação restrita a um pequeno grupo de amigos e familiares, que oraram muito por mim. De uma hora para outra, fui diagnosticado com o que parecia ser um tumor, um nódulo de dois centímetros que precisava ser removido imediatamente a fim de ser avaliada sua natureza, se maligna ou benigna. Nem preciso dizer que minha vida mudou de repente. Eu, que nunca havia necessitado me submeter a qualquer procedimento médico mais sério, poderia estar com câncer. Internação, bateria de exames e a data da cirurgia foi marcada.

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Um novo coração, uma nova data de nascimento

coraçãoGostaria de falar sobre o Daniel. Daniel (nome fictício) é um paciente real que está internado desde julho no Instituto do Coração. Tem os seus 40 e poucos anos. Aparentemente, quem o conhece de primeira vez, até leva um tempo para entender o que está acontecendo. Daniel não parece doente. Fala muito bem. Tem boa aparência. É empresário. Mas Daniel nasceu com uma doença incurável no coração, a despeito de todos os remédios humanos. Os médicos chegaram à conclusão de que a única saída para Daniel seria um transplante de coração. Senão ele estaria fatalmente condenado e morreria. Durante estes quase cinco meses Daniel ficou em um leito de hospital, recebendo dia e noite medicamentos para manter sua pressão e bombeamento do coração. Em alguns momentos pensamos que ele não suportaria, fosse por alguma infecção oportunista, fosse pelo desânimo ou pela depressão.

Nesta madrugada, de todos os 132 dias, tive a honra de avisá-lo de que ele vai finalmente ter um novo coração, neste caso, o de um jovem de 24 anos. Esse coração virá de outro estado. Daniel terá substituído seu antigo e doente coração, com o qual a morte seria certa, por um novo coração. E é nesse ponto que eu gostaria de traçar um paralelo com a lição da Escola Sabatina de hoje.

Para Daniel receber o tão almejado coração, para que ele tenha uma nova vida, alguém morreu. Jesus também morreu pelos nossos pecados para que tenhamos novidade de vida. Daniel passará por uma cirurgia para receber seu novo coração. Costumamos dizer que o transplantado do coração tem duas datas de nascimento: a natural e a da cirurgia.  Da mesma forma, o batismo simboliza morte para o pecado e novidade de vida, em uma nova caminhada na vida cristã.

O transplantado do coração tem uma caminhada a seguir para que não haja rejeição do transplante. É uma nova rotina de vida, que inclui tanto remédios quanto não fumar nem beber, ou se abster de coisas que sejam prejudiciais para o corpo. Na caminhada cristã, devemos confirmar nossa decisão e escolha de que temos um novo coração. Deus nos deu a graça de nos resgatar da condenação do pecado. Por meio da novidade de propósito devemos demonstrar que Jesus é o Senhor da nossa vida.

Dei um abraço no Daniel e na esposa dele, e em seguida saí do hospital. Estávamos todos emocionados e conscientes de que a maior libertação estava diante dele. Mas esse é apenas o começo de sua caminhada.

(Everton Padilha Gomes é médico cardiologista e diretor do Estudo Advento)